segunda-feira, 22 de junho de 2026
Los plebes
"Los plebes", de Eduardo Giralt e Emmanuel Massu (2021)
Prêmio de melhor diretor no Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, "Los plebes" é um documentário totalmente rodado com celulares, por conta de sua natureza hostil e violenta para ser filmada. Filmado em Sinaloa, famoso ponto turístico do México, mas também, reduto da base do cartel de tráfico da região. Eduardo Giralt é venezuelano e s euniu a Emmanuel Massu para acompanhar a rotina de jovens sicários, assassinos de aluguel, coopatados pelo cartel para trabalharem a seu favor. Eles são assassinos frios e cruéis que não pensam duas vezes antes de matar alguém encomendado. O filme esconde os rostos dos jovens sicários, além das outras pessoas que aparecem no vídeo, como familiares, crianças e amantes, através de máscaras digitais. Não existe um roteiro. As câmeras acompanham a sua rotina, seja limpando as armas, treinando tiros, acompanhando as caminhadas pela região com as motos. O filme procura entender como os jovens lidam com masculinidade tóxica, oa entreda para a vida adulta, a relação com família e o que esperam para o futuro. Um dos poucos que mostram o rosto é um rapaz que tem o apelido de La Vagancia. Ele tem 29 anos e comanda um grupo de jovens assassinos. Ele fala sobre amor e como revisita a sua infância, e durante a entrevista, ele brinca com o seu cachorrinho. "Los plebes" é um filme que poderia ter sido rodado em qualquer país do mundo, tal a identificação que a geração jovem tem com o narcotráfico e o crime organizado.
domingo, 21 de junho de 2026
Yo Fausto
"Yo Fausto", de Júlio Berthely (2021)
Premiado drama mexicano escrito e dirigido por Júlio Berthely, "Yo Fausto" traz a tradição de filmes mecixanos angustiantes e violentos, como na filmografia de Michel Franco, Amat Escalante e Carlos Reygadas. Todos fazem parte de um cinema cruel, brutal e de narrativa fria, sem compaixão pelos personagens.
O jovem protagonista do filme, assim como na obra de Goethe, se chama Fausto (Christian Vazquez). Ele é filho de um pai rico e poderoso, Bael (Carols Aragón), que quer que Fausto estude medicina. Quando a mãe de Fausto, Gilda (Arcelia Ramirez) tenta se su1c1d4r, Fausto entra em crise. Contrariando seu pai, Fausto decide se mudar para Carbelona e trabalhar como fotógrafo. Durante as sessões de fotografia, ele conhece a modelo Carmen (Amparo Barcia) e ambos decidem morar juntos. Quando Carmen revela estar grávida, Fausto entra em surto e maltrata CArmen, dizendo que não quer o filho. Fausto começa a formar sintomas de esquizofrenia, não sabendo distinguir a realidade do pesadelo. Ele decide retornar para o México, junto de Carmen e da filha recém nascida, por questões financeiras. Mas o fantasma do su1c1d10 aliado à esquisofrenia o tornam cada vez mais uma pessoa distanciada e violenta.
Esse é um filme muito difícil de se indicar, pelas possibilidades de gatilho que pode trazer ao público. Ao longo do filme, a narratva vai ficando tensa, com a possibilidade do desfecho se tornar uma grande tragédia. As cenas de pesadelo, remetendo às pinturas que retratam o Inferno de Dante, são assustadoras. É um trabalho visceral do ator Christian Vazquez, em uma composição compleza e cheia de camadas emocionais. Em uma longa cena em plano sequência, o personagem corre toptalmente nu pelas ruas. A cena final é devastadora.
sábado, 20 de junho de 2026
A noite dos demônios
"La notte dei diavoli", de Giorgio Ferroni (1972)
Clássico terror co-produzido pela Itália e Espanha, 'A noite dos demônios" é adaptado do conto de vampiros escrito por Aleksey Tolstoy, primo de Leon Tolstoy, "“A Família do Wurdulak”. Esse mesmo conto já havia sido adaptado por Mario Bava em seu filme "As três máscaras do terror", de 1962, que constava de 3 episódios.
Nicola (Gianni Garko) está no hospital psiquiátrico. Uma mulher, Sdenka, o reconhece e diz que o conhece. Nicola conta a sua história para o médico e o filme segue para um flashback: Nicola é dono de uma madeireira e viaja a negócios para uma reunião. Na estrada, ele pega um atalho, e ele quase atropela uma mulher, que desaparece. O carro quebra e Nicola caminha pela floresta para pedir ajuda, até encontrar uma casa. Ali, ele é recebido por uma família, chefiado pelo pai, Gorka. Seu irmão faleceu a pouco. Na casa moram sua cunhada e recém viúva, Elena, e os filhos de Gorka, Jovan, Vlado e Sdenka, além dos 2 filhos pequenos de Elena. Sdenka se apaixona por Nicola e ele logo descobre que a família está amaldiçoada por vampiros.
O filme, visto hoje, tem um problema de ritmo: é arrastado. Além disso, os efeitos práticos, a cargo do mestre Carlo Rambaldi ( o mesmo que criou o ET de Spielberg) ficaram datados e são bem toscos. Dependendo de como o espectador assistir ao filme, esses efeitos ruins podem dar um charme extra ao filme. De positivo, tem uma boa fotografia e direção de arte nos cenários que remetem ao terror gótico típico dos anos 70. Como boa parte das produções italianas de terror do período, o filme tem um excesso de nudez feminina, em alguns momentos bastante explícitos. O desfecho é bem melancólico.
De pupil
"De pupil", de Karin Junger (2025)
Vencedor de um prêmio especial do juri no Festival del Cinema Europeo 2025, "Del pupil" é um drama queer que gera polêmica pelo desenvolvimento do seu jovem protagonista, Dan (Bart de Wilde), um menino de 12 anos que é 4bus4d0 pelo seu técnico de futebol da escola, Dries (Gijs Naber). Dan mora com sua família- pais e dois irmãos, ele é o do meio- em uma convivência feliz. Ele tem amigos e uma namorada. Inesperadamente, seu treinador, um homem carismático e bem visto pelos pais dos alunos e pelos próprios garotos, passa a dar atenção extra para Dan, convidando-o para ir até sua casa após os treinos. Dries dá presentes para o rapaz, além de comprar pizza e jogarem game e assistir jogos. Mas Dries exibe filmes p0rn0s para deixar Dan confuso e dessa forma, seduzi-lo. Dan passa a aceitar as atitudes do treinador, sem entender os abusos e a forma predatória do homem. Dan se sente amado pela primeira vez, chegando ao passo de sentir ciúmes do técnico quando ele dá atenção a outros garotos do time.
Eu fiquei torcendo pela hora em que o treinador fosse desmascaradoe. preso. É muito angustiante assistir ao filme e perceber o quanto que Dan estava sendo aliciado e sem que o mesmo percebesse o que de fato estava acontecendo. Diferente de outro filme polêmico e que trata do mesmo tema do abus0 1nfant1l, "No dogs allowed", que trazia cenas de s3x0, aqui é tudo sugerido e jamais visto, mas que provoca sensações muito revoltantes justamente pelo que não é visto. O trabalho do jovem Bart de Wilde é espetacular, e estar no filme é um ato de coragem dele e de seus pais, que permitiram que ele desse vida a um filme tão chocante.
Blanco de verano
"Blanco de verano", de Rodrigo Ruiz Patterson (2020)
Concorrendo em Sundance, "Blanco de verano" é co-escrito e dirigido pelo cineasta mexicano Rodrigo Ruiz Patterson. O tema do filme trata de uma ousada e complexa relação edpiana entre Rodrigo (Adrián Rossi), um adolescente de 13 anos, e sua mãe, Valeria (Sophie Alexander-Katz). Morando sozinhos, eles dividem intimidade: tomam banho juntos, dormem juntos. Um dia, Valeria apresenta Fernando (Fabián Corres) para Rodrigo. Rodrigo reage mal: encontra a porta do quarto de sua mãe fechado e não pode mais dividir intimidade por conta da presença de Fernando. Rodrigo vai se tornando cada vez mais rebelde, passando a odiar a sua mãe e Fernando. O relacionamento torna-se insustentável, e a tragédia é eminente.
Confesso que senti muita raiva de Rodrigo ao longo do filme, poelo seu egoísmo em não permitir que sua mãe seja feliz. Fico imaginando quantos filhos de mães solteiras devem passar por essa mesma situação, de não aceitarem um companheiro ou até mesmo, a presença do próprio pai. É um filme complexo nos sentimentos e nos valores morais, eu mesmo não tenho discernimento psicológico para avaliar essa relação. É uma história que poderia certamente ser apresentada em faculdades de psicologia e ser debatida entre professores e alunos.
Queerpanorama
"Queerpanorama", de Jun Li (2025)
Escrito e dirigido por Jun LI, "Queerpanorama" foi rodado em Hong Kong com um elenco multi étnico e glbalizado. O filme, baseado na própria história do cineasta Jun Li, traz um jovem anônimo, interpretado com visceralidade e vigor por Jayden Cheung. Ele passa os dias em encontros s3xu41s com diversos parceiros, de etnias, idades e perfis distintos: um iraniano, um americano, um chinês, um indiano, um negro, um homem de meia idade soropositivo, entre outros. Apelidado de I, o rapaz realiza fetiches de seus parceiros: se veste de mulher, finge 3xtupr0, se deixa ser enforcado. Para cada parceiro, I se descreve como o parceiro anterior, mentindo sobre a sua vida e profissão e assumindo as personalidades de seus amantes.
Rodado em preto e branco, como que mostrando vidas sem cor e apáticas de gerações de anônimos e sem perspectiva de um relacionamento duradouro, o filme apresenta inúmeras cenas de s3x0, mas todas registradas de forma fria e sem t3s40. Em uma delas, I faz s3x0 com um entregador de Ifood, que mantém seu capacete, em um banheiro sujo e decadente.
O filme concorreu no Festiveal de Berlin 2025 na Mostra Teddy, dedicada a filmes queer. Sem glamurizar o s3x0 anônimo, "Queerpanorama", como o próprio título diz, é um painel de quem busca relacionamentos fáceis, em tempos de app, onde o anonimato é a palavra de ordem. Um filme que deixa um gosto amago na boca, pelo olhar desiludido que mostra seus personagens e seus futuros.
El misterio de la felicidad
'El misterio de la felicidad", de Daniel Burman (2014)
Co-produção Argentina e Brasil, "El misterio de la felicidad" é escrito e dirigido pelo cineasta argentino Daniel Burman. As filmagens aconteceram em Buenos Aires e no Rio de Janeiro, com o apoio da Total entertainment. O filme é uma comédia dramática com toques de romance protagonizado pela excelente dupla Ines Estevez e Guillermo Francella. Investindo em mais leveza e humor do que em seus outros filmes, Burman ainda assim fala sobre temas como abandono do lar, amor maduro e reinícios na meia idade. O elenco brasileiro traz participação de Claudia Ohana, como uma mulher que foi objeto de desejo dos amigos Santiago e Eugenio quando jovens.
Santiago (Francella) e Eugenio (Fabián Arenillas) são amigos de longa data. Sócios em uma loja de departamentos, ambos comandam a empresa de forma similar. Um dia, Eugenio desaparece. Sua esposa, Laura (Estevez) procura Snatiago e diz que Eugenio abandonou o lar. Igualmente sentindo-se abandonado pelo amigo, Santiago decide se juntar a Laura e tentam encontrar Eugenio, o que os leva a uma viagem até o Rio de Janeiro. No percurso, Santiago e Laura percebem que estarão mais próximos do que antes.
O filme é bem simpático e divertido, e tem no pano de fundo uma melancolia sobre acertos e erros realizados durante a vida, e a sensação de que a vida se esvaiu. Mas o filme ensina que nunca é tarde para recomeçar. Guillermo Francella é um dos atores argentinos mais talentosos que continuam na ativa, e encontra em Ines Estevez uma parceria excelente. Ambos estão luminosos em cena.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
O livro de colorir
"Color book", de David Fortune (2024)
Escrito e dirigido por David Fortune em seu filme de estréia, premiado em importantes festivais como Seattle, Deauville, Palm springs, "O livro de colorir" é um drama intimista em formato de road movie que trata de temas importantes como luto, paternidade, reconstrução e moral, através da históra de uma família negra, recém enlutada por uma tragédia: Lucky (William Catlett) é casado com Tammy (Brandee Evans) e ambos são pais de Mason (Jeremiah Daniels), um menino de 11 anos, portador de síndrome de down. Quando Tammy morre em um acidente de carro, Luck se vê perdido: sem a presença de sua grande companheira, ele perde o rumo da paternidade. Mas aos poucos, ele precisa entender o mundo de Mason e como educá-lo. Mason, que tem como hobbie desenhar em seu caderno, pede ao pai para que lhe leve até Atlanta para assistir a partida de beisebol. Reticente no início, Lucky decide atender o desejo do filho, e entre ônibus, trem e longas caminhadas, imprevistso no caminho tentam a todo custo, impedir o sonho de Mason de ser concretizado.
Rodado em belo preto e branco, a fotografia e as imagens captadas pelo filme imergem o filme em um melancólico tom de tristeza e tragédia. A sequ6encia em que Lucky perde Mason e. desesperado, tenta localizá-lo, certamente vira gatilho para muitos pais. O trabalho de todo o elenco é fantástico, e obviamente as performances dos atores que interpretam pai e filho merecem aplausos. Um filme sobre altruísmo e sobre compaixão e apoio. Uma bela pedida que faz acreditar na amizade e no amor entre familiares e o próximo.
Departures
"Departures", de Neil Ely e Lloyd Eyre-Morgan (2026)
Co-escrito, dirigido e protagonizado por Lloyd Eyre-Morgan, "Departures" é um ótimo drama queer, uma produção inglesa que muitos críticos compararam à linguagem e narrativa de "Transpotting". O filme traz momentos de humor, mas também, muita melancolia, na vida de um homem gay na faixa dos 30 anos que busca um amor, mas para isso, sofre muito com parceiros tóxicos.
O filme começa com um prólogo, de Benji (Morgan) tenho uma conversa com seu parceiro Jake (David Tag), que ele conheceu há 18 meses atrás, durante uma conexão para Armsterdã. Jake, que tem um relacionamento com uma mulher, escondeu estar casado com uma mulher para Benji. Durante os 18 meses, Jake viajava para Armsterdã para se encontrar com Jake e passarem momentos muito felizes.
O filme traz personagens divertidos, como a mãe de Benji. Através de flashbacks, o espectador entende melhor as personalidades de Benji e de Jake, que vive a vida uma vida hetero de fechada. As lindas locações em Armsterdã, a trilha sonora que traz tons românticos, dinâmicos e tristes, e atuações excelentes do elenco fazem o filme ser uma ótima pedida para o público queer, com intensas cenas de s3x0 e nudez total.
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Quinze dias
"Quinze dias", de Daniel Lieff (2026)
Adaptado do best-seller homônimo de Vitor Martins, lançado em 2017, "Quinze dias" tem muitas referências cinéfilas que buscam identidade visual e temática no universo teen romântico, independente do conteúdo ser lgbt ou não: "500 dias com ela", "Hairspray", "Love, Simon", "Alex strangelove", "Beautiful thing", "Quero voltar para casa sozinho", "Heartstopper". De "500 dias com ela", o filme busca um inusitado número musical, após um momento de extrema felicidade e paixão do protagonista, com direito a um chafariz, que nem no filme citado.
Para quem busca uma história fofa e "feel good movie", 'Quinze dias" é a pedida certa: um filme bonito, gostoso de se ver, personagens esquemáticos mais repletos de paixão, vividos por um time excelente de atores, e uma trilha sonora recheada de canções pop nacionais e estrangeiras. A narrativa investe em elementos gráficos que transitam bem para o público alvo.
Felipe (Miguel Lallo, ótimo) é um adolescente que mora com sua mãe divorciada, Rita (Debora Falabella). Felipe tem sobrepeso e desde criança sofre bullying, o que o fez se tornar inseguro e sem auto etsima, tendoq ue frequentar uma psicóloga para ajudar em suas questões. Um dia, um casal de vizinhos (mariana Santos e Silvio Guindane). decidem passar um tempo de férias e deixam seu filho adolescente Caio (Diego Lira) para passar 15 dias na casa de Felipe. Acontece que os dois, que eram amigos na infância, se afastaram e ahoje em dia, se estranham. Caio, aparentemente, é o perfil do hetero padrão, o oposto de Felipe, que assim como sua mãem ama musicais. Mas ao longo dos dias, os dois rapazes voltarão a se conectar e mais, irão se apaixonar.
Fosse um filme americano, todo mundo diria que é uum conto de fadas da Disney, assim como foi 'Love, Simon". Mas sendo um produto brasileiro, a importância do projeto tem a ver com lidar com rejeiçãoi, preconceito, homofobia, gordofobia e tantos outros traumas juvenis que merecem ser discutidos.
Salmokji: Whispering Water
"Salmokji", de Lee Sang-min (2026)
Esse terror sobrenatural sul coreano se tornou em 2026 a maior bilheteria do gênero no país em todos os tempos. Somando quase 4 milhões de espectadores, o filme surpreendeu o mercaod local, superando grandes blockbusters americanos. A trama resgata os tipos sobrenaturais como Samara: espíritos fantasmagóricos que lembram muito ess eícone de terror do cinema japonês. A história se baseia em uma lenda urbana: no reservatório de água chamado Salmokji, acredita-se que ele foi construído sobre um cemitério a céu aberto e que espiritos reinvidicam sacrifícios. Uma equipe de filmagem decide seguir até o local para refilmar algumas cenas de seu filme: ao revisarem as imagens, surgem defeitos técnicos na simagens. Um dos diretores, Gyo Sik, foi sozinho, e acabou desaparecendo. A equipe, coordenado pela produtora Su In, vai até o local. Enquanto captam imagens, Su in e os outros integrantes passam a testemunhar fenômenos sobrenaturais e decidem ir ambora, mas não conseguem, já que os fantasmas os enganam assumindo formas humanas.
Me surpreende que o filme tenha sido campeão de bilheteria na Coreia do Sul, um país prolífico de filmes espetaculares. O roteiro não é tão original, os sustos são vagos e falta uma tensão. Tem alguns plot twists, mas se considerando a natureza da história, não chegam a ser surpreendentes. Os efeitos de CGI também são medianos. O melhor acaba ficando com o trabalho do elenco, corretos e eficientes em seus personagens.
Blades of the Guardians: Wind Rises in the Desert
"Blades of the Guardians: Wind Rises in the Desert", de Yuen Woo-Ping (2026)
Para quem é fã de filmes chineses de artes marciais, do gênero wuxia (que Zhang Yimou ajudou a popularizar, com seus filmes "Herói", "O clã das adagas assassinas", e Ang Lee com seu clássico "O tigre e o dragão", "Blades of the guardians" é uma grande pedida. Mesmo não tendo um roteiro tão bom quanto os filmes citados, "Blades of the guardians" traz ótimas cenas de ação e luta, além de lutas de espadas. A história, claro, gira em torno de vingança, assim como os bons faroestes de Sergio Leone.
Dao Ma, um caçador de recompensas, aceita um trabalho para proteger um homem na longa estrada para a cidade de Chang'an. No entanto, ele descobre que a pessoa que está protegendo é o criminoso mais procurado do império, Zhi Shi Lang. Agora, todas as facções gananciosas estão atrás deles. Fora isso, muita gente está querendo se vingar dele por ter assassinado entes queridos.
A parte do humor do filme está no personagem do pequeno Shiaoji, um menino de 7 anos que acompanha Dao Ma. É uma grande produção, um gigantesco épico com efeitos de CGI espetaculares. O elenco traz veteranos como Jet Li e me fez ficar com saudades dos filmes de Zhang Yimou.
quarta-feira, 17 de junho de 2026
The natural history of parking lots
"The natural history of parking lots", de Everett Lewis (1990)
Concorrendo no Festival de Sundance em 1990, "The natural history of parking lots" é um drama queer de baixíssimo orçamento, co-escrito e dirigido pelo cineasta gay Everett Lewis. O filme foi rodado em película e em preto e branco. A inspiração do cineasta veio dos filmes de Godard e da linguagem da nouvelle vague: cenas improvisadas, camera na mão, uma história romântica envolvida com bandidagem. O diretor everett Lewis filma os dois atores com muitas imagens homoeróticas: seminus e nus, cenas em que usam cuecas brancas e uma inclinação sutil ao 1nc3st0 entre irmãos. A trilha sonora traz entre outros, canções de depeche mode e de Morrissey. Em muitos momentos, me lembrei do clássico de Coppola, "Rumble fish", que também fala da admiração d eum irmão mais jovem pelo irmão mais velho, envolto com carros, mulheres, jaquetas de couro e muita sensualidade.
Nos anos 80, em Los Angeles, o jovem estudante da High school Chris (Charlie Bean), 17 anos, assalta carros em estacionamentos. Seu pai paga a fiança após Chris ser preso e o coloca sob a custódia de seu irmão mais velho, Lance (Barry Wyatt), que saiu de cada faz tempo. O pai desconhece o fato que Lance ganha dinheiro vendendo armas para grupos neo nazistas. Chris se envolve com Lance e fica admirado com a figura do irmão mais velho. Eles passam os dias nadando nús no lago, fumando, andando de carro, tomando banho juntos. Quando Lance passa a namorar uma garota, Chris fica com ciúmes. Depois, ao decsobrir que o irmão está envolvido com venda de armas, Chris decide ajudá-lo.
A história não interessa muito aqui, e sim, as imagens captadas com tesão pelas lentes do cineasta, que lembra muito as imagens do fotógrafo Brice Weber: capturando corpos masculinos semi nus, closes em cuecas brancas, muita pose e sensualidade.
Águas mortais
"Deep water", de Renny Harlin (2026)
Todo mundo tem que pagar suas contas. Aaron Eckhart, Ben Kingsley, o diretor Renny Harlin, depois da fracassada e criticada trilogia "Os estranhos". O thriller de ação e suspense "Deep water"junta 2 gêneros em um: o filme de acidente de avião, e o inevitável filme de tubarões assassinos. Para quem curte os 2 gêneros, pode se divertir, é só não querer exigir demais.
O filme é uma co-produção Estados Unidos, China, Espanha, Nova Zelândia, e foi todo rodado nas Ilhas Canárias, na Espanha. Renny Harlin já havia dirigido um filme de tubarões em 99, 'Do fundo do mar", que era bem divertido. Nesse novo filme, a 1a metade, é um filme de acidente aéreo e sobrevivência. A 2a metade, é um filme de tubarões. Ben Kingsley interpreta o piloto Rich, um solitário que passa seu tempo livre em karaokês. Ben (Eckhart) é o co-piloto com problemas pessoais e afastado de sua filha pequena, evita pegar vôos distantes. Mas os dois são convocados para uma viagem até Shanghai. Entre os passageiros, existem todos os tipos clichês, desde a aeromoça solidária, os irmãos que se separam, o tipo mal humorado e escroque que causa o acidente aéreo com uma fagulha e que deseja sobreviver em prol dos outros.
Um filme como esse não depende de roteiro, e sim, de efeitos de CGI e ritmo e montagem. O filme se repete demais, poderia ser mais curt, e é repleto de personagens maniqueístas que irritam. O melodrama também explora o melhor e pior de casa um dos sobreviventes, e é tudo bastante óbvio. Os efeitos CGI são ruins, os tubarões são menos críveis que no filme de 1999 de Herlin. O mar é falso, ficamos com a impressão que tudo foi filmado em uma piscina ou tanque, até porque a coloração da água é nitidamente diferente da água real e do CGI. Harlin repete a mesma cena de salvamento de helicóptero, onde o tubarão acaba com tudo.
Retrato De Uma Garota Do Fim Dos Anos 60 Em Bruxelas
"Portrait D'une Jeune Fille De La Fin Des Années 60 À Bruxelles", de Chantal Akerman (1993)
Em 1994, um canal de televisão francês convidou 9 cineastas franceses a fazerem parte de uma série de telefilmes que tivessem como temas principais a adolescência e as músicas que foram importantes para eles. A cineasta Chantal Akerman, diretora do seminal "Jeanne Dealmann", escreveu e dirigiu "Retrato De Uma Garota Do Fim Dos Anos 60 Em Bruxelas", que traz em parte, uma auto-biografia de sua própria juventude.
No ano de 1968, uma época de grande efervescência política, social e estudantil em diversos países, uma jovem de 15 anos, Michelle (Circé), decide abandonar a escola e ir ao cinema. Nesse dia, ela conhece Paul (Julien Rassam), um jovem desertor do exército. Juntos, eles caminham pelas ruas de Bruxelas e conversam sobre amor, futuro, literatua, política. eles invadem uma casa e Paul deseja fazer amor com Michelle, mas ela não está preparada. Ela decide apresentar sua melhor amiga, Danielle (Joëlle Marlier) a Paul.
A canção do episódio é "Suzanne", de Leonard Cohen, que embala uma bela cena de dança entre Michelle e Paul. O filme traz ecos narrativos da Nouvelle Vague, com cenas improvisadas, câmera na mão que acompanha os personagens e o frescor juvenil em meio a conturbadas reviravoltas políticas e sociais, embaladas pelo amor.
terça-feira, 16 de junho de 2026
Los tonos mayores
"Los tonos mayores", de Ingrid Pokropek (2023)
Escrito e dirigido por Ingrid Pokropek, "Los tonos mayores" concorreu no Festival de Berlin e na Mostra de cinema de São Paulo. O filme é um coming of age e que se utiliza de fantasia e simbolismos para lidar com a adolescência e a difícil arte de crescer.
Ana (Sofía Clausen) tem 14 anos e mora em buenos Aires. Ana é órfã de mãe e vive um sentimento de ausência desde a sua partida. Ana mora com seu pai, Javier (Santiago Ferreira), um pintor, que mesmo amando sua filha, passa seu tempo pintando ou tentando arranjar namoradas. Ana tem uma melhor amiga, Leppa (Lina Ziccarello). Desde que sofreu um acidente, Ana usa um braço protético. Ela começa a sentir frquências saindo do implante. Lepa acha curioso e junto de Ana, compõem uma música. Ao caminhar pelas ruas, Ana conhece um cadete em uma pizzaria, Pablo, que reconhece nas frquências o código morse. Ana precisa entender o significado de tudo o que está acontecendo, enquanto lida com solidão, primeiro amor, luto e sua relação com seu pai.
Um delicado e sensível filme que lida com temas comuns a quase todos os filmes com protagonismo adolescente, e que aqui, tem um ótimo time de atores, tanto adultos quanto jovens, para lidar com o roteiro escrito carinhosamente por Ingrid Pokropek. A trilha sonora é deliciosa, recheada de canções gostosas de ouvir. O filme deixa em aberto o significado das frequências, podendo deixar parte do público irritado. Mas certamente terão visto um filme indie confortante e apaixonante.
The greek aisle
"The greek aisle", de Maclain Nelson (2026)
Romance filmado na Ilha de Corfu, Grécia, essa produção americana traz uma história óbvia do início, meio e fim. Mas é um filme simpático para se assistir e sonhar em conhecer as ilhas na Grécia.
Em Denver, Califórnia, uma gerente de uma empresa de publicidade, Georgia (Nikki DeLoach), recebe uma notificação vindo da Grécia: sua tia faleceu e para reinvidicar a casa dela como herança, ela precisa seguir imediatamente até a Ilha de Corfu. Ela descobre que existe um problema:
ela só possui metade da casa. Alex (Apostolis Totsikas), um amigo de infância de Georgia e amigo de sua tia, é dono da outra metade. Os dois rapidamente chegam a um acordo: Georgia venderá sua metade para Alex e retornará aos Estados Unidos. Mas para que a venda aconteça, eles precisam comprovar que são casados. Eles decidem s ecasar para depois que vender a casa, anularem o casamento.
O que seria da comédia romântica sem o famosos casal onde os opostos se atraem? Aqui, o filme facilita para os dois: tanto ele quanto ela são bonitos e simpáticos. O filme traz todo o colorido e belas locações que a história precisa, e claro, personagens de apoio que servem de escada cômica. Será que alguém adivinha como o filme acaba?
Wirchi y amiguito
"Wirchi y amiguito", de Juanma Ozan e Valentín Wein (2025)
Concorrendo ao BAFICI, Festival de cinema independente de Buenos Aires em 2025, o curta "Wirchi y amiguito" é escrito e dirigido pela dupla Juanma Ozan e Valentín Wein e é o filme de estréia deles como diretores. A idéia do filme veio de forma espontânea, inspirados no amigo deles, Wirchi, que dediciu se tornar ator. O próprio Wirchi, que nunca havia atuado para as câmeras, interpreta o protagonista. Ele é um homem na faixa dos 30 anos, mas que mantém um ar adolescente e ingênuo. Fora do peso e desengonçado, ele faz audições sem sucesso. Seu irmão mais novo, que ele chama de Amiguito, passa uns dias com Wirchi e o acompanha nas ruas e nas audições. Amiguito é apaixonado pelo universo dos super heróis e Wirchi, sempre que pode, constrói situações para divertir Amiguito.
Um filme muito simpático, quase todo no improviso, que fala sobre as diversas formas de atuar, seja para as câmeras, ou no dia a dia. Wirchi "interpreta" para alegrar e entreter seu irmão, e essa alegria e amizade entre 2 homens, de idades tão distintas, é uma delçiia de se assistir.
segunda-feira, 15 de junho de 2026
The furious
"Huo Zhe Yan", de Kenji Tanigaki (2025)
Junte o melhor dos filmes de ação do Japão, China e Indonésia e você terá "The furious", um espetacular revenge thriller com algumas das melhoras cenas de luta e porradaria que você já assistiu. Todo fã de filmes de luta já assistiu ao clássico "Operação invasão"(The raid", filme que revolucionou o gênero em 2011. Um dos atores do filme, Joe Taslim, está no elenco, no papel do jornalista Navin. Ele se une a Wang Wei (Xie Miao), um homem mudo. Os dois queremd ecsobrir o paradeiro de seus entes quertidos: Navin está atrás de sua esposa, a jornalista Matia, que estava investigando um grupo criminoso que trafica crianças. Wang Wei está atrás de sua filha, Rainy, sequestrada na rua. Policiais corruptos e poderosos estão entre os integrantes do grupo criminoso.
O filme teve estréia no Festival de Toronto 2025 e recebeu um prêmio especial no Fetsival de Sitges. Algumas das cenas de ação são antológicas: a perseguição a pé de Wang que vai atrás do caminhão que sequestrou sua filha; a intensa luta de Navin em uma boite, envolvendo lutadores e criminosos; a luta em um frigorífico com cadáveres congelados; e claro, a batalha dos heróis contra deenas d ecriminosos, lembrando 'Operação invasão". O filme me lembrou também o sucesso "O som da liberdade", produção da Angel studios sobre tráfico de crianças. A direção de Kenji Tanigaki, que também é coordenador de cenas de ação, é espetacular e magistral. o elenco todo está excelente, incluindo os mocinhos, os vilões e o elenco infantil.
A werewolf boy
"A werewolf boy", de Crisanto Aquino (2026)
Remake filipino de um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema sul coreano, "A werewolf boy", de 2012. O remake é de 2026, e traz uma história que mistura drama, romance e realismo fantástico. O filme se passa em 2 épocas: na atual, Sara, uma mulher na faixa dos 50 anos, retorna para o campo para negociar a venda da casa onde ela passou a sua adolescência. O filme volta ao tempo, para o ano de 1973. Sara (Angela Muji), agora adolescente, se muda para o campo junto de sua mãe (Lorna Tolentino) e de sua irmã mais jovem, por problemas pulmonares. Sara se depara com um rapaz perdido e selvagem (Rabin Angeles), que age como um animal. Aos poucos, Sara, sua mãe e sua irmã domesticam o rapaz, mas a relação entre Sara e o rapaz provoca ciúmes no dono da casa, que nutre paixão pela jovem.
Eu imaginei que o rapaz fosse uma espécie de "Enigma de Kaspar Hauser", de Werner Herzog, sobre um rapaz abandonado e criado como animal. Mas o fato é que ele é realmante um lobisomem, e tem uma cena onde ele se transforma na lua cheia. Não esperava por isso, e o efeito ficou bem tosco. No mais, é um romance teen simpático, que traz um desfecho emocionante.
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