terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Os Croods- uma nova era


"The Croods- a new age", de Joel Crawford (2020)
Sete anos depois do primeiro filme da franquia, o desenhista Joel Crawford assume a sua estréia na direção com essa divertida aventura protagonizada por uma família pré-histórica. Diferente do "Flintstones", que viviam em um mundo civilizado, aqui os nossos heróis vivem entre constante ameaça no mundo. Para sobreviver, a família precisa ir em busca d eum lugar chamado 'O Amanhã". E quando aparentemente chegam no lugar paradisíaco, descobrem que uma outra família que habita lá, os Bemmelhor, escondem um segredo que pode acabar com tudo.
Não tem a mínima possibilidade de um filme com as vozes de Nicholas Cage, Ryan Reynolds, Emma Stone, Catherine Keener, Cloris Leachman, Clark Duke e Peter Dinklage seja ruim. Os primeiros fazem parte da família Croods, e Ryan Reynolds é o órfão Guy, que se une ao grupo e é apaixonado por Epp (Stone). Peter Dinklage interpreta o patriarca da família Bemmelhor. O filme é repleto de ritmo, e as cenas de ação são bem realizadas. Além da ação, o filme tem bastante humor. Uma ótima diversão que relembra os bons tempos da franquia "A era do gelo". A trilha sonora é uma delícia, incluindo "True", do Spandau Ballet.

Você morrerá aos 20 anos


"You will die at twenty", de Amjad Abu Alala (2020)Existem duas formas de se assistir a esse premiadíssimo drama proveniente do raro cinema do Sudão: uma forte crítica ao fanatismo religioso e da cultura islâmica, que decide a vida das pessoas; ou uma fábula inspirada em "A bela adormecida", onde uma maldição diz que um bebê recém nascido morrerá aos 20 anos de idade. Por conta dessa maldição, os pais de Muzamil, Sulaiman e Sakina, entrem em crie no casamento. Sulaiman, o pai, decide abandonar a família e ir embora, pois não aguente viver sob a profecia da morte de seu filho homem; ja à mãe, Sakina, cade criar o filho sobre uma super proteção, inclusive tirando ele da escola, onde ele estava sofrendo bullying das outras crianças, que o chamam de "filho da morte". Muzamil cresce até os 19 anos sem amigos, sem poder namorar ninguém, sem aproveitar a vida. A cena final de "Você morrerá aos 20" é bastante simbólica. O filme possui uma linda fotografia que valoriza as cores do deserto e do figurino colorido dos moradores do pobre vilarejo instalado no deserto. O Sudão escolheu o filme para representá-lo à uma vaga no Oscar de filme estrangeiro em 2021. O filme ganhou prêmio especial no Festival de Veneza, a participou de importantes Festivais.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Monster hunter


 "Monster hunter", de Paul W.S. Anderson (2020)

Milla Jojovich é definitivamente a Rainha das adaptações de video games para o cinema. Depois do grande sucesso da franquia "Resident evil", dirigido pelo seu marido Paul W.S. Anderson, a dupla retorna com uma nova franquia: 'Monster hunter". Além de Jojovivh, o filme tem Tony Jaa, celebridade dos filmes de ação tailandês, da franquia "Ongbok", e Ron Pearlman, o "Hellboy" original.

Milla interpreta a oficial Artemis, que junto de seu pelotão, segue no deserto de algum país do oriente médio em busca de grupamentos desaparecidos. Quando uma tempestade elétrica se aproxima, todos são transportados para um mundo habitado por monstros, e precisam sobreviver e voltar à seu mundo.
No mesmo ano de 2020, foi lançado a excelente aventura "Love and monsters", também sobre um mundo habitado por monstros, e mil vezes superior a esse aqui. 'Monster hunter" cobre aquele buraco de filmes pipoca bagaceira, que divertem pois o filme inteiro é explosão e efeitos. A história é igual à "Resident evil", trocando os zumbis por monstros e a locação da mansão pelo deserto. Milla é a Diva dos filmes B, e certamente esse filme em breve retornará com uma parte

A mulher que fugiu

"Domangchin Yeoja", de Hong Sang-soo (2020)
Grande vencedor do Urso de Ouro de melhor direção em Berlin 2020, e um prêmio especial em San Sebastian, "A mulher que fugiu" é dirigido e escrito pelo prolífico cineasta sul coreano Hong Sang-soo, que dirige em média dois longas por ano.
O que difere o seu filme de tantos outros que ele dirige, usando quase sempre a mesma temática, é que dessa vez, nenhum dos protagonistas trabalha no audiovisual. O cinema está presente como locação, onde a protagonista Hee Gam ( Kim Min-hee, esposa do cineasta e presente em todos os seus últimos filmes) vai se refugiar.Porém, os elementos narrativos de Sang Soo continuam todos lá: cenas longas, uso de zooms no lugar dos closes, cenas enormes ambientadas em restaurantes, e muito naturalismo das atuações.
Gam Hee é dona de uma pequena loja de flores e durante os cinco últimos anos, nunca passou um dia sem estar ao lado do marido. Mas quando ele precisa viajar pro exterior a trabalho, ela aproveita a sua "liberdade" para rever 3 amigas. O filme é então dividido em atos, e é muito claro que Sang Soo deu chance de discutir o tema da sororidade no filme. O protagonismo é delas, que discutem sobre relacionamentos, vida. Os personagens masculinos são totalmente secundários, e apresentados como problemas nas vidas dessas mulheres. Para quem curte o cinema verborrágico e naturalista de Sang Soo, um herdeiro do cinema de Eric Rohmer, vai se esbaldar. Caos contrário, corre o risco do espectador se entediar com a falta de grandes viradas na história

Afrika


"Afrika", de Alberto Cavallone (1973)
Um obscuro exemplar do cinema exploitation dos anos 70, 'Afrika" é um filme curioso or trazer no mesmo drama, homofobia, racismo e falar da colonização da Itália na Etiópia.
O professor italiano Philip Stone (Ivano Staccioli) trabalha na Etiópia. Ele namora a sua secretária, Jeanne (Maria Pia Luzi), mas mantém um namoro as escondidas com o sobrinho dela, Frank (Andrea Traglia). Frank foi estuprado por uma gangue após sair da faculdade e ser sequestrado. Traumatizado, ele mantém a relação com o professor, que, com medo da homofobia e de perseguição do governo que considera a homossexualidade um crime, não assume o relacionamento. Frank se mantém cada vez mais fragilizado, ao mesmo tempo que o País sofre com o racismo dos soldados, que massacram a população etíope.
Repleta de cenas de violência contra mulheres. o filme seria banido hoje em dia por trazer misoginia, racismo e homofobia assumidas pela produção, a ponto de dizer que os negros da Etiópia são da cor por serem sujos. A homossexualidade é vista também como algo degradante e o desfecho reserva tragédias para gays e negros.

Espírito


“Roh”, de Emir Ezwan (2019)
Premiado terror malasiano, indicado pela Malásia para representar o país para as finais do Oscar de filme internacional em 2021. Impressionante longa de estreia do roteirista e diretor Emir Ezwan, “Espírito” é um excelente exercício de atmosfera de suspense e horror, uma produção minimalista com seis atores localizado em uma floresta assustadora.
Uma mulher mora com seus dois filhos pequenos em uma casa isolada no mio da floresta afetada da civilização. Um dia, ao irem à caça, as crianças avistam uma menina ensangüentada. Eles a trazem para casa. A mãe e as crianças oferecem comida e roupa limpa para a menina. Porém, no dia seguinte, a menina roga uma profecia: que o Mal virá para trazer infortúnios à todos.
Todos os atores são excelentes: aí se incluem uma xamã e um caçador misterioso em busca da criança. É um filme com um desfecho simbólico, não muito claro em seus objetivos, mas certamente apresentado para trazer uma cinematografia deslumbrante.

A barraca do beijo


“The kissing booth”, de Vince Marcello (2018)

Um dos filmes de maior sucesso da Netflix, “A barraca do beijo” é baseado no livro de Beth Reekles e adaptado pelo próprio diretor. Atualmente o filme já está na parte 3, é isso se deve à fórmula fácil que seduz o público adolescente com todas os clichês do coming of age e do primeiro amor, além do ciúme do melhor amigo, elementos já feitos com muito sucesso por John Hughes nos anos 80. Recauchutados para a era das redes sociais, o filme tem como protagonista Shelly (Joel King), desde criança vizinha dos irmãos Lee (Joel Courtney) e Noah Flynn ( Jacob Elordi). Lee é o melhor amigo de Shelly, que tem um Crush platônico por Noah. Já adolescentes, os amigos precisam ajudar a escola a arrecadar fundos e decidem montar uma barraca do beijo. Mas Shelly precisa convencer Noah a participar, um pedido de quase todas as garotas da escola.
O sucesso do filme vem do carisma do trio principal. Joel é uma atriz que foge do padrão de beleza e isso é o ponto forte do filme. A beleza de Jacob Elordi obviamente é outro chamariz do filme. Triângulos amorosos sempre fizeram sucesso em comédia adolescente e aqui não seria diferente. A trilha sonora é recheada de canções pops e a edição e fotografia trazem cores e ritmos de vídeo clips. Molly Ringwald, musa de John Hughes dos anos 80, interpreta a mãe dos irmãos.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Pequena premissa


"Pequena premissa", de Eric Schultz (2020) Drama psicológico de ficção cientifica e que concorreu em Sitges ao prêmio de melhor filme, "Pequena premissa"é uma produção independente americana, e que traz referências à 3 clássicos do cinema contemporâneo: "Viagens alucinantes", de Ken Russel, "Divertida mente" e "Fragmentado", de Shayamalan. Um jovem cientista, Ethan (Sathya Sridharan) procura continuar o experimento que o seu pai, um cientista falecido recentemente, planejou a vida inteira. Frustrado por descobrir que o antigo colega do pai deseja continuar o projeto sem a sua colaboração, Ethan decide continuar ele mesmo escondido em seu porão. Mas o experimento provoca uma ruptura no cérebro de Ethan: as dez sensações das emoções humanas, entre elas, medo, raiva, desprezo, se dissociam, e Ethan vive por 6 minutos cada um deles isoladamente. Sua antiga namorada, Ali, procura ajudar Ethan a reverter a experiência, mas juntos precisam evitar que as piores emoções tomem conta dele de uma vez e traga consequências trágicas.

A premissa do filme é excelente, mas infelizmente a execução não ficou boa como deveria. Faltou suspense, faltou clímax. O filme segue flat, apesar do esforço do ator principal em explorar os sentimentos isoladamente. Ficou a impressão de um filme sem dinheiro, que poderia ter rendido muito mais. Ou talvez o diretor tivesse trabalhado de forma mais intensa e claustrofóbica. 

sábado, 19 de dezembro de 2020

Eles vivem


"They live", de John Carpenter. Clássico de John Carpenter, rodado entre dois de seus filmes mais obscuros: "O príncipe da escuridão" e "Memórias do homem invisível". Lançado em 1988, "Eles vivem" é uma crítica feroz à mídia, ao consumismo e ao poder da televisão. O filme é uma mistura de drama, ficção científica, policial, humor negro e aventura. O protagonista já é uma tremenda zoação: se chama John Nada e é interpretado por Roddy Piper, um lutador de luta livre. Ele vem do Colorado para tentar a sorte na Califórnia. No entanto, ele não dá sorte com a busca de emprego. Todos os lugares o rejeitam. John acaba trabalhando na periferia, em uma construção civil cujos empregados são formados por negros e latinos. Frank (Keith David) indica John a procurar moradia em uma favela onde sem teto se alimentam e moram. John estranha uma igreja que existe ali, e ao entrar, percebe que não existem fiéis e que a igreja é uma fachada para um grupo revolucionário que luta contra seres alienígenas que se apoderaram do mundo, vivendo infiltrados. Com a ajuda de um óculos escuros, John consegue observar as verdadeiras mensagens existentes na tv, nos anúncios e outdoors, conclamando uma Nova ordem.
Divertido, "Eles vivem" é uma deliciosa peça publicitária, uma forma de John Carpenter detonar o consumismo americano e o Poder das grandes mídias. Com efeitos toscos, o filme tem um charme que sobrevive décadas, através das máscaras alienígenas que mais parecem aqueles cadáveres de aulas de anatomia. O elenco é todo canastrão, e acrescenta um charme à mais na produção. entre as cenas antológicas, está uma luta livre entre John e Frank que dura mais de inacreditáveis 5 minutos.

Descobrindo o amor


"Damdels in distressr", de Whit Stillman (2011)
Comédia romântica protagonizado por Greta Gerwig, "Descobrindo o amor" lembra bastante os primeiros filmes de Wes Anderson, e também um pouco de Woody Allen. Com um tipo de humor mordaz, que passeia às vezes pela caricatura, o filme acompanha um grupo de 4 amigas em uma faculdade de Seven Oaks. Excêntricas, as amigas se unem para salvar os estudantes da depressão, e para isso, usam de música, donnuts e outros elementos para trazer algum sentido da vida para as pessoas.
Greta Gerwig estrela esse filme ainda jovem ( o filme é de 2011), antes de estourar com "Frances Ha" e outros filmes de Noah Baumbach. Atualmente, Greta é uma das grandes diretoras do cinema independente americano. Aqui, ela já demonstra muito talento, em um papel bem complexo, que alterna drama, humor e musical. As outras atrizes também estão ótimas em seus papéis. O cineasta e roteirista Whit Stillman é um diretor cinéfilo, e dá para perceber por conta de suas referências ao cinema de Truffaut e Godard.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Antonio um dois três


"Antonio um dois três", de Leonardo Mouramateus (2017)
Quando Walter Salles lançou "Terra estrangeira" em 1995, a relação entre Brasil e Portugal retratada no seu filme era bastante sombria e desesperançosa, uma reflexão sobre um governo desastroso no Brasil, pós Collor. Leonardo Mouramateus, premiado curta-metragista, lança seu primeiro longa em uma proposta bastante ousada para um filme de baixo orçamento e independente: filmar em Lisboa. Mouramateus se mudou para Portugal para estudar na Faculdade de Belas Artes e ali se fixou. Seu filme continua falando sobre uma geração sem futuro, solta, sem grandes projetos e com o desejo de fazerem o que bem querem. Diferente do filme de Walter Salles, sai o ar sombrio, entra o existencialismo. "Antonio 1um dois três"remete mais à trilogia de Truffaut, protagonizados por Antoine Doinel, sobre um jovem que vive em conflitos amorosos, profissionais e pessoais: "Os incompreendidos", "O amor aos vinte anos", "Amor em fuga". Não à toa, o protagonista aqui também se chama Antonio (Mauro Soares, excelente). Após seu pai descobrir que durante mais de um ano ele não frequenta a faculdade, Antonio foge e vai se refugiar na casa de amigos que lidam com arte. Antonio participa do grupo teatral e de uma montagem de uma peça. Mas cansado de tudo, se refugia na casa de uma ex-namorada brasileira.
O título se refere às três histórias vivenciadas por Antonio, e se tivesse reticências, poderia ser as tantas tentativas que o protagonista tenta se ajustar na vida. É um filme interessante, mas o excesso de experimentalismo na narrativa, buscando influências da Nouvelle Vague, o deixa com um ritmo bastante lento e morno. Mas ainda assim, vale ser visto, pela urgência em se falar de jovens desconectados com o sue mundo. O filme concorreu em importantes Festivais, como Rotterdan e Mostra de São Paulo.

Enquanto estivermos juntos


"I still believe", de Erwin Brothers (2020)
Os irmãos Andrew e Jon, mais conhecidos como The Erwin Brothers, formam uma dupla de sucesso dentro do segmento do cinema cristão. Em "Enquanto estivermos juntos", os irmãos adaptaram o livro "O diário de Melissa": através da história real do cantor de rock cristão Jeremy Camp ( K J Apa, de "Riverdale"), um jovem cantor que em 1999, ao entrar na faculdade, conheceu Melissa (Britt Robertson). Ambos começaram a namorar, mas Jeremy estranhou o fato de Melissa nunca apresentar a seus pais, até que descobre que ela possui câncer terminal. Mesmo assim, Jeremy e Melissa mantiveram o seu curto amor à toda prova: ambos se casaram, até a morte de Melissa, aos 22 anos de idade. Jeremy escreveu canções inspiradas na fé de Melissa em ficar curada, e o disco vendeu milhões. Atualmente, Jeremy é casado com Adrianne e possui três filhos.
O melhor do filme é que o roteiro e os cineastas trazem a mensagem cristã em um filme bastante decente, com ótimos atores e excelente ficha técnica: fotografia, direção de arte, tudo de alto nível, parecendo que estamos assistindo a um filme baseado em obra de Nicholas Parks. Para quem ama dramas com jovens apaixonados morrendo, esse filme é uma excelente pedida K J Apa e Britt Robertson conferem bastante carisma aos personagens,

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Mulher Maravilha 1984


"Wonder Woman 84", de Patty Jenkins (2020)
A carreira de Patty Jenkins é impecável. Desde o grande sucesso do drama independente "Monster", com Charlize Theron e Christina Ricci em 2003, passando por "Mulher Maravilha", em 2017, e o recente contrato assinado para dirigir a mais nova franquia "Star Wars", Patty Jenkins conseguiu um feito destinado à muito poucas cineastas: ser reconhecida no mundo dos filmes de super heróis, uma área até pouco tempo reservada aos homens de Hollywood.
A grande delícia dessa continuação, prejudicada no lançamento pela pandemia, é o barato de ser ambientado em 1984, com toda a sua cultura pop, que nas mãos de Almodovar, teriam sido vulgarizados e reservado ao mudo da cafonice, mas com Patty, é apenas diversão. A grande metáfora e associar Donald Trump à Ronald Reagan, presidente de então, e o desejo insaciável de querer ser o homem mais poderoso do mundo. Desejo é a palavra chave do filme, que após associado a Disney, tornou as cenas de ação mais "família", com pouca violência. O elenco como sempre é o ponto forte do filme: Gal Gadot e Chris Pine repetem seus papéis, agora acrescido de dois grande vilões, interpretados por Kristenn Wiig e por Pedro Pascal, no papel de um Trump chileno dos anos 80. A cena pós créditos reserva uma grande surpresa. E sim, o filme possui duas lindas sequências emocionantes.

Adeus Amor


"Farewell Amor", de Ekwa Msangi. Bom drama independente americano, escrito e dirigido pela cineasta descendente de angolanos Ekwa Msangi. É um drama basta te melancólico e realista, sobre o reencontro de Walter e Esther, após 17 anos. Walter foi tentar a sorte nos Estados Unidos, e deixou para atrás sua esposa e sua filha pequena, Sylvia. Agora, com um emprego e uma casa, Walter traz ambas para virem morar com ele em Nova York. Mas o tempo deixou tudo diferente. Esther se dedicou durante toda a ausência à Igreja. Sylvia, que não teve contatos com o pai, quer ser dançarina, mas a mãe quer que ela seja médica. E Walter, durante os anos, manteve um relacionamento extra-conjugal com Nzingha, por quem ainda guarda sentimentos.
Favorecido pelo lindo trabalho dos atores, "Adeus Amor" é dirigido com sensibilidade e bastante carinho pela cineasta, que mesmo diante da dura vida e da dificuldade de adaptação nos Estados Unidos, acredita no amor como salvadora.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

10 horas para o Natal


"10 horas para o Natal", de Cris D'amato (2019)
Um filme que representa a máxima de entretenimento familiar, "10 horas para o Natal" é uma fofura que acerta no seu elenco eclético, e no desenho de produção, conseguindo decorar ruas e ambientes com o espírito natalino com um olhar mais para a representatividade européia do Natal.
Julia (Giulia Benite), Miguel (Pedro Miranda) e Bia (Lorena Queiroz) moram felizes com os pais Henrique (Luis Lobianco) e Sônia (Karina Ramil). No entanto, com o passar dos anos. Henrique torna-se cada vez mais preguiçoso e apático, provocando o divórcio do casal. Resta às crianças tentar reatar novamente o casal, mas faltam 10 horas para o Natal e para isso, elas precisam correr contra o tempo.
O filme é tecnicamente impecável. As crianças são ótimas e a diversidade do elenco é um ponto alto. Um filme para se assistir e se encher de alegria, sem medo de ser feliz.

Espiral


"Spiral", de Kurtis David Harder (2019)
Raro exemplar de filme de terror com personagens LGBTQIA+, uma mistura de "Corra!' com a atmosfera de "O bebê de Rosemary". Essa produção canadense conta com bons atores, mas acaba que o tema reforça a homofobia e a xenofobia de uma comunidade que parece ter vindo da extrema direita, uma crítica feroz ao que acontece no mundo atual.
Malik e Aaron formam um casal gay: Malik negro, Aaron pai de uma filha adolescente. Eles se mudam para uma casa em uma cidade pequena. Malik percebe que a vizinhança o trata estranho, mas Aaron e sua filha acham que Malik está tendo má impressão das pessoas. Malik acaba se passando por paranóico, e por mais que tente avisar o que está acontecendo, é desacreditado.
O filme tem um ritmo bastante lento, e isso certamente irá desagradar os fãs de terror. Com uma tentativa de ser um filme mais autoral, faltou violência no filme, restrita à uma rápida cena de canibalismo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Jamais nevará novamente


"Sniegu juz nigde bie bedgie", de Malgorzata Szumowska e Michal Englert (2020)
Para quem é fã de "Stalker", de Tarkovsky, certamente achará que a cineasta polonesa Malgorzata Szumowska, diretora dos premiados "Corpo" e "Em nome de"resolveu homenagear a obra prima do cineasta russo. Imahinem pegar aquela menininha de 'Stalker" , mudar o sexo dela e agora encontramos um homem, Zenia (Alec Utgoff, o Alexei de “Stranger Things“), um homem misterioso, chegando em Varsóvia, Polônia, proveniente da Ucrânia. Zenia nasceu em uma cidade perto de Chernobyl, e testemunhou a tragédia nas usinas quando tinha 7 anos de idade. Agora, ele possui estranhos poderes, que transformam as pessoas em que ele toca. Uma espécie de messias., Zenia chega em uma comunidade de ricos e ali se oferece como massagista. Acontece que todos que passam pelas suas mãos, t6em sua vida pessoal alterada.
Alec Utgoff está excelente no papel principal: com um enorme sex appeal, a sua figura inspira um super herói: forte, musculoso, loiro, branco, bonito, sedutor. É esse homem que seduz mulheres, assim como em "Teorema", de Pasolini. O filme é repleto de metáforas políticas e sociais, e certamente cada espectador encontrará mensagens distintas e entendimentos específicos. Mas é fácil reconhecer a estrutura narrativa dos faroestes, com um estranho que chega em uma cidade e transforma a vida de todos.
É um filme belo, estilizado, de ritmo lento, e repleto de realismo fantástico. O filme concorre em Veneza e foi indicado pela Polônia a concorrer a uma vaga ao Oscar 2021.



segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Descendo em La La Land


"Going down in La La Land", de Casper Andreas (2011)
Drama LGBTQIA+ premiado em diversos Festivais de gênero, é uma produção independente escrita, dirigida e co-protagonizada por Casper Andreas. O tema do filme é mega hiper batido em relação à sonhos em Hollywood: um jovem ator, Adam (Matthew Ludwinski) vem à Los Angeles em busca do sonho de ser ator. Ele se hospeda na casa de sua amiga Candy, também aspirante à atriz. Adam tenta, mas somente consegue trabalhar como recepcionista de uma produtora de filmes pornôs, até que o fotógrafo, Nick (Matthew Ludwinski) insiste e convence Adam a ser um dos modelos dos filmes pornôs. Adam acaba se tornando também um garoto de programa e drogado para poder sobreviver na cidade, caindo em uma enorme cilada profissional e pessoal.
Com um roteiro fraco e atuações para lá de medianas, chama a atenção o filme ter ganho tantos prêmios. O tema do sonho de Hollywood já tão tão batido que conseguir extrair alguma novidade daí e tarefa para poucos. As cenas de sexo são pavorosas e cafonas, e o protagonista não segura o filme.

Bee Gees- How can you mend a broken heart


""Bee Gees- How can you mend a broken heart", de Frank Marshall (2020)
O mega produtor Frank Marshall, produtor de boa parte das produções de Steven Spielberg, fã confesso dos Bee Gees, dirige ese documentário feito para fãs do trio inglês que explodiu nos Estados Unidos em 1977, depois do lançamento do disco do filme "Os embalos de sábado à noite", batendo todos os records de vendagem de discos de todos os tempos.
Já nos anos 60, o grupo já fazia sucesso com canções melódicas, country e r&B. Chegaram a se separar, mas com o retorno triunfal e a explosão da Disco music, o grupo definitivamente entrou para a história. O grupo sobreviveu até os anos 2000, mas com a morte de Maurice e depois de Robin, acabou de vez. o filme começa com Barry relatando a dificuldade de seguir levando o legado do grupo, com a morte dos irmãos. É um filme bastante melancólico, que fala sobre ascenção e queda da disco music, e também do sucesso do trio e depois o fim.
Várias personalidades, como Justin Timberlake, relatam a importância da música do trio para a formação musical. E rever cenas de "Os embalos..." foi uma bela nostalgia.

domingo, 13 de dezembro de 2020

O som do silêncio


"Sound of metal", de Darius Marder (2019)
Longa ficção de estréia do documentarista Darius Marder, que também co-escreveu o roteiro, "O som do silêncio" recebeu diversos prêmios e é um dos favoritos ao Oscar de filme e ator. para o trabalho excepcional de Riz Ahmed, que roubou a cena no suspense "O abutre", com Jake Gylenhall. Olivia Cooke também está ótima, interpretando a namorada Lou, e Mathieu Almeric interpreta o pai dela.
Riz interpreta Ruben, um baterista de um grupo de Heavy Metal, que há tempos tem problemas de perda de audição, agravada pelo uso de drogas. Ruben não comunica nada ao grupo, com medo de prejudicar o grupo, mas quando a situação se torna insustentável, ele confidencia à Lou, que decide terminar com o tour da banda.A operação para aplicação de implante custa um valor que Ruben não consegue pagar. Lou o leva até uma fazenda de reabilitação de surdos, onde Ruben passa a se comunicar com libras, e se relacionando com crianças e adultos com perda auditiva. Ruben não aceita sua nova condição e vez ou outra entra em profunda depressão.
Baseado em uma história real, o filme emociona pela entrega de Riz Ahmed, que está absurdamente bem no papel. Todas as nuances estão ali, expressas em seu rosto. O diretor Daiurs Mader trabalhou exaustivamente com o editor de som, pois ele quiz passar para o espectador a experiência de perder a audição aos poucos. Nos colocamos no lugar de Ruben e é algo incrível o trabalho de som do filme.