quarta-feira, 15 de novembro de 2023
Elvis não morreu
"Elvis", de John Carpenter (1979)
E eu que nunca soube da existência de uma cinebiografia de Elvis Presley dirigido por ninguém menos que o mestre do terror John Carpenter!!! Lançado em 1979, o filme foi um enorme sucesso e foi a 1a parceria de Carpenter com o ator Kurt Russel, com quem faria em seguida "Fuga de Nova York", "O enigma de outro mundo", "Os guerreiros do bairro proibido", "Fuga em Los Angeles". Carpenter, após o enorme sucesso de "Halloween", ansiava filmar um drama e poder trabalhar a direção de atores. Entre diversos atores, Carpenter decidiu por Kurt Russel, que curiosamente, estreou no cinema em uma ponta na comédia romÂntica protagonizada por ELvis Presley "Entre loiras, morenas e ruivas", de 1963.
O filme começa com Elvis chegando em Las VAgeas, para seu show de 1970, onde ele retornava após um grande hiato e também com uma parte da crítica dizendo que seu estilo estava ultrapassado. Em crise e trancado em seu quarto, Elvis passa a relembrar de sua história, que começa em 1945, quando ele era uma criança pobre no Mississipi. Sua mãe, Gladys (Shelley Winters, maravilhosa) e seu pai, Vernonm (Bing Russell, pai de verdade de Kurt) lhe dão um violão de presente. O filme acompanha toda a sua tragetória artística, dos primeiros shows, o encontro com Priscilla Presley (Season Hubley, que viria a se casar com Kurt), o nascimento da filha Lisa Marie, crises, drogas, etc.
Realizado inicialmente para a tv americana, o filme foi lançado nos cinemas no mundo todo e rendeu uma indicação Emmy para Kurt, que está ótimo no papel. Ele não canta as músicas, que são cantadas por Ronnie McDowell, mas seu trabalho físico é impecável. O filme, claro, não tem a mgnitude visual e orçamentária da super produção de Baz Lurhman, mas funciona como um registro biográfico, em proporções menores, e mais focada em seu drama. O filme tem o charme de produções dos anos 70, rodadas em película e com uma fotografia bem desenhada por Donald M. Morgan.
Your lucky day
"Your lucky day", de Dan Brown (2023)
Dedicado ao jovem ator Angus Cloud, morto em 2023, "Your lucky day" é um dos seus últimos trabalhos. Logo de início, é exibido uma cartela :"Baseado no sonho americano". Desde que a obra prima de John Houston, "O tesouro de Sierra madre" surgiu em 1948, centenas de filmes e séries surgiram com o tema da ambição e ganância pela posse de dinheiro. "Your lucky day" foi escrito pelo roteirista e diretor Dan Brown, e por sua, adaptado de seu curta de 2010. O filme acontece praticamente todo em um único cenário, uma loja de conveniência em uma cidade dos Estados Unidos. Lá, se encontram alguns poucos personagens em uma noite qualquer: Amir ( Mousa Hussein Kraish), dono da loja; Sterling (Angus Cloud), um jovem desesperançado; Ana ( Jessica Garza ) e Abraham ( Elliot Knight ), um casal, ela grávida, ele pianista; um policial que pede para usar o banheiro (Charlie Magdaleno) e o Sr. Laird ( Spencer Garrett), um cliente que ao fazer uma aposta na loteria, acaba de descobrir e anunciar que acabou de ganhar U$156 milhões de dólares. Essa é a deixa para se anunciar uma verdadeira carnificina, que inclui um pequeno grupo de policiais corruptos que ficam sabendo e partem para lá.
O filme não tem as cenas espetaculares de John Wick, mas entretém com ótimas performances, viradas na história e uma atmofera de total desilusão e desencanto do sonho americano. E tudo tem um sabor mais acridoce quando o spectador já sabe que sue portagonista, Angus Cloud, já faleceu de forma trágica. Uma ótima performances, um excelente ator, infelizmente tendo sua vida abruptamente interrompida.
Jogos vorazes- A cantiga dos pássaros e das serpentes
"The Hunger Games: The Ballad of Songbirds & Snakes", de Francis Lawrence (2023)
Em 2021, quando o diretor Gary Ross dirigiu o 1o filme da trilogia best seller "Jogos vorazes", ele talvez não fizesse idéia do tamanho sucesso que seria a saga no cinema. De cara, lançou Jennifer Lawrence como uma das grandes heroínas e ídolos da garotada. Finda a trilogia, em 2015, o público ficou órfão das aventuras de Katniss. Mas a escritora Suzanne Collins atendeu aos pedidos do público e lançou em 2020 " A cantiga dos pássaros e das serpentes", lançado no cinema em 2023 e dirigido por Francis LAwrence, mesmo cineasta dos outros filmes da saga. O filme é quase que uma releitura de "Darth Vader" em sua juventude: um mocinho, herói, apaixonado, e que por traumas e frustrações, vem a se tornar o vilão master Coriolanos Snow, vivido por Donald Sutherland nos filmes e aqui, 60 anos antes, por Tom Blyth.
No 10o ano dos Jogos vorazes, os tutores da capital descobrem que para que um deles ganhe um prêmio, precisam ser tutores de uma nova leva de jovens selecionados dos distritos e que irão participar dos Jogos vorazes. Coriolanos (Blyth) mora na capital com sua tia-avó e sua irmã e passam necessidades após a morte do pai dele. Esperando poder ganhar uma bolsa na faculdade, fato que somente será possível se ele ganhar como tutor da jovem Lucy Gray (Rachel Zegler), moradora do distrito 12, Coriaolanos fará de tudo para que ela vença.
Com participações de grandes estrelas como Viola Davis como a Dra. Gaul, chefe dos Idealizadores dos Jogos, Peter Dinklage como o reitor HighBottom e Jason Schwartzmann como o appresentador dos jogos, o filme mantém a mesma qualidade dos filmes anteriores. Dividido em 3 atos: antes, durante a pós os jogos, o filme traz drama, ação, romance e suspense em doses satisfatórias para o público. Difícil superar Jennifer Lawrence, Mas Rachel Zegler traz outro tipo de carisma: sua personagem é cantora. E Tom Blyth mostra que no futuro será um dos grandes atores ingleses, um grande talento.
terça-feira, 14 de novembro de 2023
Manodrome
"Manodrome", de John Trengove (2023)
Concorrendo ao Urso de Ouro e ao prêmio Teddy no Festival de Berlim 2023, "Mandrome" foi visto por muitos críticos como um 'Clube da luta" e "Taxi driver" da era da rede social e empregos uberizados. Jesse Eisemberg moldou todo o seu corpo, aparecendo aqui no filme com o corpo definido e musculoso de um obsessivo por musculação.
Jesse é Ralphie, que perdeu recentemente seu emprego e está trabalhando como motorista de Uber em Nova York. Todo dia, ele ouve reclamações de seus clientes, e a sua postura calada mas psicótica acaba assustando vários deles. Introspectivo, Ralphie passa boa parte do seu dia malhando pesado na academia. Sal (Odessa Young", está grávida, e a insegurança de ser pai e a pressão de sua esposa o deixam em crise. Jason (Philip Ettinger), um conhecido de Ralphie que lhe vende drogas para crescer os músculos, apresenta Ralphie à uma irmandade, liderada por Dad Dan (Adrien Brody): nesse grupo, os homens se unenm para manterem a sua cultura da heteronormalidade, lutando contra todo tipo de diversidade e afirmando a masculinidade tóxica como a única forma de estarem no Poder.
Jesse Eisemberg aposta em um papel bastante complexo e repleto de camadas. Ele passa boa parte do filme com a cara fechada, emburrado. Claramente, a sua referência de trabalho foi Robert de Niro em 'Taxi driver": um tipo silencioso, observador, olhar de psicopata. Tem uma cena muito boa onde Ralphie vai atrás de um frequentador negro que o recrimina o tempo todo, e tudo o que o espectador espera é um banho de sangue.
Certamente um filme polêmico, pelas suas mensagens. Li que o cineasta John Trengove é homossexual assumido e realizou o filme como um alerta aos grupos de homens que se formam, sob a bandeira da extrema direita e neo nazistas, que realizam crimes contra as minorias.
Sete invernos em Teerã
"Sieben Winter in Teheran", de Steffi Niederzoll (2023)
Documentário angustiante, dirigido pela cineasta alemã Steffi Niederzoll e apresentando a trágica história da jovem iraniana Reyhaneh Jabbari, enforcada pelo governo do Irã em 2014, acusada de ter assassinado um homem. O filme mostra o que aconteceu no dia em que Reyhaneh cometeu o assassinato: foi legítima defesa. Ela era designer de interiores, e estava trabalhando para um amigo da família em 2007. Um homem de meia idade que estava ali próximo se aproximou dela e disse que queria contratá-la para decorar seu consultório. Ao chegar lá, ela foi atacada pelo homem, que queria estuprá-la. Para se defender, ela acabou matando o homem. O homem era agente do serviço secreto e o governo não aceitou a hipótese de legitima defesa. No mundo tood, começou uma campanha para liberar Reynaneh. A sua família, especialmente sua mãe, liderou uma campanha. Mas 7 anos depois, em 2014, ela foi enforcada.
“Este filme é baseado em vídeo e material sonoro gravado secretamente que foi contrabandeado para fora do Irã”, anuncia as cartelas inciiais do filme. A mãe e irmãs de reynaneh conseguiram sair do Irã e atualmente moram na Alemanha. Por meio de vídeos pessoais gravados secretamente pela família de Reyhaneh, depoimentos e cartas escritas por ela na prisão, o documentário retrata o destino de uma jovem que se tornou símbolo da resistência e dos direitos das mulheres para além das fronteiras do Irã. Reynaneh foi torturada, chicoteada, e ainda assim, manteve-se firme. Tem uma passagem onde ela diz à mãe que não se drogou nem bebeu e nem arurmou inimigos na prisão, e que se fosse encontrada morta, que ninguém acreditasse que fosse suicídio, pois apesar de tudo, ela amava a vida.
É um filme doloroso de se assistir, principalmente quando assistimos imagens de Reynaneh antes da prisão, feliz, toda cheia de esperança.
segunda-feira, 13 de novembro de 2023
Upon entry
"Upon entry", de Alejandro Rojas e Juan Sebastián Vasquez (2022)
Drama espanhol praticamente filmado em um único ambiente, uma sala a polícia federal da Imigração americana em Newark. Em Barcelona, um casal, o venezuelano Diego (Alberto Ammam), um urbanista, e a dançarina Elena (Bruna Cusi) decidem tentar uma vida nova nos Estados Unidos. Mas ao chegarem no aeroporto de Newark, antes de conseguirem fazer uma conexão para Miami, o casal é pego de surpresa: precisam passar por uma 2a entrevista em uma sala fechada, interrogados por policiais americanos preparados para descobrir alguma mentira.
Ótimo drama com toques de suspense, "Upon entry" tem performances muito boas de todo o elenco, construindo pequenas nunaces através de olhares e pausas na respiração. Fico pensando como que os roteiristas Alejandro Rojas e Juan Sebastián Vasquez, que também são os cineastas, conseguiram ir tão a fundo na sperguntas feitas pelos policiais, afinal, tudo isso costuma ser super secreto. É um filme que eu certamente não deixaria alguem que quisesse entrar nos Estados Unidos pela 1a vez assistir, pois ficaria desesperado e desistiria. os policiais são apresnetados como ríspidos e invioláveis. É um filme muito denso e um ótimo estudo de personagens.
Dicks- The Musical
"Dicks- The musical", de Larry Charles (2023)
Alardeado como o primeiro musical produzido pela A24, "Dicks- the musical" é a adaptação cinematográfica da peça off Broadway "Fucking identical twins", escrita e protagonizada pelos atores Aaron Jackson e Josh Sharp. O grande sucesso da peça foi o pontapé para a adaptação cinematográfica, protagonizada e escrita pelos menos atores. A direção coube a Larry Charles, mesmo realizador da trilogia de Sacha Baron Carter, "Borat", "Bruno" e "O ditador". Assistindo a "Dicks", é fácil entender porquê Clark foi escalado para dirigir: o musical é escatológico, repleto de piadas infames e muitas interpretações over the top. Os números musicais e as letras, para mim que amo muiscais, achei chatíssimas. Algum dia eu preciso rever o filme e avaliar se foi a minha primeira impressão, mas o fato é que não gostei do filme. Me incomodei com os exageros de todo o elenco, que inclui Nathan Lane e Magan Mulally, como os pais Haryy e Evelyn de Craig e Trevor, os gêmeos idênticos. Eles são apresentados cmo o supra sumo da heteronormalidade tóxica e se vangloriam disso. Ambos trabalham em uma empresa do varejo em uma Nova York dos anos 90. Ali, eles são considerados os melhores vendedores, apesar dos 2 nunca terem se conhecido. Mas um dia, ao se verem, entendem que são gêmeos e que precisam conhecer os pais verdadeiros. A chefe deles na empresa é a cantora Megann Thee Stallion, que interpreta uma versão masculina de um chefe que pratica bullying e assédio nos empregados, uma feriz crítica ao mundo dos homens misóginos.
Para complementar a loucura, o ator asiático Bowen Yang interpreta Deus, numa versão extravagante que faria Almodovar corar. Tem de tudo no filme, inclusive incesto. não entrei na vibe, mas futuramente darei outra chance, pois se A24 produziu, deve ter algo que não consegui captar.
domingo, 12 de novembro de 2023
Carne de Deus
"Carne de Dios", de Patricio Plaza (2022)
Premiado com mais de 20 prêmios em Festivais internacionais, o curta de animação Argentino, com c-produção da Colômbia, "Carne de Deus", mescla elementos de fantasia e horror. Concorrendo no prestigiado Festival Annecy de animação, o filme ganhou melhor curta em Mar del Plata, o que o torna elegícel à pré-sseleção do Oscar da categoria em 2024.
O filme, sem diálogos, traz um visual assustador, em atmosfera d epesadelo, apresentando a colonização espanhola no México do Século XVII. Religiosos obrigavam o povo indígena a abosrver a religião cristã, usando de violência física e sexual. Um padre, após repimir uma mneina indígena a não usar cogumelos, acaba caindo doente. LEvado até uma curandeira idosa, ela faz com que ele coma os cogumelos que ele lutava contra. Sme opção, ele os traga. A partir daí, o padre tem aluconações psicodélicas, no estilo "Viagens alucinantes", de Ken Russel, envolvendo um Cristo monstruoso que mata o que estiver na frente, e uma criatura que abusa sexualmente do Padre.
Bastante ousado e polêmico, ao retratar um Cristo monstruoso, uma metáfora do ponto de vista dos indígenas sobre o que era a evangelização, o filme traz temas para discussões. As imagens são fortes e os traço do desenho são bastante assustadoras.
Cocaine shark
"Cocaine shark", de Mark Polonia (2023)
Tem horas que a gente só quer ver um filme ruim para se divertir um pouco. Mas mesmo aquele filme que a gente acredita que vai se divertir bastante por conter uma premissa trash, acaba não sendo tão divertido quanto deveria. É ruim, mas não ruim do jeito que a gente gosta.
Navegando na esteira do sucesso de 'O urso do pó branco", "Cocaine shark" engana no seu título. O filme não é sobre tubarões que cheiram cocaína. Li em uma matéria que o filme já estava pronto antes do filme de Elisabeth Banks estrear, e os produtores decidiram simplesmente mudar o titulo para enganar o público.
Um agente da DEA anti-drogas se infiltra em uma quadrilha que está traficando a droga HT25: a droga é produzida em cima de glândula de tubarões. Quem a toma, tem alucinações com tubarões o atacando. O agente acaba sendo preso, traído por uma integrante da quadrilha, e injetam a droga nele. Preso na cama, ele imagina um tubarão-caranhuejo e um tubarão em forma de ser humano atacando as pessoas. mas para a surpresa de todos, esses 2 tubarões são reais.
Ruim em tudo"atuações péssimas ( o mais divertido do filme), fotografia tosca, e os efeitos especiais, caramba, até criança de 5 anos faz melhor. Para se ter idéia, o tubarão humano com cabeça de tubarão, tem a cabeça feita de papel marché. Deu para dar 2 risadas, e só.
Sob as estrelas
"A la belle etoile", de Sébastien Tulard (2023)
Baseado na história real de Yazid Ichemrahen, um jovem marroquino que aos 22 anos, ganhou a Copa mundial de Patisserie, e desde então foi dusputado por confeitarias do mundo inteiro. Hoje, ele dá palestras e consultorias para confeitarias famosas. Mas o filme conta a dôr e tragédia que sempre o persgeuiram desde que criança. Abandonado pelo pai, Yazid desde criança tinha a paixão pela confeitaria. Mas a sua mãe passava por situação financeira complexa, e por isso, yazid apssou por diversas famílias adotivas, inclusive instituição para menores infratores. Mas ele nunca desistiu de sue sonho. Passando por Epernay, pequena cidade da França, até Paris, Mônaco, Yazid morou ao ar livre, sem dinheiro para custear um quarto. O título do filme se refere às estrelas que ele sempre admirava ao dormir ao relento.
O filme é protagonizdao por Riadh Belaïche, que tem o apelido de influencer Just Riadh. Nascido na Algéria, Riadh passou por muitas dificuldades, até ficar famoso nas redes sociais com seus vídeos de humor. A sua história de certa forma se aproxima da de Yazid. Riadh faz bonito, e mesmo com pouca experiência na atuação, deu conta do papel, repleto de camadas de emoção. É fácil o espectador sair aos prantos no seu final emocionante. Sébastien Tulard foi assistente de direção em diversos filmes e aqui estréia como diretor de longas.
Almas gêmeas
"Les âmes soeurs", de André Techiné (2023)
André Techiné é um dos mais conhecidos e premiados cineastas franceses, cultuado por muitos cinéfilos pelo seu estilo delicado e sutil de representar as emoções humanas, através das relações familiares fragilizadas. Ele já filmou com quase todos os grandes atores e atrizes da França, e também, aposta bastante na nova geração. Em "Almas gêmeas", ele escala como protagonistas dos dos mais talentosos atores da atualidade: a atriz e cineasta Noemie Merlant, de "Retrato de uma mulher em chamas", e Benjamin Voisin, de "Verão de 85", de Ozon. Dessa vez, techiné aposta em 2 temas explosios: incesto e suicídio.
Jeanne ( Noémie Merlant ) trabalha como adestradora de cães em uma região isolada de Ariège, França. Um dia, ela descobre que seu irmão mais novo, David ( Benjamin Voisin ), um soldado atuante do exército francês em Mali, ficou ferido após a explosão de uma mina no jipe militar que ele dirigia. enviado de volta à França, David, bastante ferido, fica sob os cuidados dos médicos e depois, de Jeanne, na casa dela. David está desmemoriado e não se lembra de nada. Mas aparentemente, David não quer se lembrar de nada do passado e resolve investir no presente.
Também no elenco, André Marcon como Marcel, um vizinho dress code, que tem pensamentos suicidas por conta da idade e envelhecimento do corpo, que ele não consegue tolerar. O filme, como sempre nos filmes de Techiné, traz ótimas performances. Mas os temas que ele porpôs ficaram bastante sutis e não se aprofunda muito. ozon certamente teria colocado pólvora na narrativa. Mas Techiné ficou na superfície. Bom, mas faltou uma adrenalina,
sábado, 11 de novembro de 2023
Um gato no cérebro
"Un gatto nel cervello", de Lucio Fulci (1990)
Um dos últimos filmes do mestre do horror italiano Lucio Fulci, autor dos mega clássicos "Zumbi 2", "From beyond", "O estripador de Nova York", entre outros. Fulci também produziu inúmeros slashers, e "Um gato no cérebro" é um filme que reúne uma antologia de 6 filmes produzidos por Fulci, com cenas enxertadas durante o filme.
Fulci, o próprio, representa a ele mesmo. Ele está rodando seu mais novo filme de terror. porém, ele passa a ter alucinações com cenas de assassinatos dos filmes produzidos por ele. Ele decide ir ao psiquiatra, o professor Schwarz (David L. Thompson). Mas Schwarz tem planos sinistros: ele hipnotiza Fulci para que ele acredite que os assassinatos cometidos pelo psiquiatra foram cometidos por Fulci.
O filme apresenta um fiapo de história, e a sua quase total duração é composta por 6 filmes produzidos por Fulci, com cenas brutais envolvendo assassinatos gore, que contém até uma decapitação com serra elétrica de uma criança. Cenas grotescas de mutilação, facadas, machadadas e outras ultra violentas. Para quem aprecia o estilo trash e grotesco de Fulci, o filme é imperdível. Foi considerado por alguns críticos como o "8 1/2" de Fulci.
Fuga de Nova York
'Escape from New York", de John Carpenter (1981)
Filmado entre 2 de seus clássicos, "A bruma assassina" e "O enigma de outro mundo", "Fuga de Nova York" é um dos maiores cults do Mestre John Carpenter. Um filme copiado inúmeras vezes, deve muito de seu visual a outro grande clássico, 'Os selvagens da noite", de 1979. os dois fariam uma ótima dobradinha em qualquer sessão apresentando Nova York distópica e decadente, infestada de gangues assassinas e anti-heróis. Tudo no flme é antológico e fanscinante: o personagem de Kurt Russel, Snake Plissken, que usa um tapa-olho (alguém lembrou de Tarantino?). A trilha sonora, assinada por Carpenter, traz até uma das músicas fazwendo homenagem à "Halloween", também de sua autoria. As músicas mesclam sintetizadores dos anos 80, disco, funk, muito por conta da presença do músico isaac Hayes no filme, como o super vilão the Duke. Atores veteranos como Ernest borgnine como o taxista, Harry Dean Stanton como Brain, Adrianne Berbeau como a stripper Maggie, Lee Van Cleef como o agente do governo Hauk e Donald Pleasence como o presidente dos Eua. Jamie Lee Curtis empresta suz voz à narradora que no prólogo, explica a situaçãop dos Estados Unidos em 1997: com a criminalidade atingindo nível estratosférico, Manhattan se tornou uma prisão de segurança máxima, onde presos de todos os tipos são jogados lá , sem poder sair. Quando o avião do presidente é sequestrado por uma grupo anti-imperialista, ele foge em uma cápsulaq ue cai em Manhattan. Snake, prisioneiro, é convocado pelos agentes americanos para resgatarem o presidente em 24 horas,, com a seguinte condição: se conseguir resgatar o presidente, ele ficará livre. Se falhar, seu corpo explodirá com bomnbas implantadas.
É uma delícia assistir a esse filme, mais de 42 anos depois de sua realização e perceber o quanto ele continua atual. Na época, fez enorme sucesso de público e crítica, e em 1996, Carpenter lançou "Fuga para Los Angeles", mas já não teve a mesma recepção. Muitas cenas se tornaram antológicas, como o ataque da gangue dos canibais, a chegada da caravana do the Duke com seu carro com lustres e música funk. Kurt Russel celebrou uma parceria com Carpenter, que começou com "Elvis", de 1979, e retomando com obras-primas como 'o engma de outro mundo"e outro cult, 'Os guerreiros do bairro proibido". Imperdível.
Nightmare symphony
"Nightmare symphony", de Domiziano Cristopharo e Daniele Trani (2023)
Co-produzido por Kosovo, Itália e Suiça, "Nightmate symphony" é uma homenagem explícita ao gênero de terror italiano "Giallio", mais precisamente, ao mestre de terror italiano Lucio Fulcci e seu filme "Um gato no cérebro/Nightmare concert", de 1990. No filme, o próprio Lucio Fulcci interpreta um cineasta em crise com o filme que está filmando, e começa a misturar ficção e realidade, enquanto integrantes de sua equipe técnica vão sendo assassinados por um serial killer. Uma clara referência a "8 1/2", de Fellini, sobre um cineasta em crise criativa, "Nightmare symphony" segue exatamente a mesma história. Agora, o cineasta Frank ( o cineasta americano Frank Laloggia, diretor de filmes B) viaja até Kosovo para uma filmagem. Integrantes da eequipe técnica vão sendo assassinados.
O assassino, vestindo uma cabeça de pavão, é refer6encia ao clássico 'O pássaro sangrento", de Michele Soavi. A cada assassinato, ele coloca uma pena de pavão no morto. As mortes são muito boas, bem no estilo navalha e cortes profundos. Mas o filme se estende demais em sub-tramas e crises do cineasta que mais enrolam do que fazem o filme andar. Acaba que não agrada totalmente aos fãs de giallio, pois narrativa longa e pouco foco nos assassinatos. O desfecho é bem insatisfatório.
O astronauta
"L'astronaut", de Nicolas Giraud (2023)
O cinema francês é bastante hábil em emocionar o público e fazer a platéia cair em prantos com fantasia e encantamento. Com "o astronauta", não podia ser diferente. Co-escrito, protagonizado e dirigido pelo cineasta a ator francês Nicolas Giraud, o filme fala sobre sonhos e conquistas.
Jim Desforges (Giraud) é um renomado engenheiro aeronáutico da empresa francesa Arianespace. Frustrado por não ter sido selecionado para um programa espacial, Jim secretamente desenvolve um projeto que as pessoas mais próximas consideram loucura: tornar-se o primeiro astronauta amador a ir ao espaço. Há oito anos ele constrói seu próprio foguete, ajudado apenas pela avó e por um amigo. Para realizar seu sonho, ele decide entrar em contato com Alexandre Ribbot (Mathieu Kassovitz), ex-astronaut que desde que foi ao espaço, nunca mais conseguiu se adaptar à Terra, entrando em depressão.
Emocionante e com um desfecho que irá arrancar lágrimas, 'O astronauta" é um filme com boas performances liderado por 2 grandes atores franceses e um elenco de apoio formidável. A trilha sonora acompanha a emoção das cenas e mesmo em orçamento médio, o filme cumpre visualmente o que promete.
Os animais mais fofos e engraçados do mundo
"Os animais mais fofos e engraçados do mundo", de Renato Sircili (2023)
Premiado curta Lgbtqiap+, "Os animais mais fofos e engraçados do mundo" é um ousado drama que apresenta o sexo entre um casal gay de 3a idade, de forma explícita. A história inusitada apresenta Jorge (Paulo Goya), um camareiro de 70 anos de um motel barato, que grava esconido úadios de casais transando. De noite, ele vai na casa de seu amante, Alberto (Wilson Rabelo) e juntos, fazem sexo oouvindo os áudios.
Com excelente performance dos 2 atores, e filme traz um outro filme sonoro, que são as aventuras sexuais dos casais. É divertido, dramático, melancólico.
Água doce
'Agua doce", de Antonio Miano (2023)
Dois primos se reencontram depois de muito tempo para resolver questões relacionadas a uma herança conjunta: o sítio dos seus finados avós que será vendido para uma usina de cana-de-açúcar. João (Jesuíta Barbosa) e seu primo (Tulio Starling) têm uma questão mal resolvida no passado de ambos. João, ao tomar banho no riacho, passar a ter alucinações com uma figura mítica do riacho, que o ajuda a exorcizar seus fantasmas.
Belamente fotografado e com ótimas performances de Jesuíta Barbosa e Túlio Starling, o filme exale tesão e sensualidade homoerótica. Gosto mais d aparte realista do filme. O momento de realismo fantástico merecia um pouco mais de exploração. Uma crítica ao universo conservador dos agro boys.
sexta-feira, 10 de novembro de 2023
Rima ou morra
"Rhyme or die", de Max Lincoln (2023)
Premiado curta-metragem inglês, "Rima ou morra" é dirigido por Max Lincoln e escrito por Alex Moran. O filme traz homenagens à "Round 6" e "Jogos mortais": cinco estranhos acordam em um local comandado por uma mulher bizarra, Dínamo. Como uma Dj psicótica, ela coloca uma coleira em cada uma das pessoas. Eles precisam participar de um jogo de rima de rap, em rounds diferentes. Quem não conseguir rimar à tempo, morre. Cabeças cortadas, cabeças explodindo, cabeças torcidas. Tem de tudo nessa brincadeira distópica de horror. Um filme curioso, que segundo o roteirista e o escritor, tiveram inspiração em um concurso de batalha de rap e no cult japonês "Battle royale".
Making of
"Making of", de Cédric Kahn (2023)
Vencedor de um prêmio especial no Fetsival de Veneza, "Making of" busca na obra-prima de truffaut, "A noite americana", um correlato. É um filme que fala sobre cinema, sobre filmagem, e mescla a história dentro da história, e chega um momento em que elas se cruzam. Assim como no filme de Truffaut, existe uma criuse entre integrantes da equipe técnica: O diretor se sente solitário; um integrante da equipe começa a namorar a atriz principal e passa a ter ciúmes dela em cena; o ator protagonista deseja todas as atenções para si; os produtores estão com problema de fluxo de caixa e podem ter que parar a filmagem; o maquinista é bronco e violento; o assistente de direção procura ajudar o diretor nos momentos mais complexos da produção; os figurantes reclamam dos maus tratos.
Ou seja, nada diferente de qualquer filmagem no mundo. O grande barato do filme, é a mescla de drama social e um humor que eventualmente surge, mais como uma saia justa do que pelo humor em si. O elenco é muito bom, encabeçado pelo excelente Denis Podalydès, no papel do cineasta Simon.
Mulheres brilhantes
"Brillantes", de Sylvie Gautier (2023)
Longa de estréia da documentarista francesa Sylvie Gautier, "Mulheres brilhantes" é um drama social, bem ao gosto do cinema dos irmãos Dardenne, onde as protagonistas são figuras anônimas da sociedade: faxineiras que passam a noite limpando escrotórios. Karine (Céline Sallette) e as colegas de trabalho Adèle, Maryse e Djamila trabalham na empresa há anos. Karine tem um filho de 17 anos, Ziggy. Quando a empresa de Karine é vendida, os novos donos impõem que as funcionárias trabalhem também na filial da empresa que fica há 50 km de distância. Karine é analfabeta, e seu filho lê tudo para ela. Karine tem vergonha e não diz à ninguém que não sabe ler nem escrever. Quando o seu chefe descobre seu segredo, a chantageia.
O cinema francês tem um sub-gênero que é justamente o protagonismo de profissionais que vivem do sub-emprego, figuras anônimas da sociedade. Esse protagonismo de pessoas da classe baixa faz com que os atores brilhem em performances que mecslam o naturalismo e momentos de grand eintensidade emocional. Em "Mulheres brilhantes", não poderia ser diferente. Apesar do filme ser vendido como comédia dramática, ele não tem nada de cômico, pelo contrário. É uma vida sufocante, mulheres que unem suas forças para sobreviverem em um mundo de homens que amam exercer o poder.
Assinar:
Postagens (Atom)



















