quinta-feira, 15 de junho de 2023

One way

"One way", de Carlos Daniel Malavé (2022) Drama venezuelano escrito e dirigido por Carlos Daniel Malavé, retratando a dura realidade social e econômica que o país atravessou desde 2013, com a posse de Nicolas Maduro. Deu-se início a uma super inflação, desemprego recorde, migração da população para outros países, fome, desabastecimento das lojas. Diante desse caos que se instalou no país, o cineasta conta muito de sua historia pessoa, principalmente acontecido com o seu filho, que se acidentou e ficou entre a vida e a morte. O cineasta acabou escalando seu próprio filho, Joaquim Malavé, para o papel do filho da protagonista Emiliana (Daniela Alvarado), Santiago. Emiliana é professora de uma escola enquanto o país sofre grave crise. Seu marido foi embora quando Santiago tinha 3 anos e nunca mais retornou. Sem dinheiro para manter a casa e comprar remédios para a sua depressão, mãe e filho passam necessidade. Um dia, santiago sofre um acidente em casa e a mãe o leva ao hospital, desesperada. Um estranho, Daniel (Jorge Canelon) a ajuda e entre eles nasce uma amizade baseada em compaixão. O filme é um bom registro histórico para se entender muito da crise que passa a Vanezuela, através das personagens que sofrem ansiedade e o desejo de migrar e tentar a sorte em outros países. É um filme triste, sem apontar um futuro esperançoso. Realizado com baixo orçamento, o filme é digno. A destacar o roteiro que exagera na trama melodramática, mas como é baseado muito na própria história do cineasta, entendo a necessidade de exercebar as emoções em diversas cenas. Daniela ALvarado dá vida à Emiliana de forma bastante crível, marcando bem a melancolia e tristeza da personagem.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Pedro Almodóvar, o insolente de la Mancha

"Pedro Almodóvar, l'insolent de la Mancha", de Catherine Ulmer Lopez (2023) Ótimo documentário dirigido pela francesa Catherine Ulmer Lopez e que passa a limpo vida e obra de um dos maiores cineastas contemporâneos, Pedro Almodovar, que com sua filmografia, estebeleceu uma linguagem estética e temática copiada por autores do mundo inteiro. Nascido em La MAncha, terra de DOm Quixote, no município de Calzada de Calatrava em 1949, Almodovar desde pequeno teve uma relação muito próxima à sua mãe, Fracisca Caballero, que veio a se tornar atriz de vários de seus filmes. Ainda criança, ficou facsinado pelo mundo do cinema e das estrelas por causa das barras de chocolate, que traziam cromos com fotos de grane=des astros americanos e passou a colecionar. Aos 17 anos, decidiu se mudar para Madrid e estudar cinema, contrariando seus pais, que queriam que ele trabalhasse na cidade. Almodovar pegou uma Madri ainda na ditadura de Franco. Trabalhou como telefonista, entre outras profissões. Com a morte de Franco em 1975, a Espanha passou a ver uma transição para a democracia. Estudantes pediam a liberdade sexual, e toda essa efervescência foi absorvida pelo movimento cultural "Movida madrillena", da qual Almodovar fazia parte. Ele filmava vídeos e tirava fotos, além de atuar em performances. O movimento foi comparado ao Factory de Andy Warhol, onde a efervescência cultural e mutiplicidade de gêneros e figuras marginalizadas da sociedade eram bem-vindos. Logo no início do documentário, Almodovar diz, ainda jovem, que foi comparado a Fwellini, Visconti, Bergman, Woody Allen, entre outros cineastas. mas ele deixa claro que ele, com o tempo, tem cada vez feitos filmes com a sua cara. Seu primeiro trabalho como ator foi no filme de 1978 "Um homem chamado flor de outono", de Pedro Olea, onde interpretava um homossexual, numa época onde gays eram presos ou convertidos. O filme percorre toda a sua filmografia, desde "Pepi, Luci , Bom e outras chicas de montón", de 1980, rodado em 16 mm, passando por "Labirinto de paixões", até o sucesso de "O que eu fiz para merecer isso?", de 1984, filme que levou seu nome aos Estados Unidos, mais precisamente em NY, onde foi selecionado para festivais. Com "Mulheres à beira de um ataque de nervos", veio a consagração mundial Existe um capítulo à parte, narrada pelo fotógrafo José Luis Alcaine, que relata a complexidade de se iluminar os filmes de Almodovar, que exige cores vivas. Para o vermelho, ele teve que jogar muita luz. O filme fala da obsessão por personagens femininos, as músicas, os temas contendo figuras marginalizadas aceitas pela família. Indo até Mães paralelas", o filme terina em tom político, falando sobre franquismo, liberdade e novos tempos de democracia.

Pirralha

"Carajita", de Ulises Porra e Silvina Schnicer (2021) Vencedor de 9 prêmios em importantes festivais, entre eles o de melhor melhor diretor em San Sebastian. "Pirralha" é uma co-produção Argentina e República Dominicana. Seu tema me remeteu ao drama brasileiro 'Sete verões", e a relação da empregada vivida por Regina Casé com a família que ela trabalha há anos, até que ela descobre que a família estava envolvida em corrupção. No entanto, a frieza dos personagens e da história está mais para os filmes cruéis de Michael Haneke ou Michel Franco. Yarisa (Magnolia Núñez), uma mulher negra da República Domnicana, trabalha há anos com a família de Sara (Cecile Van Welie). Morando em Buenos AIres, ela foi babá de Sara, que agora está com 17 anos. Sara agora trabalha de empregada para a família, mas criou uma relação amigável com Sara. Por conta da corrupção da família, eles todos se mudam para a República Dominicana, país de Sara.. Sua família está próxima e quer revê-la, especialmente Mallory, sua filha da mesma idade de Sara, e ressentida que sua mãe cuidou da filha do patrão, e não dela. Uma noite, Sara, seu irmão Álvaro, um vagabundo, e Mallory vão juntos a uma festa e, após uma noite com muito álcool, ocorre um acidente onde Mallory é morta. A partir desse momento, eclode a diferença de classes entre os ricos e os pobres da família de Sara. Um filme cruel que deixa claro a distinção entre classes e cultura, com os ricos menosprezando as classes inferiores. Me remeteu muuito ao filme de Micgel Franco, sem chegar ao radicalismo de "Nova ordem". É impressionante o trabalho da atriz Magnolia Nunez, brilhante no papel de sara. Sofrendo por dentro e ao mesmo tempo querendo agradar seus patrões, é um trabalho formdiável de internalização de emoções.

Backstage - por trás das cenas

"Backstage: dietro le quinte", de Cosimo Alemà (2022) O mais bacana desse filme musical que explora narrativas como "Fama", 'Chorus line" e outros filmes sobre jovens que sonham com o estrelato, é que nos créditos finais aparecem os vídeos com as audições reais dos 9 atores protagonistas. Eles foram selecionados entre mais de 1440 testes realizados , e acaba que o filme é uma metalinguagem, uma história dentro da história. Nove jovens aspirantes a cantores-dançarinos têm sete dias para convencer um famoso coreógrafo e diretor musical a escolhê-los para uma versão musical de "Ligações perigosas"a ser encenada no famoso Teatro Sistina. 111 aspirantes se apresentam , e assim como em 'Chorus line", 1 a 1 vai sendo eliminado, até chegar nos 9 protagonistas do filme: Aurora Moroni, Ilaria Nestovito, Yuri Pascale, Giuseppe Futia, Beatrice Dellacasa, Riccardo Suarez, Geneme Tonini, Gianmarco Galati e Matteo Giunchi. O filme vai mostarndo paralleo à encenação do musical e a escolha final de 4 atores, a vida de cada um deles. Dramas relacionados à auto estima, amor, saída do armário, luto, etc. Para quem gosta de filmes com jovens artistas sonhadores, certamente vai curtir o filme. Não traz nada d einovador, mas conta com bons atores, um roteiro fluído e trilha sonora pop italiana.

Ademã- A vida e as notas de Ibrahim Sued

"Ademã- A vida e as notas de Ibrahim Sued", de Isabel Sued Perrin e Paulo Henrique Fontenelle (2023) Documentário co-dirigido pela filha de Ibrahum Sued, Isabel Sud Perrin. Logo no início, ela narra dizendo que levou mais de 10 anos, desde a morte de seu pai, para ela rever os arquivos e organizar tudo. Ou seja, esse filme foi realizado sob uma comoção sentimental e da memória afetiva da filha exaltando a importância de Ibrahim como pai e como um dos jornalistas mais reverenciados do país, com um estilo copiado por centenas de profissionais. Ibrahim nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1924, vindo a falecer aos 71 anos de iadde em 1995, de infarto. De família pobre, Ibrahim diz que muitas vezes ficou sem jantar. Começou como repórter fotográfico, e entre outros trabalhos, até ser efetivado prlo Jornal O Globo em 1954, onde trabalhou até sue falecimento. A sua coluna social foi das mais lidas e acompanhadas pelos leitores do país. Ibrahim, segundo Boni, foi um precursor da linguagem do twitter: eram notícias rescas e em pequenas notas. Ricardo Amaral diz também que Ibrahim introduziu o conceito do imfluenciador antes mesmo das redes sociais: ditava o que falar, aonde ir comer, o que vestir. Jô Soares, Glooria Maria, Roberto D'avila entre muitos outrs jornalistas aparecem ou entrevistando ou dando deopoimentos sobre Ibrahim. É divertido um momento onde Juca Chaves diz que Ibrahim por ser árabe só pensava em mulheres, quibe cru e petróleo. O politicamente incorreto era a pauta da coluna, que não tionha preocupação em agradar as pessoas. Ibrahim revolucionou a linguagem das colunas sociais ao ser o primeiro a introduzir notas sobre política e economia na coluna que até então era voltada para fofocas, alta sociedade e celebridades. Esse conceito foi copiado por Boechat, Ancelmo Goís, Lauro Jardim, entre centenas de outros jornalistas. Ibrahim agradava não somente a intelectualidade, artistas e classe alta, como também o público das classes C e D, que ansiabvam por notícias. Ibrahim soube falar para todas as classes, falando uma linguagem coloquial que todos entendiam. Escrevia errado e isso foi assimilado. Criou muitos jargões que criaram moda, como '"De leve", "Sorry periferia", "Depois eu conto", "Bola Branca", "Bola Preta", "Ademã que eu vou em frente", "Os cães ladram e a caravana passa", "Olho vivo, que cavalo não desce escada", além de listas das 10 mais elegantes, que provocava discussão, brigas e críticas d einjustiça. Outro bordão eram as "Damas de preto", ou "Casal 20". O filme é didático e passa um amplo painel sobre vida e obra de Ibrahim, que teve sua vida documentada em muito material de mídia.

terça-feira, 13 de junho de 2023

Os bravos nunca se calam

"Os bravos nunca se calam", de Márcio Schoenardie (2022) O cineasta gaúcho Marcio Schoenardie estréia em seu primeiro longa-metragem com roteiro escrito a seis mãos por Gabriel Faccini, Tiago Rezende e Tomas Fleck. O filme brinca com gêneros, trazendo drama familiar, comédia ácida, paródia e suspense de detetives com uma trama que lembra às vezes "Chinatown", com o envolvimento de políticos corruptos e empreiteiros em benefícios próprios de uma pequena cidade do sul do país. O jornalista Joaquim (José Rubens Chachá) escreve um livro onde denuncia que o prefeito está concomunado com uma construtora para derrubar uma fábrica e montar ali um cassino. Antes do lançamento do livro, seu escritório pega fogo e ele é encontrado morto. Seus dois filhos, a universitária Manoela (Duda Meneghetti) e Caio (Eduardo Mendes) se reencontram e precisam lidar com suas diferenças para entender as corcunstâncias da morte do pai, que acreditam, ter sido queima de arquivo. Caio tem 30 anos , é desempregado e passa o dia todo jogando em game. Manoela estuda jornalismo. Juntos, entrevistam os possíveis culpados, enquanto tentam driblar as suas diferenças. O filme traz um tipo de humor de situação muito comum aos filmes de Wes Anderson e Mika Kaurismaki, que é o humor da apatia, do patético da situação e da neutralidade das emoções, principalmente no personagem de Caio, que começa e termina o filme com a mesma expressão. Essa aposta em um humor caricato funciona às vezes, em outras traz estranheza. Mas o elenco vai compondo bem seus tipos requeridos pela direção. A se louvar a produção de uma comédia policialesca amientado e produzido pela equipe técnica de Porto Alegre, com atores locais. Um grande feito que merece atenção do público.

Alguém atrás da porta

"Quelqu'un derrière la porte", de Nicholas Gessner (1971) Co-produzido por França e Itália, "ALguém atrás da porta" é um curioso suspense psicológico quase que em formato teatral, pois boa parte de sua narrativa acontece dentro de uma mansão com 2 personagens, o estranho (Charles Bronson) e o médico Dr Lawrence (Anthony Perkins), especializado em doenças da mente. A esposa de Lawrence é interpretada por Jill Irelland, esposa de Charles Bronson na vida real e com quem interpretou 16 filmes. O filme parte de uma premissa interessante, quase que um suspensde de René Clement, com quem Bronson viria a trabalhar no ótimo "O passageiro da chuva". O médico Lawrence suspeita que sua esposa, Frances o está traindo. Ela foi para Paris e ele aproveita para trazer para sua casa um homem encontrado sem memória na praia, o estranho. Lawrence quer fazer o estranho acreditar que ele é casado com Frances e que ela o está traindo, e que deve matá-la. O filme infelizmente falha por não ter 2 elementos essenciais para a construção de um bom suspense: uma trama verossímel, que pudesse ser realizada por um diretor habilidoso como Clemente; e bons atores. Os tr6es protagonistas, Bronson, Perkins e Irelland, estranhamente, estão no piloto automático, sem demonstrar qualquer tipo de expressão. Uma pena, pois era um filme que poderia render bastante.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Minta comigo

"Arrête avec tes mensonges", de Olivier Peyon (2022) Delicado drama LGBTQIAP+ francês, adaptado do best seller escrito por Philipe Besson em 2017, relatando o seu primeiro amor na época da escola. Trinta e cinco anos depois de deixar sua cidade natal, o escritor Philippe Belcourt (Guillaume de Tonquédec) retorna por alguns dias para patrocinar o bicentenário de uma marca de conhaque. No hotel, Gaëlle (Guilaine Londez), a assessora de imprensa, o apresenta ao jovem Lucas (Victor Belmondo, neto de Jean Paul Belmondo), que será seu assistente pessoal durante a estadia. Para surpresa e choque de Philippe, Lucas é filho de Thomas Andrieu (Julien De Saint-Jean), o garoto de 17 anos que Philippe tanto amou quando ele próprio tinha 17 (Jérémy Gillet). Ambos eram estudante no ano de 1984, em pleno advento da Aids, e viviam um amor escondido, por conta da família conservadora de Thomas. O filme alterna as duas épocas, mantendo um suspense sobre o destino de Thomas nos dias de hoje, que é revelada somente no seu 3o ato. Um filme que fala sobre amor, intolerância, homofobia, perdas e reconexão. Os atores são ótimos, e é incrível ver o neto de Jean Paul Belmondo em cena, impossível não se lembrar do grande astro. O filme é dirigido com muita sensibilidade por Olivier Peyon, lidando com temas obscuros, mas filmando as cenas de sexo entre os jovens com extrema beleza, poesia e tesão.

Lovely man

"Lovely man", de Teddy Soeriaatmadja (2011) Premiado drama LGBTQIAP+ da Indonésia, a sua trama de imediato me remeteu a "Tudo sobre minha mãe", de Pedro Almodovar. Cahaya (Raihaanun Soeriaatmadja), uma garota de 19 anos de religião islâmica, chega a Jacarta em busca de seu pai. ele a abandonou quando ela nasceu e nunca soube o motivo. Sem avisar sua mãe, ela saiu de sua cidade e decidiu se aventurar na capital em busca dessa sua história paterna. Para sua surpresa, ela o encontra: seu pai agora é uma travesti que faz programas na rua chamado Ipuy (Donny Damara). Ypuy está sendo perseguido por agiotas que estão cobrando dela um dinheiro que ela precisa para fazer cirurgia de transição de sexo. Tanto pai e filha se reencontram. Em princípio rejeitando a filha, Ipuy acaba passando uma noite com ela, falando sobre assuntos relacionados à vida, família, luta e sonhos. Realizado em locações , em noturnas e em áreas decadentes de Jacarta, "Lovely man" é uma mistura de drama com olhar documental sobre as travestis. Um filme de baixo orçamento, que conta com o belo trabalho dos atores para segurar a atenção do espectador. Uma história repleta de dôr, violência e compreensão, mas que não permite um happy end, dentro do seu olhar realista.

Cupido é moleque teimoso

"The awful truth", de Leo McCarey (1937) Clássica comédia romântica americana, do gênero screwball comedy, adaptada da peça de 1922 "The Awful Truth", de Arthur Richman. O filme é uma excelente peça histórica, pois tem como pano de fundo o divórcio. Para a minha curiosidade, fui pesquisar quando o divórcio foi aprovado nos Estados Unidos, afinal, aqui no Brasil só passou a valer em 1977!!!! Nos Estados Unidos, o divórcio já existia desde meados do século XIX!!!!! Grande sucesso de crítica e público, "Cupido é moleque teimoso" foi indicado a seis Oscars , incluindo Melhor Filme , Melhor Atriz (Dunne) e Melhor Ator Coadjuvante ( Ralph Bellamy ), vencendo como Melhor Diretor (McCarey). Aliás, a direção de McCarey é um primor: além de excelente diretor de atores, extraindo muito humor e trabalho corporal de Cary Grant, Irenne Dunne e todos os atores, McCarey criou gags visuais incríveis e muito criativas. Já sob a tutela da censura , o filme finaliza com uma cena genial, representando na metáfora a relação sexual do casal: um relógio cuco representado por 2 atores, e um deles vai atrás da mulher e se acasala em seu ninho. Brilhante. Grant e Dunne formam o casal Jerry e Lucy Warriner. Um casa rico e feliz aos olhos da sociedade e dos amigos. Mas Jerry passa a desconfiar que Lucy o está traindo, e pede o divórcio, que passasa. valer dali a 57 dias. Nesse período, morando separados, cada um deles constrói um relacionamento com outra pessoa. Mas ainda apaixonados um pelo outro, Jerry e Lucy tentam destuir o relacionamento que o outro possui. Uma clássica comédia da época d eouro de Hollywood, com cenários construídos em estúdio e muita sofisticação na direção de arte, figurino e maquiagem. Cary Grant é dos maiores astros americanos, um dos poucos que consegur driblar tão bem o drama e a comédia em sua filmografia, sendo ele um rei do humor, trabalhando não só os diálogos, mas como o timing e a postura corporal. Um filmaço.

I like movies

"I like movies", de Chandler Levack (2022) Ótimo filme canadense, essa produção independente é o filme de estréia da roteirista e cineasta canadense Chandler Levack. E seu grande mérito, além do roteiro que é uma delícia e deleite para qualquer cinéfilo, é o seu trabalho magnífico com o elenco, tanto os jovens, quanto os adultos. O filme é ambientado em 2003 na pequena cidade de Burlignton, Ontário, no Canadá. Ali moram o protagonista, Lawrence (Isaiah Lehtinen, em performance sensacional), um rapaz de 17 anos. Ele mora com sua mãe (Krista Bridges, maravilhosa). Os dois vivem em pé de guerra: Lawrence, que é cinéfilo e aspirante a cineasta, quer fazer faculdade em Nova York, no NYU. Mas ele precisa de 90 mil dólares, e sua mãe, que é secretária, não tem. O único amigo da vida de Lawrence é Matt ((Percy Hynes White)), que admira Lawrence e empresta a filmadora de seu pai para Lawrence fazer os filmes baseados em cineastas que ele ama, como Kubrick e Paul Thomas Anderson. Laerence acaba indo trabalhar em uma video locadora, Sequels, tipo Blockbuster. Ali, ele precisa seguir à risca as coordenadas da gerente Alana (Romina D'Ugo, genial). ela, uma ex-atriz, desistiu d aprofissão após um caso de assédio. Lawrence Kweller é dos personagens mais detestáveis que existem: arrogante, narcisista, anti-social, e pior, se acha o cinéfilo que sabe tudo e odeia quando as pessoas não compartilham com os seus gostos, além de desprezar o cinema de entretenimento, como 'Shreck". O trabalho do ator Isaiah Lehtinen é incrível, pois fazer um personagem tão chato e conseguir que o espectador continue assistindo o filme até o final, é necessário muito talento. No fim das contas, o filme é a óbvia declaração de amor à sétima arte, e de como a nova geração s erelaciona com o olhar do cinema.

domingo, 11 de junho de 2023

Judy Blumer para sempre

"Judy Blumer forever", de Davina Pardo e Leah Wolchok (2023) Judy Blumer, a famosa escritora de romances juvenis que revolucionaram gerações a partir dos anos 70, surge oportunamente em 2 produções premiadas e que arrebataram a crítica: a comédia dramática "Crescendo juntas", de Kelly Fremon Craig, adaptada do romance mais conhecido da autora "Are you there God? It's me, Margareth", de 1970; e o documentário "Judy Blum para sempre", de Davina Pardo e Leah Wolchok, todas as duas produções dirigidas por mulheres. O filme foi exibido com sucesso no Festival de Sundance, e é apresentado pela própria autora, hoje com 83 anos de idade, morando na Flórida, Ky West, onde possui uma livraria e passa as tardes assinando dedicatórias no público que vem vê-la na loja. Judy vendeu mais de 80 milhões de livros, escritos a partir de 1970: o 1o deles, "Are you there God? It's me Margareth", foi uma grande mudança no comportamento dos americanos: pela 1a vez, uma personagemm uma menina de 11 anos, falava abertamente sobre mudança de corpo, hormônios, sexo, garotos, menstruação, sutiã e seios. Até então, os romance sjuvenis eram romantizados e ingênuos. Judy se baseou na sua história e de amigas próximas. Judy nasceu em New Jersey e em 1945, ao fim da 2a guerra, tinha 7 anos. Ela amava seus pais, especialmente seu pai, que morreu jovem faltando 5 dias para o seu casamento. Judy teve 2 filhos, e seu marido, um advogado, queria que ela cuidasse dos filhos e da casa. Judy decidiu que queria escrever, e passou a ilustrar livros infantis, que foram todos rejeitados pelas editoras. Mas a rejeição lhe criou mais forças até que teve seu primeiro romance publicado em 1970,e a partir daí, não parou mais, escrevendo a trilogia do menino Fudge e o livro 'Bubbler", sobre uma menina que sofre bullying por não ter o corpo padrão, numa época que a palavra bullying ainda não era usada. O filme entrevista celebridades que cvresceram lendo os livros, como a. atriz Molly Ringwald, a diretora Lena Dunham e a atriz Samantha Bee. Entrevista também autores, editores e leitores que na época crianças, escreviam cartas para Judy, e hoje, adultas, agradecem a autora pela descoberta sexual e aceitação do corpo. Judy termina o filme falando sobre velhice e dizendo que aos 83 anos, não se sente velha.

sábado, 10 de junho de 2023

Rir pra não chorar

"Rir pra não chorar", de Cibele Amaral e Erik de Castro (2022) Comédia dramática escrita por Cibele Amaral e Erik de Castro, e dirigida por Cibele Amaral. O roteiro foi escrito tendo como base uma história pessoal de Cibele: o falecimento de sua mãe, e um câncer que ela descobriu, já curado. O pensamento sobre a morte segue o protagonista, Flavio Pontes (Rafael Cortez, em sua estréia como protagonista), um famoso comediante de stand up, agenciado por Mauro (Serjão Loroza). Flavio faz sucesso ao contar piadas politicamente incorretas, contendo gordofobia, misoginia. etc. Quando sua mãe, Graça (Fafy Siqueira) anuncia a Flavio e Joice (Mariana Xavier), sua irmã, o mundo cai para Flavio. Desde pequeno sempre muito apegado à sua mãe, Flavio se deprime e não consegue mais rir. Pior: com agenda lotada, ele pede para seu agente cancelar os shows, o que o agente rejeita. resta a Flavio descobrir terapias para poder dar a volta por cima com a sua depressão e poder voltar a rir em seus shows, passando por uma reinvenção de si mesmo, buscando piadas que não agridam nem ofendam pessoas. O ponto alto do filme é certamente o vasto elenco formado por atores de humor: além dos já citados, tem Catarina Abdalla, Oscar Filho, Renato Albani, Bruna Louise, Wandi Doratiotti, Marcelo Mansfield, Mauricio Meirelles, Luci Pereira, Jovane Nunes. O filme foi rodado em Brasília e alterna momentos de humor mais escrachado com drama, principalmente a partir do 2o ato. Mariana Xavier rouba todas as cenas em que aparece, e é uma pena que sua personagem não apareça mais na história. Fafy Siqueira e Catarina Abdalla juntas também forma uma dupla irreverente e esbanjando talento.

Tromba trem - 0 filme

"Tromba trem- o filme", de Zé Brandão (2022) Animação infantil de sucesso produzido pelo Copa Studios e exibido na tv, começou em 2011 na Tv Cultura e Tv Brasil e com o sucesso, a 3a temporada foi exibida na Cartoon Network. Seu idealizador, Zé Brandão, decidiu realizar uma versão em longa-metragem, co-escrito com Debora Guimarães e Pedro Vieira. O filme traz as vozes de Ed Gama, Marisa Orth, Elisa Lucinda, Caito Mainier, Roberto Rodrigues, entre outros, e traz deliciosas canções escritas para o elenco de atores/cantores. A história acompanha o protagonista, Gajah, um elefante indiano que após um acidente perdeu a memória, indo parar no Cerrado brasileiro. Lá , ele é amigo de uma turma muito divertida: o Calango Leso, Duda, a tamanduá, a Rainha cupim. Mas Mirella (Marisa Orth), é uma influencer que cruza o seu caminho com Gajah, e se torna a vilã da trama. O filme traz temas atuais, inclusive uma crítica ao Governo Bolsonaro, quando um personagem cutuca ele dizendo que um Preseidente que acreditava em terra Plana destuir o planeta. Outra crítica é a do mundo das redes sociais, com a competição pode likes e seguidores. O filme é pra criançada pequena, e a sua duração pode ser longa para a gurizada. 1Hr34. Mas as vozes divertidas, principalmente de Ed gama e Marisa Orth, são garantia certa para os adultos também soltarem umas boas risadas.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Enquanto estamos aqui

"Enquanto estamos aqui", de Clarissa Campolina e Luiz Pretti (2019) Estreando no prestigiado Festival de Rotterdam em 2019, "Enquanto estamos aqui" é um documentário experimental com narração ficionalizada. Usando diveras texturas nas imagens, incluindo fotos e vídeos feitos pelo celular, o filme é um projeto sensorial onde nunca vemos os dois protagonistas, a libanesa Lamis e o brasileiro Wilson. Grace Passô narra o filme e os passos dos personagens, que têm os offs dos atores Marcelo Souza e Silva, mineiro, e de Mary Gatthas, sírio libanesa residente em Belo Horizonte Os dois atores colaboraram com suas viv6encias e as projetaram nos personagens. O filme apresenta Lamis, jovem libanesa recém chegada em Nova York, e a sua luta em conseguir sobreviver na grande metrópole. Solitária, às vezes falando com sua mãe ao telefone, Lamis perambula pela cidade e acaba indo a um restaurante chin6es, onde conhece o brasileiro Wilson, que mora ilegal há 10 anos em NY. Entre barreiras culturais e linguísticas, os dois procuram manter um relacionamento. O filme tem como pano de fundo a globalização em uma das cidades mais cosmopolitas e caras do mundo. A interação entre culturas tão distintas, mas aproximadas pelo desejo e pelo afeto que acobertam a solidão, são apresentados em formato experimental. Com 75 minutos, o filme apresenta uma Nova York que certamente nenhum turista irá querer conhecer: ruas escuras, sem atrativos, áreas periféricas e mais pobres.

Snow and the bear

"Kar ve Ayi", de Selcen Ergun (2022) Drama turco com elementos de suspense, premiado em diversos Festivais de cinema. O filme foi co-escrito e dirigido pela cineasta turca Selcen Ergun, e é um conto sinistro sobre misoginia e sociedade patriarcal, que abafa o poder das mulheres. Asli (Merve Dizdar) é uma jovem enfermeira que vem da cidade grande para trabalhar em uma isolada aldeia no meio de montanhas gélidas. Seus pais foram contra, mas Asli decidiu ir assim mesmo. Ao chegar na vila, ela decsobre que o médico ficou preso na cidade e não conseguiu atravessar a estrada repleta de neve. Asli atende a população e conhece dois homens que tornarão a sua permanência menos convidativa: Hasam é açougueiro do vilarejo e casado com Cemille, que está grávida. Ao examinar Cemille, Asli pede que ela pare de trabalhar e descanse até o parto, mas Hasam a proíbe, dizendo que não aceita opinião de mulheres e vai esperar o médico. Samet é um homem que conhece todas as montanhas e protege os ursos. Mas quando Hasam desaparece, a população acredita que foi o urso que o atacou e decidem matar o animal. O filme tem um ritmo lento, mas um fio de suspense que vai percorrendo a trama do início ao fim, até um desfecho melancólico, que detalhe a frase que Samset pronuncia ao longo do filme: "As pessoas querem sempre procurar por um culpado". Um filme sobre moral, sororidade e assédio, com boas interpretações do elenco, em especial, Merve Dizdar no papel de Asli e Saygin Soysal no papel do complexo e dúbio Samet.

Crescendo juntas

"Are you there God? It's me, Margareth", de Kelly Fremon Craig (2023) Preciso dizer: "Crescendo juntas" é dos melhores "coming of ages" que já assisti, junto de filmes primorosos como "A vantagem de ser invisível", "Conta comigo" e "Quase 18", que é dirigido e escrito pela mesma cineasta. Kelly adaptou o livro clássico de Judy Blume lançado em 1970 e desde então, livro de cabeceira de muitos adolescentes no mundo inteiro, por trazer pensamentos e conlitos de uma menina de 11 anos, com os típicos problemas que afligem a todas as meninas; 1a menstruação, o 1o sutiã, o 1o amor, os conflitos familiares envolvendo questões como mudança de cidade, religião. Ambientado em 1970, o filme acompanha Margaret (Abby Ryder Fortson, extraordinária), aluna da sexta série, que é obrigada a se mudar para New jersey por conta do trabalho de seu pai, Herb (Benny Safdie, maravilhoso). Mas é com sua mãe Barbara (Rachel McAdams) que Margareth se identifica: Barbara abandonou as aulas de arte que dava na escola e se torna dona de casa. As duas, juntas, precisam lidar com ess enovo mundo, que envolve crescer juntas, descobrir fatos novos e serem felizes. Em seus momentos de confusão mental, Margareth só tem uma única pessoa a quem recorrer: Deus. Apesar do títuloe. da premissa, o filme não é digmático nem religioso. Pelo contrário, discute a religião católica, judaica, a igreja Gospel, sempre com respeito e deixando claro que até o ateismo é bem vindo. A pauta do filme é a livre escolha. Os pais de Herb são judeus ( Kathy Bathes está fenomenal como Sylvia) e os pais de Barbara são católicos, e ela foi abandonada por eles quando decidiu se casar com Herb. O filme é repleto de momentos inspiradíssimos e muito divertidos, eu memso dei altas gargalhadas. Mas a emoção é uma tônica também, como manda o cardápio dos "feel good movies". O elenco juvenil também funciona muito bem, o grupo das amiguinhas novas lideradas por Nancy (Elle Graham, ótima como a Bitchy) e Janie e Gretchen é muito divertido. A cena de Nancy ensinando as meninas a fazerem os seios crescer é icônica.

Alice dos Anjos

"Alice dos Anjos", de Daniel Leite Almeida (2021) Longa de estréia do cineasta e roteirista Daniel Leite Almeida, nascido em Goiás mas morando na Bahia, "Alice dos Anjos" é uma livre interpretação do clássico de Lewis Carol, "Alice no país das maravilhas". Rodado no sertão baiano em uma produção de baixo orçamento, fomentado por atores e equipe local, o filme encanta pela criatividade com que Daniel faz em tecer um paralelo do livro original com o Brasil do terceiro mundo, do Nordeste da sêca, da pobreza, da fome, do analfabestismo. A diversidade do elenco, que traz atores negros, indígenas, nordestinos, Lgbt, e principalmente, protagonismo feminino, teve como resultado premiações em importantes festivais de cinema. No Festival de Brasília, arrebatou 6 prêmios: direção, júri popular, prêmio da crítica, direção de arte, maquiagem e figurino. Alice ( a carismática Tiffanie Costa) viaja com sua irmã adolescente e sua mãe para visitarem a avó Indira, que está doente. Ao chegar na casa, Alicce se depara com um bode preto (Fernando Alves Pinto). Ao segui-lo, Alice cai em um buraco e vai parar no País da Macaúba. Lá, o coelho branco é o bode preto; o chapeleiro maluco é um sanfoneiro maluco; o gato é um calango e a Rainha de Copas é a Rainha do Cangaço. Juntos, todos precisam lutar contra o Coronel que quer construir usinas que irão destuir vilarejos onde moram famílias inteiras. O filme traz importante mensagem para o público infanto-juvenil: o povo brasileiro, unido, conseguirá lutar pelos seus direitos e por um mundo mais justo. A união de mulheres, negros, indígenas, lgbts e nordestinos, outrora analfabetos mas agora alfabetizados por professoras altruístas ( no caso, a vó Indira) é a chave para se combater os males do Brasil. Só pela ousadia, o cineasta Daniel leite Almeida merece reconhecimento, unindo um cinema de entretenimento com um olhar autoral.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Transformers- O despertar da besta

"Transformers- Rise of the beasts", de Steven Caple Jr. (2023) Dirigido pelo cineasta negro Steven Caple Jr., de "Creed 2", e protagonizado pelo ator latino Anthony Ramos, dos musicais de sucesso "Em um bairro de Nova York" e "Hamilton", e pela atriz negra Dominique Fishback, de "Judas e o Messias negro", esse novo Transformers, continuação de "Bumblebee", vem provar 2 coisas: que veio para trazer a diversidade atrás e nas frentes das câmeras, e que essa nova franquia é mil vezes superior à franquia de Michael Bay, totalmente histérica e esquizofrênica. Outro elemento divertido são os easter eggs que o filme traz, homenageando o produtor executivo do filme, Steven Spielberg: referências a "indiana Jones" e "O parque dos dinossauros". A história é a mesma de sempre, agora ambientada em 1994: no Brooklyn, mora Noah (Ramos), seu irmão menor, que está doente, e a mãe solteira. Pobres, eles lutam para conseguir dinheiro para bancar o tratamento do pequeno kris. Do outro lado, temos Elena (Fishback), uma estagiária de um museu de história natural que encontra um estranho artefato. Juntos, os dois precisam se unir aos Autobots, e também aos Maximals, robôs em forma de animais, para lutarem contra os vilões que querem destuir a Terra. O filme é divertido e foca no drama dos personagens humanos. Os atores são ótimos, e vale assistir legendado para ouvir as vozes de Michelle Yeoh, Ron Perlman, Peter Dinklage, entre outros famosos. Dá para torcer bastante pelos personagens que são bastante carismáticos, tanto os humanos, quanto os robôs. As cenas de ação possuem ótimo CGI e não é aquele exagero interminável dos filmes de Bay.

Demônio dos mares

"The black demon", de Adrian Grunberg (2023) Eu sou um apaixonado pelo sub-gênero dos filmes de tubarões assassinos, que os americanos apelidaram de "Sharksploitation". Semana sim, semana não, surge um novo filme. "Demônio dos mares" é dirigido por Adrian Grumberg, que dirigiu competentes filmes de ação, como "Plano de fuga", com Mel Gibson", e "Rambo- Até o fim", com Stallone. mas Grunberg infelizmente não conseguiu fazer do roteiro raso de "Demônio dos mares" um filme de tubarão que merececesse um lugar no pódio dos bons filmes. em primeiro lugar, o filme não assusta. O Demônio dos mares, como é chamado o megalodonte, quase não aparece,e quando surge, é um CGI muito fraco. As cenas de ataque são as mais óbvias possíveis. E o desfecho, copiado de tantos filmes de tubarão, inclusive do Spielberg: sério, explodir com dinamite, novamente? Involutariamente, o filme provoca risos, inclusive com seus diálogos. Em determinando momento, o protagonista Paul (Josh Lucas) exclama: 'Jesus Cristo!" E um popular do vilarejo diz "Não. É o Demônio dos mares!". E é nesse espírito que o filme egue a família de Paul: sua esposa esposa latina Ines e os filhos Tommy e Audrey. O ano de fundo do filme é uma plataforma d epetróleo que vaza óleo no mar e torna o tubarão mais forte. O filme é uma crítica ecológica contra vazamentos de petróleo e petroleiros inescrupulsoos. A crítica é bem vinda, mas como filme de tubarão assustador, ficou devendo.