quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Niu Lai
"Niu lai", de Yumeng Xin (2026)
Um fenômeno da animaçao chinesa, "Niu lai" (que na tradução literal, significa "Venha boi") foi considerado pelos críticos e pelo público, o "The room" da animação. Para quem não se lembra, "The room", de Tommy Wiseau, é coniderado o pior filme da história, e por isso, amado pelo público, se tornando cult e filme celebrado desde então. "Niu lai" certamente seguirá esse mesmo caminho. Todos os críticos foram unânimes em dizer que o filme é ruim em todos os quesitos: desenho, roteiro, edição, trilha, técnica. O filme foi totalmente prodduzido e criado por 2 únicas pessoas: o diretor Xin Yumeng e sua mãe, Sun Lifang. Desde a escrita do roteiro até o lançamento, o filme levou 5 anos. Eles fizeram absolutamente tudo, até a dublagem de todas as vozes. O filme custou 200 dólares, e rendeu 4 milhões de dólares: em termos de proporção de lucro entre custo e bilheteria, é o filme mais rentável da história. Mas nem tudo foram flores: quando lançado nos cinemas, em 9 dias, não levu nem 300 pessoas aos cinemas. Mas o boca a boca, os vídeos e prints do filme viralizaram nas redes sociais, e o público acabou indo assistir para conferir. E mais: o filme se tornou um case contra a invasão da Ai versus criação artesanal: afinal, mãe e filho criaram tudo utilizando um programa básico de 3D, com cara de animação feita nos anos 90 por software. O ritmo do filme, repleto de pausas sem sentido, os diálogos básicos e tati bi tati, como se fossem escritos para um público infantil, aliado à mensagens existencialistas, fizeram o público cair em gargalhadas. E ainda assim, teve quem saísse chorando do filme, pelo seu desfecho emocionante.
Me lembrei da animação "Touro ferdinando" pela mensagem de heroísmo e da masculinidade e coragem que o boi recém nascido, Niu Lai, precisa enfrentar, para poder fazer parte da manada, liderada pelo pai. Niu Lai nasce mas não tem forças para se levantar. Ele conta com o apoio de sua mãe, de um pássaro e de um leopardo para enfrentar os perigos da apoximação dos lobos e dos seres humanos.
Mas a maior diversão mesmo são os traços e a edição, repleta de pausas sem sentido. Um clássico do quanto pior, melhor.
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