sexta-feira, 5 de julho de 2019
Homem Aranha- Longe de casa
"Spider man- Away from home", de Jon Watts (2019)
Diretor do primeiro longa solo de Homem Aranha com Tom Holland no papel principal, realizado em 2017, "Homem Aranha- de volta para casa", Jon Watts também realizou em 2015 o filme de terror independente "O Palhaço".
"Longe de casa" aposta mais em uma aventura de ação Teen. A primeira parte do filme é quase que uma comédia de grupo de adolescentes que partem com os professores para uma excursão na Europa: Veneza, Praga, Londres. A ação acontece mesmo na metade do filme, quando surgem Mysterio com força total, protagonizado por Jake Gyllenhaal, e os seres elementares. Aliás, Mysterio achei bastante semelhante ao Dr Estranho, inclusive com as alucinações e o mundo de ilusionismo que ele envolve os seus inimigos. Aliás, a cena do homem Aranha "fisgado" no mundo do ilusionismo de Mysterio é a melhor cena do filme, fora a cena do crédito final quando o cinema inteiro cai duro e bate palmas.
Não é o melhor dos filmes do Aranha, quebra um galho e o que tem de melhor, é o elenco de jovens atores que fazem os amigos de Peter Parker, além de Marisa Tomei, que está ótima como Tia May. Jake Gyllenhaal não mete medo como Mysterio, mas como é bom Ator, a gente abstrai.
O que me abismou foi tentar entender a fortuna gasta para fechar cartões postais em Veneza, Praga e Londres para as filmagens.
quinta-feira, 4 de julho de 2019
Michel Legrand - Sem meia medida
"Michel Legrand: Sans demi-mesure", de Gregory Monro (2018)
Documentário obrigatório para Cinéfilos sobre um dos maiores compositores do Cinema falecido em 2019. Michel Legrand, francês, começou sua carreira como cantor e compositor, trazendo fortes elementos de jazz em sua trilha. Trabalhou com Cineastas icônicos como Agnes Varda ( Cleo de 5 às 7), Godard (Bande a parte), mas foi sua parceria com Jacques Demy que o levou à fama mundial, com obras-primas como "Os guarda chuvas do amor", "Duas garotas românticas"e "Pele de asno". Em sua fase americana, ganhou 3 Oscar por "Crow, o magnífico", "Yentl" e "Houve uma vez um verão".
Com depoimentos de Cineastas famosos como Bertrand Tavernier e o fã confesso Damien Chazelle, de "La la Land", que inclusive fala com francês fluente.
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Away with me
"Away with me", de Oliver Mason (2015)
Premiado curta LGBTQ+ inglês, escrito e dirigido por Oliver Mason. Um filme sensual e hipnotizante, protagonizado por 2 belos atores e com paisagens estonteantes em Nice, França. O filme fala sobre insegurança emocional durante um relacionamento e o ciúme, que destrói tudo.
Paolo tem 40 anos, é um homem bem sucedido. Ele conhece Alex, 18 anos, em um aplicativo. Eles transam e rola uma grande química entre eles. Apaixonado, Paolo convida Alex para passar um final de semana romântico em Nice, França. Mas Paolo começa a achar que outros homens estão seduzindo Alex, e que Alex está dando mole.
Bem dirigido, com belas imagens e cenas de sexo e interação entre os atores muito bem conduzidas. Tudo filmado com muito bom gosto e tesão.
O roteiro é simples, mas dá conta de expôr os anseios de um protagonista ciumento. Fotografia exuberante de Magda Kowalczyk.
Ainda é a sua cama
"It's still your bed", de Tyler Reeves (2019)
Para a comunidade LGBTQ+ que reclama que os filmes voltados para eles estão muito depressivos ou violentos, "Ainda é a sua cama"é o filme ideal para se assistir com amigos, namorado e se possível, de mãos dadas ou abraçadinho. O filme é um conto de fadas do mundo ideal para os gays: saída do armário e todos os amigos apoiam; elenco lindo e maravilhoso, saído de uma capa de revista Teen; descoberta do primeiro amor, onde tudo são flores e paixão; fotografia e locações deslumbrantes; trilha sonora sentimental; e claro, um happy end daqueles de suspirar.
O jovem estudante David vem passar as férias de verão da faculdade na fazenda de seu pai. Ao chegar lá, tem uma surpresa: seu pai hospedou no seu quarto, o empregado que veio fazer os serviços durante o verão. Detalhe: o empregado é jovem, lindo e a melhor pessoa do mundo, Brent. Claro que os dois, dividindo o mesmo quarto, não irão reclamar. e óbvio que vai rolar o amor mais lindo do mundo.
Mas mesmo com tanto romantismo exacerbado, o filme surpreende com uma cena extremamente pervertida: David acorda de madrugada, e vê Brent se masturbando na cama. Brent se limpa com um lenço de papel e joga no chão, indo dormir em seguida. David pega o lenço "usado", cheira, bota o dedo no esperma e o lambe, com a sensação de estar provando o liquor mais delicioso do mundo.
Apaixonados do mundo gay, que se puder, assistam ao filme. O mundo é lindo e maravilhoso.
Anna - o perigo tem nome
"Anna", de Luc Besson (2019)
O Cineasta e produtor francês Luc Besson já fez história: é dele alguns dos filmes mais cults do Cinema dos anos 80 , 90 e 2000: "Subway", "Imensidão azul", "O quinto elemento". Besson também ficou famoso por realizar filmes onde as protagonistas são assassinas profissionais: "O profissional" ( filme que lançou Nathalie Portman), "Nikita", "Lucy" e agora, "Anna". São várias as mulheres de Besson, e todas parecem ter saído da mesma linhagem: duronas, frias, poderosas, lindas, atraentes e muito, muito violentas e duras na queda. Besson lançou Natalie Portman, Milla Jojovich e agora lança a modelo russa Sasha Luss, no papel principal. A história, todo mundo ja viu mil vezes: ambientada nos anos 80, em um mundo dividido pela Cortina de ferro, uma mulher, Anna, luta para sobreviver. ela acaba sendo admitida no serviço militar russo, a Kgb, e treinada para ser uma super agente russa. O que ninguém esperava, é que ela também fosse recrutada pela Cia, e a partir daí, trabalhando como agente dupla, e pior, se apaixonando por um agente russo, Alex (Luke Evans), e por um americano, Lenny (Cillian Murphy). Para completar esse time de super astros, Helen Mirren interpreta Olga, uma super espiã russa, chefona da Kgb.
Mas o que o filme tem de melhor, é a sua estrutura narrativa: a mesma cena chave é vista de novo, agora sob outro ângulo e outro ponto de vista. Isso acontece toda hora, provocando plot twists e deixando o espectador curioso. Esse recurso acaba provocando certa confusão, portanto é bom o espectador ficar bem atento a detalhes para não se perder.
As cenas de ação são mito bem orquestradas, e uma cena muito foda é a de um restaurante em Moscou; Anna, sem armamentos, mata dezenas de seguranças usando pratos de porcelana.
O que eu não gostei, e prejudicou o senso de realismo do filme, é que todos os agentes russos falam em inglês no filme, e mais, são atores ingleses escalados. Daí, quando o agente russo Alex pergunta se Anna fala inglês, e eles falam em inglês, ficou algo muito sem noção. Teria sido melhor o elenco russo falar na língua nativa, ainda mais que o filme quer marcar esse mundo dividido em dois pólos.
Sacha Luss tem carisma, e torço para que ela consiga ganhar o seu espaço esse mundo do entretenimento. Apesar dela ser protagonista, ainda escrevem roteiros aonde a mulher precisa usar do seu charme e sensualidade para conseguir seus intentos. E isso talvez prejudique o filme, assim como o semelhante"Red Sparrow", com Jennifer Lawrence.
terça-feira, 2 de julho de 2019
Espírito jovem
"Teen Spirit", de Max Minghella (2018)
Uma espécie de refilmagem de "Flashdance", com todos aqueles clichês que a gente ama em filmes desse gênero da luta e perseverança para se conseguir um lugar ao sol. O tema foi atualizado para os dias de reallity shows musicais, tipo "American idol", 'The Voice", e aqui, chamado de "Teen Spirit".
Protagonizado por uma luminosa e talentosa Ellen Fanning, que aqui interpreta Violet, uma inglesa moradora da Ilha de Wight, na Inglaterra. Morando apenas com sua mãe polonesa ( o pai foi embora depois de descobrir a traição da esposa), ambas cuidam de animais do pequeno sítio que possuem, passando dificuldade financeira. Violet trabalha em um bar e sonha em ser cantora. Ao descobrir que o Reallity "Teen Spirit" está fazendo audições na Ilha, ela se candidata, contando com a ajuda do ex-cantor de ópera croata, o alcóolatra e decadente Vlad
(Zlatko Buric, excelente) para treiná-la
Primeiro filme dirigido pelo Ator Max Minghella, que vem a ser filho do Cineasta Anthony Minghella. Max também escreveu o roteiro, que não oferece nada de novo em termos dramatúrgicos. O grande potencial de Max é na Direção: conduzindo com muita destreza e sensibilidade os atores e a fotografia, que ilumina de forma melancólica a vida das pessoas sonhadoras. Visualmente, o filme tem uma pegada bem autoral, de filme independente. A trilha sonora é composta de hits recentes, e Elle canta de verdade, surpreendendo no vocal.
Um filme gostoso de se assistir, ideal para se ver num final de dia para um passatempo fora dos padrões dos filmes herméticos. A fotografia, deslumbrante, é da fotógrafa Autumn Durald.
O beijo do Deus Coelho
"Kiss of the Rabbit God", de Andrew Thomas Huang (2019)
Cineasta americano de descendência chinesa, Andrew Thomas Huang é famoso no mundo inteiro por dirigir Video Artes da cantora islandesa Bjork. Ele também realizou curtas experimentais premiados, e agora, estréia na ficção com esse aclamado Curta LGBTQ+, que teve premiere no Festival de Tribeca 2019.
O filme mistura mitologia chinesa com a dura realidade de um jovem empregado de um restaurante chinês de Los Angeles, escravizado pelos seus patrões. O rapaz, homossexual enrustido, se apaixona pela personificação do Deus Coelho. No Século XVIII, um soldado foi condenado à morte por confessar amor a um outro homem. O seu espírito foi perdoado, pois ele morreu por Amor. A esse espírito, chamou-se de Deus Coelho.
O Deus Coelho se faz passar por um rapaz punk e mostra os prazeres do amor gay para o empregado.
Misturando elementos de fotografia estilizados, fotografado pela fotógrafa japonesa Rina Yang, que trabalhou como camera em "Bohemian Rapsodhy", o cineasta e video artista Andrew Thomas Huang faz uma metáfora sobre a descoberta da sexualizada. É um filme cheio de simbologia, e não é de fácil assimilação. É um filme belo, mas talvez, pretensioso.
Nesse lugar cinzento
"In this gray place", de R.D. Womack II (2018)
Produção independente americana escrita e dirigida por R.D. Womack II, venceu mais de 20 Prêmios em Festivais indies. Esse grande feito ocorre porquê 90% do filme acontece em uma única locação, um banheiro de um Posto de gasolina de estrada.
Aaron está fugindo da polícia e se refugia nesse banheiro. Durante o filme todo, ele tenta dialogar com um policial do lado de fora da porta, que nunca vemos, só ouvimos, e com sua namorada., Laura, pelo telefone. em flashbacks, sabemos que Aaron participou de um assalto a uma pequena joalheria junto de seu cunhado, e o assalto foi frustrado.
Como em muitos filmes que acontecem em uma única locação, tudo depende da decupagem, da mão do Diretor e do editor para darem ritmo, ao fotógrafo, de imprimir a claustrofobia necessária à produção, e principalmente, ao talento do Ator principal, além de contar com diálogos inspirados.
Muitos desses itens ficam no meio do caminho: a fotografia não consegue ajudar a dar realismo ao cenário do banheiro, claramente realizado em estúdio ( li que foi construído em uma garagem de uma casa do Diretor); o roteiro não oferece muitas reviravoltas; o protagonista, Aleksander Ristic, faz o que pode dentro de um roteiro sem muitas curvas; e o Diretor também se vira nos 30 para conseguir tensão em um cenário tão pouco inspirado. O que dá um tom interessante ao filme, é a inspiração em Terrence Malick: o diretor criou cenas lúdicas, poéticas, como se o protagonista estivesse delirando. em cima dessas imagens, ouvimos o off narrado pela namorada, Laura, em tom diáfano, como nos filmes de Malick. Não casa muito com a proposta do filme, mas fica bonito pelo menos.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
A espera
"StandBy: l'attesa", de Giorgio Volpe (2018)
Premiado curta LGBTQ+ italiano, dirigido com muita sensibilidade pe;o roteirista e Cineasta Giorgio Volpe.
Anita é uma jovem que aguarda seu exame médico em um hospital. Enquanto aguarda ela observa os outros pacientes ali presentes, criando história para cada um deles, Até que seus olhares focam em 2 rapazes que não se conhecem: Filippo e Simone. Percebendo que os dois têm interesse um no outro, Anita acaba os aproximando. Filippo e Simone marcam encontro e se apaixonam. Mas a verdade é que um deles descobriu ser portador do HIV, e tenta ver a melhor forma de contar ao parceiro.
Com um tem tão delicado, Giorgio Volpe realiza da forma mais simples possível, focando a sua atenção no trabalho dos atores. O filme exagera no melodrama, apostando em uma trilha sonora que intensifica o tom melancólico. Mas para quem busca um filme sensível, é uma linda pedida.
O Rei Leão
"The Lion King", de Roger Allers e Rob Minkoff (1995)
Clássico da Disney que completa 25 anos agora em 2019, e que mereceu uma refilmagem em versão live action dirigido por John Favreau.
Rever o filme é sempre um grande prazer, um filme que resgata o melhor da Disney em uma década que trouxe várias obras-primas, após um período de vacas magras e produções pouco memoráveis nos anos 70 e início dos 80.
Misturando drama, romance, ação, suspense, comédia e musical, com canções orquestradas por Hans Zimmer e músicas compostas por Elton John e Tim Rice (a trilha e a canção"Can you feel the love tonight" receberam o Oscar). "O Rei Leão" embalou várias gerações, e o sucesso foi tão gigantesco, que gerou um Bilionário Musical da Broadway.
A história do Leão Simba ( no original, voz de Matthew Broderick) que precisa resgatar o trono confiscado pelo seu tio Scar ( voz antológica de Jeremy Irons), assassino do pai de Simba, o Rei Mufasa (James Earl Jones em voz inesquecível e que também dubla na versão atual) já é conhecida por todos.
Não há quem não se divirta com Pumbaa e Timão cantando "Hakuna Matata" e Simba e Nala cantando "Can you feel the love tonight".
Toda a execução do cenário do Safari, que na época foi revolucionária, consumindo 3 anos de trabalhos, é um dos pontos altos do filme.
domingo, 30 de junho de 2019
A garota das tranças
"Mitsuami no kamisama", de Yoshimi Itazu (2015)
Filme de animação japonês, adaptação do mangá escrito pela japonesa Machiko Kyou . O Animador Yoshimi Itazu já havia colaborado com Satochi Kon, criador de "Paprika" e "Perfect blue".
"A garota das tranças" é um melancólico e desesperançoso conto que traça uma metáfora sobre o Tsunami que devastou a costa japonesa em 2011. A protagonista da história vive isolada em uma casa, à beira do litoral. Existe um muro que divide sua casa do outro lado do mundo. Um carteiro entrega cartas para ela, mas ela não consegue perceber que ele está apaixonado por ela. Cientistas em roupas radioativas fazem checagem nos dois diariamente. Percebemos então que com o acidente, uma usina nuclear explodiu e contaminou a população, matando muita gente.
Um filme complexo, com roteiro que deixa muita coisa em aberto. Os seres humanos não falam, mas os objetos sim: escova de dentes, travesseiro, prendedores de roupa, guarda-chuva, balão vermelho: todos têm fala e procuram narrar o acontecido. Todo desenhado em tons pastéis, não é um filme para crianças.
O filme ganhou dezenas de prêmios em Festivais de cinema.
O corvo branco
"The White crow", de Ralph Fiennes (2018)
Cinebiografia do bailarino russo Rudolph Nureyev, dirigido pelo Ator Ralph Fiennes. O filme foca no ano de 1961, quando Nureyev viajou para Paris com a companhia Kiev e acabou pedindo asilo político à França, o que foi prontamente aceito, após um incidente politico que aconteceu no Aeroporto, quando Nureyev antes de embarcar para Moscou, teve ajuda de uma amiga francesa, Clara Saint ( Adèle Exarchopoulos, de "Azul é a cor mais quente"). Nureyev é interpretado pelo ator e bailarino ucraniano Oleg Ivenko, em excelente composição. O próprio Ralph Fiennes interpreta um professor de dança russo, Pushkin.
O filme tem excelente ficha técnica: fotografia, direção de arte, maquiagem ( Ralph Fiennes está irreconhecível) , mas a direção de Fiennes tem mão pesada e torna o filme bastante burocrático. O filme vale pelo ótimo trabalho de Oleg Ivenko e por escalar atores russos de verdade para papéis importantes da trama.
A rebelião
"Captive state", de Rupert Wyatt (2019)
Diretor da primeira parte da nova franquia de "O Planeta dos macacos", o cineasta Rupert Wyatt co-escreveu o roteiro de "A rebelião". Uma tarefe bastante ingrata: o roteiro é bastante confuso, com uma profusão de personagens que entram e saem e no final, ficam ainda dúvidas acerca de muitas sub-tramas.
No ano de 2019, alienígenas invadem Chicago. Quase 10 anos depois, o mundo todo foi dominado pelos aliens. Humanos e alienígenas convivem juntos de acordo com as leis dos invasores. Os que forem contra as leis, sofrem consequências. Um grupo rebelde procura destruir os invasores, mas não encontram sucesso. O Policial Mullighan (John Goodman), que trabalha para os alienígenas, procura descobrir o paradeiro dos rebeldes, comandados pelos irmãos Gabriel e Rafe, cujos pais foram mortos pelos alienígenas em 2019.
Com um elenco de apoio formado por Vera Farmiga e Ashton Sanders, de "Moonlight", "A rebelião" nunca empolga ou sequer decola. Sem ritmo, com algumas poucas cenas de ação e prejudicado principalmente porquê os alienígenas sempre aparecem no escuro, dificultando a sua visão, evidenciando o baixo custo da produção, de 25 milhões de dólares, pouco para uma ficção científica.
Anabelle 3- De Volta para casa
"Anabelle - Comes home", de Gary Dauberman (2019)
Gary Dauberman é um roteirista de sucesso em Hollywood, tendo escrito toda a franquia "Anabelle", "A freira" e foi co-roteirista nas 2 partes de "It". ele agora estréia na direção com a terceira parte da franquia da boneca possuída, e surpresa das surpresas, realizou a melhor parte. Com uma decupagem que privilegia a criatividade nos planos, nos enquadramentos e movimento de câmera ( em especial, um recurso usado de espelhar na tela de uma tv tudo o que acontece com uma personagem) , Gary traz frescor à uma história que já dá sinais de cansaço. Espertamente, sabendo que somente a boneca não traria suporte suficiente para segurar o filme todo, Gary introduz outras entidades malignas, todas orquestradas pela Boneca: o cão do inferno, o barqueiro com olhos de moeda, a noiva assassina, entre outros.
O filme mostra no prólogo como a boneca foi parar na casa do casal Lorraine e Ed Warren ( Vera Farmiga e Patrick Wilson). 1 ano depois, durante um final de semana onde o casal precisa se ausentar, sua filha pequena, Judy (Mckenna Grace, excelente) é cuidada pela babá, a jovem Mary (Madison Iseman). Daniela ( Katie Sarife) , melhor amiga de Mary, se convida para a casa e resolve visitar a ala secreta do lugar, onde todos os objetos secretos e malignos se encontram, incluindo a boneca. Daniela acaba libertando a Boneca de sua redoma, e fatos estranhos passam a ocorre na casa.
Buscando referências em filmes clássicos de terror dos anos 80, como "Poltergeist", "Anabelle 3" tem como diferencial um belo roteiro onde existe conflito de personagens, majoritariamente femininos. Ótimos efeitos, excelente atmosfera de terror, que mesmo que faça uso de jump scares, faz de forma inteligente.
sábado, 29 de junho de 2019
O Rei da Montanha
"The mountain King", de Duncan Tucker (2000)
Curta LGBTQ+ premiado, um clássico do ano 2000. Escrito e dirigido por Duncan Tucker, que em 2005 viria a lançar o cult "Transamerica".
Em uma praia deserta, um jovem e tímido turista senta na areia para ler um livro. Um rapaz se aproxima dele, e o convida para ir em sua casa de praia. Tentado, o turista segue, seduzido pelo jeito liberal do outro rapaz. Ao chegar na casa, o rapaz confidencia ao turista de que é um garoto de programa. Curioso, o turista pergunta o porquê dele ter entrado nessa vida. O michê conta, e o turista acaba se deixando levar pelo flerte, transando e cheirando cocaína, se revelando para um universo totalmente diferente do seu.
Com ótimas performances de John Sloan e Paul Dawson ( que trabalhou em 'Shortbus", "O Rei da montanha" é um instigante drama sobre descobertas e sobre sedução que pode levar ao perigo. Um Alerta sobre conhecer pessoas anônimas e se deixar seduzir sem conhecer o mínimo dessa outra pessoa. Bem dirigido, repleto de erotismo, é um filme que merece ser visto.
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Turma da Mônica- Laços
“Turma da Monica -Laços”, de Daniel Rezende (2019)
Adaptação da Graphic Novel de Lu e Vítor Caffagi , que faz uma releitura do universo dos personagens de Mauricio de Souza, é dirigido por Daniel Rezende, realizador de “Bongo”, o filme sobre o palhaços Bozo.
É interessante perceber a diferença que um cineasta Cinéfilo faz com um roteiro singelo sobre a busca do sumiço do cachorro Floquinho, cujo dono, Cebolinha, junta seus amigos para irem em busca do fiel mascote.
Daniel Rezende busca referências em clássicos juvenis que fizeram parte da vida de todo marmanjo: “Conta comigo”, “ Os Goonies”, “ It, a obra prima do medo” ( observem a capa de chuva amarela de Cascão), “Et” e até mesmo das séries “Dark” e “Stranger things”. Para os adultos, é possível até ver um toque atmosférico de “ O silêncio dos inocentes”. É difícil imaginar uma obra que conte a vida das crianças ou adolescentes hoje em dia sem a presença de bicicletas e cidade pequena do interior.
O que mais me chamou a atenção nessa pérola nostálgica foi a excelente qualidade técnica que envolve a fotografia de Azul Serra, da direção de arte e dos figurinos, trabalhando em conjunto para dar vida aos personagens icônicos de Mauricio de Souza: uma tarefa bastante difícil, visto que durante décadas nos acostumamos a ver Monica, Cebolinha, Cascão e Magali nos quadrinhos. (Continua)
Divino Amor
“Divino Amor”, de Gabriel Mascaro (2018)
Mais do que “ Black Mirror”, uma associação que muita gente tem feita ao filme do mesmo realizador dos ótimos “Boi neon” e “Ventos de agosto”, “Divino Amor” me remeteu o tempo todo à fantasia distópico e sem esperanças de “ A lagosta”, do grego Yorgos Lanthimos. Na fábula protagonizado por Colin Farrel, ninguém poderia ser solteiro. Todo ser humano deve formar um casal e se amar de verdade, e como punição aos que não cumprirem essa meta, se transformam em animais.
No filme de Mascaro, acompanhamos um Brasil ambientado em Recife do ano 2027. O país agora é uma Republica evangélica. Assim como em “Matrix”, rolam raves sexualizada onde a população canta músicas louvando ao senhor, e na intimidade, transam entre si, como forma de pregar amor ao próximo.
Joana (Dira Paes, fabulosa) é funcionária exemplar de um cartório. Religiosa fervorosa, ela tenta impedir que casais se divorciem, e para isso, os convence a frequentarem o “Divino Amor”, um culto terapia para casais onde todos transam como em uma orgia. Joana frequenta também um Pastor Drive Thru, interpretado por Emilio de Mello, para receber conselhos. Casada com Danilo ( Júlio Machado, excelente), que trabalha como preparador de coroas de flores em velórios, o casal tenta engravidar, sem sucesso. Danilo se descobre infértil, e pior, Joana se descobre grávida. Ela alega ser obra do Messias que está por vir.
O roteiro é uma grande alegoria que faz crítica ao núcleo familiar e à Igreja, além da burocracia do Estado. O elenco está de forma geral excelente, e é incrível testemunhar o despudor de atores como Júlio Machado e Dira Paes, totalmente nus e à vontade em cenas de sexo vibrantes. A fotografia é do uruguaio Diego Garcia, um habitué dos filmes do tailandês Apitchchapong. Direção de arte, trilha sonora do Dj Dolores, é um conjunto de tantas qualidades nesse filme metafórico e brutalmente triste e visionário que a gente sai do cinema tentando entender em que mundo vivemos e que futuro reservamos às próximas gerações.
O filme concorreu em Sundance e Berlin, além de ter sido exibido em mais de 20 Festivais.
A espiã vermelha
"Red Joan", de Trevor Nunn (2018)
Baseado na história real da Espiã inglesa Melita Norwood (1912-2005), que trabalhou para os russos durante os anos 40 e 50, enviando informações ultra-secretas sobre a fabricação da bomba atômica. Melita foi descoberta pelo governo inglês em 1992. Judi Dench e Sophie Cookson interpretam Joan Stanley, alter ego de Melita. A época fi atualizada para o ano 2000, quando ela foi presa pelo governo inglês. O filme passa então a mostrar em flashbacks o envolvimento de Joan com os comunistas , através de uma colega de faculdade, que a apresenta a Leo, um alemão erradicado a Inglaterra, por quem Joan se apaixona. Ele a apresenta a filmes, reuniões e ideais comunistas, e Joan acaba se tornando simpatizante. Ela também se apaixona por William Mitchell, um inglês que trabalha para o Ministério da mineração, fornecendo mineral para confecção de bombas. Estudante de Física, Joan acaba se aproveitando dessa sua aproximação com Willian para roubar segredos para Leo.
Mais do que um filme de espiões, "A espiã vermelha" é um filme de amor, daqueles exacerbados pelos quais a protagonista entrega a alma pelo amor de sua vida. Mas as atrizes defendem bem a sua personagem, com clara evidência de fortalecimento do feminismo em uma época comandada por homens. O filme é muito didático, correto, mas não chega a arrebatar em momento algum. Parece aquelas produções televisivas da BBC. Vale e com certeza, por Judi Dench, que mesmo aparecendo pouco, sempre traz dignidade para as suas performances.
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Atriz milenar
"Sennen joyû", de Satoshi Kon (2001)
A animação japonesa sempre foi associada mundialmente ao famoso Studio Ghibli e seus grandes clássicos: "Meu amigo Totoro", "A viagem de Chihiro", "A princesa Mononoke", todos de Hayao Myasaki, alem de outros filmes de cineastas menos conhecidos. Mas existe um Estúdio pouco conhecido do grande público, a Madhouse, que tinha entre seus animadores um dos maiores animadores de todos os tempos, Satochi Kon: 3 dos seus filmes certamente figuram entre as grandes obras-primas do gênero: "Perfect Blue", "Paprika" e "Atriz milenar". Satochi Kon faleceu precocemente, aos 46 anos de idade, e seus filmes tornaram-se cults.
"Atriz milenar" é antes de tudo, Ode ao Cinema e ao Amor. Genya, um documentarista, e seu cameraman Eiko, agendam uma entrevista com a grande atriz japonesa, a veterana Chyoko, de 70 anos, mas há mais de 30 anos reclusa e sem filmar. Chyoko mora isolada nas montanhas, solitária. Durante a entrevista, ela diz como entrou no cinema como atriz aos 17 anos de idade, e filmou até os anos 60, protagonizando épicos do Japão feudal, heroína da segunda guerra, filme de monstros e até ficção científica. Mas o que ninguém sabia, e ela confidencia, é que ela entrou no cinema por amor: aos 17 anos, ela conheceu um misterioso pintor, que estava fugindo da polícia. Ele lhe entrega uma chave e diz que ela abre "a coisa mais importante da vida." No dia seguinte ele desaparece, e Chyoko torna-se obcecada em descobrir o paradeiro dele para lhe devolver a chave. Ao descobrir que ele foi para a Manchúria para participar em uma brigada anti-governista, Chyoko decide ser Atriz quando lhe dizem que o filme será filmado na Manchúria, tendo assim, uma chance de localizar o homem.
O que torna o filme algo especial e primoroso, e a forma como Satochi narra toda essa história de flashbacks: Genya e seu cameraman participam ativamente das cenas narradas em flashbacks, como testemunhas da narração de Chyoko. A parte final, mesclando a fuga de CHyoko com cenas de suas personagens nos variados filmes, é um primor de roteiro e de edição.
Roteiro, direção, trilha sonora e principalmente, o trabalho técnico na fotografia, "envelhecendo"as fotografias antigas, é tudo um desbunde e um olhar apaixonado de Satochi pelo universo que ele tanto prima, que é o da animação.
O filme tem uma narrativa complexa, e o final pode deixar muita gente desapontada. Mas todo esse esforço lhe valeu vários prêmios em Festivais Internacionais, merecidamente.
terça-feira, 25 de junho de 2019
Deslembro
“Deslembro”, de Flávia Castro (2018)
Diretora do belo documentário “ Diário de uma busca”, onde a Cineasta falava do pai ativista político assassinado na época da ditadura brasileira, Flávia Castro agora estreia na ficção com o belo e intimista “ Deslembro”. Novamente resgatando a vida do seu pai, Flávia faz um relato livremente autobiográfico, sobre uma adolescente, Joana ( Jeanne Boudier), nascida no Brasil mas exilada em Paris nos anos 70. Com a Lei da anistia de 1979, sua mãe resolve retornar ao Brasil, junto dos dois meio irmãos pequenos de Joana e do padrasto, um Chileno envolvido com o combate da ditadura no Chile. Joana protesta, não quer vir para o Brasil, País que segundo suas amigas francesas dizem, tem onça e cobra andando nas ruas. Mas para Joana, o Brasil é o País onde se mata e tortura, e onde seu pai foi dado como desaparecido político. Obrigada a vir, Joana se isola, mas acaba descobrindo o primeiro amor, a maconha e principalmente, a música brasileira, que junto da convivência com sua avó ( Eliane Giardini), a fazem se reconectar com o Brasil.
O filme, um belo projeto feminino, conduzido por mulheres na equipe e protagonizado por elas, tem uma delicadeza e sensibilidade que traduzem em imagens o coming of age de uma adolescente. Sem rumo, sem
Cultura, sem o amor do pai que desapareceu, Joana se vê sem lenço e sem documento, e precisa aprender a recomeçar uma nova história.
O filme também é um passeio nostálgico e poderoso em torno da música e a importância dela como resgate da memória: Lou Reed, The Doors, Caetano Veloso e muitos outros artistas embalam cenas belamente orquestradas pelo conjunto da equipe e Elenco em primeiríssima forma.
O filme foi selecionado para a Mostra Horizonte em Veneza 2018 e ganhou 3 prêmios no Festival do Rio no mesmo ano: atriz coadjuvante para Giardini, Melhor filme do público e Fipresci.
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