terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Cuidado com o Slenderman
"Beware the Slenderman", de Irene Taylor Brodsky (2016)
Premiado documentário retratando a história real ocorrida em 31 de maio de 2014, na cidade de Waukesha, Wisconsin. Duas meninas de 12 anos, Anissa Weier e Morgan Geyser, esfaquearam com 19 facadas Payton Leutner, também de 12 anos, que conseguiu ser salva por um ciclista.
As duas meninas alegaram que foram induzidas por Slenderman a matar a menina, senão ele mataria os pais delas. Elas foram julgadas em 2017 como adultas, e pegaram mais de 40 anos de prisão.
O filme busca várias teorias que teriam levado as meninas a cometerem os crimes: influencia da Internet, mídia que traz material violento para crianças, bullying, ausência dos pais, etc.
Slenderman é uma criatura sem rosto, gerada através de histórias macabras da Internet, que seduz e mata as crianças caso elas não cumpram uma tarefa. Uma possível origem seria o Flaustista de Hamlin.
O filem mostra em imagens de arquivo, a infância das duas crianças, sua relação com os pais, depoimentos de amigos e professores. E' um filme contundente, ainda mais que a gente sabe que essas crianças somente sairão da cadeia quando estiverem já quase na terceira idade. Sao vidas que se esvaíram, pela falta de cuidado dos pais e pela influencia maligna da mídia que age como educadora dessas crianças.
Um filme obrigatório para ser visto e discutido por pais e educadores.
Fidelidade sem limites
"Le fidele", de Michaël R. Roskam (2017)
Filme com a mesma dupla do sucesso "Bullhead", drama Belga indicado ao Oscar ( "Fidelidade sem limites" também foi o representante da Bélgica para uma vaga ao Oscar), o Cineasta Michaël R. Roskam e o Ator Matthias Schoenaerts tentam `a todos custo seduzir o espectador com cenas de romance desenfreado, perseguição, policial e muito melodrama. As doses, principalmente do drama, ficaram muito exagerados.
Adèle Exarchopoulos está ótima e interpreta Bibi, uma piloto de corrida. Ela se apaixona por Gigi ( Matthias Schoenaerts), que se diz ser um vendedor de carros importados, mas logo depois ela descobre que ele faz parte de uma gangue de assaltantes perigosos. Mas Gigi é apaixonado por Bibi, e fará de tudo para largar essa vida de crime.
O filme é dividido em 3 partes: a primeira, Gigi, vemos o filme pelo ponto de vista dele. A segunda parte, Bibi, e a terceira parte, intitulada "Sem flores", carregada em todas as tragédias que você possa imaginar.
Adele e Mathias estão bem, mas prejudicados pelos personagens totalmente sem rumo. Ambos possuem uma bela química em cena. A parte policial está bem orquestrada com cenas de ação pauleiras. Mas a longa duração do filme, aliado a uma terceira parte que estraga totalmente o projeto, fazem desse filme um projeto que não chega a um lugar determinado, ficando perdido em qual gênero ele deve pertencer.
domingo, 25 de fevereiro de 2018
24 X 36: Um filme em cartazes
"24x36: A Movie About Movie Posters", de Kevin Burke (2016)
Documentário obrigatório para Diretores de Arte, Ilustradores, Produtores e Distribuidores, tem como tema central a paixão por Posters de Cinema em Hollywood.
O filme relata os Anos de Ouro desses Posters nos anos 30 a 80, através de dramas épicos, filmes de terror, ficção cientifica e comédia.
Ficamos conhecendo os grande ilustradores de Hollywood, cujos Posters originais hoje em dia valem uma verdadeira fortuna: Richard Amsel (Caçadores arca perdida, Mad Max, Hello Dolly); John Alvim (Et e Blade Runner); Reynold Brown; Norman Rockwell (Soberba); Bob Peak (Apocalipse now) Roger Kastel (Tubarão, e a curiosidade de que se baseou em “E o vento levou” para criar o Poster de “ Império contra ataca”); e o grande Mestre Saul Bass, que criou “Um corpo que cai” e “Anatomia de um crime”.
Geralmente os Artistas que pintavam os Posters não tinham os seus nomes creditados, eles tinham que ser desprovidos de ego pois os estúdios não queriam que eles levassem a fama pelo sucesso do filme.
O filme apresenta também a falta de criatividade que assolou a produção dos Posters dos anos 90: A era da Ilustração entrou em decadência, e se endeusava as grandes celebridades: Os posters apenas continham um Close do Astro do filme, sem nem sequer fazer qualquer menção ao conteúdo do filme. Tinham também os Posters com os rostos de todos os Atores famosos do filme. E mais: Os posters passaram a ter a mesma idéia, quase boa parte da produção parecia um a cópia do outro. Esses posters tiveram o seu auge nas vídeo locadoras, pois os clientes entravam nas lojas e apenas queriam saber quem eram os atores que estavam nos filmes.
Tem um depoimento revelador de uma produtora dizendo que hoje em dia ninguém presta atenção em Cartaz, pois veem em smartphone, e precisa ter imagens que digam o que irão ver em poucos segundos, senão não irão se interessar.
O filme tem na sua última parte um grande alento: o grande interesse nos Estúdios em fazerem releituras de seus posters clássicos voltando a usar a Ilustração: esses posters acabam virando objeto de culto de colecionadores, acabando em poucos segundos assim que colocados `a venda.
A renovação
"The revival", de Jennifer Gerber (2017)
Adaptação da peça teatral escrita por Samuel Brett Williams, é uma trágica história de amor entre um Pastor e um jovem andarilho.
Eli é um jovem Pastor, casado com June, que está grávida. Um dia, Daniel, um jovem andarilho, surge durante o almoço que a Igreja oferece aos pobres. Eli de imediato se apaixona pro Daniel, mas entra em um terrível estado de conflito pessoal e espiritual. Eli aloja Daniel na casa de sua mãe, e acabam transando. Até que June descobre a traição.
O filme é um melodrama repleto de intrigas, paixões avassaladoras e homofobia. Dirigido por Jennifer Greber, que faz um trabalho correto, apesar da falta de ritmo de boa parte do filme, mas no quesito interpretação ela comanda bem as performances. Atenção ao trabalho de Zachary Booth, no papel de Daniel, que está bastante sedutor e carismático.
Um filme que vale ser visto e discutido, pois trata de temas polêmicos, como homofobia e conservadorismo da Igreja.
A história de Freddie Mercury:Who wants to live forever?
"The Freddie Mercury Story: Who Wants to Live Forever" (2016)
Documentário dramatizando os últimos anos de vida de um dos maiores astros pop da história do Rock inglês. Utilizando atores para reconstituir ficcionalmente cenas, o filme mescla com imagens de Freddie Mercury em eventos, shows e vida pessoal. Impressiona a semelhança do ator John Blunt e o real Freddie Mercury, algo incrível.
O filme começa em 1985, durante a apresentação do Queen no Live Aid. A expectativa era enorme, afinal o Queen não se apresentava há muito tempo e Freddie tinha acabado de lançar um álbum solo, "Me bad guy", que foi um enorme fracasso. Com o sucesso da apresentação, o grupo resolveu retornar ara fazer Concertos mundo afora. Freddie, em uma visita em Nova York, conheceu umas pessoas que o incentivaram a entrar em um mundo de sexo, drogas e rock'n roll sem limites. A Aids estava surgindo, e acabou que em 1987, Freddie foi diagnosticado com o vírus, negando até `as vésperas de sua morte que tivesse doente.
O documentário tem depoimento de pessoas próximas, mas tudo no filme tem um tom apocalíptico, aterrador, fatalista. Absolutamente sensacionalista, o filme procura associar a promiscuidade da época com o universo Lgbts. Os atores que interpretam Freddie e integrantes do Queen, além de seus amantes e amigos, atuam sem muita expressão. Uma pena, o filem tinha tudo para acontecer. Vale pelas imagens que são registros reais de época, algumas bastante raras.
O filme foi produzido pela Channel Five Channel.
Pele fria
"Cold skin", de Xavier Gens (2017)
Co-produção Espanha/França, dirigida pelo francês Xavier Gens, "Pele fria" é baseado em novela best seller de Albert Sánchez Piñol.
A história gira em torno de um irlandês (David Oakes), que descontente com os rumos da humanidade durante a 1a Guerra mundial, aceita o trabalho para trabalhar em uma ilha remota na Irlanda, tendo como companheiro Gruner, o faroleiro do local. Somente daqui há 1 ano um barco virá buscar o homem. O que ele não imaginava, é que na ilha habitam estranhas criaturas marinhas, que ameaçam a ele e a Gruner.
O filme é uma metáfora sobre a ameaça que nos rodeia intermitentemente, e mesmo que os supostos inimigos sejam pacíficos, o Homem não consegue enxergar essa bondade, por conta de sua natureza violenta.
Bem dirigido e com boa maquiagem e caracterização dos seres marinhos, o filme tem uma história curiosa e bons atores. Tecnicamente (fotografia, trilha sonora) seguram a atenção do espectador, mesmo achando que o filme tenha uns 15 minutos a mais.
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Academia de Platão
"Akadimia Platonos", de Filippos Tsitos (2009)
Divertida comédia dramática, dirigida pelo Grego Filippos Tsitos. Premiado em vários Festivais, incluindo o prestigiado Festival de Locarno, de onde saiu com o Premio de juri e de Melhor Ator, "Academia de Platão" se assemelha muito ao cinema do finlandês Aki Kaurismaki, apostando em um humor corrosivo e patético.
Stavros é um homem de meia idade, que cuida de sua mãe doente. Ele é dono de um pequeno mercado em um bairro classe média de Atenas. ele passa todos os dias de conversa fiada com 3 amigos desocupados, e também tenta reaver o amor de sua ex-esposa. Um dia, um trabalhador albanês surge na região, e os 4 amigos o destratam ( os gregos tratam mal os albaneses, acusando-os de roubarem seus empregos) e se serem uma sub-raça.). Um dia, Stavros chega em casa e descobre que o albanês é seu irmão, e pior, que ele também nasceu na Albania.
Com um ótimo roteiro e performances bem semelhantes ao cinema de Kaurismaki (Bressoniano, sem emoção), o filme toca em importantes temas, como os refugiados na Grécia, a crise económica, o desemprego e o descaso com os idosos.
Burro de carga
"Beast of burden", de Jesper Ganslandt (2018)
Dirigido pelo Sueco Jesper Ganslandt, "Burro de carga" é uma produção americana, misto de drama e filme de ação, estrelada por Daniel Radcliffe.
Um aparte: Daniel Radcliffe precisa urgente mudar de agente. Seus últimos filmes são bem ruins, e Radcliffe interpretou personagens bem estranhos, a maioria querendo provar que ele pode ser um Ator visceral e deixar para trás o Harry Potter. Foi assim com "Swiss army man", "Selva", "Horns" e por aí vai. Ele é um bom Ator, mas tem seus limites.
Em "Burro de carga", Radcliffe interpreta um piloto de avião, que faz entrega para traficantes, carregando drogas através da fronteira com o México. O filem lembra bastante "Feitos na América", drama com Tom Cruise. Só que aqui, 90% do filme acontece dentro da cabine do avião pilotado por Radcliffe. No restante do filme, são cenas rápidas de flashback, e um desfecho fora do avião. Ele interpreta Sean, um funcionário da DEA (Divisão anti-drogas), mas que, por conta da dioença de sua esposa, precisa fazer uma entrega de drogas para um cartel. Mas as cosias dão errado, e sua esposa é sequestrada pelos traficantes.
Logo nos primeiros minutos, já dá vontade de desistir do filme. São mais de 10 minutos dentro da cabine, com um azul do lado de fora da cabine muito falso, evidente que usaram croma. O filme poderia ser um curta, mas fizeram um longa com um fiapo de história, e fica difícil querer assistir até o final. Não funciona nem como drama, nem como filme de ação.
O paradoxo Cloverfield
"The Cloverfield Paradox", de Julius Onah (2018)
Terceira parte da franquia de sucesso criada pelo Mago J.J. Abrams, o file ficará eternamente reconhecido como o projeto que a Paramount desisti de lançar nos cinemas e acabou vendendo seus direitos de exibição para a Netflix pelo valor de 50 milhões de dólares
(o dobro de seu orçamento, de 26 milhões). E isso porque os analistas da Paramount entenderam que se fosse lançado comercialmente, o filme seria um fracasso, devido `as suas qualidades duvidosas.
De fato, o filme é bastante ruim. Um arremedo de "Alien" e "Gravidade", o filme abusa do clichê de uma tripulação que é tomada de assalto por seres alienígenas e precisam lutar pelas suas vidas. No ano de 2028, o projeto Cloverfield lança ao espaço uma nave com tripulantes de várias nacionalidades, para que busquem uma solução para a falta de energia que assola o planeta terra. Porém, ao darem início ao projeto, eles acabam parando em outra dimensão e soltando monstros em universos paralelos.
O elenco é formado por grandes atores estrangeiros, entre eles, Daniel Bruhl e a chinesa Zhang Yiyi, estrela de vários filmes de Zhang Yumou. E' muito estranho ver atores do quilate deles fazerem parte de um filme tão B, tão sem qualidades. Os efeitos são razoáveis, o roteiro tosco e as atuações, infelizmente estão bem além da capacidade de todos.
O filme procura linkar os 2 filmes anteriores, mas de verdade, é um filme desnecessário. deixar em aberto as questões dos filmes anteriores, teria sido muito mais inteligente do que tentar explicar tim tim por tim tim.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Vicious
"Vicious", de Oliver Park (2015)
Premiado curta de terror inglês, exibido em dezenas de Festivais. Partindo de uma premissa muito simples, o filme tem alguns bons momentos de suspense. Uma jovem, Lydia, está de luto pela morte de sua irmã, Katie. Ao retornar para casa, Lydia percebe que a porta de casa está aberta. Ela entra, e munida de faca, ela tenta descobrir quem foi que entrou.
Com boa performance de Rachel Winters no papel de Lydia, o filme quase não tem diálogos, apenas atmosfera. Barato e com alguma criatividade (a apesar de clichês do gênero), "Viicious" entretém, ainda mais que são apenas 12 minutos de filme.
https://vimeo.com/143537386
Perfeita para você
"Irreplaceable You", de Stephanie Laing (2018)
Drama romântico, "Perfeita para você" vai na esteira de clássicos lacrimogéneos sobre parceiros que contraem doenças terminais e no final todo mundo cai em prantos, como Love story" e " Tudo por amor", ou "A culpa é das estrelas".
O problema de "Perfeita para você" é que faltou injetar mais emoção e fazer a gente chorar, o que é o propósito desse filme. ele aposta em momentos graciosos, com humor, e acaba que fica tudo elas por elas.
O filme já começa apresentando o túmulo de Abbie (Gugu Mbatha-Raw). De cara já entendemos que ela morreu. O espírito dela narra o filme, e retrocedemos no tempo. O filme começa quando Abbie e Sam (Michiel Huisman, de "Game of thrones") se conhecem na escola, aos 8 anos de idade. Dali em diante, foi amor `a primeira vista. Já adultos, morando juntos, o casal aguarda a ultrassonografia para avaliar a gravidez de Abbie. e descobrem a terrível verdade: Abbie está com câncer terminal. Temerosa de deixar Sam sozinho, Abbie procura uma parceria ideal para ele.
Sem ritmo, o filme se arrasta em momentos que tentam buscar a simpatia do espectador, repleto de personagens fofos. Christopher Walken, como um dos pacientes que fazem amizade com Abbie, e tantos outros ajudam a trazer o espectador para a história, mas infelizmente ela é muito óbvia e sem surpresas. O casal principal até tem uma química, mas a construção dos personagens não foi de todo satisfatória. Faltou um carisma maior. Faltou alma, em um filme de narrativa flat.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
A ciambra
"La ciambra", de Jonas Carpignano (2017)
Candidato oficial da Itália `a uma vaga ao Oscar 2018, essa Co-produção, que tem entre seus produtores, o brasileiro Rodrigo Teixeira e o americano Martin Scorsese, é um retrato cruel da infância em terras italianas.
A Ciambra é uma pequena comunidade cigana que se encontra situada na Calábria. Acompanhamos a família Amato: uma família numerosa, tentando sobreviver através da marginalidade. roubos, venda de drogas, suborno, assim como as famílias ciganas vizinhas. Pio, o adolescente de 14 anos, quer ser visto como um adulto, mas ele precisa passar por uma espécie de batismo: acompanha seu irmão mais velho nos atos criminosos, para aprender. Pio fuma, bebe, não estuda, não sabe ler. Um dia, o irmão mais velho e o pai de Pio são presos pela policia. Pio precisa então se tornar o homem da família, e para isso, se junta ao seu amigo Ayiva, um refugiado africano.
Com uma linguagem quase documental que o aproxima bastante do Cinema dos irmãos Dardenne, "A ciambra" tem todo os elementos que o aproximam do cinema neorealista: não-Atores, filmagem em locações, roteiro que narra a rotina dos marginalizados. Toda a família de Pio, a família Amato, foi usada no filme, e impressionam nas suas performances, talvez ate porque interpretem a si mesmos.
Gosto do filme, que tem lindas cenas bem fotografadas e orquestradas. Mas mesmo assim, senti que ele poderia ter tido uns 20 minutos a menos. Deu uma canseira lá pelo terço final, quando se torna repetitivo. A performance do menino Pio Amato impressiona bastante, e tem uma forte cena onde ele transa com uma prostituta. No inicio do filme, fiquei chocado também com uma cena de crianças com cerca de 5 anos fumando. Mundo cão.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Frangipani
"Frangipani", de Visakesa Chandrasekaram (2017)
Escrito e dirigido pelo Cineasta Visakesa Chandrasekaram, "Frangipani" é o primeiro filme Lgbts do Sri Lanka, e por isso mesmo, um marco histórico na filmografia do País. No Sri Lanka, os homossexuais podem ser presos por até 8 anos caso sejam pegos em atitude suspeita.
O filme narra a história de um triângulo amoroso: Sarasi é uma jovem rica e bela, que estuda em um Curso de figurino especializado em vestidos de noiva. Chamath é seu colega de curso, por quem Sarasi é apaixonada. Com a chegada na cidade de Nalin, as coisas se complicam: Chamath se apaixona por ele. Sarasi percebe o pouco caso de Chamath com ela e ela resolve seduzir Nalin.
Como filme, "Frangipani" é bem fraco: atores quase amadores, direção sem criatividade, edição falha, com cortes e rupturas de tempo confusas e mal delineadas e um excesso de trilha sonora. O filme não tem ritmo, os personagens não tem carisma. Com tanta falta de qualidade, o filme ainda assim vale por ter sido o primeiro grito do movimento Gay em seu país. Torcer agora que outros filmes do gênero venham, mas com qualidade melhor.
Frangipani é o nome de um flor local do País.
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Pihalla
"Pihalla", de Nils-Erik Ekblom (2017)
Drama adolescente lgbts finlandês, lembra bastante o famoso filme alemão "Tempestade de verão", de 2004.
Durante o verão, os pais de Miku estão fora de casa. Seu irmão mais velho, o rebelde Sebu, resolve promover uma grande festa em casa, convidando a todos. No dia seguinte, a casa está destruída. Os pais de Miku retornam e ficam chocados com o estado da casa. Irritados, resolvem brigar com Miku e o levam para passar um tempo em um chalé afastado da cidade. Lá, Miku conhece Elias, um adolescente assumido. Miku e Elias começam a namorar, e Miku tenta esconder de seus pais que ele é gay.
Sem ritmo, roteiro fraco, "A época do verão" vale pela curiosidade de se ver um filme de gênero Lgbts adolescente na Finlândia, e que ainda tenta tirar uma casquinha em comédias tipo "American pie". A receita não dá muito certo, muito por conta da falta de carisma dos atores principais e pela longa duração do filme. Mikko Kauppila, que interpreta Miku, lembra bastante Daniel Bruhl adolescente.
Pantera negra
"Black Panther", de Ryan Coogler (2018)
O cineasta Ryan Coogler, que começou com o pé direito em dramas mega independentes, angariou tantos prêmios e prestigio que acabou sendo convidado para dirigir um mega Blockbuster. Depois de "Fruitvalley Staion" e "Creed", em "pantera negra" Ryan Coogler desenvolve um dos filmes de ação e aventura mais críticos e políticos dos últimos tempos. Escalando o seu ator fetiche Michael B. Jordan como o vilão Erik Killmonger, Coogler acerta ao contar em seu elenco com alguns dos melhores Atores negros do momento: Chadwick Boseman, Angela Basset ( que bom esse lindo retorno), Lupita Nyong'o e as duas grandes surpresas: Danai Gurira, como a guerreira Okoye, e Letitia Wright, como Shuri, a irma mais jovem e mega nerd do Rei
T'Challa, o Black Panther. Do elenco branco, destaque absoluto para Martin Freeman, o eterno Bilbo de "Senhor dos anéis", como o agente da Cia Ross, e Andy Serkis, mostrando que é muito talentoso também sem fazer CGI.
A história todos já conhecem. O filme tem muito humor, ação, personagens carismáticos, efeitos excelentes e o que o diferencia de todos: a sua imersão nos novos tempos de feminismo, conflitos sociais e raciais. O filme é rodado como se fosse um filme realista na parte dramática, discutindo todos esses temas de forma séria. O desfecho de Erik e Black Panther `a beira de um lindo por do sol, é brilhante e emocionante.
sábado, 17 de fevereiro de 2018
Sebastian
"Sebastian", de James Fanizza (2017)
Drama indie canadense Lbts, "Sebastian" foi escrito, produzido, protagonizado e dirigido por James Fanizza.
Tantas funções para quem estréia em um longa-metragem talvez não fosse a melhor das idéias. Com todas as boas intenções, James Fanizza realiza uma história de amor que remete ao cult inglês "Weekend".
Alex é um jovem desenhista desempregado. Ele namora um descendente de argentinos, que apresenta ao namorado o seu primo Sebastian, que veio passar uma semana na cidade. O namorado de Alex precisa viajar e pede para que Alex fique de cicerone de Sebastian durante uma semana. Claro que isso não vai dar certo, e os dois pombinhos irão se apaixonar.
Pegando também a ideia de "Antes do amanhecer", porém sem o tempo real de um dia na vida dos personagens, "Sebastian" não funciona por conta de seu amadorismo, tanto técnico, quanto artístico. Os atores são fracos, os diálogos, fracos. O romance entre Alex e Sebastian está baixa voltagem, falta uma química e uma tensão sexual prejudicada pela pouca experiência dos envolvidos. Falta timing, uma edição melhor. Vale apenas por algumas cenas ambientadas em baladas underground onde as pessoas se apresentam dançando Vogue.
Happy end
"Happy end", de Michael Haneke (2017)
Concorrendo em Cannes 2017, "Happy end" condensa todo o Universo temático de Michael Haneke: Família desestruturada, angústia, desesperança, rancor, humilhação, fetiche, imigração e muita violência psicológica.
A poderosa família Laurent, que tem como patriarca Georges (Jean-Louis Trintignant), segue a linhagem empresarial através da mão de ferro de Anne (Isabelle Huppert), mãe do médico Thomas ( Mathieu Kassovitz) e do complexado Pierre. O filme começa com um grave acidente de trabalho na empresa, onde um empregado fica entre a vida e a morte. Acompanhamos cada integrante da família em suas várias sub-tramas, encabeçadas pela menina Eve (Fantine Harduin, excelente), filha de Thomas, cuja mãe é depressiva. Eve registra com seu celular,a rotina da família, e descobre que atrás da aparência da família feliz, existem segredos que irão destruir a todos.
Com um excelente elenco, Michael Haneke faz o que quer. Não é dos seus melhores trabalhos, mas ainda assim vale acompanhar esse drama psicológico que no desfecho beira a uma angustiante cena de redenção.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
O insulto
"L' insulte", de Ziad Doueiri (2017)
Representante do Líbano no Oscar de filme estrangeiro 2018, o libanês "O insulto", co-escrito e Dirigido por Ziad Doueiri, é um Cinema humanista, na tradição de "Promessas de um novo mundo", documentário que marcou época em 2001, que apresentava depoimentos de crianças israelenses e palestinas acerca do conflito entre as duas populações.
"O insulto" parte de uma premissa muito interessante: como uma simples ofensa entre 2 homens, pode tomar dimensões épicas e movimentar um País inteiro?
O Líbano é um país que sofreu imigração de refugiados da Palestina, e a maioria se encontra em situação irregular. Os libaneses não encaram com bons olhos essa invasão palestina, pro motivos culturais, sociais e religiosos.
Tony Hanna ( ,Adel Karam intenso, excelente) é dono de uma oficina mecânica e casado com Shirine, grávida de 8 meses. Um dia, uma equipe da prefeitura, liderado pelo palestino Yasser (Kamel El Basha, brilhante e Vencedor do Premio de Melhor ator em Veneza 2017) está fazendo obras na rua onde mora Tony, quando são molhados pela calha de Tony, que estava aguando suas plantas na varanda. Aí começa um estopim: Tony agride verbalmente Yasser, que o insulta. Tony resolve processar Yasser porque ele nao aceita pedir desculpas. E daí em diante, tudo vai se tornando numa enorme bola de neve.
Esse filme tem tudo a ver com o momento que estamos vivendo no Brasil e no mundo: polarização, ofensas gratuitas, preconceito em todos os níveis. Com um roteiro inquietante, o filme tem atuações excepcionais de todo o elenco, e também, uma edição dinâmica, que mantém o interesse do espectador, mesmo em inúmeras cenas de tribunais. A cena onde os dois personagens saem do tribunal e pegam seus carros, é de doer o coração.
A princesa e o plebeu
"Roman holiday", de Willian Wyller (1953)
Uma das mais clássicas comédias românticas da história do Cinema, "A princesa e o plebeu" marca a estréia de Audrey Hepbun no Cinema, em 1953. Gregory Peck, seu parceiro de cena, ficou tão encantado com essa jovem atriz, que pediu para os produtores colocarem o seu nome nos créditos inicias, pois estava certo de que ela ganharia o Oscar de melhor atriz. o que acabou acontecendo.
O filme, co-escrito por Dalton Trumbo, na época perseguido pelo Macartismo, acusado de comunista, foi inteiramente rodado em Roma, Itália, tendo os seus interiores construídos nos estúdios da Cinecittá. O filme também levou os Oscar de Roteiro e de figurino, da lendária Edith Head.
Audrey está absolutamente encantadora no papel da princesa Ann. Durante uma visita em Roma, seguindo uma turnê européia, ela entra em colapso nervoso, devido `a sua rotina estressante de entrevistas e visitas burocráticas. Numa noite, ela foge, e vai parar no centro de Roma. Sedada pelo médico, ela acaba sendo encontrada pelo jornalista Joe Bradley (Gregory Peck), que a acolhe em casa, sem saber quem ela é. No dia seguinte, Joe acaba descobrindo a identidade da princesa, e chama seu amigo fotógrafo Irving para tirar fotos escondidos dela e venderem por uma grande soma. Mas Joe se apaixona por Ann, e durante um passeio turístico pela cidade, eles se apaixonam.
Willian Wyler é um dos grandes cineastaa americanos que primaram pelo seu ecletismo: Diretor de grandes épicos, como "Ben Hur", Wyler era também excelente diretor de atores.
"A princesa e o plebeu"' é daqueles filmes que a gente adora rever vez ou outra, e constatar a primazia na direção e nas atuações, principalmente na brilhante cena final da entrevista com a imprensa, nas trocas de olhares entre Audrey e Gregory Peck. Maravilhoso.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Em busca de Fellini
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"In search of Fellini", de Taron Lexton (2017)
Nancy Cartwright é mais conhecida por ser a voz de Bart Simpson na sua versão original americana. Mas pouca gente conhece a sua história. Criada por uma mãe protetora, que inventava histórias para que ela idealizasse um mundo de conto de fadas, Nancy encontrou nos filmes de Federico Fellini o seu refúgio ideal. A sua paixão pro Fellini foi tanta, que ela foi para a Itália em busca dele, no ano de 1993, quando ele faleceu.
No filme, Nancy tem o pseudónimo de Lucy (,Ksenia Solo em um registro muito semelhante a de Audrey Taoutou em "Amelie Poulain"). Aliás, com certeza que o Cineasta sul africano Taron Lexton se baseou em Amelie Poulain" para contar a sua historia. Usando o lúdico e a fantasia o tempo todo, o filme tem na fotografia o seu ponto alto, com imagens belíssimas em Verona, Veneza e Roma. O filme comeca em Ohio, onde conhecemos Lucy e sua mãe, Claire (Maria Bello) e sua tia, Kerri (Mary Lynn Rajskub). entre uma cena e outra, o filme edita cenas de filmes famosos de Fellini, e fico imaginando o quanto de orçamento não foi convertido somente para os direitos de uso de imagem dos filmes.
O filme, infelizmente, não alça grandes voos. Com altos e baixos, o filme só acontece mesmo quando Lucy vai pra Itália, mas isso somente acontece na metade do filme e aí já perdeu a simpatia e a paciência do público. Vislumbre as belas locações, pois é isso que vale a pena ver, e claro, a homenagem ao Cinema de Fellini.
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