sábado, 14 de fevereiro de 2026
Livros restantes
"Livros restantes", de Marcia Paraíso (2025)
Escrito e dirigido por Marcia Paraíso, "Livros restantes", curiosamente, é o 2o drama protagonizado por Denise Fraga rodado em Portugal. Em "Livros restantes", Marcia filmou na bela Ilha de Barra da Lagoa, em Florianópolis, Santa Catarina, uma região turística e pesqueira. O filme lida com muitos temas: o envelhecimento, recomeço, família desfuncional, patriarcado, machismo, 3xtrupr0 e abuso doméstico, saída do armário, evangelização, conservadorismo. Tudo tendo a literatura como base narrativa, e a relação entre 3 mulheres de uma mesma família, de gerações diferentes: mãe, Ana Catarina (Fraga), sua filha adolescente Sofia (Manuela Campagna) e a mãe de Ana, Antonia (Vanderleia Will). Ana foi casada com Carlos Henrique (Augusto Madeira), um homem bronco e conservador. Ana, que se aposentou como professora de literatura, ajuda o seu irmão Sergio (Renato Turnes) no restaurante da família, comandado por Antonia. Ana decide recomeçar a sua vida e morar por um tempo em Portugal, partindo em um m6es. Ela decide devolver 5 livros distintos, todos eles com dedicatórias, para quem os presneteou, como uma forma de reviver e fazer acerto com o seu passado: 1) "Aos teus pés", ela decsobre que a amiga se tornou lésbica; 2) A obscena senhora D", para Lu, que se recusa a receber, por se tornar evabgélica; 3) "Feliz ano velho", para seu crush e paixão platônica Jô, eterno susfista; 4) "Silencioso corpo de fuga", para Tarik, supostamente seu primeiro namorado que tirou a sua virgindade, 5) "A doutrina do choque", para seu ex, Carlos.
Com belas imagens captadas na região paradisíaca e em Portugal, o filme tem como ponto forte, o ótimo trabalho de Denise Fraga e as atrizes que interpretam sua mãe e sua filha. Talvez um excesso de personagens e sub-plots, mas ainda assim um filme sensível e reflexivo sobre os dilemas de uma mulher aos 60, em busca de si mesma.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Merge
"Merge", de Béla Baptiste, Dalano Barnes, Richard Fenwick, Derek Franzese, Diana Porter e Mikel J. Wisler (2025)
Imaginem os roteiros que não foram aprovados durante as temporadas de "Black mirror". o que poderiam ter acontecido com eles? Imaginem agora que algum produtor inglês decidiu ressuscitar esses roteiros e produzir um filme de baixo orçamento, ambientado nesse mesmo universo distópico e tecnológico de "Black mirror"? Pois assim é "Merge": um amálgama ruim, de histórias sem graça e óbvias, ambientadas em meio a IAs, robôs, comportamento obcessivos e viciantes relacionados à interação humanos X tecnologia.
Dividido em 6 episódios, "Merge" traz um elenco correto, mas com efeitos muito simples para histórias que exigiriam mais de efeitos CGI. Fatou violência, melancolia, pessimismo em n'veis mais altos.
1) Angústia - Tudo é perfeito no mundo atual: todo mundo tem dinheiro, não existe fome nem doença, os casais são felizes. Um homem vende remédios que trazem sensações de medo e fobia, para que as pessoas entendem esses sentimentos
2) Alma gêmea
Anna trabalha em uma empresa de Ia onde é probido aos funcionários interagirem em criações virtuais e criarem avatar. Anna é solitária e sme que ninguém saiba, cria um avatar para namorar o homem perfeito, Neil
3) Quando Livre
Com a morte do pai, duas irmãs decidem dispensar Ash, uma robô AI. Ela passa a interagir pela 1a vez com pessoas na rua
4) A primeira vez que eu nunca te conheci
Após a morte de sua esposa, Josh decide não voltar mais ao trabalho e fica obsecado com as memórias dele, que ele consegue reproduzir quantas vezes quiser e interagir com ela
5) Inscrito
Carol é uma mulher que tem a sua vida controlada por Vitalus, uma espécie de Alexa. Vitalus regula tudo para que Carol dependa dela 100% e não precise sair de casa
6) O Homem por Trás da Máquina
Martin mora em um armazém; um homem da empresa Turing vem buscar seu androide. Ele é um modelo antigo e é devolvido à Turing, onde encontra um modelo mais novo. Seu sinal é diferente; ele está com defeito e escapa de volta para Martin.
Freaklândia- O parque dos horrores
"Freaked", de Tom Stern e Alex Winter (1993)
Difícil encontrar um filme tão bizarro, estranho, esquisito e non sense como esse aqui. "Fredlândia" incialmente era para ser um filme de terror, mas mudanças de percurso durante a sua realização fizeram com que e tornasse essa sátira surreal escatológica, co-escrita e co-dirigida por Alex Winter. Alex Winter ficou famoso em 1989 quando lançou, junto de Keanu Reeves, o cult "Bill e Ted", uma fantasia também pouco comum. Enquanto Keanu se tornou uma das maiores estrelas de Hollywood, Alex Winter ficou no mundo cult e indie.
A história, se asism podemos dizer, acompanha um popular ex- ator infantil, Ricky Coogin (Winter) que aceita fazer propaganda de um fertilizante que tem efeitos tóxicos, Zygrot 24. O produto foi proibido nos Eua e na Europa, e por isso, ele segue até a America do Sul, na cidade de Santa Flan. Por conta dessa sua participação em um produto condenado, Ricky se torna persona non grata. Quando Ricky e seu amigo Coogan chegam, são recebidos por ambientalistas que fazem uma manifestação, entre elas, Julie (Megan Ward), por quem Ricky se apaixona. Eles seguem até o circo de comandado por Elijah C. Skuggs, que os aprisiona e, usando o Zygrot 24, transforma os três em aberrações para seu espetáculo.
O filme tem um orgulho imenso de ser trash. são muitas cenas escatológicas, efeitos toscos, maquiagem tosca, prótese grotesca e claro, performances caricatas emover the top.
Justiça artificial
"Mercy", de Timur Bekmambetov (2026)
Diretor dos sucessos "Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros", e "O procurado", o cineasta russo Timur Bekmambetov ficou conhecido como realizador de grandes blockbusters de 2a linha em Hollywood. Em "Justiça artificial", ele traz os astros Chris Pratt e Rebecca Ferguson em uma história ambientada no futuro, em uma sociedade distópica. Por conta da violência e da crise social, aliado à burocracia da justiça cujos processos levam anos engavetados, foi criado uma IA chamada Mercy, um sistema judicial e penal que decide, em 90 minutos, o futuro do réu, e em caso de confirmação do crime, a execução sumária. Tudo isso, com o réu sentado em uma cadeira, observado em um telão videos com rechos gravados de sua vida, e consequentemente, impossível de serem alteradas. Ajuíza Maddox (Ferguson) é uma IA que comanda toda a ação. O detetive Chris (Chris Pratt), que comandou todas as 8 execuções da Mercy, dessa vez está sentado na cadeira do réu, acusado de assasisnar sua esposa. Ele tem 90 minutos para provara. sua inocência.
Muita gente comentou que a idéia foi chupada de "Minority report", de Spielberg. Tem até as suas semelhanças. Mas aonde o filme difere e muito, é na forma de contar a história. Durante 90 por cento do filme, o personagem de Chris está sentado em uma cadeira, falando com a IA e vendo vídeos, me fazendo lembrar de filmes como "Procurando...". É um filme bastante eficiente, que cumpre a sua missão de entreter e depois esquecer. os atores têm carisma o suficiente para manter a atenção do espectador.
Serbian dancing lady pool
'Serbian dancing lady pool", de Alex Magaña (2024)
Em 2003, o roteirista e diretor Alex Maganã lan;cou o curta "Serbian dancing lady", e com o grande sucesso, lançou uma franquia, quenjá conta com 6 filmes. O filme é inspirado lenda urbana da "Dama Sérvia" — uma mulher vestida com figurino folcórico que dança em público de noite, em ruas vazias de Belgrado. Ela empunha uma faca e ameaça as pessoas, matando-as. Para não serem mortas, as pessoas precisam pedir desculpa. Todos os filmes são protagonizados pela atriz Cat Hamm como a dançarina sérvia.
Duas jovens aproveitam uma noite tranquila à beira da piscina, e uma delas, Sophia (Cassandra Chavez), assiste a um vídeo da dançarina sérvia em seu celular. Emma (Carleigh Jamison) diz para Sophia parar de assistir e pedir decsulpas, por conta da lenda urbana. Sophia não acredita e não pede decsulpas.
O filme tem menos de 5 minutos e vai direto ao que interessa, sem perder tempo. A franquia é composta de cenas isoladas, e para a geração que já não assiste mais longas metragens porque não aguenta assistir nada com mais de 5 minutos, é a mídia perfeita.
Traumatika
"Traumatika", de Pierre Tsigaridis (2024)
Misto de terror sobrenatural e slasher, "Traumatika" é um filme com uma trama que é pretenciosamente instigante e cool, com sua história dividida em 4 épocas distintas: 1901 no Egito, 2002 e 2003 em Pasadena, Califórnia, e 2023, na mesma cidade.
O filme começa com uma cartela alertando sobre o tema que iremos assistir: "Na psioclogia, existem 5 tipos de trauma infantil: negligência fisica, testemunho de violência, emocional, físico e abuso s3xu4l.", Corta para 1901, um homem vagando no desreto do Egito em 1901, fugindo de uma entidade e carregando uma relíquia amaldiçoada. Segue para 2023, com uma jovem com o rosto deformado e machucado, Abigail, que sequestrou um menino, Mikey, e o faz acreditar que ela é sua mãe. A polícia chega e deccobre a tragédia: encointram 2 meninos desaparecidos mortos no porão, além de Mikey. Abigail se suicida. Volta para 2002, apresentando Abigail. Ela é filha de John, um homem divorciado e atormentado, que está com a relíquia e invoca o demônio. Ele se torna violento e 3xtupr4 Abigail. A outra filha, menor, Alice, é protegida por Abigail, para não ter seu mesmo destino. O filme segue para 2023. Uma apresentadora sensacionalista, Jennifer (uma espécie de Gale de "Pânico 7") entrevista LAice, agora autora de um best seller, um livro onde relata a história de sua irmã assassina. Mas elas não esperavam que Mikey, agora adulto, se tornou seril killer e quer matar Alice.
O filme tem uma fotografia ecsura que lembra a de 'Seven", e violência que irá agradra quem busca sangue. A trama é boa, tendo como pano de fundo o abuso infantil em todos os seus níveis. Mais uma vez, o gênero do terror é utilizado para retratar metáforas de violência doméstica e traumas.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
As cinco obstruções de Lars Von Triers
"De fem benspænd", de Lars Von Triers e Jørgen Leth (2003)
Assisti esse filme na época de seu lançamento, em 2003, no auge da carreira do controverso e polêmico cineasta dinamarquês Lars Von Triers. Famoso pela metodologia tirânica com que comanda seus sets, destratando equipe e elenco, "As cinco obstruções" reforça ainda mais essa imagem, numa época ainda não existia o termo nem o comportamento assumido do cancelamento. Obviamente, que o estilo de trabalho de Von Triers hoje em dia não é mais aceito, e por isso ele anda meio sumido da indústria.
O documentário traz Lars Von Triers como um produtor, que decide convidar um cineasta dinamarqu6es, Jorgen Leth, e propõe a ele um desafio, a ser financiado pela Zentropa de Von Triers: Leth deve refilmar o seu premiado curta de 1967, "O homem perfeito", em 5 versões diferentes, com limites e imposições orçamentárias, técnicas e dramatúrgicas ditadas por Von Triers.
O filme foi rodado durante 2 anos, de 2001 a 2003, em países distintos.
Versão 1) rodado em Cuba, com planos com no máximo 12 frames
versão 2) rodado num lugar miserável (Índia) , com o próprio Leth como ator
versão 3) adaptação livre
versão 4) fazer uma animação
versão 5) o próprio Von Triers filmou essa opção, com narração de Lenth
Para quem quer entender melhor a relação entre produtor e diretor contratado, é uma excelente experi6encia, resultando em ambates criativos dentro de um mesmo projeto.
Night patrol
"Night patrol", de Ryan Prows (2025)
Quando li sobre esse filme de terror, fiquei bastante animado. Mas após assistir, fiquei extremamente decepcionado com o resultado. É muito ruim. A mensagem e a idéia são roubadas de "Pecadores", de Ryan Coogler. Em uma região da periferia de Los Angeles, policiais brancos massacram a comunidade negra. E além das armas, matando muito smoradores com tiros, os policiais brancos fazem parte de uma linhagem de vampiros, e matam os negros. E do lado da comunidade negra, uma moradora, Ayanda Carr (Nicki Micheaux), mãe do policial Xavier e do jovem morador Wazi, é uma mística, envolvida com sobrenatural e que há tempos, luta contra monstros difarçados de humanos. Justin Long, ator que ficou mais conhecido em filmes B de terror, interpreta Ethan Hawkins, que trabalha em dupla com Xavier. Ethan é filho do famoso sargento do Departamento de Polícia de Los Angeles (Dermot Mulroney), que lidera os Night patrols. Ethan quer fazer parte do grupamento, mas precisa passar por uma provação.
O filme é uma grande bagunça. Até quase 1 hora de filme, os vampiros não dão as caras, focando mais no aspecto realista do racismo que policiais agem contra moradores negros. Tivesse focado nessa parte, o filme tera sido mais interessante. Mas quando entram os vampiros, tudo vira um grande pastiche, com efeitos ruins. O efeito de distorção na imagem pelo POv dos vampiros é algo muito velho e cafona.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Psicose 2
"Psycho II", de Richard Franklin (1983)
Me lembro que quando "Psicose 2" foi lançado nos cinemas, no longínquo ano de 1983, houve uma preocupação enorme por parte dos críticos e dos cinéfilos apaixonados pela obra-prima de Alfred Hicthcock. Afinal, seria uma heresia filmar uma continuação de "Psicose", de 1960, um filme por si só perfeito e conclusivo, sem qualquer necessidade de uma história contínua. E após assistir ao filme com roteiro escrito por Tom Holland (que viria a filmar o cult de terrir " A hora do espanto", em 86) e dirigido por Richard Franklin, cineasta australiano e aluno de Hitchcock, tirei minha conclusão: "Para quê?".
Decidi rever o filme agora, pois não lembrava o porque de eu não ter gostado do filme. E ficou claro: o filme destrói os personagens de Norman Bates e de Lili Loomis (Vera Miles, que retorna ao filme),irmã da personagem de Janet Leigh, assassinada no banheiro. Ambos os personagens não mereciam o que foi feito deles. Além disso, o filme é longo, quase 2 horas, arrastado e com pouca tensão. Existem algumas cenas de violência, todas envolvendo a famosa faca de cozinha, sendo uma deles explícita, com a faca atravessando a boca. As outras não aparecem direito.
O filme começa com a famosa cena do chuveiro original, com Janet Leigh, e corta para apresentar Norman Bates no tribunal, 22 anos depois, sendo liberado. Lili está presente e faz escândalo, achando um absurdo ele ser solto. Norman retorna para a sua antiga casa e motel. Porém, o Motel agora está sendo administrado por Warren Toomey, o novo gerente, que montou uma lanchonete, onde trabalha a garçonete Mary (Meg Tilly). Novas mortes acontecem, e Norman acredita estar alucinando.
O roteiro traz diversas pistas falsas e plot twists, para entender quem é o assassino/a. O elenco, além de Antohony Perkins e Vera Miles, traz a novata Meg Tilly e o veterano Robert Loggia, no papel de um psicólogo.
Demons 2- Eles voltaram
"Dèmoni 2... l'incubo ritorna", de Lamberto Bava (1986)
Quando 'Demons- Os filhos das trevas" foi lançado em 1985, foi um enorme sucesso de bilheteria e imediatamente se tornou cult. Um ano depois, 'Demons 2- Eles voltaram" foi lançado, na esteira do sucesso do filme original. Produzido e co-escrito por Dario Argento, o filme é novamente dirigido por Lamberto Bava. Para quem assistiu 'Demons", sabe o que irá encontrar nessa parte 2: muita gosma, vísceras, mutilações, olhos esbugalhados, dentes carniceiros, pele maquiada de verde, um roteiro sem pé nem cabeça e atores canastrões. Ou seja, uma grande zueira que, dependendo do estado do espírito do espectador, pode fazer a experiência se tornar inesquecível, para o bom ou mal motivo. 40 anos depois de lançados, ambos os filmes são sempre lembrados como o ápice do cinema de horror trash italiano. E de verdade, é uma delícia.
Em um condomínio, moradores são atacados por demônios que saem da tela da tv ( no original, saiam da tela do cinema). Eles prexisma lutar pela sobrevivência e tentar sair do prédio. Quem é mordido, também se torna demônio.
O que mais diverte no flme, são os personagens: são diversos núcleos de sobreviventes. Tem um grupo de marombeiros sem camisa e garotas de collant anos 80; tem um menino de 8 anos que se transforma em demônio ( e é substituído por um ator portador de nanismo) e depois se transforma em um demônio voador; tem um cachorro que se torna demônio; tem uma galera no spa que se torna demônio, e muito mais. A trilha sonora traz The Smiths e Heavy Metal; E Asia Argento, filha de Dario Argento, estréia aos 10 anos de idade, como a filha de um casal de moradores.
Grito de horror
"The howling", de Joe Dante (1981)
Um cult de terror dos anos 80, "Grito de horror" é dirigido por Joe Dante, que anos depois, viria a filmar "Os gremlins" e ter seu nome reconhecido no panteão dos grandes diretores. Curiosamente, no ano de 1981, outro filme de lobisomem brilhou tanto quanto "Um grito de horror": "Um lobisomem americano em Londres". Ambos os filmes fizeram grande sucesso e se tornaram cults, certamente influenciando o clipe clássico de Michael Jackson em 1983, "Thriller". O que chamou a atenção na época, foram os efeitos de maquiagem aliados a efeitos práticos de ambos os filmes, revolucionários, mostrando a transformação de um ser humano em lobisomem. Claro que revisto nos dias de hoje, onde tudo é realizado com Ai e CGI, podem parecer toscos, mas que ninguém duvide da grande dificuldade se fazer essa trucagem.
O film etem uma cena que ficou famosa na antologia dos filmes de terror: durante um ataque de um lobisomem contra uma vítima, uma tv mostra uma cena da animação de Walt Disney, "Os três porquinhos", de 1933, com o Lobo mau atacando os porquinhos. Ironia e sarcarmo em uma cena para aliviar a tensão. O filme é adaptado do romance "The Howling", de Gary Brandner, de 1977. Dee Wallace, que 2 anos depois ficaria famosa como a mãe de Elliot em 'Et, o extraterrestre", interpreta a âncora destemida de tv Karen White. Ela se permite ser uma cobaia para atrair ums erial killer, que marca um encontro com ele em um cine pornô. Quando ele vai atacá-la, a policia chega e o mata. Traumatizada, Karen é aconselhada pelo médico a ir até uma colônia isolada nas montanhas, junto de seu marido, Bill. Mas para surpresa deles, o local está infestado de lobisomens, e agora, eles precisma lutar por suas vidas.
Mesmo datado, o filme ( que incrível que possa parecer, gerou 6 continuações, todas caça niqueis) tem um ótimo roteiro, que traz temas como midia oportunista, vaidade profissional, atraves dos personagens reporteres e produtores de tv ambiciosos.
Isso ainda está de pé?
"is this thing on?", de Bradley Cooper (2025)
Lançado no Festival de Nova York em 2025, como filme de encerramento, "Isso ainda está de pé?" é o terceiro longa dirigido pelo ator e diretor Bradley Cooper, após "Nasce uma estrela" e "O maestro". Criticado pelos jornalistas pelo que consideram excesso de narcisismo e vaidade, inclusive em sua performance, Cooper mantém a cadeira de diretor, e aqui, co escrevendo o roteiro com o Ator e protagonista Will Arnett, e também co-produzindo. Copper interpreta um papel coadjuvante, como Balls, melhor amigo de Alex (Arnett), deixando o comediante canadense brilhar. Will Arnett é conhecido por dublar a animação "Batman Lego", fazedo a voz de Batman, e a animação "Horseman", além de ser conhecido como comediante de stand up.
Seria fácil comparar o filme a "História de um casamento", com Scarlett Johansson , Adam Driver e Laura Dern, que não por acaso, co-estrela o filme, fazendo o papel de Tess, esposa de Alex. Porém, o tom dos dois filmes são diferentes. No filme de Cooper, persiste o drama e melancolia, mas existe alguns glimpses de humor, mesmo que distanciado.
Recém divorciados, o casal de emia idade Alex e tess seguem a vida separados e compartilhando a guarda dos dois filhos. Tess redescobre o prazer de voltar ao volei, dessa vez, como treinadora. Alex permabula pelas ruas de Nova York e entra em um bar, conhecido por permitir que anonimos apresentem seus stand ups. Melancólico, Alex decide pegar o microfone, e ao invés de contar piadas, fala de sua vida, e inesperadamente, faz sucesso. Com o tempo, ambos encontram novos amantes, e Balls, influenciado pelo divórcio do amigo, decide que tambem irá se divorciar.
O filme traz ótimas performances do elenco. Cooper parece querer roubar as cenas quando aparece. O filme estica mais do que deveria, e se torna cansativo. A cena final, ao som de "Under pressure", cantada pelos filhos do casal em um concurso de talentos da escola, é comovente.
Patrick
"Patrick", de Richard Franklin (1978)
Com o grande sucesso de "Carrie, a estranha", de Brian de Palma, em 1976, o cinema buscou outros filmes com protagonismo de personagens com poderes de telecinese. Assim surge "Patrick", uma curiosa e interessante produção de terror australiana, dirigida por Richard Franklin, que viria a ficar famoso em 1983 ao dirigir a continuação do filme de Hitchcock, "Psicose 2".
Patrick (Robert Thompson) testemunha sua mãe fazendo s3x0 com um amante e decide matá-los. Três anos depois, Patrick se encontra todo esse período em coma, no quarto de um hospital. Os médicos decidem mantê-lo vivo por conta de seu caso clínico, que querem estudar. Kathy Jacquard (Susan Penhaligon) é uma enfermeira contratada para cuidar de Patrick. Casada com Ed, Kelly discorda dos métodos utilizados para estudarem Patrick. Patrick, por sua vez, consegue se comunicar e tem poderes. Ele escreve por mente na máquina de escrever e consegue movimentar objetos e se projetar espiritualmente para outros ambientes. Patrick passa a se interessar por Kelly, e decide matar todos que estão no caminho de ambos.
A caracterização e os experimentos em Patrick lembram muito o personagem de Malcom Macdoweel em "Laranja mecânica", incluindo os sensores em seus olhos. Se o filme não fosse longo e tivess eum ritmo tão arrastado, seria um ótimo suspense. O prólogo é excelente, filmado com planos xruativos e muitos replexos em objetos, além de ousado pela nudez do elenco.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Cujo
"Cujo", de Lewis Teague (1983)
Adaptação do 10o livro escrito por Stephen King, "Cujo" traz como protagonista a atriz Dee Wallace, após o grande sucesso como a mãe de Elliot em 'Et, o extraterrestre". A fotografia é do hoalndês Jan de Bont, que viria a fotografar depois os grandes sucessos "Duro de matar" e 'Instinto selvagem", até estrear como diretor nos mega blockbusters "Velocidade máxima", em 94 e "Twister", em 96.
Stephen King deu uma declaração de que na época que escreveu o livro, em 1981, estava mergulhado em drogas, e não se lembrava de ter escrito o livro. Disse também ter se arrependido do final do livro, e que por isso, o final do filme é diferente.
Na fictícia cidade de Castle rock (cidade onde diversos livros de King se passam), no Maine, mora a família Trentons - Vic (Daniel Hugh Kelly), Donna (Dee Wallace) e seu filho Tad (Danny Pintauro), de quatro anos de idade. Vic trabalha em uma agência de publicidade e é chamado para ir à uma viagem de negócios em Nova York e Boston. Enquanto isso, Donna leva Tad no seu carro até a oficina mais próxima. No caminho, o carro quebra. É quando ela é atacada por um cão São Bernardo, que foi mordido por morcegos e contraiu raiva. Donna e Tad procuram ajuda, mas não conseguem. Eles permanecem dentro do carro por diversos dias, sem água e no calor, correndo o risco de desidratação.
Dee Wallace está excelente no papel, que certamente exigiu muito de seu físico e emocional. O pequeno Danny Pintauro está tão realista nos gritos e choro, que penso até que ele pensava de verdade que estava sendo atacado, tal a veracidade de sua performance. O filme é bem construído, e é de uma época onde não se usava computação gráfica, e sim, cães treinados, o que torna tudo mais vibrante. Foram usados 5 cachorros, um animatronic e um homem fantasiado para as cenas.
Dead man's wire
"Dead man's wire", de Gus Van Sant (2025)
Sete anos depois de lançar "A Pé Ele Não Vai Longe", de 2018, o cineasta Gus Van Sant, dos premiados 'Elefante" e "Milk" lança "Dead man's wire", com roteiro de Austin Kolodney, baseado em uma história real ocorrida em Indianápolis no ano de 1977. O filme faz lembrar imediatamente de "Um dia de cão", clássico de Sidney Lumet, por trazer uma situação parecida: um ato de violência que gera mídia e um ato que divide a população e a opinião pública. Al Pacino, protagonista de "Um dia de cão", participa do elenco, no papel do ML Hall, fundador da Meridian Mortgage Company.
No dia 8 de fevereiro de 1977, Tony Kiritsis (Bill Skasgard) entrou no escritório de Richard Hall (Dacre Montgomery, o Bill de "Stranger things"), presidente da Meridien Mortgage Company, e o fez refém com uma espingarda, equipada com um "fio de segurança" que ligava o gatilho ao próprio pescoço de Tony. O sequestro durou 63 horas, envolvendo a polícia, mídia e a população. O motivo do ato de Tony dividiu a opinião pública: Tony Kiritsis atrasou os pagamentos da hipoteca de sua propriedade em Indianápolis, Indiana, que ele esperava transformar em um centro comercial acessível para comerciantes independentes. Ele pediu mais tempo ao seu corretor de hipotecas, mas foi negado. Acreditando s etratar de uma negociata de ML e seu filho, Tony decidiu tomar satisfação.
Li que inicialmente, o filme seria dirigido por Werner Herzog e protagonizado por Nicolas Cage. Certamente o resultado teria sido um filme com um tom totalmente diferente. Gus Van Sant traz aquela narrativa que ele já havia realizado em "Milk': uma linguagem indie, realista, com um tom documental, muito semelhante a "Um dia de cão". Dacre Montgomery está irreconhecível, com uma ótima caracterização. Bill mostra ser um dos atores mais versáteis e talentosos da sua geração.
Rosemead
"Rosemead", de Eric Lin (2025)
Vencedor do prêmio do público no Festival de Locarno 2025, "Rosemead" é um drama devastador, baseado em fatos reais. "Rosemead" é uma cidade de Los Angeles, onde moravam Irene (Lucy Liu) e seu filho de 17 anos, Joe (Lawrence Shou. Eles moravam em um bairro asiático, e Irene, viúva, era dona de uma pequena gráfica. No ano de 2015, Irene matou o seu filho diagnosticado com esquizofrenia, temendo que ele, aos 18 anos, fosse preso. Irene estava com câncer terminal e percebeu que Joe começou a se interessar por armas e por eventos que envolviam tiroteios em escolas. Para piorar, Joe decidiu não tomar mais os remédios de controle.
O filme é a estréia na direção do cineasta Eric Lin. A crítica elogiou a performance de Lucy Liu, que se entrega ao drama de uma mãe que ama o seu filho à sua maneira. Não é um filme fácil de se assistir. desde o inicio, ele já traz um tom denso, trágico. Uma pena que Liu não tenha sido indicada aos principais prêmios, pois sua atuação é primorosa.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
El dia que todo cambió
"El dia que todo cambió", de Javier Colinas (2024)
Protagonizado e escrito por Luis Arrieta, no papel de Mario, um bancário casado e feliz, que tem a sua vida destruída. Ao sair d eum restaurante com sua esposa grávida, eles são saaltados por dois ladrões, que os sequestram e levam o carro. O assalto dá errado e os ladrões batem o carro e matam a esposa de Mario. Sete anos depois, Mario planeja a vingança contra os marginais que mataram a sua esposa e acabaram com a sua vida. Mas no caminho, ele conhece Tania (Gabriela Cartol), uma mulher bondosa que o encontra na ria ferido e o leva até o hospital. ela faz ele repensar em seus atos violentos.
Não tem quem não associe o filme à franquia de Charles Bronson, "Desejo de matar". É verdade, mas o filme tem um grande diferencial: ele traz um pano de fundo mais dramático e realista, mostrando uma cidade do México decadente, feito por pessoas boas e más. As cenas de ação são ótimas, e o elenco, principalmente Arrieta e Cartol, estão comoventes. A cena final, na mesa do almoço, é uma excelente construção de direção, atuações e roteiro.
Redux redux
"Redux redux", de Kevin McManus e Matthew McManus (2025)
Concorrendo em Sitges, Festival destinado a filmes de terror e fantasia, "Redux redux" é uma mistura de ficção científica e thriller de serial killer, que envolve viagem ao tempo. Escrito e dirigido pelos irmãos Kevin McManus e Matthew McManus, eles escalaram a irmã deles, Michaele McManus, para a protagonista Irene. O resultado é uma trama interessante que tem um desfecho bem resolvido e tenso.
A trama é meio bizarra: Irene é uma mãe que deseja se vingar do homem, Neville, que assassinou a sua filha adolescente Anna. Irene viaja pelo multiverso, utilizando uama máquina do tempo, e assim, poder matar Neville de todas as formas possíveis, se vingando. Ao mesmo tempo, ele tenta encontrar algum multiverso aonde sua filha ainda esteva viva. Mas em um dos multiversos, Irene, ao entrar na casa do serial killer, encontra uma de suas vítimas ainda viva, Mia ( Stella Marcus ), e a salva. Mia decide seguir os passos de Irene e também matar o serial killer, ao passo que Irene começa a perceber que se tornou uma assassina também.
Não fica muito claro o lance da máquina do tempo, mas como o o filme tem uma trama bastante fantasiosa, a gente acaba relevando. No fundo, faa d etemas como perdão, luto, recomeços e relação mãe e filha, seja ela sanguínea ou não. As duas atrizes são ótimas e conferem carisma aos personagens, e a torcida do público.
O som da morte
"Whistle", de Corin Hardy (2025)
Aí você vai ver um filme de terror sobrenatural onde os adolescentes encontram um artefato asteca que, ao ser manuseado, faz com que todos os envolvidos encontrem a Morte, e aí eles tentam escapar dela. Todo mundo pensou em 'Premonição"? Errado. Até poderia ser, ou "Ouija", "ou "Fale comigo", ou qualquer desses filmes que brotam aos montes sobr eo memso tema da Morte vem te pegar porque você fez o que não deveria ter feito.
Co-produzido por Canadá e irlanda, "O som da morte" é repleto d elugares comuns que a gente já sabe como vai acabar desde a primeira cena, afinal, produtor ama abrir uma franquia e deixa em aberto no caso de dar certo. O filme pega carona no protagonismo de heroínas queer, já visto nos recentes "Rua do medo" e "O palhaço no milharal".
O filme é dirigido por Corin Hardy, de "A freira". Quando Chrys Willet (Dafne keen) uma jovem tímida se muda para uma nova cidade, ela sofre bullying na escola. No entanto, ela faz amizade com um grupo de alunos, além de ficar interessada em Ellie (Sophie Nélisse). Ao abrir o seu armário, Chrys descobre um artefato asteca que pertenceu a um aluno que morreu no vestiário. O professor que pesquisa o artefato para Crys morre. Quando um dos integrantes do grupo de Crys rouba o artefato e o leva para uma festa da piscina onde os amigos estão, ele assovia no artefato. Isso faz com que a Morte, representada na imagem de cada um deles no futuro, antecipe a morte deles.
O filme, mesmo sem inovações na trama, traz 2 mortes muito boas: uma onde uma vítima é desmembrada e tem os ossos do corpo arrebantadas, e outra, que vai se disssolvendo.
Me ame com ternura
"Love me tender", de Anna Cazenave Cambet (2025)
Co-escrito e dirigido por Anna Cazenave Cambet, "Me ame com ternura" concorreu no Festival de Cannes na Mostra un certain regard e no Queer palm, dedicado a filmes com temática lgbt. O filme é adaptação do romance autobiográgico escrito por Constance Debré, em 2020.
Vicky Krieps ( de "Trama fantasma" e a trilogia "os três mosqueteiros") interpreta Clemence, advogada. Após 20 anos de casamento com Laurent (Antoine Reinartz), Clemence decide pedir divórcio e viver a sua vida em liberdade. Quando ela retorna ao ex-marido, pedindo a guarda compartilhada do filho Paul (Viggo Ferreira-Redier), ele entra com uma denúncia contra Clemence. Isso após ela confidenciar a ele que agora ela se relaciona com mulheres. Laurent alega que Paul se recusa a voltar a ver a mãe, e que ela submete a criança a comportamentos obscenos e moralmente indevidos.
O filme lida com temas como lesbofobia e misoginia. Me lembrei muito de "Kramer vs Kramer", que apresentava uma mãe que pede o divórcio e que depois retorna pedindo a guarda compartilhada, interpretada por Meryl Streep. "Me ame com ternura" é um filme denso, repleto de momentos comoventes na relação mãe e filho. O filme também apresenta a vida pessoal e os relacionamentos de Clemence com outras mulheres, especialmente Sarah (Monia Chokri). O filme é longo, com 2hr 15 minutos, e é cansativo. Poderia ter pelo menos meia hora a menos. O excelente trabalho do elenco é uma das grandes forças do filme.
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