sábado, 29 de junho de 2013
Ultraje além da conta
"Outrage beyond"de Takeshi Kitano (2012)
Continuação de "Ultraje", realizado em 2010 e exibido no Festival de Cannes no mesmo ano. "Insulto além", foi exibido em Veneza 2012 e recebido friamente pelo público e crítica. Kitano de novo volta ao tema da Yakuza, gênero que lhe trouxe fama e prêmios desde o excepcional "Hana-bi, fogos de artifício". Porém, Kitano acumulou muitos fracassos de publicoe crítica, e isso o afetou violentamente. Por isso, ele voltou aos filmes de Yakuza, que mal ou bem, tem um público garantido, calcado em suas cenas hiper-violentas. Mas diferente de "Ultraje", que pelo menos trouxe alguma novidade, essa nova empreitada, na verdade uma continuação direta, é extremamente desnecessária. O filme é arrastado, chatíssimo em sua primeira parte. Na segunda metade pelo menos existem cenas de ação, mesmo que pouco dinâmicas, e muitas mortes violentas, ocasionadas pela gangues rivais de Yakuza, que vão se matando sem dó nem piedade. Assisti ao filme quase que o tempo todo de saco cheio. E tem pelo menos uma única cena que cria interesse: uma cena de tortura envolvendo bolas de beiseball. Kitano está muito borucrático como ator, e várias cenas de ação e pancadaria soam falsas.
Nota: 5
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Noite 1
"Nuit # 1", de Anne Émond (2011)
Longa de estréia da curta-metragista Canadense Anne Émond, é um tratado sobre solidão e personagens errantes. Clara e Nikolay são 2 tipos solitários que se conhecem numa rave. Adeptos do "one night standing", partem para uma noite de sexo na casa dele. Durante a madrugada, Clara resolve ir embora sem se despedir de Nikolay. Irritado, ele a chama de volta, e ela retorna. Inicia-se aí um embate emocional e de exposição pessoal que irá mudara vida dos dois para sempre. Impossível ver o filme e não se lembrar do chileno "Na cama". filme que e passa inteiramente dentro de um quarto de motel. Na sua esteira vieram vários outros filmes, incluindo uma versão lésbica, "Um quarto em Roma". Porém, sem um texto realmente espontâneo e revelador, fica-se a impressão de estarmos vendo teatro filmado. Ninguém é obrigado a ser um excelente roteirista, como no verborrágico mas sublime "Antes da meia-noite", de Richard Linklater. Depois de uma excelente cena de abertura, na boite, em câmeras lentas, partimos para o apto de Nikolay, com uma cena excitante mas nada original de sexo entre o casal. A partir daí, diálogos e mais diálogos que sôam falsos, jogados pra fora. O casal discute a falta de relação com o mundo que vivem, a falta de amor ao próximo, a promiscuidade, etc. O que sobra de falas, faltam de amor e tesão. O casal principal está ok, mas nada carismático, se compararmos ao casal de "Na cama". Lá, a gente torce pelos dois. Aqui, a gente fica apático, achando tudo um saco. Que mulher mais mala, diria eu. Porém, o filme tem uma cena muito boa, cinematográfica, em plano-sequência, que é a saída dela do apto, andando pelas ruas chuvosas. Tivesse apostado na linguagem do cinema, e não do teatro, a cineasta teria sido mais bem-sucedida.
Nota: 5
terça-feira, 25 de junho de 2013
Guerra mundial Z
"World war Z", de Marc Foster (2013)
Baseado em livro de Max Brooks, lançado em 2006, foi elogiado pela narração em 1a pessoa sobre um Membro das Nações Unidas relatando a sobrevivência da humanidade numa Guerra contra os zumbis que dura 10 anos. O filme, no entanto, toma liberdade de transpôr toda a ação para o presente, com os personagens endo tomados de assalto pela invasão de zumbis raivosos, cuja procedência ainda é uma incógnita. Brad Pitt interpreta Gerry Lane, o tal agente da ONU, que quer salvar a sua família e os conduz até uma base militar. Chegando lá, ele precisa levar um cientista até a Coreia, em busca de um paciente zero que possa trazer o antídoto para o vírus raivoso. Produzido pela produtora de Brad Pitt, a PLAN B. O filme ficou mundialmente conhecido como o projeto de 400 milhões de dólares que iria afundar todo mundo. Os produtores odiaram o final e reflmaram, tudo dando mais ênfase na relação familiar ( aliás, a parte mais chata do filme, de longe). O filme é total anto-clímax, para quem já assiste a série"The walking dead". Não traz novidades alguma pro gênero filme-zumbi, e o roteiro é bobo, com um desfecho pior ainda. Li recentemente que a estratégia de falar mal do filme acabou trazendo uma boa renda para ele, tanto, que foi dada carta branca para uma continuação. Mas como assim? Pois é. O elenco está todo a toque de caixa. Os efeitos, que eram para ser o chamariz do filme, acabam sendo um dos grandes problemas. Maquiagem? Quase não se vê. O ritmo é arrastado, e a gente torce para acabar logo. Uma pena. O que fica de lembrança boa é apenas a trilha sonora, que usa sons eletrônicos. Nota: 4
SPOILER::::::
1o grande problema do filme: Como assim, um filme de zumbis que não tem sangue? Não vemos mordidas? O que concluo é que os produtores quizeram fazer um filme de zumbis para a família, que não chocasse ninguém. Perdeu tensão, ficou sem graça.
Os efeitos da horda de zumbis mega-rápidos não funciona. A gente mal vê os zumbis, e pior, parece um bando de trapalhões que vão se amontoando e derrubando os outros. Como falei acima, a história familiar é uma grande chatice, arrasta o filme e o torna meloso. Era para ser um filme de ação.
Segue abaixo um link do que foi filmado, e que, infelizmente, não foi aproveitado. teria sido um filme muito, mas muito melhor.
http://omelete.uol.com.br/world-war-z/cinema/guerra-mundial-z-saiba-como-teria-sido-o-final-do-filme-antes-das-refilmagens/
segunda-feira, 24 de junho de 2013
A espuma dos dias
"L'écume des jours", de Michel Gondry (2013)
Adaptação do clássico homônimo, escrito pelo escritor e músico surrealista francês Boris Vian em 1946. Sua literatura sempre foi considerada intransponivel para o cinema, devido às suas metáforas literárias. Michel Gondry tomou a iniciativa de ser o primeiro a fazer uma transcrição para o cinema, e o resultado é bastante satisfatório. A história é simples: um homem que recebeu uma herança e nunca trabalhou na vida se apaixona por uma mulher. Misteriosamente, ela desenvolve uma doença nos pulmões, que logo depois, descobrimos ser uma flor que está crescendo lá e a matando aos poucos. Gondry se utilizou de muitos efeitos para poder criar imagens surrealistas e poéticas. Mas ele se recusou a usar CGI. Usou técnicas antigas de trucagem, incluindo aí massinhas e stop motion. O resultado é belíssimo: inocente, encantador. Toda a Direção de arte do filme é um verdadeiro escândalo. E eu fiquei me perguntando quantos ácidos e chás Gondry e sua turma tomaram durante a concepção desse filme, porquê é impossível alguém desenvolvê-lo com a mente sã. Alías, é o tipo do filme que devemos proibir de alguém baixar no computador e ver numa tela de tv. É um filme grandioso, cinematográfico, e precisa ser visto e apreciado em tela grande. Muitas cenas antológicas, mas a que mais me encheu os olhos foi a de uma dança onde todos os personagens têm as pernas esticadas. Genial!Boris Vian era um grande amante do Jazz, e por isso, o filme faz altas referências ao gênero, além de fixar paixão por Duke Ellington. Não consigo imaginar o quanto Gondry teve que insistir para o elenco participar desse filme, por lendo apenas o roteiro, qualquer um teria pulado fora. É extremamente complexo,e ao mesmo tempo, simples. No fim das contas, tudo não passa de uma linda história de amor. Aliás, Gondry homenageia vários filmes, entre eles: "Fahrenheit 451", com os mesmos figurinos e cena da queima de livros, e "Quero ser John Malkovich", de Spike Jonze, na questão os cenários minusculos. Audrey Tautou, Romain Duris, Omar Sy estão ótimos, A cena da viagem de Tautou e Duris por Paris a bordo de uma navezinha espacial é linda demais. Se o filme tivesse meia hora a menos ( sim, ele é longo e lá pelo meio dá aquela barriga"), teria sido uma pequena obra-prima. Do jeito que está encanta, diverte, faz rir pelas esquisitices, ma cansa. É para se amar ou odiar. E não é filme para passatempo.
Nota: 7
sábado, 22 de junho de 2013
Passion
"Passion", de Brian de Palma (2012)
Brian de Palma encontrou em "Crime de amor", filme francês de Alain Corneau, sua matéria-prima para poder retornar ao que ele mais gosta: filmes com inspiração Hitchcockiana. Desde "Femme fatale" que de Palma não usa o Mestre do suspense como referência. O mais curioso é que "Crime de amor" foi realizado em 2010, ou seja, apenas 2 anos antes dessa refilmagem. No original francês, temos as divas Kristin Scott Thomas e Ludivine Saignier como as ambiciosas publicitárias e uma agência de publicidade. Aqui, elas são substituídas por Rachel MacAdams (Christine) e Noomi Rapace (Isabelle). Isabelle trabalha para Christine, e cria uma campanha que faz o maior sucesso. Christine assume a autoria da campanha para si, e entre elas, surge um embate literalmente de vida e morte. A trama é diabólica, apesar de extremamente rocambolesca. O desfecho é uma loucura, daquelas de fazer os cinéfilos ficarem horas em um bar discutindo as possibilidades. O que será que aconteceu mesmo??? Com tantas pontas soltas, o filme reserva uma cena antologica, digna de seus melhores filmes: :Carrie", "Vestida para matar" e "Irmãs diabólicas": é a famosa técnica de de Palma de dividir a tela em duas, criando um alto suspense orquestrado por ótima direção. Claro, tinha que ter o chuveiro de Hitchcock. envolvido. O filme foi escolhido como filme de encerramento do Festival de Veneza de 2013, mas recebeu críticas que dividiram opiniões. A trilha sonora, a cargo de Pino Donaggio, seu fiel colaborador, é excessiva, mas lembra vários trechos de trilhas de seus filmes antigos. A fotografia fica a cargo de Jose Luis Alcaine, Além de Hitch, de Palma se referenciou, no caso, uso a narrativa do filme "Redacted" e se apropria de várias câmeras para narrar "Passion": webcam, cameras de celulares, cameras de segurança, monitores de datashow, etc. Um filme que não dá para ficar indiferente. Anunciado como trhiller erótico, o filme promete sensualidade, mas mostra muito pouco de tesão. Melhor prestar atenção na atuação das atrizes.
Nota: 7
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Sem perdão
"Dead man down", de Niels Arden Oplev (2012)
Primeiro filme americano do Dinamarquês Opley, mais conhecido como o realizador da 1a versão de "O homem que não amava as mulheres". E esse mesmo filme foi o responsável por lançar o nome da atriz Noomi Rapace ao mercado, o que deu resultados, uma vez que hoje ela é uma estrela Hollywoodiana. Mas uma coisa que não entendo é: O que a super-mega atriz Isabelle Huppert está fazendo nesse filme, interpretando um papel muito insignificante da mãe da personagem de Noomi? Nada faz sentido, a não ser que ela seja amiga pessoal do diretor ou do produtor do filme. Um filme com um elenco composto por Colin Farrel, Noomi Rapace, Isabelle Huppert. F.Murray Abraham, Dominic Cooper, Terrence Howard, não podia ser de todo mal, né? Ainda mais nas mãos do cineasta que fez um ótimo trabalho na adaptação de "Millenium", e de novo, fazendo um trhiller. Mas nao há projetos que dêem certo sem um bom roteiro. E esse é o grande problema do filme. Torná-lo crível. Farrel interpreta Victor, braço-direito de um grande criminoso de Nova York (Howard). Ele tem como vizinha da janela da frente Beatrice (Rapace), que mora com sua mãe (Huppert). Beatrice vai tentando entrar em contato com Victor, até que anuncia seu verdadeiro intento: quer que ele mate o cara responsável pelo acidente que ela sofreu e desfigurou seu rosto. Em troca, ela não o entregará à polícia, pois ela tem em mãos um video onde gravou Victor matando uma pessoa. O roteiro se desenvolve de uma forma abrupta, e seu desfecho é absurdamente sem emoção. O atores fazem o que podem, mas todos eles, sem exceção, já tiveram momentos melhores. O ritmo é lento, para um filme de ação. A atmosfera é até interessante, evocando um filme noir. Mas mesmo a "femme fatale" de Rapace não consegue prender o espectador na trama. O que é uma pena.
Nota: 5
quinta-feira, 20 de junho de 2013
A guerra invisível
"The invisible war", de Kirby Dick (2012)
Documentário que concorreu ao Oscar da categoria em 2013, tem como tema relatos de mulheres e até homens militares americanos que foram estuprados dentro da Corporação. O filme traz depoimentos de várias mulheres que serviram as Forças Armadas e que entraram lá por idealismo. Porém, tiveram suas rotinas e vidas alteradas abruptamente pelo estupro promovido por colegas e ou chefes. Ao fazerem os boletins de ocorrência, se surpreenderam com a forma como A Corporação esconde os fatos, denigre e esconde, evitando de trazer em público. Alternando os depoimentos das vítimas, com depoimento de militares, jornalistas, ativistas, conjugues, etc , além de imagens de arquivos e pesquisa, o filme cumpre o seu papel que é o de informar o espectador sobre o tema que está assistindo. Porém, tudo isso é embalado de uma forma extremamente burocrática, e pior, com uma musiquinha chata e melosa de fundo, para provocar piedade do espectador. E num caso especial de depoimento, da mulher casada com um jovem militar que abandonou o servico militar para viver com ela, fico com pena do marido. Ele a ama, cuida da filha, dela, e mesmo assim, ela ainda o mantém afastado, por conta dos traumas. É muita exposição da vida pessoal do casal, e pior, ela é uma mala sem alça. Não duvido se daqui a pouco lermos que o marido a abandonou. Kirby dirigiu entre outros, o bom e curioso "Esse filme ainda não está classificado", sobre os censores de filmes nos Estados Unidos. Mas aqui faltou algo mais pessoal. Ele não precisa ser um Michael Morre, que se apropria de um tema e o revira de ponta-cabeça. Mas do jeito que está, ficou bem chato de assistir. Vale como curiosidade.
Nota: 6
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A consequência
"Die Konsequenz", de Wolfgang Petersen (1977)
Ao assistir a esse filme, jamais poderia associa-lo ao mesmo diretor do fantasioso e juvenil "A história sem fim", muito menos ao mesmo cineasta dos blockbusters "Troia"e "Força aérea 1". Em 1977, Petersen se apropriou de um livro, de título homônimo, e criou esse pesado drama sobre o amor entre um ator pedófilo e um rapaz de 15 anos de idade. O livro é baseado na história real do suico Alexander Ziegler, que ficou preso 2 anos e meio por assediar sexualmente um garoto menor de idade. No filme, Martin é um ator na faixa dos 40 anos, preso por atos de pedofilia com garotos. Lá, ele conhece Thomas, o filho de um carcereiro, de 15 anos de idade. Thomas se apaixona perdidamente or Martin. Quando Martin cumpre sua pena, Thomas vai até seu pai e diz que irá viver com Martin. O pai o expulsa de casa. A partir daí, o filme desencadeia numa sucessão de eventos que trarão um destino trágico a esse amor nada convencional. O filme é todo registrado num preto e branco expressionista, que enfatiza o drama e o sofrimento do jovem Thomas. A atuação é excelente, naturalista, em registro quase documental dos atores. Existe até uma pesada cena de curra, onde jovens internos transam com uma menina doente mental. A direção de Petersen é ousada, e cria planos interessantes, como alguns planos que se encaminham para o buraco de um olho mágico. É um filme de ritmo lento, denso, e desconcertante. Um tema sempre atual, e que provoca discussão. Pedofilia, aceitação, homossexualismo, reformatório de jovens. Muitos temas bombásticos reunidos em um único filme. Resultado: um filme que merece ser visto e ser descoberto por cinéfilos que buscam pequenas joias obscuras.
Nota: 8
terça-feira, 18 de junho de 2013
Europa 51
"Europa 51", de Roberto Rosselini (1952)
Preciso urgentemente resgatar clássicos do cinema que não tive oportunidade de assistir até então. "Europa 51" me foi indicado por ninguém menos que Martin Scorsese, em seu livro "Conversas com Scorsese". Ele diz que foi um filme muito importante em sua formação de cinéfilo, ao mostrar as agruras de uma mulher da alta burguesia que se converte ao Cristianismo. Cinema e religião sempre andaram de mãos dadas, às vezes de forma brilhante, outras nem tanto. Ingrid Bergman, ainda sob o peso do escândalo de seu casamento com o cineasta Roberto Rosselini, abandonou sua carreira em Hollywood para abraçar as causas do marido, mais voltados ao cinema neo-realista italiano. Rosselini, católico confesso, fez da personagem de Bergman uma versão moderna pós-guerra de Sào Francisco de Assis. Bergman interpreta Irene, uma mulher casada com um embaixador. Americana, ela abdica de sua terra natal para morar com o marido em Roma. De vida fútil, ela dá pouca atençào ao seu filho, que carente, comete suicídio. Sentindo-se culpada, Irene aos poucos presta atenção aos ideais comunistas do seu amigo médico Andrea, que a leva à periferia de Roma e assim, ela começa a fazer contato com a pobreza. Irene resolve dedicar sua vida aos pobres, sentindo-se então recompensada pelo seu sentimento de culpa. Mas o seu marido desconfia de suas reais intenções. Woody Allen, quando fez "Simplesmente Alice", com certeza deve ter se inspirado nesse filme para compôr a personagem de Mia Farrow, que também tem sua vida de burguesa transformada em atos de bondade. Ingrid Bergman está maravilhosa, com aquele olhar angelical e terno. estranho ouvir ela sendo dublada em italiano. Giuletta Masina tem uma cena antológica com Bergman, um encontro de titàs. É uma cena de almoço dentro do barraco de Masina. Que beleza de atuações. Um filme que merece ser visto, mesmo que para os olhos dos espectadores modernos, soe datado.
Nota: 8
domingo, 16 de junho de 2013
Paraíso: Fé
"Paradies: Glaube", de Ulrich Seidl (2012)
Fatima Toledo pelo visto andou praticando seu método de direção de atores na Austria. A atriz Maria Hofstätter apanha o filme quase que todo, se pune, se chicoteia, se arrasta pelo chão, num processo de atuação que me deixou muito chocado. Sou muito fã dos filmes extremamente crus e hiper-realistas de Ulrich Seidl. Desde o seu 1o filme, "Dog days", passando por "Import Export", "Paraiso:Amor", Ulrich tem incomodado platéias e críticos com suas cenas de extrema violência física e psicológica, sexo explícito, em tramas que geralmente abordam o universo feminino, de mulheres maduras que sofrem de depressão e que desejam desesperadamente tentar fugir da rotina exasperante. "Paraíso:fé", é o terceiro de uma trilogia, que começou com "Amor", e prosseguirá com "Esperança". O filme narra a história de Anna, uma enfermeira católica que faz parte e um grupo de religiosos fervorosos que pregam a palavra de Deus, e cuja intenção é trazer a religião de volta na vida das pessoas. Quando ela tira férias do trabalho, ela resolve visitar os vizinhos e fazer com que eles se convertam ao catolicismo. Assustada com a falta de fé das pessoas, Anna se pune, como forma de se sacrificar pelos pecados dos homens. Um dia, porém, seu marido muçulmano e aleijado retorna para casa, e tenta Anna a voltar aos tempos de esposa que divide os prazeres da carne. Não é um filme fácil de ser visto: é lento, quase muito pouca coisa acontece em cena, e o que se vê são várias cenas onde a personagem apanha o tempo todo. A fotografia, a cargo do americano Edward Lachman ( "As virgens suicidas", "Eu não estou aqui") e Wolfgang Thaler é estonteante. Existe uma cena de tempestade cuja côr é algo indescritível de tão bela. Ulrich sempre expõe o sexo de forma crua, feia, suja, sem tesão. Aqui, temos uma cena de orgia num parque, onde Anna irá flagrá-los em pleno ato. É uma cena repugnante, onde os atores praticam sexo real, explícito. Um filme pouco recomendável para pessoas sensíveis, principalmente os religiosos.
Nota: 7
sábado, 15 de junho de 2013
Crônicas sexuais de uma família francesa
"Chroniques sexuelles d'une famille d'aujourd'hui", de Pascal Arnold e Jean-Marc Baar (2012)
Jean Marc Baar é mais conhecido como ator dos filmes "Europa", de Lars Von Trier e "Imensidão azul", de Luc Besson. Aqui, ele resolve co-dirigir esse filme de forte contexto sexual, recheado de cenas de sexo explícito envolvendo atores de várias faixas etáreas. A idéia de Jean Marc e seu colega Pascal Arnold, foi fazer uma provocação sobre a moralidade da sociedade, trazendo atores que emprestam seus corpos para falar de sexualidade , de cenas de sexo reais e não simuladas, uma alternativa aos filmes pornográficos.
Romain (Matthias Melloul) é um adolescente de 18 anos pêgo em sala de aula se masturbando. O rapaz é repreendido e toda a sua família de classe média alta fica sabendo: a mãe, o pai, o irmão mais velho, sua irmã e seu avô. O fato provoca nos integrantes da família, individualmente, uma busca pela sua sexualidade, os dilemas e tabus. O filme destrincha a vida sexual de todos os integrantes da família do rapaz. Acompanhamos a rotina de cada pessoa da família em suas inseguranças acerca de sua sexualidade. O avô que contrata com uma prostituta; o irmãos mais novo que quer perder a virgindade; o irmão mais velho que só faz sexo a três; os pais que tentar recuperar o tesão que tinham há anos atrás; e a irmã que se excita ouvindo sacanagem. Como o próprio titulo diz, são crônicas de uma família que se expõe em seus tabus, taras e fetiches. Os diálogos são naturalistas, como se os diretores quisessem que o espectador estivesse ali como voyeur, espreitando as intimidades de cada um. O que mais impressiona, é a forma como os atores franceses lidam com o sexo nas cenas. Aqui, todos participam de cenas de sexo explícito, se expondo por inteiro em cenas intensas de tesão.
O Céu de Suely
"O céu de Suely", de Karim Ainouz (2006)
Assisti o filme na época do lançamento, em 2006. Hoje o revi, por conta de um trabalho que terei que fazer, e a emoção de ver o filme continua a mesma: Que direçao, que roteiro, que elenco, que fotografia! O filme já começa com aquela pegada pop entoando a bela música brega "Tudo o que eu quero", na voz de Claudia. Logo em seguida, através das lentes do fotógrafo Walter Carvalho, somos levados ao sertão de Iguatu, Ceará. Um colorido hiper realista que realça a extrema pobreza do local. Os personagens, todos humildes, vivem suas vidinhas mais ou menos, de rotina sem grandes preocupações, a não ser saber da festinha do forró da noite ou de namoricos fúteis. O curioso é que os personagens possuem os mesmos nomes dos atores. Hermila (Hermila Guedes) é uma jovem que volta de uma temporada de São Paulo, junto de seu filho pequeno, com a promessa que o marido venha em breve para construirem uma vida ali. Ela volta pra casa da mãe, com quem trava uma guerra emocional, e descobre que o marido fugiu. Certa de que ali não é lugar para ela, ela resolve rifar seu corpo, para poder juntar dinheiro e ir embora dali. Georgina Castro, que faz a amiga Georgina, é quem deveria ter sido a interprete de Suely, mas durante a preparação de elenco foi feita a troca com Hermila Guedes. Para o bem ou para o mal, Hermila saiu-se vitoriosa. Depois do sucesso do filme, ela nunca mais parou de trabalhar, emprestando o seu talento inegável para muitas produções do cinema, tv e teatro. João Miguel também faz uma participação, além de Marcelia Cartaxo e Zezita Matos, extraordinária no papel da mãe. Muita gente alega a falta de ritmo da narrativa, o tédio que trespassa cada segundo da história. Mas educar o olhar de espectador é essencial, para que ele possa perceber as nuances das performances, os olhares, as ruas, as locações, as cores. É um filme de extrema sensibilidade. A trilha sonora ajuda a compôr um clima de sertão pop, jovial, sem ranço. Karim, após o bem-sucedido "Madame Satã", não teve medo em ousar nessa história polêmica. Ganhamos todos nós, cinéfilos exigentes em busca de bons filmes. Nota: 8
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Antes da meia-noite
"Before midnight", de Richard Linklater (2013). Tudo começou em 1994. Depois em 2004. Agora, quase 20 anos depois, o casal mais amado do cinema independente americano está de volta. Mais velhos, mais sábios, mais rabujentos. Jesse e Celine, agora com duas filhas gêmeas, estão a 6 semanas na Grécia, a convite de um escritor grego. Entre comida, turismo e muito bate papo literário e existencial, ambos, na véspera de partirem, irão passar uma noite em um hotel, um presente dado pelos hosts. Mas o que supostamente era para ser uma noite romântica, acaba virando um tiroteiro emocional e revelador, botando à prova a vitalidade do amor do casal. Ethan Hawke e Julie Delpy, mais afiados do que nunca, expõem com uma performance valiosa e irretocável o amor aos 40 anos, desgastado, mas ainda com uma chama que pode ou não ser pagada. Delpy especialmente, com o fisico marcado pela idade, demonstra um profissionalismo em prol da obra: ela passa uns 10 minutos do filme semi-nua, com os seios à mosra, sem medo de se expor pela vaidade. O roteiro, extraordinário, prima pelo seu realismo. Parece que nós, espectadores, estamos sentados numa cadeira do lado dos personagens, observando a rotina deles. O mais impressionante na atuação é que muitos planos duram quase 10 minutos sem cortes ( a do carro do início) e nem assim os atores se mostram pouco à vontade. Agora, o filme fala sobre culpa, perda, morte, familia, frustrações. A cena do almoço é um primor, diálogos maravilhosos, atores supimpas, uma direção elegante. É muito dificil filmar uma cena tão longa sem movimentaçao de câmera e não cansar o espectador. isso prova a genialidade dos diálogos. Pra complementar , temos belíssimas locações na Grécia e uma trilha sonora envolvente. Eu chorei várias vezes ao longo do filme: logo no início, no diálogo pai e filho, na cena do almoço e no desfecho. Altamente recomendado para quem gosta de ver filmes de atores, de texto, e não se incomoda de ficar quase 2 horas ouvindo atores falando de suas rotinas banais, mas ditas com muita verdade.
Nota: 10
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Amor é tudo o que você precisa
""Den skaldede frisør", de Susanne Bier (2012)
Perdi esse filme no Cinema, e vendo agora em dvd, sinto uma pena enorme de não ter visto em tela grande. Em primeiro lugar, pelas belíssimas locações de Napoles, na Italia, mais precisamente Sorrento. Que beleza, que fotografa! Em segundo lugar, para ver o trabalho dessa atriz extraordinária que é a Dinamarquesa Trine Dyrholm, uma das melhores atrizes do mundo, de quem sou grande fã. A garra e força com que ela interpreta Ide, uma mulher com câncer que resolve lutar pela vida e dar início a um novo amor, e mais, lutando com garra de leôa pela felicidade de seus filhos, é realmente encantador. Outro dado que para mim me deixou animado: Quem foi que disse que os "frios" Dinamarqueses não sabem fazer comédia romantica? Susanne Bier, dos otimos "Por um mundo melhor" e "Corações livres" filma com muita leveza, bom humor, sutilieza e glamour essa história de amor que se passa na Dinamarca e na Itália. O roteiro em si é bem clichê, com muitas situações óbvias e sub-plots sobrando ( o drama do noivo é dispensável). Mas, de novo, por conta do talento dessa grande atriz, o filme vale muito a pena. Só uma diretora estrangeira ousaria fazer uma comedia romantica expondo uma atriz que interpreta uma mulher com cancer totalmente nua em cena. jamais o cinema americano faria isso. Essa é a grande diferença desse filme: tratá-lo como um drama realista. Pierce Brosnan interpreta com charme canastra o seu milionário workhaholick e sem coração. Ah, e a trilha me lembrou Woody Allen o tempo todo.
Nota: 7
terça-feira, 11 de junho de 2013
Se beber não case parte 3
"The hangover part 3", de Todd Philips (2013)
Como assistir uma comédia e não rir em momento algum? Essa é uma premissa colocada em prática com esse terceiro filme da franquia. E mais: Como manter o nome original da franquia, traduzida do inglês para "A ressaca", se esse mote dos filmes anteriores não existe mais nesse terceiro filme? Aqui ninguém bebe e racha a cuca acordando no dia seguinte sem lembrar das merdas que fez. O que era engraçado nos outros filmes anteriores, aqui fica uma sucessão de cenas aborrecidas e requentadas, de uma tentativa de se fazer um filme que previlegia a ação e a aventura. Afinal, o que queria Todd Philips? Pior, no desfecho, ele ainda faz do filme um melodrama que une pessoas que se entendem, que dividem as mesmas doenças mentais. A nostalgia fica por conta de cenas flashbacks que se não emocionam, pelo menos nos lembram que os filmes 1 e eram melhores. O seu publico alvo, que são os adolescentes, não consguirá captar sutilezas d atrilha sonora, que a meu ver, é equivocada. Por que tocar "Everybody's talking", da obra-prima "Perdidos na noite", numa cena de travessia pelo Deserto americano? Enfim, entre tantos erros, alguns acertos, mais no quesito técnico. A fotografia está um deslumbre, e os enquadramentos também surpreendem. Nota-se um gasto de orçamento exorbitante, principalmente na cena inicial do presídio. Um filme caro, onde os atores cobraram cachês milionários. Todos se deram bem, menos o espectador.
Nota: 5
domingo, 9 de junho de 2013
Star Trek - Além da escuridão
"Star Trek- into darkness", de J.J. Abrams (2013). Para início de conversa, você estará lendo uma crítica de um fà dessa nova série de"Star Trek" dirigido por J.J. Abrams. O mais bem-sucedido cineasta de blockbusters de Hollywood , depois de Spielberg (Robert Zemeckis anda meio apagado, por isso não conta), Abrams sabe como ninguém como manipular os sentimentos do espectador. Ainda mais para um fã. Tudo bem, as histórias quase sempre são muito parecidas: a tripulação da nave Enterprise precisa salvar a Terra de um inimigo, alguém tenta tirar o comando da nave do Capitão Kirk, Spock e Kirk travando rusgas, a nave perde a força e irá colidir...sempre será assim. Mas aqui, mais do que qualquer filme de aventura, o roteiro lida com o sentimental. Desde o seu prólogo, o filme não desmente ao que veio: reforçar a importância da amizade. E isso é dito várias vezes ao longo do filme. E culmina numa cena emocionalmente melancólica, que fará algum marmanjo soluçar escondido. O filme tem uma pequena barriga lá pela sua primeira hora ( o filme tem 132 minutos), mas daí ele retoma a dinâmica e até o final fica pau puro! O cine mão americano tem aquele dom de encontrar o ator certo para cada personagem: Todos, sem exceção, estão perfeitos em suas caracterizações: Chris Pine, Zacahry Quinto, Zoe Saldanha, Karl Urban, Simon Pegg ( que faz um Scotty irresistivelmente carismático), Peter Weller ( Robocop)...e Benedict Cumberbatch, fazendo a diferença com o seu enigmático personagem, cujo nome não pronunciarei, para não estragar a surpresa. Abrams não é bobo nem nada e se cerca de vários atores ingleses. Algumas cenas são de tirar o fôlego..e deixar o espectador, como eu, sentado na ponta da poltrona. Exagero? Pode ser. Mas que o filme é bom demais, e que o cinemão americano quando acerta é foda!, isso ninguém duvida. Que venha o próximo! E assim como a platéia da sessão que eu assisti, fiquem até o final dos créditos, só para poder escutar a clássica musica-tema do filme.
Nota: 10
SPOILER ABAIXO! QUEM NÃO VIU NÃO LEIA!!!
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Gente, não há coração Trekker que resista à aparição de Leonard Nimoy no filme. O roteirista e os produtores, que não são bobos nem nada, deram um jeitinho de fazer o próprio surgir como um Spock do futuro, acionado por uma transmissão que atravessa o tempo. Sensacional, e ele ainda faz referência ao filme "A ira de Khan". Os fãs agradecem.
- A cena em que Kirk está morrendo, e seu amigo Spock, sem poder fazer nada, e separados por uma cabine radioativa, é de doer o coração. E quando eles fazem a saudação vulcânica com as mãos separadas pelo vidro...socorro!!! Lindo demais! Deu até para ver uma lágrima no coração frio do Spock.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
V/H/S/ 2
"V/H/S/2 ", de Jason Eisener, Gareth Evans, Timo Tjahjanto, Eduardo Sánchez, Gregg Hale, Simon Barrett and Adam Wingard (2013)
Excelente sequência do igualmente ótimo "V/H/S", uma coletânea de curtas de terror, onde a prerrogativa narrativa são filmes no estilo "found footage". Uma dupla de detetives particulares vai até uma casa em busca de informações sobre um garoto desaparecido. Lá, eles encontram in;umeras fitas em Vhs abandonadas. A jovem vai assistindo cada uma das fitas. Comecam então 5 histórias: a 1a, "Phase 1 clinical trials", é sobre um homem que tem um olho implantado. No entanto, esse olho faz com que ele veja mortos. Esse episódio é muito interessante, e é todo em ponto de vista do protagonista, que somente é visto através de espelhos. A 2a história "Ride in the park", é dirigida por Eduardo Sanchez, diretor de "Bruxa de Blair". Narra a história de um ciclista que andando pela floresta, é atacado por um zumbi. A partir daí, o filme vai no ponto de vista do jovem se transformando em um zumbi. Genial e marcado pelo humor negro. A 3a história, "Safe haven", é uma obra-prima dirigida por Gareth Evans, diretor do cult "The raid". Uma equipe de reporteres vai aé a base de um lider religioso. Mas eles chegaram no dia D, onde algo apavorante irá acontecer. Bizarro, fenomenal, inacreditável. Esses sào alguns adjetivos desse curta que já nasceu clássico. O 4o episódio, "Slumber party alien abduction" é, como diz o titulo, uma invasão alienigena que invade uma festa de adolescentes. Para quem curte "Os goonies", vai ser um deleite. No geral, uma coletânea muito boa, e tomara que essa franquia vingue. Filmes independentes feitos com ótimos roteiros e muita criatividade. Tudo o que um fa de terror precisa. Imperdível.
Nota: 9
O grande Gatsby
"The Great Gatsby", de Baz Luhrmann (2013)
Estonteantemente belo, o filme encanta pelo seu visual luxuoso e pelo olhar glamuroso da Nova York dos anos 30. Trazendo de volta a mesma estética narrativa de "Moulin Rouge", Baz Luhrmann compõe um filme quase todo igual ao seu filme musical: canções pop atuais compostas como se fossem da época, vistuosos movimentos de câmera, um elenco lindo e exuberante, montagem clipada, e o mais importante, uma história de amor trágica. Baseada em obra de Scott Fitzgerald, essa nova versão é um épico sobre um homem apaixonado que faz de tudo para poder demonstrar o seu amor à mulher amada. Nick ( Maguire) é um escritor que trabalha com ações. Solitário, ele acaba travando amizade com Gatsby ( di Caprio) , seu vizinho milionário, que promove festas exuberantes em sua mansão. Gatsby conta para Nick que o seu desejo é de se reaproximar de Daisy (Carey Mullighan) , uma paixão do passado, atualmente casada. Toda a parte técnica do filme é nota mil! Com exceção dos exageros de computação gráfica, que tiram o frescor e a qualidade do filme, tudo é muito encantador. Ainda mais assistindo em 3D. A gente fica o tempo todo vendo aqueles cenários, figurinos, locações, festas monumentais e se perguntando: "Caralho, gastaram uma fortuna!". Eu adoraria ter me apaixonado pelo filme. e quase fiquei. Mas a história demora a pegar. Todo o início é frio, pouco envolvente. Somente quando a relação entre Gatsby e Daisy começa a engrenar, que o filme vai ficando apetitoso. Até então, a gente vê tudo lindo, mas sem alma. Uma pena. Uma nota: o elenco principal está lindo, verdadeiros colírios para os olhos: Di Caprio, versão bronzeada, nunca esteve tão belo. Mullighan também, e mesmo Tobey Maguire, cativante com o seu personagem errante. VAle ressaltar a homenagem que o filme faz a "Crepusculo dos Deuses". Além da óbvia referencia final na piscina, tem uma cena que Tobey MAguire pergunta: "Are you ready for your close up?".
Nota: 7
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Tese sobre um homicídio
"Tesis sibre un homicidio", de Hernan Goldfrid (2013). A gente cansa de falar que os argentinos fazem o melhor cinema da América Latina, que devemos aprender com eles, que os roteiros são sensacionais, etc. Isso tudo é verdade. Mas quando o cinema argentino resolve copiar uma fórmula do cinema americano, aí a coisa fica diferente. Baseado em livro homônimo de Diego Paszkowski, o filme narra a história de Roberto (Ricardo Darin), um famoso e respeitado professor de criminalística que dá aula em uma Faculdade de prestígio. Dando início a uma turma nova, ele conhece Gonzalo, filho de um casal de amigos de décadas atrás. Esnobe, Gonzalo desfia uma tese sobre erros no código penal. Roberto o desafia. Uma noite, durante uma aula, uma mulher é encontrada morta em frente à faculdade. Roberto passa a desconfiar que Gonzalo seja o autor do crime, uma forma de poder provar a sua tese. O diretor Hernan Goldfrid se apropria de séries como CSI, LAW AND ORDER para mostrar um filme cujo ponto forte são os questionamentos, a tentativa de se descobrir o assassino através de detalhes, se pistas. Fica evidente também a aproximação do filme com "Festim diabólico", de Hitchcock. A história do aluno que desafia o professor para poder mostrar a sua supremacia. No entanto, infelizmente, o filme não possui muitos atrativos, além do talento do ator Ricardo Darin. que não é surpresa para ninguém. O ritmo é lentíssimo,e para um filme que se propòe ser um trhiller, é suspense quase zero. O elenco de apoio está ok, sem muitos destaques. O diretor deveria ter investido mais no roteiro, na psicologia dos personagens. Os tipos são muito esterotipados, Gonzalo não tem nuances, já de cara é mostrado como eventual suspeito, ao invés de deixar o espectador chegar nele. Vale como curiosidade, a tentativa de s fazer um filme e gênero argentino. Uma pena que não tenha sido algo mais notável. Nota: 6
Elena
"Elena", de Petra Costa (2012)
Seria incorreto classificar esse belo filme da atriz mineira Petra Costa como simplesmente um documentário. Mais do que um filme de gênero, ele é um ensaio poético e visionário sobre um tema tabu: a depressão. Através da história de 3 mulheres de uma mesma família ( Mãe e suas 2 filhas), o filme procura descobrir o porquê que uma pessoa linda, inteligente, bem-nascida e tão cheia de projetos futuros, se aprofunda num estado catártico, solitário e melancólico da depressão. O filme narra a história de Elena, uma jovem filha de um casal mineiro ( a mãe é filha de familia tradicional e abastada) que aderem ao movimento de guerrilha na ditadura. Por causa da gravidez, a mãe de Elena não pode seguir para o Araguaia. Desde então, Elena é considerada a salvadora de seus pais, já que boa parte dos colegas foram mortos no conflito. Petra nasce, e Elena demonstra muito carinho por ela. Elena um dia resolve que quer ser atriz. Após carreira em São Paulo, dentro de um grupo de teatro, ela resolve seguir até Nova York estudar. Obcecada pela perfeição artística, Elena se cobra nos estudos. Ela faz vários testes, sem passar em nenhum. Solitária, sua mãe e Petra acabam indo para NY morar com ela. Porém, Elena vai entrando em estado de profunda depressão, culminando em suicidio. O grande trunfo dessa história é mostrar as coincidências das 3 mulheres: todas elas com sonho de ser atriz, todas elas com indícios de depressão, todas com um sonho que de certa forma foi interrompido por algum evento que as fazem mudar de rumo ( no caso da mãe, foi o casamento, que acabou com o seu sonho de ser atriz). Petra, a remanescente, é constantemente vigiada por sua mãe, que teme que ela siga o mesmo caminho de Elena. A grande inteligência de Petra em transpôr a sua alma para o filme, foi concebê-lo como uma tragetória de exorcismo, expôndo o seu coração para a platéia, através de uma trilha sonora bárbara, fotografia deslumbrante ( mesmo quando as imagens são em VHS, aviva-se uma beleza nas imagens). A coragem da mãe em expôr seus sentimentos e dôr para o filme merecem respeito: foi a forma que ela encontrou para dizer a suas filhas que ela as ama profundamente. Pode-se dizer que Petra teve uma grande sorte em possuir um enorme acervo de imagens, sejam elas em VHS, fotos, etc, que ajudam bastante o espectador a embarcar nessa história emocional. Tem momentos que eu pensei: caraca, mas como alguém teve a ideia de ligar a câmera nesse momento???
Um filme imperdível, triste, sem duvida, mas autêntico.
Nota: 8
terça-feira, 4 de junho de 2013
A datilógrafa
"Populaire", de Régis Roinsard (2012)
Comédia romântica sensacional, feito com extremo carinho e competência por toda a equipe técnica do filme. No ano de 1958, Rose ( Deborah), uma jovem do interior, sai de casa para tentar a sorte numa cidade maior. ela se emprega como secretaria de Louis (Roman Duris), um administrador que a contrata por ela digitar rápido. Ele a inscreve em um concurso de velocidade de datilografia, uma forma dele resolver traumas familiares. Mas ambos se apaixonam, apesar dele não admitir isso e manter sua fama de carrancudo. Há muito tempo não via um filme com tanto esmero na fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem, roteiro, e ao mesmo tempo, me remetesse a uma época como se estivesse vendo um filme de outrora. O cuidado é extremo. Até a trilha sonora, saborosíssima, remete a isso. A caracterização dos personagens me lembrou "O pequeno Nicolau": o desenho dos tipos chega na caricatura, mas mantendo um realismo que sai do pastelão. E mais: enxerguei o tempo todo um filme com a Audrey Hepburn! Ela faria o filme como ninguém! Mas Deborah François manda super -bem em sua composição, atuando com extrema competência. Fiquei pasmo ao pesquisar no IMDB que ela é a mesma atriz dos dramáticos "A criança" e "O monge", duas atuações tensas. Roman Duris é perfeito no papel, e todo o elenco de apoio, incluindo Berenice Bejo e Miou Miou, estão ótimos. OS diálogos são primorosos: "Os Estados Unidos são para Negócios, a França é para o Amor!" é a minha frase preferida. Muitas cenas antológicas, um trabalho de câmera esplêndido. A tentação do diretor Régis Roinsard em querer fazer um filme como se tivesse sido feito na época, só é quebrado numa única cena, primorosa: a cena da noite de amor do casal. Que cena brilhante, em termos de direção e fotografia! Torci, me emocionei, até soltei uma pequena lágrima. Um filme maravihoso, que merece ser visto por todos.
Nota: 10
Coming out
"Coming out", de Heiner Carow (1989)
Mais do que um filme, "Coming out" é um importante registro histórico de uma época. Filmado em 88, foi o único filme da Alemanha Oriental ( o muro caiu em nov de 89) que falou abertamente sobre a temática do homossexualismo. Fiz umas pesquisas, pois fiquei intrigado, e vi que o homossexualismo não era proibido, apenas era ignorado na rotina do comunismo alemão. O filme é bastante ousado, por isso resolvi pesquisar, pois achei estranho que no governo comunista pudesse ter uma vida tão abertamente gay, mesmo que ainda mal-visto pela população. Grupos neo-nazistas, a própria sociedade buscando a culpa da deterioração da sociedade através da "vida mundana" dos homossexuais, por isso todos os punem, fisica e psicologicamente. Muito importante avaliar culturalmente a virada musical e de moda nessa virada dos anos 80 pros 90: a entrada da música eletrônica, o figurino e estilo de vida mais pop, saindo daquele padrão comunista de ser. O filme narra a história de Philiph, um jovem professor que mantem um relacionamento com Tanya. Um dia, ela o apresenta a seu amigo, Richard, que na verdade, foi um ex-caso de Phliph. Isso deflagra um sentimento de culpa no professor, que se pune por não assumir sua homossexualidade. Ele acaba indo para um bar gay clandestino, onde conhece Mathias, um jovem assumido. Eles mantem um caso, mas ao descobrir que Philiph é casado, Mathias tenta cometer suicídio. Por ter sido produzido ainda sobre a vigência do governo da Alemanha Oriental, o filme é quase que uma cartilha sobre a culpa de ser gay. Dramaticamente melancólico, realçado pelas cores cinzentas de uma Berlim triste, "Coming out" é , apesar de seus defeitos como filme ( atores amadores, ritmo frouxo, um roteiro frágil) uma obra importante pelos motivos que citei acima.
Nota: 7
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Segredos de sangue
"Stoker", de Park Chan Wook (2013). 1a produçao americana do cineasta sul-coreano Park Chan Wook, mais conhecido pela trilpgia da vingança "Oldboy", "Lady Vingança" e "Senhor Vingança". O filme conta com um elenco estelar: Nicole Kidman, Mia Wasikowska, Jackie Weaver entre outros. Mia é India Stoker. Ela mora com sua mãe ( Nicole Kidman) em uma casa de campo. Seu pai foi encontrado morto em um acidente de carro. No dia do velório, ela é apresentada ao seu tio, Charles. Logo, ela estranha o fato de sua mãe estar ficando muito íntima do tio. Ele resolve morar por um tempo na casa, e a presença dele, ao memso tempo que a assusta, a fascina. Esse drama com doses de suspense remete a uma atmosfera de Hitchcock. Personagens ambíguos era o tema preferido do mestre Hicth, e aqui, Chan Wook leva até o ultimo grau a estranheza de personagens de quem não sabemos nada, e que irão se revelando ao longo da narrativa. Mathhew Goodie, no papel de Charles, interpreta o personagem de forma óbvia, cheio de afetações. Mesma coisa Nicole Kidman, que faz aqui um tipo femme fatale. Mia compõe uma jovem perturbada de forma interessante, mas o fato da trama ser óbvia em vários momentos tira a força da narrativa. Resta uma excelente fotografia, uma ótima atmosfera e fica-se a sensação que o filme não aconteceu por completo. Faltou uma trama mais diabólica e menos evidente, e mais, personagens carismáticos. A gente acaba não torcendo por ninguém, e isso é um erro fatal para qualquer filme.
Nota: 6
Os grandes mestres
"The greatmasters", de Wong Kar Wai (2013). Filme que abriu o Festival de Berlim 2013, provocou uma frieza na platéia, que esperava uma obra-prima do cineasta. O filme narra a história real de Ip Man (Tony Leung, ator fetiche do cineasta), que nos anos 30 em diante, foi o grande mestre de Kung Fu numa Academia de artes marciais do sul. Ele conhece Gong Er (Zhang Yiyi), filha temperamental do Mestre da academia de artes marciais do Norte. Ip man foi o professor de Bruce Lee, mas o que o filme quer mostrar é a história de amor impossível entre Ip Man e Gong Er. Wong Kar Wai filma uma história de amor como nenhum outro cineasta: Suas cenas, seus planos, são verdadeiras coreografias. Tudo no filme é extremamente requintado: a fotografia, a direção de arte, o figurino, as locações, a trilha sonora, com direito a faixas de Enio Morricone. As cenas de luta são fantásticas, tudo extremamente cronometado e arquitetado como um verdadeiro artesão. O filme possui várias cenas antologicas. mas o problema do filme é que Wong Kar Wai traz a sua mesma linguagem que já conhecemos dos outros filmes: a camera lenta excessiva, que ao mesmo tempo que vislumbra, traz a sensação de deja vu. O tema das artes marciais também é bastante complexa, podendo causar tédio em alguns espectadores. Melhor se ater na história de amor, que encontra na Invasão japonesa e na figura do traidor chinês Ma San ( excelente perfomance de Jin Zhang) dois sub-plots interessantes que dão ao filme um caráter épico.
Nota: 8
Jack o caçador de gigantes
"Jack, the giant slayer", de Brian Synger (2012) . Baseado no conto "João e o pé de feijão", o flme conta a história de Jack, um garoto pobre que resolve vender seu cavalo e em troca, recebe uns grãos de feijão. Seu tio fica irritado com ele, mas um grão escapa e vai brotar na terra, dando inicio a um pé gigante que une a terra o o reino dos gigantes, que descem e resolver dizimar a populaçao. Jack se une à princesa e a Elmont (Ewan Macgregor), um leal guarda do Rei. Jack é interpretado por Nicholas Hault, atual draling de Hollywood, que além de "X-men", fez o ótimo "Meu namorado é um zumbi". O problema desse filme é que ele nao agrada nem adultos nem crianças, quer fazer humor quase pastelão e pior, os efeitos especiais são péssimos. Admira o diretor ser Brian Synger, que fez o primeiro "X-men" , mas que aqui, infelizmente erra na mão. É um filme longo, chato, sem graça e que talvez agrade quem esteja a fim de uma sessào da tarde inofensiva.
Nota: 5
Die hard- Um bom dia para morrer
"Good day to die hard", de John Moore (2012). Continuação da franquia do detetive John Maclane (Willis), que dessa vez, segue até a Russia em busca para livrrar o seu filho com quem ele não tem contato a anos. Ele descobre que o filho está envolvido com um poderoso grupo que quer dominar a Russia e o mundo ( de novo??). O personagem de Maclane todos nós já conhecemos: sempre se envolve por um acaso com perigosos terroristas, se fode, se quebra, mas no final sempre vence a galera. E claro, sempre faz sucesso de bilheteria e já está com um próximo d afranquia previsto pra 2015. O diferencial daqui é que, para angariar novos fãs da franquia, inventaram um filho jovem e no mesmo perfil arrazador de Willis. Pau pra toda obra, o filme tem como tema a paternidade: tanto dos mocinhos quanto dos vilões. Pancadaria, barulho ensurdecedor, aquele video-game de sempre. Pra quem quer bagunça, prato cheio. A russia mais uma vez tem sido o local preferido de Hollywood pra ser destruído ( vide o recente "A hora da escuridão")
Nota: 5
domingo, 2 de junho de 2013
Clapham Junction
"Clapham Junction", de Adrian Shergold (2007)
Bom drama ambientado na região de Clapham Junction, em Londres. O filme segue a rotina de uns 10 personagens, durante o período de 36 horas. A maioria dos personagens são gays, alguns assumidos e outros ainda escondidos dentro do armário. Através de uma exposição nua e crua da realidade dos homossexuais o filme expõe a solidão, a carência afetiva e a busca desenfreada por sexo fácil. Todos os personagens se entrecruzam, em uma narrativa no estulo de Robert Altman. O elenco está ótimo, com a curiosidade de juntar na mesma história os atores Rupert Graves e James Wilby, que protagonizaram o filme "Maurice"em 1986. Com cenas de sexo expositivo e uma bela trilha sonora, com faixa dos Pet Shop Boys, o filme tem uma direção correta, pecando apenas no uso excessivo da lente grande angular, que não combina com a linha dramática do filme. O exagero na quantidade de personagens atrapalha a trama, que dá destaque para alguns tipos e outros simplesmente desaparecem.
Nota: 7
sábado, 1 de junho de 2013
Insensiveis
"Insensibles", de Juan Carlos Medina (2012).
Belo drama de suspense, com uma ótima atmosfera e reviravolta no desfecho, típico dos recentes filmes espanhóis. O filme narra a história de David, um neuro-cirurgião de renome, que sofre um acidente de carro. Por conta dos exames, ele descobre que precisa fazer um transplante de medula óssea urgente, e para isso, precisa que seus pais o ajudem. No entanto, ele descobre que eles não são os pais biológicos, e buscando o passado deles, fica aterrorizado com a descoberta: nos anos 30 a 60 , durante o governo franquista, um grupo de crianças que nasceram com um dom são usados em experimentos científicos pelos alemães. Elas não sentem dor e isso pode prejudicar os amigos e familiares. Ótima fotografia, elenco convincente e maquiagem se destacam nessa produção que tem em seu roteiro seu maior ponto positivo: sempre surpreendendo, segura a atenção do espectador diante as reviravoltas da trama. Talvez não abusasse tanto da violência seria mais interessante, pois tem horas que temos a impressão que o diretor quer apenas chocar, quando poderia ter sido mais sutil. Afinal, tudo se resume em uma bela história de amor.
Nota: 7
sexta-feira, 31 de maio de 2013
A loja dos suicidios
"Les magasin des suicides", de Patrice Leconte (2012)
O cineasta francês Patrice Leconte, diretor , entre outros, dos ótimos"O marido da cabeleireira"e "Ridícu;o", se aventura na animação e faz um filme adulto inusitado, que tem como tema a obsessão das pessoas pelo suicídio. Claramente inspirado nos tipos de "A família Addams", inclusive com o patriarca exatamente igual ao Gomez ( os traços são os mesmos), o filme faz uma severa crítica ao caos reinante na Europa: Desemprego, crise financeira, falta de perspectiva e a consequente depressão por parte da população quie não consegue se reerguer. Usando o humor negro, Leconte narra a história da família de Mishima ( nome sugestivo do famoso autor japonês que se suicidou) que durante gerações comanda uma loja especializada em artefatos para que as pessoas cometam suicídios. Porém, quando nase o seu filho primogênito, as coisas mudam. Sempre feliz e sorridente, ele contrasta com a depressão e mau-humor dos pais e 2 irmãos, o que faz com que Mishima tente desesperadamente mudar o astral do menino. Divertido, delicioso e também melancólico, o filme não economiza nas cenas de mortes bizarras. O que me incimodou no entanto, foi ter transformado a animação em um musical, com números que me parecem perdido ante ao drama dos personagens. Mas de uma forma geral, é uma pequena jóia que deve ser vista pela sua coragem de expor um tema tão tabu de forma irônica.
Nota: 7
domingo, 26 de maio de 2013
A virgem Margarida
"Virgem Margarida", de Licinio Azevedo (2012). Belo e forte filme Moçambicano, uma cinematografia rara por essas bandas. Baseado em história real, o filme se passa no ano de 1975 durante a descolonização de Moçambique. Tomado por "infestações culturais do 1o mundo", os rebeldes resolvem sequestrar todas as putas das ruas e as levam até um campo de concentração. Chegando lá, elas são obrigadas a se comportarem como mulheres, donas de casa, que devem saber cozinhar, lavar e servir seus maridos. Nesse Universo repressor, encontra-se Margarida, uma menina de 15 anos, levada por engano quando estava nas ruas comprando seu vestido de noiva para o seu casamento. Com um excelente time de atrizes negras, o filme emociona com sua história original, filmada de forma sêca, apesar de parecer ter um contexto bem-humorado. É um filme que faz pensar e repensar o porquê das pessoas maltratarem outros, por motivos torpes, se utilizando do seu poder para desprezar e destruir vidas humanas. Um "Saló" baixos teores, mas nem por isso menos assustador.
Nota: 7
O lugar onde tudo termina
"The place beyond the pines", de Derek Cianfrance (2012). Repetindo a parceria com Ryan Gosling, após o excelente " Namorados para sempre", Cianfrance dessa vez exagerou na dose. O filme narra a historia de Luke (Gosling), um stunt de cenas de ação em motos que participa do globo da morte, um dos números de um parque de diversões. Ele reencontra sua ex-namorada, Romina (Eva Mendes), com quem decsobre ter um filho. Querendo prover o seu filho, Luke resolve participar de assaltos a bancos. Por uma obra do destino, seu caminho cruza com o de Avery (Bradley Cooper), um policial honesto que acaba se corrompendo junto com os seus superiores. O filme começa com um plano-sequência magistral, mas o ego de Cianfrance fez om que ele fizesse um filme épico de quase2:30 de duração. Para tanto tempo, ele narra o filme em passagens de tempo, inclusive uma com inecreditavel passagem de 15 anos, e NENHUM ator muda de fisionomia, como se fosse o dia seguinte. Mais: ele cria uma ousadia narrativa ousada, onde cada ator principal passa o bastão para o próximo, em 3 blocos distintos. O elenco está ótimo, incluindo o jovem Dane Dehaan, que faz o filho de Luke 15 anos depois. Mais o principal problema desse filme é...querer parecer demais com "Drive". O clima, a atmosfera, as músicas anos 80, as cenas de corrida, perseguição nas ruas, os maneirismos de câmera, e claro, Ryan Gosling e uma Eva Mendes posando de Carey Mullighan. E claro, a duração do filme, que me provocou tédio já lá pela metade do filme. Enfim, uma infelizmente decepção de um filme que eu esperava bastante.
Nota: 6
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Chamada de emergência
"The call", de Brad Anderson (2013)
Filme estrelado por Halle Berry e ABigail Breslin, é um suspense que procura criar a mesma atmosfera de "O silêncio dos inocentes", mas diferente desse, tudo aqui sôa extremamente implausível. A istória gira e torno de Jordan (Berry), uma atendente do 911, chamada de emergência,que em ato impensado, provoca a morte de uma vítima de ums erial killer. Traumatizada, ela vai trabalhar como uma relações publicas, até que um sequestro envolvendo o mesmo serial killer a bpta de volta na função de atendente. Desesperada, ela tenta buscar o paradeiro da vítima, que se encontra no porta-malas do carro do sequestrador. e pasmem, ela está com um celular. Pior que isso, são as várias acões que ele provoca para chamar atenção na rua, e o assassino nunca vê! O desfecho então, meu Jesus!!! O que dizer?
Bom, Halle Berry e Abigail fazem o que podem para salvar esse filme de um fiasco total. Elas conferem dignidade aos seus personagens tão rasos. Pior sorte teve o cineasta Brad Anderson: depois do excelente "O operário", com Christian Balle (o filme ficou famoso porque Bale aparece com uns 40 kilos a menos), ele dirigiu o fraco "Misterio da rua 7". Anderson precisa voltar ao universo surreal e estranho de seus filmes anteriores, e esquecer essa leva de filme suspense B. Para uma sessào da tarde (apesar da violência), o filme vai com pipoca e guaraná.
Nota: 5
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Bonitinha mas ordinaria
"Bonitinha mas ordinaria", de Moacyr Goes (2013). Ok, todo mundo vai dizer: Ah, mas o Hsu e' suspeito para comentar sobre o filme, ele trabalhou no projeto! Mas gente, filmamos em 2008, e agora, em pleno 2013, eu nao fazia ideia, juro, de que o filme tinha ficado tao bom. Fiquei sim, muito orgulhoso de ter participado, e ter tido oportunidade de ter trabalhado com tanto ator bom. Alias, como e' bom trabalhar com atores excelentes!!!! Da' uma disposicao extra, ver que todos estao empenhados em querer fazer daquele filme, um filme que realmente valha a pena. Joao Miguel (premiado em Pernambuco), Lele Leal (premiada em Portugal), Leticia Colin (linda, arrazando!! no seu papel tao dificil), Gracindo Jr (genial como um tipo cinico), Leon Goes (surpreendendo sempre) e toda uma trupe de atores que dao um molho especial a essa adaptacao de Nelson Rodrigues. Moacyr Goes, voce para mim fez o seu melhor trabalho no cinema. Dinamico, bem construido. Ri, emocionei. As pessoas sairam do cinema comentando muito bem. Se os criticos irao elogiar ou nao, nao interessa. O publico ja deu o seu veredito. Jacques Cheuiche sua luz ta linda, Paulo Flaksman com uma direcao de arte realista, que delicia filmar em locacoes reais. Valeu a aposta galera!!!!
domingo, 19 de maio de 2013
O que traz boas novas
"Monsieur Lahzat", de Philippe Falardeau (2011)
"Bashir Lahzar, o protagonista do filme, é argelino, e eu nome quer dizer "sorte do que traz boas novas". Porém, é um título que contradiz a sua história pessoal: sua esposa foi ameaçada de morte na Algéria e acabou sendo morta, junto dos filhos. Sob o signo do trauma, Lahzar vai trabalhar numa escola de Montreal, substituindo uma professora que se suicidou na sala de aula. 2 das crianças sofrem muito com esse suicídio, e durante a trama, são revelados fragmentos que tentam desvendar o motivo do crime. Um filme potencialmente dramatico, mas mesmo com esse tema tão forte, consegue trazer encantamento, seja nas performances irretocáveis do elenco, encabeçado pelo argelino Mohamed Fellag, quanto nas atuações do elenco infantil, sensacionais. Tocando também no tema do assédio infantil, o filme tem um parentesco com o dinamarquês "A caça", e que fazem um alerta a respeito do quào absurdas são as regras de comportamento dos adultos perante as crianças. Segundo um dos personagens, as crianças são vistas como "material radioativo".pelo simples fato de não se poder nem mais tocá-las. 2 cenas são antológicas: o discurso da pequena Alice na sala de aula, e uma dança particular do professor Lahzar. Também a cena do jantar dele com a professora de inglês é ótima, admnistrando bem drama e comédia. Na hora me lembrei também do nacional "Uma professora muito Maluquinha", que, guardando as devidas proporções, também faz sua crítica ao ensino, focado no ensino, mas não em se preparar a criança para uma boa educação. Belissimo. Foi indicado pelo Canadá em 2012 para o Oscar de filme estrangeiro.
Nota: 9
O homem que ri
"L'homme qui rit", de Jean-Pierre Améris (2012)
O cineasta Jean Pierre Ameris foi o realizador de uma das comédias romanticas que mais amo na vida: "Romanticos anonimos". Com essa refilmagem de "O homem que ri", fica clara a opção do cineasta por um mundo fabulesco, no tom de "Era uma vez". Seus filmes falam de magia, sentimentos, personagens cândidos e de bom coração, corrompidos pela falta de transparência ou comunicação. Essa 2a adaptação da obra de Victor Hugo, e cujo personagem Gwynplaine, o homem que ri, foi responsavel pela concepção do personagem "Coringa", exala beleza e encantamento. Mas diferente da versão original com o ator Conrad Veidt, aqui a opção vai pelo realismo trágico. Impossível assistir ao filme e não imaginar que Tim Burton, Jonnhy Depp e o compositor Danny Elffman não estejam na produção. Tudo remete ao universo onirico do cineasta americano. Inclusive, na cena da adaptaçao de Gwynplaine ao trono, eu via "Edward mãos de tesoura" o tempo todo. Mas essa referência não tira o prazer de se assistir ao filme. Até porquê, Gerard Depardieu está fenomenal, construindo um personagem tão carismático e apaixonante. O espectador torce, sofre, entristece e ri com o filme, na melhor tradição de um bom melodrama, que é a gênese desse flme. Emanuelle Seignier está belíssima no papel da Duquesa, e a Direção de arte é um luxo, além do figurino. Uma pena que o filme tenha sido tão mal lançado, merecia melhor sorte no circuito exibidor. Para quem não conhece a história, trata-se da epopéia de Gwynplaine, que foi roubado quando criança e deixado na mão de um Doutor alucinado, que o desfigurou, cortando sua boca, e dando a impressão de estar sempre rindo. Em sua fuga ele encontra uma pequena órfã cega, e juntos, vão se encontrar com Ursus (Depardieu), um vendedor de ervas malandro, que os adota. Ursus acaba usando as 2 crianças como atração de seu teatro mambembe. O tempo passa, a cega se apaixona por Gwynplaine, mas o encontro com a Duquesa cria uma ruptura entre o trio de artistas. Uma pequena jóia do cinema. A cena final é deslumbrante.
Nota: 8
sábado, 18 de maio de 2013
Terapia de risco
"Side effects", de Steven Soderbergh (2012)
Impressionante como Soderbergh dirigiu tantos filmes em uma carreira relativamente curta. Foram mais de 24 titulos, além de seriados e documentários, desde a explosão de sua carreira em 89, com "Sexo, mentiras e videotapes". Apenas nos 2 últimos anos, tivemos "Contágio", "A toda prova", "Magic Mike", "Terapia de risco" e breve, "Behind Candelabra", que está em Cannes 2013. E tudo isso porque um dia, ele disse que iria se apostar e não filmar mais. Imagina! Alternando filmes artisticos e comerciais, bons e ruins, ele voltou à boa forma com esse instigante "Terapia de risco". Aparentemente um drama, o filme vai se desenvolvendo durante sua trama em um filme de suspense, no melhor estilo Hitchcock de ser. A trama, por assim dizer, diabólica, é revelado lá pelo terço final, e uma vez estando o espectador a par da trama real, fica a pergunta: como a personagem sairá dessa? Com um time de ótimos atores, ( Jude Law, Catherine Zetha Jones, Rooney Mara-revelada em "O homem que não amava as mulheres") , o filme narra a história de uma mulher depressiva que durante um tratamento com um psiquiatra, toma remédios anti-depressivos que alteram o seu humor. Um dia, ela mata o marido, e a partir dai, fica o embate entre industria farmaceutica, psiquiatras e pacientes. Mas como já dizia Hitchcock, "Nada é o que parece ser". O filme tem uma frase ótima: "A depressao é a inabilidade de construir o futuro". A rilha sonora de Thomas Newman é elegante e cria um clima de suspense interessante. O desfecho pode ser meio qualquer nota, mas mesmo assim, revelador e surpreendente. Goste-se ou nao do filme, é um ótimo pipocão com cérebro.
Nota: 7
sexta-feira, 17 de maio de 2013
O massacre da serra elétrica 3D
"Texas chainsaw massacre 3D", de John Luessenhop (2013)
Esqueçam todas as refilmagens e continuações que o filme já teve. Essa é a legítima continuação, que começa exatamente de onde termina o filme original de 1974. Usando inclusive cenas do original de Tobe Hooper, o filme porém, não vai muito além dos clichês de sempre. Uma jovem recebe uma carta dizendo que ela herdou uma mansão. Ela segue para lá junto com um grupo de amigos, e adivinhem quem é a herança? Mesmo sendo em 3D, o filme não causa o impacto necessário. Mesmo poquê, o 3D só surge poucas vezes, obviamente durante o uso da serra elétrica. Os personagens continuam rasos e óbvios como sempre ( gente, sempre tem aquela garota piranhuda, né? ), a gente já sabe quem morre, e pior, porquê insistem na cena do policial que vai sozinho averiguar a casa? Já chega! O gore é mais fraco do que no remake de Jessica Biel, que para mim, é o melhor de todos, depois do original. O desfecho desse aqui então, nossa, que coisa doida. Uma reviravolta sem graça e estúpida. Nota: 5
Faroeste caboclo
"Faroeste caboclo", de René Sampaio (2013)
Uma bela embalagem ornada pela bela luz de Gustavo Hadba. O filme faz referencias ao cinema de Tarantino ( a eterna cena de várias pessoas apontando armas num mesmo ambiente), entre outros exemplos, e ao filme 'Scarface", que Felipe Abib, que interpreta o traficante de pó, deve ter visto várias vezes para poder compor o personagem, inclusive na antológica cena de Al Pacino enfiando a cara na mesa lotada de cocaína. Antonio Calloni faz uma performance que parece extensão de seu personagem em "Filhos do sol", que falava sobre prostituição infantil, e ele era um assecla da cafeyina que barbariza nas meninas fugitivas. O ponto alto do filme é a interpretação de Fabrício Boliveira, uma grande revelação.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Reações adversas
"Reacciones adversas", de David Michan (2011)
Ótimo drama mexicano, sobre um homem de baixa alto-estima, que toma remédios controlados, a pedido de seu psiquiatra. No trabalho e na vida pessoal, Daniel é submetido a humilhações, e com os remédios, ele já não sabe o que é real e o que é fantasia. Um filme estranho, de poucos diálogos, e que tem um desfecho inusitado. Ótima atuação de Hector Kotsifakis, no papel principal. Um filme de atmosfera sinistra, e que tem uma estética que pode provocar tédio no espectador comum. O ritmo é lento, mas é um filme provocante e instigante. Violento, sórdido, algo meio Claudio Assis.
Nota: 7
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Aftershock
"Aftershock", de Nicolas Lopes (2012) . Lopes é um diretor chileno que tem em sua filmografia várias comedias simplorias. Porem, ele resolveu fazer um filme de ação, misturado a filme de suspense e catástrofe. A ele se juntou o diretor e ator Eli Roth, mais conhecido como parceiro de Tarantino e diretor de "O albergue". A essa união surgiu esse "Aftershock", um filme estranhíssimo. O filme parece ser dividido em 3 partes: a 1a, é um pastiche de "Se beber não case". Com piadas chulas, mulheres semi-nuas, um País exótico, no caso, o Chile. Claro, muitas gags, bebedeiras e baladas na história de 3 amigos que querem curtir a vida. A 2a parte, é um filme catástrofe. Um terremoto de escala 8.8 atinge o Chile e mata porrada de gente que se encontra no local. E finaliza como um filme de suspense gore: Prisioneiros de segurança máxima escapam e saem estuprando e matando a todo e a direito todo mundo que encontram pela frente. O mais incrível é que os poderosos Irmãos Weinstein produziram esse filme. Não dá pra dizer se foi dinheiro jogado fora. Mas também não foi um bom investimento. A história é a mais tosca possível ( apesar de umas interessantes viradas no final), os atores são canastrões ( Eli Roth está péssimooooooo) , os personagens caricatos e desprezíveis ( já sabemos todos os que irão morrer somente pela caracterizaçao) os efeitos mambembes. Poderia ter rendido uma ótima paródia de filmes catástrofes, se não fosse levado a sério em algumas partes. O diretor se baseou no terremoto real que devastou o Chile em 2010, inclusive usando locações reais, ainda em ruínas. A cantora Selena Gomez ainda paga maior mico fazendo uma ponta sem graça. O filme tem cara de brincadeira de cineastas riquinhos que resolveram fazer algo que os divertisse. Espero que pelo menos eles tenham curtido bastante.
Nota: 4
sábado, 11 de maio de 2013
Cores
"Cores", de Francisco Garcia(2012) . Como eu adoro esses filmes paulistanos que falam sobre amargura e desesperança. Tudo a ver com o universo caótico de São Paulo. Francisco Garcia, o diretor e co-roteirista do filme, resolveu dar voz a sua geração, na faixa dos 30 anos, que foi iludida pela falsa mensagem do Governo Petista que dizia que os problemas economicos do Brasil estavam no fim. Essa geraçao retratada em seu filme permaneceu na mesma inércia e não encontrou solução para a falta de perspectiva de um emprego decente, de qualidade de vida, de felicidade. São todos trabalhadores de empregos de merda, com mil problemas de falta de dinheiro, ambição, foco. Por conta disso, as relações familiares e amorosas são desprovidas de carinho. O filme narra a história de 3 amigos que tentam buscar um ponto de luz em suas vidas: um funcionario de uma farmacia, um tatuador e uma balconista de loja de peixes de aquario. Mas quem rouba o filme é Tonico Pereira, em pequena participação. Enquanto os 3 personagens principais trabalham suas performances em cima do marasmo, e por conta disso, estão sempre apáticos, Tonico Pereira se mostra vibrante, arisco, inquisidor. Um belíssimo trabalho. A fotografia de Alziro Barbosa, toda em preto e branco, é deslumbrante. Não tem como negar a influência de 2 importantes cineastas contemporâneos nessa visão de mundo pessimista do mundo: Tsai Ming Liang e Jim Jarmusch. O tédio, a fotografia, os enquadramentos, as atuaçoes, os planos longos, esses itens estão sempre presentes nos filmes de ambos os diretores, principalmente "Stranger than paradise"e "O Rio". Desse último, Francisco Garcia busca a referência da chuva torrencial, da água que escorre casa adentro. A estética anos 80 do filme me lembra também de varios cults de filme paulistanos da época. Inclusive, a participação de Guilherme Leme me pareceu uma homenagem por ele ter participado do clássico "Anjos da noite", de Wilson Barros. O filme é todo estilizado, maneirista. Mas isso não é uma crítica. Somente não curti muito as músicas, mas isso porque musicalmente não me agrada. Um filme cult que merece atençao.
Nota: 8
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Entidade
"Entity", de Steve Stone (2012)Filme de suspense inglês, que pega carona pela milésima vez da narrativa de "A bruxa de Blair". Uma equipe de filmagem, acompanhados de uma médium, seguem de Londres até a Floresta da Sibéria, na busca de uma explicação sobre um mistério: a aparição de 34 corpos escondidos em covas rasas na floresta. A equipe, no entanto, desaparece, e filme narra o ocorrido com eles. Total falta de clima, suspense zero, atores fracos, efeitos toscos e obviamente, o uso de câmera na mão que pelo menos, não é subjetiva. A explicação do mistério é uma grande bobagem.
Nota: 2
terça-feira, 7 de maio de 2013
Em transe
"Trance", de Danny Boyle (2013) . Caraca, que roteiro !!! A medida que o filme vai avançando , minha cabeça ia pirando! É daqueles filmes que a gente precisa ficar atento a cada detalhe, a cada olhar do personagem. Tudo será apresentado depois , sem exceções. Talvez o fato do filme ser bem complexo seja o motivo do filme não ter feito muito sucesso de bilheteria. Mas sério, a reviravolta final lembra um pouco "O sexto sentido", no sentido de deixar o espectador de queixo caído. O filme narra a história de um funcionário de uma casa de leilão, que rouba um quadro famoso e que sofre um acidente, o que o faz esquecer aonde ele o escondeu. Seus comparsas o levam até uma terapeuta que usa a hipnose para fazer ele regredir no tempo para se lembrar. James Macvoy e Vincent Cassel estão ótimos ( Cassel será um eterno vilão, não tem jeito. Quem manda ter aquela cara?) . A direçào e a atmosfera do filme lembram bastante os primeiros filmes de Danny Boyle, principalmente "Cova rasa" e "Transpotting". É um filme ousado em sua narrativa, mas que exige muita atenção. Não dá pra ficar de papo, se não você se perde mesmo. No início o filme demora um pouco a engrenar, mas depois fica bem tenso.
Nota: 7
segunda-feira, 6 de maio de 2013
O Perdão de sangue
"The forgivesses of blood", de Joshua Marston (2011). Curioso filme albanês, dirigido por um cineasta americano. Marston dirigiu várias séries de TV, entre elas "In treatment", "The godd wife". Mas é mais conhecido pelo excelente filme "Maria Cheia de Graça". Concorrendo no Festival de Berlin 2011, saiu com o prêmio de melhor roteiro. O filme narra a história sobre a rivalidade entre 2 famílias na Albânia de hoje, mas que vivem sob tradições milenares. Separados por terras que dividem o mesmo espaço, o patriarca de uma das famílias mata em momento de ira o filho do rival. Como punição, o filho do assassino deverá pagar com a sua vida. É um filme com um registro quase que de documental. Os planos são longos, lentíssimos. O filme é bastante cansativo, mas consegue manter um certo interesse por conta de suas belíssimas locações.
Nota: 5
domingo, 5 de maio de 2013
O rei da comédia
"The king of the comedy", de Martin Scorcese (1982). Um dos mais obscuros e menos conhecidos filmes de Scorcese, essa comédia de humor negro foi massacrado pela crítica na época de seu lançamento (82) e desprezado pelo público, que desejava ver uma comédia com Jerry Lewis e não esperavam que o filme fosse um furioso ataque ao mundo das celebridades e busca pela fama. Eu mesmo, na época do lancamento, havia odiado o filme, pois não o achei nada engraçado, uma vez que o filme foi lançado como comédia. Revendo 30 anos depois, percebo a grande obra-prima que o filme é. Jerry Lewis foi muito generoso em aceitar fazer o papel, o de uma celebridade mau-humorado e mau caráter, que odeia os seus fãs. Robert de Niro, que havia acabado de fazer " O touro indomável"com Scorcese, se arrisca em um papel tragicômico, e se sai muito bem. Uma pena que esse de Niro ousado e enérgico não exista mais. O filme narra a história de Rupert ( De Niro), um aspirante a comediante, que procura a ajuda de Jerry, famoso apresentador de tv, para se apresentar nem seu programa. Diante da recusa de Jerry, Rupert o acaba sequestrando. É uma delícia rever Nova York dos anos 80, ainda com o Times Square decadente, antes da reforma do prefeito Giuliano, que deu uma "limpeza" no local. O elenco de apoio, princialmente Sarah Bernhart, que faz uma fã paranoica, estão ótimos. O roteiro é primoroso, e o filme tem um tom de melancolia . O personagem de de Niro é uma representação dos artistas que buscam 1 minuto de fama, e para tal, se submetem a tudo. Scorcese faz aqui um filme sem técnicas mirabolantes, colocando todo o seu grande potencial na construção de um filme cruel e desumano.
Nota: 9
sexta-feira, 3 de maio de 2013
O som do mar
"Son de mar", de Bigas Luna (2013). Recentemente falecido, o cineasta espanhol Bigas Luna teve uma grande filmografia, infelizmente pouco vista. Resolvi assistir a esse seu filme de 2001, pouquíssimo conhecido. Como boa parte de seus filme,s é um drama de forte teor erótico, e diferente de Almodovar, ele se utiliza do melodrama para narrar histórias dramáticas, sem resquicios de humor ou paródias. Luna carrega nas tintas novelescas nesse seu "O som do mar". Baseado em livro de mesmo título, narra a história de Ulisses, professor de literatura, que se muda para uma região próxima a Valencia para dar aula. Ele se hospeda em uma pequena pensão, e se apaixona por Martina (Leonor Watling), objeto de desejo do mafioso Alberto. Ulisses desperta o tesão e a paixão em Martina por conta as declamações de poesias, e eles acabam se casando. Mas Alberto planeja vingança. Com uma excelente fotografia de Jose Luiz Alcaine, um dos grandes fotógrafos espenhóis, e locações deslumbrantes, o filme traduz na beleza do visual e da atriz principal Leonor Watling a grande força do filme. O roteiro em si é previsível e as vezes, cafona de tão novelesco. Mas Luna entrega ao espectador um filme embalado com tintas coloridas e exageradas na história,, mas que no final, seduzem pela beleza e pelo teor de erotismo, que ele filma tão bem. Vale conferir.
Nota: 7
quarta-feira, 1 de maio de 2013
O bom partido
"Playing for keeps", de Gabriele Muccino (2012)
O cineasta italiano tem 2 filmes que ele rodou em sua terra natal qu eu acho ótimos: "O ultimo beijo" e "Para sempre em minha vida". Descoberto por Will Smith, que o levou a Hollywood, Muccino tem se atido em filmes que tem como tema o homem amargurado por questões familiares e ou profissionais, e a sua volta por cima depois de muita luta. São filmes louváveis, humanistas, mas nem por isso menos melodramáticos no mau sentido. Foi assim em "A procura da felicidade", "sete vidas"e agora nesse "O bom partido", É possível vermos Will Smith no papel de Gerard Butler, porque o personagem é o mesmo. Um ex-jogador de futebol que, por erro de estruturação financeira, perde tudo, inclusive a esposa e a guarda do seu filho. Desempregado, devendo Deus e o mundo, ele consegue revirar o jogo. O problema do filme reside no roteiro: óbvio da primeira a última cena, o espectador já sabe tudo o que vai acontecer, e ainda me pergunto: gente, tudo é entregue de mão beijada pro cara. Mas tudo bem, esses tipos de filmes têm essa missãi, de fazer a gente sair do cinema acreditando que na vida, tudo é possível, graças ao poder do amor. E da-lhe um mega-elenco de apoio pra sustentar essa idéia: Uma Thurman, Catherine Zetha Jones, Jessica Biel, Dennis Quaid. A vida é bela.
Nota: 5
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