sábado, 22 de dezembro de 2018

O retorno de Mary Poppins

"Mary Poppins returns", de Rob Marshall (2018) Rob Marshall é um DIretor famosos por seus filmes extravagantes. Às vezes acerta, às vezes erra. às vezes fica correto. Acertou em "Chicago", errou feio em "Caminhos da floresta"e ficou devendo em "Memórias de uma gueixa". "O retorno de Mary Poppins" ficou devendo também. O filme não é ruim, longe disso. Mas é o tipo de projeto que eu fiquei me perguntando: "Porquê fazer essa continuação?" . Claro, nós somos fãs do clássico original, tinha Julie Andrews, Dick Van Dyke. Aliás, o que ha de melhor nessa continuação é o elenco: Além de Dyke, tem Emily Blunt (dando dignidade à uma personagem icônica de Julie Andrews e que lhe rendeu o Oscar) , Meryl Streep (responsável por um dos melhores momentos do filme), Angela Lansbury, Emily Mortimer, Ben Wishaw e as 3 crianças bastante talentosas e fofas. Ah sim, tem também Colin Firth de vilão! Mas o que não deu certo para mim? em primeiro lugar, as músicas. são burocráticas, n!ao grudam nos ouvidos depois de acabar a sessão. Depois, o roteiro, que parece cópia escarrada de "Christopher Robin", também da Disney, com o Ursinho Pooh e seus amigos. O que os 2 filmes têm em comum na história? Ambos os personagens , que eram crianças, cresceram e viraram adultos chatos, burocráticos e trabalhando em repartição pública. Tanto Pooh quanto Mary Poppins precisam fazer esses adultos voltar a sonhar como crianças, a acreditar que a imaginação é o motor da criatividade e da vontade de viver. Pois bem, ambos os filmes fracassaram de público. Esses temas adultos acabam deixando o encantamento de fora, e o filme acaba ficando meio deprê. Uma pena. Mesmo assim, existem alguns números musicais bacanas, dignos de Broadway, como a dos Lumes. E a cena musica; de Meryl Streep, virando a casa de pernas pro ar literalmente. Talvez daqui a alguns anos eu dê nova chance ao filme, e pode ser que eu goste mais. Por enquanto, fiquei com desejo.

1985

"1985", de Yen Tan (2018) Meu Deus, esse filme estraçalhou meu coração. Que lindeza, que filme triste! Ambientado em 1985 nos Estados Unidos, o ano em que mais tiveram casos de falecimentos decorrentes do contágio do HIV, o filme narra a história de Adrian, um jovem que saiu de sua cidade Natal em direção a Nova York para estudar e seguir carreira. Um ano depois, ele volta para a sua cidade para as comemorações do Natal com sua família. Mas o que o seu pai, ex-veterano de guerra, e sua mãe, uma evangélica não sabem, é que Adrian veio trazer duas notícias: ele é gay, e ele está em estágio final da AIDS. Com um roteiro soberbo, repleto de diálogos emocionantes, personagens contundentes e críveis, o filme, rodado em belo preto e branco, traz performances memoráveis, em especial, a de Virginia Madsen, que cada vez mais tem trazido atuações memoráveis para as suas participações, principalmente quando elas são mães. O filme tem cenas antológicas: a despedida dentro do carro de Adrian e sua mãe, a revelação de Adrian para sua ex-namorada; e a cena que o irmão pequeno de Adrian, Andre, escuta a fita K7 gravada pelo irmão em sua despedida. Um filme tocante, que certamente ficará um bom tempo no coração do espectador. O desfecho é belíssimo, auxiliado por uma trilha sonora arrepiante de linda. O filme vencei inúmeros prêmios em Festivais Internacionais, e seu diretor nasceu na Malásia.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A história de Joanna

"The story of Joanna", de Gerard Damiano (1975) Adaptação do clássico erótico "A história de O", de Anne Desclos, publicado em 1954 e proibido em vários países. dirigido pelo Mestre do cinema erótico Gerard Damiano, autor ds cults "Garganta profunda" e "o Diabo na carne de Miss Jones", "A História de Joanna" é considerado um dos melhores exemplares do cinema erótico de todos os tempos. O filme foi atualizado para os dias d ehoje. Jason, um milionário excêntrico, conhece uma jovem mulher, Joanna, em um bar. ele a convida para o seu castelo, e ela cede. Ao chegar lá, ela descobre que Jason é adepto de práticas sadomasoquistas. No início Joanna se assusta, mas aos poucos, vai se deixando levar pelo prazer sexual associado à dor. Para a nova geração, essa sinopse será idêntica ao da franquia "Cinquenta tons de cinza", e é. Christian Gray é uma atualização de Jason. O filme aposta bastante no drama, os atores interpretam com dignidade e tem uma ótima direção de arte e figurino. As cenas de sexo são bem cuidadas, com requintes na decupagem. A trilha sonora é composta de música clássica. A curiosidade fica por conta de uma cena sexual inusitada para o padrão de filmes eróticos destinado a público hetero: em uma cena, o mordomo faz massagem em Jason e depois pratica sexo oral nele. Deve ter sido um baita escândalo na época!

Colette

Colette", de Wash Westmoreland (2018) Diretor do excelente drama "Para sempre Alice", com Juliane Moore, Wash Westmoreland comprova o seu grande talento em contar histórias de protagonismo feminino. "Colette" é a cinebiografia da escritora francesa Sidonie Gabrielle Colette, nascida em 1873 e falecida em 1954. A história lembra demais o recente drama com Glenn Close, 'A esposa", e outro filme francês recente, 'Sr e Sra Adelmann". São filmes que têm como protagonista uma escritora talentosa, mas que assina os livros do marido como ghost writer, tendo o esposo como receptor de todas as láureas e prêmios. Cansada de ser subjulgada pelo marido, Willy, Colette resolve se libertar: tem amantes mulheres, se torna atriz, performática e acaba escrevendo livros com sua assinatura (antes, o marido a proibia). O filme é bastante correto e competente na reconstituição histórica: fotografia, trilha sonora, figurino, direção de arte, tudo perfeito. Keira Knightley mostra mais uma vez que é ótima para personificar mulheres de época. O que dá uma sensação bastante estranha, é o fato de ser uma história francesa, ambientada na França, daquela que é considerada a maior escritora francesa do País.. e ser interpretado por um elenco de atores ingleses, falado em inglês!!! Enfim, fico no aguardo de uma versão totalmente francesa para comparar.

Todo clichê do Amor

"Todo clichê do Amor", de Rafael Primot (2018) O Ator e Diretor Rafael Primot é um desses talentos precoces que a gente acompanha há tempos. Na verdade, desde que surgiu o premiadíssimo Curta "Manuel para atropelar cachorros", em 2005. Desde então, ele divide seu tempo entre a direção de filmes, e a atuação nos palcos, cinema e tv. Em 2009, ele começou sua parceria com a atriz Debora Falabella, no ótimo e irreverente curta "Doceamargo". Juntos, já estiveram nos palcos no emocionante e épico "Love Love love". Agora, após a sua estréia no longa com o cult de suspense psicológico "Gata velha mia", com Barbara Paz e Regina Duarte totalmente endiabrada, Primot surge com seu 2o longa. Uma espécie de "Relatos selvagens", mega sucesso argentino dividido em episódios, "Todo clichê do amor" envolve histórias protagonizadas por mulheres intensas, loucas, furiosas, absolutas e perigosas. E os homens? Coitados, todos hipnotizados, nas mãos dessas mulheres insaciáveis e sedutoras. Sim, "Todo clichê do Amor", apesar de ter sido escrito e dirigido por um homem, é embalado por vozes femininas. Elas comandam o espetáculo, que varia de gênero e prosa. Comédia, erotismo, drama, suspense, romance e porquê não, melodrama, daqueles bem apaixonantes, que não tem vergonha de falar "Eu te amo"( que aliás, é dito inúmeras vezes no ato final). Rafael Primot é dos raros diretores que investem no Pop e no popular sem ter medo de ousar, de cair fundo naquilo que propõe. Seu filme tem uma pegada autoral, mas um autoral com abertura para todo tipo de público. É daqueles filmes para se assistir sozinho, acompanhado, em grupo: depende do seu mood, e a experiência poderá ser variada. Das várias histórias ( e como todo filme em episódios, algumas funcionam melhores que as outras), as mais saborosas envolvem um Motoboy (Primot) que é apaixonado por uma garçonete ( Falabella) e faz tudo para provar o seu amor para ela (esse episódio tem também como Estrela a excelente atriz Gilda Nomacce, famosa por ser ladra de cenas). Em outro episódio, temos uma dominatrix ( Marjorie Estiano), que atende um cliente (Eucir de Souza), mas enquanto distribui umas chicotadas nele, atende o telefone para fazer uma DR com seu namorado, um ator pornô (João Baldassarini). No enorme elenco do filme, ainda temos Maria Luisa Mendonça e um excelente time de atores paulistas. Primot dirige o filme com sutileza, e também tem carisma quando está e cena. Destaque para a fotografia de Kaue Zilli, que recentemente fotografou o suspense "O Segredo de Davi", e a trilha sonora de Marcello Pelegrini, responsável pela atmosfera acridoce do filme. Para quem perdeu o filme, ele está em cartaz no Canal Brasil.

Rasga coração

“Rasga coração”, de Jorge Furtado (2018) Oduvaldo Vianna Filho foi um dos grandes escritores brasileiros um grande cronista que retratava cm humor, doc;ura e melancolia, a vida comum das pessoas que transitavam em meio à ditadura, amor, traições, conflitos familiares. "Rasga coração" foi lançada em 1974, anos da morte de Vianinha, aos 38 anos de idade. Ficou anos proibido de ser encenado. Somente mais de uma década depois teve sua primeira montagem. Jorge Furtado, famoso roteirista e CIneasta consagrado, ficou com a missão de levar a peça para as telas. Ele atualizou a história, trazendo-a para 2 épocas distintas: anos 70, em plena ditadura, e o ano de 2013, quando começaram os movimentos nas ruas pedindo um fim à corrupção, liderado por estudantes. Manguary (Marco Ricca) trabalha numa repartição pública há mais de 20 anos. Sua esposa, Nena (Drica Moraes) , é dona de casa. O filho deles, Luca (Chay Suede) está estudando, e começa a participar de liderança estudantil, ajudado pela sua namorada Mil (Luisa Arraes). Inconformados com os rumos conservadores da escola, eles passam a discutir movimento nas ruas. Os pais de Luca não concordam com o rumo do filho, mas ao mesmo tempo, Manguary se lembra de seu tempo de líder estudantil (João Pedro Zappa), e a sua amizade com Bundinha (George Sauma), um artista que vive de trambiques. Manguary também teve seus entraves com seu pai, e parece que, décadas depois, a história se repete. Jorge Furtado sempre foi famoso por escalar atores de peso em seus filmes. Em "Rasga coração", ele conta com a ajuda mais do que luxuosa de atores fortes, que dão suporte a personagens bastante esquemáticos. As frases em sua maioria são aquelas construídas como frases de efeito, mas tudo bem, em um filme onde se discute política e lições de vida e moral entre gerações, isso se torna inevitável. Também me incomodou o tom do personagem de George Sauma, graus acima dos outros personagens. Tudo bem que ele, como Artista, quer ser o vanguarda, o engraçadinho, o prafrentex, mas saiu ficou muito distante dos outros personagens. No mais, destaque total para Marco Ricca, Drica Moraes e Chay Suede, que estão ótimos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Diamantino

“Diamantino”, de Gabriel Abrantes e Rafael Schmidt (2018) Co/ produção Portugal / Brasil, “ Diamantino” conseguiu o grande feito de ganhar o Prêmio de melhor filme da semana da crítica em Cannes 2018. Literalmente, gol na placa dessa produção que tem como protagonista um jogador de futebol, Diamantino, claramente inspirado em Cristiano Ronaldo, o maior jogador do mundo. De bom coração, apaixonado pelo seu pai que é seu treinador e lhe dá conselhos de vida, Diamantino está às vésperas do jogo final que dará o título na Copa da Rússia. Porém, durante um passeio de iate, ele vê um barco com refugiadas. Diamantino nunca tinha visto nada parecido na vida, afinal seu pai e suas irmãs megeras sempre esconderam a realidade da vida para ele. Essa visão o atordoa e acaba fazendo ele perder a partida. Amaldiçoado pelo fã clube e pelo País, Diamantino acaba se transformando, sem ele saber, em um projeto que envolve clonagem, evasão de divisas pro exterior, corrupção e muito mais. No seu caminho, suas irmãs gêmeas que mais parecem ter saído de um conto de “ Cinderela”, uma lésbica que se faz passar por refugiada, uma cientista maluca de cadeira de rodas. Isso aí,o grande feito do roteiro escrito pelos cineastas é jamais se levar a sério. Fala-se de temas atuais, como saída da união europeia, etc, mas tudo em tom de deboche e escárnio. O ator Carlotto Cota encarna com perfeição Diamantino: boa pinta assim como Cristiano Ronaldo, bom rapaz e com uma narração em off absolutamente divertida e infantilizada. Não sei a que tipo de espectador esse filme se destina: mas com certeza, para aqueles de mente livre, em busca de narrativas novas e ousadas e que queiram rir de si próprios e desse mundo tão absurdo que só em ritmo de comédia e de realismo fantástico podemos dar algum tipo de sentido. Efeitos divertidos e aquele ar nostálgico dos anos 80. Vale assistir, irá render muito papo depois da sessão. Produção brasileira da Syndrome filmes de Daniel Hoogs e Felipe Sholl.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

História de borboletas

"História de borboletas", de Marcelo Brandão (2012) Adaptação do conto de Caio Fernando Abreu, "Uma história de borboletas", Esse curta dirigido por Marcelo Brandão e produzido por Cavi Borges tem como protagonistas os jovens atores Juliana Terra e Rafael Primot, ótimos nos papéis de um jovem casal apaixonado mas que devido a circunstâncias inexplicáveis, começam a desenvolver doença mental, no caso, a loucura. André é o primeiro a enlouquecer: ele quebra os móveis da casa, picota papéis, tem pesadelos de noite. Resta para sua esposa interná-lo em uma clínica psiquiátrica. Ao chegar em casa, a mulher começa a se lembrar dos momentos felizes com o marido, e a solidão faz com que ela comece a sentir também os mesmos sintomas dele. O filme tem uma ficha técnica excelente: fotografia delicada de Vinicius Brum, Direção de arte de Abelardo de Carvalho, que aposta na poesia e no lúdico e uma trilha sonora melancólica de Bernardo Gebara que conduz a narrativa sensível de Marcelo Brandão com muita força. Sem diálogos, Marcelo Brandão e sua roteirista Marcela aAcedo apostam no cinema de imagens, onde as palavras se fazem desnecessárias. A cena final é de grande impacto: o casal, no banco da clínica, retirando borboletas de suas cabeças e elas voando sobre eles. Linda metáfora sobre o Amor Louco e livre. https://www.youtube.com/watch?v=xiaBxeL7tJI&t=361s&fbclid=IwAR0mJiq7FP5KSL7OelR6t_6aHhPGsVEW7Noi41M5FZnqpCTkeIgCgEgG8OM

The Fog- A bruma assassina

"The fog", de John Carpenter (1980) Clássico cult do Mestre do Terror John Carpenter, foi o filme lançado logo após o mega sucesso de "Halloween". No entanto, a expectativa em relação a "The fog" foi muita e acabou decepcionando críticos e público. Porém, quase 4 décadas depois, o filme foi alçado ao título de clássico e considerado pelos fãs um dos melhores trabalhos de Carpenter. Novamente escrevendo o roteiro e compondo a trilha sonora, Carpenter conta uma história de fantasmas vingativos. No balneário de Antonio Bay, Califórnia, a cidade vai comemorar os 100 anos de fundação da cidade. No entanto, a chegada de um forte nevoeiro revela a verdade sobre a cidade: há 100 anos atrás, um barco afundou, e com ele, 6 leprosos, incluindo um milionário, derrubado pelos moradores locais que não queriam que os leprosos viessem ao balneário. 100 anos depois, os fantasmas dos leprosos desejam matar os 6 descendentes daqueles que os mataram. Pela primeira vez, a atriz Jamie Lee Curtis, estrela de "Halloween", contracena com sua mãe, a atriz Janet Leigh, de "Psicose". São muitos os personagens no filme, que tem uma estrutura interessante de roteiro: acompanhamos várias histórias isoladas, e somente no final, os personagens irão se encontrar em uma velha igreja. O filme é repleto de atmosfera de suspense, e Carpenter sabe criar esse clima. Visto hoje em dia, o filme parece bastante datado, mas ainda assim é uma deliciosa diversão nostálgica, na época que os sustos não eram provocados por efeitos digitais.

Memória da dor

"La douleur", de Emmanuel Finkiel (2017) Adaptação do livro de Marguerite Duras, "A dor", narra a história de Marguerite, escritora e durante a 2a guerra mundial, uma das líderes do movimento da Resistência francesa e também membro do partido comunista. Seu marido, Robert, também da resistência, foi preso pela Gestapo e Marguerite não consegue nenhuma informação dele. Até que surge Pierre Rabier, um dos delatores franceses que trabalham a favor da Alemanha nazista. Marguerite percebe que Pierre está interessado nela e tenta obter informações do marido, mesmo que seus colegas da resistência sejam contra. Protagonizado por Melanie Tierry, de longe o maior ponto de interesse do filme, "Memória da dor" tem 127 minutos mas parece ter 4 horas. Lento, arrastado, o filme é quase todo narrado em voz off por Marguerite. Mesmo com a super produção, que caprichou na direção de arte, figurino e cenários, o filme não arrebata. Uma tortura assisti-lo inteiro. Mesmo assim, o filme foi selecionado pela França para represestá-lo no Oscar 2019.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Caixa de pássaros

"Bird box", de Susanne Bier (2018) A premiada cineasta dinamarquesa Susanne Bier estréia em seu primeiro filme de terror, baseado no livro de Josh Malerman, publicado em 2014. O filme pega carona no sucesso de "Um lugar silencioso", e também no filme de Shayamalan de 2008, "Fim dos tempos". Em um futuro apocalíptico, o mundo foi devastado por um surto de suicídios, provocado porquê as pessoas enxergam o ar e esse mesmo ar faz com que a pessoa se mate. Para evitar o suicídio, os sobreviventes precisam aprender a andar com vendas nos olhos. Entre os sobreviventes, estão Malorie (Sandra Bullock) e seus 2 filhos pequenos. Ela escuta no rádio amador que um grupo de sobreviventes se encontra do outro lado de um rio traiçoeiro. Malorie precisa atravessar esse rio de olhos vendados, e ainda evitar que internos psiquiátricos que fugiram de um hospício, imunes ao surto, a mate. O filme ainda pega carona no tema da sobrevivência e de que não se pode confiar no ser humano, temas comuns em "The walking dead". Inclusive, um dos personagens tem o nome de Rick. Susanne Bier não fez feio no filme, mas também não trouxe novidades. O filme tem exagerados 125 minutos de duração, e tudo se torna bastante repetitivo. O elenco estelar, que vai de John Malkovich, Jackie Weaver entre outros, aparece na primeira parte do filme, como sobreviventes que ficam enclausurados em uma casa e que não confiam em ninguém. O terror é baixos teores, não tem nenhum susto daqueles de pular da cadeira. Achei também que os vultos do mal, que só fazem sussurrar o filme todo, uma grande bobagem. Mais um filme que quer explorar o lado mal das pessoas.

O beijo no asfalto

"O beijo no asfalto", de Murilo Benício (2017) Cinema e Teatro andaram de mãos juntas em muitas experiências cinematográficas, boa parte muito bem sucedida. "Querelle"e "Lágrimas amargas de Petra Von Kant", de Fassbinder, "Dogville", de Lars Von Triers, "Anna Karenina", onde se expunha a existência de uma coxia com técnicos trazendo cenários. Até mesmo no Brasil tivemos uma tentativa de metalinguagem, com "Todo mundo tem problemas sexuais", de Domingos de Oliveira. A peça "O beijo no asfalto", escrita no início dos aos 60, já ganhou diversas montagens, sendo a primeira com Zilka Salaberry e Fernanda Montenegro. Em 1981, Bruno Barreto fez a versão para o cinema, com Ney Latorraca no papel de Arandir e Cristiane Torloni no papel de Selminha. O Ator Murilo Benício, que tem investido em uma carreira mais autoral, tanto na frente como atrás das telas, estréia na Direção com uma proposta ousada e arriscada: apresentar os artifícios do cinema e do teatro durante a sua encenação metalinguistica. Com um elenco formidável que vai de Lazaro Ramos, Stenio Garcia, Debora Falabella, Fernanda Montenegro, Otavio Muller, Augusto Madeira, o filme mescla leitura de mesa com os atores, comandados pelo diretor teatral Amir Haddad, encenação fictícia e ao mesmo tempo, apresentação de cenários no palco de teatro. Isso sem falar na vida real, as ruas do centro da cidade, logo no início, mostrando a cena do atropelamento. Fosse uma obra atual, diríamos que o tema central seria o "Fake news"e a calúnia virtual. Como o filme é de época, e se passa no subúrbio, o que comanda é a mídia jornalística, encarregada de publicar uma matéria sensacionalista: um homem, Arandir, beija uma vítima de atropelamento na boca, antes desse morrer. Mas o mais surpreendente no filme nem é a peça de Nelson: é a discussão dos atores diante do conservadorismo, quase 60 anos depois da peça escrita, como a violência e a homofobia continuam iguais. Para Atores e Diretores, o filme tem uma espetacular digressão acerca da ARte e do papel do Ator. Presenciar Fernanda lendo o roteiro na mesa, com os outros atores, e dando vida à personagem, é algo impressionante. O elenco está todo formidável, assim como a ficha técnica, principalmente a fotografia de Walter Carvalho, a direção de arte de Thiago Marques e a edição de Pablo Ribeiro. Programa imperdível.

Engano

"Engano", de Cavi Borges (2008) Super premiado curta do cineasta e produtor Cavi Borges, que por sua vez foi parcialmente financiado com prêmios ganhos pelo curta anterior, o igualmente ovacionado "7 minutos". Ëngano" tem a narrativa inspirada no longa independente americano de Mike Figh, "Time code": 4 histórias paralelas rodadas em planos-sequência simultâneos, e que no final, convergiam para uma única história. Cavi rodou com 2 equipes paralelas filmando ao mesmo tempo: uma na estação do metrô, e outra pelas ruas de Copacabana. "Engano" é um filme romântico latino por natureza, e que não tem medo de apostar numa história de amor simples e eficiente. Em 2005, o cineasta argentino Gustavo Taretto rodou um curta que posteriormente virou longa, chamado "Medianeiras", e que também fala sobre o acaso promovendo possíveis encontros de 2 almas solitárias. Mas a proposta de Cavi é mais técnica, inspirado provavelmente na experiência de seu curta anterior, "7 minutos": usar o plano-sequência como um grande desafio de produção e estilístico, assumindo as falhas técnicas que por ventura vierem, pois na organicidade do projeto, tudo está valendo: populares olhando para a câmera, som sujo e com ruídos, câmera tremendo. Nada disso tira o prazer do espectador de se assistir a uma experiência que é Cinema puro, orquestrada pelo improviso dos diálogos proposto pelos próprios atores, que vivem seus personagens com muita verdade cênica, afinal, a experiência dos personagens, é a mesma dos atores: batalhar por um espaço profissional na grande Metrópole que é o Ro de Janeiro. Os atores Filipe Mônaco e Miila Derzett vivem 2 atores gaúchos que vieram ao Rio tentar a sorte Filipe pega o metrô, liga para um número de celular para avisar que chegará atrasado no teste de elenco. Miila atende, diz que é engano. A partir dai, esse inusitado papo telefônico vira a balada de 2 almas solitárias na grande cidade, embalada por uma linda trilha sonora composta por Phylipp Rye. Tudo conduzido com muita delicadeza e simplicidade. Link para assistir ao filme e se deixar levar pelos encantos da produção. https://vimeo.com/282121390?fbclid=IwAR3jWLnapR_k1Z3epTjtqcLwU5yaprmF63WDddEo3UcYKdkgCXJ99WSSUcI

Al Berto

"Al Berto", de Vicente Alves do Ó (2018) Cinebiografia do poeta português Alberto Raposo Pidwell Tavares, mais conhecido como Al Berto, que viveu de 1948 a 1907, morrendo aos 49 anos de idade. Alberto nasceu em uma família da burguesia portuguesa, na cidade de Sines. Com a ditadura de Salazar, a família perdeu sua posse, e Alberto foi estudar pintura em Bruxelas. O filme acompanha a vida de Alberto de 1975 a 1978, logo após o fim da ditadura. Alberto retorna para a sua cidade, Sines, e reassume a mansão da família, apropriando-a indevidamente ( havia sido confiscada durante a ditadura). Alberto passa a hospedar em sua casa, artistas sem teto, e na cidade, fica famosa como uma comunidade hippie e mal vista. Alberto conhece o cantor e poeta João ( irmão do cineasta Vicente Alves) e passam a conviver uma relação intensa e conturbada de amor. O filme fala sobre Arte, homofobia, política e amor livre. Bem dirigido, o filme ganhou diversos prêmios internacionais. O elenco está excelente, e durante o tempo todo me lembrei do filme de Thomas Vintemberg, "A comunidade". As cenas de sexo são repletas de tesão, fotografadas pelas lentes do Mestre português Rui Poças. Ótima direção de arte, figurino e trilha sonora, repleta de canções pop.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Imitation is suicide

“Imitation is suicide”, de Julian Davis (2016) Curta estudantil escrito e dirigido por Julian Davis e vencedor de inúmeros prêmios em Festivais de Cinema americano. A premissa do filme é bastante simples e óbvia: a eterna crítica à tecnologia, que afasta o convívio social. Um jovem apreciador da leitura com livro de verdade se sente acuado quando vê que ao seu redor todas as pessoas estão solitárias e vendo seus celulares. O garoto procura encontrar um lugar aonde ele se sinta à vontade, mas cada vez mais ele fica angustiado. O filme poderia dar ideia a um episódio de Black Mirror, mas é bastante simplório para isso. Mas valeu pela iniciativa e para um filme estudantil está com excelente qualidade, no ritmo e tempo certos. Um belo trabalho. https://youtu.be/Wkc1DQLLCUM

Sequence break

“Sequence break”, de Graham Skipper (2017) Trilher de ficção científica e fantasia independente, escrita e dirigida Graham Skipper, lembra uma mistura alucinada de “Tron”, “ Videodrome”, de Cronemberg e “Christine”, de John Carpenter. De “Tron” é a história de um jovem nerd apaixonado por fliperamas que passa o dia jogando e trabalhando numa loja vintage de fliperamas e se envolve com uma máquina que o leva até outra dimensão. De “ Videodrome” tem a relação sexual entre a máquina e o jovem. De “ Cristina”, a máquina se apaixona pelo jovem e afasta todos que se aproximam dele, incluindo a namorada dele. A cena do garoto jogando a máquina e usando o joystick e os botões como se fossem os seios e o clitóris dela é antilógica e bastante doentia. O visual e a trilha sonora são bastante retrô, super anos 80 repleto de sintetizadores. Pena que o filme tenha sido realizado com tão pouco dinheiro,ele poderia ter rendido bem demais. Muita coisa ficou pobre, e no final das contas, ficou apenas uma homenagem a um gênero e uma época. Vale assistir, mas com ressalvas pela falta de efeitos melhores.

A aparição

“The appearance”, de Kurt Knight (2018) Escrito e dirigido por Kurt Knight, “ A aparição” tenta pegar carona em “ A freira”, “Sherlock Holmes“ O nome da rosa”, mas sem sucesso. Longo e sem ritmo, e com efeitos fracos, o filme se passa na idade média e acontece em uma abadia. No início, um monge é encontrado morto. Um Inquisidor, Mateho e seu assistente, Johnny ( Kristian Nahim, o Hodor de “ Game of thrones”) são convocados para desvendar o crime. Chegando lá eles são mal recebidos pelo Monge Scipio, que é quem comanda a abadia. Outras mortes vão acontecendo, e Scipio acredita que a responsável é a jovem Isabel, que ele diz ser uma bruxa e a sentencia à morte. Mateho precisa correr contra o tempo para provar a inocência da jovem. Jake Stormoen não tem carisma para segurar o protagonista Mateho, e Kristian Nahim está muito mal aproveitado e provavelmente escalado porque seu personagem lembra Hodor. O roteiro é fraco e as cenas de susto não assustam ninguém. Uma pena porque o filme poderia ter sido uma ótima reposta a “ A freira”, com elenco majoritariamente masculino em contraponto ao elenco feminino do outro filme. Mas nem chega aos pés da eficiência de “A freira”.

Roma

“Roma”, de Alfonso Cuaron (2018) No ano de 2009, o Cinema chileno lançou um extraordinário drama chamado “ A criada”, dirigido Sebastian Silva. Com um performance arrebatadora de Catalina Saavedra, no papel da empregada Raquel,o filme conta a história da servidão dessa criada, que trabalha em silêncio para uma família de classe média por 23 anos. As crianças a amam, os pais têm seus momentos de crise e ao mesmo tempo, Raquel, tímida e introvertida, procura resolver suas questões existências. “Roma” poderia ter sido um remake desse longa. Só não o é porque o filme se baseia nas memórias afetivas de Alfonso Cuaron. O filme diz tanto a Cuaron que ele assumiu praticamente o comando do filme: dirige, escreve, fotografa, produz e edita. “Roma” é o “Amarcord” de Cuaron: assim como o filme de Fellini, a narrativa é construída a partir de cenas soltas, rotineiras mas que apresentam momentos de deliciosa afetividade ou de gigantesca dimensão época. A beleza pictórica do filme chama atenção em todos os fotogramas. É impressionante a capacidade de Cuaron de lapidar cada elemento na tela: em quase todos os momentos de externa, vemos situações acontecendo em segundo plano. Há muito tempo eu não via um drama intimista ter uma grandiosidade como “ Roma”. Figuração numerosa,direção de arte, profundidade de campo mostrando em todo o esplendor a locação , sem esconder nada. É uma super produção disfarçada de filme pequeno. Cuaron filme a história de sua empregada Lido, que inspirou a personagem Cleo, ambientada no ano de 1970, no México. Roma é o nome do bairro onde mora a família: casal e 4 filhos, além da avó e de outra empregada, Adela. Acompanhamos essa história pelo período de 1 ano: o casal se divorcia, Cleo engravida de um policial que pratica artes marciais. As cenas sketches seguem na rotina da família mas a partir do segundo ato tudo vai mudando para um cinema mais espetaculoso: a cena da manifestação estudantil é impressionante, assim como o treinamento de artes marciais. Mas nada supera o plano sequência na praia, de Cleo vindo da areia e a câmera a seguindo até a água do mar. É de cair o queixo. Yalitza Aparício impressiona no minimalismo de sua atuação como Cleo. Seria leviano dizer que ela não interpreta porque a atriz seria exatamente assim. Os olhares, as pausas dramáticas, o tempo de cena de Yalitza, são cosas de ator veterano. Ela vai ser uma grande estrela. Cuaron curiosamente homenageia o seu filme anterior “ Gravidade” em uma linda cena no cinema. “Roma” venceu o Leão de Ouro em Veneza 2018 de Melhor filme

Cola de mono

Cola de mono, de Albert Fuguet (2018) Intenso trhiller erótico LGBTQ+ Chileno, repleto de cenas de sexo explícito. E com uma curiosa referência ao cinema de Brian de Palma, principalmente “Vestida para matar”. O filme se passa em 2 épocas: 1986 e 1999 no Chile. Em 1986, os irmãos Borja e Vicente moram com a mãe deles em uma casa decadente. A família perdeu posses desde a morte do pai, por suicídio. Borja deseja ser estudante de cinema e é cinéfilo. Vicente se separou da namorada. A mãe é reclusa e introspectiva desde a morte do marido. Na noite do Natal, a família comemora sozinhos a festa, mas a mãe destrata Borja, dizendo que Vicente é melhor do que ele. Vicente sai pra noite para viver sua vida secreta: ele é gay enrustido, e vai fazer pegação no parque. Borja por sua vez, bebe “Cola de mono”( bebida alcóolica servida no Natal) e entra no quarto do irmão. Ao descobrir revistas de homens nus escondidas, Borja se excita e confessa depois pro irmão que também é gay. O filme tem um tom bastante estranho e bizarro para narrar, mesclando momentos lúdicos com outros bastante crus e realistas. Tem uma pitada de filmografia de Almodovar, principalmente nas cores e na trilha sonora dos anos 80. A segunda parte do filme investe bastante no erotismo, fechando o último ato com uma enorme sequência que acontece dentro de uma sauna gay, repleto de homens nus e bastante sexo. Não é um filme para qualquer um: é forte, fortes cenas de sexo gay e também bastante violência. Confesso que curti essa levada underground do cinema chileno. Os atores se jogam totalmente em seus personagens, visceralidade total.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Chá com as Damas

'Tea with the Dames", de Roger Michell (2018) Não tenho palavras para descrever a maravilha que é assistir a esse fabuloso documentário, que une 4 atrizes nomeadas DAMAS pela contribuição artística ao Teatro inglês. Joan Plowright, Eillen Atkins, Maggie Smith e Judi Dench são amigas de longa data, e há décadas, se encontram na casa de campo de Joan Plowright para falarem sobre tudo: trabalho, teatro, maridos, filhos, envelhecimento, amizade e paixão pelo ofício. Ser testemunha desse encontro dessas grandes Atrizes, unidas pelas lentes do Cineasta Roger Michell, Diretr de "Um lugar chamado Nothing Hill", é um presente para qualquer espectador e artista que queira ouvir declarações sobre o porquê devemos amar a nossa profissão. Divertidas, plenas do fino humor inglês, envoltas em taças de champagne e xícaras de chá e pitadas de ironia, as Damas riem de si mesmas, e quando o tema pesa, elas procuram dar a volta por cima. É muito belo ver que todas elas estão vendo mal, ouvindo mal e com ajuda de aparelhos e nem assim, lamentam sobre suas doenças. É muita lição de vida. O filme convida o espectador a se deliciar com muitas risadas e quem sabe, melancolia por uma vida que não volta mais, porém, eternizadas pelos registros de filmes e peças de teatro. Tem uma cena onde Judi Dench assiste a registros em 16 MM de trechos de peças que ela encenou nos anos 50, e ver que ela se recorda dos nomes dos artistas, de suas falas, é algo de comovente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Ponto cego

"Blindspotting", de Carlos López Estrada (2018) Escrito e protagonizado pelos amigos Daveed Diggs e Rafael Casal, nos papéis dos também amigos de longa data Collin e Miles, "Ponto cego" venceu inúmeros prêmios em Festivais de Cinema independente, competindo inclusive em Sundance 2018. Ambientado na periferia de Oakland, California, o filme começa com Collin recebendo condicional por um ato de vandalismo que ele cometeu quando trabalhava como segurança em um bar: atacou um cliente. O tempo passa, e faltam 3 dias para finalizar a condicional de Collin e ele receber o salvo conduto definitivo. Collin trabalha como funcionário de uma empresa de mudanças, e Miles trabalha com ele. Miles é um sujeito explosivo e que se irrita com facilidade, e esse seu temperamento pode estragar a condicional de Collin. Achei o filme superestimado. Ele é bom, tem bons atores, mas nada excepcional que justifique os prêmios em larga escala. O personagem de Miles é irritante, e torci o tempo todo para ele se ferrar. Me irritou também essa lealdade de Collin à amizade de Miles um pé rapado que só estraga tudo. Como os 2 atores são amigos na vida real e os roteiristas, estava claro que ele não iriam estragar essa amizade na tela, e deixar claro para todos os espectadores, que apesar de tudo, o que importa são os amigos. Mesmo que eles estejam errados.

O fim? O Inferno fora

"In un giorno la fine", de Daniele Misischia (2018) Dirigido e co-escrito pelo cineasta italiano Daniele Misischia, esse filme de zumbis tem todos os clichês que se pode imaginar dentro do tema. A referência mais óbvia é "Exterminio", de Danny Boyle. A diferença é que aqui, o roteiro é ruim, os efeitos, toscos, e o ritmo uma chatice só. Mesmo com o sucesso de anos da série "The walking dead", as produções insistem em produzir efeitos inferiores ao da série, o que é inconcebível. Claudio Verona é um jovem homem de negócios, que segue para o seu escritório. Claudio é arrogante, e destrata a todos. AO chegar no prédio, ele fica preso no elevador. Logo, ele percebe que está acontecendo um apocalipse zumbi, e trancado no elevador, ele testemunha os ataques, e ao mesmo tempo, tenta encontrar uma forma de fugir dali. Não espere nada de novo no filme: como quase 85% dele acontece dentro do elevador, o filme fica monótono, e as cenas de ação são bem escassas, por conta do baixo orçamento do projeto. Os atores são fracos, e a todo tempo a maquiagem procura fazer referências aos zumbis de Lucio Flcci ou Lamberto Bava, mas sem sucesso. Esses cineastas foram referências nos filmes trash. O Diretor Daniele Misischia quiz fazer um filme sério, e o resultado ficou bem fraco. Não assusta, e pior, o protagonista é uma antipatia só, não há cristão que se simpatize com ele ou que deseje que ele sobreviva.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Aquaman

"Aquaman", de James Wan (2018) James Wan é uma mina de ouro. Ele concebeu as franquias de terror milionárias "Premonição" , "Invocação do mal", "Sobrenatural"e "Jpgos mortais". Agora, depois do mega sucesso de "Velozes e furiosos 7", ele investe novamente no cinema de ação. Em "Aquaman", suas referências vêem todas de clássicos cults e cafonas dos anos 80: "Flash Gordon", "Duna", "Tron", Caçadores da arca perdida", além de pitadas de "Star Wars". Para os nostálgicos, vai ser uma festa identificar tantos filmes queridos pela cultura nerd pop. A trilha sonora também idolatra os anos 80, com os deliciosos sintetizadores. Tudo é muito colorido, cafona, e chega a ser brega, mas com aquele charme irresistível do Kitsch, seja na direção de arte ou nos figurinos carnavalescos. A origem do Aquaman e a sua missão de assumir o trono de Atlântida tem como sub-plot o amor de seus pais, um humano e uma representante de Atlantida, a Rainha Atlanna, representada por uma Nicole Kidman apuradíssima e emocionante. Nesse elenco dos Deuses, tem a participação luxuosa de Willen Dafoe, como uma espécie de Mestre Yoda, de Patrick Wilson, ator fetiche de James Wan, como o vilão ( lembrando o mote de "Thor" e a briga entre os irmãos pelo trono) e da ótima Amber Heard, como a princesa Mera, uma espécie de Ariel de cabelos ruivos e "A pequena sereia". Os efeitos são exagerados, mas como disse anteriormente, com um charme mega kitsch dos anos 80. Quem se entregar a esse jogo escalafobético de cores e emoções, com direito a ótimas cenas de ação e de humor, irá se divertir bastante. Jason Mamoa é um carisma só, grandalhão e de bom coração.

Depois da chuva

"Depois da chuva", de Cavi Borges (2017) Realizado em Cataguases, Minas Gerais, município que possui um Polo de Cinema, "Depois da chuva" é um curta que comemora os 20 anos da Produtora de filmes independentes Cavideo. Roteirizado e protagonizado por Patrícia Niedermeier, o filme explora e expõe os sentimentos aprisionados de uma mulher, que mora sozinha e que trabalha em uma fábrica textil. A prisão se mostra tanto em sua casa, uma construção retangular apática, quanto em seu trabalho, onde ela é obrigada a colocar um fone de ouvido para poder fugir do barulho ensurdecedor das máquinas. A mulher não pode sequer movimentar seus braços em liberdade, pois corre o risco de ter os mesmos engolidos pela força das máquinas. A mulher busca sua liberdade através de sua escrita, com seus únicos companheiros, seu caderno e sua caneta. A música a leva a um outro lugar, distanciado, reflexivo. No silêncio dos fones de ouvido, ela se imagina em um outro lugar, escutando música clássica. Uma linda e talvez inconsciente referência ao filme "Dançando no escuro", de Lars Von Triers. Ambos são inusitados musicais que têm nas máquinas e no seu barulho, a trilha sonora perfeita para falar de dilemas, solidão, opressão feminina. E na linda cena final, debaixo de uma chuva torrencial, uma outra homenagem a um dos grandes clássicos do cinema, "Cantando na chuva". O Diretor Cavi Borges retrata essa metáfora da libertação tendo como pano de fundo um relato da mulher dizendo ter se libertado sexualmente, revelando aos pais a preferência por mulheres. Tudo orquestrado com muita delicadeza, um profundo estudo da música e dos ruidos como um segundo filme por trás do que estamos vendo, uma aula aprendida provavelmente com a grande diretora argentina Lucrecia Martel, que traz no som angustiante e incomodo, a psiocologia de seus personagens.

Vigia

"Vigia", de João Victor Borges (2018) Curta LGBTQ+ exibido em diversos Festivais e produzido pelo curso de Cinema da UFF, apresenta a improvável amizade entre um segurança de um supermercado, Magno, que trabalha ali há 13 anos, e Bismarck, um caixa gay de cabelos pintados de rosa. Na rotina do supermercado, Magno achaca clientes, Bismarck sofre homofobia. Quando eles voltam todo dia para casa, dividem o mesmo BRT e vão ficando cada vez mais íntimos. Dosando bem drama e leves traços de comédia, o filme trata de temas como homofobia e dá voz a pessoas invisíveis, um caixa e um segurança de supermercado, e que nas palavras de Bismarck, "eles desaparecem quando colocam uma farda aos olhos das pessoas". Com um belo trabalho dos 2 protagonistas, o filme é bem dirigido e um tem um ótimo roteiro. PArabéns ao realizador, que mesmo tendo um currículo ainda tão curto, conseguiu realizar um filme de gente grande, com bastante segurança e profissionalismo.

Sandra chamando

"Sandra chamando", de João Cândido Zacharias (2017) Curta vencedor do Prêmio Feliz no Festival do Rio 2017, dedicado a filmes com temática LGBTQ+, "Sandra chamando"tem como base experiências vividas pelo próprio cineasta. O filme começa com um jovem casal gay transando com muito tesão. Terminando o sexo, eles se encontram na cozinha, tomando um café, apáticos. Um deles comenta estar ainda em luto, por conta da recente morte de sua mãe. O outro relata ter vivido a mesma experiência da perda. Os dois abrem seus corações e se conectam. Delicado, econômico na decupagem, filmado com poucos planos e focando a historia totalmente em seus atores, os ótimos Maurício Barcellos e Igor Mo. De quebra, o filme ainda tem a bela fotografia do Mestre Rui Poças, um dos maiores fotógrafos portugueses da atualidade.

Terra de sombras

"Terra de sombras", de Charlie David (2018) Longa LGBTQ+ Canadense composto por 3 curtas, que têm em comum a morte como fio condutor das tramas. No 1o episódio (Narcissus) , ambientado em 1928, um médico promove uma festa para convidados e faz deles suas cobaias para experiências. Uma jovem, apaixonada pelo médico, tenta se suicidar, sem perceber que ele é narcisista e somente pense em sua própria beleza. O 2o episódio se passa em 1951, em um acampamento militar. Dois soldados gays, apaixonados um pelo outro, decidem comunicar aos outros sobre a sexualidade deles. No entanto, enquanto tomam um banho de rio, encontram um homem misterioso. No 3o episódio, ambientado em 2018, um homem em luto pela morte de seu parceiro, decide pintar a imagem dele. As tramas possuem um olhar estilizado, bem ao estilo de Derek Jarman, famoso cineasta inglês que abusava da estética gay, exagerando em cores, vestuário, direção de arte e trazendo interpretações afetadas.Os dois últimos episódios apresentam elementos de realismo fantástico. O filme, na verdade, carece de ritmo, e as 3 histórias são bem ruins. A última abusa do melodrama, e o próprio diretor protagoniza a trama. Os atores de uma forma geral são fracos, apesar da beleza de todos eles. O diretor explora a sensualidade, sem ser vulgar. Faltou dar mais consistência ap filme.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Maria Callas - em suas próprias palavras

“Maria by Callas”, de Tom Volf (2017) Comovente documentário que faz um retrato pungente da maior Diva da ópera de todos os tempos, Maria Callas, que nasceu em Nova York em 1923 e morreu em 1977, de ataque cardíaco. O filme se apropria da mesma linguagem narrativa do documentário "Ingrid Bergman": através das trocas de cartas ( aqui, entre Callas e sua professora e mentora, Elvira de Hidalgo), expondo momentos íntimos, o diretor Tom Volf usa as vozes de Fanny Ardant e Joyce DiDonato para dar vida ao martírio existencial de Callas. Desde criança, ela sofreu pressão dos pais para se cantora e não viveu sua infância e adolescência como uma pessoa comum.. Já adulta, cantou em óperas e ganhou a fama imediatamente. Bajulada por uma massa de fotógrafos e jornalistas sensacionalistas por onde quer que andasse, Callas se ressente de uma apresentação que fez em Roma e por conta de uma bronquite, ela cancelou o espetáculo. Acusada de Prima Dona e de tempestuosa, a imprensa caiu de pau nela, o que a deixou deprimida. O filme apresenta muitos casos de rusgas profissionais de La Callas, além do foco principal no terceiro ato: a sua separação com um milionário e o caso com Artistoteles Onassis, multimilionário grego, que depois a abandonou para se casar com Jackie Kennedy. Todo esse imbroglio foi fartamente coberto pela imprensa, deixando-a reclusa. Callas dá depoimentos maravilhosos para vários jornalistas, e o discurso onde ela fala sobre o Artista e sua arte é antológico. Um dos melhores nmomentos é quando um jornalista entrevista fãs de Callas me Nova York, que ficaram dias na fila para comprar um ingresso e respondem perguntas sobre o que ela representa para eles. Um filme obrigatório.

Tinta bruta

“Tinta bruta”, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (2018) Diretores de "Beira-mar," drama independente que fez burburinho em Festivais, em "Tinta bruta" o sucesso veio através de prêmios em importantes Festivais no mundo: Teddy no Festival de Berlin (Destinado a filmes LGBTQ+), Chicago, Festival do Rio (Melhor filme, ator e ator coadjuvante), entre outros. O tema do filme se assemelha bastante ao do brasileiro "Luna", de Cris Azzi. Um adolescente solitário resolve criar uma persona para poder se exibir na web. Ao contrário da protagonista de "Luna", Pedro (Shico Menegat) se expõe com o codinome "Garotoneon"para poder ganhar dinheiro. Ele tira a roupa, se masturba, faz sexo, e os fãs virtuais depositam tolkiens. Um dia, Pedro chama um concorrente que usa o mesmo artifício da tinta neon, Leo (Bruno Fernandes) e tomar satisfação, mas acabam se apaixonando e se apresentando em dupla na web. O filme é dividido em 3 capítulos: Luiza (irmã de Pedro), Leo e Garotoneon. O filme é bem dirigido, mas o roteiro estica demais a história, se extendendo além da trama principal. existem muitos sub-plots, e o do processo é o que me pareceu solto. Os atores atuam no registro do naturalismo, quase monocórdicos, uma opção narrativa. O que mais gostei no filme foi a fotografia e a trilha sonora.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

100 dias no comando

"Sto dney do prikaza ", de Hussein Erkenov (1991) Um dos últimos filmes realizados na União Soviética comunista, foi filmado em 1990 e desde então, banido, só tendo sua primeira exibição pública 4 anos depois, no Festival de Berlin. O Cineasta Hussein Erkenov filmou o longa em instalações militares reais, e seu elenco é todo formado por soldados de verdade. O governo se sentiu traído pelo filme, que tem uma forte mensagem anti- militarista e anti-comunista. O filme apresenta dia a dia de jovens soldados do Exército vermelho: os maus tratos de seus superiores, o bullying, os banhos coletivos, a hora da refeição, o dormitório e os treinamentos. Sem uma narrativa coesa, o filme é uma colagem de cenas soltas, como pequenos sketchesm alternando momentos realistas com outros surrealistas. O filme lembra bastante a filmografia de Tarkovsky e Alexander Sokurov, abusando dos filtros e dando aquela sensação de estarmos vendo um sonho de algum personagem. Se tivesse sido rodado hoje em dia, o filme teria sido igualmente banido em muitos países: ousado, apresenta uma cena onde um menino de uns 10 anos fica totalmente nu, dormindo ao lado de um soldado na cama; outra cena escandalosa é a de um Coronel fazendo "Golden shower" em um soldado que está dormindo, e um outro que assiste, se excita. E se preparem para uma das cenas mais eróticas, sensuais e homoeróticas que você ja terá visto na sua vida: um banho coletivo, onde duplas tomam banho: um deitado, e o outro passando esponja no corpo todo do parceiro. é uma cena incrivelmente bela e excitante.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Rir ou morrer

"Suomen hauskin mies", de Heikki Kujanpää (2018) Comovente drama finlandês, baseado em uma incrível história real. No ano de 1918, na Finlândia, revolucionários lutavam contra a invasão Alemã, que queria instaurar um reino em seu País. O Comediante Toivo Parikka foi um dos líderes da revolução e acabou sendo preso com toda a sua trupe teatral. Condenados à morte por fuzilamento, são salvos por uma aposta do general alemão: Caso eles montem uma comédia e façam toda a tropa do General, inclusive ele, rirem, eles serão salvos. Mas como montar uma comédia em um verdadeiro cenário de horror, onde mais de 20 mil presos fora fuzilados, em uma ambiente de fome, angústia e medo? O filme é uma homenagem brilhante aos Artistas e o seu Amor à arte. Com personagens carismáticos, o filme conquista pela humanidade do roteiro, que consegue trazer elementos de humor a um drama tão intenso. A trupe teatral, um verdadeiro exército de Brancaleone, é composto por atores de grande potência, com destaque para o protagonistaçMartti Suosalo. Bela direção, trilha envolvente, e diálogos inspirados.

Todos os Paulos do mundo

"Todos os Paulos do mundo", de Rodrigo de Oliveira e Gustavo Ribeiro (2018) Com texto escrito pelo próprio Paulo José, o documentário afetivo "Todos os Paulos do mundo" se apropria do título do clássico de Domingos de Oliveira, "Todas as mulheres do mundo", para homenagear o Ator e Diretor até então de 81 anos de idade, e que desde o ano de 1992, foi diagnosticado com o Mal de Parkinson, que limitou as suas participações em filmes e novelas tanto como Ator e Diretor, mas não o impediu de trabalhar em filmes elogiados pela crítica como "O palhaço", de Selton Mello, e "Nosso País", de André Ristum. Paulo José nasceu em Lavras do Sul, Rio Grande do Sul, e veio para o Rio de Janeiro contra a vontade de sua família. Seu primeiro trabalho como Ator foi no longa de Joaquim Pedro de Andrade, "O Padre e a moça", e no mesmo ano, realizou "Todas as mulheres do mundo", de Domingos de Oliveira. Depois vieram clássicos como "Macunaíma", "O Rei da vela", "edu coração de ouro", entre outros. O filme tem narração em voz off de vários Atores amigos de Paulo, narrando trechos de sua vida profissional e pessoal, quando foi casado com Dina Sfat e atualmente, com Kika Lopes. Mariana Ximenes, Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Fernanda Montenegro, são alguns dos amigos que prestaram homenagem ao Ator. O filme , que tem um excelente trabalho de edição, a cargo de Mair Tavares e Tina Saphira, reúne trechos de muitos trabalhos de Paulo José. Para fãs e para Atores, o filme é um belo testamento para se desvendar e estudar a Arte desse grande Mestre.

domingo, 9 de dezembro de 2018

O mistério de Silver Lake

"Under the Silver Lake", de David Robert Mitchell (2018) No ano de 2014, o filme anterior do Cineasta David Robert Mitchell, "A corrente do mal" foi uma das grandes sensações do Festival de Cannes. Misturando uma homenagem aos filmes de terror dos anos 80 com a metáfora da Aids, o filme conquistou crítica e público. "O mistério de Silver Lake" concorreu no Festival de Cannes 2018 na competição oficial, e muitos críticos o consideraram o pior filme do evento. O Apogeu e o declínio de David Robert Mitchell perante os críticos aconteceu porquê era quase unânime de que o Universo onírico e surrealista de David Lynch seria irreproduzível. Muitos comentaram que esse filme seria uma tentativa de reproduzir "Mullholand Drive", mas na minha opinião, ele se aproxima mais de "Vício inerente", de Paul Thomas Anderson, de "Medo e delírio", de Terry Gillian e da referência mais explícita, "Um corpo que cai" e "Uma janela indiscreta", de Alfred Hitchcock. É uma tarefa bastante difícil dizer do que se trata "O mistério de Silver Lake", e pior, tentar entender porquê o filme tem a duração de quase 140 longos e intermináveis minutos. Sam (Andrew Garfield) é um desempregado que mora em Los Angeles, e está prestes a ser despejado de seu apartamento por falta de pagamento. Em sua varanda, ele costuma fumar maconha e observar as mulheres que moram ao seu redor. Uma das mulheres é a jovem Sarah (Riley Keough). Eles acabam se conhecendo, e Sarah o convida para vir no dia seguinte. Na vizinhança, existe um assassino de cães que assusta os moradores. Quando Sam retorna no dia seguinte, descobre que Sarah "desapareceu". Sem estar convencido de que a jovem se mudou, Sam resolve dar uma de detetive vai atrás de seu paradeiro. O filme apresenta vários elementos surrealistas: animais que caem do céu, mulheres que latem, uma canibal. Se tudo é delírio de Sam, fica difícil saber. O roteiro é bastante confuso, e provavelmente, o Diretor e roteirista David Robert Mitchell não se importa muito se o público irá ou não compreender o seu filme. Resta se deixar levar pela atmosfera e pela doideira do projeto, que apresenta linda fotografia. Só lamento que o diretor não tenha conseguido lançar um filme tão primoroso quanto 'A corrente do mal". Andrew Garfield está divertido no papel desse maluco beleza, e em várias cenas aparece semi-nu.

sábado, 8 de dezembro de 2018

A vida em si

"Life itself", de Dan Fogelman (2018) O gênero melodrama, por décadas, sempre foi um dos mais populares entre os espectadores. O público de uma forma geral sempre amou histórias emocionantes e que faziam as pessoas saindo do cinema chorando. No entanto, a crítica sempre torceu o nariz, considerando os filmes como sub-produtos. Não está sendo diferente com "A vida em si", escrito e dirigido por Dan Fogelman, mais conhecido como o autor e realizador da série"This is us". A revista "Rolling Stones", afirmou que é o pior filme de 2018. Para quem assistir ao filme, vai se perguntar o porquê: é um filme decente, com bons atores defendendo os seus personagens (Oscar Isaac, Olivia Wilde, Annete Benning, Antonio Banderas) As locações variam entre Nova York e a área rural da Espanha, belamente fotografas. A trilha sonora, como manda a cartilha do melodrama, é adocicada e melodramática para intensificar emoções. E tenho que confessar: amo melodramas. Mas quem não curte, fique muito afastado do filme. Ele não tem nenhum pudor em forçar situações que provoquem lágrimas ou sofrimento por parte do espectador. O filme acompanha várias gerações de duas famílias. O roteiro apresenta uma premissa: quem deve narrar o filme? Quem é o "Herói"de sua história? Assim, acompanhamos vários personagens , divididos em capítulos, e dessa forma, passar um pente fino nos familiares que circundam determinando personagem. Todas as relações envolvem casais, que por sua vez envolvem tragédias, e que por sua vez, culminam em mortes. No 1o capítulo, acompanhamos o casal Will e Abby (Isaac e Wilde). Não posso dizer quem surge nos outros episódios, pois citar os personagens configuraria spoiler na estrutura desse filme. Eu adorei a montagem e o uso dos match cuts, provocando aquele efeito de surpresa com personagens que mudam de ator. Um belo filme, prejudicado por uma longa duração e excesso de personagens, mas ainda assim, cativante.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O mundo a seus pés

"Le monde est à toi ", de Romain Gavras (2018) Longa de estréia de Romain Gavras, que vem a ser o filho de um dos maiores Cineastas gregos da história, Costa Gavras. Realizador de video-clips, Gavras encontrou na filmografia do inglês Guy Ritchie e dos irmãos Coen, a inspiração para essa sua comédia de humor negro, repleta de cenas de ação e violência. O filme tem como protagonistas, traficantes, vigaristas, trambiqueiros e gangues do submundo. Farès é um jovem traficante que quer sair da vida do tráfico e abrir uma franquia de sorvetes no Norte da África. Ele tem bom coração, e portanto, não consegue dar certo no mundo do crime. Sua mãe, Danny ( Isabelle Adjani) é uma vigarista que vive de dar golpes nos outros. Seu pai é Henri (Vincent Cassel), um dos vários amantes de sua mãe e totalmente psicopata. Para bancar seu sonho, Frerés resolve realizar uma última missão, que claro, dá totalmente errada. O filme se passa na França e na Espanha, e foi exibido na Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2018. O que prende a atenção do filme, é o ótimo trabalho do elenco, em especial, Isabelle Adjani, em um papel totalmente diferente de tudo o que ela já fez, interpretando uma perua Bitchy. Cassel está ok, naqueles seus papéis de loucos que o celebrizaram. A jovem Oulaya Amamra, do filme "Divinas, interpreta Lamya, a namorada de Frerés, igualmente ambiciosa. é um passatempo divertido, bem filmado, com ótimas tomadas aéreas e bela fotografia. A trilha sonora é repleta de músicas pop dos anos 70 aos dias de hoje. O roteiro é que peca, indeciso entre contar uma comédia ou um filme de ação. O protagonista, Karim Leklou, de "O profeta", não tem muito carisma para carregar um filme nas costas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Assento na sombra

"Seat in shadow", de Henry Coombes (2016) Longa de estréia do curta-metragista e Artista plástico inglês Henry Coombes, "Assento na sombra"lembra os primeiros filmes do cineasta e Designer Peter Greenaway, realizador famoso nos anos 80 e 90, pela sua mistura rococó de cinema e artes plásticas. Henry Coombes segue os passos de Greenaway, inclusive na temática do homoerotismo e do olhar barroco e bizarro sobre personagens excêntricos. Albert está na faixa dos 60 anos, é um artista plástico e Psicoterapeuta. Uma amiga das antigas o procura, e pede que Albert atenda seu neto, um jovem homossexual desencantado com a vida, e com uma relação conturbada com seu namorado possessivo. "Assento na sombra" já nasceu datado. Peter Greenaway e Derek Jarman já fizeram esse filmes nos anos 80. Henry Coombes poderia até dizer que fez uma reverência a esses cineastas, mas o filme é tão chato e metido à cult. Nem as cenas de sexo se salvam, são burocráticas e sem tesão. Tem uma cena mega trash, um pesadelo do psicoterapeuta, imaginando dar à luz um ser monstruoso com um pênis gigante. Horroroso.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

De repente uma família

"Instantly family", de Sean Anders (2018) Comédia dramática dirigida e escrita pelo mesmo realizador das comédias "Pai em dose dupla 1 e 2", com Mark Whalberg, que também estrela esse filme, junto da excelente Rose Byrne. Ambos são o alter ego do próprio Sean Anders e narra o seu processo de adoção e adaptação de 3 irmãos latinos, filhos de uma mulher viciada em crack. Pete (Walhberg) e Ellie (Byrne) formam um casal na faixa dos 40 anos que sonha em ter filhos, mas devido a idade deles, acham que estão velhos para terem um. Por conta disso, resolvem adotar uma criança já crescida. O que eles não esperavam é que fossem adotar uma, mas 3 irmãos de uma única vez, e cada um com um problema de adaptação. O roteiro dosa bem comédia e drama, dando chance para cenas antológicas de humor puro, eu mesmo ri muitas vezes no cinema. Some-se a isso, o elenco mega talentoso: além dos ótimos Walhberg e Byrne, tem o apoio muito luxuoso de Octavia Spencer, Joan Cusack, Margo Martindale ( a carteira do último episódio de "Paris eu te amo") e as crianças, com destaque para a talentosa Isabela Moner, no papel da difícil e complexa Lizzy, a filha adotiva de 15 anos ( ela está em "Transformers" e "Sicario 2". A direção de Sean Anders retrata com muita emoção a realidade do processo de adoção nos Estados Unidos, e é lindo constatar que lá, casais gays, mães solteiras, casais heteros, independentes de sua raça ou credo, têm a oportunidade de adotar uma criança ou adolescente. Altamente recomendado.

Los silencios

"Los silencios", de Beatriz Seigner (2017) Muitos críticos compararam o premiado filme de Beatriz Sergner ( que também escreveu o roteiro) à filmografia do Realizador tailandês Apichatpong Weerasethakul, especialmente seus filmes “Tio Bonmee” e “Cemitério do esplendor”. Ambos os filmes lidam com o realismo fantástico e com aa aparição de fantasmas que convivem com os vivos. “Los silêncios”, que foi exibido nos prestigiados Festivais de Estocolmo e San Sebastian, venceu os prêmios de melhor direção e dos críticos da Abracci no Festival de Brasília 2018. O filme narra a história de Amanda, mulher que se muda para Letícia, chamada de a Ilha da Fantasia, que fica na tríplice fronteira entre Colômbia, Brasil e Peru. Ela foge da luta armada em seu País, Colômbia, junto de seus filhos. Seu marido (interpretado por Kike Diaz) está desaparecido, e por conta disso, ela não consegue receber indenização. Os habitantes do local a olham com desprezo, e Amanda encontra resistências para procurar um trabalho. Seus filhos tentam se adaptar à rotina do local, em meio à escola e convívio com os moradores. O filme tem uma direção delicada de Beatriz Seigner, que aposta no olhar documental para registrar o dia a dia dos personagens. O filme também se apropria das locações e da iluminação natural da região para trazer uma fotografia imponente, mágica, que condiz com o olhar lúdico. No entanto, o ritmo bastante lento da produção pode prejudicar uma parcela maior de público que poderia apreciar o filme. É um Filme de Festival, para cinéfilos, assim como os filmes da grande referência citada pelos críticos, Apichatpong Weerasethakul. O desfecho, um grande ritual entre vivos e mortos, é de grande beleza e confesso que me lembrei da animação ”Coco, A vida é uma festa”, da Pixar. Bela atuação do elenco colombiano, de não atores, o que denota o ótimo trabalho da diretora.

Amanda

"Amanda", de Mikhaël Hers (2018) Estou escrevendo essa resenha envolto em lágrimas incessáveis. Há muito tempo, eu não assistia a um filme tão tocante e humano, e olha que eu já assisti a dezenas de milhares de filmes. "Amanda" é um tiro no coração, e do meio pro fim, chorei convulsivamente. Muito do sucesso e da força desse filme vem do talento do Diretor e roteirista Mikhael Hers ( que teve como co-roteirista Maud Ameline), da fotografia colorida que lembra os musicais de Jacques Demy, realçando a beleza de Paris em meio a uma tragédia de proporções catastróficas, da edição que valoriza o tempo das performances e o respiro dos atores; e por fim, da monstruosa atuação do elenco, em especial de Vicente Lacoste, um dos jovens atores franceses mais talentosos da nova geração, e da pequena Isaure Multrier, uma força da natureza de 7 anos, no papel da protagonista que precisa conviver com a perda subida de sua mãe, interpretada com paixão por Ophélia Kolb. A primeira parte de "Amanda" lembra bastante "Em pedaços", drama poderoso de Fatih Akin. Ambos os protagonistas perdem seus entes queridos por um ato terrorista. Só que o caminho que a personagem de Dianne Kruger faz em "Em pedaços", o da vingança, encontra ecos de dor e solidariedade em 'Amanda". Mikhaël Hers não quer falar da culpa do ato terrorista, quer falar de pessoas que tiverem entes queridos retirados abruptamente de sua rotina. David (Vincent Lacoste) ainda está encontrando o seu espaço no mundo. Ele tem alguns bicos, e quando pode, ajuda a sua irmã Sandrinne, mãe solteira, a buscar sua filha Amanda na escola. Os irmãos se amam, e a mãe deles os abandonou e foi morar em Londres ( bela participação de Greta Scachi). Um dia, durante um piquenique no parte, Sandrinne sofre um atentado terrorista e é morta. David é nomeado guardião de Amanda, mas ele está inseguro, mal começou sua vida. E Amanda precisa entender o que significa a ausência de sua mãe. "Amanda" tem momentos de pura poesia, cenas antológicas aonde a emoção, dosada sem exageros pelos Diretor, arrebata o espectador. A cena final, em uma partida de tênis, é de arrepiar. Preparem seus lenços. O filme concorreu em Veneza 2018 e saiu de lá com um justo prêmio especial.

PéPequeno

"SmallFoot", de Karey Kirkpatrick (2018) Simpática animação da Warner, fez sucesso no mundo todo, incluindo no Brasil. O filme faz aquele discurso de que precisamos encontrar harmonia nas diferenças, no caso, em 2 mundos: o dos humanos, e a dos Pé Grandes. Migo ( na voz de Chaniing Tatum) quer provar ao seu povo de que ele testemunhou um humano considerado lenda para os outros Pé Grandes. Para isso, ele vai numa missão de sequestrar um humano e trazer para o sue povo. Ele acaba sequestrando Percy, um jovem youtuber que tenta revelar ao mundo que Pés Grandes existem. Os 2 se tornam amigos, mas precisam vencer a barreira de seus mundos. O grande trunfo do filme são as músicas, que vai do pop, cantado pela Cantora e Atriz Zendaya, no papel da Pé Grande Meesha, até rap. O filme tem boas piadas, bom ritmo, personagens secundários carismáticos. Um bom passatempo, nada de original, mas que dá para assistir com família e amigos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Blue my mind

"Blue my mind", de Lisa Brühlmann (2017) Vencedor de vários prêmios em Festivais Internacionais, essa fábula da Suíça curiosamente, se aproxima bastante do filme brasileiro "Mormaço", de Marina Meliande. Em ambos os filmes, as Diretores e roteiristas se apropriam do realismo fantástico para mostrar como o fator psicológico interfere no corpo da protagonista, fazendo-o se transformar. No filme de Meliande, a protagonista vai se envolvendo com a histórias de moradores de uma comunidade que vão sendo desalojados e por conta disso, ela absorve o stress e seu corpo vai apodrecendo. No caso de Mia, a adolescente de 16 anos de "Blue my mind", a virada da protagonista em mulher não vem de uma forma pacata. Ela se irrita cada vez mais com seus pais, ela se droga, pratica bullying, entra no grupo das meninas escrotas da escola, faz sexo com qualquer um...e seu corpo se transforma a medida que vai descobrindo cada um desses passos. Mia vai ganhando contornos de uma mulher selvagem, faminta por sexo e por peixe cru, comendo os peixes de seu aquário. No início de "Blue my mind", foi muito difícil eu continuar assistindo ao filme, pois a protagonista é tão irritante, tão fácil odiar ela, que eu desejei que ela morresse logo. Mas à medida que o filme avançava, e também por conta da excelente performance da atriz Luna Wedler, numa composição dificílima, fui me afeiçoando ao filme, a partir do momento que entendi que era uma parábola complexa sobre o processo de amadurecimento. As cenas de sexo são mostradas de uma forma fria, chocante, e o filme não tem pudor em falar de pedofilia e sexo grupal com uma menina de 16 anos. Pelo olhar da roteirista e diretora Lisa Brühlmann, a juventude está perdida e sem perspectiva: drogas, sexo, falta de compromisso, falta de comunicabilidade com os pais, estudo zero. "Blue my mind" pode ser considerado o "Kids", de Larry Clark em versão fantástica.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Amor no Cairo

"Toul omry", de Maher Sabry (2008) Inspirado no evento ocorrido em 2001 no "Queen Boat", boite gay localizada no Cairo, onde 52 gays foram presos pela Polícia acusados de sodomia e perversão contra a sociedade, o cineasta e roteirista Maher Sabry realizou o que e considerado o primeiro filme abertamente LGBTQ+ do Egito, com cenas intensas e tórridas de sexo e nudez frontal masculina. O filme provocou furor e foi banido em vários Países do Oriente Médio, sendo acusado de subversivo e atentado aos costumes e moral da comunidade islâmica. Rami, 26 anos, vive uma vida dupla: no seu trabalho, ele age como hetero, mas na vida pessoal, ele tem um amante. Quando esse anuncia que irá se casar com uma mulher, por conta da pressão da família, Rami perde seu rumo: acaba entrando em chats e marcando encontros sexuais com outros homens, até que encontre o seu par ideal. "Amor no Cairo"apresenta várias histórias: a de Rami é a que conecta todas elas: tem a do fundamentalista religioso que se pune quando pensa em fazer sexo com sua vizinha; tem o vizinho gay que deseja Rami e o observa toda noite na janela; tem o melhor amigo de Rami, um gay assumido e que provoca Rami, dizendo que ele deve aceitar a sua homossexualidade; e tem a da melhor amiga de Rami, uma feminista que resolve se mudar para San Francisco para poder lutar pelos seus diretos. Tecnicamente, o filme é ruim: fotografia, edição, diálogos e principalmente, as atuações, bem amadoras. Mas como filme político, o filme é muito importante, ao quebrar a barreira do conservadorismo de seu País e botar na pauta a luta pelos direitos humanos, sejam igualdade de sexo, raça e gênero. As cenas de sexo são bastante ousadas, até mesmo para padrão ocidental, com cenas de sexo anal bem realistas. É um filme que tem a sua importância cultural e social, mas quem busca apenas um entretenimento, irá se decepcionar, é um filme mediano e longo, quase 2 horas de duração.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Um irmão

"Un frére", de Victor Habchy e Martin Escoffier (2018) i8Drama adolescente LGBTQ+ francês, conta aquela história mega batida, e que recentemente foi celebrizada por "Me chame pelo seu nome": durante as férias de verão, um garoto descobre a sua sexualidade e o seu primeiro amor. Tom é um rapaz de 15 anos que viaja para o litoral com seus pais e sua irmã caçula. Um dia, uma amiga de sua mãe, que sofreu um aborto, se hospeda por uns dias na casa de veraneio deles. Junto, ela traz seu filho Félix, 17 anos. Os 2 garotos, claro, irão se conectar e experimentar os prazeres do sexo entre pessoas do mesmo sexo. Com atuações corretas e apostando nas belas locações, "Um irmão" não traz muitas novidades a esse tipo de história. Assiste-se com simpatia, mas nada que seja memorável. VAle a tarde de domingo chuvoso.