segunda-feira, 15 de junho de 2026

Uma história nebulosa

"Da meng", de Yu Hsun Chen (2025) Drama de Taiwan que registra um período histórico no país muito trágico: O "terror branco"- segundo o Wikipedia, "O Terror Branco , um período de governo autoritário e repressão política em Taiwan, de 1949 a 1992. Após perder a Guerra Civil Chinesa e fugir para Taiwan como governo no exílio, o Partido Nacionalista , ou Kuomintang, instituiu a lei marcial em 1949. O governo perseguiu dissidentes políticos e civis apolíticos indiscriminadamente — muitos foram mortos, presos ou desapareceram — até que a última lei que permitia o Terror Branco fosse revogada em 1992. Embora os números exatos sejam desconhecidos, estima-se que o número de mortos durante essa época varie de 10.000 a mais de 30.000."" O filme começa em 1953. Uma jovem camponesa de Chiayi, Yue (Caitlin Fang Yu-ting), leva comida para seu irmão Yun (Tseng Jing-hua), que trabalha em um canavial. Enquanto almoçam, ele conta para ela que está escrevendo um conto, chamado de 'A foggy tale". Soldados do governo que estavam à espreita caçam os dois. Yue consegue fugir, mas não sabe do paradeiro do irmão. Ela descobre que ele foi executado e que seu corpo está em Taipei. Seus tios não querem ir até a capital resgatar o corpo. Cabe à Yue essa missão: ela decie ir a pé. No caminho, ela conhece um jovem condutor de riquixá, Chao Kung-tao (Will Or Wai-lam), que a leva até Taipei e a ensina a evitar a aproximação de abusadores, traficantes e vigaristas, até encontrar o corpo do irmão. O desfecho do filme é bastante triste e fiquei arrasado. "A foggy tale" é um filme histórico que busca no melodrama, a emoção necessária para o espectador conhecer mais sobre a história política de Taiwan, em um período de perseguição política.

domingo, 14 de junho de 2026

O mutilador

"The mutilator", de Buddy Cooper e John Douglass (1984) Cultado slasher de 1984, "O mutilador" é um terror repleto de mortes bem violentas e memoráveis. O roteiro em si é fraquíssimo, o elenco pra lá de mediano pra amador ( como era de costume em boa parte dos slashers). De baixo orçamento, "O mutilador" tem o seu charme, principalmente porque o diretor, sme nenhum pudor, rouba as trilhas de "Tubarão" e "Sexta feira 13" sem nenhuma parcimônia. Inclusive, uma das mortes, é inspirado em "Tubarão". O filme tem um prólogo: Ed Jr é uma criança que brinca com a arma de seu pai, mas não fazia idéia de que estava carregada, Ele acaba matando acidentalmente a sua mãe, que estava na cozinha preparando um bolo de aniversário. O pai de Ed jr, Ed, chega em casa e pune o filho. 15 anos depois, morando separado do pai, Ed Jr recebe uma ligação do pai: que vá até a casa de praia da família e a limpe. Ed Jr acaba levando sua namorada, Pam, e 4 amigos para fazerem uma festa na casa. Ele só não esperava que seu pai armasse uma armadilha e decidisse matar a todos. As mortes envolvem uma serra elétrica, um tríceps, um gancho de pesca, um machado, facão, entre outros. Nada que outro slasher já não tenha mostrado antes. Mas o charme do filme é ser sujo, quase amador, escuro e granulado, um digno grindhouse. A cena final, envolvendo um corpo dividido ao meio, é tão bizarra, que merecia estar no rol de granses momentos do terror. O filme ganhou uma continuação em 2023, com o mesmo diretor e parte do elenco original, com uma trama surreal: uma metalinguagem envolvendo o elenco do original.

Find your friends

"Find your friends", de Izabel Pakzad (2025) Thriller de vingança feminino são um dos gêneros mais apreciados pelo seu caráter violento e arrebatador, principalmente em seu desfecho, quando os algozes são massacrados. "Find your friends", escrito e dirigido por Izabel Pakzad, é um filme indie rodado em Joshua Tree, California, e se aproxima dos cults "Doce vingança", "Vingança" ( de Coralie Fargeat, diretora de "A substância") e "Bela vingança", com Carey Mullighan. "Find your friends" não é tão violento quanto os filmes citados, mas traz um contexto revoltante de 3xtupr0 e onde até mesmo as amigas dão razão aos homens. Um grupo de 5 amigas se formam na faculdade e decidem passar uns dias em Joshua tree, curtindo festas, bebedeiras e farras com homens. Mas elas não esperavam encontrar com um universo de machos tóxicos e violentos. Quando Amber é 3xtupr4ad4 em uma festa em um iate, as amigas, que não estavam presentes, não lhe dão razão, dizendo que ela estava a fim. Ao fazerem um passeio pelo deserto, Amber é novamente confrontada com um outro homem que não respeita o seu corpo e um festival de violência se dá início. O filme vai entreter quem busca filmes sobre vingança e mortes. Como é comum nesses filmes sobre revolta de protagonistas femininas, todos os personagens masculinos são representados por tipos não confiáveis, violentos, abusivos e brutos, fomentando o desejo do espectador pela inevitável reviravolta sangrenta.

Nena

"Nena", de Gabriel Ochoa (2025) Escrito e dirigido pelo cineasta espanhol Gabriel Ochoa, "Nena" é um excelente drama queer coming of age, totalmente filmado em lindas locações em Sot de Ferrer, Valencia. Ambientado em um nostálgica ano de 1987, o filme apresenta uma época onde o conservadorismo da sociedade não aceitava que mulheres se divorciassem, ganhassem independência e principalmente, se apaixonassem por outras mulheres. Tudo isso pelo olhar de um menino, o pequeno Marc, de 10 anos. O elenco, tanto adulto quanto infantil, e principalmente, da delicada e sensível performance de María Almudéver, no papel de Tia Lola, uma atuação que me comoveu bastante. Estela (Lluna Aldasoro) é mãe dos pequenos Marc e Empar. Estela acaba de se divorciar de seu marido e precisa aprender a lidar com essa situação. Temendo contar aos filhos de sua separação e tendo que lidar com papeladas, Estela decide deixar os filhos com sua irmã Lola, que mora com seu marido e seu filho em uma cidade do interior, em Valencia. As crianças ficam arredias por morarem com a família da tia, mas aos poucos, vão se acostumando. Uma atriz, Elsa (Paz Garcia) chega na cidade para passar no verão. Lola, que se reúne sempre com suas amigas caretas no clube, imediatamente se sente atraída por Elsa, o que a deixa em conflito. Marc, por sua vez, se aproxima de um dos meninos da cidade. "Nena" é um filme muito belo, respeitoso, que traz mensagens de emancipação feminina e de descoberta de orientação s3xual tardio em uma época proibitiva. O cineasta Gabriel Ochoa traz uma direção sensível, respeitando a todos os personagens.

Abutres

"Rapaces", de Peter Dourountzis (2025) Thriller francês dirigido por Peter Dourountzis, "Abutres" deixza claro no seu título o aspecto cruel e moral da história: o crescente movimento de homens que se unem em grupos para expor a sua masculinidade tóxica, agredindo e assassinando mulheres que não aceitam a sua postura. Séries como "Adolescência" ou o filme de Dominik Moll, "La nuit du 12", são exemplos de como o pensamento red pill explora a violência entre grupos de homens. Jessica é uma jovem assassinada com ácido em uma cidade do interior. Uma revista especializada em investigar casos sem solução, Detective, tem entre os jornalistas Samuel ( Sami Bouajila) e sua filha estagiária Ava (Mallory Wanecque). Destemidos, eles decidem viajar até a cidade e descobrir o que aconteceu com Jessica. Logo descobrem que os homens da cidade estão unidos para evitar que a verdade venha à tona. O filme conta com ótimos atores e no 3o final, um suspense sufocante. O 1o ato é mais lento. A linha investgativa do filme é bem costurada, faltou mais ao roteiro entender melhor quem são os homens da cidade, e não apresnetá-los apenas como sementes do mal.

sábado, 13 de junho de 2026

O mestre

"Khozyain", de Yuriy Bykov (2023) Mesmo diretor de "A fábrica" e "O idiota", o roteirista e cineasta russo Yuriy Bykov completa a sua trilogia do desespero com "O mestre". Os três filmes apresentam um protagonista, um homem comum, que se envolve com corruptos que o levam à desgraça. Em "O mestre"somos apresnetados à família de Ivan (Artyom Bystrov), casado com Anna (Klavdiya Korshunova ) e pai de três filhos pequenos: a deficiente Rita e uma dupla de gêmeos. Ivan e Anna formam um casal feliz e apaixonados. Ivan é dono de uma modesta oficina mecânica, e Anna cuida de casa e dos filhos. Um dia, na estrada, a família testemunha um acidente de carro. Ivan, em ato heróico, salva o motorista do carro, prestes a explodir: Dimitri (Oleg Fomin), um agente do FSB (Serviço Federal de Segurança), envolvido com poderosos do governo e com mafiosos. Retribuindo Ivan por ter salvo sua vida, Dimitri o apresenta aos amigos e em um ano, Ivan sobe de vida, construindo uma oficina luxuosa e morando em uma mansão. Mas a seduçãodo poder terá consequências trágicas. Umm trhiller excelente, assim como os outros dois filmes da trilogia. Trabalho impecável dos atores, e uma cena envolvendo Anna e DImitri no final é angustiante e arrebatadora, um show de atuação de Klavdiya Korshunova. Quase uma parábola sobre o bem e o mal, sobre ganância e Poder, 'O mestre" é um filme que vale ser visto pela ótima direção e roteiro, além das performances.

Insaciável

'Schharine", de Natalie Erika James (2026) Terror body horror lésbico, "Insaciável" vem na carina temática de "A substância" e do seriado de Ryan Murphy, "The beauty": filmes que mostram de que forma a estética padrão interfere no metabolismo de uma pessoa, transformando-a em um ser monstruoso. Escrito e dirigido por Natalie Erika James, 'Saccharine" concorreu no Festival de Berlin e em Sundance. Hana (Midori Francis) é uma estudante mestiça, filha de uma japonesa e um americano. O pai de Hana é um obeso, e isso sempre foi motivo de vergonha para Hana. Acima de seu peso, ela tenta de tudo para emgracer. Apaixonada pela sua personal trainer da academia, Alanya (Madeleine Madden), Hana é uma estudante de medicina e sua melhor amiga é Josie ( Danielle Macdonald, de "Patti cake"). Quando uma pessoa indica que ela tome comprimidos para emagrecer, Hana se surpreeende que está de fato, perdendo peso. Ela descobre que os comprimidos são feitos de cinza humana, e passa a ter visões de um idoso. Quando o remédio acaba, Hana, desesperada, decide roubar o tórax de um cadáver do laboratório de sua faculdade e transforma as cinzas em comprimidos. Hana vai emagrecendo, mas agora, passaa ter visões do cadáver a atormentando. O filme começa bem, mas vai ficando repetitivo e entediante ( o filme tem quase 2 horas de duração). A prótese do rosto da atriz que interpreta Hana é mal feita, e dá para perceber que é uma intervenção. Faltou mais tensão, e certamnete, mais vítimas da loucura que vai se apossando de Hana.

Blue film

"Blue film", de Elliot Tuttle (2025) Drama queer que se tornou uma das maiores polêmicas de 2025/2026: segundo o diretor e roteirista Elliot Tuttle, "O filme foi rejeitado por diversos festivais de cinema, incluindo Sundance, SXSW e Frameline. Elliot Tuttle e o resto da equipe sabiam que o tema sempre dificultaria a sua distribuição, mas não esperavam uma rejeição tão grande depois de estarem extremamente satisfeitos com a versão final." "Blue film" lida com um tema tabu que é a p3d0f1l14, e a forma como uma vítima de um abusador, ao reencontrá-lo anos depois, o aceita e se envolve com ele. Aaron Eagle (Kieron Moore) é um garoto de programa que se exibe em uma webcam e também atende à domicílio. Quando ele recebe um convite de um seguidor para passar a noite com ele recebendo um valor de 50 mil dólares, Aaron aceita. O cliente o recebe usando uma máscara e propõe um jogo, onde ee grava com uma camera as perguntas e respostas feitas a Aaron. As pegruntas se tornam bastante pessoais, e Aaron decide descobrir quem é o cliente que conhece a fundo Aaron, que na verdade se chama Alex. Ao retirar a máscara, ele descobre que o cliente é Hank Grant (Reed Birney), seu ex-professor de inglês quando Alex tinha 12 anos de idade. Aaron fica chocado, mas aos poucos, de permite entrar em um jogo com Hank, que o depila para que Aaron possa se parecer com Alex. Hank não consegue se excitar com Arron, que já é um adulto. Percebendo, Aaron busca incorporar a inocência de Alex, e assim, permitir que Hank volte a abusar dele. O filme poderia render uma peça de teatro com 2 atores em um único cenário, mas o tema explosivo que beira a síndrome de Estocolmo seria um elemento que pode fazer a peça fracassar, da mesma forma que o filme foi vetado em diversos festivais. É um filme corajoso, com performances viscerais e intensas dos dois atores, que se permitem interagir em cena em uma narrativa ao mesmo tempo erótica, e malancólica. O filme não romantiza nem defende os atos de ambos os personagens. Cabe a cada espectador tirar a sua própria opinião.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Park

"Park", de Sofia Exarchou (2016) "A nova onda grega" foi um movimento cinematográfico surgido na Grécio nos anos 200, muito por conta da grave crise financeira que assolou o país. Cineastas como Yorgos Lanthimos, Athina Rachel Tsangaris e Alexandros Avranas são alguns dos mais conhecidos, realizando filmes de baixo orçamento e que trazem uma narrativa cruel, apática, fria, pessimista e muitas vezes, surreal e desesperançosa de seu país e da sociedade. A roteirista e cineasta Sofia Exarchou surgiu já no final do movimento, mas aind atrazendo um olhar depressivo e desesperançoso da humanidade. Em 2023 ela lançou o brilhante "Animal", que guarda muitas semelhanças com "Park", seu filme de estréia. Ambos apresentam um resort de luxo, onde monitores e turistas apresentam o pior da humanidade. O filme recebeu diversos prêmios importantes, incluindo melhor estréia de diretora em San Sebastian. "Kids", de Larry Clark, é uma referência imediata: os protagonistas são crianças e adolescentes ( o elenco é amador) e passam o filme todo envolvidos em s3x0, violência, drogas, festas, álcool, em uma vida hedonista, onde o amanhã não existe. Essa geração não tem ambição, nem futuro. O filme é ambientado na vila olímpica decadente e abandonada de Atenas, onde os jogos aconteceram em 2004. COnstruído por uma fortuna de bilhões, o local agora está destruído. Por ali, circulam crianças e adolescentes que moram na periferia. Eles nadam, correm, tomam banho nos chuveiros sujos. Entre eles, está DImitri (Dimitris Kitsos), o mais velho dos jovens. Ele odeia a sua mãe alcoolatra e seu padrastro, que o obriga a trabalhar na marmoraria. Dimitri namora Anna (Dimitra Valgkopoulou), uma ex-ginasta que abandonou os sonhos por conta de uma lesão. O casal frequenta um resort para turisdtas ali perto, e interagem com os turistas, bebendo, nas festas e pedindo dinheiro. Assim como a maioria dos filme sgregos, o filme maltrata seus personagens. A narrativa é fria, e mesmo nas cenas de s3x0, tudo é filmado sem tesão. Os atores amadores interpretam bem a si mesmos. O retrato da geração é desolador, assim como era em 'Kids".

Fogi is a bastard

"F. est un salaud", de Marcel Gisler (1998) Vencedor de um prêmio especial em Locarno, "Fog is a bastard" é uma co-produção Suíça, França e Alemanha. Co-escrito e dirigido pelo cineasta Marcel Gisler, é um drama queer coming of age, com cenas intenas de s3x0 entre dois adolescentes: Beni ((Vicente Branchet)), fã de um roqueiro viciado em drogas, Fögi (Frédéric Andrau). O filme é um drama visceral que apresenta o auge e a descida ao inferno da dupla, que vai cada vez mais, se afundando em tragédias, tal qual Sid e Nancy. Beni, 15 anos, vai assistir ao show de rock de Fogi e se apaixona perdidamente por ele. Fogi o apresenta ao s3x0 e às drogas. Beni se torna um grupie e acompanha a banda em suas turnês. O caráter auto-destrutivo de Fogi seduz e leva Beni a um mundo de destruição: para sustentar o vício de ambos, Beni se prostitui com homens mais velhos. Li numa matéria a influência de "Sunset boulevard" para o filme, incluindo a cena inciial, mostrando um dos personagens delirando, quase à morte, e assim, o filme retorna ao passado, para mostrar a relação da dupla. Me lembrei de "Eu, Cristiane F", pelo tom e pelo despudor do jovem elenco em cenas de s3x0 e drogas. Um filme decsonfortável, mas um excelente trabalho de atuação e de direção.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Por cima do seu cadáver

"Over your dead body", de Jorma Taccone (2026) Remake americano do filme noruegues de 2021 "The trip", com Noomi Rapace e dirigido e escrito por Tommy Wirkola, diretor da franquia "Desd snow" e do filme de tubarão da Netflix "Trash". "Over your dead body" é um filme que traz gore extremo, mas com tom de humor ácido, bem ao estilo de filmes recentes como "Casamento sangrento" e "Você é o próximo". A trama lembra 'Sr e Sra Smith" sobre um casal que não se suporta mais e decidem se matar. No final das contas, o filme não me empolgou, e o que mais me chamou atenção, é a presença de Juliette Lewis, no papel de uma das vilãs. Lisa (Samara Weaving) é uma atriz que não faz sucesso. Seu marido é Dan (Jason Sege), um diretor frustrado de comerciais. Cansados um do outro, e consequentemente, da vida, eles decidem se matar. Henry, um amigo do casal, dá força para Dan, em troca do seguro de vida de Lisa. Enquanto tentam se matar, 3 fugitivos se escondem na cabana onde o casal está e decidem que querem tirar vantagem da fortuna do casal. As cenas de gore e violência são bem explícitas, mas é tudo tão caricato, que lembra os filmes japoneses onde o exagero dá o tom do filme: cabeças explodindo, facadas, tiros na testa, cortadores de grama, é um vale tudo para extrair risadas angustiantes do espectador.

Dia D

'Disclosure day", de Steven Spielberg (2026) Quatro anos após lançar o seu auto referencial "The Fabelmans", Steve Spielberg retorna ao seu universo dos alienígenas: "A guerra dos mundos", de 2025, foi o último filme com esse tema, com a diferença que os alienígenas eram do mal. Spielberg ficou famoso pelos filmes onde os aliens são do bem, como "Et", "AI, inteligência artifixla", e "Contatos imediatos do terceiro grau". Muita gente identificou semelhanças com 'Et" e 'Contatos imediatos", mas a verdade é que o tema de organizações do governo que escondem o segredo de alienígenas aprisionados e decidem ir atrás de pessoas que podem colocar o plano por água abaixo, é o tema mais recorrente de qualquer ficção científica, até mesmo de séries como "Stranger things"e "It", onde militares surgem para calar a boca da população, relevando segredos de Estado. Colin Firth interpreta Noah, o vilão que trabalha para uma organização do Governo que mantém em segredo os alienígenas que caíram na Terra, como o famoso caso Roswell. Noah persegue Daniel (Josh O'connor), um especialista em cibersegurança, que foge com sua namorada, Jane. Uma repórter de metereologia, Maggie (Emily Blunt), estranhamente faz uma declaração em uma língia indecifrável enquanto tramsitia ao vivo na tv. Ela acaba se unindo a Daniel, sem se conhecerem, e decsobrem que, há 20 anos atrás, foram abduzidos e escolhidos por alienígenas para serem responsáveis em darem uma importante declaração ao mundo, que está às vésperas de uma terceira guerra mundial. O elenco traz ainda Colman Domingo entre as grandes estrelas. É uma trama mirabolante, repleta de cenas de ação e estranhamente, poucas de fantasia e ficção científica. O elenco cumpre seus papéis bem definidos, a trilha de John Willian,s a 30a colaboração com Spilerbeg, mantém a tensão o filme todo. A minha crítica fica para os efeitos especiais, principalmente as dos animais, muito falsas. Curioso que antes de IA, os efeitos eram muito melhores e críveis, e agora, tudo sôa muito fake. É um filme correto, mas ainda longe da emoção de 'Et".

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Love song

"Love song", de Weerachit Thongjila (2025) Drama romântico BL (Boy lovers), co-produzido por Japão e Tailândia, "Love song" é co-escrito e dirigido pelo cineasta tailandês Weerachit Thongjila. O filme foi rodado em belas locações em Bangkok, capital do país, e apresenta diversas expressões culturais do país. É um filme belamente fotografado e com um tom que traz drama, romance e humor. Souta (Win Morisaki) é um pesquisador japonês que trabalha no desenvolvimento de produtos de um laboratório de cosméticos. Sua empresa quer que ele se mude para Bangkok para instalar uma nova linha de produtos masculinos. Souta ainda sofre de um amor platônico que tinha pelo seu amigo Kai (Kôji Mukai), na época em que eram estudantes universitários. Kai desapareceu e nunca mais foi visto. Convencido de que Kai pode estar em Bangkok, Souta acaba aceitando a transferência. Souta acaba reencontrando Kai, agora um fotógrafo. Há seis anos não se vêem. Kai e Souta deixaram uma música incompleta e agora talvez seja o momento de completar a canção. O filme é simpático e tem personagens carismáticos. O roteiro não traz novidades, e é bem óbvio. O que faz valer assistir, são as belas locações em Bangkok e os hábitos culturais do país.

Los placeres ocultos

"Los placeres ocultos", de Eloy de la Iglesia (1977) Eloy de la Iglesia foi um dos mais prolíficos cineatas queer espanhóis, lançando filmes polêmicos e ousados entre os anos 70 a 90, repletos de nudez e cenas de s3x0 envolvendo protagonistas jovens drogados, prostitutos e violentos. Em "Los placeres ocultos", mais uma vez Eloy apresenta uma relação conturbada entre um homem de meia idade poderoso, o banqueiro Eduardo, e um jovem estudante, Miguel, por quem Eduardo se apaixona. Esse relacionamento irá destruir a vida dos dois homens. Eduardo é um homem rico e vive a sua homossexualidade em segredo. Ele vai até a porta de uma universidade, em busca de joves rapazes que ele seduz em troca de s3x0 e dinheiro. Quando ele conhece Miguel, fica apaixonado imediatamente. Miguel é de classe social pobre. Para localizá-lo, Eduardo contacta o jovem delinquente Nes, que mora no bairro de Miguel. Miguel se deixa seduzir por Eduardo, mas deixa claro que é hetero e que não quer envolvimento s3xu4l. Eduardo sofre, mas prefere estar com Miguel ao seu lado. Miguel tem uma namorada, e a apresenta para Eduardo. Eduardo decide procurar rapazes e leva Nes e seus amigos para seu apartamento, que o espencam e o roubam. Um ótimo filme obscuro, com um roteiro angustiante, que fala sobre desejos e tesão através de um protagonista que não consegue ceder aos impulsos s3xu41s com rapazes, e isso o leva à bancarrota. O filme apresenta uma Madri decadente, repleto de personagens sórdidos.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Una jauría llamada Ernesto

"Una jauría llamada Ernesto", de Everardo González (2023) Premiado documentário mexicano, co-produzido pelo México, Suíça e França, "Una jauría llamada Ernesto" apresenta jovens e crianças aliciadas pelo tráfico e pelo crime organizado. Obrigadas a trabalhar para os criminosos, crianças de até 8 anos de idade são obrigadas a portar uma arma e matar. Desde jovens, os asassinos de aluguel têm as suas vidas transformadas: alguns se encantam com o poder do tráfico, do uso da arma, do dinheiro e poder. Outros acabam morrendo. É notório que a maioria morre jovem, e por isso, vivem o presente. No filme, todos os entrevistados, sejam vítimas ou asassinos, são apresentados de costas, jamais tendo seus rostos revelados, que nem um videogame. É um filme angustiante e claustrofóbico, que traz temas infelizmente comuns à maioria dos países do mundo: a perda da inocência, o aliciamento do crime e gerações perdidas.

Mestres do Universo

"Masters of the universe", de Travis Knight (2026) Diretor da premiada animação "Kubo e as Cordas Mágicas" e do rebbot da franquia "Transformers", "Bumblebee", Travis Knight recebeu a missão de criar uma franquia em cima do clássico personagem da animação dos anos 80 "He-man", que no Brasil fez enorme sucesso, gerando inclusive uma música tema de Sandy e Junior. A 1a adaptação foi em 1987, um cult com Dolph Lundgren e Frank Langella, nos papéis de He-man e Eskeletor. Na nova versão, os papéis ficaram com Nicholas Galitzine e Jared Leto. A Mattel, fabricante da boneca Barbie, mega sucesso de 2023, apostou suas fichas em He-man, mas o filme foi um enorme fracasso na sua semaa de estréia: dos 200 milhões de orçamento, rendeu por volta de 50 milhões. O elenco traz também Camila Mendes como Teela, idris Elba como Duncan, Morena Baccarin como Feiticeira e Kristen Wiig colocando voz em Roboto. Jared Leto prova novamente, sua fama de pé frio: "Tron-Ares", "Moebius", "Esquedrão suicida" e "Casa Gucci"são alguns filmes que contaram com Leto no elenco e ruíram nas bilheterias. A longa duração do filme, com 140 minutos, e a ausência de Gorpo, que só aparece nos pós créditos, são fatores que podem ter afastado o público infantil. No planeta Eternia, o pequeno Adam precisa fugir para o planeta Terra, após as forças de Esqueleto atacarem o planeta. 15 anos depois, Adam é procurado por Teela e retornam a Eternia, para salvar seus pais, o planeta e a população das garras de Esqueleto e sua tropa de bandidos. O filme aposta bastante no humor e em um visual absolutamente extravagante, com muito colorido e efeitos de CGI duvidosos, mas que de certa forma, dão um charme kitsch e fantasioso à narrativa. Me lembrei muito do cult "Flash Gordon", que também era muito over e de gosto duvidoso.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

O banquete dos amantes

"Les amants criminels", de François Ozon (1999) Eu desconhecia totalmente esse filme de François Ozon, um cineasta que eu admiro e que possui uma filmografia bastnate eclética de títulos e gêneros. Ainda em início de carreira, antes de seus grandes sucessos "Swimming pool", "8 mulheres", "Sob a areia", ozon apostou em filmes mais estranhos, como 'Sitcom", Regard la mer" e esse "O banquete dos amantes", seu 3o longa, de 1999, ainda com um jovem Jérémie Renier, três anos depois de sua estr;eia em 1996 com o melancólico "A promessa", dos irmãos Dardenne. O filme é, segundo Ozon, uma livre adaptação do conto dos irmãos Grimm, "João e Maria", repleto de fetiches e temas tabus, como extupr0, canibalismo. Alice (Natacha Régnier) é uma estudante de uma escola high school que namora Luc (Jérémie Renier). Quando Said (Salim Kechiouche), um colega da turma tenta seduzir Alice, ela convence Luc a matar o rapaz. eles levam o corpo até uma floresta isolada, mas no retorno para o carro, se perdem. Eles encontram uma cabana, onde mora um eremita (Predrag 'Miki' Manojlovic). Ele os prende e diz que irá devorá-los. Mas aos poucos, o homem seduz Luc e o extupra. Luc se torna amante do homem, e passa a conflitar sobre a sua verdadeira orientação s3xu4l. Certamentem um filme obscuro, ousado e polêmico de Ozon. Jeremie Renier participa de cenas viscerais, em nudez total, junto do homem, em cenas repletas de homoerotismo. é difícil até dizer a que gênero pertence o filme, que é anunciado como terror psicológico, e tem litas que o incluem entre os filmes "extreme franceses", o que é um erro, pois ele não é gore nem violento.

Katlaa curry

"Katlaa curry", de Prajapati Rohit (2024) Premiado drama romântico queer indiano, "Katlaa cury" é co-escrito e dirigido pelo cineasta Prajapati Rohit. Às margens do rio Narmada, mora o jovem pescador Raymal (Priyaank Gangwani). Ele é uma pessoa que todos na região adoram pela sua gentileza e carisma. Um dia, ao sair para pescar, ele resgata Ratan (Ranganath Gopalarathnam), um homem que estava se afogando. Como agradecimento, Ratan prepara um prato de Katlaa curry, que vem a ser peixe com curry. Os dois acabam se apaixonando. Eles contróem uma casa juntos. Mas quando a mãe de Raymal o pressiona para se casar com a jovem Kamala, Raymal, temendo o que o vilarejo possa falar sobre ele e Ratan, decide se casar com a jovem. O tempo passa, e a distância entre Raymal e Ratan se intensifica. Um belo filme indiano que retrata um casa queer, um tema ainda bastante tabo na Índia. Filmado com simplicidade e com um roteiro que embala uma história de melodrama, "Katlaa curry" me fez lembrar de Brokeback mountain", mas sem o contexto trágico do final.

domingo, 7 de junho de 2026

Skiff

"Skiff", de Cecilia Verheyden (2025) 'Skiff" é um premiado drama coming of age queer, co-produzido por Bélgica, Holanda e Suécia. Co-escrito e dirigido pela cineasta belga Cecilia Verheyden, o filme foi rodado em Bruxelas. A protagonista é Malou (Femke Vanhove), 15 anos. Estudante e esportista, Malou treina remo. Seu melhor amigo é sue irmão mais velho Max (Wout Vleugels). Quando ele apresenta para a irmã sua namorada, Nouria ( Natali Broods), o mundo de Malou se transforma: ela se vê apaixonada por Nouria. Isso a deixa em dois conflitos; trair seu irmão, a pessoa que ela ama, e entender a sua orientação e identidade. Um dos temas mais comuns em dramas coming of age queer, é a do jovem esportista feliz e bem relacionado, que se decsobre ser gay. "Skiff" não foge à regra ao trazer temas comuns a esse tipo de história. O drama não traz surpresas, e para atingir o interesse do espectador, precisa se apoiar em bons atores, o que é o caso. A jovem Femke Vanhove é boa o suficiente para transformar a sua personagem em um poço de conflitos e asim, trabalhar as nuances da atriz.

Southerly

"Soiutherly", de Gregory McCann (2025) Drama asutraliano escrito e dirigido por Gregory McCann, "Southerly" é um filme de baixísismo orçamento. A trama acompanha Ada (Corin Corcoran), uma jovem ex-viciada que foge do lockdown de Melbourne em 2020 para uma propriedade no interior de Nova Gales do Sul. Solitária, ela se refugia em sua melancolia e solidão. Seu vizinho de casa é o jovem músico Josh (James Willians), igualmente recluso. Ada convence o relutante Josh a ajudá-la a gravar músicas compostas por ela. Afogados na depressão, ambos procuram dar uma nova chance à vida. O filme tem um bom trabalho dos atores. O diretor e roteirista Gregory McCann é corajoso ao não dar soluções fáceis aos seus protagonistas. Ambos vivem a tristeza, a sensação de fracasso, de fim de vida, intensificada pelo lockdown. Um filme sincero e honesto, que poderia facilmente se transformar em uma peça de teatro com 4 atores.