sábado, 31 de maio de 2014
Corte
"Cut", de Amir Naderi (2011)
"O cinema não é uma prostituta. O cinema é arte". Com essas palavras de ordem o protagonista Shuji prega a vida eterna ao cinema autoral e declara a sua guerra aos cinema meramente de entretenimento.
O Cineasta iraniano Amir Naderi, radicado nos Estados Unidos, realiza aqui o seu testamento de paixão pelo Cinema. Mais uma vez, o Japão é o país escolhido por um cineasta iraniano para construir a sua narrativa ( Abbas Kiarostami filmou "Um alguém apaixonado"). O protagonista Shuji é um cineasta independente e cinéfilo. Ele realiza sessões ao ar livre de clássicos do cinema. Um dia, um mafioso da yakuza o procura, dizendo que mataram o irmão de Shuji. O motivo: empréstimos feitos pelo irmão de Shuji para poder bancar os filmes do irmão, mas que ele não consegui saldar as dívidas. Shuji é obrigado a pagar as dívidas para não morrer também. Se sentindo culpado, a única possibilidade dele poder pagar a dívida é se deixando ser um saco de pancadas. A cada soco desferido, ele ganha um dinheiro. Essa sessão de tortura deve ser realizado no banheiro onde o sue irmão foi morto, a pedido de Shuji, uma forma de expiar sua culpa.
O Cineasta Amir Naderi se utiliza da violência dos filmes japoneses para poder fazer a sua matáfora sobre a morte do Cinema de autor. A parte final é brilhante: após 11 dias consecutivos de porradaria, chega o último dia. Shuji deve levar 100 socos para saldar as dividas. Para resistir aos socos, Shuji conta 100 filmes obrigatórios, e cada lembrança desses filmes o faz ter forças para resistir. A partir daí, surgem 100 nomes de filmes clássicos, entre eles "Pixote"e "O dragão da maldade contra o santo guerreiro".
É um filme radical, bruto e ao mesmo tempo um alerta sobre o fim de uma era do romantismo pela paixão do cinema de autor. Como cinéfilo,me vi no lugar de Shuji. Mas diferente dele, penso que o filme de entretenimento também tem o seu valor.
Nota: 7
Não é o homossexual que é perverso, mas a sociedade em que ele vive
"Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation, in der er lebt", de Rosa Von Praunheim (1971)
Delirante e divertido docu-drama realizado pelo cineasta alemão cult Rosa Von Praunheim em 1971. Obviamente o filme como um tratado do homossexualismo é datado, com questões que já foram levantadas por grupo gays ao longo das décadas seguintes. Mesmo assim, não tem como não se deixar levar pelos ideais anárquicos de Praunheim da época. Se utilizando de atores amadores e de uma narração off estranhíssima, fora de sync, que às vezes sôa como mera narração, outras como vozes dos atores, o filme é um desbunde visual e sim, um registro impecável de uma era. Figurinos cafonas e penteados indescritiveis, um ode à cultura campy que mostra como as pessoas eram livres, em todos os sentidos. Praunheim faz uso de uma metralhadora verbal que ataca por todos os lados: ataca a sociedade, o governo, os casais heteros, os casais gays, o amor, as relações. O filme na época de seu lançamento levantou discussões a cerca de suas mensagem ferinas e ao mostrar o homossexual como uma pessoa infeliz e promíscua, sempre em busca da satisfação sexual. Mesmo com esse pensamento, o filme foi importante para criar vários grupos gays na Alemanha que pudessem lutar pelos ideais da comunidade.
O filme narra a história de Daniel, um jovem da cidade do interior que vem morar em Berlin. Tímido, Daniel é seduzido na rua e vai morar com Clemens, um homem mais velho, mas apaixonado pela jovialidade de Daniel. Mas o tempo passa e a relação vira um tédio. Daniel vai embora, e aos poucos, vai se libertando, se relacionando com todos os tipos de pessoas e em ambientes cada vez mais promiscuos e undergorunds.
É definitivamente um clássico do cinema marginal, e eu particularmente, adoro esses filmes sujos e malditos alemães.
Nota: 7
O duplo
"The double", de Richard Ayoade (2013)
Livremente inspirado no livro 'O duplo", de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1866. O filme narra a história de Simon James (Jesse Eisemberg), um funcionário público que mora em um País qualquer, em uma época qualquer, guido por uma sociedade distópica e liderado pelo "O Coronel". Simon é tímido, boa gente, altruísta. Mas tem um inconveniente: Ele se sente um fantasma, pois ninguém nota a presença dele e ele não existe para ninguém. Simon tem uma paixão platônica: Hannah (Mia Wasilowska), uma copiadora que trabalha no mesmo prédio. Simon vive sua rotina, até que um dia surge James Simon ( Também Jesse): ele se veste igual e é uma cópia de Simon, mas com uma diferença: é mais seguro, sedutor e trapaceiro. Todos começam a bajular James, inclusive Hannah, e Simon precisa tomar uma atitude.
Delirante fantasia surrealista dirigida por Richard Ayoade, cineasta inglês que em 2010 trouxe "Submarino", um ótimo filme que passou batido pelo circuito. Em "O duplo", Ayoade e Dostievksi querem discutir a questão do homem em conflito com si próprio, e que precisa se desmembrar em dois para poder refletir sobre a sua existência. Ele deve fazer algo que modifique sua vida, ou deve viver em constante passividade em um mundo egocêntrico e frio?
Claras alusões aos filmes "Brazil, o filme "e "O clube da luta", esse belo filme tem um elenco comandado por 2 atores jovens que brlham em Hollywod e que toparam fazer esse filme de baixo orçamento justamente pela sua característica de filme fora do Circuito comercial. É um filme complexo, estilizado e que vai deixar muita gente se perguntando sobre várias pontas em aberto (inclusive eu). Talvez o filme peque pelo excesso de estilo e intelectualismo desnecessário, ma sé inegável seu charme cult, principalmente pela fotografia e pela trilha sonora recheada de canções pop japonesas dos anos 60. Jesse Eisemberg mais uma vez com aquele seus tiques nervosos de falar rápido e se contorcer o tempo todo, talvez ele não fosse a melhor opção pro filme. O elenco de apoio sim é que rouba a atenção.
Nota: 7
sexta-feira, 30 de maio de 2014
24 exposições
"24 exposures", de Joe Swanberg (2013)
Esse filme é uma junção de forças de integrantes do cinema independente americano, em uma vertente chamada de "Mumblecore". Não existem assistentes de direção, continuistas, etc. Tudo para reduzir o custo e fazer o filme baratíssimo. A equipe é super mega reduzida. O diretor Joe Swanberg dirigiu entre outros o bom "Um brinde à amizade", mas aqui ele perde a mão. Escrito e editado por ele, o roteiro é fraco, ingênuo e sem força alguma. O filme narra a história de Billy, um fotógrafo especializado em fotos eróticas femininas. Casado, ele acaba seduzindo as modelos e transa com algumas. Um dia, uma de suas modelos aparece morta, e Billy é levantado como suspeito do crime por um policial.
Sem charme algum, o filme prima pelo amadorismo e pela falta de ritmo. Nem ao menos sensual o filme é, dada a sua matéria prima. O ator Adam Wingard, que interpreta Billy, é amigo de Joe Swanberg e o dirigiu no filme de terror "Agora você é o próximo". O restante do elenco é bem mediano.
Swanberg já teve dias melhores, e espero que a quantidade de filmes que ele realiza seja revertido em menos filmes e mais qualidade.
Nota: 3
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Malévola
"Maleficent", de Robert Stromberg (2014)
Estréia na Direção do artista de Computação gráfica Robert Stromberg, que fez entre outros "As aventuras de Pi", "Piratas do Caribe", "Alice no país das maravilhas" e "O labirinto do Fauno". É possível ver todos esses filmes aqui em "Malévola", uma adaptação extremamente ousada do conto de Perrault, "A bela adormecida". O filme se vale de várias cenas do desenho original da própria Disney, porém acrescenta um prólogo e um desfecho diferente. É impossível pensar em uma Malévola que não seja a atriz Angelina Jolie: ela está perfeita no papel. E também produtora do filme, ela se cercou dos melhores atores ingleses que pôde: para fazer o trio de fadas madrinhas, ela escalou Imelda Staunton, Juno Temple e Lesley Manville. No papel do seu assecla trapalhão, a incrível performance de Sam Riley, de "Control"( filme do Joy Division) e "On the road", filme do Walter Salles. O Rei é interpretado por Sharlto Copley, coroando de vez sua ascenção em Hollywood desde a sua aparição em "Distrito 9".
Esse filme é proibido para quem odeia fofuras, luta do bem contra o mal de forma maniqueísta. É a essência dos contos de fada e do visual do Mundo Disney: cores, fadas, monstros, animais que criam vida, nuvens e castelos, dragões e cavaleiros, príncipes e maldições.
A bela canção título "Once upon a dream" , famosa no imaginário popular, foi reinterpretada por Lana Del Rey em versão Dark.
Me diverti e achei um super pipocão. Os efeitos são ótimos e arrebatadores. Claro, dentro dos padrões de violência Disney.
Nota: 8
quarta-feira, 28 de maio de 2014
The normal heart
"The normal heart", de Ryan Murphy (2014)
Produtor de diversas séries de sucesso na televisão, entre elas "Glee", "Nip Tuck", "American horror story", além de ter dirigido o longa "Comer rezar amar", Ryan Murphy atinge seu ápice como Diretor aqui nesse telefilme produzido pela HBO.
Baseando-se em fatos reais, e tendo como matéria prima a peça teatral "The normal heart", de Larry Kramer, encenada em 1985 ( ainda no calor da devastação da epidemia), o filme narra a história de Ned (Mark Ruffalo), um diretor de uma Ong voltada para a saúde da comunidade gay, que luta contra o Governo e contra todos que o rodeiam para que abram seus olhos para o surgimento de uma nova doença, um vírus misteriosos, chamado pela mídia de "câncer gay". O Governo americano ignora o fato de que milhares de gays estão morrendo e não dedicam investimento para a descoberta de uma cura, justamente por ter apenas gays como vítimas. Ned ganha apoio da médica Dra Emma (Julia Roberts) , que atende casos de pacientes com essa doença e que também luta contra o Governo.
Ryan Murphy, além de se valer de um roteiro brilhante, presenteia todo o seu imenso e formidável elenco com cenas antológicas. Cada um dos protagonistas possui pelo menos uma cena de grande impacto de seu personagem, como se fossem monólogos. Intensos, é lindo de ver atores que em boa parte ainda não haviam encontrado papéis tão dramáticos e que pudessem provar para o mundo que sim, eles são atores, além de rostinhos bonitos e que podem ganhar elogios da crítica e público. Esse é o grande dom do cinema e tv americanos, que enxergam em atores de comédia e filmes de ação um potencial também para papéís dramáticos. Dois exemplos são Jim Parsons ( de "The big bang theory") e Taylor Kitsch ( "John Carter"). Ambos estão irreconhecíveis. O personagem de Jim, importante para costurar o filme com o seu porta-arquivo com fichas que possuem nomes de pacientes com o vírus e que vai fazendo a passagem de tempo através dele.
Matt Boomer também é um exemplo de galã que se entregou para o personagem do repórter que contrai o vírus. Matt emagreceu 18 kilos para o personagem, e a sua cena de discussão com ele e seu namorado Ned no final é muito foda.
Mark Ruffalo e Julia Roberts engrandecem o projeto com suas performances viscerais, é muita cena poderosa de ambos os personagens.
O filme encontra paralelo com "E a vida continua", "Angels in America"e "Dallas Buyers club". Em todos esses filmes, vemos a luta de cientistas, médicos e pessoas comuns contra o surgimento do vírus ainda desconhecido. São filmes que falam do impacto do câncer gay na sociedade e a cegueira do Governo em admitir a existência do vírus. Todas aquelas imagens fortes da época estão de volta: pessoas de aspecto cadavérico, Sarcomas de karposi, diarréias, etc.
Ousado, forte, emotivo, e com uma frase que guardarei na memória: "Você precisa lutar por quem você ama".
A trilha sonora, recheada de pérolas pop dos anos 80 ( o filme vai de 81 a 84) e a reconstituição de época merecem palmas.
Nota: 8
Três mundos
"Trois mondes" , de Catherine Corsini (2012)
Drama francês que remete aos filmes "21 gramas" e "Crash". Al é um jovem promissor e ambicioso: vendedor em uma loja de venda de carros, ele vai se casar com a filha do dono da empresa e se tornar gerente. Numa noite, ele se embebeda com 2 amigos da empresa e acaba atropelando um imigrante ilegal. Aconselhado pelos amigos, ele foge sem dar assistência. Uma mulher testemunha o atropelamento, e sai em busca do atropelador e da viuva do acidentado. Dessa forma, os vários personagens se entrecruzam selando seus destinos através desse acidente, que destrói a vida de todos.
Exibido na Mostra "Um certan regard", de Cannes 2013, o filme tem boa direção e bela fotografia. A grande força do filme reside na interpretação do trio principal. Desconhecidos, todos os três esbanjam talento em seus personagens tristes e malancólicos. O roteiro segue óbvio, em cima do tema da culpa e redenção. Mas cumpre o que promete, o que já é muito.
Nota: 7
terça-feira, 27 de maio de 2014
Pelos olhos de Maisie
"What Maisie knew", de Scott McGehee e David Siegel (2012)
Cacete, coitada dessa Maisie! Eta mundo cruel esse, o dos adultos.
Baseado no livro de Henry James, " What Maisie knew", escrito em 1897, que narra o drama de Maisie, uma menina que fica entre o centro da disputa de psse de seus ais que estão se separando. Entra uma briga e outra, Maisie fica com a babá, com o amante da mãe, com governante e toda sorte de gente que aparece no caminho.
Dirigido pela dupla de cineastas independentes Scott McGehee e David Siegel, que aqui fazem seu debut no cinema Maisntream. o filme é atualizado para a Nova York de hoje, com seu caos urbano, o egocentrismo exacerbado dos adultos e falta de carinho para com seus filhos. A pergunta é: Porquê ter filhos se você não pode cuidar deles?
Dentro dessa premissa, acompanhamos o drama da pequena Maisie, 7 anos, que todo dia ouve a discussão entre seu pai marchant (Steve Coogan) e sua mãe, uma roqueira fracassada (Juliane Moore). A babá (Joanna Vanderham) é amante do pai, e a mãe como vingança arranja um jovem amante, um barman (Alexander Skarsgård). Maisie sofre na mão de todos, e para sobreviver, precisa administrar o ódio dos adultos com a serenidade da criança.
Cruel, melancólico, assistir ao filme é uma prova de fogo, principalmente para as pessoas sensíveis com histórico de crianças abandonadas e maltratadas pelos pais.
Um drama bem dirigido, de bela fotografia, um pouco longo mas que mantém o interesse. O roteiro às vezes sôa muito forçado ao criar situações que sensibilizem o espectador. Os pais sempre ausentes, sempre discutindo. Todo o drama do mundo caindo nas costas da menina. Mas graças a Deus que o filme não descamba para o melodrama barato, e mais, possui um elenco formidável. Todos dispensam comentários, mas é preciso ressaltar o trabalho da pequena Onata Aprile, simplesmente tocante e espontânea, sem aquelas chatices de crianças super-dotadas. Ela é apenas uma criança.
Nota: 8
Caracóis na chuva
"Snails in the rain", de Yariv Mozer (2013)]
Drama israelense baseado no livro "O jardim das árvores mortas" , de Yossi Levy Avni . O Diretor Yariv Mozer é o mesmo do excelente documentário "Os homens invisíveis", sobre palestinos que fogem da ira de sua pátria e de sua familia por serem gays e vivem clandestinamente em Israel. Em "Caracóis na chuva", Yaruv Mozer retoma o tema do drama de um homem que está em conflito pessoal pela mentira que precisa mostrar para as pessoas que o rodeiam. Homossexual enrustido, Boaz é um jovem estudante de linguística na Tel Aviv de 1989. Ele mora com sua noiva Noa. Todos os dias, Boaz recebe pelo correio uma carta apaixonada de um anônimo, que Boaz acredita ser de um jovem militar por quem ele foi apaixonado durante o serviço militar. Noa desconfia e acompanha as cartas sem que o noivo saiba. Até que um dia as cartas cessam de chegar e Boaz entra em crise.
O tema já é bem batido, mas aqui ganha um sabor especial pelas mão do diretor: por ele, toda a cidade de Tel Aviv é gay. É muito divertido acompanhar closes dos homens que olham para Boaz. Não tem um que não olhe para ele de forma sedutora. Humor à parte ( e nem é para ser engraçado), é um drama de certa forma ingênuo, óbvio. Mas por ser um filme israelense, ganha contornos especiais, adicionado uma pitada de contexto histórico. O filme ganha charme também por ser de época e por ter um bom elenco, principalmente o casal protagonista, bonitos e talentosos.
No mais, é muita adrenalina e tesão envolvidos na tela e dentro do filme. As imagens são bonitas e a fotografia capta bem o clima de erotismo.
Nota: 7
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Operação invasão 2
"The raid 2: Berandal", de Gareth Evans (2014)
Diretor inglês radicado na Indonésia, é cultuado mundo afora por conta de seu filme anterior, 'A invasão policial (The raid". "The raid" contava a história de Rama, um policial que invade um prédio junto de um esquadrão Classe A da polícia para prender um traficante, mas são emboscados por milhares de bandidos que os impedem de sair do prédio. Agora nessa insana continuação, Rama é escoltado por um grupo clandestino de policias que quer destruir as quadrilhas de mafiosos em Jacarta, capital da Indonésia. Para isso, Rama é infiltrado dentro de uma quadrilha da Máfia, se tornando segurança do filho do Chefão. O que se sucede em 2:30 hrs de filme ( sim, é um mega épico) é absolutamente indescritível. Para se ter idéia, os 3 vilões do filme se chamam A garota martelo, o Homem do taco de beisebol e O Assassino. A eles, juntem milhares de bandidos que lutam contra o pobre Rama, sempre em busca da justiça e do bem de sua família.
Para quem viu e amou "Oldboy", simplesmente elevem à décima potência todas as cenas de lutas de um homem só contra centenas de bandidos. As cenas de violência também são das mais bizarras que você j;a viu. O filme reserva também pelo menos 4 cenas antológicas: a briga no pátio do presídio ( todo debaixo de lama), o ataque no vagão do metrô, uma perseguição de carros que deixa "Matrix 2" no chinelo, e os 20 minutos finais mais tensos que você já viu num filme de ação.
Eu simplesmente adoro essa linguagem dos filme orientais, que se utilizam de barras de ferro, martelos e outras ferramentas para as cenas de luta sangrentas.
É quadrinhos em movimento. A galera enlouquece. O público delira.
Para se divertir lembrando de não levar ninguém que seja suscetivel a cenas de extrema violência. Ainda bem que tem humor negro na história.
O Capitão Nascimento tem muito o que aprender com esse herói Rama. Já já Gareth Evans será a figura mais quente de Hollywood.
Nota: 8
Histórias que contamos- Minha família
"Stories we tell", de Sarah Polley (2012)
A atriz canadense ficou conhecida do grande público pelos filmes "Amanhecer dos mortos" e Mr Nobody". Mas foi como Cineasta que ela ganhou respeito da crítica. Ao dirigir o drama "Longe dela", com Julie Christie, Polley provou ser mais do que uma atriz. Agora, com esse documentário "Stories we tell", ela comprova o seu talento atrás das câmeras.
O filme tem muito da construção narrativa de "Jogo de cena", de Eduardo Coutinho. Misturando atores e pessoas reais, sem sabermos quem é quem, Polley junta peças para elucidar um fato marcante de sua vida: será que seu pai é realmente seu pai?
Assim, ela chama todos os familiares e pessoas próximas à sua falecida mãe para desvendar esse mistério: irmãos, pai, tios, amigos de sua mãe.
Diane Polley foi uma atriz canadense do início dos anos 70. Atriz de teatro, ela ea casada com George e tinha 4 filhos. Ao fazer uma peça com um ator, Michael, ela acaba se apaixonado por ele e resolve abandonar seu marido, que acaba proibindo ela de ver os outros filhos. Diane engravida, quer abortar mas acaba desistindo após pedidos de Michael. Desse não-aborto, nasce Sarah Polley. Mas ao longo da narrativa acabamos ficando em dúvidas sobre o comportamento de sua mãe, que esbanjava alegria e curtia viver, se realmente Sarah seria filha de Michael ou de outro ator da mesma peça.
A premissa interessantíssima do filme é que cada pessoa tem a sua memória afetiva e revela dados diferentes d outra pessoa, pelo simples fato de aguardarmos aquilo que nos interessa, uma espécie de edição. Todos os entrevistados são confrontados a responder a mesma pergunta e daí vemos a diversidade de opiniões. Misturando entrevista, filme de arquivo pessoal da família e outras imagens, Polley nos desafia através das imagens e das entrevistas a pensar: O que é real e o que não é?
O filme é todo narrado pelo pai "biológico" de Sarah, Michael, de uma forma brilhante. Como ele foi ator, ele tem uma brilhante narração e ele mesmo escreveu o texto em off, que revela os bastidores da vida de Diane, mulher que ele tanto amou e que ele descobre ter uma vida sexualmente mais ativa do que ele esperava, inclusive com traições.
Um documentário que é quase que uma aula de cinema, mesclando emoções reais e linguagem inovadora e inteligente. O porém a é a duração do filme, quase duas horas, chega uma hora que já dá uma barriga boa, mas recupera o ritmo mais lá pro final.
sábado, 24 de maio de 2014
Super nada
"Super nada", de Rubens Rewald (2013)
Vencedor de vários prêmios, entre eles Melhor Ator em Gramado 2012 para Marat Descartes e para o cantor Jair Rodrigues como melhor ator no Festival do Rio dentro da Mostra novos rumos. Os 2 atores são o grande motivo para se assistir a esse drama sobre o desemprego no meio artístico, a decadência e a falta de perspectiva para atores condenados ao ostracismo. É um filme muito cruel com aqueles que buscam um sonho, e que jamais chegará.
Guto é um ator que luta para sobreviver. Ele faz bicos em pegadinhas, se apresenta como malabarista em sinais para ganhar dinheiro e vai se virando como pode, até roubar dinheiro da mãe ( Denise Weimberg, excelente como sempre). Sua filha pequena mora com a sua mãe, e nas horas vagas Guto assiste ao programa "Super nada", protagonizado por um comediante decadente ( Jair Rodrigues, num papel que remete a Renato Aragão). Um dia, Guto é chamado para fazer teste para uma cena do programa "Super nada" e contracenará nada mais nada menos com seu ídolo, Zeca ( Jair Rodrigues). Mas algo dá muito errado.
O filme de Rubens Rewald ( nada a ver com o crítico Rubens Ewald Filho) faz aqui um relato sombrio sobre o Ator e sua luta diária para sobreviver em um mercado onde o ator comum não encontra chance. O filme é uma resposta paulista ao excelente filme carioca de Gustavo Pizzi, "Riscado", com uma Karine Teles endiabrada fazendo também uma atriz que precisa se virar como pode para sobreviver. Ambos os filmes têm um orçamento baixíssimo, e isso fica evidente na tela. Diante de uma projeto onde o que se vê tem uma cara de improviso , brilha o elenco, diante de um roteiro bom, mas que vai por caminhos que o tiram do seu foco principal, que é a bela história de Guto.
Nota: 7
Geleira sangrenta
"Blutgletscher/Blood glacier", de Marvin Kren (2013)
Exibido no Festival de Toronto de 2013, essa pérola traz de volta para a cinematografia austríaca o gênero Terror. Depois da obra-prima "Angst", de 1983, a Austria ficou devendo filmes do nível. Mas infelizmente, ainda não foi dessa vez. Esse flme é um pastiche levado a sério de "O enigma de outro mundo", cult clássico de John Carpenter. Porém, com um décimo de seu orçamento. Resultado: efeitos pobres, monstros de brinquedo. Aliás, esses monstros são hilários e garantiram boas risadas. Se bem que não era essa a intenção do Diretor.
Em uma estação nas montanhas congeladas da Austria, uma equipe de cientista faz pesquisa para descobrir porquê as geleiras estão derretendo tão rápido. A culpa recai no efeito estufa. Uma dessas geleiras se revelam e os cientistas estranham ela ter uma coloração vermelho-sangue. Um pesquisador e seu cachorro entram em uma caverna, mas o cachorro é atacado. Logo, uma equipe de cientistas chega ao local, mas descobrem que os gens de vários animais e insetos se transformaram, e eles viraram monstros.
A fotografa do filme é muito bonita, e fiquei pensando se o filme não teria sido mil vezes melhor se fosse um terror psicológico, sem a aparição dos bichos. Os atores são medianos, mas enfim, gastar uma grana para fazer um filme com efeitos toscos é uma pena. Uma cena é antológica: uma senhora tentando impedir a entrada de uma raposa mutante na base cientifica usando uma furadeira. Outra cena genial é logo no início, quando a cientista em 2 segundos desvenda toda a questão dos mutantes, assim, do nada, apenas na suposição. Fantástico.
O mais louco é o final, um dos mais toscos que já vi. E tudo por conta de um cachorro, o verdadeiro motivo de conflito do protagonista do filme.
Nota: 5
sexta-feira, 23 de maio de 2014
"X-men, dias de um futuro esquecido"
"X-men, days of the future past", de Bryan Singer (2014)
O elenco do filme é um caso à parte: além dos habitueés Hugh Jackman, Ellen Page, Patrick Stewart, Ian Mackellen, James Macvoy, Michael Fassbender, Halle Berry, Anna Paquim, Jennifer Lawrence, Nicholas Hauldt, Shaw Ashmore ( que devem ter custado metade do orçamento do filme), não satisfeitos, ainda convocaram Peter Dinklage e Omar Sy. É muito ator foda num filme só!
Bom, quanto ao roteiro, ele é maravilhoso, dinâmico, te deixa tenso do inicio ao fim..mas não há quem não faça eu pensar que é uma releitura de "O exterminador do futuro". Usando o mesmo mote de personagens no futuro tendo qu voltar ao passado para salvar a humanidade, evitando que algo muito importante aconteça décadas atrás, o filme brinca com os mesmos personagens no futuro e no presente. É uma delícia de se assistir.
O passado, no caso, é o ano de 1973. O figurino, maquiagem, direção de arte, tudo é super produzido. A direção de Bryan Singer está mais afiada do que nunca. Ele não perde tempo e mantém um ritmo alucinado do inicio ao fim. E ainda apresenta ao espectador algumas das cenas mais antológicas de toda a série: a cena da cozinha no Pentágono é uma obra-prima. E o humor sempre presente, garantido pelo time impecável de atores ingleses. Nem dá pra falar muito porquê esse tipo de filme a gente quer é se divertir mesmo. Super pipocão!
Nota: 9
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Sabor Tropical
"Tropical flavor", de Jorge Ameer (2009)
O cineasta panamenho Jorge Ameer talvez seja o único representante do seu País que faça filmes regularmente. Radicado nos Eua, após sua família ter fugido do Panamá nos anos 80 por conta da ditadura do Governo da época. Radicado em Los Angeles, ele já dirigiu dezenas de longas documentais e ficcionais sobre assuntos variados, mas sempre que pode, coloca um pezinho no desbunde e na decadência humana.
Em "Sabor Tropical", ele narra a história de Brian, um jornalista que escreve uma coluna online no jornal de seu amigo Jorge ( O próprio cineasta Jorge Ameer). Jorge convida Brian para passar o carnaval no Panamá, um evento que nem mesmo Jorge conhece. Muito semelhante ao Carnaval carioca, a festividade é regada a sexo e bebedeiras. Brian, um viciado em sexo, marca um encontro online com uma garota ao chegar no Panamá, mas as consequências desse encontro serão violentas.
O filme é feio, sujo e tem uma estética amadora bem típica dos VHS dos anos 80. Tudo é sem glamour: desde o figurino, maquiagem, a fotografia, as locações. O Que Jorge faz é um desserviço ao turismo Panamenho, pois ele mostra o evento como um lugar pra gente que rouba, faz orgias, deixa tudo sujo e só pensa em loucuras. O personagem de Brian se masturba ( de verdade) em frente às câmeras, e o sexo explícito surge aqui e ali. Podia ser um belo tratado sobre o fetiche, o erotismo das festividades, o tesão enrustido que libera as pessoas. Um filme que falasse sobre o desejo que não encontra resistência mas oferece perigo quando não controlado.
Os atores são péssimos, e o roteiro idem. Fica apenas, acreditem se quizer, um charme de um filme amador para quem curte uma narrativa mais trash. A linguagem documental aliado à camera na mão, sôa como preguiçosa. Mais amador, impossível. Mas leva o filme a festivais de cinema. Vai entender.
Nota: 4
terça-feira, 20 de maio de 2014
Viver é fácil com os olhos fechados
"Vivir es facil con los ojos cerrados", de David Trueba (2013)
Baseado em história real, o filme foi escrito e dirigido pelo irmão do Cineasta Fernando Trueba, David Trueba. Os 2 irmãos possuem uma filmografia muito semelhante, inclusive se utilizando dos mesmos atores e temas que falam sobre a ditadura Franquista e as suas várias metáforas. Em 1966, na cidade de Albaceta, um professor de inglês dá aula se utilizando de letras das músicas dos The Beatles, sua grande paixão. O grupo inglês influencia a moda e cultura em todos os lugares, mas ali, numa cidade pequena, são vistos como vândalos e os pais proibem os filhos de usarem cortes de cabelo e ouvirem músicas deles. Antonio descobre que John Lennon está vindo para Almeria, em Andaluzia, para filmar um longa como ator, "Como eu ganhei a Guerra". Antonio pede licença e segue até a região. No caminho, dá carona para uma jovem grávida e depois para um garoto, ambos fugindo de casa por medo dos pais. Chegando em Almeria, Antonio e os dois novos amigos farão de tudo para encontrar John Lennon, enquanto sofrem preconceito dos moradores da cidadezinha.
O que poderia ter rendido um grande filme, acabou ficando uma xaropada sem fim. Os sub-plots do filme, no caso as histórias dos dois jovens, fica sobrando por completo. É um melodrama sobre relação pais e filhos que enjoa pelo clichê. Trueba deveria ter focado a história em Antonio, esse sim um grande personagem, interpretado pelo excelente Javier Câmera, habitueé de Almodovar. O filme tem uma grande produção, e gastou-se uma bela grana repruduzindo o set de filmagem do longa. Ganhador de 6 prêmios Goya (entre eles filme, diretor, ator e atriz), o filme pela pela caretice narrativa. Mas confesso que a única lembrança que terei do filme, é testemunhar o quanto o ator Jorge Sanz envelheceu. Outrora um sex symbol, agora ficou um quase cinquentão sem charme.
A mensagem do filme é "Viva sua vida sem medos, viva seu sonho". Faltou um resultado que deslumbrasse essa mensagem com mais vivacidade e brilho. Longo e arrastado, perdeu a chance de fazer um drama poderoso sobre fã e objeto de culto.
O Título do filme se refere a uma frase da canção "Strawberry fields forever". A curiosidade é que depois do encontro de Antonio com Lennon, todos os discos dos The Beatles vieram com as letras inclusas em encartes.
Nota: 5
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Matadouro Cinco
"Slaughterhouse-Five", de George Roy Hill (1972)
Esse clássico cult é de 1972 e há muito tempo eu quiz vê-lo, mas somente agora o consegui. Baseado na obra do escritor americano Kurt Vonnegut, o filme ganhou merecidamente o Grande Prêmio do Juri em Cannes 72. É um filme que definitivamente reinventou a linguagem cinematográfica na época, e inclusive a sua montagem, mesmo pros padrões de hoje em dia, é ousadíssima. Misturando época e a ordem cronológica, o filme é um inteligente e hermético exercício de desprendimento de construção narrativa. É como se George Roy Hill dissesse ao editor: "esqueca tudo o que você entende de montagem e faça como eu quero".
É um filme muito complexo em sua lógica, e tentar entendê-lo é um grande desafio. Basicamente, o filme narra a história de Billy Pilgrim, um soldado que nao quer lutar na 2a Guerra porquê não quer matar ninguém. Ele é um assistente de um Capelão. Porém, junto com outros soldados americanos, é feito prisioneiro pelos soldados alemães e levados até a cidade de Dresden, na Alemanha. Eles são confinados no Matadouro 5 ( daí o título do filme) e presenciam o bombardeio da cidade pelos aliados, com um total de mais de 100 mil mortos. Pilgrim é levado de volta para os estados Unidos, onde se casa com uma mulher, filha de um empresário do ramo de óculos. A mulher dele morre após tentar descobrir o paradeiro do corpo de Pilgrim, que sofrera um acidente de avião. Muitas cosias acontecem até que Pilgrim é abduzido por alienigenas que o levam até o Planeta Tralfamadore, onde ele é obrigado a se acasalar com uma atriz pornô também abduzida.
Como se vê, a história realmente não é nada convencional. O próprio autor do livro, Kurt Vonnegut, faz de Pilgrim o seu alter-ego, uma vez que ele próprio testemunhou o bombardeio em Dresden. Ele escreveu esse livro como uma forma de exorcizar sus fantasmas de guerra.
O filme foi rodado em Praga e nos Eua e as locações são muito bonitas. A direção de Roy Hill, autor de "Butch Cassidy e Sundance Kid" e do igualmente bizarro "O mundo segundo Garp", faz aqui um brilhante exercício de estilo e de edição. Fico imaginando o quanto a platéia da época deva ter desprezado esse filme. Fosse um filme de um Cineasta europeu, como Godard e Truffaut, hoje em dia seria considerado uma obra-prima.
Um filme realmente ousado pros padrões da época, e que vale a pena ser descoberto. Não perdeu nada com o tempo. ( Afora a questão maquiagem e efeitos especiais)
Nota: 7
sábado, 17 de maio de 2014
Ex baterista
"Ex drummer", de Koen Mortier (2007)
Filme belga, adaptado do livro do escritor excêntrico Herman Brusselmans. É difícil classificar um filme onde você tem Fetiches (incesto, menage a trois) , extrema violência, sexo explícito, humor negro, musical punk rock, anarquia, estupros, assassinatos, homofobia, sadomasoquismo e outras loucuras desenfreadas. O filme narra a história de 3 músicos deficientes: um tem um braço direito imobilizado porquê quando adolescente sua mãe o flagrou se masturbando e desde então criou um trauma, assim como sua mãe ficou careca nesse mesmo evento; um outro é meio surdo, é drogado e maltrata sua esposa na frente de sua filha pequena, além de cheirar o tempo todo com a mulher; o terceiro é um careca punk que estupra e assassina mulheres. Juntos, os 3 convidam um famoso escritor para ser o baterista do grupo, pelo simples fato de terem lido num jornal que ele adoraria tocar bateria. O escritor, que não sabe tocar bateria, aceita o convite, mas com a intenção de se aproveitar da história desses 3 párias para escrever seu próximo livro. Assim, ele os maltrata e provoca neles reações que transformarão a vida de todos num verdadeiro inferno. O filme é muito bizarro, e definitivamente não é para todos s gostos. O início, todo filmado de trás pra frente, é brilhante, assim como o desfecho, onde rolam vários assassinatos em formato de clip. Os mortos dando depoimentos é genial.
O filme é uma espécie de "Transpotting" elevado ao cubo. Sujo, feio, mórbido, sórdido e muito punk, em todos os sentidos.
Nota: 6
23 segundos
"23 segundos", de Dimitry Rudakov (2013)
Drama uruguaio de baixo orçamento, que narra a história de Emiliano, um homem com problemas mentais, que trabalha como limpador de para-brisas nas ruas de Montevideo. Emiliano sonha em ter uma namorada para poder trabalhar em uma oficina, pois ser casado é uma das condições para poder trabalhar lá. Um dia, em seu caminho cruza Carina, uma corretora que leva um tiro durante um assalto num sinal. Emiliano fica na dúvida entre levá-la ao hospital ou para sua casa. O filme tem um roteiro que trabalha com coincidências, e isso atrapalha a narrativa, pois torna a trama inverossímel. Os personagens são rasos, e o trabalho de corpo de Hugo Piccinini, fazendo o portador de doença mental, incomoda pelo excesso de trejeitos. Mas admiro a destreza do diretor do filme, que mesmo limitado pelo orçamento baixo do filme, tentou fazer um filme que falasse ao coração. Tem umas cenas bonitas, como a que Emiliano e uma outra personagem correm pelas ruas de Montevideo. De resto, é ver um filme honesto, com pequenas falhas, mas desculpáveis pela pouca cinematografia do País. A destacar a boa trilha sonora.
Nota: 6
Assinar:
Postagens (Atom)



















