segunda-feira, 24 de julho de 2023

Showing up

"Showing up", de Kelly Reichardt (2022) Concorrendo à Palma de ouro em Cannes 2022, na competição oficial, "Showing up" é a 2a parceria da cineasta e roteirista Kelly Reichardt com a atriz Michelle Willians, desde "Wendy e Lucy", de 2008. Kelly Reichardt é famosa pelo seu filme "First cow", que lhe trouxe notoriedade no mundo todo por acompanhar uma vaca durante todo o filme, além de ganhar muitos prêmios com seus filmes anteriores. Michelle Willians é Lizzy, uma aspirante a artista plástica que está planejando sua próxima exposição que será apresentada em 1 semana. Ela convida familiares e pessoas próximas. Fruto d euma família disfuncional- pais divorciados, irmão com doença mental- Lizzy não ganha apoio dele,s pelo contrário, o pai que também é artista plástico vê toda a obra da filha com desdém. Lizzy aluga a casa de uma mulher, Jo (Hong Chao), que é uma artista plástica com renome e de temperamento diferenciado de Lizzy, que é introvertida. Lizzy inveja Jo pelo aparente sucesso dela. Um dia, o gato de Lizzy fica com fome e acaba ameaçando come rum pombo, salvo a tempo pro lizzy, que o joga pela janela. No dia seguinte, Jo surge dizendo que achou o pombo e que quer cuidar dele, mas acaba deixando essa responsabilidade para Lizzy. "Showing up" é um filme diferente de Reichardt. Um drama com toques de humor ácido e mais leve que seus outros filmes, tem um ritmo bastante lento e uma performance minimalista de seu elenco. O pombo acaba se tornando uma metáfora da própria Lizzy, aprisionada e necessitada de atenção e carinho. Os embates entre Willians, sem maquiagem e desprovida de vaidade, com a ótima atriz Hong Chao são excalentes, um duelo de grandes atrizes. Não é um filme para qualquer espectador: o roteiro é bem simples e a narrativa muito lenta podem afastar muita gente.

Sun Moon

"Sun Moon", de Sydney Tooley (2023) Simpática comédia romântica co-escrita e dirigida pela cineasta americana Sidney Tooley, em seu filme de estréia. Sidney morou por 1 ano em Taiwan, e isso explica o porqu6e dela querer filmar na região. MacKenzie Mauzy é Kelsey, uma mulher de 27 anos, que abandonou estudos e carreira para se casar aos 27 anos. No entanto, ela foi abandonada no altar por Brendan, que a trocou por uma amiga de Kelsey. Deprimida, Kelsey é ajudada por sua irmã mais jovem. A mãe de ambas está doente, mas Kelsey toma uma decisão: ela vai passar um tempo em Taiwan para dar aula de inglês para uma turma de alunos da Academia adventista, para assim, esquecer do casamento e da humilhação. Ao chegar lá, ela encontra dificuldades com a língua, pois quase ninguém fala inglês. Um jovem professor, Horace (Justin Chien), que também não fala inglês, a ajuda. Mas ela encontra resistência dos alunos, que não querem aprender inglês. O que difere esse filme de outras comédias românticas é um fato curioso: o filme é cristão. E a surpresa boa veio que o filme não é doutronário, ou fica querendo você acreditar que Deus está acima de todas as decisões. É bastante orgânica a relação da igreja com os personagens, sem forçação de barra. MacKenzie Mauzy é bastante carismática e talentosa, e segura bem a protagonista. O filme não tem nenhum ator conhecido, mas tem simpatia o suficiente para segurar a atenção do espectador, seja ele cristão ou não. E de quebra, mostra lindas locações em Taiwan.

domingo, 23 de julho de 2023

House of darkness

"House of darkness", de Neil LaBute (2022) O cineasta e autor de peças de teatro Neil Labute surgiu em meados dos anos 90 e desde então, tem tido seus textos teatrais adaptados no mundo inteiro. Famoso pelos diálogos ácidos, lidando com temas tabu da sociedade, como misoginia, assédio, gordofobia, questão do padrão estético de beleza, entre outros temas que deixam uma conversa de bar em saia justa. Das suas peças mais famosas, temos: "Razões para ser bonita", 'Gorda", "A forma das coisas", "Baque", "Aquelas mulheres", "Restos". No cinema, fez fama e ganhou legião de fãs com seu drama ácido e mordaz "Na companhia de homens", de 1997. Ambientado em uma empresa onde a palavra d eordem é misoginia e machismo, além de assédio no ambiente profissional. A expectativa de outros filmes foi enorme, mas nenhum outro filme veio com o mesmo ardor da crítica: a refilmagem de "O homem de palha", chamada de "O sacrifício", foi apedrejado. A refilmagem do inglês 'Morte no funeral", igualmente apedrejado. Veio cult "A enfermeira Betty", que ninguém viu. Estranhamente, Labute abraçou um cinema B, amador, e aí ficou. "House of darkess" é inexplicável. Ruim do início ao fim, o filme é um horror com subtexto da misogonia. Ambientado em um único set, o salão de um castelo!!!!! onde um homem, hap (Justin Long).é convidado por uma mulher , Mina (Kate Bosworth) para passar a noite. Tirando vantagem do one night stand e de que está ávido para fazer sexo com a mulher, hap ignora qualquer aviso de que aquela mansão é habitado por vampiras doidas para chupar sangue de boy lixo. Justin Long foi uma promessa de ator há uns 10 anos atrás. Mas de uns tempos para cá, se firmou como ator de filmes trash de terror, como o pavoroso 'Tusk", de Kevin Smith. Ano passado ele ainda trabalhou em um terror cult elogiado, 'Barbarian". Mas seu personagem, homem escroto e boy lixo é exatamente ao seu Hap em 'House of darkness". Labute se coloca no lugar de uma mulher e as defende integralmente, apontando toda sua metralhadora para os homens sexistas, machos burros e deploráveis. O final? mais óbvio possível. Os efeitos? ruins. Chato e entediante. Labute, filme pelo menos seus textos teatrais, vai ser melhor.

Os habitantes

"Los habitantes", de Homero Bueno (2023) Bom suspense mexicano, que traz plot twists surpreendentes em seu desfecho. Emiliano (Jorge Luis Moreno, que também produz o filme) é um homem em eus 40 anos que sobreviveu a um grave acidente de carro. Ele entrou em coma e quase morreu. Quatro anos após o acidente, ele decide voltar à cidade de Monterrey, mesma cidade onde aconteceu o acidente. Casado com Nina (Estefanía Hinojosa) e pais de uma filha pequena, a família tem uma vida aparentemente feliz em uma nova casa. Mas aos poucos, Emiliano começa a ter alucinações. Avizinha também o observa de forma estranha. Emiliano vê o fantasma de uma mulher e de uma menina. A mãe de Emiliano, (Angélica Aragón), e seu amigo Arturo (Luis ALberto Garcia) procuram ajudá-lo. Ainda assim, Emiliano decide ir atrás dos antigos moradores e entender o que se passou naquela casa, antes dele comprá-la. O filme tem um bom roteiro escrito pelo próprio cineasta, Homero Bueno, e começa como um drama familiar até abraçar o filme de fantasmas, com sustos previsíveis. Mas é um filme interessante, e que mantém o espectador atento até descobrir o que está se passando na vida de Emiliano. O último momento do filme que achei totalmente desnecessário.

Clonaram Tyrone!

"They cloned Tyrone", de Juel Taylor (2023) Longa de estréia do cineasta negro Juel Taylor, também co-roteirista dessa fábula bizarra sobre clonagem, que lembra muito os filmes de Michel gondry e Spike Jonze, porém, dentro de uma comunidade negra de G;en, cidade fictícia dos Estados Unidos, que mais lembra o Harlem. Fontaine (John Boyega) é um traficante de drogas de Glen. Respeitado pela comunidade, ele tem como amigos a prostituta Yo-yo (Teyonah Parris) e o cafetão Slick (Jamie Foxx). Juntos, os amigos testemunham eventos estranhos que acontecem na cidade, ambientada nos anos 70. Eles descobrem um subterrâneo onde cientistas, financiados pelo governo americano (bem no clima de "Stranger things") estão clonando negros para que eles sejam servis aos brancos e aos poucos, poderem embranquecer a América. Muito bom ver novos artistas negros falando sobre a comunidade e de que forma observam a América durante e pós Governo Trump. A metáfora do embranquecimento da América é um forte indício do quanto a comunidade está cada vez mais abraçando a sua cultura e a sua história, assim como fez Spike Lee em "Infiltrado na Klan", com pessoas negras assumindo 100% a sua afro-ancestralidade. Umn filme importante no tema, e delicioso como passatempo, mesclando ação, aventura, comédia e ficção cinetífica em clima "Black mirror".

Brichos 3- Megavírus

"Brichos 3- Megavírus", de Paulo Munhoz (2023) Terceira parte de uma franquia de animação brasileira criada por artistas curitibanos, "Brichos" teve a 1a parte em 2007, a 2a em 2012 e agora com "Megavírus". Logo no início, a produção avisa o espectador que o roteiro foi escrito 5 anos antes da covid, e que a produção foi filmada durante a pandemia, o que impediu que usassem vozes infantis, inicialmente previstas. A Vila dos Brichos é atacada por um vírus, misto da gripe do Elefante com o vírus do computador, criando um curioso vírus que mescla o orgânico com o cibernético. O vírus atinge a população que olha para celulares, tablets e computadores, e entram em coma. A parte ainda saudável da população se une e se organiza para salvar os doentes, enquanto Ratão aproveita o caos para saquear toda a cidade. Tales (Diegho Kozievitch), Bandeira (Jeff Franco), Jairzinho (Renet Lyon) e outros se unem para tentar encontrar uma solução. O filme traz referências a clássicos da ficção cioentífica, como "Inception" e "Matrix": os mocinhos precisam colocar capacetes e entrarem na mente dos personagens, e asism, tentar encontrar a cura do vírus. Mesmo voltado para crianças pequenas, o filme tem temas e diálogos complexos, que falam uma linguagem complexa sobre mente X tecnologia. Mas os bichos do filme são desenhados com muita fofura, assim como os cenários. E por ser uma animação 100 por cento brasileira, já vale assistir e prestigiar.

Barbie

"Barbie", de Greta Gerwig (2023) A essa altura do campeonato, não existe um ser humano no planeta que não tenha ouvido falar do filme ou que não tenha cruzado na rua com pessoas venstindo rosa. E claro, esse certamente será uma das maiores bilheterias da história, e irá render uma franquia de infinitas partes, pois existem Barbies e Kens de todos os tipos que rendem todo tipo de spin off. Greta Gerwig e Noah Baumbach, casados na vida real, escreveram o roteiro e surpresa total, alfinetam todo o mundo cor de rosa de Barbie e Ken, e recebem aprovação da empresa criadora da boneca, Mattel. Mas a Mattel não é boba e sabe que o mundo mudou e o conceito de mulher padrão perfeita e esterotipada morreu há muito tempo, e precisavam se reinventar com o olhar sobre o que querem as mulheres e os homens de hoje em dia. Com uma direção de arte e fotografia espetaculares, reproduzindo todo o mundo da Barbie suas casas e acessórios, o filme apresenta a Barbilândia com suas inúmeras Barbies, inclusive as que saíram de linha, como uma Barbie grávida. A Barbie padrão (Margot Robbie) vive seu mundo feliz, até que do nada, tem uma crise de existencialismo e fala sobre morte, celulite e outros assuntos que provocam tensão na Barbilândia. Ela decide ir até o mundo real em Los Angeles, e Ken (Ryan Gosling) a acompanha. Ela acaba conhecendo a sua dona, Gloria (America Ferrera), designer da Mattel, e sua filha adolecsente, Sasha. Ao encontrar mulheres do mundo real, Barbie passaa entender sobre o difícil papel de uma mulher no mundo, que tem que lidar com assédio, machismo, baixos salários, etc. O filme traz referências de 'Show de Truman", "Toy Story 3" e de elementos da cultura pop, como a banda N'Sync e a clássica "Girls just wanna have fun", de Cindy Lauper. É importante frisar que não é um filme para crianças: o filme traz reflexões bastante adultas como morte, machismo, paternalismo, assédio, entre outras pautas do feminismo e também, do papel do novo homem que precisa se reeducar na agenda da diversidade de gênero e de comportamento corporativo. É um bom filme, mas confesso que eu queria ter me divertido mais: o desfecho traz uma melancolia existencialista que eu não estava esperando.

sábado, 22 de julho de 2023

Oppenheimer

"Oppenhemier", de Christopher Nolan (2023) Cinebiografia do físico Julius Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), americano nascido em Nova York no ano de 1904 e falecido em 1967, e conhecido mundialmente como "o pai da bomba atômica", sendo capa da revista TIME com esse título. Através de seus estudos com a bomba atômica que os Estados Unidos lançaram a bomba em Hiroshima e Nagasaki, com o intuito de encerrar de vez a 2a guerra mundial, num período onde a Alemanha já havia se rendido, mas o Japão, não. O filme apresenta Oppenheimer em 2 momentos: em uma comissão onde é entrevistado e acusado de apoio aos comunistas e também de ser espião soviético, e em um tribunal com a mesma acusação. Ambos os eventos aconteceram anos depois do lançamento da bomba no Japão. O filme então volta ao tempo para contar a história desse físico, e a sua relação com o seu irmão comunista e mulheres que fizeram parte de sua vida, como Jean (Florence Pugh) e Kitty (Emily Bliunt), que viria a ser sua esposa, mas sofreu depressão pós parto. Convidado pelo governo a criar um centro de criação da bomba atômica em Los Alamos, no deserto, e ali, dentro do Projeto Manhattan, desenvolver, junto de outros cientistas, fazer pesquisar com urânio e plutônio para estudar e criar a bomba, ao custo de 2 bilhões de dólares. O filme , como em qualquer filme de Nola, traça períodos distintos, em um trabalho extraordinário de edição e de edição de som. O elenco é um caso à parte: uma infinidade de participações de grandes astros, mostrando a força de Nolan: além de Plugh e Blunt, temos Robert Downey Jr, gary Oldman no papel do presidente americano Truman ( ele já havia sido Winston Churchill), Casey Affleck, Matt Damon, Alden Ehrenreich, Jason Clarke, Kenneth Branagh, Matthew Modine, Jack Quaid, Rami Malek, entre outros. Cillian Murphy está esplêndido, e a sequência do teste do protótipo da bomba é bem construída e tensa. O filme tem 3 horas de duração e eu particularmente senti esse tempo, chegou uma hora que ficou cansativo, principalmente no momento do depoimento de Casey Affleck. Mas Nolan é Mestre e ver como ele costura as histórias e ações sinceramente não é para qualquer um.

O que deixamos para trás

"What we leave behind", de Iliana Sosa (2022) Premiado no SXSW com 2 prêmios especiais, "O que deixamos para trás" é dirigido pela documentarista mexicano americana Iliana Sosa, e tem como tema o avô de Iliana, o nonagenário Julián Moreno. Durante toda sua infância e adolescência, Iliana desconhecia queme ra seu avô. Só adulta, e fazendo o documentário, ela entendeu a alma desse imigrante mexicano que tentou a sorte nos Estados Unidos nos anos 60. Repleto de alma e admiração pelo seu avô, o filme mostra uma família de mexicanos que se ama, mas está dividida entre a fronteira México e estados Unidos. Todos os meses, por cerca de 20 anos, Moreno embarcou em um ônibus para a viagem de 560 milhas de sua casa em San Juan del Río, região rural do México, para visitar suas filhas e netos, incluindo Sosa, em El Paso, Texas. Durante 1 ou 2 dias, ele trazia doces e presnetes e ia embora. O filme começa com a última viagem de Moreno, já bastante cansado e praticamente impedido de fazer a viagem, só sendo possível pois uma das filhas foi junto. Ele quer construir uma casa para seus descendentes do lado da sua casa no México. Sua esposa faleceu aos 39 anos, há exatos 45 anos atrás, e um de seus filhos, Jorge, que é cego, diz que a morte de sua mãe foi um dos fatores da dissolução da família e boa parte migrar para os Eatsdos Unidos. Cenas do cotidiano, como Moreno visitando o túmulo de sua falecida; ou fritando ovo; ou construindo a casa, e aos poucos, com o tempo, ficando doente até vir a falecer. O filme é comovente e além de temas como a política da imigração dos Eua, fala sobre a união familiar, memória, amor e em determinado momento, sobre a finitude da vida. Um desfecho melancólico e realista, sobr euma história de um homem comum, mas coberto de amor.

sexta-feira, 21 de julho de 2023

The starling girl

"The starling girl", de Laurel Parmet (2023) Concorrendo nos prestigiados SXSW, Sundance e Palm Springs, "The starling girl" é escrito e dirigido pela cineasta Laurel Parmet. O filme é um retrato contundente e cruel de sua protagonista, Jem Starling (Eliza Scanlem), uma adolescente de 17 anos que pertence à uma comunidade de religisoos cristãos fervorosos em Kentucky. Sendo a filha mais velha de sua família, Jem é idolatrada pelos irmãos. Seus pais se orgulham dela. Mas quando o jovem pastor Owen Taylor (Lewis Pullman) retorna à comunidade, tudo muda na vida de Jem. O seu desejo sexual pelo jovem pastor aflora, e Jem não consegue mais se controlar. E ela teme ficar igual ao seu pai, um alcóolatra que precisa ficar escondiod pela esposa, por vergonha que a comunidade descubra. Explorando religiosidade e os desejos do indivíduo ( os cristãos precisam dedcicar sua vida à Deus, e nunca para si), o excelente roteiro de Parmet traz muita reflexão sobre pontos que fazem o espectador discutir o quanto ele precisa se doar à Igreja e o que busca para si próprio. Uma performnce arrebatadora de Eliza Scanlem no papel principal, trabalhando todas as emoções. Um filme sobre feminilidade, sobre se doar ao outro e sobre a busca de sua liberdade. A direção de Parmet é perfeita, construindo com muita inteligência e respeito a trajetória de uma jovem que descobre que o mundo é além da religião.

O eremita de Treig

"The hermit of Treig". de Lizzie MacKenzie (2022) COmovente documentário que enaltece a vida do homem que abandona a civilização e vai morar em uma floresta isolada, sem eletricidade, internet e sem o conforto de uma vida urbana. Ken Smith mora há 40 anos na região do lago de Treig, há kilômetros de distância da estrada mais próxima. A documentarista Lizzie MacKenzie passou 7 anos conhecendo Ken e interagindo com ele até convencê-lo de filmar a sua história. Ken atualmente está com 70 anos. Escritor e fotógrafo, Ken abdicou da civilização e da companhia de pessoas. Construiu sua cabana de madeira e sobrevive de pesca, caça. Mas um dia, ele sofre um derrame, e seu único contato com a civilização é um rádio transmissor. Ele pede ajuda. Um helicópetro chega e o leva a um hospital. Mas Ken retorna depois, e não quer sair da floresta. A partir desse momento, a conversa entre Ken e Lizzie passa a ser a finitude da vida. Ken convida um padre para lhe dar a extrema unção, uma precaução caso venha a falecer. O filme traz a simplicidade de um homem que gosta de escrever e de fotografar. Em sua casa humilde, ele guarda escritos e fotos. Lizzie dirige o filme com elegância e bastante simplicidade, e basta a câmera acompanhar Ken para onde ele vá na floresta, para lembrarmos de Christopher McCandless, o jornalista americano que abandonou a cidade e foi morar na floresta, retratado na obra-prima "Na natureza selvagem", de Sean Penn.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Limbo

"Limbo", de Ivan Sen (2023) Concorrendo na competição oficial do Festival de Berlim 2023, "Limbo" é escrito e dirigido pelo cineasta aborígene australiano Ivan Sen. O filme é rodado com um deslumbrante preto e branco fotografado pelo próprio Ivan Sen, que não satisfeito, ainda compôs a trilha sonora e editou o filme. O filme apresenta como protagonista o policial Travis Hurley (Simon Baker), em uma caracterização que o tempo todo faz lembrar Walter White de "Breaking bad". Travis viaja até a pequena cidade de Limbo, localizada no deserto da Asutrália. Travis veio a mando da polícia, que quer reabrir o caso acontecido há 20 anos atrás na região, quando uma jovem aborígene, Charlotte, despareceu. Travis é viciado em drogas pesadas, como heroína, herança de seu trabalho na divisão anti-drogas, e entrou no fundo do poço quando provocou a morte de uma pessoa. Acabou destruindo seu casamento e o afastou de seu filho. Procurando os irmãos de Charlotte, Charlie e Emma, Travis passa a entender que a população majoritariamente branca, é racista e trata mal os aborígenes. O filme é esteticamente belo, mas o ritmo extremamente lento da narrativa cansa. O que chama muito a atenção são as belas cavernas na região desértica, uma impressionante arquitetura natural. Simon Baker é um ator bastante conhecido na Austrália e está bem no papel principal, assim como o elenco de apoio, principalmente os indígenas, que lidam com a maior parte das emoções. Uma trama de mistério, esclarecida no último minuto. É preciso ter paciência para acompanhar a história.

Lugar seguro

'Sigurno mjesto", de Juraj Lerotic (2022) Obra-prima do cinema da Croácia, "Lugar seguro" é um drama poderoso, vencedor de 12 prêmios internacionais, 3 deles no prestigiado Festival de Locarno: melhor diretor, melhor filme de estréia e melhor ator (Goran Markovic). O filme é baseado em história real acontecido com o ator, diretor e protagonista Juraj Lerotic: o suicídio do seu irmão, causado pela depressão profundo em que se encontrava. O filme acontece durante um período de 24 horas. Bruno (Lerotic) recebe a ligação de seu irmão Damir (Markovic) de que cortou seus pulsos. Bruno corre ao apartamento do irmão a ponto de salvá-lo e levá-lo ao hospital. A mãe deles (Snjezana Sinovcic) chega e se junta aos três. Damir fica em vigilância por parte do irmão e mãe, que decide tirá-lo escondido do hospital e levá-lo para a cidade de SPlit, onde passaram a infância. Com um trabalho absolutamente formidável dos 3 atores, em estado emocional surpreendente, o filme é a estréia na direção d elongas de Juraj Lerotic, uma narrativa bastante lenta, mas sempre instigante, afinal, o irmão pode se matar a qualquer momento. COm enquadramentos e fotografia que tornam ainda mais depressiva a experiência do filme, 'Lugar seguro" é um filme brilhante um excelente trabalho de direção e de atuação.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

T

"T", de Jitesh Kumar Parida (2023) A cartela final desse drama LGBTQIAP+ hindu traz a seguinte mensagem: 'Orgulho de ser transgênero". O filme foi exibido fora de competição no Festival de Cannes, e é baseado na história real de Meghna Sahoo, a primeira motorista de táxi transgênero da Índia. Acompanhando desde sua infância, quando seu pai o espancava por seus gestos afeminados, depois adolescência, quando se tornou objeto de desejo de um rapaz, depois vendendo seu corpo como prostituta, a tragetória de Meghna Sahoo (interpretado pelo ator cis Debasish Sahu) é digno de uma grand enovela repleta de tragésias. reviravoltas. Chantageada, abusada, Mehgna encontrou um final feliz, se casando com Basu e por isso,s endo rejeitada pela comunidade trans, que não aceita o casamento e o sucesso de Meghna como ativista. Meghna hoje em dia é conhecida por ajudar a comunidade trans, provendo-lhes sustento e trabalho digno. O filme tem uma rica fotografia e locações bastante cinematográficas, rodadas em Odisha, região pobre mas rica em coloridos e arquitetura. Falando sobre transfobia e luta por respeito, é bastante interessante que o cinema indiano esteja abrindo as portas para o cinema queer. O ponto fraco são as atuações, algumas amadoras, mas a boa intenção do projeto faz valer a pena assistir ao filme.

Chrissy Judy

"Chrissy Judy", de Todd Flaherty (2022) Drama LGBTQIAP+ independente americano, "Chrissy Judy" é escrito, dirigido, produzido, editado e protagonizado por Todd Flaherty. Ele interpreta Judy, uma drag que mora em Nova York e que faz dupla com Chrissy (Wyatt Fenner), seu melhor amigo e às vezes, amante. No entanto, às vésperas do show que pode redefinir a dupla, Chrissy informa a Judy que vai voltar a namorar seu ex-namorado e mais, irá morar na Filadélfia. Essa notçiia traz uma ruptura que Judy não estava preparado: ele precisa se redefinir como artista e comos er humano, mas para sanar a frustração, ele se entrega ao sexo e ao álcool. Drama com elementos de humor típico da comunidade queer, 'Chrissy Judy" é um filme bastante honesto para quem busca um passatempo que apresente a realidade Queer de forma realista. As cenas de show de drags são mais dramáticas, sem os habituais glamour e pompa. Um filme curioso, divertido, melancólico e que retrata a amizade como um momento que para alguns, não é eterno.

terça-feira, 18 de julho de 2023

O décimo primeiro capítulo

"Di shi yi hui", de Jianbin Chen (2019) Representante da nova onda do cinema chinês, chamada de "Neo cinema", "O 11o capítulo" é um drama sobre um homem que descobre que uma trupe teatral está representando a sua história nos palcos. Ma Fuli (Jianbin Chen, roteirista, diretor e protagonista do filme) é casado com sua esposa controladora, Zhou Xun, e sua enteada, Leah Dou, que está grávida. Ele mantém um pequeno comércio onde serve lanche. Um dia, ele descobre que o teatro local irá encenar uma peça sobre uma tragédia ocorrida há 30 anos: um homem matou sua esposa e seu amante ao decsobrir a traição, atropelando-os com o trator da fazenda. Ma Fuli diz que ele é o protagonista da história, e pelo assassinato confesso, ele ficou preso pro 15 anos. Mas ele decide limpar o seu nome e evitar que a peça divulgue ainda mais um crime que ele não cometeu: na verdade, o freio do trator soltou e matou o casal de infiéis. Mas ninguém quer mudar o rumo do texto de peça: nem os atores, o diretor, nem os patrocinadores. Drama com toques de humor e sureralismo, "O 11o capítulo" é, como diz o seu título, dividido em 11 capítulos, cada um com um tema e trazendo mais informações sobre Ma Fuli e a crise com sua enteada, que não quer ter um filho de um pai assassino, da cia teatral e de sua esposa, além de um advogado e dos patrocinadores. Bem articulada com tantos personagens em cena, discute a moral e ética da sociedade de forma curiosa e repleta de nonsense.

Are you lonesome tonight?

"Re dai wang shi", de Shipei Wen (2021) Vibrante policial chinês, fazendo parte do que a crítica chama de "Neo cinema chinês", com muitas referências pop e fotografia noir, trazendo elementos de iluminação nenon e muitas cores. Nessa revisitação do cienma noir, o cineasta estreante Shipei Wen criou uma narrativa envolvente, repleta de flashbacks com outros olhares sobre uma mesma cena. A trama é confusa, mas ainda assim, sedutora. Ambientada na província de Guandong, no sul da China, região quente, o filme começa no ano de 1997, na pré-internet e celulares, e vai até o ano de 2005. O técnico de consertos de ar-condicionado Wang Xueming (Eddie Peng, super astro e galã de Taiwan ) dirige uma van para encontrar sua namorada (Jiang Peiyao) para irem no cinema. Ao se distrair no volante, acaba atropelando um homem. Wang foge do local, mas logo vamos descobrir em m flashback que ele retornou e enterrou o homem. Coberto pela culpa, Wang pensa em se entregar às autoridades. Em vez disso, ele encontra uma maneira de fazer amizade com a viúva da vítima, a Sra. Liang (Chang), que está sendo assediada por dois homens que afirmam que seu falecido marido lhes devia uma quantia significativa de dinheiro. Paralelo, a polícia descobre que o atropelado foi baleado antes de ser atropelado. Com uma trama repleta de mistério, o filme traz excelentes cenas de ação e uma fotografia exuberante, fortalecida pelas locações decadentes de uma cidade feia e suja. Fiquei apaixonado pela fotografia, pela narrativa e certamente, o neo-cinema chin6es é muito bem vindo, já tendo trazido filmes excelentes como "Thin ice, black coal", "O lago do cisne selvagem", entre outros títulos.

Boniato

"Boniato", de Eric Mainade, Andres Meza-Valdes e Diego Meza-Valdes (2015) Concorrendo no Festival de Sundance em 2015, "Boniato" é um delicioso filme de gênero que mistura drama e terror com monstros que remete a filmes como 'Abismo do medo" e "Viagem maldita". Com impressionantes efeitos práticos que funcionam bastante, mesmo para uma produção de baixo orçamento, o filme foi escrito e dirigido por um trio de cineastas que usam a história para fazer uma crítica à exploração da mão de obra de imigrantes clandestinos latinos que trabalham como escrevaos me plantações nos Estados Unidos. Elisia (Carmela Zumbado) é uma jovem imigrante que trabalha em uma plantação em uma fazenda no sul dos Estados Unidos. Insatisfeita com o trabalho, Elisia comunica ao seu chefe, o capataz Willian (Alex Garay) que ela quer sair do trabalho e sguir para o Norte do país. Willian a leva de carona em um carro com outros imigrantes latinos e para surpresa de todos, os abandona em uma área isolada da plantação, onde nos subterrâneos habitam seres monstruosos. Um homem misterioso, o latino Boniato, surge para salvar Elisia. O filme tem um roteiro sme pé nem cabeça, mas é divertido o suficiente para agradar a fãs de terror, principalmente se forem fãs do cinema de Robert Rodriguez. Ótima locação, que faz lembrar do cult "A colheita do mal", o filme traz elementos de badass girl, herói solitário e muita porradaria contra monstros que assustam mas se deram mal por encontrarem na sua frente imigrantes latinos dispostos a tudo para manter sua dignidade.

Runs in the family

"Runs in the family", de Ian Gabriel (2023) Drama LGBTQIAP+ sul africano com toques de "feel good movie", alternando momentos de humor acridoce e cenas de musical com dragas. Dirigido por Ian Gabriel e escrito e protagonizado pro seu filho Gabe Gabriel, ator que fez a transição em 2018 para homem trans. Gabe interpreta River Storm, filho do indiano Varun Chetty (Ace Bhatti), um alfaiate que trabalha na África do Sul. River e seu melhor amigo se inscrevem em um concurso de drag queens e com o dinheiro, River deseja fazer cirurgia de afirmação de gênero. Mas Varun recebe uma ligação inesperada de Monica (Diaan Lawrenson), a mãe de River que o abandonou quando criança e se encontra em uma clínica de reabilitação em uma outra cidade. Varun pede ajuda a seu filho para tirarem sua mãe de lá, mas River fica em conflito, pois ele foi abandonado por ela. O filme aposta no drama familiar de forma bastante delicada, com ótimas performances e mensagens de afirmação e de aceitação. Os números musicais são bem produzidos, mesmo para um filme de produção média. Basicamente um road movie, com o estreitamento da relação pai e filho, o filme tem um roteiro que comeve e encanta, dando ainda um desfecho inesperado que ressalta ainda mais o lado dramático da história.

domingo, 16 de julho de 2023

Dia dos pais

"Father's day", de Kali Khan (2022) Um filme cruel sobre uma adolescente que morre de ciúmes de seu pai e quando o vê flertando uma garota em uma piscina, arma um plano de vingança não contra o pai, mas contra a garota. Nessa fábula sobre uma relação edipiana, o filme acompanha Ceci (Tori Lemelin) e seu pai Eric (Ariel Eliaz) planejando passar o dia juntos na piscina, para comemorar o dia dos pais. Apesar de já ser adolescente, Ceci exige atenção de seu pai e brinca com ele como se fosse uma criança. Ao avistar uma jovem (Emma Cuba), o pai pede um tempo pra filha e se senta ao lado da garota, para puxar assunto. A filha fica enciumada, achando que a menina está dando em cima do seu pai. Mas ela somente se toca que na verdade queme stá assediando é seu pai, quando a garçonete pergunta pra moça se está tudo bem com ela. Um filme bastante cruel sobre a destruição do imaginário de uma filha que imagina sue pai como um herói, e aos poucos, vai descobrindo que antes de tudo, ele é um homem, e pior, assediador. Com um ótimo trabalho dos 3 atores, e uma direção sutil, que vai ajustando o foco nos olhares e seu ponto de revelação, deixando para o final um sabor amargo de passagem de rito para uma fase mais adulta e consciente.

Não é a primeira vez que lutamos pelo nosso amor

"Não é a primeira vez que lutamos pelo nosso amor", de Luis Carlos de Alencar (2022) Ótimo documentário que passa um pente fino sobre o movimento LGBTQIAP+ no Brasil a partir dos anos 60, até chegar aos dias do governo Bolsonaro. O filme dedica em sua cartela inicial o filme às trans Priscila, Laysa Fortuna e Kharoline, que foram assassinadas aos gritos "Bolsonaro". O filme começou a ser rodado 1 semana após a vitória de Bolsonaro nas eleições. O filme apresenta as histórias de persgeuição aos homossexuais, lésbicas e travestis no Brasil nos anos 60 em diante, com a força policial usando de truculência. Essa violência acabou fazendo com que as minorias se unissem em grupos. Nos anos 80, vários grupos já estavam lutando à favor da causa da comunidade lgbt. Até então, a população lgbt foi considerada inimiga da família tradicional, da moral e dos bons costumes, sendo retratada de forma pejorativa e jocosa na mídia. Ativistas famosos como Luis Mott e Trevisan dão depoimentos. O filme é fartamente ilustrado com fotos e imagens de arquivo. Passa pelo Aids, pela anistia política e pelos ganhos políticos, como o casamento gay. Mas o que mais me chamou a atenção no filme é quando ele dedica uma parte para falar do racha dentro do próprio movimento lgbt: gays machistas e misógenos foram responsáveis pelo rompimento com lésbicas e negros, e surgiram dissidências lutando por causa própria. Um filme bastante informativo, repassando um importante retrato da comunidade queer e finalizando com a luta contra o governo de extrema direita que surgiu em 2018.

Darker

"Donkerster", de Frank van den Bogaart (2022) Premiado curta de terror co-produzido por Nova Zelândia e Bélgica, "Darker" parte de experiências pessoais do roteirista e cineasta Frank van den Bogaart. Seu pai sofreu um gravde acidente durante uma cirurgia e ficou entre a vida e a morte. Influenciado pela possibilidade de continuar a sua vida sem a presença de seu pai que tanto ama, o cineasta escreveu esse conto de horror que remete aos filmes de horror folk, baseado em lendas celtas. Em uma região isolada, uma comunidade mora próximo à uma floresta onde existe uma lenda, passada entre gerações,d e que uma entidade na floresta, Atlas, se alimenta das histórias das pessoas. A entidade sussurra as histórias dos mortos para as pessoas. O pai de Rheena, uma jovem, conta essa lenda para ela. No dia seguinte, o pai de Rheena desaparece e a família acredita que ele seguiu para a floresta. Rheena se torna determinada a buscar seu pai de volta, entrando na floresta. Com uma excelente atmosfera de pesadelo fabular, "Darker" faz o que o terror tem de melhor: se apropriar do gênero para trazer simbolismos, no caso, a memória e a morte de entes queridos. Um belo conto.

sábado, 15 de julho de 2023

Carmen

"Carmen", de Benjamin Millepied (2023) Famoso dançarino e coreógrafo francês, é casado com a ariz Natalia Portman, tendo coreografado as cenas dela em 'Cisne negro". Agora diretor, Benjamin comanda essa co-produção australiana/francesa livremente adaptada da ópera de Bizet, "Carmen". Após várias adaptações, Benjamin escala como protagonista o irlandês Paul Mescal e a mexicana Melissa Barrera, da franquia "Pânico" e do musical "In the heights". Mas a verdade é uma só: o filme é de Paul Mescal, e ele ofusca totalmente toda vez que aparece em cena. Não só pela seu sex appeal, que chama a atenção sempre, quanto pelo magnetismo. Mescal é atualmente um dos homens mais talentosos e desejados do mundo, e aqui, arrisca na dança e no canto. Melissa não tem chance quando Mescal está em cena, e ess aé a verdade. Talvez só quem roube atenções, e isso porquê é uma diva total, seja a espanhola Rossy de Palma, musa de Almodovar. Melissa é Carmen filha de uma dançarin de flamenco que mora na divisa entre um país latino domionado por cartéis de traficantes, e os Estados Unidos. Quando sua mãe é morta pelo cartel, Carmen atravessa a fronteira clandestinamente para tentar entrar nos Estados Unidos e seguir para Los Angeles. Na travessia, ela e os outros que tentam entrar são confrontados pela polícia, até que ela é salva pelo recém empossado policial de fronteira Aidan (Mescal), que não concorda com o método violento dos colegas, e ele acaba matando um colega de profissão. Aidan e Carmen, procurados pela polícia e pelo cartel e seguem para um bordel com Los ANgeles comandado por Masilda (de Palma), amiga da mãe de Carmen e que irá ajudá-los. O filme brinca com o charme e sex appel de Mescal e na cena que ele é apresentado para Masilda, ela fala em espanhol que o pênis dele deve ser grande, cheia de lascívia no olhar. Infelizmente, o filme não funciona, e justamente pelos números musicais, que são nitidamente enxertados e nada orgânicos com a narrativa, Tivesse fixado somente na narrativa realista, o filem teria ganho muito mais.

God is a bullet

"God is a bullet", de Nick Cassavetes (20223) Adaptado de uma história real, "God is a bullet" é uma ótima trama sobre vingança. A bem da verdade, não traz muitas novidades ao gênero. ma so fato de ser dirigido por Nick Cassavetes, realizador dos romances clássicos "Diário de uma paixão" e "Prova de amor", além de ser filho dos icônicos John Cassavetets e Gena Rowlands, já lhe dá total crédito. Fora isso, o filme tem uma mistura bastante eclética de elenco: do dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau, a musa do terror por "A corrente do mal" Maika Mopnroe, o cult Karl Glusman, que protagonizou cenas de sexo explícito no polêmico "Love", de Gaspar Noé, além de Jamie Fox, antes de sua conturbada internação. Nikolaj é o detetive Bob, conhecido na região da cidade do México, nos Estados Unidos, pela sua idoneidade. Quando sua filha adolescente é sequestrada por uma gangue que cultua ritos religiosos, e sua ex- esposa e o atual marido, assassinados, Bob decide ir atrás do paradeiro da filha. Para isso, ele irá contar com a ajuda de Case (Monroe), uma mulher traumaztiada por ter sido sequestrada quando criança pela gangue e depois conseguiu se libertar e deseja vingança, e do ferreiro interpretado por Jamie Foxx, em papel bem exótico. A gangue é liderada por Casey (Glusman), líder de uma gangue raivosa, que parecem saídos do cult "Os selvagens da noite", uma caicatura de personagens nalvados, tatuados e bad boys e girls. O filme é divertido pela sua caricatura. Os maus são maus, e os bons, fazem qualquer coisa para salvar os seus. As cenas de ação são interessantes e fica nítido a falta de orçamento, mas Cassavettes resolve bem as cenas, contando com o talento do elenco.

Amanda

"Amanda", de Carolina Cavalli (2022) Concorrendo no Festival de Veneza 2022, "Amanda" é um facsinante drama com humor ácido, longa de estréia da roteirista e cineasta Carolina Cavalli. Buscando referência snarrativas e visuais no cinema de Wes Anderson, Mika Kaurismaki, Noah Baumbach e dos gregos Yorgos Lathimos e Athina Rachel Tsangari , "Amanda" tem um humor peculiar e focado no constrangimento e nos tempos mortos. Ambientado em Turin, em belíssima região paradisíaca, traz a protagonista (Benedetta Porcaroli, excelente), uma mulher de 25 anos mas que age como se recusasse a agir como adulta. de família milionária da a'rea farmacêutica, Amanda vive reclusa na mansão, sem fazer absolutamente nada: não trabalha, não estuda e nem tem amigos. Ela morava em Paris, mas decidiu ir morar com a mãe na mansão. Suas únicas amigas são sua irmã mais nova, Amanda, e empregada da família, uma mulher que salvou Amanda de morrer afogada na piscina quando criança. A mãe de Amanda, Viola, cansada de ver a filha sem fazer nada, pede que ela faça amizade com Rebecca (Galatéa Bellugi). Ambas foram amigas quando crianças, ma sperderam contato e não se falaram mais. Rebecca é agorafóbica e se recusa a sair de seu quarto. Mas a amizade forçada com Amanda a traforma aos poucos, e a mãe de Rebecca não gosta da mudança. Com ótimas performances, com aquelas expressões neutras típicas de Wes Anderson, a cineasta Carolina Cavalli surpreende contando uma história inusitada e divertida, com personagens imprevisíveis e um visual acachapante. Eu amei, mas certamente não é um filme para todos os gostos.

O fantasma de Richard Harris

"The ghost of Richard Harris", de Adrian Sibley (2022) Certamente, o fato mais curioso e surpreendente para mim ao assistir a esse excelente documentário sobre o ator irlandês Ricard Harris é que ele se lançou como cantor pop no final dos anos 60 e foi o primeiro a lançar a canção "Maccarthur Park", se tornando um sucesso estrondoso e depois regravada por Donna Summer em 1978. E o feito mais incrível foi ter colocado a canção, de quase 8 minutos de duração, para tocar nas rádios, quando o habitual eram músicas de 2 a 3 minutos. O filme concorreu no Festival de Veneza em 2022, e traz um retrato duro pelo ponto de vista de seus 3 filhos sobre quem era o pai. Os atores Jared Harris, Jamie Harris e o diretor Damian Harris revelam um pai ausente, aocólatra e viciado em cocaína. Para balancear, eles também mostram tremenda admiração com o pai, diretor, poeta e cantor Richard Harris, vencedor da Palma de melhor ator em Cannes por "This sporting life", em 64, e indicado ao Oscar por "Camelot". Harris era bastante versa'til, fazendo drama, comédia, musical, ação e no final d avida, ficou famoso por toda uma nova geração ao dar vida a Dumbledore na saga "Harry Potter", fazendo 2 filmes. Ele faleceu em 2002, aos 72 anos, de câncer e foi substituído no papel por Michael Ganbom. Atores como Russel crowe e Vanessa Redgrave tecem elogios a Harris (Crowe trabalhou com ele em "Gladiador", e Redgrave, em "Camelot". Redgrave havia sugerido a Harris de cantarem as canções do filme ao vivo, ao invés de playback, para dar mais espontaneidade, e revolcionaram a forma de se fazer musicais no cinema. O filme é um ótimo documentário para atores estudarem um ator totalmente entregue aos personbagens, mas que fazia de sua vida pessoal um verdadeiro inferno pessoal para si e sua família.

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Angry Anne

"Annie colére", de Blandine Lenoir (2022) Co-escrito e dirigido por Blandine Lenoir, "ANgry Anne" foi premiado no Festival de Locarno 2022. Protagonizado por Laure Calamy ( do excelente "Contratempos"), uma das melhores atrizes francesas da atualidade, ela dá corpo e alma à Annie, uma operária de uma fábrica de colchões que decsobre estar grávida de seu terceiro filho. Casada com Philippe, ela decide que quer abortar. O Ano é 1973, e o aborto é proibido no país ( somente em 1974 foi aprovada a lei a favor do aborto). Annie procura a MLAC (Movimento pela Liberdade do Aborto e Contracepção) fornecido a inúmeras mulheres antes que o direito ao aborto fosse consagrado na lei. Formado por enfermeiras, professoras, médicas, donas de casa, esse Movimento visava dar apoio à mulheres que desejavam abortar, de forma clandetsina ma scercada de sororidade e empatia das outras mulheres. Ainda assim, milhares de mulheres morrianm na França por graves consequências do aborto clandestino. O filme tem um time de ecxcelentes atores e atrizesm registro naturalista. O ritmo é lento, pois acompanha a jornada de Annie em ganhar forças e descobrir que lutar a favor do aborto era uma porta de entrada para outros movimentos importantes para as mulheres. A direção de arte e figurino são impecáveis, levando o espectador ao mundo do início dos anos 70.

When I'm Her

"When I'm Her", de Emily Schuman (2021) Documentário LGBTQIAP+, "When I'm Her"traz uma inusitada história real do bailarino e professor de dança Michael Cusumano. Ele foi uma criança prodígio e aos 15 anos, já estava no American Ballet Theatre aos 15 anos. Mas a disciplina rígida e a pressão sobre o seu corpo, além de um bullying que sofreu que falavam mal do contorno de suas coxas acabaram fazendo ele dar um tempo e repensar a carreira. Hoje, aos 40 anos, Michael decidiu dar aulas de dança. Só que para poder controlar a sua ansiedade e a sua auto-estima destruída por anos de sofrimento, ele s etraveste de Madame Olga, uma snehora russa com turbante na cabeça, vestido e rosto maquiado em excesso. Nessa caricatura, os alunos se divertem, mas também seguem disciplinados pela sua rigidez de professora. Essa história é tão curiosa que certamente merecia uma versão dramatizada da história. O filme faz uma crítica sobre a rispidez na educação de bailarinos, que destroem seus corpos em prol da perfeição, e destruindo igualmente o emocional.

terça-feira, 11 de julho de 2023

Innocent boy

"Innocent boy", de Brock Cravy (2020) Premiado curta LGBTQIAP+ independente americano, rodado no Sul do país. O filme é um pesadelo neon, uma mistura doida de gêneros e tramsitando pelo experimental. Nesse universo queer, 3 personagens se cruzam em um ambiente desolador: um cowboy serial killer que vaga na estrada; uma trans negra que é viciada em drogas; e Momma, uma cafetina travetsi que aloja garotos d eprograma, entre elesa trans, e os vicia com o leite que emana de seu corpo, tornando-os obedientes. Todos esses caminhos se cruzam em uma noite de sexo e violência. Eu queria ter gostado mais do filme. O desejo de trazer experimentação se sobressai à narrativa, que deixa pontos em aberto. Mas talvez a intenção do diretor estreante seja esse mesmo: trazer sensações, e não costurar as tramas de forma mais esclaredecora.

O crime é meu

"Mon crime", de François Ozon (2023) Eu sou apaixonado pelo cinema de Ozon. Um dos cineasta mais prolíficos e versáteis, trabalha com diversos gêneros. Em "O crime é meu", ele retorna às farsas cômicas, como em "8 mulheres". Aqui, Ozon adapta livremente uma peça teatral escrita por Georges Berr e Louis Verneuil em 1934 e adaptada 2 vezes no cinema: "Cross My Heart" (1946) e "True Confession" (1937). Com um elenco excepcional, que vai dos veteranos Isabelle Huppert, Fabrice Luchini, André Dussolier e as jovens Nadia Tereszkiewicz e Rebecca Marder, o filme traz um olhar feminino sobre o mundo machista da indústria do entretenimento em Paris de 1935. Ali, Madeleine (Nadia Tereszkiewicz), uma atriz jovem, pobre e sem talento, é acusada de assassinar um famoso produtor. A melhor amiga, Pauline (Rebecca Marder), advogada desempregada, a defende no tribunal. Ela é absolvida por legítima defesa e, com isso, uma nova vida de fama e sucesso começa a acontecer por causa do crime. Mas aí entra em cena Odette Chaumette (Huppert), uma atriz que perdeu a fama e trabalho por causa da entrada do cienma sonoro e decide dizer que foi ela quem matou o produtor, para obter a fama para si. Impressionante a modernidade dos temas desse exto escrito em 1934. Cancelamento, novas celebridades, fofocas, machismo, sororidade. COm uma direção de arte impecável, o filme é uma delícia para os olhos, com muito requinte e glamour do universo do cinema e do teatro. Huppert rouba todas as cenas em que aparece. Uma farsa bastante divertida, com o toque de midas de Oozn, um excelente diretor de atores.

Wham!

"Wham!", de Chris Smith (2023) Documentário sobre uma das duplas pop mais bem sucedidas dos anos 80, 'Wham!', formada por George Michael e Andrew Ridgeley. Ambos se tornaram grandes amigos ainda na adolescência na escola, e decidiram formar uma dupla musical. Em 1982, lançaram o primeiro album, "Fantastic", mas as canções não figuraram entre os top 100. 'Wham rap" foi bem de crítica, ao serd estacado pela letra social que falava sobre desmeprego e angústia da adolescencia. Foi somente com "Make it big!", o segundo álbum lançado em 84, que a banda atingou maior notoriedade e sucesso, graças aos hits 'Wake me up before you go" e 'Carelles whisper". Em 1985, fizeram uma viagem à China, sendo a primeira banda pop ocidental a se apresnetar no país comunista. Isso deu ao Wham uma notoriedade fenomenal e viraram assunto no mundo inteiro. A dupla explodiu. O sucesso foi gigante. Mas George Michael acabou tendo conflitos com o sucesso. Tanto a nível profissional- ele desejava escrever canções mais adultas, e o Whem sempre foi criticado por ser bobo e descartável- e pessoal- Michael descobriu-se gay e era cobrado para ser o ídolo das meninas, tendo que manter essa imagem. Quando confessou para seu amigo Andrew que era gay, esse lhe deu total apoio. Em 1986, a dupla fez uma tuen6e de despedida, chamada "The final". A partir desse momento, George seguiu carreira solo, e até o ano de 2016, ano em que morreu aos 53 anos, vendeu mais de 200 milhões de discos. O filme é obrigatório para fãs, repleto de material de arquivo, fotos e depoimentos de ambos.

Sobrenatural- A porta vermelha

"Insidious- The red door", de Patrick Wilson (2023) Patrick Wilson é protagonista de 2 franquias bem sucedidas d eterror: "Invocação do mal" e "Sobrenatural", ambas iniciadas por James Wan. Wan dirigiu as 2 primeiras partes da franquia, inciada em 2010 e seguida por "O capítulo 2", em 2013. "A porta vermelha" se passa 9 anos depois da parte 2, começando com um flashback da sessão de hipnose em Dalton e Josh, filho e pai, aterrorizados pelas assombrações do demônio vermelho que cisma em perseguir Dalton. Possuído, Josh quanse mata a família na parte 2. Com a hipnose, ambos esquecem do passado e seguem a vida adiante. Agora, Josh (Patrick Wilson) está separado de Renai (Rose Byrne). Ela envia o filho do casal, Dalton (Ty Simpkins, desde 2010 na franquia como criança e agora adoelscente. Ao iniciar uma aula de arte na faculdade, Dalton passa a ser atormentado pelas visões dos filmes anteriores. Ao mesmo tempo, Josh também passa a ter visões. Josh acaba indo procurar sua ex-esposa Reina e ela lhe conta sobre a hipnose. "Sobrenatural" não chega a ser uma franquia assustadora, com terror e violência. é mais um filme sobre possessão, mas sem gore, apenas jump scares. Essa parte aparentemente final sela o destino da família, mas fiquei com desejo de ter ficado mais assustado. É um "terror" baixos teores, que só vale para quem de fato curte a série. Wiulson agora acumula a função de diretor, fazendo bem o novo ofício.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

Senior prom

"Senior prom", de Luisa Conlon (2021) Delicado e belo documentário LGBTQIAP+ sobre os idosos da comunidade queer que frequentam o triangle square de Los Angeles. Boa parte dos frequentadores, acima dos 70 anos, frequentaram e estiveream presentes no levante de STonewall em 1967, evento que foi ressponsável pela união da comunidade e que demandou manifestações à favor da causa queer. O filme entrevista alguns dos associados, com histórias de luta, aceitação e saída do armário tardio, já que em sua juventude seria impensável. Um libelo à favor do etarismo, do amor na terceira idade e contra a homofobia. Várias das histórias dariam belos filmes.

Top 10 lugares em São Paulo

"Top 10 lugares em São Paulo", de Akira Kamiki (2018) Simpático curta brasileiro LGBTQIAP+, "Top 10 lugares em São Paulo" traz uma mistura de linguagem documental e de ficção para um romance entre dois personagens gays que se flertam durante um dia na capital paulistana. Fran (Esteban H. Esquivel( é um fotógrafo argentino que está em são Paulo para fazer registros icônicos da capital. Mas durante as suas andanças, ele esbarra com Plinio (Cleyton Nascimento), fotógrafo brasileiro que sugere outros lugares menos conhecidos da cidade. Existe uma barreira linguística: Fran não fala português, e Plinio não fala inglês nem espanhol. Mas a linguagem do flerte é universal. O filme é bem simples, mas com um frescor de um dia da cidade, certamente tendo como referência a trilogia de Richard Linklater.

domingo, 9 de julho de 2023

The blackening

"The blackening", de Tim Story (2022) Uma sátira aos slasher movies, mas pelo ponto de vista dos negros: na direção, no roteiro e nas atuações. Os personagens brancos são os chavões dos perfis duvidosos. O filme não esconde as suas referências: Sexta feira 13"( na trilha copiada), "Jogos mortais", "A cabana da floresta", e o mais direito, "Pânico". Assim como "Scream", os personagens são desafiados a responderem perguntas sobre filmes d t error, mas com persguntas direcionadas aos negros, por exemplo: "Qual o nome do ator negro que está no filme "Pânico", e por aí em diante, deixando claro a crítica para a dramaturgia que geralmente coloca os personagens negros para serem os primeiros a morrer, servindo dee escada para os personagens brancos. Sete amigos negros: Shawn, Morgan, Lisa, Aliison, Clifton, Shanika , Dwayne e King se encontram para um final de semana em uma bacana. Chegando lá ( e claro, passando por um posto de gasolina com tipos estranhos), o grupo se depara com um jogo de tabuleiro chamado 'The blackening", com desenhos de caricaturas das representações de negros. Cada um é obrigado a responder uma pergunta sobre um personagem negro em filme de terror, e caso perca, morre. O filme é uma sátira, e como tal, para não se levar a sério. O que interessa de fato é a mensagem de empoderamento dos negros, que diferente dos filmes citados, aqui ganham protagonismo e se defendem.

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Você pode viver eternamente

Ÿou can live forever", de Mark Slutsky e Sarah Watts (2022) Concorrendo no Festival de Tribeca, "Você pode viver eternamente" é um delicado drama LGBTQIAP+ produzido pelo Canadá. O filme me lembrou bastante do drama com Chloe Moretz, "O mau exemplo de Cameron Post", onde ela interpreta uma adolescente lésbica enviada pelos pais a um centro de treinamento cristão com a finalidade de ser reeducada de sua homossexualidade. Nos anos 90, depois que seu pai morre, a adolescente Jaime (Anwen O'Driscoll) é enviada pela sua mãe para o uma pequena cidade no litoral do Canadá, onde ela vai morar com sua tia ( Liane Balaban ) e tio ( Antoine Yared ) em uma comunidade de Testemunhas de Jeová. Lésbica, Jaime é uma adolescente que não quer se envolver com a religiosidade dos tios, mas é obrigada a frequentar a irmandade. Na primeira reunião da igreja, Jaime conhece Marike ( June Laporte ), a filha do pastor. quando as duas trocam olhares, ficam encantadas uma com a outra. Marike a convida para jantar na sua casa. Logo, elas passam a namorar escondidas. mas a pressão da religiosidade será um empecilho para as duas. Longa de estréia dos diretores e roteiristas Mark Slutsky e Sarah Watts, o filme retrata muito da própria vivência da diretora, ela também lésbica e tendo que frequentar a comunidade Testemunhas de Jeová. Com ótimas performances de todo o elenco, o filme traz um belo roteiro, composto por momentos bastante poéticos e romântico das protagonistas. O desfecho, em aberto, traz uma melancolia que deixará os espectadores ou apaixonados, ou bastante tristes.

A bela e a fera

"La belle et la bete", de Mathieu Morel (2021) Livre adaptação do famoso conto dos irmãos Grimm e com referências visuais à versão de Jean Cocteau, "A bela e a fera" é um filme com sexo explçiito, emoldurado por elementos de fantasia e experimentalismo. O filme é dividido em capítulos, todos apresentados por uma apresentadora vintage ambientada nos anos 80, lendo trechos da obra. Esses momentos são entrecortados pelo encontro do Belo com a Fera, uma versão fetichista e dominitraz da Fera. Logo, os dois se apaixonam e fazem um sexo apaixonado. O filme é bastante curioso e criativo, com uma mescla improvável e kitsch dos programas de tv anos 80 com uma revisitação fetichista do filme de Cocteau.

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Falcon lake

"Falcon lake", de Charlotte Le Bon (2022) Concorrendo na Quinzena realizadores do Festival de Cannes 2022, "Falcon lake" é um romance adolescente que tem uma virada de gênero nos seus últimos 15 minutos de filme. Essa surpresa faz do filme uma fantasia sobre o primeiro amor, aquela paixão que dilacera e machuca. O filme faz lembrar a obra-prima "O versão de 54", sobre um adolescente que tem sua primeira experi6encia com uma mulher mais velha. Aqui no caso, bastien )Joseph engel) tem 13 e Chloe (Sara Montpetit) tem 16 anos. Ambos estão de férias no lago Laurentians, em Quebec. Ali, existe uma lenda urbana sobre um fantasma que perambula pela região. Bastien e Chloe ficam amigos e logo Bastien se apaixona pela jovem e tem sua primeira experiência com ela. mas Chloe é livre, e deseja namorar outros rapazes. Com um registro naturalista na interpretação, o filme tem um ritmo contemplativo. Uma bela primeira direção de Charlotte le Bon, o filme emociona, encanta e no desfecho deixa um tom muito melancólico. Afinal, o primeiro amor é pare sempre?

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Boys on film 22- Love to love you

"Boys on film 22- Love to love you", de Oliver Mason, Thomas Hescott, Michael Elias Thomas, Luis Pacheco e Rafael Ruiz Espejo, Mitchell Marion, Akira Kamiki, Andrew Lee, Jamie Dispirito (2022) Coletânea de 8 curtas LGBTQIAP+ de vários países, boa parte focando no tema de conflitos em relacionamentos. 1) Have We Met Before Divertido episódio onde se conta a forma como os gays fazem pegação ao longo das décadas. Desde o código do lenço no bolso da calça de trás, até pegação no mato e por fim os apps. 2)The act Ambientada no Reino Unido de 1965, ainda sob a vigência da lei contra a pártica da homossexualidade. Gays eram presos e muitos adoeciam na cadeia. Um homem se apaixona por um policial, e ao ser preso, o policial lhe vira as costas, por não sssumir publicamente que é gay. 3) First position Em San Francisco dos anos 80, um jovem dançarino descobre estar com HIV. Ao se relacionar com um homem, ele acaba entrando com conflito se deve ou não continuar com o relacionamento, sem avisar ao parceiro que tem HIV. 4)Winter Uma drag não binária tenta se reconectar com sue pai conservador 5) The Suit Weareth The Man Em narrativa mais experimental, um jovem executivo tem desejos pelo seu chefe, mas a educação conservadora e religiosa de sua m˜ea lhe deixam em conflitos 6) Infinity While It Last O curta é brasileiro. Dois jovens se conhecem em uma festinha. Um dos rapazes é descendente de asiático. O melhor amigo do outro rapaz fica botando pilha dizendo que o relacionamento não vai dar certo. 7) Melon grab Dois adolescentes skatistas passam um dia no skate e rola uma breve tensão sexual entre os dois 8) Thrive Dois homens se encontram no app. Após os exo, um dos rapazes decsobre que o outro tem HIV não detectável.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Frio nos ossos

"Little bone lodge", de Matthias Hoene (2023) Um suspense absolutamente espetacular, "Frio nos ossos" nos lembra o tempo todo do clássico "O homem nas trevas". mas ainda assim, essa produção inglesa, escrita pelo ator Neil Linpow traz uma trajetória própria. A trama é repleta de reviravoltas incríveis e imprevisíveis, e o desfecho é um Deus nos acuda. A tensão é crescente e chega ao nível do insuportável, com inversão de papéis e tudo. E sim, o trabalho de Joely Richardson é primoroso. Que atriz! Uma mãe (Richardson), sua filha adolescente MAisy (Sadie Soverall) e o marido dela cadeirante, moram sozinhos em uma mansão isolada. EM uma noite de tempestade, dois irmãos surgem pedindo ajuda: Matty (Harry Cadby) e Jack (neil Linpow, o roteirista). JAck está ferido e a mãe ajuda a costurar a ferida. No entanto, os irmãos se revelam bandidos que fizeram um assalto ao banco e bateram o carro em um acidente. Eles querem que a mulher ajude a recuperar o dinheiro que ficou no carro acidentado. Não dá para contar mais nada do filme. é se entregar à história e emarbar em uma montanha russa de emoções. Um suspense imperdível e com um roteiro todo costurado em sub-tramas que fecham em uma ótima conclusão.

O segundo rosto

"Seconds", de John Frankenheimer (1966) Obra-prima de John Frankenheimer, concorreu no Festival de Cannes em 1966. O filme encerra a trilogia da paranóia de Frankenjeimer, inciada com "Sob o domínio do mal" e seguida por "Sete dias de maio". Um fracasso comercial, "o segundo rosto" era a esperança de Rock Hudson levantar a sua carreira dramática e ser indicado a prêmios, frustrado após perder o Oscar de ator por "Assim caminha a humanidade" para Yul Brynner. Mas o público que amava os filmes românticos e comédia de Hudson não foi ver ao filme. "O segundo rosto" poderia sre um excelente episodio de "Black mirror" ou 'Além da imaginação". Se apropriando do elemento fantástico para a sua história, o filme traz corajosamente a grande estrela do filme, Rocj Hudson, entrando em cena aos 40 minutos do filme. Outra grande ousadia é uma longa cena de celebração ao vinho onde uma dezenas de homens e mulheres ficam totalmente em nu frontal dentro de uma tina onde são amassados cachos de uva. O filme foi lançado pelo selo Critterion e pôde ter sua qualidade artística revisada após ter sido destruída pela crítica na época. Hoje é um dos grandes cults do cinema americano dos anos 60. Arthur Hamilton (John Randolf) é um executivo bancário de Nova York. Casado e com filho, mora em Nova Yorl. Arthur está desgostoso da vida que leva. Um dia, é procurado por um estranho que lhe oferece um cartão e lhe diz para procurar uma empresa em um endereço. Chegando lá, ele descobre que a empresa oferece a chance de Arthur recomeçara. sua vida do zero: novo rosto, novo nome. Arthur aceita: paga o valor e acorda já na Califórnia, como um artista plástico e solteiro. Quando tudo parecia bem, Arthur, que agora é Tony (Rock Hudson) não está feliz como imaginaria que fosse ser sua nova vida, com tudo o que sempre almejou: casa na praia, lidar com pintura. Com um roteiro primoroso e imprevisível, o grande acerto do filme é ter sido rodado em preto e branco e ter na fotografia o mestre James Wong, que foi indicado ao Oscar. A estética do filme é excepcional, com lentes grandes angulares, câmera na mão e muitos planos e enquadramentos atípicos até para padrões de hoje em dia. Rock Hudson está memorável, e é uma pena que o filme não tenha lhe trazido merecidos prêmios.

sábado, 1 de julho de 2023

Nimona

"Nimona", de Nick Bruno e Troy Quane (2023) O que mais me chamou atenção nessa animação adaptada dos quadrinhos de ND Stevenson é a duração dos créditos finais: 18 minutos!!!!!! "Nimona" já teve a chance de ser adaptada pela Blue Sky e pela Disney, mas ambas desistiram. Não li os quadrinhos, mas a julgar esse ótimo desenho, o filme possui um casal gay com direito a beijo, e uma protagonista atípica. Isso deve ter afastado o interesse das outras empresas. O filme tem muita ação, aventura e como pano de fundo uma história de amizade e traição, e a mensagem que não podemos julgar as pessoas pela aparência nem pelo o que as pessoas dizem sobre ela. Em um futuro que mescla o medieval e o futurista estilo "Blade runner", uma Rainha decide nomear um novo cavaleiro que servirá ao Reino. Acontece que esse cavaleiro, Ballister (Riz Ahmed), não é descendente direto da linhagem da Rainha Gloreth, que há 1000 anos atrás, matou um Monstro que ameaçava o reino. Desde então, os descendentes diretos são nomeados cavaleiros para proteger o reino. Após um incidente onde Ballister é acusado de assassinato, ele acaba sendo salvo da prisão por Nimona (Chloë Grace Moretz), uma ser metamorfa que pode se transformar em qualquer ser. Nimona adora o caos, e ganha a confiança de Ballister, que quer decsobrir quem foi o responsável pelo crime que ele foi acusado. É bem fácil descobrir quem é o responsável pelo crime, e o filme na verdade quem cria um suspense digno de "quem foi". Desde a primeira aparição tá ali, quase uma figura vilanesca da Disney. Mas o que interessa é a história de amizade de duas pessoas consideradas marginais, e de como eles se transformarão após entenderem a mágoa de um e de outro. A sub-trama dos dois cavaleiros apaixonados é tratado com bastante respeito. Toda a sequência final da batalha é muito bem feita, com ótimos efeitos de computação gráfica.

Rick Hudson - Tudo o que o céu permitiu

"Rock Hudson- ALl that heaven allowed (2023) O momento mais cruel e melancólico do filme, que eu não conhecia, é quando mostra a cena que Rick Hudson, já ciente de que estava com HIV, gravava uma cena d ebeijo com Linda Evans no seriado Dinatias', em 1984. Querendo proteger a atriz, Rock, famoso pelos beijos quentes e romÂnticos, fez a cena totalmente mecanizado, sem abrir a boca e sem romantismo. O diretor pediu para regravar várias vezes, e nada de Hudson beijar como deveria ser. Quando Hudson revelou 1 ano depois estar com HIV, a equipe e a atriz ficaram pasmos e chocados com a questão ética do ator. Mas a própria atriz não ficou temerosa, apesar de muitos tablóides dizerem que ela provavelemnte havia sido contaminada. Ela nunca acreditou nessa possibilidade, pois ela soube ão a beijou direito, queria na verdade protegê-la e não lhe passar carga viral.ão que Hudson quando Outro momento também digno de registro é sobre o agente de atores Henry Wilson, famoso na Hollywood dos anos 40 e 50 por escalar ex-soldados e fuzileiros masculinizados e de corpos viris para fornecer aulas de interpretação e dicção e serem a nova geração de homens do cinema. Até os anos 30, os perfis eram mais femininos, como Rudolf valentino, mas com a eclosão da 2a guerra, esse perifl mudou, o público queria homens viris. Rick Hudson acabou sendo um de seus agenciados, e o todos que o procuravam sabiam que tinham que ir para a cama com ele. Já assisti a vários docs sobre Hudson, e todos contam sobre seu início, os filmes, e sua morte por HIV. Aqui além dos pontos acima mencionados, também fala sobre a frustração de Hudson por ter perdido o Oscar de melhor ator por "Assim caminha a humanidade" para Yul Brinner, e sobre ter feito o drama "O segundo rosto", um filme hoje considerado clássico e sua melhor performance, mas na época o público oidou pois não ceitou que Hudson fizesse papéis dendos, queriam vê-lo em romances.