sábado, 19 de fevereiro de 2022

O massacre da serra elétrica


"Texas chainsaw massacre", de David Blue Garcia (2022) A mesma raiva que eu fiquei de "Halloween ends", fiquei com esse "O massacre da serra elétrica" versão 2022. Ambos os filmes estragaram os personagens sobreviventes do filme original, dando decisões ridículas e tornando-os figuras vingativas sem qualquer escrúpulo. "Texas chainsaw massacre" foi lançado originalmente em 1973, e desde então, teve mais 8 filmes da franquia. Mas aqui, o produtor Fede Alvarez decidiu ignorar os outros filmes e faz uma continuação direta do original, 50 anos depois. Duas histórias paralelas vão seguindo na narrativa até o desfecho, onde se encontram. Sally, sobrevivente do 1o filme, decide se vingar de Leatherface assim que percebe que ele retornou. Agora uma exímia assassina ( que nem Laurie de Jamie Lee Curtis de "Halloween", cadê a originalidade???) ela vem ao encontro dele para se vingar da morte dos amigos. Na cidade de Harlow, um grupo de amigos vem para ajudar na gentrificação da cidade. Entre eles, as irmãs Melody (Sarah Yarkin) e Lila (Elsie Fisher). Claro que Leatherface vai fazer a maior festa com essa garotada.O filme já teve problemas desde o início das filmagens. Os diretores originais, os irmãos gêmeos irlandeses Ryan e Andy tiveram desavenças criativas e foram demitidos. O filme é bastante violento e gore, portanto, recomendado apenas para quem gosta do gênero. O filme tem boas cenas de tensão, e a cena do ônibus é um verdadeiro massacre que lembra "Hollywood ends" e acaba sendo uma crítica à juventude que fica direto em redes sociais. Mas as decisões sobre alguns personagens de fato me irritaram muito, e o que dizer da cena final? Palhaçada.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Licorice Pizza


"Licorice Pizza", de Paul Thomas Anderson (2021)
O que mais me emocionou nesse filmes escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, baseado em parte em memórias de sua adolescência e nas histórias de um amigo produtor, foi ele ter escalado Cooper Hoofman como um dos protagonistas. Cooper é filho do ator fetiche de Anderson, Philip Seymour Hoffman, e impressiona a semelhança física e na forma interpretativa. Alana Haim, que divide o filme com Cooper, está brilhante no papel de Alana, paixão platônica de Gary (Hoffman). O que os separa? A idade: ele tem 15, ela tem 25, e duas criações familiares distintas. Enquanto a de Gary ele tem uma mãe liberal, que o deixa fazer de tudo, a de Alana, judia, e mega conservadora e os pais ficam em cima dela o tempo todo, cobrando por ela não ter um emprego decente,
Gary é um ex-ator mirim, que conhece Alana na sua escola. Ela é assistente de fotografia, que faz fotos para catálogos de alunos. Logo ele se declara para ela. Eles irão trabalhar juntos em vendas de colchão d'água. Gary também tenta ajudar Alana a procurar emprego como atriz. Muitas coisas acontecem na vida desses dois, assim como em "Punch drunk love", um amor que vai e vem.
Com um time de excelentes atores de apoio, que vai desde famosos como Bradley Cooper, Sean Penn até desconhecidos muito bons. Tecnicamente perfeito em todos os quesitos: fotografia, trilha sonora, edição, direção de arte.

A filha do pescador


'Tzarevna scaling", de Uldus Bakhtiozina (2020)
Fábula russa surreal e bastante bizarra, escrito e dirigido pela figurinista e fotógrafa de moda Uldus Bakhtiozina em seu filme de estréia, O filme parece uma mistura de Jos Aterlling, famoso cineasta holandês, Terry Gillian e muito de 'As lágrimas amargas de Petra Von Kant", de Fassbinder, com um visual retrô futurista carnavalesco.
Polina (Alina Korol) trabalha em um food truck de peixe, e está tensa pelo desaparecimento do irmão. Com insônia, ela recebe um chá misterioso de uma cliente idosa. Ao tomar o chá, Polina se vê transportada em um mundo paralelo, quase que uma 'Alice no país das maravilhas". Lá, ela é apresentada à uma Rainha, que diz que Polina pode vir a ser a filha de um Czar, uma Czarina, e assim, deve ser preparada para tal.
Uma fábula feminista mas confusa e com mensagens que me deixarem no ar, sem entender exatamente a proposta do filme, a nao ser o do uso do chá como metáfora da libertação. O figurino, direção de arte e fotografia são incríveis, muito vintage anos 70 e 80.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Batidas


"Knocking", de Frida Kempff (2021)
Concorrendo em diversos Festivais de gênero, incluindo o prestigiado Sitges, "Batidas" é um bom suspense psicológico, filme de estréia da cineasta sueca Frida Kempff. O filme traz Molly (Cecilia Milocco), uma mulher traumatizada por um evento do passado envolvendo a sua namorada. Molly está há um tempo internada em clínica psiquiátrica, e recebe alta. Ao retornar para seu apartamento, onde mora sozinha, ela procura voltar à sua vida normal. Mas aos poucos, ela tem sua sanidade colocada à prova: ela escuta batidas e gemidos, e tem certeza de que uma mulher está precisando de ajuda. Ela recorre aos vizinhos e ninguém acredita nela. Polícia mesma coisa, eles chegam e não encontram nada.
essa história todo mundo já viu centenas de vezes, tendo "Uma mulher na janela", com Amy Adams, como exemplo mais recente. São filmes que exploram o gaslighting, desmentindo a protagonista. O que faz valer a pena assistir a esse filme é o ótimo trabalho da protagonista, a fotografia que trabalha bem a questão da claustrofobia e por ser um raro filme sueco de gênero. A curiosidade é a cena de 'Persona", de Bergman, que a personagem assiste na clínica. O final é confuso, e cada um interprete como achar melhor. O filme é adaptado da novela escrita por Johan Theorin.

O drama de Dunquerque


"Dunkirk", de Lelsie Norman (1958)
Drama de guerra dirigido pelo inglês Leslie Norman e lançado em 1958. Serviu de base para o hipnótico filme de Christopher Nolan, 'Dunkirk", de 2017.
"O drama de Dunquerque" retrata a batalha durante a Segunda Guerra Mundial que durou de 25 de Maio a 4 de Junho de 1940. Uma enorme força britânica e francesa ficou encurralada por uma divisão alemã a norte da França e entre o canal costeiro de Calais. Mais de 300 000 soldados aliados foram evacuados por via marítima, salvos por barcos particulares que vieram da Inglaterra e pela marinha. Milhares de soldados faleceram em Dunkirk. O filme mostra a união de civis e militares contra o ataque alemão.
Contrariando dramas épicos da época, esse filme não continha muitas estrelas. John Mills, Bernard Lee e Richard Attemburough eram os chamarizes. O filme, todo rodado em preto e branco, tem o 1o ato arrastado, e só pega no tranco na batalha final. Como documento de época é bom, misturado com muitas imagens documentais para amenizar o grande orçamento. Em comparação com o filme de Nolan, sai perdendo, e muito.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Wildland


"Wildland", de Jeanette Nordahl (2021)
Concorrendo no Festival de Berlin e outros importantes festivais, 'Wildland" é um drama intenso que lembra bastante o drama australiano "Reino animal", sobre uma família de criminosos liderados por uma mãe com pulso firme.
Depois de perder a mãe alcoólatra e drogada em um acidente de carro, Ida (Sandra Guldberg Kampp), de 17 anos, é enviada para morar com sua tia Bodil (Sidse Babett Knudsen) e seus três filhos adultos: Jonas, David e Mads (Joachim Fjelstrup, Elliott Crosset Hove, Besir). Zeciri). Ida logo descobre que, além de ser unida, a família está administrando uma violenta empresa de cobrança de dívidas.
O filme é uma produção dinamarquesa que se apóia totalmente em seu excelente elenco. A co-roteirista e cineasta Jeanette Nordahl explora um filme sobre criminosos tendo personagens femininas como protagonistas, dois lados de uma família. Um drama que poderia acontecer em qualquer lugar do mundo, e por isos, uma história de entendimento universal. O título original, "Ked and Blod", significa carne e sangue.

Tô rica 2


"Tô rica 2", de Pedro Antonio (2022)

Continuação do grande sucesso com Samantha Schmutz, e que agora encontra uma rival ( Evelyn Castro) que alega ser a verdadeira Selminha. As cenas do embate das duas me lembrou bastante o quebra pau de Meryl Streep e Goldie Hawn em ' A morte lhe cai bem", clássico de Robert Zemeckis, onde literalmente se engalfinham. O elenco é o grande carro chefe do filme, com talentos como Katiuscia Canoro, Erom Cordeiro, Anderson Rizzi, Marcelo Mello jr, Charles Paraventi e Rafael Portugal. Diversão descontraída com direito a show de uma famosa dupla sertaneja no final.

Bikini


"Bikini", de Lasse Persson (2006)
Delicioso curta de animação sueco LGBTQIAP+, premiado no Festival de Berlin. O filme conta a história de um jovem que decide pegar o bikini de sua mãe enquanto ela está dormindo, e junto do estojo de maquiagem dela, segue até a praia e se traveste. Agora uma travesti, faz um enorme sucesso com dois bofes disputados pela mulherada local. Eles ficam apaixonados pela travesti. Uma frequentadora, ciumenta, decide ir até a casa da mãe do rapaz e traz a mãe dele, que vem até a praia e o pune.
Todo embalado com a música "Bikini de bolinha amarelinho", "Bikini" é sem diálogos e bastante criativo, e impossível de não dar umas boas gargalhadas. E assistam aos créditos finais.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Kimi- alguém está escutando"


"Kimi", de Steven Soderbergh (2021)
Com a pandemia, perdi a conta de quantos filmes assisti com o protagonista sendo portador de agorafobia, que é o medo de lugares e situações que possam causar pânico, impotência ou constrangimento, e por isso, os protagonistas geralmente se trancam em casa e não sabem para as ruas.
O Cineasta Steven Soderbergh, em sua carreira alternou filmes blockbusters, como "Onze homens e um segredo", "Erin Brockovich" com produções menores, independentes e bastante autorais. "Kimi- alguém está escutando" está no meio termo. Ele procura ser um thriller de suspense, mas busca também ser um filme independente, com boa parte da narrativa acontecendo com a protagonista sozinha em casa com Kimi, a voz AI que rivaliza com Siri e Alexa.
Angella (Zoë Kravitz) é uma programadora de sistema que trabalha para a empresa Amygdala, que criou e desenvolveu a Kimi. A diferença dos outros sistema é que em Kimi, existem humanos monitorando o AI. Angela sofreu um trauma no passado, e junto à pandemia, desenvolveu agorafobia. Seu namorado Terry mora no prédio da frente. Quando Angela testemunha no sistema um indício de assassinato, ela pede ajuda, mas descobre que o dono da Amygdala está envolvido e está indo atrás dela.
Confesso que achei o filme bem arrastado e monótono. Como suspense, ele não empolga e tem um desfecho bastante inverossímel para alguém que passou anos com agorafobia. Como drama, não senti muita empatia pela protagonista. Vale pelo trabalho da atriz Zoa Kravitz, que está bem no papel e é o que sustenta a atenção do filme até o final.



À deriva


"Zuk seoi piu lau", de Jun Li (2021)
Premiado drama chinês, concorreu em importantes festivais, como Rotterdan. O filme poderia acontecer em qualquer lugar do mundo capitalista: baseado em história real, o filme apresenta sem testo que moram nas ruas de Hong Kong e são expulsos pela polícia por importunarem as ruas públicas. Sem terem aonde ficar, sem apoio do governo, eles são abandonados à sua própria sorte, e muitos se tornam alcoólatras e viciados em drogas. Fai ( Francis Ng ) é o protagonista, um homem na faixa dos 40 anos, e é através dele que acompanhamos um grupo de sem tetos, e o apoio que conseguem de uma assistente social que sugere que eles entrem com um processo contra o Governo.
Essa história aconteceu em 2012. O cineasta Jun Li era estudante de jornalismo e soube da história de Fai, e decidiu falar sobre os sem teto. O filme tem uma narrativa quase documental, crua, naturalista. É um filme duro,triste, e traz um olhar bruto sobre os marginalizados que não têm nada: emprego, família e que dependem da ajuda das outras pessoas para seguirem adiante os seus dias.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Aftertaste

‘Aftertaste”, de Chloe Wicks (2020)
Premiado curta inglês que mescla romance, drama e terror, ‘Aftertaste” traz dois melhores amigos, Moll (Jessica Brown Findlay) e Alfie (Joe Dempsie ) que decidem, após anos de amizade, se conhecerem melhor. Alfie vai até a casa de Molly e vão até o quarto. Antes, Molly vai até sua cozinha e bebe sangue que está na geladeira.

Um filme que cria expectativas, ‘Aftertaste” tem dois bons atores e bons diálogos, uma direção correta e fotografia que cria uma atmosfera sensual e de suspense. O filme concorreu em diversos Festivais, e confesso que esperava mais, achei simples e um final meio sem graça.

The in between


“The in between”, de Arie Posin (2022)
Com roteiro escrito por Marc Klein, “The in between” é um drama rom6antico fantasioso, no estilo “Ghost”, produzido e protagonizado por Joel King, a protagonista da franquia de sucesso “Barraca do beijo”. Aqui, ela está no papel de Tes, uma fotógrafa que não confia muito no seu trabalho e acaba conhecendo Skylar (Kyle Allen), um jovem salva vidas apaixonado por cinema e literatura franceses e que fala várias línguas. Eles se apaixonam, mas após uma briga por conta de uma foto que Tess deu para Skylar, eles sofrem acidente de carro. Skylar morre e Tess sobrevive. Passado um tempo, ela se sente culpada pelo acidente, até que estranhos fenômenos acontecem, e Tess acredita que Skylat está tentando se comunicar com ela.
Esse tema do amado que volta como espírito já vimos várias vezes, em diversos gêneros. Mas aqui, o filme aposta no melodrama rasgado. Joel King chora 90 % do filme, e nos outros 10 % ela está deprimida. O que mais gostei, foi que no início o casal vai assistir o clássico “Betty Blue”, de Jean Jacques Beinex. O filme tá muito longo, quase duas horas de duração, merecia uma meia hora a menos. A trilha sonora traz clássicos dos anos 80, como Inxs e Lou reed.

Hermanoteu na Terra de Godah


"Hermanoteu na Terra de Godah", de Homero Olivetto (2021)
Adaptação cinematográfica da peça homônima, um fenômeno de público e crítica, que se apresentou pela 1a vez em 1995. Um grande sucesso no canal do Youtube, a peça acabou sendo dirigida por Homero Olivetto, já habitueé do deserto, pois é dele a fantasia futurista "Reza a lenda".
Filmado parte na pedreira do Rio de Janeiro e no deserto de Acatama, no Chile, começa com um prólogo: um novo papa (Jonas Bloch) será anunciado. Dois bispos ( Milton Gonçalves e Marcos Caruso) contam ao novo Papa uma história que ficou fora da Bíblia: como o hebreu atrapalhado Hermanoteu (Ricardo Pipo) recebeu a missão de salvar a desconhecida terra de Godah e acabou como o 13º apóstolo (não conhecido) de Cristo.
O filme é interpretado pela Cia melhores do mundo: Welder Rodrigues, Ricardo Pipo, Adriana Nunes, Adriano Siri, Jovane Nunes e Victor Leal . É muito bom assistir a um filme blockbuster com elenco renovado, traz um enorme frescor. Fora isso, a qualidade técnica do filme está impresso na cartela: os melhores profissionais em cada área, tanto na fotografia 9 Dudu Miranda), figurino ( Bia Salgado), trilha (Plinio Profeta), Arte (Valeria Costa), entre outros, em uma mega produção da Casé filmes. Um filme divertido e irreverente, impossível não se lembrar do grupo inglêss Monty Phyton.

Conferência


"Konference", de Ivan I. Tverdovskiy (2021)
Premiado drama russo que fala sobre uma das maiores tragédias na Rússia no século XX: No dia 26 de outubro de 2002, o comando checheno - integrado por 40 terroristas - tomou o teatro Dubrokva one estava sendo encenado um musical para 1000 espectadores e os colocaram como reféns. Após uma desastrada ação dos soldados russos, mais de 130 reféns morreram, muitos, pelo gás venenoso usado pelos soldados. O filme traz a tragédia dos sobreviventes 20 anos depois: uma freira, NAtascha (Natalya Pavlenkova), sobrevivente do massacre, organiza uma conferência"onde conclama os sobreviventes e seus familiares e irem até o Teatro para celebrar os mortos e a alma deles. Outrora casada e com dois filhos, Natascha reencontra sua filha Galya, que a repele com violência. ela descobre que seu ex-marido está paralisado com derrame na cama. Durante a conferência, os sobreviventes dão o seu relatos da noite do massacre.
Um filme bastante doloroso, pesado, que traz memórias de crimes e assassinatos nas bocas dos sobreviventes, soberbamente interpretados com muita veracidade por um elenco excepcional, que faz realmente voc6e acredita que estiveram na noite do massacre. A atriz principal, Natalya Pavlenkova, também dá uma performance devastadora em um papel de uma mulher que abandona tudo, surtada com o evento e ouve um chamado de Deus, que a faz se tornar freira no monastério. Um filme complexo, com personagens difíceis, repletos de camadas de dor e depressão. Um filme angustiante, que não deve ser visto por pessoas em estado depressivo ou de luto.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Willem


“Willem”, de David Hastings (2020)

Que peça de teatro fabulosa esse filme não daria, com 3 atores em cena: 1 ator de 45/50 anos, e outros dois na faixa dos 25/30 anos. O filme recebeu inúmeros prêmios, e é livremente inspirado na vida de Willem Aroundeus, um artista e escritor holandês, mas também, um ativista da resistência na 2a guerra, abertamente homossexual. Os atores Thomas Loone, como o jovem oficial nazista Alexander, e Chris Johnson, como Willem Aroindeus, dão um show de performances nesse comovente filme, que se passa num período de 3 dias, dentro da cela onde Willem permaneceu preso, eventualmente sendo espancado pelo outro oficial, até ser fuzilado no dia 1o de julho de 1943.

Alexander, um jovem oficial nazista está esperando seu novo prisioneiro que foi encarregado de vigiar até sua execução. Seu prisioneiro é Willem, um combatente da resistência holandesa, que foi condenado por explodir um prédio que continha registros de moradores judeus locais que o exército nazista estava perseguindo, em uma tentativa de lutar contra a crescente ascensão do fascismo. Willem também é abertamente homossexual, ou seja, duplamente perseguido pelos nazistas. Enquanto Willem e Alexander estão sentados sozinhos na cela, o primeiro tenta conversar com seu captor, que inicialmente permanece quieto. Mas ao longo de três dias, eles não apenas começam a conversar, mas começam a ter um profundo impacto emocional um no outro.No final, antes de ser fuzilado, Willem escreve uma frase em um papel e o entrega a Alexander: "Let it be known that homossexuals are no cowards".

A cidade dos abismos


“A cidade dos abismos”, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (2021)
Com roteiro escrito por Pryscila Bettim, o longa de estréia da dupla paulista é um mergulho na grande Metrópole de São Paulo, com suas ruas decadentes da Boca do lixo. E é esse cinema que veio da Boca que os cineastas resolvem homenagear: o cinema dos anos 80 de Carlos Reinchembach, algo de Sregio Bianchi, Wilson Barros, José Antonio Garcia. E mais: o filme é dedicado ao cineasta Luiz Rosemberg Filho, um dos expoentes do cinema marginal, também homenageado. Cenas de “Limite”, de Mario Peixoto, também aparecem na tela. O filme foi rodado em película 16 mm, 35 mm e super 8, para dar textura e granulação dos filmes desse período.

O filme se passa na véspera do Natal: 2 mulheres trans, interpretadas por Veronica Valentiino e Sofia Riccardi, sobem um prédio para que lhes apliquem silicone no corpo. Depois, seguem até um bar, comandado pelo imigrante africano interpretado por Guylain Mukendi. Lá, também se encontra uma mulher, a atriz Carolina Castanho. Essas quatro personagens representam a sociedade massacrada e marginalizada de São Paulo. Mas uma delas é assassinada no bar. Os outros decidem ir em busca dos culpados.
Não é difícil descobrir os responsáveis pelo crime. Em um país onde se convive com uma sociedade transfóbica, misógina, racista, uma parte da polícia corrupta age como assassinos. O filme tem uma narrativa e
rimental, muitas vezes teatral, com os atores quebrando a quarta parede. Arrigo Barnabé, um ícone do cinema dos anos 80 de são Paulo, faz uma participação no filme, cantando em um bar.

Aqueles que vão embora


"Those who walk away", de Robert Rippberger (2021)
Terror indie americano, 'Aqueles que vão embora" tenta buscar referências em outros filmes indies premiados, principalmente, "A casa silenciosa", o filme chileno com um único plano, ou "A corrente do mal", quando uma entidade precisa ser passada de uma vítima para outra. Mas infelizmente, o que parecia uma grande promessa, se torna um filme confuso, longo, de ritmo arrastado e sem sustos.
O filme todo é para simular um único plano sequência, mas tem cortes evidentes ali. Os primeiros 30 minutos do filme são para enganar o espectador: dois adolescentes, Max (Booboo Stewart) e Avery (Scarlett Sperduto), marcam um encontro em um app de relacionamento. Max é tímido, Avery é mais despachada. Eles combinam uma sessão de cinema com reprise de 'Evild dead". Avery revela ser a gerente do cinema, mas ao chegarem lá, a polícia está presente pois alguém ligou ameaçando o local com bomba. Avery decide convidar Max para algo ousado: ir até uma casa considerada mal assombrada. Ao chegarem lá, ela conta a história de Rotcreep, um demônio que ao tocar nas pessoas, a apodrece.
Claramente uma metáfora sofre as almas e corações sofridos de ambos os jovens, o filme se torna confuso, e mesmo na simbologia, muita coisa não faz sentido. O filme não assusta, e pior, pretensão das pretensões, ouvimos o diretor do filme gritando "Cut", e o filme acaba.

Cow


"Cow", de Andrea Arnold (2021)
Polêmico documentário dirigido pela cineasta inglesa Andrea Arnold, 3 vezes vencedora do Grande prêmio do juri no Festival de Cannes, entre eles, 'Docinho da América" e 'Fish tank". "Cow" competiu na seção 'Golden eye" do festival de Cannes voltado aos documentários. O filme me lembrou bastante "professor polvo", filme premiado com o Oscar de documentário. O espectador acompanha vida e morte de um animal em específico, se afeiçoando a ele. Em 'Cow", a cineasta e sua equipe acompanham Luma, a protagonista, em 4 anos de sua vida. Desde o nascimento de bezerros e a consequente separação da mãe; o sexo forçado com os touro, para fins de reprodução; a produção sem fim de leite, os poucos momentos de alegria de Luma quando ela pasta em campo aberto e no fim, a sua morte cruel, com um tiro na testa, assim que ela demonstra sinais de fragilidade. o filme, que não se recomenda a nenhum espectador sensível a cenas de animais sofrendo, faz um paralelo entre os currais e os campos de concentração, incluindo marcações no corpo e corredores estreitos e imundos.
Acompanhar 90 minutos da vida de uma vaca , fosse um filme da Disney, certamente seria prazeiroso. Mas aqui, nas mãos de Arnold, se mostra um filme melancólico, duro, cruel e que apresenta a rotina de uma fábrica leiteira, onde o processo de produção não deve parar.

A primeira morte de Joana


"A primeira morte de Joana", de Cristiane Oliveira (2021)
Diretora do ótimo "Mulher do pai", a cineasta premiada Cristiane Oliveira co-escreve com a atriz Silvia Lourenço e Gustavo Galvão um drama delicado e surpreendente sobre o despertar sexual e social de Joana (Letícia Kacperski), uma menina de 13 anos que mora no interior do Rio Grande do Sul, descendente de alemães e com educação rígida de sua avó e sua mãe, com que mora. Através da morte de sua tia-avó, falecida aos 70 anos, Joana fica curiosa pelo fato dela nunca ter beijado nenhum homem , nem ao menos ter pêgo nas mãos de alguém. Joana mantém amizade com Carolina (Isabela Bressane), uma amiga que foi morar com o pai em Berlim, mas por desemprego, acabaram voltando. Mas Carolina não é mais a mesma, e a sua presença, mas a história da tia-avó, transformam Joana para sempre.
O filme foi exibido em Gramado 2021 e no Canal Brasil, e recebeu diversos prêmios, entre eles, edição e fotografia. Retrato cruel de uma sociedade conservadora, machista, misógina e retrógrada, Joana é fruto de uma educação que ensina as mulheres a não terem "postura"de guris, como bater para revidar de um bullying. O roteiro lida com temas bastante sérios para um drama de universo feminino visto pelo olhar de uma menina de 13 anos. A primeira morte, referência a "pequena morte" ou masturbação, é um dos temas tratados com muito respeito pela direção: lesbofobia, bullying, repressão doméstica, masturbação, além do racismo e do preconceito religioso, através do sub-plot da mãe de Joana que se envolve com um rapaz negro de um terreiro ds umbanda, mal visto pela sua mãe.
Cristiane trabalha uma narrativa que mistura realismo com fantasia, e trabalha o naturalismo nas atuações de seu elenco. Palmas para o trabalho complexo e corajoso das duas atrizes, Letícia Kacperski e Isabela Bressane, um ato de amor e dedicação ao ofício.

Noite macabra


"Noite macabra", de Felipe Lesbick (2021)
Sensacional curta brasileiro que homenageia o cinema de terror slasher dos anos 80, com muito humor e trasheira, dirigido e escrito pelo cineasta gaúcho Felipe Lesbick. O filme concorreu no Festival de Gramado 2021 e levou o prêmio de melhor música, merecido, com muitos sintetizadores típicos da época.
Buscando referências em clássicos como "Hallowwen" e "A noite dos mortos vivos", o filme acontece em Gramado: um casal namora em uma área isolada, mas na verdade estão discutindo a relação. Pelo rádio, ficamos sabendo que vários fugitivos de uma cadeia de segurança máxima fugiram e estão massacrando a população. O casal é atacado, mas precisam sobreviver aos assassinos e ao relacionamento.
Toda a equipe e elenco estão de parabéns, fazendo um divertido filme com alta qualidade t;ecnica tanto nos efeitos de maquiagem, quanto na fotografia e edição. Os atores se encaixam bem nos estereótipos exigidos de vilões e mocinhos, e são propositalmente canastras, um barato só.