sábado, 15 de dezembro de 2018
Chá com as Damas
'Tea with the Dames", de Roger Michell (2018)
Não tenho palavras para descrever a maravilha que é assistir a esse fabuloso documentário, que une 4 atrizes nomeadas DAMAS pela contribuição artística ao Teatro inglês. Joan Plowright, Eillen Atkins, Maggie Smith e Judi Dench são amigas de longa data, e há décadas, se encontram na casa de campo de Joan Plowright para falarem sobre tudo: trabalho, teatro, maridos, filhos, envelhecimento, amizade e paixão pelo ofício. Ser testemunha desse encontro dessas grandes Atrizes, unidas pelas lentes do Cineasta Roger Michell, Diretr de "Um lugar chamado Nothing Hill", é um presente para qualquer espectador e artista que queira ouvir declarações sobre o porquê devemos amar a nossa profissão. Divertidas, plenas do fino humor inglês, envoltas em taças de champagne e xícaras de chá e pitadas de ironia, as Damas riem de si mesmas, e quando o tema pesa, elas procuram dar a volta por cima. É muito belo ver que todas elas estão vendo mal, ouvindo mal e com ajuda de aparelhos e nem assim, lamentam sobre suas doenças. É muita lição de vida. O filme convida o espectador a se deliciar com muitas risadas e quem sabe, melancolia por uma vida que não volta mais, porém, eternizadas pelos registros de filmes e peças de teatro. Tem uma cena onde Judi Dench assiste a registros em 16 MM de trechos de peças que ela encenou nos anos 50, e ver que ela se recorda dos nomes dos artistas, de suas falas, é algo de comovente.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
Ponto cego
"Blindspotting", de Carlos López Estrada (2018)
Escrito e protagonizado pelos amigos Daveed Diggs e Rafael Casal, nos papéis dos também amigos de longa data Collin e Miles, "Ponto cego" venceu inúmeros prêmios em Festivais de Cinema independente, competindo inclusive em Sundance 2018.
Ambientado na periferia de Oakland, California, o filme começa com Collin recebendo condicional por um ato de vandalismo que ele cometeu quando trabalhava como segurança em um bar: atacou um cliente. O tempo passa, e faltam 3 dias para finalizar a condicional de Collin e ele receber o salvo conduto definitivo. Collin trabalha como funcionário de uma empresa de mudanças, e Miles trabalha com ele. Miles é um sujeito explosivo e que se irrita com facilidade, e esse seu temperamento pode estragar a condicional de Collin.
Achei o filme superestimado. Ele é bom, tem bons atores, mas nada excepcional que justifique os prêmios em larga escala. O personagem de Miles é irritante, e torci o tempo todo para ele se ferrar. Me irritou também essa lealdade de Collin à amizade de Miles um pé rapado que só estraga tudo. Como os 2 atores são amigos na vida real e os roteiristas, estava claro que ele não iriam estragar essa amizade na tela, e deixar claro para todos os espectadores, que apesar de tudo, o que importa são os amigos. Mesmo que eles estejam errados.
O fim? O Inferno fora
"In un giorno la fine", de Daniele Misischia (2018)
Dirigido e co-escrito pelo cineasta italiano Daniele Misischia, esse filme de zumbis tem todos os clichês que se pode imaginar dentro do tema. A referência mais óbvia é "Exterminio", de Danny Boyle. A diferença é que aqui, o roteiro é ruim, os efeitos, toscos, e o ritmo uma chatice só. Mesmo com o sucesso de anos da série "The walking dead", as produções insistem em produzir efeitos inferiores ao da série, o que é inconcebível.
Claudio Verona é um jovem homem de negócios, que segue para o seu escritório. Claudio é arrogante, e destrata a todos. AO chegar no prédio, ele fica preso no elevador. Logo, ele percebe que está acontecendo um apocalipse zumbi, e trancado no elevador, ele testemunha os ataques, e ao mesmo tempo, tenta encontrar uma forma de fugir dali.
Não espere nada de novo no filme: como quase 85% dele acontece dentro do elevador, o filme fica monótono, e as cenas de ação são bem escassas, por conta do baixo orçamento do projeto. Os atores são fracos, e a todo tempo a maquiagem procura fazer referências aos zumbis de Lucio Flcci ou Lamberto Bava, mas sem sucesso. Esses cineastas foram referências nos filmes trash. O Diretor Daniele Misischia quiz fazer um filme sério, e o resultado ficou bem fraco. Não assusta, e pior, o protagonista é uma antipatia só, não há cristão que se simpatize com ele ou que deseje que ele sobreviva.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Aquaman
"Aquaman", de James Wan (2018)
James Wan é uma mina de ouro. Ele concebeu as franquias de terror milionárias "Premonição" , "Invocação do mal", "Sobrenatural"e "Jpgos mortais". Agora, depois do mega sucesso de "Velozes e furiosos 7", ele investe novamente no cinema de ação. Em "Aquaman", suas referências vêem todas de clássicos cults e cafonas dos anos 80: "Flash Gordon", "Duna", "Tron", Caçadores da arca perdida", além de pitadas de "Star Wars". Para os nostálgicos, vai ser uma festa identificar tantos filmes queridos pela cultura nerd pop. A trilha sonora também idolatra os anos 80, com os deliciosos sintetizadores. Tudo é muito colorido, cafona, e chega a ser brega, mas com aquele charme irresistível do Kitsch, seja na direção de arte ou nos figurinos carnavalescos.
A origem do Aquaman e a sua missão de assumir o trono de Atlântida tem como sub-plot o amor de seus pais, um humano e uma representante de Atlantida, a Rainha Atlanna, representada por uma Nicole Kidman apuradíssima e emocionante. Nesse elenco dos Deuses, tem a participação luxuosa de Willen Dafoe, como uma espécie de Mestre Yoda, de Patrick Wilson, ator fetiche de James Wan, como o vilão ( lembrando o mote de "Thor" e a briga entre os irmãos pelo trono) e da ótima Amber Heard, como a princesa Mera, uma espécie de Ariel de cabelos ruivos e "A pequena sereia".
Os efeitos são exagerados, mas como disse anteriormente, com um charme mega kitsch dos anos 80. Quem se entregar a esse jogo escalafobético de cores e emoções, com direito a ótimas cenas de ação e de humor, irá se divertir bastante. Jason Mamoa é um carisma só, grandalhão e de bom coração.
Depois da chuva
"Depois da chuva", de Cavi Borges (2017)
Realizado em Cataguases, Minas Gerais, município que possui um Polo de Cinema, "Depois da chuva" é um curta que comemora os 20 anos da Produtora de filmes independentes Cavideo. Roteirizado e protagonizado por Patrícia Niedermeier, o filme explora e expõe os sentimentos aprisionados de uma mulher, que mora sozinha e que trabalha em uma fábrica textil. A prisão se mostra tanto em sua casa, uma construção retangular apática, quanto em seu trabalho, onde ela é obrigada a colocar um fone de ouvido para poder fugir do barulho ensurdecedor das máquinas. A mulher não pode sequer movimentar seus braços em liberdade, pois corre o risco de ter os mesmos engolidos pela força das máquinas. A mulher busca sua liberdade através de sua escrita, com seus únicos companheiros, seu caderno e sua caneta. A música a leva a um outro lugar, distanciado, reflexivo. No silêncio dos fones de ouvido, ela se imagina em um outro lugar, escutando música clássica. Uma linda e talvez inconsciente referência ao filme "Dançando no escuro", de Lars Von Triers. Ambos são inusitados musicais que têm nas máquinas e no seu barulho, a trilha sonora perfeita para falar de dilemas, solidão, opressão feminina. E na linda cena final, debaixo de uma chuva torrencial, uma outra homenagem a um dos grandes clássicos do cinema, "Cantando na chuva".
O Diretor Cavi Borges retrata essa metáfora da libertação tendo como pano de fundo um relato da mulher dizendo ter se libertado sexualmente, revelando aos pais a preferência por mulheres. Tudo orquestrado com muita delicadeza, um profundo estudo da música e dos ruidos como um segundo filme por trás do que estamos vendo, uma aula aprendida provavelmente com a grande diretora argentina Lucrecia Martel, que traz no som angustiante e incomodo, a psiocologia de seus personagens.
Vigia
"Vigia", de João Victor Borges (2018)
Curta LGBTQ+ exibido em diversos Festivais e produzido pelo curso de Cinema da UFF, apresenta a improvável amizade entre um segurança de um supermercado, Magno, que trabalha ali há 13 anos, e Bismarck, um caixa gay de cabelos pintados de rosa. Na rotina do supermercado, Magno achaca clientes, Bismarck sofre homofobia. Quando eles voltam todo dia para casa, dividem o mesmo BRT e vão ficando cada vez mais íntimos.
Dosando bem drama e leves traços de comédia, o filme trata de temas como homofobia e dá voz a pessoas invisíveis, um caixa e um segurança de supermercado, e que nas palavras de Bismarck, "eles desaparecem quando colocam uma farda aos olhos das pessoas".
Com um belo trabalho dos 2 protagonistas, o filme é bem dirigido e um tem um ótimo roteiro. PArabéns ao realizador, que mesmo tendo um currículo ainda tão curto, conseguiu realizar um filme de gente grande, com bastante segurança e profissionalismo.
Sandra chamando
"Sandra chamando", de João Cândido Zacharias (2017)
Curta vencedor do Prêmio Feliz no Festival do Rio 2017, dedicado a filmes com temática LGBTQ+, "Sandra chamando"tem como base experiências vividas pelo próprio cineasta.
O filme começa com um jovem casal gay transando com muito tesão. Terminando o sexo, eles se encontram na cozinha, tomando um café, apáticos. Um deles comenta estar ainda em luto, por conta da recente morte de sua mãe. O outro relata ter vivido a mesma experiência da perda. Os dois abrem seus corações e se conectam.
Delicado, econômico na decupagem, filmado com poucos planos e focando a historia totalmente em seus atores, os ótimos Maurício Barcellos e Igor Mo. De quebra, o filme ainda tem a bela fotografia do Mestre Rui Poças, um dos maiores fotógrafos portugueses da atualidade.
Terra de sombras
"Terra de sombras", de Charlie David (2018)
Longa LGBTQ+ Canadense composto por 3 curtas, que têm em comum a morte como fio condutor das tramas. No 1o episódio (Narcissus) , ambientado em 1928, um médico promove uma festa para convidados e faz deles suas cobaias para experiências. Uma jovem, apaixonada pelo médico, tenta se suicidar, sem perceber que ele é narcisista e somente pense em sua própria beleza.
O 2o episódio se passa em 1951, em um acampamento militar. Dois soldados gays, apaixonados um pelo outro, decidem comunicar aos outros sobre a sexualidade deles. No entanto, enquanto tomam um banho de rio, encontram um homem misterioso. No 3o episódio, ambientado em 2018, um homem em luto pela morte de seu parceiro, decide pintar a imagem dele.
As tramas possuem um olhar estilizado, bem ao estilo de Derek Jarman, famoso cineasta inglês que abusava da estética gay, exagerando em cores, vestuário, direção de arte e trazendo interpretações afetadas.Os dois últimos episódios apresentam elementos de realismo fantástico.
O filme, na verdade, carece de ritmo, e as 3 histórias são bem ruins. A última abusa do melodrama, e o próprio diretor protagoniza a trama. Os atores de uma forma geral são fracos, apesar da beleza de todos eles. O diretor explora a sensualidade, sem ser vulgar. Faltou dar mais consistência ap filme.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
Maria Callas - em suas próprias palavras
“Maria by Callas”, de Tom Volf (2017)
Comovente documentário que faz um retrato pungente da maior Diva da ópera de todos os tempos, Maria Callas, que nasceu em Nova York em 1923 e morreu em 1977, de ataque cardíaco.
O filme se apropria da mesma linguagem narrativa do documentário "Ingrid Bergman": através das trocas de cartas ( aqui, entre Callas e sua professora e mentora, Elvira de Hidalgo), expondo momentos íntimos, o diretor Tom Volf usa as vozes de Fanny Ardant e Joyce DiDonato para dar vida ao martírio existencial de Callas.
Desde criança, ela sofreu pressão dos pais para se cantora e não viveu sua infância e adolescência como uma pessoa comum.. Já adulta, cantou em óperas e ganhou a fama imediatamente. Bajulada por uma massa de fotógrafos e jornalistas sensacionalistas por onde quer que andasse, Callas se ressente de uma apresentação que fez em Roma e por conta de uma bronquite, ela cancelou o espetáculo. Acusada de Prima Dona e de tempestuosa, a imprensa caiu de pau nela, o que a deixou deprimida. O filme apresenta muitos casos de rusgas profissionais de La Callas, além do foco principal no terceiro ato: a sua separação com um milionário e o caso com Artistoteles Onassis, multimilionário grego, que depois a abandonou para se casar com Jackie Kennedy. Todo esse imbroglio foi fartamente coberto pela imprensa, deixando-a reclusa.
Callas dá depoimentos maravilhosos para vários jornalistas, e o discurso onde ela fala sobre o Artista e sua arte é antológico. Um dos melhores nmomentos é quando um jornalista entrevista fãs de Callas me Nova York, que ficaram dias na fila para comprar um ingresso e respondem perguntas sobre o que ela representa para eles. Um filme obrigatório.
Tinta bruta
“Tinta bruta”, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (2018)
Diretores de "Beira-mar," drama independente que fez burburinho em Festivais, em "Tinta bruta" o sucesso veio através de prêmios em importantes Festivais no mundo: Teddy no Festival de Berlin (Destinado a filmes LGBTQ+), Chicago, Festival do Rio (Melhor filme, ator e ator coadjuvante), entre outros.
O tema do filme se assemelha bastante ao do brasileiro "Luna", de Cris Azzi. Um adolescente solitário resolve criar uma persona para poder se exibir na web. Ao contrário da protagonista de "Luna", Pedro (Shico Menegat) se expõe com o codinome "Garotoneon"para poder ganhar dinheiro. Ele tira a roupa, se masturba, faz sexo, e os fãs virtuais depositam tolkiens. Um dia, Pedro chama um concorrente que usa o mesmo artifício da tinta neon, Leo (Bruno Fernandes) e tomar satisfação, mas acabam se apaixonando e se apresentando em dupla na web.
O filme é dividido em 3 capítulos: Luiza (irmã de Pedro), Leo e Garotoneon. O filme é bem dirigido, mas o roteiro estica demais a história, se extendendo além da trama principal. existem muitos sub-plots, e o do processo é o que me pareceu solto. Os atores atuam no registro do naturalismo, quase monocórdicos, uma opção narrativa. O que mais gostei no filme foi a fotografia e a trilha sonora.
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
100 dias no comando
"Sto dney do prikaza ", de Hussein Erkenov (1991)
Um dos últimos filmes realizados na União Soviética comunista, foi filmado em 1990 e desde então, banido, só tendo sua primeira exibição pública 4 anos depois, no Festival de Berlin.
O Cineasta Hussein Erkenov filmou o longa em instalações militares reais, e seu elenco é todo formado por soldados de verdade. O governo se sentiu traído pelo filme, que tem uma forte mensagem anti- militarista e anti-comunista.
O filme apresenta dia a dia de jovens soldados do Exército vermelho: os maus tratos de seus superiores, o bullying, os banhos coletivos, a hora da refeição, o dormitório e os treinamentos. Sem uma narrativa coesa, o filme é uma colagem de cenas soltas, como pequenos sketchesm alternando momentos realistas com outros surrealistas. O filme lembra bastante a filmografia de Tarkovsky e Alexander Sokurov, abusando dos filtros e dando aquela sensação de estarmos vendo um sonho de algum personagem.
Se tivesse sido rodado hoje em dia, o filme teria sido igualmente banido em muitos países: ousado, apresenta uma cena onde um menino de uns 10 anos fica totalmente nu, dormindo ao lado de um soldado na cama; outra cena escandalosa é a de um Coronel fazendo "Golden shower" em um soldado que está dormindo, e um outro que assiste, se excita. E se preparem para uma das cenas mais eróticas, sensuais e homoeróticas que você ja terá visto na sua vida: um banho coletivo, onde duplas tomam banho: um deitado, e o outro passando esponja no corpo todo do parceiro. é uma cena incrivelmente bela e excitante.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
Rir ou morrer
"Suomen hauskin mies", de Heikki Kujanpää (2018)
Comovente drama finlandês, baseado em uma incrível história real.
No ano de 1918, na Finlândia, revolucionários lutavam contra a invasão Alemã, que queria instaurar um reino em seu País. O Comediante Toivo Parikka foi um dos líderes da revolução e acabou sendo preso com toda a sua trupe teatral. Condenados à morte por fuzilamento, são salvos por uma aposta do general alemão: Caso eles montem uma comédia e façam toda a tropa do General, inclusive ele, rirem, eles serão salvos. Mas como montar uma comédia em um verdadeiro cenário de horror, onde mais de 20 mil presos fora fuzilados, em uma ambiente de fome, angústia e medo?
O filme é uma homenagem brilhante aos Artistas e o seu Amor à arte. Com personagens carismáticos, o filme conquista pela humanidade do roteiro, que consegue trazer elementos de humor a um drama tão intenso. A trupe teatral, um verdadeiro exército de Brancaleone, é composto por atores de grande potência, com destaque para o protagonistaçMartti Suosalo. Bela direção, trilha envolvente, e diálogos inspirados.
Todos os Paulos do mundo
"Todos os Paulos do mundo", de Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro (2018)
Com texto escrito pelo próprio Paulo José, o documentário afetivo "Todos os Paulos do mundo" se apropria do título do clássico de Domingos de Oliveira, "Todas as mulheres do mundo", para homenagear o Ator e Diretor até então de 81 anos de idade, e que desde o ano de 1992, foi diagnosticado com o Mal de Parkinson, que limitou as suas participações em filmes e novelas tanto como Ator e Diretor, mas não o impediu de trabalhar em filmes elogiados pela crítica como "O palhaço", de Selton Mello, e "Nosso País", de André Ristum.
Paulo José nasceu em Lavras do Sul, Rio Grande do Sul, e veio para o Rio de Janeiro contra a vontade de sua família. Seu primeiro trabalho como Ator foi no longa de Joaquim Pedro de Andrade, "O Padre e a moça", e no mesmo ano, realizou "Todas as mulheres do mundo", de Domingos de Oliveira. Depois vieram clássicos como "Macunaíma", "O Rei da vela", "edu coração de ouro", entre outros.
O filme tem narração em voz off de vários Atores amigos de Paulo, narrando trechos de sua vida profissional e pessoal, quando foi casado com Dina Sfat e atualmente, com Kika Lopes. Mariana Ximenes, Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Fernanda Montenegro, são alguns dos amigos que prestaram homenagem ao Ator. O filme , que tem um excelente trabalho de edição, a cargo de Mair Tavares e Tina Saphira, reúne trechos de muitos trabalhos de Paulo José. Para fãs e para Atores, o filme é um belo testamento para se desvendar e estudar a Arte desse grande Mestre.
domingo, 9 de dezembro de 2018
O mistério de Silver Lake
"Under the Silver Lake", de David Robert Mitchell (2018)
No ano de 2014, o filme anterior do Cineasta David Robert Mitchell, "A corrente do mal" foi uma das grandes sensações do Festival de Cannes. Misturando uma homenagem aos filmes de terror dos anos 80 com a metáfora da Aids, o filme conquistou crítica e público.
"O mistério de Silver Lake" concorreu no Festival de Cannes 2018 na competição oficial, e muitos críticos o consideraram o pior filme do evento. O Apogeu e o declínio de David Robert Mitchell perante os críticos aconteceu porquê era quase unânime de que o Universo onírico e surrealista de David Lynch seria irreproduzível. Muitos comentaram que esse filme seria uma tentativa de reproduzir "Mullholand Drive", mas na minha opinião, ele se aproxima mais de "Vício inerente", de Paul Thomas Anderson, de "Medo e delírio", de Terry Gillian e da referência mais explícita, "Um corpo que cai" e "Uma janela indiscreta", de Alfred Hitchcock.
É uma tarefa bastante difícil dizer do que se trata "O mistério de Silver Lake", e pior, tentar entender porquê o filme tem a duração de quase 140 longos e intermináveis minutos.
Sam (Andrew Garfield) é um desempregado que mora em Los Angeles, e está prestes a ser despejado de seu apartamento por falta de pagamento. Em sua varanda, ele costuma fumar maconha e observar as mulheres que moram ao seu redor. Uma das mulheres é a jovem Sarah (Riley Keough). Eles acabam se conhecendo, e Sarah o convida para vir no dia seguinte. Na vizinhança, existe um assassino de cães que assusta os moradores. Quando Sam retorna no dia seguinte, descobre que Sarah "desapareceu". Sem estar convencido de que a jovem se mudou, Sam resolve dar uma de detetive vai atrás de seu paradeiro.
O filme apresenta vários elementos surrealistas: animais que caem do céu, mulheres que latem, uma canibal. Se tudo é delírio de Sam, fica difícil saber. O roteiro é bastante confuso, e provavelmente, o Diretor e roteirista David Robert Mitchell não se importa muito se o público irá ou não compreender o seu filme. Resta se deixar levar pela atmosfera e pela doideira do projeto, que apresenta linda fotografia. Só lamento que o diretor não tenha conseguido lançar um filme tão primoroso quanto 'A corrente do mal".
Andrew Garfield está divertido no papel desse maluco beleza, e em várias cenas aparece semi-nu.
sábado, 8 de dezembro de 2018
A vida em si
"Life itself", de Dan Fogelman (2018)
O gênero melodrama, por décadas, sempre foi um dos mais populares entre os espectadores. O público de uma forma geral sempre amou histórias emocionantes e que faziam as pessoas saindo do cinema chorando. No entanto, a crítica sempre torceu o nariz, considerando os filmes como sub-produtos. Não está sendo diferente com "A vida em si", escrito e dirigido por Dan Fogelman, mais conhecido como o autor e realizador da série"This is us". A revista "Rolling Stones", afirmou que é o pior filme de 2018. Para quem assistir ao filme, vai se perguntar o porquê: é um filme decente, com bons atores defendendo os seus personagens (Oscar Isaac, Olivia Wilde, Annete Benning, Antonio Banderas) As locações variam entre Nova York e a área rural da Espanha, belamente fotografas. A trilha sonora, como manda a cartilha do melodrama, é adocicada e melodramática para intensificar emoções. E tenho que confessar: amo melodramas. Mas quem não curte, fique muito afastado do filme. Ele não tem nenhum pudor em forçar situações que provoquem lágrimas ou sofrimento por parte do espectador.
O filme acompanha várias gerações de duas famílias. O roteiro apresenta uma premissa: quem deve narrar o filme? Quem é o "Herói"de sua história? Assim, acompanhamos vários personagens , divididos em capítulos, e dessa forma, passar um pente fino nos familiares que circundam determinando personagem. Todas as relações envolvem casais, que por sua vez envolvem tragédias, e que por sua vez, culminam em mortes.
No 1o capítulo, acompanhamos o casal Will e Abby (Isaac e Wilde). Não posso dizer quem surge nos outros episódios, pois citar os personagens configuraria spoiler na estrutura desse filme. Eu adorei a montagem e o uso dos match cuts, provocando aquele efeito de surpresa com personagens que mudam de ator.
Um belo filme, prejudicado por uma longa duração e excesso de personagens, mas ainda assim, cativante.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
O mundo a seus pés
"Le monde est à toi ", de Romain Gavras (2018)
Longa de estréia de Romain Gavras, que vem a ser o filho de um dos maiores Cineastas gregos da história, Costa Gavras. Realizador de video-clips, Gavras encontrou na filmografia do inglês Guy Ritchie e dos irmãos Coen, a inspiração para essa sua comédia de humor negro, repleta de cenas de ação e violência.
O filme tem como protagonistas, traficantes, vigaristas, trambiqueiros e gangues do submundo. Farès é um jovem traficante que quer sair da vida do tráfico e abrir uma franquia de sorvetes no Norte da África. Ele tem bom coração, e portanto, não consegue dar certo no mundo do crime. Sua mãe, Danny ( Isabelle Adjani) é uma vigarista que vive de dar golpes nos outros. Seu pai é Henri (Vincent Cassel), um dos vários amantes de sua mãe e totalmente psicopata. Para bancar seu sonho, Frerés resolve realizar uma última missão, que claro, dá totalmente errada.
O filme se passa na França e na Espanha, e foi exibido na Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2018. O que prende a atenção do filme, é o ótimo trabalho do elenco, em especial, Isabelle Adjani, em um papel totalmente diferente de tudo o que ela já fez, interpretando uma perua Bitchy. Cassel está ok, naqueles seus papéis de loucos que o celebrizaram. A jovem Oulaya Amamra, do filme "Divinas, interpreta Lamya, a namorada de Frerés, igualmente ambiciosa.
é um passatempo divertido, bem filmado, com ótimas tomadas aéreas e bela fotografia. A trilha sonora é repleta de músicas pop dos anos 70 aos dias de hoje. O roteiro é que peca, indeciso entre contar uma comédia ou um filme de ação. O protagonista, Karim Leklou, de "O profeta", não tem muito carisma para carregar um filme nas costas.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
Assento na sombra
"Seat in shadow", de Henry Coombes (2016)
Longa de estréia do curta-metragista e Artista plástico inglês Henry Coombes, "Assento na sombra"lembra os primeiros filmes do cineasta e Designer Peter Greenaway, realizador famoso nos anos 80 e 90, pela sua mistura rococó de cinema e artes plásticas. Henry Coombes segue os passos de Greenaway, inclusive na temática do homoerotismo e do olhar barroco e bizarro sobre personagens excêntricos.
Albert está na faixa dos 60 anos, é um artista plástico e Psicoterapeuta. Uma amiga das antigas o procura, e pede que Albert atenda seu neto, um jovem homossexual desencantado com a vida, e com uma relação conturbada com seu namorado possessivo.
"Assento na sombra" já nasceu datado. Peter Greenaway e Derek Jarman já fizeram esse filmes nos anos 80. Henry Coombes poderia até dizer que fez uma reverência a esses cineastas, mas o filme é tão chato e metido à cult. Nem as cenas de sexo se salvam, são burocráticas e sem tesão.
Tem uma cena mega trash, um pesadelo do psicoterapeuta, imaginando dar à luz um ser monstruoso com um pênis gigante. Horroroso.
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
De repente uma família
"Instantly family", de Sean Anders (2018)
Comédia dramática dirigida e escrita pelo mesmo realizador das comédias "Pai em dose dupla 1 e 2", com Mark Whalberg, que também estrela esse filme, junto da excelente Rose Byrne. Ambos são o alter ego do próprio Sean Anders e narra o seu processo de adoção e adaptação de 3 irmãos latinos, filhos de uma mulher viciada em crack.
Pete (Walhberg) e Ellie (Byrne) formam um casal na faixa dos 40 anos que sonha em ter filhos, mas devido a idade deles, acham que estão velhos para terem um. Por conta disso, resolvem adotar uma criança já crescida. O que eles não esperavam é que fossem adotar uma, mas 3 irmãos de uma única vez, e cada um com um problema de adaptação.
O roteiro dosa bem comédia e drama, dando chance para cenas antológicas de humor puro, eu mesmo ri muitas vezes no cinema. Some-se a isso, o elenco mega talentoso: além dos ótimos Walhberg e Byrne, tem o apoio muito luxuoso de Octavia Spencer, Joan Cusack, Margo Martindale ( a carteira do último episódio de "Paris eu te amo") e as crianças, com destaque para a talentosa Isabela Moner, no papel da difícil e complexa Lizzy, a filha adotiva de 15 anos ( ela está em "Transformers" e "Sicario 2".
A direção de Sean Anders retrata com muita emoção a realidade do processo de adoção nos Estados Unidos, e é lindo constatar que lá, casais gays, mães solteiras, casais heteros, independentes de sua raça ou credo, têm a oportunidade de adotar uma criança ou adolescente.
Altamente recomendado.
Los silencios
"Los silencios", de Beatriz Seigner (2017)
Muitos críticos compararam o premiado filme de Beatriz Sergner ( que também escreveu o roteiro) à filmografia do Realizador tailandês Apichatpong Weerasethakul, especialmente seus filmes “Tio Bonmee” e “Cemitério do esplendor”. Ambos os filmes lidam com o realismo fantástico e com aa aparição de fantasmas que convivem com os vivos.
“Los silêncios”, que foi exibido nos prestigiados Festivais de Estocolmo e San Sebastian, venceu os prêmios de melhor direção e dos críticos da Abracci no Festival de Brasília 2018.
O filme narra a história de Amanda, mulher que se muda para Letícia, chamada de a Ilha da Fantasia, que fica na tríplice fronteira entre Colômbia, Brasil e Peru. Ela foge da luta armada em seu País, Colômbia, junto de seus filhos. Seu marido (interpretado por Kike Diaz) está desaparecido, e por conta disso, ela não consegue receber indenização. Os habitantes do local a olham com desprezo, e Amanda encontra resistências para procurar um trabalho. Seus filhos tentam se adaptar à rotina do local, em meio à escola e convívio com os moradores.
O filme tem uma direção delicada de Beatriz Seigner, que aposta no olhar documental para registrar o dia a dia dos personagens. O filme também se apropria das locações e da iluminação natural da região para trazer uma fotografia imponente, mágica, que condiz com o olhar lúdico. No entanto, o ritmo bastante lento da produção pode prejudicar uma parcela maior de público que poderia apreciar o filme. É um Filme de Festival, para cinéfilos, assim como os filmes da grande referência citada pelos críticos, Apichatpong Weerasethakul. O desfecho, um grande ritual entre vivos e mortos, é de grande beleza e confesso que me lembrei da animação ”Coco, A vida é uma festa”, da Pixar.
Bela atuação do elenco colombiano, de não atores, o que denota o ótimo trabalho da diretora.
Amanda
"Amanda", de Mikhaël Hers (2018)
Estou escrevendo essa resenha envolto em lágrimas incessáveis. Há muito tempo, eu não assistia a um filme tão tocante e humano, e olha que eu já assisti a dezenas de milhares de filmes. "Amanda" é um tiro no coração, e do meio pro fim, chorei convulsivamente. Muito do sucesso e da força desse filme vem do talento do Diretor e roteirista Mikhael Hers ( que teve como co-roteirista Maud Ameline), da fotografia colorida que lembra os musicais de Jacques Demy, realçando a beleza de Paris em meio a uma tragédia de proporções catastróficas, da edição que valoriza o tempo das performances e o respiro dos atores; e por fim, da monstruosa atuação do elenco, em especial de Vicente Lacoste, um dos jovens atores franceses mais talentosos da nova geração, e da pequena Isaure Multrier, uma força da natureza de 7 anos, no papel da protagonista que precisa conviver com a perda subida de sua mãe, interpretada com paixão por Ophélia Kolb.
A primeira parte de "Amanda" lembra bastante "Em pedaços", drama poderoso de Fatih Akin. Ambos os protagonistas perdem seus entes queridos por um ato terrorista. Só que o caminho que a personagem de Dianne Kruger faz em "Em pedaços", o da vingança, encontra ecos de dor e solidariedade em 'Amanda". Mikhaël Hers não quer falar da culpa do ato terrorista, quer falar de pessoas que tiverem entes queridos retirados abruptamente de sua rotina.
David (Vincent Lacoste) ainda está encontrando o seu espaço no mundo. Ele tem alguns bicos, e quando pode, ajuda a sua irmã Sandrinne, mãe solteira, a buscar sua filha Amanda na escola. Os irmãos se amam, e a mãe deles os abandonou e foi morar em Londres ( bela participação de Greta Scachi). Um dia, durante um piquenique no parte, Sandrinne sofre um atentado terrorista e é morta. David é nomeado guardião de Amanda, mas ele está inseguro, mal começou sua vida. E Amanda precisa entender o que significa a ausência de sua mãe.
"Amanda" tem momentos de pura poesia, cenas antológicas aonde a emoção, dosada sem exageros pelos Diretor, arrebata o espectador. A cena final, em uma partida de tênis, é de arrepiar. Preparem seus lenços.
O filme concorreu em Veneza 2018 e saiu de lá com um justo prêmio especial.
PéPequeno
"SmallFoot", de Karey Kirkpatrick (2018)
Simpática animação da Warner, fez sucesso no mundo todo, incluindo no Brasil. O filme faz aquele discurso de que precisamos encontrar harmonia nas diferenças, no caso, em 2 mundos: o dos humanos, e a dos Pé Grandes. Migo ( na voz de Chaniing Tatum) quer provar ao seu povo de que ele testemunhou um humano considerado lenda para os outros Pé Grandes. Para isso, ele vai numa missão de sequestrar um humano e trazer para o sue povo. Ele acaba sequestrando Percy, um jovem youtuber que tenta revelar ao mundo que Pés Grandes existem. Os 2 se tornam amigos, mas precisam vencer a barreira de seus mundos.
O grande trunfo do filme são as músicas, que vai do pop, cantado pela Cantora e Atriz Zendaya, no papel da Pé Grande Meesha, até rap. O filme tem boas piadas, bom ritmo, personagens secundários carismáticos. Um bom passatempo, nada de original, mas que dá para assistir com família e amigos.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
Blue my mind
"Blue my mind", de Lisa Brühlmann (2017)
Vencedor de vários prêmios em Festivais Internacionais, essa fábula da Suíça curiosamente, se aproxima bastante do filme brasileiro "Mormaço", de Marina Meliande. Em ambos os filmes, as Diretores e roteiristas se apropriam do realismo fantástico para mostrar como o fator psicológico interfere no corpo da protagonista, fazendo-o se transformar. No filme de Meliande, a protagonista vai se envolvendo com a histórias de moradores de uma comunidade que vão sendo desalojados e por conta disso, ela absorve o stress e seu corpo vai apodrecendo. No caso de Mia, a adolescente de 16 anos de "Blue my mind", a virada da protagonista em mulher não vem de uma forma pacata. Ela se irrita cada vez mais com seus pais, ela se droga, pratica bullying, entra no grupo das meninas escrotas da escola, faz sexo com qualquer um...e seu corpo se transforma a medida que vai descobrindo cada um desses passos. Mia vai ganhando contornos de uma mulher selvagem, faminta por sexo e por peixe cru, comendo os peixes de seu aquário.
No início de "Blue my mind", foi muito difícil eu continuar assistindo ao filme, pois a protagonista é tão irritante, tão fácil odiar ela, que eu desejei que ela morresse logo. Mas à medida que o filme avançava, e também por conta da excelente performance da atriz Luna Wedler, numa composição dificílima, fui me afeiçoando ao filme, a partir do momento que entendi que era uma parábola complexa sobre o processo de amadurecimento.
As cenas de sexo são mostradas de uma forma fria, chocante, e o filme não tem pudor em falar de pedofilia e sexo grupal com uma menina de 16 anos. Pelo olhar da roteirista e diretora Lisa Brühlmann, a juventude está perdida e sem perspectiva: drogas, sexo, falta de compromisso, falta de comunicabilidade com os pais, estudo zero. "Blue my mind" pode ser considerado o "Kids", de Larry Clark em versão fantástica.
domingo, 2 de dezembro de 2018
Amor no Cairo
"Toul omry", de Maher Sabry (2008)
Inspirado no evento ocorrido em 2001 no "Queen Boat", boite gay localizada no Cairo, onde 52 gays foram presos pela Polícia acusados de sodomia e perversão contra a sociedade, o cineasta e roteirista Maher Sabry realizou o que e considerado o primeiro filme abertamente LGBTQ+ do Egito, com cenas intensas e tórridas de sexo e nudez frontal masculina.
O filme provocou furor e foi banido em vários Países do Oriente Médio, sendo acusado de subversivo e atentado aos costumes e moral da comunidade islâmica.
Rami, 26 anos, vive uma vida dupla: no seu trabalho, ele age como hetero, mas na vida pessoal, ele tem um amante. Quando esse anuncia que irá se casar com uma mulher, por conta da pressão da família, Rami perde seu rumo: acaba entrando em chats e marcando encontros sexuais com outros homens, até que encontre o seu par ideal.
"Amor no Cairo"apresenta várias histórias: a de Rami é a que conecta todas elas: tem a do fundamentalista religioso que se pune quando pensa em fazer sexo com sua vizinha; tem o vizinho gay que deseja Rami e o observa toda noite na janela; tem o melhor amigo de Rami, um gay assumido e que provoca Rami, dizendo que ele deve aceitar a sua homossexualidade; e tem a da melhor amiga de Rami, uma feminista que resolve se mudar para San Francisco para poder lutar pelos seus diretos.
Tecnicamente, o filme é ruim: fotografia, edição, diálogos e principalmente, as atuações, bem amadoras. Mas como filme político, o filme é muito importante, ao quebrar a barreira do conservadorismo de seu País e botar na pauta a luta pelos direitos humanos, sejam igualdade de sexo, raça e gênero. As cenas de sexo são bastante ousadas, até mesmo para padrão ocidental, com cenas de sexo anal bem realistas.
É um filme que tem a sua importância cultural e social, mas quem busca apenas um entretenimento, irá se decepcionar, é um filme mediano e longo, quase 2 horas de duração.
sábado, 1 de dezembro de 2018
Um irmão
"Un frére", de Victor Habchy e Martin Escoffier (2018)
i8Drama adolescente LGBTQ+ francês, conta aquela história mega batida, e que recentemente foi celebrizada por "Me chame pelo seu nome": durante as férias de verão, um garoto descobre a sua sexualidade e o seu primeiro amor.
Tom é um rapaz de 15 anos que viaja para o litoral com seus pais e sua irmã caçula. Um dia, uma amiga de sua mãe, que sofreu um aborto, se hospeda por uns dias na casa de veraneio deles. Junto, ela traz seu filho Félix, 17 anos. Os 2 garotos, claro, irão se conectar e experimentar os prazeres do sexo entre pessoas do mesmo sexo.
Com atuações corretas e apostando nas belas locações, "Um irmão" não traz muitas novidades a esse tipo de história. Assiste-se com simpatia, mas nada que seja memorável. VAle a tarde de domingo chuvoso.
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Mormaço
"Mormaço", de Marina Meliande (2018)
Primeiro longa solo de Marina Meliande, que já co-dirigiu alguns trabalhos com Felipe Bragança ( A alegria, A fuga da Mulher gorila, "Mormaço" é um raro filme brasileiro que fala da crítica social e o traz a um filme de gênero. Terror? Fantasia? Realismo fantástico? Cada espectador interprete de sua forma, mas é inegável entender a grande referência do cinema de Polansky à obra, principalmente, "Repulsa ao sexo".
O filme começa grandioso, mostrando grandes planos da cidade do Rio de Janeiro, decadente, opressora, suja, e vai acabando de forma claustrofóbica no apto da protagonista, Ana (Marina Provenzzano, excelente), uma defensora pública. O filme se passa às vésperas das Olimpíadas no Rio de Janeiro, e o governo quer desalojar uma comunidade que mora na área do Autódromo. Ana é responsável em defender os moradores. Ao mesmo tempo, ela está sendo desalojada de seu apartamento na Zona Sul, que será destruído para a construção de um hotel.Ana vai se deixando consumir psicologicamente, seu corpo vai aos poucos apodrecendo, uma metáfora de tudo o que passa ao seu redor: corrupção, sujeira, maus tratos, injustiça social, desemprego, falta de moradia. As pessoas reparam em suas manchas, feridas, mas não ha médico que resolva.
O filme conta com o excelente trabalho de Marina Provenzzano, vista recentemente em "O grande circo místico", de Analu Prestes e do jovem ator Pedro Gracindo, muito bem no papel do representante da construtora. A direção de Marina segue lenta, para que o espectador se sinta desafiado nessa fábula de um pesadelo sem fim. Os efeitos de maquiagem são muito bons, e também a atmosfera impregnada ao filme. O filme lembra "Era o Hotel Cambridge", de Eliane Café, pela mistura de atores e dos desalojados reais, dando mais verdade oa projeto. Recomendado.
O ódio que você semeia
O o'dio que você semeia
"The hate U give", de George Tillman Jr (2018)
Adaptação do livro de Angie Thomas, "O ódio que você semeia" tem a missão de ser "Faça a coisa certa"dos novos tempos. é um filme vigoroso, tenso, vibrante, repleto de cenas formidáveis, que falam sobre o embate de raças, credos, pensamentos, culturas e dicotomias sócio-econômicas. O cineasta negro George Tillman Jr. vem com força total nesse filme premiado em vários festivais, e que só peca por ter feito um drama de 133 minutos, tempo excessivo para essa história. O filme aliás, me lembrou o recente "Detroit" de Kathleen Bigelow, que sai perdendo na comparação, pois George Tillman Jr. tem o lugar da fala e sabe do que está falando. A adolescente negra Starr (Amandla Stenberg, absolutamente poderosa) é uma porta voz de toda a comunidade negra e dos injustiçados.
Mav é casado e tem esposa e 3 filhos. Desde pequenos, as crianças possuem aulas de seu pai de comportamento perante a predominância branca e de como devem reagir na presença de brancos. O tempo passa. Starr já está uma adolescente, estuda e tem amigas brancas e namora um rapaz branco. Durante uma festa de colégio, ela revê um amigo de infância, Hkalil, negro e traficante, que vende drogas para bancar os seus sonhos profissionais. Quando saem da festa, são abordados por um policial branco, que acaba matando Khalil, por achar que a escova de cabelos dele era uma arma. Starr é a única testemunha, De início, ela fica arredia em testemunhar, mas aos poucos vai cedendo à voz da comunidade negra e acaba virando uma porta voz da justiça, mesmo que o traficante local a ameace.
Com excelente direção e ótima atuação de todo o elenco, o filme recorre a clichês de dramas que apresentam embates entre podre branco e comunidade negra massacrada, mas o seu resultado final é tão poderoso que a gente esquece deslizes ( até mesmo o sub-plot amoroso entre Starr e seu namorado branco, dispensável). Um filme obrigatório que deve ser visto e discutido por todos, na mesma dobradinha do filme de Spike Lee, "Infiltrados na Klan".
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
A mata negra
"A mata negra", de Rodrigo Aragão (2018)
Divertido Filme B trash do Cineasta capixaba Rodrigo Aragão, Diretor dos cults "O Chupa cabras" e "Floresta negra", "A mata negra" foi o filme de abertura do Prestigiado Festival de filme de gênero Fantaspoa em 2018.
O filme faz muitas referências à franquia de Sam Raimi, "A morte do demônio". Em uma região próxima à uma floresta, moram Clara ( Carol Aragão, filha do Cineasta) e seu pai que a adotou quando criança. Quando Clara vai até uma feira na cidade, ela conhece um homem e se apaixona por ele. No caminho de casa, ela encontra um homem estranho que lhe oferece o Livro perdido de Cipriano, em troca de Clara rezar pela sua alma. Quando Clara decide ir embora da cidade com o homem por quem ela se apaixonou, eles sofrem uma emboscada e o amante é assasinado. Desesperada, Clara pega o livro perdido e faz uma bruxaria para que ele volte ao mundo dos vivos. Mas esse ato irá trazer consequências trágicas a todos os envolvidos.
Jackson Antunes faz uma participação como um Pastor conservador que quer matar Clara, acusando-a de bruxaria, e Francisco Gaspar, impagável, é um homem que mora com sua mãe idosa e a sua esposa grávida, e estrela os momentos mais divertidos do filme, quando uma galinha demoníaca ataca a todos.
"A mata negra" é um filme de terrir bem Trash, e quem não curtir o gênero, nem assista. Os efeitos são toscos, muito sangue, mas tudo muito divertido, justamente porquê os exageros, tanto dos efeitos quando das performances, são sensacionais.
Um momento antológico: a chacina em uma balada de forró. Se o filme fosse mais curto e tivesse menos sub-plots, teria sido bem mais divertido. Destaque para Carol Aragão, uma verdadeira Scream Queen do trash, cheia de dubiedades em sua personagem, que em determinado momento, quer sacrificar uma criança em uma bruxaria. Um futuro clássico, sem dúvida.
Fauve
"Fauve", de Jeremy Comte (2018)
Chocado com a qualidade desse curta canadense super premiado, incluindo melhor curta em Sundance 2018. Direção, atuação, fotografia, edição, trilha sonora, tudo de um alto nível que me deixou chapado.
Tyler e Benjamin são 2 garotos que brincam em um trem abandonado. Logo, a brincadeira segue até uma mina abandonada. Benjamin acaba entrando em um poço de cimento fresco e vai afundando. Tyler, desesperado, procura por ajuda. Mas o lugar está abandonado.
O diretor Jeremy Comte também escreveu o roteiro e tem total domínio sobre o ritmo do filme, dando um tom cada vez mais tenso e assustador, algo comparável a "Encurralado", de Spielberg, mostrando a imensidão de uma locação "engolindo' o ser humano. Uma aula de cinema, enxuto, coeso, sem barriga e poucos diálogos. Cinema puro.
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Distrito
"District", de Anthony Bawn (2018)
O Diretor Anthony Bawn é negro e gay assumido. Morando em Los Angeles, ele sentiu a necessidade de dar voz a personagens negros gays. Anthony , junto de seu marido Brestley Bawn, resolveu se mudar para Atlanta, considerada a Capital dos afro-americanos gays dos Estados Unidos, e fundou o Canal de Streaming "Bawn Tv", com conteúdo exclusivo LGBTQ+ com protagonistas negros.
Anthony já realizou várias séries em seu canal, e o mais recente, "Distrito", baseado em livro de Tyson Anthony, inicialmente concebido para ser uma Web Série, acabou sendo lançado como longa-metragem.
O filme é uma espécie de "Moonlight" do hiper baixo orçamento. "Brothers" que amam outros "Brothers", sem perderem a sua masculinidade. Eles traficam, se prostituem. Assim são Miller e Jayvon. Miller é um striper e trabalha para um homem poderoso da periferia aonde moram. A mãe de Miller está presa por defender Miller quando criança de seu pai, que abusava dele. Jayvon por sua vez, é um em teto e viciado em crack. Miller e Jayvon se curtem e transam alucinadamente, mas as vidas trágicas que cada um deles leva, os impede de serem felizes.
Com uma estética suja, muito por conta da falta de dinheiro, acaba sendo um charme extra para a produção: edição de som ruim, fotografia sem marcação de cor adequada, falta de ritmo. Mas a coragem de Anthony Bawn em querer mostrar o submundo da periferia, com um elenco totalmente negro, com cenas de sexo intensas e repletas de testosterona, fazem valer a pena assistir ao projeto. Os 2 atores principais, Brandon Anthony e Jeffrey Erskine, nos papéis de Miller e Javyon, merecem ganhar as grandes produções: são fotogênicos e bons atores, se entregando totalmente à visceralidade do projeto.
terça-feira, 27 de novembro de 2018
Não há tampa no mar
"Umi no futa", de Keisuke Toyoshima (2015)
Drama adaptado do livro de Banana Yoshimoto, "Não há tampa no mar" tem como tema o desapego, a mudança e o enfrentamento de novas perspectivas para um futuro incerto.
Mari (Akiko Kikuchi, muito carismática) é uma jovem que decide abandonar Tokyo, após passar anos estudando e trabalhando com design, e resolve retornar à sua casa natal, na Ilha de Shizuoka. Nessa Ilha paradisíaca e tranquila, ela resolve pegar de volta para a sua vida, a calma e tranquilidade que a cidade grande lhe tomaram. ela revê amigos e seus pais, e resolve abrir uma pequena loja de raspadinha com xaropes. O negócio vai mal, e ela também precisa cuidar de Hajime, uma adolescente com trauma de infância, filha de uma amiga da mãe de Mari. Todos terão suas vidas transformadas nesse curto período de tempo.
Singelo, simpático, o filme, dirigido pelo cineasta Keisuke Toyoshima, tem uma belíssima fotografia que valoriza as cores e paisagens da região. De início o filme parece que vai para um caminho mais light, mas do meio em diante, ele vai ficando triste. As cenas onde Mari prepara a raspadinha são muito bem realizadas e dá vontade de provar a iguaria.
A voz do silêncio
“A voz do silêncio”, de André Ristum (2018)
Prêmio de melhor direção no Festival de Gramado 2018, “A voz do silêncio” é dirigido pelo mesmo realizador dos dramas familiares “Meu País” e “ O outro lado do Paraíso”. Em “ A voz do silêncio”, Ristum se apropria do filme mosaico celebrizado por Robert Altman e costura varias historias que acontecem em uma São Paulo capturada com cores deprimentes e melancólicas. São histórias de solidão, de vazio existencial, de cheiro de morte que se aproxima, de pais e a falta de comunicabilidade com seus filhos, desamor, desemprego, crise. As histórias em aí não tem nada surpreendente, são contos simples, singelos, naturalistas. Marieta Severo, Marat Descartes, Arlindo Lopes, e também um elenco de atores argentinos ( o filme tem co produção com a Argentina) compõem esse painel desalentador. Tudo lembra Win Wenders dos anos 70 e 80, mas visto hoje em dia, faltou algo mais original. Valeu a intenção, faltou punch.
Nos corredores
"In den gangen", de Thomas Stuber (2018)
Drama alemão, vencedor de inúmeros prêmios em Festivais internacionais, incluindo 3 prêmios no Festival de Berlin 2018.
O filme tem como protagonistas uma dupla de excelentes atores, em grande forma: Sandra Hüller ( de "Toni Ederman") e Franz Rogowski ( de "Victoria").
Christian (Rogowski) inicia um período de experiência em uma grande supermercado como estoquista de prateleiras. Um outro funcionário mais antigo, Bruno, ensina a Christian as regras da profissão e também, a manusear a empilhadeira. Christian conhece Marion (Huller), que cuida do corredor de doces como estoquista. Ambos se sentem atraídos, mas Marion é casada, e Christian, extremamente tímido.
A história é um fiapo, mas o mais importante no filme, é o seu desenvolvimento, a psicologia de seus personagens. Marion e Christian possuem vidas muito, mas muito simples, sem grandes arroubos. Ambos não buscam grandes feitos, e estão satisfeitos com seu emprego. Felicidade para eles está nas pequenas coisas: um chocolate, um sorriso, um olhar. Com esse filme, o diretor Thomas Stuber faz um lindo retrato de vidas anônimas e vazias. Seus personagens convivem com todas as temáticas próprias de assalariados: risco de desemprego, falta de comunicabilidade, pouco salário, falta de ambição. O filme me lembrou "Arabia", o filme nacional que também tem como protagonista um ex-presidiário que tenta se recompôr na vida, conhece uma mulher por quem se apaixona e tem como amigo uma pessoa mais velha que acaba tendo fim trágico. O discurso de Christian com Bruno lembra muito também o de "Arábia", do protagonista com um funcionário mais velho que lhe relata a dureza da vida sem sentido.
O filme é longo e desejei que tivesse 2o minutos a menos. Mas vale pelo retrato carinhoso e ao mesmo tempo frio do diretor para com os seus personagens. Linda fotografia e enquadramentos. Incrível como o ator Franz Rogowski lembra bastante o americano Joaquim Phoenix, até no lábio leporino e no registro físico.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
A balada de Buster Scruggs
"The ballad of Buster Scruggs", de Joel e Ethan Coen (2018)
Exibido no Festival de Veneza 2018, de onde saiu com o Prêmio de melhor roteiro, "A balada de Buster Scruggs" foi financiado pela Netflix, o que é uma pena, por conta da potencialidade cinematográfica em tela grande. Não é um filme para a tela pequena. A fotografia extraordinária de Bruno Delbonnel ( de "Amelie Poulain") , explora com requintes de obra de arte as locações desse faroeste que ao mesmo tempo que parece uma homenagem aos filmes de John Ford (batalha com índios, cenas longas dentro de carruagens, caçada ao ouro, etc) , traz o que os irmãos Coen têm de melhor: muito humor negro, lirismo, bizarrice, surrealismo e violência extrema.
O filme é dividido em 6 episódios, todos extraídos de um livro que é folheado ao longo da narrativa, algo como "Era uma vez..".
Ep 1- A balada de Buster Scruggs. Buster Scruggs é um perigoso fora da lei apesar de não aparentar, por conta de sua fisionomia franzina ( uma performance insana de Tim Blake Nelson). Misto de faroeste e musical surreal, o filme mostra os duelos de uma forma totalmente inusitada e debochada.
Ep 2- Near Algodones. James Franco interpreta um assaltante de bancos que é condenado à forca. Mas quiz o destino que ele tenha o seu destino traçado de outra forma. Esse episódio é o mais curto e o mais engraçado de todos.
Ep 3- The meal ticket. Esse é o episódio mais melancólico e contundente de todos. O final é arrebatador. Lian Neeson interpreta um mestre de cerimônias, cuja estrela de seu show é um poeta sem braços e sem pernas ( linda performance de Harry Melling. Mas o público vai ficando cada vez menor, e o homem precisa mudar o show. Um show de direção e técnica, numa metáfora sobre o que é Arte nos dias de hoje.
Ep 4- All gold Canyon- Esse é o episódio que eu mais gostei, muito por conta do tom de fábula à La Walt Disney, quanto pela perfomance impecável de Tom Waits, no papel de um velho garimpeiro obcecado em encontrar ouro. Merecia prêmio de melhor curta.
Ep 5- The gal who got ratted poderia ter sido um dos grandes episódios do filme, mas a sua longa duração lhe tira sua força, apesar do desfecho totalmente inesperado e cruel. O filme começa como drama, emenda em romance e termina em uma grande batalha. Linda atuação de Zoe Kazan no único papel feminino de peso do filme
Ep 6- The mortal remains- Esse episódio poderia ter sido retirado do filme, que tem quase 130 minutos de duração. É chato, apesar dos bons atores, e acontece todo dentro de uma diligência ( uma homenagem explícita ao filme de John Ford, "No tempo das diligências"). O desfecho pode ser encarado como uma metáfora sobre a morte, tema comum a todos os episódios.
#Ninfabebê
"#Ninfabebê", de Aldo Pedrosa (2017)
Longa independente de suspense psicológico, "#Ninfabebê" ganhou o Edital do Fundo Municipal de Cultura de Uberada, cidade onde o longa foi rodado. Realizado com muito pouco dinheiro, o filme se passa todo dentro da casa de Cibele (Dandara Adrien), uma adolescente viciada em redes sociais e que expõe tudo o que ela faz na Internet. Quando seu pai e sua madrasta viajam no final de semana, Cibele chama sua melhor amiga, Daiana (Giovanna Almeida), para beberem, se exibirem na internet e se drogar. Mas o excesso de exposição acaba tornando o final de semana das amigas em algo trágico e violento.
Para se assistir ao filme, temos que ser condescendentes e pensar que tudo foi feito com pouca grana e com uma equipe com pouca experiência. Tecnicamente, o filme é fraco: fotografia, roteiro, direção de arte e som. Mesmo assim, o longa conseguiu a grande proeza de ser convidado para dezenas de Festivais, sendo premiado no Festival da Romênia com 3 troféus. As duas atrizes tentam dar conta de suas personagens irritantes. O que seduz o espectador, principalmente os jovens, é o seu tema, que traz uma denúncia e uma crítica ao excesso da exposição na internet, e fala sobre os riscos de se expor demais na sua rotina, chamando a atenção de bandidos. A violência gore no filme beira o trash, mas provavelmente, a garotada irá se divertir bastante.
domingo, 25 de novembro de 2018
Noite de lobos
"Hold the dark", de Jeremy Saulnier (2018)
Adaptação do livro homônimo de Willian Giraldi, "Noite de lobos" é dirigido pelo mesmo realizador de "Ruína azul"e "Sala verde", dois filmes cults que possuem muito em comum com "Noite de lobos": violência extrema, vingança e psicopatia.
Jeremy Saulnier adora criar uma atmosfera sombria e de pesadelo para ambientar os seus filmes. Em "Noite de lobos", ele fala de matricídio, incesto, incomunicabilidade entre parentes e repressão sexual. Tudo isso misturado a uma salada de gêneros que torna o filme algo inclassificável: é ação? Guerra?Suspense? Terror? Policial? Drama? O filme tem tudo isso, e ainda tem um desfecho bastante confuso, deixando o espectador entender o que bem quiser. É um filme complexo na sua narrativa e história, e provavelmente, deixará muita gente puta pelo final em aberto. Afinal, o que o filme quer falar?
Eu penso que a mensagem do filme é a relação pais e filhos, e através de seus personagens, entender como a falta de comunicação entre algumas famílias pode terminar em tragédias, ao passo que outras encontram redenção.
Russel (Jeffrey Wright) é um escritor de um livro sobre lobos, e há tempos não se comunica com sua filha. Ele é contratado por uma mulher, Medora, para descobrir o paradeiro do lobo que levou sue filho pequeno e que provavelmente o matou. Russel segue até a cidade de Keelut, no Alaska. Paralelo, acompanhamos Vernon (Alexander Skarsgård), um soldado americano lutando no Iraque. Ao ser ferido em ação, ele volta para Keelut, e descobrimos que ele é marido de Medora. Todas as histórias se entrecruzam, seguindo um rumo de violência sem fim.
O diretor Jeremy Salnier quiz contar muitos sub-plots e o filme se esvazia e fica muito, muito longo. O roteiro é confuso, e chega a ser bizarro, pois tudo vai ficado quase surreal e eu mesmo fiquei meio perdido, tentando entender que história estava sendo apresentada. O que vale a pena no filme, são os atores e uma cena longa e bastante violenta de tiroteio, que mesmo que não faça muito sentido dentro da trama, é muito bem feita e lembra a cena do tiroteio em "Nascido para matar", com o atirador escondido e inatingível.
sábado, 24 de novembro de 2018
O segredo de Davi
"O segredo de Davi", de Diego Freitas (2018)
Longa de estréia de Diego Freitas, realizador do excelente curta de suspense psicológico "Sal", baseado na história do canibal alemão Armin Welmes, que em 2002, contactou um parceiro sexual pela internet e depois o devorou.
Agora, em "O Segredo de Davi", novamente Diego retorna ao tema do assassino que mata por prazer. Só que, diferente do tom do seu curta, ele aposta agora no fantástico e no sobrenatural. O que os aproxima é o tom de homoerotismo latente entre seus protagonistas.
Davi (Nicholas Prattes) é um estudante de cinema, órfão de pais. Ele mora sozinho, e tem um grupo de colegas nerds da faculdade. Um dia, ele conhece um estudante de cinema mais velho, Jonatas, e as coisas começam a se tornar estranhas para Davi. Para piorar, ele usa sua câmera para bisbilhotas seus vizinhos, e acaba matando a senhora do prédio da frente.
Boa parte da crítica comparou o filme a "A casa que Jack construiu", de Lars Von Triers. O tema até pode ser parecido, sobre um serial killer que não busca suas razões para seus atos criminosos. Mas "O Segredo de Davi" tem um terceiro ato que apresenta um flashback que procura explicar os traumas do protagonistas, e é aí que o filme fragiliza. O filme, que caminhava pelo olhar mais realista, acaba indo para um outro tom, que para mim, fez cair o rendimento do roteiro, até então, interessante. Mas o filme tem qualidades: a técnica, principalmente os efeitos de computação gráfica, e a performance de Nicholas Prattes, que mesmo se cercando de maneirismos , tem um interesse, seja pela juventude e frescor do personagem, seja pela frieza de seus atos.
Morto não fala
"Morto não fala", de Dennison Ramalho (2018)
Diretor dos cultuados curtas "Ninjas" e "Amor de mãe", Denisson Ramalho ocupa na cinematografia brasileira um espaço honrado de um dos Maiores Diretores de filmes de gênero reconhecido em Festivais do mundo inteiro. "Morto não fala" foi exibido em vários Festivais, entre eles, BFI Film Festival, Sitges e Fantasia.
Com um roteiro ousado e bastante criativo do próprio Denisson e de Claudia Jouvin, apostando em uma mistura deliciosa de filme de terror com a realidade da violência urbana da periferia da grande São Paulo ( traficantes, desemprego, dificuldade econômica, assassinatos), o filme encontra no seu elenco a grande força que precisa para ser reconhecido por uma parcela da platéia que ainda vê os filmes de terror com certo desdém. Daniel de Oliveira, Marco Ricca, Bianca Comparato e principalmente a grande performance insana e corajosa de Fabíula Nascimento, em seu melhor papel no Cinema. Parabéns pela coragem desses atores consagrados de terem acreditado e apostado nesse filme tão bizarro e ao mesmo tempo tão excepcional.
Stenio (Daniel de Oliveira) trabalha em um necrotério e tem o dom de poder falar com os mortos. Ele desabafa a sua vida com os mortos, da mesma forma que os mortos com ele. Stenio mora em uma comunidade pobre da periferia de São Paulo. Sua esposa, Odete (Fabíula) almeja uma vida melhor. Os dois têm 2 filhos pequenos. Quando um morto conta um segredo para Stenio, ele se utiliza disso para poder se vingar de Odete. Essa vingança irá provocar uma catarse na vida de Stenio e de seus filhos.
A parte técnica do filme, fotografia, edição, direção de arte e claro, a maquiagem e efeitos, estão todos de alto nível. Claro, por ser uma homenagem ao Filme B, os efeitos de maquiagem às vezes sôa grotesco, mas o fã de terror sabe que isso faz parte da concepção.
"Morto não fala" é um filme que merece ser visto, é um filme diferente, original, com uma idéia incrível que entrega personagens que não não mocinhos nem bandidos, apenas pessoas comuns às vezes em um dia ruim.
A cena de Fabíula e Marco Ricca sendo achacados pelos traficantes é um primor de realização.
O filme venceu no Festival Rio Fantastik 2018 os prêmios de Melhor Atriz para Fabíula, e de melhor Diretor pela crítica.
Dead Teenager Seance
"Dead Teenager Seance", de Dante Vescio and Rodrigo Gasparini (2018)
Diretores do insano filme de terror brasileiro "O Diabo mora ao lado", a dupla de roteiristas e diretores agora surge com esse curta divertidíssimo, que homenageia personagens e temas queridos de fãs de terror: o serial killer mascarado e rituais satânicos. O filme é B na veia, e um verdadeiro deleite para a platéia nerd.
Um casal, Rocky e Punk, invade a casa abandonada onde ocorreram vários assassinatos. Adam, o serial killer, surge, e mata a menina Punk. Ela vai parar no limbo, e descobre que outros nerds assassinados por Adam se encontram ali, e decidem fazer um ritual para trazer Adam ao limbo e matarem ele de vez.
Criativo, divertido, o filme surpreende pela excelente concepção visual, carisma dos personagens, todos arquétipos de filmes do gênero. Os diretores, fica muito evidente, amam o que fazem e assistir ao filme é trazer a nostalgia daqueles filmes deliciosos dos anos 70 e 80 para os fãs marmanjos.
A sombra do pai
"A sombra do pai", de Gabriela Almeida (2018)
Segunda incursão em longa de Gabriela Almeida no gênero terror, após sua vigorosa estréia com o excelente "O Animal cordial". Dessa vez, a roteirista e Diretora Gabriela Almeida sai do realismo e investe no terror sobrenatural homenageando os filmes clássicos "O Cemitério maldito" e "A volta dos mortos-vivos", filmes onde o morto ressuscita para assombrar os vivos.
No filme, acompanhamos Dalva ( a menina Nina Ribeiro, excelente), órfã de mãe, que mora com seu pai, vivido com brilho pelo ator Julio Machado, e com sua tia, Cristina (Luciana Paes, como sempre, roubando cenas). O pai trabalha como operário de obras, e vive em luto constante pela morte da esposa, acusando sua filha pela morte da esposa. Dalva, por sua vez, acredita que a sua mãe ira retornar do mundo dos mortos para aliviar a solidão dela.
Com um roteiro que brinca com os arquétipos de filmes de terror, mas trabalhados dentro do âmbito do cinema autoral, "A sombra do pai" tem uma direção segura e criativa de Gabriela Almeida, que aposta em clima e em enquadramentos bastante rígidos. Toda a parte técnica é bastante competente, resultando em 3 prêmios ganhos no Festival de Brasília 2018: Melhor som, edição e atriz coadjuvante, para Luciane Paes. No Rio Fantastik, o filme ganhou melhor filme e ator. É um filme corajoso, audacioso e repleto de frescor, realizado com paixão por uma grande fã do cinema de terror.
Para minha gata Mieze
"Para minha gata Mieze", de Wesley Gondim (2018)
Curta LGBTQ+ de terror premiado no Festival de Brasília 2018 como Melhor roteiro de curta, e no Rio Fantastik como melhor curta.
Com um roteiro criativo e bastante original de Wesley Gondim, essa produção de Brasília conta a história de uma vingança sanguinolenta. Um dono de uma veterinária sofre um ataque de vândalo durante a madrugada. No dia seguinte, ele recebe um convite de um homem para um jantar romântico. Durante o jantar, acontecem fatos estranhos que culminarão em uma verdadeira chacina.
O filme aposta em homoerotismo e um desfecho digno da franquia "Jogos mortais": aliás, parabéns à excelência dos efeitos especiais, que não devem nada ao padrão internacional. O Diretor consegue criar uma ótima atmosfera de filme de suspense, se baseando em muitas referências clássicas, como o próprio "Silêncio dos inocentes". Ótimas fotografia e edição.
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Corações puros
"Cuori puri", de Roberto de Paolis (2017)
Vencedor de vários prêmios internacionais, "Corações puros"também concorreu no Festival de Cannes 2017 na Mostra Quinzena dos realizadores.
A linguagem do filme se assemelha bastante da filmografia dos cineastas belgas Dardenne: protagonistas marginalizados, câmera documental, temática humanista.
Agnese é uma jovem de 17 anos, cuja mãe é uma católica super repressora que chega a confiscar o celular da filha para que ela não troque mensagens "obscenas" com suas amigas e pretendentes. A educação dela e regida à mão de ferro. Agnese rouba um celular em uma loja e é presa por um segurança, Stefano, que a acaba liberando. Stefano acaba indo trabalhar de segurança em um estacionamento vizinho a um acampamento cigano, e acaba reencontrando Agnese. Os dois acabam se relacionando, e fazem sexo. Agnese sente-se traída por Stefano, pois a sua religião somente permite fazer sexo após o casamento.
Com ritmo lento e arrastado, o filme tem ótimos atores e uma linda cena de sexo. A câmera na mão vai de encontro aos dois protagonistas, mas senti que o filme ficou redundante na segunda metade. Tivesse vinte minutos a menos, o filme ficaria mais interessante. Roberto de Paolis dirige bem seus atores, e acaba fazendo uma crítica à religiosidade excessiva por parte da população italiana, e aproveita para falar sobre a alta taxa de desemprego e imigração dos refugiados. Em determinado momento, uma personagem diz: "O governo paga 2 mil dólares por refugiado e lhe dão casa e comida. Eu que trabalho acabo sendo expulso de casa. Isso é injusto". é um filme que suscita vários temas polêmicos e rende boa discussão após a sessão.
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Onde o Verão Vai: episódios da juventude
"Onde o Verão Vai: episódios da juventude", de David Pinheiro Vicente (2018)
Premiado curta português, 100% realizado por alunos da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC). O filme ainda concorreu na Mostra oficial do Festival de Berlin 2018. O Diretor David Pinheiro Vicente escalou alunos de Teatro da ESTC para dar vida aos 6 protagonistas do filme. Inspirado em um conto de Emily Dickinson, e esteticamente tendo como referência o cinema de Lucrecia Martel, David apresenta a história de 6 adolescentes que estão em um carro, apertados, sensualmente suados em um dia de muito calor. Chegando na floresta, eles se misturam à natureza, e a atmosfera e o ambiente propicia aos jovens uma sensação de furor e liberdade sexual.
O filme pode ser visto de uma forma realista ou simbólica. Com poucos diálogos e imagens em planos longos, o filme apresenta os jovens em roupas íntimas, corpos de enroscando, muito erotismo latente entre meninos, meninas e integrantes do mesmo sexo. É uma obra em aberto: a história em si não diz muita coisa, por isso é importante esse referência à Lucrécia Martel: ouvimos o som ambiente da floresta, e um clima de forte tensão sexual, corpos sujos de terra, assim como em "O pântano", filme mais famoso da cineasta argentina.
O filme tem um ritmo lento, mas uma interessante sensualidade pairando o tempo todo na tela.
Crimes em Happytime
"The Happytime murders", de Brian Henson (2018)
Um dos maiores fracassos de bilheteria americanos do ano ( custou 40 milhões de dólares e não rendeu nem metade) e tendo 25% de aprovação no Rotten Tomatoes, "Crimes em Happytimes" será eternamente lembrado como o Filme adulto dos Muppets. Brian Henson é filho de Jim Henson, falecido recentemente, e criador do Muppets. Aqui, Brian cria bonecos semelhantes aos que seu pai criou, envoltos em cenas de sexo, masturbação, vagina exposta fazendo referência a "Instinto selvagem", jorros de esperma, etc. Não, em hipótese alguma, mostre esse filme para uma criança. Ele chega a ser mais pornográfico do que "A festa da salsicha", animação que já havia causado a ira de pais escandalizados com vulgaridade.
O filme apresenta uma Los Angeles onde humanos e bonecos convivem juntos. O problema é que não existe mais harmonia: os bonecos sofrem bullying e são maltratados pelos humanos, como escórias. Phil, um policial boneco, investiga os assassinatos de integrantes de um programa de Puppets dos anos 90. Para ajudá-lo, é chamada a policial Connie (Melissa McCarthy), antiga parceira de Phil e com quem ele já teve um incidente trágico.
O filme aposta na já gasta relação entre dupla de policiais que não se dão bem. Melissa MAccarthy faz aquele tipo da mulher meio machona e desbocada, típica dela. Tecnicamente o filme é muito bem feito, e inclusive nos créditos finais, a produção apresenta como foram feitos os movimentos dos bonecos. Tudo no filme é uma grande bobagem, mas a coragem de se fazer um filme adulto e pornográfico, vale a curiosidade. É um filem vulgar ao extremo, ousado, pena que com um roteiro bastante ingênuo.
Outra situação divertida e de certa forma macabra, é de ver os bonecos sendo assassinados com tiros na cabeça, mutilados e sendo despedaçados. A trilha sonora está repleta de hits, incluindo "Never gonna give you up", de Rick Astley.
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