domingo, 2 de agosto de 2026
Ayka
"Ayka", de Sergei Dvortsevoy (2018)
Palma de melhor atriz no Festival de Cannes 2018 para a atriz do Cazaquistão Samal Yeslyaova, "Ayja" levou 7 anos para ser filmado. O filme é um drama angustiante e claustrofóbico que me deixou tenso. O roteiro não dá tréguas à protagonistas, uma imigrante do Quirquistão que tenta a sorte em Moscou como ilegal. É sofrimento atrás de sofrimento. Eu tive a mesma sensação de querer desistir do filme quando assisti 'Dançando no escuro", de Lars Von Triers, apesar de achar o filme uma obra-prima. Aliás, "Ayka" me fez lembrar muito do estilo narrativo e da temática, de "Rosetta", filmes dos irmãos Dardenne que levou a Palma de ouro em Cannes em 1999, além da palma de atriz, assim como Yanka. Em amos os filmes, as jovens protagonistas lutam contra a miséria diante um mundo que não as acolhe. Bjork, de 'Dançando no escuro", também ganhou a palma de atriz. Ou eja, Cannes adora um sofrimento feminino.
O diretor russo Sergei Dvortsevoy fez uma extensa pesquisa sobre a imigração ilegal em Moscou, entrevistando e acompanhando os entrevistados em seus afazeres. Muitos dos imigrantes representados no filme são reais. Ayka é uma jovem que abandona seu bebê recém nascido na maternidade, fruto de um 3xtupr0. Ela vai tentar trabalhar em qualquer serviço que não lhe exija documentos e que contrate ilegais. No abatedouro de galinhas, ela trabalha e no final os empregadres fogem, sem pagar as mulheres. Depois ela vai trabalhar em uma veterinária como faxineira. Entre um emprego e outro, ela mora em um albergue clandestino. Até que os credores que ela está devendo a localizam, e em troca, querem seu bebê como pagamento.
Me lembrei dos irmãos DArdenne porquê a forma de filmar é a mesma: uma câmera com olhar documental que segue a personagem para onde ela vai, colada em seu rosto. São filmes humanistas que apontam suas lentes para a classe proletária e desassistida. O trabalho de Samal Yeslyaova é excepcional, trazendo em seu corpo e rosto toda a tragédia de uma mulher abandonada sozinha em um mundo que não a protege.
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