quinta-feira, 24 de outubro de 2024
Lubuk
"Lubuk", de Lee See Teck Mark (2024)
Thriller de terror da Malásia, "Lubuk" apresenta Titi e seu filho Dirwan, que há décadas administram uma clínica de recuperação para pessoas sem teto e sme familiares. Ali, as pessoas chegam e permanecem, com comida, cama e roupa lavada. Nesse ambiente, os moradores se tornan amigos dos funcionários, entre eles, de uma enfermeira. Mas Titi e Dirwan possuem outros planos: na verdade, a clínica é fachada para tráfico de órgãos roubados dos moradores, que são mortos e têm todos os seus órgãos retirados. Dirwan tem um crush na enfermeira, mas ela, junto de alguns pacientes, começam a suspeitar da clínica.
O filme parece aqueles filmes B dos anos 80, com muita violência e atmosfera decadente, trazendo uma narrativa assustadora e trágica. As cenas onde os pacientes são mortos , têm os órgãos retirados e depois, eles são transformados em carne moída e almôndegas onde no dia seguinte os pacientes comem!!!!!!! é bastante gráfica. Os atores que interpretam os vilões Titi e Dirwan são ótimos na performances, intensificando muito nas maldades, parecem saídos de uma novela mexicana.
Uma casa em chamas
"Casa en flames", de Dani de la Orden (2023)
Drama espanhol que renderia uma excelente peça de teatro. O filme traz leves toques de humor, mas o que se sobressai é a melancolia e a dor de uma mulher de meia idade, Montse (Emma Vilarassu), que percebe que está em uma fase de sua vida onde perdeu tudo aquilo que ela acreditava fazer parte de uma estrutura que a mantivesse em pé: o marido, Carles (Alberto San Juan), a abandonou por uma outra mulher; seus dois filhos já adultos, David (Enric Auquer) e Julia (Maria Rodriguez Souto) já possuem outros interesses na vida e já não dão tanta atenção para a mãe. Para piorar, a mãe de Montse acaba de falecer. Tentando reunir toda a família novamente, Montse decide vender a casa de praia que a família tem. O que Montse acredita sera oportunidade para resgatar um amor perdido, se torna um final de semana de decsobertas muitas vezes dolorosas.
Calcado no ótimo trabalho de todo o elenco, em especial de Emma Vilarassu, o filme é bem dirigido com bastante sensibilidade por Dani de La Orden. Bem enquadrado e com fotografia conectada à atmosfera da narrativa, muitas vezes me vi assistindo a um filme de Bergman, por conta dos diálogos e das situações reveladoras da história.
Teddy bear
"Teddy bear", de Konstantinos Menelaou (2022)
Um curta LGBTQIAP+ grego experimental, "Teddy bear" são memórias e reminiscências de um home, que deixa seu namorado em Londres, e por isso, optou por romper com a relação, e preferiu retornar para Atenas por oportunidade de emprego. O filme é repleto de belas imagens em preto e branco, corriqueiras e do dia a dia do homem, incluindo imagens homoeróticas. Um poema visual com narração em off e que tra zum tom de melancolia e solidão.
Leviticus 20:13
"Leviticus 20:13", de Paco Torres (2023)
Ótimo thriller LGBTQIAP+ espanhol sobre um homem, Damián (Antonio Sides), que decide se vingar de um grupo de padres que o estuprou quando ele tinha 7 anos de idade. Agora, um a um, ele os seduz e os mata barbaramente.
Como roteiro, "Leviticus 20:13" é simples, mas na forma de contar, crua e realista, ele é brutal e violento. Com o trabalho excelente dos dois atores ( incluindo Antonio Azañeiro como Pablo), o filme acaba sendo um ótimo exemplo de filme bem dirigido com baixo orçamento, contando uma história efetiva e direta ao assunto.
quarta-feira, 23 de outubro de 2024
Abraço de mãe
"Abraço de mãe", de Cristian Ponce (2024)
Transitando entre o drama e o terror, 'Abraço de mãe" é da leva de filmes de gênero que se apropria do terror para trabalhar na metáfora e simbologia, os traumas do passado, envolvendo depressão materna e ideação de suicídio. O filme se passa em 2 épocas: em 1973, Ana criança mora sozinha com sua mãe (Chandelly Braz), uma mulher depressiva que dá leite com sonífero para sua filha. Quando Ana acorda, a casa está pegando fogo e sua mãe está inerte na cama. Em 1996, durante a grande enchente que matou mais de 200 pessoas no Rio de Janeiro, Ana (Marjorie Estiano), agora uma bombeiro, sai em uma ação junto de seus colegas para resgatar idosos de uma silo, que moram em um casarão com risco de desabamento. Acontece que o casarão esconde segredos que envolvem monstros físicos e monstros do trauma de Ana.
O filme tem várias referências cinéfilas: desde o Demogorgon de "Stranger things", passando por 'Aliens, o resgate" e até momentos de "O iluminado". A ficha técnica é primorosa: além do excelente trabalho de Marjorie Estiano e de um ótimo elenco de apoio, o filme tem uma fotografia que traduz na atmosfera um requinte visual impecável, junto de uma direção de arte bastante funcional. Mas é no roteiro, escrito a várias mãos, que o filme tem seu elo mais complexo: o 3o ato é confuso, muito pela escolha de se deixar um final em aberto e ao critério do espectador de buscar conexões entre as 2 histórias de Ana, e entender se estamos diante de um grande delírio ou se tudo é real. São 2 leituras possíveis, mas que ainda dá um nó no espectador.
Meat puppet
"Meat puppet", de Eros V (2024)
Premiado no Festival de Sundance 2024, o curta inglês "Meat puppet" é uma comédia de humor ácido com toques de fantasia, envolvendo um protagonista, Oz (David Jonsson), que tem síndrome de Peter Pan. No dia da formatura de sua namorada (Máiréad Tyers), a quem havia deciido estar presente, oz fica em casa brincando com seus bonecos. Uma encomenda chega: uma caixa misteriosa. Ao abrir a caixa, ele encontra uma marionete e ele acaba encaixando sua mão, curioso. Para seu desespero, Oz acaba encarnando na marionete, enquanto o seu corpo vai morrendo.
Um filme de baixo orçamento mas com ótimo valor de produção, com efeitos práticos muito bem realizados, principalmente as técnicas envolvendo a marionete, que lembra muito os bonecos dos Muppets. Os dois atores são divertidos e entram no clima da brincadeira desse filme zoado e divertido.
Indefeso
"Hoa cha", de Byun Young-Joo (2012)
Premiado drama de suspense coreano, "Indefeso" é adaptação do romance japonês "Kasha", escrito por Miyabe Miyuki. A trama me lembrou muito o clássico de Truffaut, "A sereia do Mississipi", com Catherine Deneuve e Jean Paul Belmondo. E também tem toques de Hitchcock em "Um corpo que cai". Todas essas tramas são focadas em uma mulher misteriosa, que se esconde sobre uma identidade que é relevada aos poucos ao espectador.
Antes de se casar, o veterinário Jang Mun-ho (Lee Sun-kyun, morto em 2023 por suicidio e ator de "Parasita" ) e sua noiva Kang Seon-yeong (Kim Min-hee, de "A criada") seguem de carro para a casa dos pais de Jang. Ao pararem em um posto de conveniência na estrada, Jang salta para comprar um lanche, mas Kang decide continuar no carro. Ela recebe uma ligação. Quando Jang retorna, Kang desapareceu, sem deixar pistas. Jang dá parte na polícia, mas nenhum vestígio de Kang surge. Ao chegar em casa, ele vê que tudo de Kang desapareceu. Um amigo que trabalha no banco informa a JAng que ligou para Kang dizendo que o cartão de crédito dela foi negado por conta de uma nota de falência que ela tinha. Jang decide acionar um amigo policial, Kim, para ajudá-lo a entender aonde está Kang, e descobrem que esse não era o nome dela.
O filme tem uma trama complexa e repleta de plot twists. A dupla de protagonistas é formada por alguns dos melhores atores sul coreanos, e é uma lástima a tragédia que vitimou Lee Sun-Kuyn. A direção, a trama, a edição, tudo funciona bem. O espectador fica ligado o tempo todo no filme, pois a cada minuto, novas informações surgeme. acabam contradizendo o que foi dito anteriormente. Tem que assistir prestando bastante atenção.
terça-feira, 22 de outubro de 2024
Abba 50 years since Eurovision
"Abba 50 years since Eurovision", de Nick Randall (2024)
Documentário que traz curiosidades sobre o Abba (Agnetha Fältskog, Björn Ulvaeus, Benny Andersson, e Anni-Frid Lyngstad) , grupo sueco mais famoso da história da música mundial. O filme parte da premissa dos 50 anos da apresentação do grupo em 1974, no campeonato Eurovision, de onde saíram com o prêmio de melhor música por "Waterloo". O filme apresenta como surgiram cada um dos 4 integrantes do grupo. Todos eles eram cantores nos anos 60: Bjorn era do grupo pop Hootenanny Singers; Benny era do Hep stars; Agnetta e Annu tinham carreira solos como cantoras.
Foi o empresário e agente artístico Stig Anderson, que empresariava a banda Hootenanny Singers, que sugeriu a Benny e Bjorn de se juntarem em um grupo. Agnetha era namorada de Bjorn, e Anni passou a namorar Benny. Em 1973, eles cantaram no Eurovision com "Ring ring", mas a música não aconteceu. Após a explosão de 'Waterloo", o grupo passou a ser convidado para shows em toda a Europa.
O filme cobre todos os discos e canções mais conhecidas do grupo. Fala também da parceria de Benny e Bjorn em escrever e produzir musicais de sucesso no teatro, como "Chess", junto de Tom Rice, e depois,'Mamma Mia!", junto de Judy Craymer, que foi quem idealizou a história e o projeto, que contém músicas conhecidas do grupo. Um produtor musical dá um depoimento dizendo que "Mamma mia!" fez mais dinheiro do que todas as músicas do Abba juntos. O filme termina falando do Tour do novo disco da banda, 'Voyage", lançado em 2021. Em 2002, o grupo lançou o show com músicas conhecidas e do novo disco, chamado Voyage, no Abba arena, em Londres. O grupo foi criado digitalmente, em holografia, e desde então, tem se apresentando com casa cheia. O documentário não é tão bom quanto outros que assisti, ma strouxe informações que eu decsonhecia, além de trazer imagens do Voyage tour. Para fãs, certamente é imperdível.
My favourite cake
"Keyke mahboobe man", de Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha (2024)
Premiado no Festival de Berlim 2024, onde estava em competição oficial, com os prêmios Fipresci e do juri ecumênico, as diretoras e roteiristas Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha foram proibidas de deixarem o Irã por mostrarem no filme a protagonista sem o Hijab e bebendo álcool na presença de um outro homem que não é o seu companheiro. O filme é anunciado como uma comédia romântica, e sendo um filme iraniano, achei praticamente impossível que isso acontecesse. O filme sim, tem momentos de leveza, mas não é uma comédia. É um drama romântico, mas que não permite um final feliz, afinal, estamos em um dos países mais conservadores do mundo. Dificilmente aceitariam um filme onde uma mulher de 70 anos, viúva, flertasse com um homem que ela acabou de conhecer e começasse a se envolver com ele no estilo "felizes para sempre".
No Teerã, mora Mahin (Lily Farhadpour), de 70 anos, enfermeira aposentada e viúva há 30 anos. Mahim nunca mais se relacionou com outro homem e se dedicou a criar seus dois filhos. Agora crescidos e com família, ela está sozinha e se sentindo sem abandonada. Eventualmente, ela convida suas amigas para sua casa, mas os assuntos são banais. Quando ela liga para a filha, ela não tem tempo para ela. Mahli decide ir até um restuarante onde aposentados costumam almoçar. Lá, ela conhece o taxista Faramarz (Esmaeil Mehrabi). Ao descobrir que ele é solteiro, Mahli decide pegar um táxi com ele, e ao chegarem em sua casa, o convida para entrar e comer um bolo. Durante a noite, eles conversam sobre diversos assuntos, entre eles, sobre a morte.
O filme poderia ser dividido em 2 partes: o cotidiano de Mahli, e depois, a sua relação com Faramarz, durante uma única noite, em sua casa. Nesse 2o ato, quase que em tempo real, os dois idosos se abrem de corpo e alma um para o outro. Os diálogos são excelentes, e as performances dos dois protagonistas, comovente. Mas não é um filme americano. Existem cenas ond eo contexto político e o patriarcado se fazem presente, como quando Mahli ajuda uma jovem a não ser presa pela polícia porque seu Hijab não estava apropriado na cabeça, ou quando ela está sozinha em um restaurante e o garçom questiona ela estar ali sozinha.
Amor eterno
"Amor eterno", de Marçal Forés (2014)
Concorrendo em Sitges, "Amor eterno" é um instigante e provocativo drama de terror LGBTQIAP+ espanhol. O filme mistura "O silêncio do lago", um premiado drama erótico francês onde os personagens fazem pegação em um lago com cenas de sexo explícito, e "Até os ossos", de Luca Guadagnino, onde Timothe Chalamet se une a outros canibais para saciarem seus desejos por carne humana.
Carlos (Juan Bentallé) é um professor de língua chinessa para dolescentes em uma escola. Entre seus alunos, está o tímido Toni (Aimar Vega). Sem que ninguém saiba, Carlos frequenta uma floresta da cidade, onde gays e lésbicas fazem pegação com muito sexo. Carlos é frequnte na região. Mas ali, pessoas têm desaparecido. Inesperadamente, Carlso encontra Toni no local e teme que ele o denuncie. No dia seguinte, no final da aula, Toni pede carona ao professor. Eles acabam fazendo sexo no carro. Toni fica obcecado por Carlos, mas Carlos o evita, ele não é do tipo que repete o parceiro. Os amigos de Toni surgem e decidem ajudá-lo a conquistar Carlos...para sempre.
Eu gostei muito do filme: li algumas críticas e a maioria falou mal. Eu adoro filmes sórdidos e provocativos, e ess eme lembrou também o francês "Grave". Temas de canibais geralmente têm sido associados a um desejo não só pela carne humana, ma stambém, por prazer e sexo. O filme tem cenas bastante eróticas ( o plano sequencia do sexo entre Carlos e Toni é bastante intenso) e como pano de fundo, o filme fala sobre etarismo e gerontofilia, a partir do momento que um adolesente se apaixona por um homem bem mais velho.
Caindo na real
"Caindo na real", de André Pellenz (2024)
Escrito por Bia Crespo e Charlie Droves, "Caindo na real" tem direção de André Pellenz, e o seu estilo cômico remete às comédias malucas dos anos 80 de David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker, como 'Top secret" e "Apertem os cintos, o piloto sumiu". São filmes que não têm medo de investir na falta de lógica, no surreal, na loucura em níveis escalafobéticos. O filme já começa com uma premissa bizarra: o Brasil acabou de instaurar a Monarquia, após o escândalo do último presidente. Tina (Evelyn Castro), uma chapeira de uma lanchonete de Marechal Hermes, é revelada como herdeira do trono. Seu primo que ela nunca conheceu, Maurício (Victor Lamoglia), filho de Marie Helene (Maria Clara Gueiros), retornam ao Brasil crentes que Maurício iria assumir. Eles decidem pedir ajuda ao conselheiro real corrupto Alaor (Maurício Manfrini) para cancelarem a Rainha nas redes sociais. Por sua vez, Tina, que se muda para Brasília, leva consigo o seu trio inseperável: a segurança Sidão (Paula Frascari), o atendente da lanchonete e tiktoker Robson (João Vitor Mello) e seu paquera, Barão (o cantor Belo), entergador da lanchonete.
O elenco conta também com Carlos Moreno (como um mordomo vampiro!!!!), Elisa Pinheiro (como uma reporter fofoqueira), Claudia Alencar, o surfista Pedro Scooby, Cissa Guimarães, Flavia Garrafa e muito mais. Mas quem de verdade surpreende, trazendo um carisma enorme, é o cantor Belo. Ele faz de verdade seu personagem, com charme, sedução e leveza. As suas cenas sào ótimas e se ele investir na atuação, pode vir a se tornar um bom ator.
Sorria 2
"Smile 2", de Parker Finn (2024)
Dois anos depois do grande sucesso de 'Sorria", seria inevitável uma continuação. Parker Finn, roteirista e diretor do filme anterior, retoma suas funções e faz o que seria difícil: fazer uma continuação melhor do que o original. Curiosamente, em 2024, M. Night Sgyamalan lançou o thriller de suspense "Armadilha", centrado em uma pop star fazendo um concerto. O que Parker Finn faz em seu filme, aproveitando os ensaios, relação com o público e o show em si, é infinitamente superior ao filme de Sgyamalan. Parker é alguém que estudou a cartilha de gênero e mesmo apostando em fórmulas já vistas, faz tudo com esmero e provocando sustos e tensão na narrativa. Surpreendentemente, o filme é longo: 127 minutos, nas as tramas e sub-tramas se conectam. Logo no início, existe um prólogo envolvendo o policial sobrevivente do filme anterior, em uma sequência que lembra o estilo narrativo de "Longlegs", usando lentes grandes nagulares e pans. Naomi Scott (a princesa Jasmine de 'Alladin") interpreta Skye, uma cantora pop no auge de sua popularidade, aos 27 anos. Mas sentindo-se pressionada e temendo que sua carreira desande, Skye recorre à drogas que ela compra de um traficante, Lewis (Lukas Gage). Acontece que Lewis está possuído pelo espírito malígno e ele acaba passando a maldição par Skye. No início acreditando ser tudo uma bad trip, Skye deixa passar. Mas quando mortes acontecem ao seu redor, ela procura sua namorada Gemma (Dylan Gelula).
O filme remete aos clássicos "Corrente do mal" e "The ring", filmes que trazem uam entidade do mal que passa de pessoa em pessoa e existe um prazo para que a maldição se manifeste por completo. As cenas de violência e gore são bem gráficas: não à toa, sua censura é de 18 anos. Naomi Scott está excelente na personagem Skye, com muitas cenas angustiantes e lidando bem com a loucura da personagem, entre a bad trip de uma droga e o pavor da ameaça da entidade. Muita gente vai odiar o final, mas enfim.....não se podia esperar outra decisão dos produtores de Hollywood. Os efeitos são ótimos e lembram as cenas chocantes da franquia "Premoniçao".
Unicórnios
"Unicorns", de Sally El Hosaini e James Krishna Floyd (2024)
Desde "Minha adorável lavanderia", de Stephen Frears, lançado em 1985, o cinema queer inglês tem flertado com protagonistas que pertencem a mundos diferentes, mas que se unem pelo amor que têm um pelo outro, uma espécie de revolução contra a opressão, xenofobia, homofobia e confronto com sociedade conservadora. Em 1992, Neil jordan nos trouxe o clássico "Traídos pelo desejo", com um terrorista do IRA envolvido com uma mulher trans, cantora de uma boite. Em 2023, o inglês "Femme", com George Mackay, já havia trazido para as telas a paixão entre um integrante de um grupo neo nazista apaixonado por uma drag queen negra. Agora em 2024, surge "Unicorns", trazendo o amor entre um jovem pai hetero, Luke (Ben Hardy, de "X-men") se apaixonando por uma drag queen indiana, Aysha (Jason Patel). Os amigos de Luke são conservadores, assim como aa família de Aysha é muçulmana e homofóbica. Luke vai até um bar e conhece Aysha, e se beijam. Mas quando descobre que Aysha é um homem, Luke vai embora. Passam-se uns dias, Aysha procura Luke na oficina em que ele trabalha e oferece a ele um trabalho de motorista de noite, para levála até os eventos onde ela faz shows. Precisando do dinheiro, Luke aceita, e aos poucosm, vai se encantando com o mundo noturno de Aysha e se deixa seduzir por seus encantos.
"Unicorns" é um drama denso, repleto de cargas emocionais fortes. Ma stambém traz leveza e romance, apostando na tese de que "o amor cura todas as dores do mundo". Para quem busca um romance queer com happy end, o filme é a pedida certa.
domingo, 20 de outubro de 2024
In the blind spot
"Im toten winkel", de Ayse Polat (2023)
Extraordinário drama alemão, "In the blind spot" recebeu mais de 15 prêmios internacionais, além de concorrer no Festival de Berlim 2023. Escrito e dirigido pela cineasta Ayse Polat, o filme é dividido em 3 capítulos não cronológicos e que trazem um grande suspense a um thriller político, de ação e com elementos sobrenaturais, simbolizando os fantasmas da população curda assassinada pela Turquia. Tendo como pano de fundo o conflito étinico e separatista entre curdos e turcos, o filme trás 3 linguagens distintas em sua cinematografia e na forma de contar a história: tem a câmera do cinegrafista de cena, entrevistando os personagens para um documentário; tem a câmera do filme que está sendo apresentando na ficção e tem as câmeras de celulares e câmeras escondidas, em ponto de vista de alguém filmando escondido. A edição habilmente mistura todas essas texturas e cria um filme tenso.
Em cada um dos 3 capítulos, temos o ponto de vista de um núcleo de personagem: no 1o, acompanhamos uma equipe de filmagem alemã, formado pela diretora Simone (Katja Bürkle) e pelo cinegrafista Christian (Max Hemmersdorfer), que vão até o nordeste da Turquia para gravar depoimento de uma idosa curda que há 26 anos, pratica o mesmo ritual para manter viva a memória de seu filho desaparecido. A dupla contrata uma tradutora, Leyla (Aybi Era), que traz com ela uma menina de 7 anos, Melek (Çağla Yurga),filha de sua vizinha, Sibel(Nihan Okutucu). Sibel é casada com Zafer (Ahmet Varlı), integrante da polícia secreta turca. Leyla foi contratada para dar aulas de inglês à Malek. A menina, no entanto, tem visões de um amigo imaginário que quer que ela pergunte o nome de pessoas desaparecidas. Quando um advogado de direitos humanos entrevistado por SImnone é sequestrado, Simone e Cristian ficam preocupados. O 2o capítulo é focado em Zafer, e o 3o capítulo, em Malek. O filme é muito bom, os atores são excelentes, sem exceção. A menina que interpreta Malek, Çağla Yurga, é impressionante. tão pequena e tão repleta de atitude e de camadas de emoção e determinação.
Kneecap
"Kneecap", de Rich Peppiatt (2024)
"Cada palavra dita em irlandês, é um tiro dado para a liberdade da Irlanda". Assim o personagem Arló (Michael Fassbender", ensina o seu filho, Moglai (Moglai Bap) a defender a língua nacional de seu país, como uma resistência aos interesses da Inglaterra.
"Kneecap"(que em irlandês quer dizer "rótula" ou na gíria, "nocautear alguém no joelho com arma ou chute"). Mas "Kneecap" também é o nome de um grupo de hip hop, com letras cantadas em irlandês e inglês, formada pelo trio Mo Chara, Móglaí Bap e DJ Próvaí. As letras são provocativas e trazem contetxo político, defendendo os republicanos.
O filme é o representante da Irlanda para uma vaga ao Oscar de filme internacional 2025, e foi o primeiro filme falado em irlandês a concorrer em Sundance, de onde saiu com o prêmio do público de melhor filme, além de ter concorrido no SXSW. O filme traz uma narrativa e uma linguagem totalmente anos 90, lembrando o tempo todo de "Transpotting" pela dinâmica, edição ágil e uma trama que envolve drogas, música e polícia. Mas mais do que isso: "Kneecap" é um filme excelente, que traz no elenco os verdadeiros integrantes da banda, interpretando a si mesmos. Ambientado em 2017, na Irlanda do Norte, o filme apresenta os melhores amigos Mo Chara e Móglaí Bap. Quanso Mo Chara é preso pela polícia e se recusa a falar em inglês, um tradutor de língua irlandesa é acionado: o professor de música JJ Ó Dochartaigh. Ao conhecer Mo Chara e Moglai Bap, JJ, que sempre quiz ser um músico, sugere que formem um grupo e cantem as letras provocativvas em irlandês. JJ tem medo que sua esposa e os colegas de trabalho o reconheçam, e decide se apresnetar em público com uma máscara. Mas eles precisam enfrentar a fúria da polícia e de grupos favoráveis à monarquia.
Que filme incrível. É a estréia na direção de Rich Peppiatt, que já havia dirigido clipes para a banda. O filme é cheio de energia, divertido e ao mesmo tempo, emocionante com o seu drama de pano de fundo, de jovens que decidem liderar um movimento nacionalista defendendo o uso da sua língua como a arma contra o império inglês.
sábado, 19 de outubro de 2024
Os irmãos Menendez
"The Menendez brothers", de Alejandro Hartmann (2024)
A Netflix lançou em 2024 a série "Monstros: Irmãos Menendez: Assassinos dos Pais", e os próprios irmãos Mendez, Erik e Lyle, disseram que a série mente sobre eles. O documentário de Alejandro Hartmann vai por um viés diferente. Traz à tona, como pano de fundo, uma campanha contra abusos sexuais contra crianças, no caso, meninos. No dia 28 de agosto de 1989, em Los Angeles, Beverly Hills, a polícia recebeu a ligação de Erik Menendez, depois das 23 horas, dizendo que chegou em casa com seu irmão Lyle, vindos do cinema, e encontraram seus pais, José e Kitty, assassinados na sala. Na época, os irmãos não foram sequer citados como suspeitos. Diante da barbaridade do crime, acreditava-se que havia sido coisa da máfia. Mas um mês depois, os irmãos gastaram o equivalente a quase 1 milhão de reais comprando carros de luxo, roupas, artigos de luxo, levantando suspeitas. Fora isso, a namorada de um psicólogos os denunciou à polícia. Os irmãos acabaram presos, e durante anos, negaram o crime. Pressionados, confessaram à polícia de que mataram seus pais em legítima defesa. Segundo os irmãos, o pai deles, José, um imigrante cubano que fugiu para os Estados Unidos após a revolução cubana, quando seus pais perderam toda a fortuna, e depois, criou um império na área musical e de aluguel de carros nos Eua, teria abusado sexualmente deles desde que tinham 9 anos de idade. A mãe, Kitty, havia sido informada, mas nada fez. A acusação alega que eles mataram pela herança de 14 milhões de dólares. A defesa, alega que eles agiram em defesa pelos abusos do pai acobertados pela mãe. Em 1996, eles fora condenados à prisão perpétua.
O filme é bastante rico em imagens de arquivo e principalmente, com longos trechos gravados no tribunal, com o julgamento e depoimento dos réus. O caso ganhou a notoriedade da mídia por anos, e somente foi ofuscada pelo crime de O.J. Simpson, em 1995, que havia assassinado sua esposa.
O filme finaliza apresentando campanhas recentes, incluindo no Tik tok, com centenas de vídeo da nova geração saindo em desefa dos irmãos, e eles mesmos recebendo cartas de pessoas que também haviam sido abusadas. Em 2023, os irmãos entraram com habea corpus pedindo a anulação da sentença. O filme finaliza com um crédito alertando o público sobre casos de abusos contra crianças pedindo para denunciar, deixxando claro o seu ponto de vista sobre o caso.
Yeah the boys
"Yeah the boyz", de Stefan Hunt (2024)
Escrito e coreografado por Vanessa Marian, esposa do cineasta Stefan Hunt, "Yeah the boyz" é um divertido e energizante curta australiano que parte de uma premissa interessante: pelo ponto de vista de uma mulher que escreveu a história, o seu namorado é chamado pelos amigos, todos homens, para um dia de bebedeira, que segue até tarde da noite. O filme evita tratar de masculinidade tóxica, e prefere apresentar um grupo de 6 amigos que apenas querem se divertir e beber até apagarem. S einspirando no estereótipo dos homens australianos, Vanessa Marian, junto de seu marido, criaram um filme sem diálogos, composto por 5 planos sequências, alguns deles bastante coroegrafados, quase como que em um musical no estilo "West side story". Todos os 6 homens são dançarinos, e a câmera no steadicam impressiona pela movimentação que faz em cena, desenhando os movimentos dos rapazes. Um filme de técnica, com bela fotografia, que deve ter dado um trabalhão nos ensaios.
Dario Argento's World of Horror
"Il mondo dell'orrore di Dario Argento", de Michele Soavi (1985)
Documentário que traz bastidores e entrevista com o mítico cineasta italiano Dario Argento, dirigido por Michele Soavi, um fã de Argento que o homenageou no cult giallio "O pássaro sangrento". Argento é o diretor que popularizou o gênero de suspense e terror Giallio mundo afora, com suas obras-primas que trazem uma estética inconfundível. Como o documentário foi lançado em 1985, ele cobre os filmes de Argento que vão de 1970 a 1985, ou seja, de "O pássaro das plumas de cristal" até "Phenomena". Os outros filmes são: "O gato de nove caudas", "Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza", "Prelúdio para matar", "Suspíria", "Tenebre", "A mansão do inferno". Além de traezr curiosidades técnicas desses filmes, o documentário ainda apresenta bastidores de filmes clássicos produzidos por Ragento, como "O despertar dos mortos", de George Romero, onde ARgento editou, ajudou na trilha e co-produziu, e "Demons, os filhos das trevas", de Lamberto Bava, que ele escreveu e produziu.
Um filme obrigatório para fãs do diretor, e para quem quer aprender a fazer cinema de baixo orçamento mas com muita criatividade para driblar situações que demandaraim muito dinheiro.
Underground orange
"Underground orange", de Michael Taylor Jackson (2024)
Anunciado como um filme "gênero fluído", "Underground orange" é um filme indie LGBTQIAP+ co-produzido por Argentina e Estados Unidos.
Michael Taylor Jackson escreveu o roteiro, dirigiu e protagoniza essa alegoria política, social e cultural que remete muito aos filmes anarquistas dos anos 60 e 70. Uma crítica ao capitalismo, ao império americano e aos governantes de ambos os países. Yanqui (Michael Taylor Jackson) é um americano que está em Buenos Aires procurando o túmulo do pirata argentino Hippolyte Bouchard, que teve como grande feito, a conquista de Monterey, California, por alguns dias. Durante o passeio na cidade, Yanqui é assaltado por dois jovens, e perde tudo: dinheiro, passaporte, carteira. O hotel o rejeita e ele recebe a ajuda de um empresário alemão, que na verdade quer assediá-lo. Yanqui decide dormir no cmeitério. Ao acordar, encontra uma trupe experimental de teatro que encena uma cena de Diego Rivera e Frida Kahlo. O trio convida Yanqui para acompanhá-los e fazer parte da trupe. Eles querem montar um texto que critica e julga o presidente americano Henry Kissinger pelos crimes contra a Argentina, e Yanqui é o ator que faltava.
O filme traz no elenco e nos personagens a diversidade de orientação sexual: lésbicas, gays, não binários, trans. Assim como em "Raspberry reich", de Bruce La Bruce, o filme é uma grande sátira político, e se apropriam do sexo, que segundo os artistas, é por onde passa a revolução. No fundo, não curti o filme, achei chato e datado. Mas valeu como provocação.
É tempo de amar
"Le temps d'aimer", de Katell Quillévéré (2023)
Concorrendo no festival de Cannes 2023, "O tempo de amar" é escrito e dirigido pela cineasta francesa Katell Quillévéré e traz uma triste história de amor que começa em 1947, na França pós libertação da ocupação nazista, e se estende até os anos 60. O filme começa com um clipe em preto e branco da França libertada pelos americanos, e de como mulheres que foram obrigadas a terem relacionamento com alemães foram maltratadas e humilhadas em público. Entre elas, está Madeleine (Anaïs Demoustier) mãe de um menino e garçonete de um restaurante na Bretanha, que tenta começar uma nova vida longe de casa. Ela conhece um jovem estudante, François (Vincent Lacoste) de família burguesa que manca após contrair poliomielite. Ele lhe propõe um casamento. Ela aceita e se mudam para Paris. O tempo passa e Madeleine mente pro filho, dizendo que François é seu pai. Mas François é gay enrustido, e deseja ardentemente homens. Madeleine sabe desse segredo de François, e assim como ela, ambos guardam seus segredos.
A crítica destruiu o filme, chamando-o de melodrama barato. O filme é repleto de intrigas, mentiras e jogos sexuais. Os dois atores estão ótimos. Mas como se passam décadas na história, manter Vincent Lacoste foi um erro. Ele tem cara de jovem nerd, e 20 anos depois com a mesma cara não deu credibilidade, por excelente ator que ele seja.
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