"El joven Diego", de Osama Chami e Enrique Gimeno Pedrós (2020 Premiado curta LGBTQIAP+ espanhol, "O jovem Diego" traz uma interessante metáfora narrada em tom fantástico e experimental sobre o primeiro encontro de Diego com um peguete de aplicativo. Seus anseios, medos, erá que deve sair com esse homem? Filmado pelo ponto de vista do homem com quem Diego irá ter ou não seu primeiro sexo, "O jovem Diego" é um filme realizado com criatividade dentro de um padrão de baixíssimo orçamento. Ótima performance do jovem Iván Pellicer, que traz toda a angústia misturada a desejo de seu personagem.
sexta-feira, 19 de novembro de 2021
O jovem Diego
"El joven Diego", de Osama Chami e Enrique Gimeno Pedrós (2020 Premiado curta LGBTQIAP+ espanhol, "O jovem Diego" traz uma interessante metáfora narrada em tom fantástico e experimental sobre o primeiro encontro de Diego com um peguete de aplicativo. Seus anseios, medos, erá que deve sair com esse homem? Filmado pelo ponto de vista do homem com quem Diego irá ter ou não seu primeiro sexo, "O jovem Diego" é um filme realizado com criatividade dentro de um padrão de baixíssimo orçamento. Ótima performance do jovem Iván Pellicer, que traz toda a angústia misturada a desejo de seu personagem.
Não é o homossexual brasileiro que é perverso, mas a situação em que ele vive
"Não é o homossexual brasileiro que é perverso, mas a situação em que ele vive", de Eduardo Mamede e Paulo Menezes (2020)
Hilário curta LGBTQIAP+ brasileiro, totalmente rodado em Berlin durante a pandemia. O filme pega dois filmes clássicos queers como referências: o documentário de Rosa Von Praunheim, "Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que ele vive", e "Um estranho no lago", de Alain Guiraudie.
Dois amigos queers brasileiros, Eduardo Mamede e Paulo Menezes (os próprios cineastas) passam uma tarde em um lago de pegação e ficam totalmente nús. Eles falam sobe o corpo, gordofobia, migração, xenofobia, os hábitos culturais dos alemães, como não tomar banho, relacionamentos, desemprego, colonialismo, sexo e o fim do cinema brasileiro.
O filme foi rodado com celular e todo dublado, uma forma de fazer crítica à falta de subsídios do governo brasileiro ao cinema, principalmente aos de temática queer. Impossível não gargalhar com a espontaneidade com que os cineastas e atores se expõe na tela.
quinta-feira, 18 de novembro de 2021
Éden
"Eden", de Sven Spur (2020)
Premiado curta LGBTQIAP+ belga, repleto de sexo explícito envolvendo todo o elenco. Um homem anônimo vaga pelas ruas da capital da Bélgica em busca de sexo sem compromissos: em saunas, parques de pegação, casas de banho. É possível ele se apaixonar por um parceiro romântico?
Com cenas de fetiche do universo gay leather e bondage, o filme certamente é uma provocação para espectadores mais sensíveis, sem referências do mundo gay heavy e underground. Para o público voyeur, o filme é um prato cheio.
Um garoto assim
"A boy like that", de Daniel Armando (2021)
Drama independente LGBTQIAP+ americano, dirigido pelo cineasta mexicano radicado nos Estados Unidos Daniel Armando. Daniel produziu, dirigiu, escreveu e editou esse drama sobre um professor de atuação mexicano, Harold (Jaime Zevallos), de 40 anos, que é convidado para dar aulas no Queens, em Nova York. Harold acaba anunciando um quarto do apto que ele alugou e acaba conhecendo Felix (Andres Nicolas Chaves) de 17 anos. Felix faz HArold se lembrar do seu primeiro amor e grande trauma, que morreu afogado aos 16 anos, no dia do seu primeiro beijo gay. Entre Harold e Felix nasce uma paixão platônica, mas que não pode ser consumida pelo tabu de Felix ser menor de idade.
Um filme que tem como tema o amor entre um homem mais velho e um menor de idade, mesmo ambos estarem apaixonados um pelo outro.
O filme tem um roteiro razoável, sem grande intensidade, com um ritmo bastante morno. A fotografia entrega o baixo orçamento, e os atores estão corretos. De favorável, a atmosfera homoerótica que perpassa o filme, mas faltou ao drama uma intensidade maior na sensualidade. E mais ousadia.
Sanremo
"Sanremo", de Miroslav Mandic (2020)
Drama esloveno indicado pelo País para uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2022. O filme é um drama melancólico sobre dois idosos que moram em um asilo: Bruno (Sandi Pavlin ) e Duša (Silva Čušin). Ambos estão com demência, e flashes do passado de ambos lhes vêm à mente. Bruno e Dusa se conheceram no asilo, mas algo os conecta: a canção “Non ho l'età” de Gigliola Cinquetti, com a qual ganhou no Festival de Música de Sanremo em sua juventude.
O filme é uma história de amor bastante triste, sobre pessoas no final da vida. Escrito e dirigido pelo cineasta Miroslav Mandic, o ritmo é bastante lento. A fotografia é deslumbrante, intensificando as belas locações nos arredores da clínica. Belas performances do elenco, e um desfecho avassalador.
Time de dois
"Time de dois", de André Santos (2021)
Curta LGBTQIAP+ do Rio Grande do Norte, escrito e dirigido por André Santos e premiado com o edital Aldir Blanc. O filme fala sobre a homossexualidade nos jovens times de futebol> Dois amigos, Flavio (Thásio Igor) e Wendel (Firmino Brasil ) estão chegando aos 19 anos e estão na sua 'ltima chance de serem escolhidos por olheiros, caso contrário, terão que conseguir empregos para ajudar a família. Dentro dessa pressão, se revela que os amigos são na verdade namorados, e Wendel decide fazer entrevista de emprego para telemarketing, acreditando não ter chances no futebol.
Um filme singelo mas que cumpre com competência a sua linda mensagem de inclusão e de amor. Uma história edificante, positiva e de celebração, com ótimas performances dos dois jovens protagonistas.
quarta-feira, 17 de novembro de 2021
Gay life: Sexualidade masculina
"Gay life: male sexuality", de Judy Jackson (1981)
Importante documentário LGBTQIAP+ inglês, foi lançado em 1981, antes do surgimento da Aids. O filme apresenta a vida sexual da comunidade gay em Londres, e traz diversas entrevistas com frequentadores da boite gay Heaven, e também, com gays que fazem pegação no parque Hampstead Heath.
O filme traz depoimentos sobre a liberdade do sexo casual sem culpa, e entre pós e contras dos entrevistados, também fala sobre o envelhecimento do homem gay, que os leva à depressão. Muitos tentam retardar o envelhecimento fazendo musculação, usando couro e bigodes para disfarçar a idade e o corpo.
A promiscuidade é proclamada como algo maravilhoso, e quase todos pregam as delícias de se ter dezenas de parceiros na semana, sem culpa nem compromissos.
Entre as perguntas que são feitas pelo entrevistador, estão: "Porque o sexo e não amor?". Entre depoimentos que hoje em dia seriam rechaçados pela comunidade gay, um gay diz que os heteros são menos promíscuos que os gays, pois são mais aventureiros. Outros acham o sexo casual competitivo e agressivo.
Com imagens históricos do comportamento gay do in;icio dos anos 80, e toda recheada com trilha disco, o filme traz questionamentos que vistos pelos olhos de hoje em dia, podem parecer libertinos, mas não se deve assistir ao filme com ideias pré concebidas de querer vitimizar ou ar razão para o surgimento do Hiv. É um filme sobre o prazer do sexo, sobre uma vida hedonista.
Até que pornô nos separe
"Até que pornô nos separe", de Jorge Pelicano (2018)
Premiado documentário português, filmado durante 4 anos, entre 2013 a 2017 com uma intimidade poucas vezes vistas em uma equipe invadindo a intimidade de dois personagens.
Eulália Almeida é uma senhora de 65 anos, católica e conservadora, mora em Lisboa. Viúva, Eulália ama seu filho Sydney Fernandes, que partiu para Berlim para trabalhar, No entanto, ao fazer buscas na internet e no Facebook, ela descobre que seu filho trabalha com o pseudônimo de Fostter Riviera e é o maior ator pornô gay de Portugal, famoso mundialmente. Chocada, ela manda mensagem pro filho se dizendo horrorizada e envergonhada com as mentiras e pela sua profissão. Durante 4 anos, acompanhamos as mensagens e ligações trocadas entre mãe e filho, até finalmente, ela aceitar o filho do jeito que ele é, inclusive assistindo uma performance de sexo ao vivo em um evento erótico em Berlin.
O filme foi rodado em Lisboa e Berlin, acompanhando os dois protagonistas. Em uma entrevista, Foster diz que quando criança, ele queria ser cientista, médico, professor, mas aos 15 anos, se encontrou como ator pornô. Um filme com ritmo bastante lento, invasivo, mas buscando entender os valores de ambas as partes, sem juízo de valor.
A morte de Oso
"La muerte de Oso", de Cristian Sitjas (2021)
Premiado curta LGBTQIAP+ espanhol, com uma perfomance visceral do jovem ator Lluís Febrer, no papel de Saul. Apaixonado por seu cão Oso, que está nastante doente, Sauls e rende à Sexcam para poder juntar dinheiro e poder bancar os custos do veterinário. Mas o cão morre, e seus pais, indiferentes, mandam fazer um enterro coletivo, que é mais barato. Saul s erecusa e quer bancar um enterro único, mas para juntar o dinheiro, ele decide aceitar a proposta de um estranho cliente adepto do sadomasoquismo que quer atendimento presencial.
Com uma proposta ousada e fetichista de fazer uma analogia entre o cachorro e o cliente que quer ser tratado como cão, o filme é repleto de sacanagem e muitas imagens pervertidas. E de novo, com uma entrega total do seu ator protagonista.
Stanislavski: Lust for life
"Stanislavski: Lust for life", de Julia Bobkova (2020)
“Eu não consigo colocar vida nos atores, mas consigo fazer a vida passar através deles.”. Com esse depoimento de um importante preparador de atores inglês, ‘Stanislavski: Lust for life” propõe um debate sobre a importância do revolucionário professor e diretor russo que criou o método e o conceito da memoria afetiva no processo de criação de personagens.
O quão é relevante o método nos dias de hoje, com um público afito a assistir produções da HBO e Netflix?”, pergunta um diretor de teatro russo.
O filme possui entrevistas intensas de cineastas, professores de teatro russo e americanos, como Ivana Chubbuck, discutindo sobre o quão efetivo é o trabalho de Stanislavski. Alguns amam, outros acham fora de moda.
Nikiya Mikhalkov, um dos maiores cineastas russo, fala sobre seu processo de direção de atores, baseado em Stanislavski: ele ensaia os atores diversas vezes. Mas na hora de rodar a cena, ele propõe situações em cima
da hora
, pegando os atores desprevenidos, mas por estarem dentro das personagens, continuam vivos na cena, reagindo aos impulsos externosaO filme é repleto de exercícios e de cenas impactantes de atuação de jovens atores nos palcos da Moscow Art Theater, co-produtora do filme e berço de Stanislavski.
Uma das cenas mais instigantes é quando um professor russo propõe aos alunos que façam uma cena onde testemunham fogo em suas cacas e alertam os vizinhos. Com reagir a uma situação fictícia e sem terem testemunhado algo na vida real.
Grandes profissionais e atrizes, como Meryl Streep, Isabelle Huppert e Helen Mirren, falam sobre o enorme impacto que o trabalho de Stanislavsky teve sobre eles. Nos ensaios, no palco e no set, eles sentem sua influência todos os dias. Stanislavski, que conseguiu manter sua liberdade e verdadeira arte dentro dos limites do sistema soviético, tudo graças ao poder de seu talento prodigioso.
Virgem, meu cú
"Virgin, my ass", de Adar Sigler (2020)
Premiado curta LGBTQIAP+ israelense, com excelentes atuações de Tom Chodorov (Ophir) e Avi Sarussi (Harel).
Ophir e Harel são melhores amigos. Numa noite, Ophir tem um pedido de amigo para Harel: ele diz que conheceu um cara num app, mas ele está tenso, pois nunca fez sexo e é virgem. Ophir pede então um favor: que Harel retire a sua virgindade. Harel nega, diz que isso irá atrapalhar a amizade deles e que ele não sente nada pelo amigo. Mas pressionado por Ophir, ele cede.
Um roteiro hilário com diálogos inteligentes, "Virgem, meu cú" se baseia totalmente no trabalho formidável dos atores e dos diálogos, que prendem o espectador. Uma excelente aula de filme barato com muita criatividade.
Sweet river
"Sweet river", de Justin McMillan (2020)
Drama de terror australiano, dirigido por Justin McMillan. Para quem assistiu ao cult de Atom Egoyan "Um doce amanhã", sobre mães em luto pelo acidente de ônibus que matou seus filhos, "Sweet river" é a sua versão terror.
Hannah (Lisa Kay, excelente) é uma mãe em luto: o seu filho desapareceu na cidade rural de Billis. Um serial killer agia na região canavieira e seu filho foi dado como uma das vítimas, mas ao contrário das outras vítimas, seu corpo nunca foi encontrado. Determinada a prosseguir na busca, Hannah retorna à cidade, e acaba descobrindo um terrível fato associado ao acidente de ônibus .
Terror com um viés mais artístico, "Sweet river" se destaca pelo excelente trabalho de todo o elenco. A fotografia também traz um tom assustador ao filme, lembrando o clássico 'Colheita maldita".
terça-feira, 16 de novembro de 2021
O playboy e o Buda
Um filme lisérgico, experimental, homoerótico e sensorial dirigido e escrito pelo cineasta holandês R.B. van Heesch. O filme foi rodado em 5 países, entre eles, Nepal, Coréia do Sul e Japão. Durante 4 anos, o cineasta rodou nos países para fazer um filme sobre meditação, os conceitos do amor, espiritualidade , consciência e sexualidade.
Três rapazes de países diferentes e modo de viver distintos despertam para a sua espiritualidade. Um playboy no Nepal, um soldado no Japão e um monge na Coréia do Sul se vêem diante de obstáculos morais. O foco maior fica em um rapaz no Nepal: ele vai direto para as baladas, tem uma namorada mas deseja o seu melhor amigo, em imagens poéticas e repletas de tesão.
O filme remete à narrativa de Terrence Malick, com imagens de "sonho", filmadas com grande angular, voz off, bela fotografia.
Límites
"Limites", de José Antonio Valera (2020)
LímitesPremiado curta LGBTQIAP+ espanhol, é uma hilária e repleta de tesão comédia romântia erótica. Dois homens sem nome (Jaime Macanás e Victor Montesinos) se encontram em um lugar emo durante uma pegação. Um dos homens, mais românticos, deseja rever o outro, que recusa por dizer que não repete o sexo com o mesmo parceiro. Diante a insistência do outro, eles propõem um jogo: que se encontrem mais 10 vezes, e cada um tem direito a fazer com o outro a realização de um fetiche. Podolatria, golden shower, bondage, submissão, fist fucking, são alguns dos fetiches realizados, com muito realismo e uma total entrega de seus atores, hilários e tesudos.
Um filme muito criativo, com ótima direção e timing de humor, romance e muita sacanagem.
Entrelençóis
"Entrelençóis", de Tato Vidal (2020)
Um raro exemplar de curta vindo de Sao Bernard do Campo, SP, "Entrelençois" é um curta LGBTQIAP+ que fala sobre desejo, voyeurismo e flerte. Um rapaz morador de um prédio flerta todo dia no terraço de sue prédio com um vizinho, enquanto pendura as roupas no varal. Tímido, ele procura encontrar uma forma de se aproximar de seu objeto de desejo.
Com atuações sutis de e naturalistas Breno Rodrigues, Tato Teryua, o filme é belamente fotografado, com imagens cinematográficas que remetem ao cinema de Wong Kar Wai, silêncio e praticamente sem diálogos. Ótima direção de Tato Vidal que faz uso de enquadramentos bem criativos.
Dois
"Dois", de Guilherme Jardiim e Vinicius Fockiss (2021)
Belo curta LGBTQIAP+ mineiro, dirigido durante o inicio da pandemia de 20220 por Guilherme Jardim e Vinicius Fockiss. De forma poética e com muita sensibilidade, o filme registra o amor durante o distanciamento social entre Bernardo Rocha e Luix Gabriel, dois rapazes que se conhecem em uma festa antes da pandemia mas não mantiverem contato, e por conta da pandemia, não puderem criar intimidade física. Apaixonados, procuram descobrir uma nova forma de amar à distância.
Lindamente dirigido e fotografado, e com diálogos apaixonantes que exalam intimidade e arte, "Dois" é um exemplo perfeito de baixo orçamento e criatividade.
segunda-feira, 15 de novembro de 2021
Detetive MadeinUsa
"Detetive MadeinUsa", de Rodrigo Van Der Put (2021)
Existem filmes que têm como missão alegrar seus fãs, e não a crítica. Na filmografia brasileira, foi assim com os filmes da Xuxa, dos Trapalhões, e agora, com "Detetive MadeinUsa". O filme é um exculacho total e busca referências nos filmes besteirol dos anos 80, como "Top secret" e "Corra que a polícia vem aí", dentro de um tempero totalmente brasileiro, ou seja, com picardia, exculhambação e um time de atores celebridades que são o chamariz do público principalmente da internet. Tirullipa, Gkay, Whindersson Nunes, Antonio Tabet. A eles se juntam os improváveis no gênero Aisha Jambo, Luana Tanaka e Bruno Montaleone. As participações especiais são uma salada eclética: o nadador Gustavo Borges, o Dj Alok, Gretchen, o lutador Wanderlei Silva, o cantor Wesley Safadao e a cantora Pabblo Vittar. Mas de todos, cabe a Montaleone a grande surpresa do filme. Sem abusar da caricatura, o ator surpreende na comédia maluca fazendo um tipo genuinamente sedutor e divertido.
Tirulipa é Madeinusa, um político demitido pela honestidade e que junto de seu melhor amigo Uóston (Montaleone), decide montar a agência de detetives, onde se juntam Gkay, Aisha Jambo e Luana Tanaka, cada uma com sua especialidade. Claro que o filme sacaneia todos os filmes de ação, e no meio de um festival de sandices de gosto duvidoso, fica a sensação de que um novo público de cinema está se formando, já há um tempo, que consome um tipo de produto oriundo da linguagem do conteúdo das redes sociais. O cinema é plural e portanto, gostando ou não do filme, o espectador certamente irá soltar algumas boas gargalhadas de tanta insanidade vista nas telinhas.
Night raiders
"Night raiders", de Danis Goulet. Drama distópico de ficção científica canadense, a produção independente canadense, escrita, produzida e dirigida pela cineasta Danis Goulet venceu um prêmio de novos talentos no Festival de Toronto, além de ter participado do Festival de Berlin em mostra paralela.
Em 2044, os Estados Unidos e Canada se tornaram uma única nação. Pobres, indígenas e esquerdistas estão separados da sociedade. Niska (Elle-Máijá Tailfeather) é mãe da adolescente
Waseese (Brooklyn Letexier-Hart). Quando a filha se acidenta, a amiga de Nika, Roberta (Amanda Plummer) a aconselha a levar ate um hospital do Estado. Mas logo depois Niska conhece um grupo de Night raiders, revolucionários, que dizem que os adolescentes sofrem lavagem cerebral. Niska decide se juntar ao grupo para resgatar os jovens sob a tutela do estado.
Apesar do baixo orçamento, o filme possui bons efeitos e quantidade de elenco e figuração. ë uma mistura de gêneros, mas o que prevalece é uma grande crítica aos governos direitistas e opressores, um big brother que exclui a liberdade dos oprimidos. O ritmo é lento e pode incomodar quem busca no filme um drama de ação. Os atores são bons e em especial a sempre excelente Amanda Plummer.
A teoria dos vidros quebrados
"La teoria de los vidrios rotos", de Diego Fernandez (2021)
Divertida e simpática comédia ácida uruguaia, que competiu no Festival de Gramado 2021. O filme tem o olhar patético e sui generis de filmes de Aki Kaurismaki e Wes Anderson, dentro de uma linha de cinema independente e baixo orçamento. O elenco traz atores jovens e veteranos, como Cesar Troncoso e Roberto Birindelli, e Marton Spalik, como o impagável Claudio, agente de uma companhia de seguros de automóveis.
Claudio é convocado por seu chefe para ir até a pequena cidade de Santa Marta investigar o incêndio em uns automóveis. Ao chegar na cidade, Claudio testemunha a bizarrice dos moradores do local, e a cada dia, mais um automóvel é incendiado. Pressionado pelos donos dos autos que querem o seguro e a sua esposa grávida que quer que ele volte para casa, Claudio decide investigar os incêndios por conta própria.
Com um ótimo elenco e um roteiro delicioso, "A teoria dos videos quebrados" busca um olhar carismático para seus personagens e na linguagem, traz uma narrativa de filmes dos anos 80 da América Latina, com decupagem simples. Vale assistir para se conhecer a ainda escassa filmografia uruguaia.
domingo, 14 de novembro de 2021
One child nation
"One child nation", de Nanfu Wang e Jialing Zhang (2019)
Excelente documentário que explora a fundo o tema da Política do filho único implantado na China em 1979, durante o governo de Mao Tse Tung, O governo alegava que se a população tivesse mais de dois filhos, não teria comida para alimentar e todos morreriam de fome pelo colapso. O governo espalhou por todo o País propagandas nacionalistas pregando a felicidade das famílias que tiverem apenas um filho. Caso contrário, as famílias perderiam privilégios de educação e saúde e teriam que pagar multas, além de serem xingados pelos vizinhos. Mulheres eram obrigadas a abortar por agentes de esterilização, muitas crianças aforam abandonadas e morreram e outras foram clandestinamente vendidas.
O filme foi dirigido por Nanfu Wang, que nasceu durante a política do filho único e agora morando nos Estados Unidos e tendo seu primeiro filho, rememora as lembranças de sua vida na China. Ela decide retornar à região rural de onde nasceu, junto de seu bebê, e entrevistar sua mãe seu avô, o agente da vila, mulheres que trabalharam como agentes de esterilização e sobreviventes da cruel política. Um agente diz que mandava derrubar casas. Uma ex-agente se arrepende das centenas de abortos que fez e hoje em dia ajuda casais a terem filhos. A mãe de Nanfu fala da importância da política na época e diz pra filha não fazer críticas.
Nanfu diz que sua mãe, assim como a maioria da população defendem a política por conta do excesso de propaganda que dizia que o país definharia. A política acabou em 2015, e hoje em dia, as famílias podem ter quantos filhos quiserem.
A conclusão final de Nanfu: Valeu a pena sacrificar milhares de fetos, bebês mortos, abandonados, grávidas abortadas à força em prol da política?
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