quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Cara de barro

"Clayface", de James Watkins (2026) Surgido em 1940, Cara de barro foi criado por Bob Kane para ser um dos vilões que lutavam contra Batman. Desde que a Dc lançou "Coringa", a lista de anti-heróis só aumenta. São vilões humanizados, que trazem a sua origem em personagens que buscam vingança por algum crime cometido contra eles. "Cara de barro" lembra demais os cults "Darkman, vingança sem rosto", de Sam Raimi, "A mosca", de David Cronemberg e "A substância", de Coralie Fargeat. A moda do Body horror, que veio com tudo nos últimos anos, traz referências aos filmes de horror dos anos 80, com efeitos práticos. Matt Hagen (Tom Rhys Harries) é um astro de Hollywood. Durante uma noite em uma balada, ele conhece Mia Torrez, uma atriz sedutora. Eles passam a noite juntos. Só que Matt não podia esperar que ela fosse amante do mafioso e chefão do crime Szabo. O bandido manda seus capangas desfigurarem o rosto de Matt, para destruir a sua carreira artística. Matt vao ao hospital e fica com o rosto destruído. Ele busca ajuda na cientista Dra. Caitlyn Corr (Naomie Ackie), que faz estudo para reconstrução do tecido cutâneo. Matt ressusrge com o rosto, mas decsobre que o líquido que ele injeta tem um efeito temporário. Matt decide se vingar de todos que destruíram a sua vida. Diversos críticos detonaram o filme. Eu gostei bastante. Trazendo elementos narrativos de filmes de terror, "Cara de barro" é violento e tem muitas cenas de gore. É um filme adulto da Dc, uma aposta que eu curti muito. O roteiro é co-escrito pelo cineasta Mike Flanagan.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Deformelody: An American Nightmare

"Deformelody: An American Nightmare", de Joshua Rivera (2025) Escrito, dirigido e protagonizado por Josué Rivera, "Deformelody: an american nightmare" é um terror de baixíssimo orçamento, realizado apenas com 2 pessoas na equpe técnica: além de Rivera, a fotógrafa e câmera Genevieve Velez. O filme é abusurdamente ruim, todo narrado em 1a pessoa, e com inacreditáveis 155 minutos de duração. Com uma narraiva que traz experimentalismo na linguagem, "Deformelody" tem na sua base, o clássico "American psycho", de Bret Easton Ellis. O Assassino (Rivera), é um homem aficionado por filmes, e obcecado por "American psycho". ele decide sair nas ruas de Los Angeles e sair matando mulheres, sem qualquer remorso. Existe uma obra-prima do terror austríaco, "Angústia", de Gerald Kargl, que é todo narrado em 1a pessoa, e o espectador entende a mente perturbada de seu protagonista assassino. Infelizmente, 'Deformelody" não chega ao nível de psicopatia assustadora. É trash, as mortes são mal produzidas, o elenco é fraco e não oferece qualquer tipo de tensão. É cansativo, entediante e um caso de egocentrismo do seu realizador.

Fragmentos

"Fragmentos", de Horacio Alcala (2025) E se a grande comédia de sucesso "O convite", de Olivia Wilde, fosse um drama romântico"? O drama espanhol dirigido por Horacio Alcala, com roteiro de Frank Ariza, podeia ser essa possibilidade. Um casal na faixa dos 35 anos, juntos há 10, estão em um momento crítico no relacionamento. Diego e Alba decidem passar as ferias em Lanzarote, para assim, tentar salvar o casamento. Lá, conhecem Irene e Ben, um casal mais velho que está planejando o casamento e administra o lugar onde estão hospedados. Todos têm seus problemas, e juntos, tentarão reinventar as suas histórias. Eu queria ter gostado do filme. Belamente fotografado, com lindas locações e bons atores. Manu Vega é um ator bem bonito e está bem sensual em cenas onde se expõe semi-nu. Algumas cena snoturnas no parque de diversões trazem romantismo. Mas é pouco para manter o interesse em uma história sem novidades.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

El diablo fuma

"El diablo fuma", de Ernesto Martínez Bucio (2025) Co-escrito e dirigido por Ernesto Martínez Bucio, o premiado drama experimental "El diablo fuma" venceu no Festival de Berlim 2025 o prêmio Winner Perspectives Award Best First Feature. O filme é uma produção mexicana que trata do tema do abandono familiar. Assim como os clássicos "Todas as noite às nove", de Jack Clayton, e "Ninguém pode saber", de Hirokazu Koreeda, as crianças são abandonadas pelos pais e precisam se virar para sobreviver, s etrancando em casa e se isolando do mundo externo. A diferença é que aqui, existe a personagem da avó esquizofrênica, que tranca os 5 irmãos, entre 7 a 14 anos, em casa. Nos anos 90, uma enfermeira, Judith (Micaela Gramajo), casada com Emiliano (Bernardo Gamboa), sai de casa e não reorna mais. Emiliano sai à sua procura e também não retorna. Os cinco filhos Elsa (Mariapau Bravo Aviña), Tomás (Rafael Nieto Martínez), Marisol (Regina Alejandra), Victor (Donovan Said Martínez) e Vanessa (Laura Uribe) ficam sozinhos na casa da avó (Carmen Ramos), uma mulher esquizofrênica. Ela acredita que o Diabo os ronda. Enquanto isos, o México se prepara para a 2a vinda do Papa João Paulo II. Com uma narrativa que beira o experimental e o fantástico, 'El Diablo fuma" tem um olhar documental, com planos contemplativos, minimalistas. O filme flerta com um suspense psicológico, mas não se define como um gênero específico. É um filme lento, confuso, mas com boas performances das crianças e da atriz que interpreta a avó.

Hasta los dientes

"Hasta los dientes", de Alberto Arnaut Estrada (2018) Melhor documentário no Ariel awards em 2018, "Hasta los dientes" traz uma trágica história real ocorrido no México, envolvendo a violência do exército e do narcotráfico contra dois estudantes inocentes. No dia 19 de março de 2010, Javier Francisco Arredondo Verdugo e Jorge Antonio Mercado Alonso foram barbaamente assassinados a tiros por soldados do exército, dentro do campus aonde estudavam, no Tec Monterrey. Eles foram confundidos com criminosos que fugiam do exército nos arredores. Os soldados confundiram os dois rapazes com os criminosos e os mataram. Ao perceberem o erro, alegaram que os dois jovens estavaam "armados até os dentes", e por anos, foram dados como criminosos. O filme traz depoimentos de amigos, familiares, professores, falando sobre os sonhos dos rapazes e de como eram bons e estudiosos. Testemunhas gravaram imagens que são utilizadas no filme, apresentando os rapazes correndo dentro da área estudantil. Um relato trágico, de pessoas no lugar e na hora errada, e que somente anos depois, tiveram a sua honra recuperada.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Se eu fosse você 3

"Se eu fosse você 3", de Anita Barbosa (2026) 20 anos depois do filme original, e 17 anos depois da continuação, ambas enorme sucesso de bilheteria e dirigidas por Daniel Filho, a franquia "Se eu fosse você" surge com a parte 3, agora dirigido por Anita Barbosa e roteiro de Leandro Soares. O sucesso da marca foi tão grande, que surgiu inclusive uma série, protagnizada por Heitor Martinez e Paloma Duarte. Gloria Pies e Tony Ramos fazem uma breve participação como Helena e Claudio. Eles decidem viajar para uma 2a lua de mel e vão para a China. Bia (Cleo Pires), a filha do casal, é uma chef de cozinha renomada. Seu marido Aquiles (Rafael Infante) é um guia turístico do parque dos dinossauros em Miguel Pereira. O casal tem uma filha adolescente, Maria Clara (Valentina Daniel). Bia é insegura. Aquiles é valentão. Aquiles deseja ter mais um flho, e Bia reage mal, ela se contenta em ter Maria Clara e alega falta de tempo para cuidar de mais um filho. Durante uma discussão, os dois trocam de corpo. Agora a Chef Bia, com corpo trocado, precisa atednder 2 rigorosos críticos gastronômicos. E Aquiles/Bia, precisa participar de um campeonato de guias turísticos no parque. Os 4 atores principais estão bem em seus papéis, são atores já consagrados na comédia romântica. Quem me chamou atenção mesmo foi a atriz japonesa Yohama Eshima, que interpreta a personagem Jade, a su Chef e melhor amiga de Bia. Dosando na medida certa, ela faz crescer a cena toda a vez que aparece. O filme tem muitas participações especiais, como Rosi Campos, Paulo Rocha, Pia Manfroni.

Once Upon a Time in the Middle East

"Huan ying lai Long can guan", de Muye Wen (2026) Co-escrito e dirigido por Muye Wen, "Once upon a time in the middle east" é uma superprodução chinesa, um grande sucesso de crítica e de bilheteria. O filme foi selecionado pela China para representar o país à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2027. O filme incialmente seria filmado no Oriente médio, mas devido a questões de segurança, foi filmado na China, com uma gigantesca cidade cenográfica construída, reproduzindo um país do Oriente médio que contextualizasse a guerra do Iraque, em 2003. A inspiração do diretor Muye Wen foram os relatos de chines que foram para o Iraque administrar e cozinar em restaurantes chineses durante a invasão do país. O super astro chinês Shen Teng interpreta Xu Fu. Endividado, ele deixa sua filha e sua mãe na China, e parte para a fictçiia cidade de Bahata, no oridnte médio, com o propósito de ser chef e enviar dinheiro para casa. A idéia é permanecer por dois anos até poder ganhar dinheiro suficiente e retornar para a China. Ele vai trabalhar no restaurante chinês chamado Loong, administrado por Zaid, casado e com filha doente. EXu Fu fica amigo de Ma, um chinês casado com Lina, uma local que comanda um orfanato de crianças árabes. Quando a tropa americana chega, bombardeiam o orfanato. As crianças são acolhidas no restaurante, entre elas, Seif, um menino rebelde, que toma gosto em aprender a cozinhar. Outro bombardeio acaba matando a esposa e filha de Zaid, que desaparece e retorn agora como um terroista, disposto a eliminar a tropa americana. Xu Fu, Ma e Seif são confundidos pelos americanos como terroristas, e acabam presos no quartel. Fiquei impressionado com o investimento feito para o filme: muita figuração, elenco numeroso, muitos efeitos, cenas de explosão e tiroteio. O filme é um épico molodramático, e ems eu desfecho, é impossível não chorar. O roteiro traz inúmeras reviravoltas, fazendo com que a duração se alongue em quase 150 minutos. Os atores são todos excelentes, trazendo emoção e carisma.

Ghosthouse: A Casa do Horror

"La casa 3", de Umberto Lenzi (1988) Umberto Lenzi foi um prolífico cineasta italiano, dirigindo mais de 60 filmes de baixo orçamento, abraçando todos os gêneros comerciais: giallio, faroeste, filmes de guerra, comédia, filmes de zumbi, ficção científica. entre seus filmes mais famosos, estão "A cidade dos zumbis", Canibal ferox", "Sete orquídeas manchadas de sangue". "Ghosthouse- A casa do horror" é um terror slasher que vem na carona de "Evil dead" e de "Poltergeist", copiando diversas cenas dos filmes. A picaretagem dos produtores começou no título original: na Itália, 'Evild ead" e "Evil dead 2" se chamaram "La casa" e "La casa 2". Porquê não chamar o filme então de "La casa 3"? O filme acabou se tornando um grande sucesso comercial. A crítica acabou com o filme, mas visto hoje, é uma diversão maravilhosa para quem curte terror italiano dos anos 80, com mortes criativas e efeitos práticos sensacionais. Em uma das mortes, uma guilhotina surge do nada e corta uma jovem ao meio. Boneco assassino, menina fantasma, morto vivo, serial killer...tem de tudo nessa salada de tipos malvados que só querem matar uns jovens desavisados. No prólogo, ambientado nos anos 60, um homem gerencia uma funerária, e rouba os pertences dos mortos. Ele rouba um boneco de palhaço e o dá para sua filha, sem saber que o boneco é amaldiçoado. A menina mata os pais. 20 anos depois, um casal morador de Massachussetes vai até a mansão em busca de sons estranhos captados pelo rapaz. Chegando lá, são recebidos por um zelador mau encarado. Eles decidem entrar escondidos e encontram 3 irmãos e a namorada de um deles bisbilhotando a casa. Prato cheio para a menina e o boneco assassino. Filme ruim com péssimas atuações e roteiro toscos, é a alegria de fãs de terror trash. Aqui tudo é diversão garantida. Uma mansão fantasma, um trailer que sacode, objetos que voam (incluindo um boneco do Mickey).

Yellow letters

"Gelbe Briefe", de Ilker Çatak (2026) Co-escrito e dirigido por Ilker Çatak, "Yellow letters" ganhou o Urso de ouro de melhor filme no Festival de Berlim 2026 e foi indicado pela Alemanha à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. O filme é um drama político se passa na Turquia e envolve uma família de 3 pessoas: a mãe, Derya (Özgü Namal), uma atriz de teatro de prestígio; o pai, Aziz (Tansu Biçer), é professor universitário e escreve os textos das peças da Cia onde sua esposa trabalha. A filha adolescente Ezgi (Leyla Smyrna Cabas) deseja ser musicista. Quando Aziz estimula seus alunos a participarem de manifestações contra o governo, a vida do casal degringola: Aziz é repreendido e é demitido. Derya te a peça censurada pelos políticiso, que obrigam a Cia a performar uma peça sem viés político. Ao se recusar, Derya é demitida da CIA. Sem dinheiro e com dívidas, a familia vai morar na casa da mãe de Aziz, que fica de outra cidade. Aziz, sem emprego, aceita trabalhar como taxista, e Derya aceita trabalhar em uma série de tv comercial, um perfil de trabalho artístico que ela sempre rejeitou. Um excelente filme sustentado por um roteiro provocativo, que enaltece o trabalho dos artistas. A performance de todo o elenco é formidável, com destaque para os atores Tansu Biçer e Özgü Namal, comoventes em camadas emocionais que vão do rama ao fino humor.

domingo, 18 de outubro de 2026

Três vezes adeus

"Tre ciotole", de Isabel Coixet (2025) Baseado no romance homônimo de Michela Murgia, livremente inspirado em sua própria história. Michela, que descobriu estar com câncer renal, acabou falecendo aos 51 anos, em 2023. O filme concorreu em importantes festivais, como David di Donatello, Valadollid, Miami e Beijing. A roteirista e cineasta espanhola Isabel Coixet é conhecida pelos sucessos "Minha vida sme mim", " A livraria", "A vida secreta das palavras". Isabel retorna ao mesmo tema de "Minha vida sem mim": uma mulher que descobre estar com câncer terminal e que precisa reavaliar sua vida e escolhas. O filme é co-produzido por Espanha e Itália. Marta (Alba Rohrwacher) e Antonio (Elio Germano). são casados. Ela é professora de ginástica em uma ecsola, e ele, chef de um restaurante. Após uma discussão, Antonio decide romper o relacionamento. Marta passa a ter reações alimentares, como falta de apetite. Sua irmã sugere que ela visite um gastro, e acaba descobrindo que está com metástase. O filme tem uma trama narrada em estilo naturalista, quase documental. Alba Rohrwacher é uma atriz fantástica e toda a tragetória de sua personagem é apresentada de forma contida, sem exageros emocionais. A fotografia, de Guido Michelotti, traz cores vibrantes para as diurnas, e frias para as noturnas. Eu adoro histórias de pessoas com doenças terminais, mas Isabel explora de forma contida, sem extrapolar no melodrama.

Magid Zafar

"Magid Zafar", de Luís Hindman (2025) Melhor curta no British Independent Film Awards 2025, "Magid Zafar" é um premiado drama queer inglês, co-escrito e dirigido por Luís Hindman. A história acontece toda em um restaurante paquistanês em Londres, administrado pelo tio de Magid (Eben Figueiredo), que trabalha na cozinha. Magid está prestes a se casar com uma jovem. Mas nessa noite, seu amigo de infância e amante Zafar (Gurjeet Singh) o procura desesperado, ao saber que Magid irá se casar. Rodado em 16 mm, "Magid Zafar" traz uma edição clipada e caótica, que intensifica a tensão na cozinha repleta de pedidos e também no confilto entre os amantes, que precisam expôr seu amor em um ambiente aonde não podem revelar que são gays. Um filme que traz a globalização cultural em Londres, através de cores fortes, em um ambiente claustrofóbico.

Tenzing

"Tenzing", de Jennifer Peedom (2026) Cinebiografia dos primeiros homens a escalarem o Monte Everest, o neozelandês Edmund Hillary (Tom Hiddleston) e seu guia alpinista sherpa (grupo étnico originário das regiões montanhosas do Nepal, Himalaia e Tibete), Tenzing Norgay (Genden Phuntsok). A história ocidental ignorou o feito de Tenzing e celebrou Edmund, por conta de xenofobia e colonialismo. O filme, co-escrito e dirigido por Jennifer Peedom, procura revisitar a história e dar créditos também a Tenzing, sem o qual, Edmund não teria chegado ao cume do Everest. Nos créditos finais, é dito que Tenzing foi visitar Edmund na Nova Zelândia e se tornaram amigos por toda a vida. Logo no início, surge a informação que desde o ano de 1921, diversas expedições tentaram chegar ao cume do everest, sem sucesso. Esse feito só foi possível em 29 de maio de 1953. O filme mostra a infância de Tenzing, que sempre sonhou em chegar ao cume do Everest. Ja adulto, casado e com filhas, ele é convocado pela expedição convocada pelo líder John Hunt (Willen Dafoe), de onde Edmund faz parte. Durante toda. atravessia, o filme intercala com flashbacks da infância e judentude de Tenzing. O filme obviamente, traz belíssimas imagens, fotografadas com esmero por Stefan Duscio, em locações filmadas no Nepal, no Everest e na Nova Zelândia. As filmagens devem ter sido bem complezas. A reconstituição de época é excelente, com atenção ao figurino e maquiagem e direção de arte. os atores cumprem bem seus papéis e se esforçam fisicamente em cenas que exigem força física. O que prejudica a história, é a edição e o roteiro, com os cortes para diversos flashbacks, em momentos de suspense e de tensão, durante a escalada do monte.

Caterpillar

"Caterpillar", de Chelsie Preston Crayford (2026) Para quem ama histórias sobre idosas com Alzheimer, saibam que "Caterpillar" irá garantir litros de lágrimas. Escrito e dirigido por Chelsie Preston Crayford, "Caterpillar" é um drama ingl6es indicado a melhor atriz e atriz coadjuvante no New Zealand screen awards. Através de 3 mulheres de 3 gerações diferentes de uma mesma família, o filme apresenta a luta por espaços no mercado das artes, seja na atuação, no cinema, envolvendo mulheres independentes e fortes, ambientada em Poneke, Weelington, 2003. Maxine (Marta Dusseldorp) é uma mãe solteira que quer se tornar uma cineasta e para isso, precisa fazer as pessoas acreditarem em seu potencial para financiar seu projeto. Sua filha adolescente Cassie (Anais Shand) quer se tornar uma atriz e enfrenta as adversidades dos testes de elenco e da baixa auto estima em relacionamentos. A vó, Huia (Lisa Harrow), começa a desenvolver sinais de Alzheimer. Huia, depois que ficou viúva, ficou obcecada em criar lagartas em seu jardim. O drama traz ótimas performances e cenas comoventes, aparadas pela sutileza na direção, que evita extrapola no sentimentalismo. O filme traz clichês, comoa. fuga do hospital, mas ainda assim, o talento das atrizes permite que as situações se tornem críveis e emocionantes. O final é arrebatador e poético.

Eu não consigo fazer sexo

"No puedo tener sexo", de Bel Gatti (2024) Escrito e dirigido por Bel Gatti, "eu não consigo fazer s3x0" é o exemplo do cinema possível, feito sem dinheiro. O documentário é todo realizado com self, gravado pelo celular da jovem argentina não binária. O filme parte de uma premissa inusitada: após sair de uma terapia com sua piscóloga, onde reveleu que não consegue fazer s3x0 há.4 anos, Gatti decidiu fazer de si um manifesto. Através dos self, ela se expõe, em conversas sobre sexualidade com sua mãe e sua avó. A mãe é uma mulher na faixa dos 40 anos liberal, e que no final do filme, faz cenas de s3x0 com o namorado, dirigido por Gatti. Com perguntas como "o que é a vida real, o que a diferencia da ficção se a ficção se desenrola em tempo real e com os corpos dos atores, e o que é o desejo?", Gatti provoca e se apresenta em facetas distintas, inclusive, como Drag King. Eu achei o filme bem monótono e a super exposição de Gatti não me fez interessar pela sua história. Mas certamente, o filme irá atrair mais a atenção da geração Z e Alfa, que entenderá que poderá fazer filmes se expondo para o mundo, com suas inquietações e exposição.

Girl house

"Girl house", de Jon Knautz e Trevor Matthews (2024) Me lembrei muito da premisssa do clássico "Noite do terror", com Margot Kidder, de 1974. No filme, que antecedeu a obra-prima "Halloween", um serial killer invade uma irmandade e assassina as garotas que moram ali. Em "Girl house", um slasher canadense de 2024, um serial killer chamado "Loverboy" invade uma mansão onde diversas garotas trabalham como cam girls. Durante uma sessão, Loverboy foi desprezado pelas garotas e decide se vingar. Enquanto isso, um dos clientes online, o adolescente Ben, ao testamunhar uma das garotas sendo assassinada, procura avisar a polícia, mas o problema é que a mansão tem endereço anônimo e ele precisa chegar a tempo antes que Kylie, a jovem universitária por quem ele se apaixonou, seja assassinada. Para quem curt um slasher, "Girl house" traz boas mortes, incluindo uma no prólogo, que envolve uma cr14nça. O filme não tem pudor e sai assassinando a sangue frio. A matança demora a acontecer, e o roteiro traz situações ridículas comuns a esse gênero, com decisões irritantes. Mas pelo menos, e agradeço muito a isso, não dá margem a continuações.

sábado, 17 de outubro de 2026

Don't move

"Don't move", de Maclain Nelson (2026) Adaptação do romance best seller escrito por ames S. Murray , "Don't move" pega carona nos recentes filmes protagonizados por aranhas assassinas, como "Infestados", "Sting", "Crawlers", entre outros. Um gênero já saturado ( os filmes de tubarão, pelo menos, entraram na onda do trash e divertem). Aqui, o roteiro traz a irritante demanda onde o terror é utilizado para curar traumas: Megan (Lyndsy Fonseca) é uma mulher que perdeu seu filho e seu marido em um incêndio em um parque de diversões. Um ano depois, ela trabalha em uma igreja. ela decide participar de um camping com o Pastor Rizzo (Tom Cavanagh), sua filha Emma, o namorado dela Ryan, o motorista do ônibus Ricky e uma família negra, avós e neto. Só que o local aonde acampam, abriga uma aranha gigante, que passa a devorar um a um. Um misto de terror trash e filme de sobrevivência, "Don't move" ainda rouba o mote de "Um lugar silencioso": a aranha ataca por conta de vibrações, portanto, ninguém pode se mexer. Os efeitos são ruins, a aranha só aparece em quase 50 minutos de filme, os personagens são irritantes e o desfecho dá gancho para uma continuação.

Social Media Killed the Movie Star

"Social Media Killed the Movie Star", de Kjersti Flaa (2026) PArafraseando a famosa música de 1979, "Radio killed the video star", do The Buggles, "Social Media Killed the Movie Star" é um documentário escrito e dirigido pela jornalista Kjersti Flaa. Entrevistando uma lista enorme de estrelas de Hollywood, ela traz um olhar sobre a importância da mídia social para o sucesso dos atores. O filme compara a relação praticamente intocável dos astros do século passado e da era pré rede social, com a super exposição dos dias atuais. O ator que não engaja, não posta, não se comunica com seus fãs, morre na praia: os filmes fracassam, a visbilidade desaparece. Nicole Kidman, Tom Holland, Demi Lovato, Dwayne Johnson, Sandra Bullocok, Brad Pitt, Julia Roberts, Jennifer Aniston, Ben Afleck, resse Winterspoon e uma infinidade de estrelas dão depoimentos, onde dizem sobre a necessidade de postarem vídeos, a rotina, para que os fãs se sintam servidos e alimentados. A busca desenfreada por seguidores, a fama em Hollywood mudou. Hoje em dia, atores sem angajamento e sem uma quantidade considerável de seguidores, não são convocados para projetos. Muitos dizem sobre o cansaço de serem obeigados a posaterm sempre conteúdo, e que a rede social sobstitui os profissionais contratados para engajamento. Um filme importante e necessário para todos que devem entende como funciona a regra do jogo dos dias atuais.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Where is my love

"Qiangpo baoguang", de Jo-Fei Chen (1996) Escrito e dirigido por Jo-Fei Chen, "Where is my love" é um drama queer de Taiwan. Os críticos compararam o estilo narrativo do filme às filmografias de Edward Yang e Hou Shiao Hsien, pelo uso de silêncios na narrativa e a visão extremamente autoral. Ko (Jyi-Shin Uen) escreveu um livro sobre sua homossexualidade, e sua professora quer que ele o inscreva em um importante concurso que ela tem certeza que ele pode vencer. Mas Ko, que é enrustido, teme que sua família e conhecidos saimbam de sua homossexualidade, e não está certo se deve sair do armário. Durante pegação nas ruas, Ko conhece Pierre, e o leva para casa, onde passam uma noite juntos. O filme foi lançado em 1996, um período conturbado para um país conservador e homofóbico (o casamento entre pessoas do mesmo gênero só foi legalizado em 2019). O roteiro é ousado ao apresentar cenas de pegação e de s3x0, trazendo de forma intimista o dilema de um protagonista gay.

Dentro da baleia

"Whalefall", de Brian Duffield (2026) Filmes de sobrevivência geralmente recorrem ao mesmo clichê: durante a convalescença, o protagonista relembra de fatos marcantes de seu passado, principalmente os momentos traumáticos ou de rompimento com algum parente, e que gera arrependimentos. e claro, é justamente esse peido de perdão que fortalece o pobre coitado que não consegue escapar ao seu infortúnio aparentemente destinado a um fim trágico. Foi assim em "127 horas", "A perseguição", "Coração selvagem", e na maior de todas as referências, "Pinóquio". Me deparei o filme todo me lembrando do clássico da fantasia e ficção cinetífica, Viagem fantástica", quando um grupo de cientistas se minituarizam e entram no corpo humano. Pois "Dentro da baleia" me fez sentir omemso: suco gástrico, estômago, alimentos digeridos, etc. Como escapar dos perigos que existem dentro de um organismo vivo? O filme tem 1L46 hrs, mas o protagonista Jay Gardiner (Austin Abrams, o azarado da vez: seu personagem lembra muito o de "Resident evil", ambos lutam para sobreviver) só é devorado em quase meia hora de filme. Ele é um universitário que rompeu ligações com seu pai (Josh Brolin), que se suicida e se lança ao mar. Sua mãe (Elisabeth Shue) convova a família para o velório, mas o filho, que é um mergulhador, decide ir em busca do corpo. É aí que ele é devorado por uma cachalote, e tem 1 hora de oxigênio. O filme é um parque de diversões. Pensei que iria curtir mais, mas os efeitos me pareceram muito cenográficos demais. O que vale a pena, é a performance de Austin Abrams. E no final, o filme existe memso para apresentar um melodrama sobre culpa e perdão.

Sunny dancer

"Sunny dancer", de George Jaques (2026) Escrito e dirigido por George Jaques, "Sunny dancer" é um drama coming of age rodado em Loch Lommond, Escócia. O filme é do sub-gênero de adolescentes que estão com doença terminal, e eu amo ver esse tipo de narrativa. Para quem amou "A culpa é das estrelas", certamente irá amar 'Sunny dancer". Liderado por Bella Ramsey (protagonista da série de zumbis "The last of us"), o filme traz Ivy, uma jovem que teve leucemia e agora, está há 10 meses em remissão. mas a doença transformou Ivy: ela deixou de ter amigos, se tornou solitária e triste. Ivy não quer ficar marcada como uma jovem com câncer. mas seus pais, Bob (James Norton) e Karen (Jessica Gunning) decidem inscrevê-la em um acampamento voltado para adolescentes com câncer, e assim, esperam que ela encontre jovens como ela e volte a se socializar. Ivy vai contra a sua vontade. O acampamento é liderado por Patrick (Neil Patrick Harris), que teve um filho que morreu de câncer. Ivy aos poucos vai se enturmando com Maisie, Archie, Ralph, Ella e Jake (Daniel Quinn Doyle), por quem acaba se apaixonando. Todos convivem sob o fantasma da morte. O filme concorreu no Festival de Berlim 2026, na mostra generations. A trilha sonora traz clássicos pop: "I don't feel like dancing", "Dreams" e "Youré beautiful", com James Blunt em uma participação especial. Uma história delicada, com ótimas performances, que traz drama, humor e romance.