terça-feira, 28 de julho de 2026

Choele

"Choele", de Juan Sasiaín (2013) Choele é um município a 11 horas de Buenos Aires. É ali que Coco, um menino de 11 anos, vai passar as férias com o seu pai, divorciado de sua mãe com quem Coco mora. Coco é um menino esperto e alegre, e apaixonado pelo seu pai. Mas quando conhece Kimey, a namorada de seu pai, seus sentimentos se transformam: apaixonado por ela, ele vê em seu pai um rival. Lindo e raro filme argentino totalmente familiar, repleto de sentimentalismo e que a gente assiste com enorme prazer. Todo pelo ponto de vista do menino, remete a pequenos clássicos juvenis, como "O verão de 42" ou o nacional " Houve uma vez dois verões", de Jorge Furtado. Dirigido com muita delicadeza, e respeitando o universo dos adolescentes com muito carinho, o cineasta e roteirista Juan Sasiain foi feliz ao escalar 3 atores que tem uma química fantástica: Leonardo Sbaraglia, o grande galã argentino, e extremamente carismático; Guadalupe do Campo, vivendo com muita leveza e sedução a jovem namorada, primeiro amor de Coco; e o menino Lautaro Murray, em seu primeiro papel no cinema, exalando frescor e espontaneidade, sem interpretação forcada. Assisti ao filme com muita simpatia, e recomendo para quem quer ver um delicado drama sobre o "coming of age" que mesmo tratando de lugar comum, vale pelo amor dedicado ao projeto de todos os envolvidos. Trilha sonora linda, e fotografia que valoriza a locação.

Leviticus

"Leviticus", de Adrian Chiarella (2026) E se o premiado filme brasileiro 'Pedágio", de Carolina Markowicz, fosse um filme de terror? Tanto "Pedágio" quanto "Leviticus" possuem muitas semelhanças temáticas. É a personagem da mãe quem busca ajuda de um religioso para fazer a conversão de orientação sexual em seus filhos. O terror em "Pedágio" é simbólico, em "Leviticus" é sobrenatural. Os protagonistas são personagens adolescentes que decsobrem a sua paixão por alguém do memso gênero e por isso, sofre represálias da família e da igreja Escrito e dirigido por Adrian Chiarella, "Leviticus" concorreu nos Festivais de SXSW e Sidney, ganhando prêmios em Frameline San Francisco International LGBTQ Film Festival e Astra midseason. Foi exibido com sucesso em Sundance e traz o terror australiano de volta ao circuito, após o grande sucesso de filmes como "Babadook", "Fale comigo" e "Wolf creek". Após a morte de sue pai, Naim (Joe Bird). se muda com sua mãe, Arlene (Mia Wasikowska) para uma cidade do interior, Victoria. A maioria dos moradores do bairro onde moram são frequentadores da igreja local. Arlene também é religiosa. Niam se apaixona por um colega da escola, Ryan (Stacy Clausen), e eles se encontram esconidos. Quando Naim testemunha Ryan aos beijos com o filho do pastor, Hunter (Jeremy Blewitt), ele sente ciúmes e os entrega em segredo para os pais do pastor, que contratam um curandeiro para fazer um exorcismo nos dois rapazes. Arlene descobre que Naim também andou comos rapazes e contrata o curandeiro para seu filho també. Os rapazes passam a ver um duplo das pessoas que ama, ameaácndo-os de morte e sem saberem se é a pessoa real ou o duplo mortal. Utilizando o terror para expôr críticas à igreja conservadora e à homofobia, o filme traz ótimas performances. Eu estava com saudades de Mia Wasikowska, uma atriz subaproveitada nas produções recentes. O terror não é intenso, cabendo ao drama a sua maior força. O personagem de Naim me deixou bastante irritado e tive dificuldade para torcer por ele.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A aposentadoria

"El retiro", de Ricardo Díaz Iacoponi (2019) Dramédia co-escrita e dirigida por Ricardo Diaz Iacoponi, é uma produção argentina protagonizada pelo veterano ator Luis Brandoni, falecido em 2026 e ator da comédia clássica "Esperando a carroça", além do filme com Ricardo Darin, "A odisséia dos tontos". Rodlfo (Brandoni) acaba de se aposentar. Viúvo, ele mora sozinho. Tentando se acostumar com a aposentadoria, Rodolfo trabalhou 50 anos como aobstreta, o que o afastou de sua família: sua falecida esposa e sua filha, Laura (NancyDuplaá), uma cantora que guarda ressentimento pela ausência do pai. Quando a empregada de Rodolfo, Yanina (Eugenia Ruiz) viaja de surpesa para sua cidade de Santiago del Estero, ela deixa seu filho de 10 anos Diego (Marcos Da Cruz) aos cuidados de Rodolfo, através de um bilhete. Sem saber o que fazer, Rodolfo não consegue localizar Yanina, que desaparece. Rodolfo passa a cuidar do menino. Ao memso tempo, Laura pede para ficar uns dias na casa do pai para resolver problemas pessoais, e decide de vez a resolver seus problemas com ele. Filme leve e simpático, carregando uma dosse de melancolia, ao mostrar a vida de pessoas solitárias de terceira idade na Argentina. Os atores estão ótimos , e para quem gosta de um "feel good movie", é uma ótima pedida.

Beginnings

"Begyndelser", de Jeanette Nordahl (2025) Co-escrito e dirigido pela cineasta dinamarquesa Jeanette Nordahl, um dos maiores runfos de "Beginnings" é a formidável atriz Trine Dyrholm, de quem sou um grande fã. O filme concorreu no Festival de Berln em 2025. O drama é comovente e me deixou muito triste. Baseado na hist'roia real ocorrida com os pais da diretora, traz Trine interpretando Ane. Ela é professora de uma universidade. Ela é casada com Thomas (David Dencik) e são pais da adolescente Clara (Bjørk Storm Engelshardt Kirkegaard) e da pequena Marie (Luna Fuglsang Svelmøe). O casal está em vias de divórcio, mas ainda não contaram para as filhas. Thomas já tem uma amante mais jovem. Um dia, Ane tem um avc e cai da escada de casa. Ela é levada ao hospital e está com metade do corpo paralisado. Preocupado com Ane e com suas filhas, o casa decide não contar para as filhas da separação até Ane poder se recuperar. Mas Ane está angustiada: não quer ser ajudada pelo homem que ela não ama mais, e tem dúvidas sobre se seu corpo um dia voltará ao que era antes. Eu só sei que a medida que o filme avançava, eu ia ficando mais arrasado. é uma história muito dolorosa, ainda mais em se tratando de morar na mesma casa com alguém com quem você não nutre mais amor, mas que depende dele. O trabalho de direção é sutil e excelente. O elenco todo etsá muito bom E mais uma vez , Trine prova ser das maiores atrizes do mundo. A cena em que ela se vê a si mesma dançando, furiosa, é arrebatadora.

Super paradise- The story of Mykonos

"Super paradise- The story of Mykonos , de Steve Krikris (2025) Melhor documentario no Los Angeles Greek Film Festival (LAGFF), "Super paradise- The story of Mykonos" é um filme que apresenta a Ilha de Myonosos, na Grécia. Hoje, uma das principais atrações turísticas do país, trazendo celebridades e turistas do mundo inteiro, na década de 70 era o oposto: era uma ilha desvalorizada, um destino que não fazia parte dos roteiros obrigatórios. Considerada a "Cinderela das ilhas gregas", começou como um vilarejo de pescadores. Depois, no final dos anos 60 e início dos 70, se tornou refúgio dos hippies. Coma. ditadura militar do país, a ilha se tornou um paraíso para pessoas liberais. Ali, era permitido relacionamentos com pessoas do mesmo gênero- a homosseuxlaidade era proibida até os anos 70. A ilha aos poucos foi se tornando um local boêmio, atraindo turistas e celebridads em busca de s3x0, topless na praia e festas hedonistas. O filme traz depoimentos de moradores e sobreviventes da época de ouro, além de imagens em super-8. Eu queria ter gostado mais do filme. Ele tem uma narrativa careta, tradicional, sem ritmo e anêmica. Para a temática, merecia algo mais sensual, dinÂmico e esfuziante.

domingo, 26 de julho de 2026

Lumière, Le Cinéma!

"Lumière, l'aventure continue", de Thierry Frémaux (2024) Dirigido, escrito e narrado por Thierry Frémaux, chefe do Instituto Lumière na cidade natal dos irmãos, Lyon, na França. Os irmãos Auguste Louis Lumière criaram e patentearam o cinematógrafo em 1895. O filme é um documentário que reúne 120 pequenos filmes rodados pelos irmãos Lumiere, entre os anos de 1895 a 1905. Nesse período, eles rodaram mais de 2000 filmes, com a duração de no máximo 50 segundos. Os films foram restaurados pelo instituto. Thierry os apresenta em ordem cronológica e temática. No início, os irmãos registravam a vida cotidiana, com o olhar documental. Logo, abriram salas de cinema para que os espectadores pudessem assistir aos filmes. O pai deles, Antoine, sugeriu que os filmes entretessem o público, e a partir daí, surgiram os filmes enccenados, com artistas interpretando situações geralmente cômicas. Mas o que interessa a Thierry é enaltecer o olhar documental e contemplativo dos filmes deles. Thierry também avalia a rivalidade entre Lumieree George Melies, considerado o diretor de cinema de ilusão. Ele comara o cinema dos irmãos Lumiere a Rosselini e o olhar do cinema neo relaista e da nouvelle vague, e Melies, a Fellini e ao cinema de Hollywood. O filme termina mostrando Francis Ford Coppola, em 2019, dirigindo um remake do famoso filme "A saída dos operários da fábrica Lumiere": Coppola filma com o cinematográfico 35 mm, e ao invés da fábrica, ele contextualiza uma fachada de cinema onde está sendo exibido um filme seu, e os espectadores saindo docinema, finalizando com um close do cineasta Bertrand Tavernier, falecido logo após essa filmagem, em 2021, e a quem Coppola dedica seu filme.

Children of the mist

"Children of the mist", de Ha Le Diem (2021) Vencedor de mais de 15 premios em festivais interacionais, "Children in the mist" é um comovente documentário vietnamita. Dirigido e concebido pela cineasta vietanmita Ha Le Diem, o filme mostra a população pobre que mora no povoado Hmong. A protagonista do filme é a jovem Di, filha de um casal que mora na região. Pobres, a região mantém uma terrívrl tradição: ao atingir 14 anos, as meninas , na cerimônia do nao novo lunar, são sequestradas por um homem ou adolescente do povoado para se casarem à força. Os pais aprovam a união pelo fato de serem pobres. A cineasta filmou por 3 anos a jovem Di, desde antes e depois da cerimônia, mostrando seus sonhos e desejos para o futuro. Na escola, a professora progressista prega para os alunos que devem ser independentes e guiar as suas vidas como desejarem.. Mas a realidade de Di é diferente, por conta de uma tradição. O filme mostra a rotina das crianças e adultos na região. as mulheres trabalham em casa e no campo, fazendo atividades pesadas. Os homens ficam bebendo o dia todo. As meninas fazem trabalhos pesados. Di eas outras meninas possuem contas em Facebook e ficam vendo perfis de homens que gostariam de se casar, além de desejos consumistas. A cena que mostra o dia em que Di é obrigada a se casar, sendo sequestrada e lutando para não ser levada, inclusive implorando à cineasta por ajuda, é devastadora.

Os escravos de Satanás

"Pengabdi Setan", de Joko Anwar (2017) Co-escrito e dirigido por Joko Anwar, "Os escravos de satanás" é um terror vindo da Indonésia. O filme é um remake do filme homônimo de 1980, dirigido por Sisworo Gautama Putra e baseado em um roteiro de Subagio S. O filme traz referências a clássicos do gênero: "O bebê de Rosemary", "Os outros" e "Poltergeist". O filme foi a maior bilheteria de 2017 na Indonésia, com 4,2 milhões de espectadores. Uma famíla vive com dificuldades financeiras depois que a matriarca ficou doente. O ano é 1981, e a família mora em casa decadente, localizada no campo, pertencente à avó. Mawarmi, outrora cantora famosa, ficou doente e prostrada na cama. Seu marido está desempregado. A família até então vivia dos roylaties das músicas dela, mas os lucros acabaram. O casal possui 4 filhos: Rini, a mais velha. Toni, de 16 anos. Bondi, de 10 anos e Ian, de 6, prestes a fazer 7 anos. Quando Mawarmi morre, o pai decide ir até a cidade tentar arrumar um emprego. Os filhos ficam na casa, mas estranhos acontecimentos começam a acontecer. Rini acaba descobrindo que sua mãe, quando se casou com seu pai, era infértil, e acabou fazendo um pacto com adoradores de Satanás para poder ter filhos. Agora, os adoradores querem levar Ian, no dia que ele completar 7 anos. Eu li bastante sobre o filme, e os fãs diziam ser um dos maiores filmes de terror e que era assustador. O filme não assusta tanto, e como terror, é bastante óbvio, afinal, a história é uma colcha de retalhos dos filmes citados acima. Vale pelo elenco, todos bons, e pela fotografia.

Cruel hands

"Cruel hands", de Al Kalyk (2026) Eu queria ter gostado desse thriller australiano. Vi o trailer que me enganou direitinho, parecia ser um filme de terror. O filme é um terror, mas não ao pé da letra de gênero. É o drama de uma mulher que sofre abusos de violência doméstica do marido, e decide fugir de casa com seu filho de 12 anos. Ela se esconde na casa de sua tia, isolada no meio de uma floresta. Mas a coincidência é que nos arredores da floresta, estão ocorrendo o devastador incêndio de 2019, que dizimou boa parte da faua e flora. E para piorar, seu marido descobre onde ela está e vai atrás. Co-escrito e dirigido por Al Kalyk, o filme venceu o prêmio de melhor filme Austin film awards 2026. A montagem é confusa, alternando cenas no presente com flashbacks. Os dois atores principais estão ótimos. Maria (Mavournee Hazel), que interpreta a mãe, e Dai (Diesel La Torraca), o adolescente apresentam tensão e drama. O desfecho ficou corrido e dramaticamente não gostei. O trabalho da fotografia de Charlie Cole é muito eficiente, trazendo uma textura vintage. Os efeitos do incêndio também são bem resolvidos, ainda mais pensando que é uma produção de baixo orçamento. Uma pena que o roteiro não desenvolva melhor os personagens.

sábado, 25 de julho de 2026

O pacto

"The covenant", de Renny Harlin (2006) Renny Harlin é um diretor que possui uma extensa lista de filmes dirigidos em Hollywood. A maioria, filmes que foram execragdos pela crítica. Recentemente, ele lançou a criticada trilogia 'OS estranhos", e o filme de stubarões "Águas mortais". Em 2006, ele lançou 'O pacto", logo depois de "Exorcista, o início", onde ele contava a a história pregressa do Padre Merlin, vivido por Stellan Skasgard. Em "O pacto", Harlin adapta a HQ "The covenant", da Top Cow. O filme lembra a trama de "As juvens bruxas", de 1998, ao apresentar 4 amigos, descendentes de uma clã da Colônia de Ipswich do Massachusetts, em 1692. Uma das linhagens foi banida pela ambição no uso dos poderes sobrenaturais. Nos dias atuais, os 4 amigos estudam em uma Universidade. Entre farras, baladas e namoros, os amigos precisam lutar contra Chase (Sebastian Stan, em início de carreira), descendente da clã banida, que veio se vingar e quer sugar o poder dos 4 amigos. Curioso que o filme acabou sendo uma referência para o mega sucesso de "Crepúsculo", que viria 2 anos depois, em 2008. A receia envolve trama envolvendo romance, terror, ação, aventura e claro, um elenco bonito com homens jovens semi nús. O elenco aqui masculino é o grande chamariz do filme, todos escolhidos a dedo e ainda tendo um sub-plot de cameponato de natação só pra botar todo mundo de sunga.

Seu inferno particular

"Her private hell", de Nicolas Winding Refn (2026) 10 anos depois de ter exibido seu 3o filme no Festival de Cannes, "O demônio de Neon", em 2016, o cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, dos excelentes 'Drive" e do subestimado 'Só Deus perdôa", retornou no mesmo Festival francês com "Seu inferno particular". Assim como seus últimos filmes, o filme dividi a crítica, recebendo muitas vaias e alguns aplausos. Eu sou muito fã de Refn de seus 2 filmes com Ryan Gosling, filmes que redefiniram a estética dos filmes de ação. Mas tanto "Neon", quanto "Inferno", se enveredaram para uma narrativa mais surreal, desconexa, aberta a interpretações. Não por acaso, são os filmes onde Refn mais se aporxima do cinema de Dario Argento, que também costumava deixar muitas pontas soltas, sme dar explicações. Elementos sobrenaturais, fotografia saturada e uso de cores fortes, interpretações empostas, e claro, o assassino de couro e luvas pretas, são a prova definitiva da homenagem ao gênero giallio. A forma com que o assassino mata também é marca registrada de ARgento, principalmente de "Suspíria": a vítima tem o tórax rasgado e a cabeça estourada ao bater no vidro da janela. Mas existe também uma homenagem a outro mestre do horror: John Carpenter. Uma das tramas acompanha um nevoeiro, que oda vez que surge, traz uma figura que encarna a morte, no caso, o serial killer. No filme de Carpenter, 'A bruma assassina", o mote é o mesmo. Refn também exacerba o homoerotismo no filme, através da presença do galã Charles Melton ( de "May december"): seja vestindo um uniforme de guarda japonês dos anos 60, ou uma jaqueta de couro com o peito nú, Melton exala sensualidade por cada poro de seu corpo. A trama é uma bagunça. O que interessa no filme, é ficar acompanhando a estética visual, que remete tanto aos giallios dos anos 70 e 80, quanto à ficção científica de "Blade runner". O filme tem 2 tramas andando paralelas, que se unem no fim: no futuro, uma jovem atriz, Elle (Sophie Tatcher), procura se reconciliar com seu pai e sua madratas, enquanto filma. Nos anos 60, um ex-soldado japon6es, K (Melton) está em busca de sua filha, levada pelo serial killer "O homem de couro". Outro ponto positivo é a trilha sonora do mestre Pino Donaggio, que fez trilhas para Brian de Palma nos anos 80. A fotografia é um espetáculo à parte.

Orégano: la Familia Fracaso

"Orégano: la Familia Fracaso", de Ramsés Tuzzio (2022) Escrito e dirigido por Ramsés Tuzzio, "Orégano: la Familia Fracaso" é a adaptação da peça teatral escrita por Sergio Lobo. O filme se passa inteiramente em uma pequeno conjugado da periferia de Buenos Aires, onde uma mora uma família composta de 4 pessoas: os pais, Alicia (Marianela Bucafusco), uma ex-canntora fracassada e que joga a culpa do fracasso na família; o pai, Norberto (Juan Garrido), um ex-açougueiro que fehou sua loja com a crise econômica de 2001; a filha Romina (Selva Jiménez), que culpa os pais pela situação em que vivem, e o filho Gordo (José Ponce), que tem autismo e vive em um mundo de fantasia. Durante o filme todo, a família se insulta com rancor e violência, dentro d eum tom teatral. Me fez lembrar do clássico de Ettore Scola, "Feios, sujos e malvados". A estética usa elementos do teatro e do cinema, em uma mistura que não me agradou muito, por conta do ritmo e do exagero cênico.

Nadie va a escuchar tu grito

"Nadie va a escuchar tu grito", de Mariano Cattaneo (2025) Slasher argentino escrito e dirigido por Mariano Cattaneo. O filme é uma produção independente e é ambientado durante a Copa do mundo de 1990. Enquanto o time da Argentina joga na Itália, um serial killer age no bairro de Bernal, uma área residencial de Buenos Aires. Em cada partida da ARgetina, enquanto as pessoas estão em casa assistindo ao jogo e as ruas estão vazias, o assassino faz uma vítima. Enquanto isso, Micaela (Sol Weiner) é uma jovem que cuida da loja de seu pai, enquanto ele viaja. É uma loja de discos, cassette e venda de instrumentos musicais. Micaela também é Dj em um fliperama. O caminho de Micaela cruza com o do assassino, e ela precisa descobrir a identidade dele antes que ele faça mais vítimas. Obviamente que o filme tem uma trilha sonora pauta em sintetizadores. A influência do giallio é forte, com o assassino usando luvas de couro. A fotografia traz as cores fortes do gênero. A atriz Sol Weiner é boa, e funciona como a fnal girl. No trecho final, o filme fica meio solto, com uma cena mal resolvida na loja de discos. As ceneas de morte são gráficas e farão a alegria dos fãs.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sussurros ao luar

"Gekkô no sasayaki", de Akihiko Shiota (1999) Co-escrito e dirigido por Akihiko Shiota, "Sussurros ao luar" começa como um típico romance adolescente entredois estudantes japoneses. Mas ao longo do filme, esse romance muda de tom, e se transforma em um jogo fetichista e de sadomasoquismo. O filme concorreu no Festival de Locarno e venceu diveros prêmios em festivais de filmes de arte. Takuya Hidaka (Kenji Mizuhashi) é professor de Kendo (uma espécie de esgrima) junto de seu amigo Uematsu (Kota Kusano). As alunas são todas garotas. Apos romper um relaionamento, Takuya fica obcecado pela aluna Satsuki Kitahara (Tsugomi), que corresponde. Ela frequenta a casa de Takuya e aos poucos passam a se relacionar. Satsuki descobre por um acaso uma gaveta fechada de Takuya e ao abrir, encontra fotos suas, objetos fetichistas eróticos e uma fita cassete com o som dela urinando. Assustada, ela se afasta de Takuya. Ele pede perdão e diz que fará qualquer coisa para revar o amor dela, sendo submisso. Para fazê-lo se humilhar, Satsuki passa a namorar Uematsu. Ela amarra TAkuya escondido no armário, e o orbiga vê-la fazendo s3x0 com Uematsu. O casal se entrea em jogo de submissão e humilhação. Ousado, por utilizar personagens pós adolescentes para apresnetar um romance baseado em fetiches de dominação, "Sussurros ao luar" traz ótimos atores e cenas, mesmo que sensuais, apresentadas com bastante romantismo.

De Acá a la China

"De Acá a la China", de Federico Marcello (2019) Escrito, dirigido e protagonizado pelo cineasta argentino Federico Marcello, "De Acá a la China" é uma simpática dramédia filmado em Buenos AIres e na China, na cidade de Xiamen, Fujian. Federico é Facundo. Seu pai foi dono do supermercado do bairro até os anos 90, com sucesso. Mas com a vinda de chineses, que abriram supermercados concorrentes, o pai de Facundo faliu e fechou as portas. Agora, ele decide se vingar. Com o pretexto de estudar mandarim na China, Facundo viaja para Xianmei para se vingar: ele quer abrir o primeiro mercado argentino no país, vendendo produtos argentinos, como mate e doce de leite. Para isso, ele conta com a ajuda do amigo Pablito (Pablo Zapata), que mora na China há anos e vai se tornar sócio dele. O filme , mesmo trazendo humor de situação ao apresentar as diferenças culturais, traz uma forte melancolia, principalmente no ato final. Tanto Facundo, Pablito e os chineses que surgem na história, possuem uma tristeza no olhar e trazem discursos edificantes, poéticos e de enaltecimento da história da família e de sua cultura.

Alice

"Neco z Alenky", de Jan Švankmajer (1988) Vencedor do prêmio do juri no Festival de Annecy 1989, 'Alice" é uma versão surrealista da obra de Lewis Carrol realizada pelo cineasta tcheco Jan Švankmajer. Segundo o próprio cineasta, ele sempre foi fã da obra, mas estava insatisfeito com as versões feitas até então ( o filme é de 1988), que seguieam um tom mais infantil e de conto de fadas, de acordo com Jan. O filme mistura atores com bonecos em stop motion. A pequena Kristýna Kohoutová interpreta Alice, a única atriz do filme. Todo o restante é composto por animação em stop motion. Jan adapta a história com algumas liberdades criativas, como por exemplo, Alice segue o coelho branco e emabos entram em uma gaveta de uma estante, transportando-os para o mundo das maravilhas. O tom é sombrio, quase de pesadelo, com uma fotografia mais assustadora e uma trilha que dá a atmosfera lúgubre.

Zona zero

"Gunche", de Yeon Sang-ho (2026) Exibido no Festival de Cannes 2026 na Mostra midnight screening, "Zona zero" é co-escrito e dirigido por Yeon Sang-ho, mesmo cineasta do clássico doz zumbis sul coreano "Invasão zumbi", que trouxe um novo olhar sobre a forma em que os zumbis são apresentados. Com "Zona zero", eon me fez lembrar de um filme esquecido do mestre dos zumbis George Romero: em 2005, ele lançou "Terra dos mortos", com John Leguizamo, Dennos Hopper e Asia ARgento lutando contra zumbis evoluídos intelectualmente, seres que agora raciocinam e trabalham em grupo, sob o comando de um líder. Pois essa é a mesma premissa de "Zona zero". Ambientado quase todo em um shopping center ( e de novo, trazendo outra referência de George Romero, "Madrugada dos mortos", que também acontece todo em um shopping), "Zona zero" começa com uma conferência biotecnolígica que ocorre no prédio. Suh Young-chul, um cientista desprezado pela comunidade científica, quer se vingar e para isso, injeta nele próprio um vírus que ele criou. Esse virus possibilita que ele, como hospedeiro 1, fique imune a se tornar um zumbi. Ao injetar o vírus em um cientista concorrente e que roubou a sua pesquisa, o caos se instala no shopping, com todos os infectados se transformando em zumbis. Só que como uma colônia de formigas, Suh consegue se comunicar mentalmente com todos e ordenar o que eles devem fazer.Os sobreviventes precisam lutar pela vida e tentar prender Suh, para extrair dele a vacina que cure a todos. O filme, assim como "Invasão zumbi", é concentrado em um espaço, o que torna o suspense e a ação mais claustrofóbicos. No resultado final, achei menos divertido e criativo que o filme anterior. Os personagens não são tão carismáticos quando em "Invasão zumbi". Aguns personagens são irritantes na sua decisão. MAs vale pelos efeitos e pelo otimo trabalho dos zumbis interpretados pelo elenco.

Hot line

"Hot line", de Lucas Nicotti (2025) Melhor atriz no Festival de Stockolm 2025 para Magui Bravi, também produtora, "Hot line" é um terror slasher argentino dirigido por Lucas Nicotti e escrito por Nicanor Loreti e Paula Manzone. O fime traz referências ao cinema giallio italiano, com direito ao serial killer de luvas pretas. A fotografia traz as cores fortes comuns ao gênero, e a final girl interpretada por Magui. Ambientado no final dos anos 80, Malena (Magui Bravi)foi uma celebridade da televisão por um bom tempo, mas como se opôs aos assédios de um produtor, foi banida do mercado. Para sobreviver, Malena trabalha em uma balada como stripper e também trabalha em casa como atendente de hot line, uma linha telefônica para conversas sexuais e fantasias eróticas com o cliente. Malena deseja se tornar escritora, e se baseia nos relatos dos clientes para escrever a obra. Um serial killer, que anda matando mulheres, se torna o seu cliente e passa a assediá-la. O filme funciona para um publico que não for exigente com performances e com roteiro consistente. A história é confusa, com muitos sub-plots que mais atrapalham do que ajudam. As falsas pistas para descobrir quem é o assassino e as cenas de morte são boas. A melhor parte é o ato final, concentrando a parte mais explícita de violÊncia, com direito a uma cena de morte que me chocou pela forma como é apresentada, me lembrando de "Irreversível", de Gaspar Noé, na cena inicial.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

O suflê

"The Souffleur", de Gastón Solnicki (2025) Concorrendo no Festival de Veneza 2025, "the souffler" é um filme escrito e dirigido pelo argentino Gastón Solnicki e protagonizado pelo astro Willen Dafoe. Co-produzido pela Argentina e Áustria, o filme foi todo rodado no Hotel Intercontinetal Vienna. O filme ficionaliza um ato real: O Hotel InterContinental Vienna, construído em 1960 e localizado perto do Stadtpark, foi vendido para a empresa WertInvest e faz parte do polêmico projeto de reurbanização "Heumarkt Neu". O cineasta se baseou na premissa e conta a história do gerente do Hotel, Lucius (Dafoe), que trabalha há muitos anos no hotel. Agora decadente, ele coordena o quadro de funcionários, que inclui a sua assistente e filha, Lilly (Lilly Lindner) . Lucius, com seu perfeccionismo e precisão, supervisiona todas asáreas: arrumação dos quartos, quadra de tênis, cozinha, recepção Recebe os turistas e checa o bem estar, além de oferecer bônus e brindes em caso de reclamações. Mas quando um empresário argentino, interpretado pelo próprio cineasta, pretende comprar o hotel e demoli-lo para dar lugar a um novo empreendimento arquitetônico, Lucius entra em crise existencial. O filme trata de diversos temas. A gentrificação, a falta de resgate da memória arquitetônica (o filme apresenta imagens de arquivo da construção do hotel nos anos 60), e a fidelidade à profissão, através do personagem de Dafoe, que me fez lembrar do mordomo de Anthony Hopkins em "Vestígios do dia". Visualmente, o filme tem uma rigidez dos planos fixos, que em algum momento me fez lembrar de "O grande hotel Budapeste", de Wes Anderson. Mas não tem nada a ver. Está mais para um filme de Yorgos Lanthimos, com cenas e personagens excêntricos e muita estranheza.

Pequenas criaturas

"Pequenas criaturas", de Ana Pinheiro Guimarães (2025) Melhor filme e direção de arte no Festival do Rio 2025, "Pequenas criaturas" é escrito e dirigido pela cineasta brasiliense Anne Pinheiro Guimarães. Esse é seu segundo longa ( o 1o, "Transe", mostra um triângulo amoroso no meio de um turbilhão político e social no Brasil). O filme fala sobre ausências e possibilidades que pairam no ar, e ficam em aberto, assim como os seus personagens. Em determinado momento, o personagem de André, o filho mais velho de Helena (Carolina Dieckmann), diz que se pudesse ter um poder que fosse o de adivinhar o futuro. Será que a mãe se abrirá à uma possibilidade de amor lésbico? Será que o personagem do morador do apartamento do 304, é um p3d0f1l0, ou um adulto que age como uma criança? Será que um dos personagens se tornará um adolescente rebelde e marginal em Brasília? Será que o marido de Helena, e pai de Dudu (lorenzo Mello) e André, Luís (Michel Melamed), voltará um dia? O filme se passa em Brasíla, 1986. Sarney é o presidente empossado, sunstituindo Tancredo Neves. O país volta a se democratizar. Helena se despede de Luís no aeroporto, que viaja a trabalho. Ela e seus filhos estão sozinhos na capital, um lugar inóspito, monumental e solitário. Nesse deserto de concreto e cerrado seco, cada um deles viverá a sua história. A fotografia de Pablo Baião acentua a melancolia da capital. Brasília geralmente é vista no cinema como um lugar de encontros e desencontros de almas solitárias. O filme traz referências cinéfilias: "Bang bang", clássico de Andrea Tonacci, com um dos personagens usando a máscara de um macaco de "O planeta dos macacos"; "Pecados íntimos", na posisbilidade de um ataque p3d0f1l0; e "Contatos imediaos do 3o grau", no desfecho lúdico e fantástico. O elenco principal, formado pelo núcleo familiar, está excelente. Participações de Caco Ciocler, Leticia Sabatella e Fernando Eiras.