quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Marionete


"Marionette", de Elbert van Strien (2021)
Drama de suspense psicológico dirigido pelo cineasta holandês Elbert van Strien, que também co-escreveu o roteiro. O filme tem uma trama que lembra muito "Calmaria", com Matthew Macnaughney. Uma psicóloga infantil, Marianna (Thekla Reuten) se muda dos Estados Unidos para a Escócia para trabalhar em uma clínica para crianças problemáticas. Marianna tem um passado traumático, e substitui um psicólogo que se matou ali na clínica. Marianna vai cuidar do paciente Manny (Elijah Wolf), um menino de 10 anos que diz ter o poder de controlar a mente de Marianna. Ela se assusta com os desenhos que ele cria, prevendo o futuro.
O filme é longo, arrastado e o suspense não é o suficiente para deixar o espectador preso na cadeira querendo saber o seu desfecho. Desde cedo a gente desconfia de alguns personagens e acaba sendo aquilo mesmo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Tyler


"Tyler", de Joel Junior (2021)
Premiado curta LGBTQIAP+ americano, traz um delicado tema tratado com seriedade e respeito: Tyler é um menino de 9 anos que, durante um lanche com o seu irmão mais velho, revela que está apaixonado por alguém...do mesmo sexo. Para surpresa de Daniel, seu irmão, que diz que Tyler é muito pequeno para se descobrir homossexual. A partir daí, o filme segue uma discussão acerca de orientação sexual, que inclui a entrada em cena de uma garçonete que defende Tyler.
Com ótima performance do pequeno Caden Andrews como Tyler, o filme, apesar de parecer didático, traz um debate importante para os núcleos familiares, de forma sadia e respeitosa.

Zelig


"Zelig", de Woody Allen (1983)
É impressionante rever a obra-prima "Zelig", de 1983, e vencedor de diversos prêmios, nos dias de hoje, de culto às celebridades e de neutralidade nas opiniões. Woody Allen apresenta Leonard Zelig, um homem que no século XX, nos anos 20, se tornou o que a mídia da época chamou de Ö homem camaleão": ele consegue se transformar fisicamente, incluindo cor da pele e feições étnicas, no grupo ao qual se encontra no momento, adquirindo não somente as características físicas, mas também, intelectuais. Nessa necessidade de querer ser aceito pelos grupos, Zelig apresenta nas sessões de hipnose que faz com a psiquiatra Eudora Fletcher (Mia Farrow), um relato cômico mas dramático sobre a violência familiar, onde todos batiam em todos e não havia amor. Farrow interpreta uma personagem que busca fama e reconhecimento na pesquisa sobre esse homem camaleão. E por pouco, Zelig não é cancelado.
Com um trabalho técnico extraordinário, que mais de uma década depois seria copiada em "Forrest Gump", o filme traz fotografia, edição e uma narrativa de mockmentary brilhantes. O fotógrafo Gordon Willis foi indicado ao Oscar pela sua excelência na fotografia, usando equipamentos de luz de época.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Alirón


"Alirón", de Adrià Llauró (2019)

Divertido curta LGBTQIAP+ espanhol, sobre dois amigos heteros que se encontram no apartamento de um deles para assistir a um jogo de futebol. O filme apresenta todos aqueles clichês de discurso machista que acontece durante a partida: falar de mulheres gostosas, beber cerveja e babar, pegar nas pernas do amigo quando um lance tenso acontece no jogo, assistir o jogo sem camisa...mas e se tudo isso vier com tensão sexual represada? Cada um desses momentos vira uma tortura. Assim acontece com Fran (Adrián Expósito) e Marc (Eudald Font), em duas performances divertidas em um filme de apenas 7 minutos, mas cheio de graça e esperteza do que muito filme por aí. Repleto de homoerotismo e sensualidade, um filme que certamente fará os amigos racharem de rir com as possibilidades e tentações.

(AB)Normal

 


"(AB)Normal", de Miguel Parra (2021)
Ótimo curta LGBTQIAP+ espanhol, escrito e dirigido pelo jornalista Miguel Parra. Nesse filme, ele decidiu trazer uma importante mensagem para os dias atuais: "O que e ser normal?".
Partindo desse ponto de vista de que a pessoa é anormal diante de olhos dos outros, Parra localiza o seu filme dentro de um vestiário masculino. 4 homens se encontram ali: um advogado homem trans; dois homens machistas e homofóbicos que se revelam praticantes de bondage; e um homem surdoo que fica nú no vestiário e que se torna motivo de uma enorme discussão acerca de masculinidade e direito sobre a vida privada.
O filme tem bons atores e é bastante ousado na sua proposta, trazendo cenas de nudez e situações tabus.

Take him, note me


"Take him, note me", de Bree Mills (2021)
A produtora independente americana Disruptive films resolveu investir em qualidade para os seus filmes gays eróticos, e fechou um time de realizadores que prezam pela qualidade das imagens captadas e das atuações em seus filmes. Com fotografia e direção de arte conceituadas como filmes para cinema, "Take him, not me" é um drama LGBTQIAP+ onde um casal gay está tomando conta de uma enorme mansão de um amigo que viajou Dispostos a desfrutar o bem bom de luxo da casa do amigo, eles usam e abusam das roupas, bebidas, etc. Até que a casa é invadida por um estranho: (Johnny Ford) que decide assaltar tudo.
Filmado como um drama, essa aventura repleta de cenas de sexo foi dirigido pela cineasta Bree Mills, e esse olhar feminino trouxe cenas menos vulgares, mas não menos excitantes.

Colméia


"Hive", de Blerta Basholli (2021)
Vencedor de 3 importantes prêmios em Sundance 201 (Premio do juri, da audiência e de direção", além de outros importantes prêmios em Festivais internacionais, "Colméia" é o longa de estréia da roteirista e cineasta Blerta Basholli, nascida em Kosovo e aonde o filme acontece.
Baseado na história real de Fahrije (Yllka Gashi), uma mulher cujo marido foi dado como desaparecido em 1999, durante a Guerra de Kosovo. Vivendo em uma sociedade patriarcal, Fahrije, ao contrário de outras vi;uvas, precisa trabalhar para sustentar seus dois filhos e o sogro doente. Ele lhe ensina a dirigir carro para fazer entregas do mel com pimenta. Mas a vizinhança, tanto homens como mulheres, a chamam de puta, pois não admitem a mulher trabalhando fora. Fahrije decide enfrentar a todos, inclusive seus filhos, para se colocar como uma mulher empoderada em uma época e cultura que não permitem a independência feminina.
Um filme duro, cruel, bruto. Com ótimas performances, o filme traz um olhar documental e poético sobre um período histórico onde a mulher não podia fazer muita coisa, além de afazeres domésticos. Nos créditos finais, um lindo desfecho para a história dessa mulher que decidiu seguir seus impulsos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Amigos e estranhos


"Friends and strangers", de James Vaughn (2020)
Premiado em Festivais e exibido em Rotterdan, 'Amigos e estranhos" é um dos filmes mais chatos e desinteressantes que vi há tempos. Nada de muito instigante acontece durante o filme todo. Ray, o jovem protagonista, trabalha como cinegrafista de eventos. Ele conhece Alice e vai com ele para um acampamento, para ver se estreita algum tipo de relacionamento. Corte. Ray conversa com seus pais, e segue com um amigo para fazer uma entrevista de emprego para uma possível gravação de casamento. Corta. Ray está em uma praia, e se imagina nadando.
Entendo que talvez o foco do roteirista e cineasta James Vaughn seja mostrar uma juventude sem ambição e totalmente passiva. O problema é que os protagonistas não geram a mínima empatia, e a gente não se sente atraído por nada, apenas pelas belas locações nos arredores de Sidney. Cansativo e entediante.

domingo, 12 de dezembro de 2021

Os primeiros soldados


"Os primeiros soldados", de Rodrigo de Oliveira (2021)
Após os dramas autorais e independentes "As horas vulgares e "Teobaldo morto, Romeu exilado" e do documentário "Todos os Paulos do mundo", o roteirista e cineasta Rodrigo de Oliveira busca falar com um público mais amplo através da contundente história das primeiras vítimas da Aids no Brasil, no ano de 1983, quando muita desinformação existia, fazendo um paralelo com o Brasil de 2020 e o Covid.
Com performances exemplares de todo o elenco, em especial, Jonnhy Massaro como Suzano, Renata Carvalho como Rose e Clara Choveaux como Maura, irmã de Suzano, além das belas participações de Higor Campanaro, Alex Bonim e Victor Camilo.
O filme começa no reveillon de 1982, apresentando diversos personagens que no ano seguinte, sucumbirão à tragédia d HIV e tentarão de tudo não serem derrubados em um campo de guerra, a metáfora proposta no filme.
Boa reconstituição de época e uma trilha sonora recheada de pérolas, como "Linda juventude", do 14 Bis, e "Você não me ensinou a te esquecer", de Fernando Mendes. Um drama pungente e melancólico que busca relembrar uma época de muita dôr e tristeza.

The naked boy


"The naked boy", de Jang Young Seon (2018)
Drama sul coreano LGBTQIAP+, "The naked boy"traz elementos espíritas à historia de Jin Tae, um professor de 45 anos, prestes a se casar. Ele vai começar as aulas com uma turma nova de rapazes, e fica obcecado por um deles. Ele acaba descobrindo que esse rapaz é filho de sua grande paixão do passado, que ele largou mão do amor por temer que sua família descobrisse sua homossexualidade. Um belo filme, dirigido com sensibilidade, e mostrando ousadia ao apresentar o amor de um homem maduro por um adolescente, que fica nú no filme.

 

O cão que não se cala


"El perro que no calla", de Ana Katz (2021)Realizadora do ótimo "Sueno Florianópolis", a cineasta argentina Ana Katz e uma grande observadora do comportamento humano, trazendo drama com pitadas de humor, revelando o patético da vida.Com "O cão que não se cala", ela ganhou prêmios e concorreu nos Importantes Sundance e Rotterdan. Sebastian (Daniel Katz, irmão da cineasta) é um homem comum. Já na casa dos 30 anos, ele dedica seu tempo ao seu cão fiel e trabalha em uma série de empregos temporários. Enquanto caminha de forma intermitente pela idade adulta, navega pelo amor, pela perda e pela paternidade. Até que o mundo é abalado por uma catástrofe inesperada, virando de cabeça para baixo sua já turbulenta vida. Sebastian luta para se adequar a um mundo em constante mudança — e que pode finalmente estar chegando ao fim.Com fino humor e uma narrativa que mais parece uma crônica, com cenas isoladas em grandes elipses temporais, o filme é o registro de uma vida comum, mas sujeita a pequenas interferências relacionadas a amor, desemprego, carinho, sempre com um olhar distanciado mas carinhoso da câmera, apaixonada pelo protagonista, defendido com muita garra por Daniel Katz.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Encounter


"Encounter", de Michael Pearce (2021)
Co-escrito e dirigido por Michael Pearce, "Encounter" é um drama fantasioso sobre um militar, Malik (Riz Ahmed) que foge da prisão por um ato violento para buscar seus dois filhos, que moram com sua e e o atual marido, alegando que parte da população está infectada por insetos alienígenas. Enquanto isso, a oficial Hattie (Octavia Spencer) procura seguir os passos de Malik para salvar as crianças.
'Encounter" parece ser um filme, e depois se revela outro. Pode ser que muita gente se decepcione com essa tentativa de ser um novo "Invasores de corpos", mas o que de fato funciona nesse road movie de perseguição, é o ótimo trabalho de Riz Ahmed, um ator que faz qualquer papel ser algo além do que é. Octavia Spencer está bem, mas o filme é de Riz. Uma história mediana, com boas cenas de perseguição e bela fotografia.

Unclenching the fists


"Unclenching the fists", de Kira Kovalenko (2021)
Ex-aluna do cineasta Alexander Sokurov, Kira Kovalenkotraz um drama forte e doloroso sobre uma adolescente que é mantida sob as firmes garras dos homens de sua família. Vencedor do Camera d'or do Festival de Cannes na Mostra Un certain regard, "Unclenching the fists" foi escrito e dirigido por Kira Kovalenko, ela mesma, uma mulher que também sofreu dentro da sociedade patriarca e machista russa.
Ada (Milana Aguzarova, (fabulosa), mora em uma cidade industrial decadente na região da Ossétia do Norte, com o pai e dois irmãos. O pai a mantém presa em casa, só podendo sair para trabalhar na loja de conveniências da estrada, onde ela mantém um relacionamento às escondidas com Tamik, um jovem inexperiente. Os irmãos de Ada também a mantém sob a sua guarda, e Ad se sentindo pressionada, tenta buscar uma saída para essa vida sufocante.
Filme indicado pela Rússia para uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2022, "Unclenching the fists" é um filme duro, sem respiro, mostrando um mundo onde mulheres não têm independência, e onde o futuro parece não existir.

Acasa, my home


"Acasa, my home", de Radu Ciorniciuc (2021)
Super premiado documentário romeno, tendo ganho inclusive melhor fotografia em Sundance, é o filme de estréia do jornalista .Radu Ciorniciuc. Por 4 anos, ele acompanhou a família Enache: Os pais Gica e Vali, e os 9 filhos. Gica foi um ex-funcionário de um laboratório químico, mas em nome de seu pensamento mora acerca da sociedade e os modos de ser da educação e do social, ele decide abandonar tudo e ir morar com sua esposa no parque florestal em torno do lago Vagaresti, capital de Bucareste. Ali. por 18 anos, ele teve seus filhos, educados pelos pais e tendo um modo de vida subsistente, pescando no lago e ccando por cos e galinhas que criam. O governo nunca conseguiu retirar a família de lá, mas quando ecidem transformar o local em reserva florestal, tudo muda. O social chega e retira toda a faília, realocada para morar na capital, e os filhos, obrigados a estudar.
O filme parece uma versão em cinema verdade de "Capitão Fantástico", cm Viggo Mortensen. Esse conflito entre os ditames da estrutura imposta pelo governo e o que os pais devem e têm direitos sobre os seus filhos. Um belo filme, contundente, e que faz refletir sobre o papel do ser humano na sociedade.

Mandíbulas


"Mandibles", de Quentin Dupieux (2021)
Exibido no Festival de Veneza 2021, "Mandíbulas" é uma comédia ácida delirante do belga
Quentin Dupieux, um realizador afoito às histórias bizarras e que nem sempre funcionam. "Rubber" e "Deerskin" para muitos críticos são filmes cults, e Quentin Dupieux tem a pelna certeza do propósito de seus filmes. São histórias que beiram o surrealismo, repleto de personagens histriônicos.
Jean Gab e Manu são melhores amigos. Losers, eles passam os dias tentando encontrar formas de ficarem ricos. Um dia, ao tentar roubar um carro, Jean Gab descobre que no porta-malas se encontra uma mosca gigante, que os dois irão treinar para roubar bancos.
Obviamente não é um filme para se levar à sério. É o típico midgnight movie que cinéfilos esperam assistir em festivais. De positivo mesmo, a presença de Adèle Exarchopoulos, revelada em 'Azul é a cor mais quente", em um papel de uma jovem que sofreu um acidente de esqui e que por isso, fala sempre gritando. É doido, mas acaba sendo engraçado.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Noite de Reis


"Les nuits de rois", de Philippe Lacôt (2020)
Drama de realismo fantástico que representou a Costa do Marfim a uma vaga para o Oscar de filme estrangeiro em 2021. O filme venceu mais de 14 prêmios em importantes festivais, como Rotterdan.
O filme se passa na Costa do Marfim, mais precisamente na penitenciaria de "la Maca", a única no mundo administrada pelos próprios prisioneiros. Nesse presídio afastado de tudo e inserido no meio de uma floresta, é enviado o jovem Roman, preso por bater carteiras. Ao chegar na prisão, ele é convocado pelo Barba negra, o chefão do presídio a contar histórias para entreter os presos, sem saber que no final será assasinado.
Pegando o mote de Sherazade de "1001 noites", o filme traz nos contos narrados, traços de realismo fantástico. Na narrativa e na fotografia, além dos planos, o filme tem muita influência de "Cidade de Deus", incluindo a caça à galinha fujona. Bons atores em um filme de ritmo lento.

Imperdoável


"The unforgivable", de Nora Fingscheidt (2021)
Drama criminal protagonizado por Sandra Bullock, que co-estrela com Viola Davis, Vincent D'onofrio e John Bernthal. O filme é a adaptação de série inglesa homônima, sobre uma mulher, Ruth, que é solta da prisão 20 anos depois de cometer um crime: ela matou o xerife da cidade. Ruth está proibida de reconectar com pessoas do passado, e isso inclui a sua irmã Kathie, que não se lembra do ocorrido e vive com uma família adotiva. Enquanto isso, o filho do xerife decide se vingar de Ruth, agora que ela está solta.
Com um roteiro cheio de lugar comum, o filme decide mexer a estrutura já no ato final, quando se revela um plot twist, que faz com que a mensagem do filme siga em torno da palavra "sacrifício". Rotineiro, mas pelo menos, bem dirigido e com bons atores.

Mães paralelas


"Madres paralelas", de Pedro Almodovar (2021)
Almodovar traz em seu filme premiado no Festival de Veneza com o prêmio de melhor atriz para Penelope Cruz, um drama sobre maternidade, memória e conflito de gerações. Como pano de fundo, a dôr ainda insuperada de milhares de mortos pelo Governo Franquista, que enterrou muitos de suas vítimas em covas clandestinas.
O filme caminha por vários plots: temos o drama da troca de bebês vividos pelas mães de gerações distintas, Janis (Penelope Cruz) e Ana (Milena Smit). Tem a relação de Janis, fotógrafa, com Arturo, um arqueólogo que ela deseja contratar para encontrar covas clandestinas no vilarejo que ela cresceu. E tem a amizade entre essas duas mães, e a busca pela memória de um país, um passado desconhecido pela geração mais nova representada por Ana.
Defendido com brilhantismo por Penelope Cruz e Milena Smit, que transitam em emoções distintas, e por um elenco de apoio de rostos conhecidos na filmografia de Almodovar, como sua musa Rossy de Palma, o filme emociona por trazer uma mensagem forte sobre olhar o passado para construir o futuro. Fotografia luxuosa de Jose Luis Alcaine, e trilha de Alberto Iglesias, parceiros habituais do cineasta espanhol.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Amor sublime amor


"West side story", de Steven Spielberg (2021)
Quando Spielberg anunciou que iria fazer um remake de "West side story", filme lançado por Robert Wise em 1961 e vencedor de 10 Oscars, o mundo achou que ele enlouqueceu. 'Como assim, refilmar uma obra-prima?". Pois é, Spielberg ousou, e graças a Deus, honrou o filme original e o faz ficar tão bom quanto, trazendo cenas e músicas extras, e emocionando com a trilha sonora composta por Leonard Bernstein, com clássicos como "Maria", "Tonight" e "Somewhere".
Essa adaptação para os anos 60 de 'Romeu e Julieta" em um bairro pobre do oeste de NY, nos traz à guerra de gangues entre os Jets (americanos) e Sharks (Porto-riquenhos". Maria (Rachel Zegler) e Tony (Ansel Egort) defendem com maestria os papéis outrora vividos por Natalie Wood e Richard Beymer. Rita Moreno, aos 81 anos, traz vida à Valentina, um papel escrito para ela, uma homenagem à atriz que ganhou o Oscar de coadjuvante pelo papel de Anita, brilhantemente defendida por Ariana DeBose. Mas a grande estrela do filme é a fotografia exuberante de Janusz Kaminski, que reproduz o technicolor dos filmes da época. Um filme com brilhantismo técnico em todos os quesitos, um colírio para os olhos.

Os inocentes


"The innocents", de Eskil Vogt (2021)
Excelente filme de terror norueguês, protagonizado por crianças de 7 a 11 anos, concorreu em importantes Festivais, como Cannes e Sitges. O filme é uma espécie de "A fúria", de Brian de Palma, com "O iluminado", "A vila dos amaldiçoados", "Brightburn- o filho do mal" e principalmente "Poder sem limites", todos clássicos de terror envolvendo crianças e adolescentes com poderes de telecinese.
Em "os inocentes", acompanhamos a pequena Ida , 9 anos, e sua irmã Anna, autista, de mudança com seus pais para um condomínio isolado perto da floresta. Ali, Ida acaba ficando amiga de Ben e Aisha. No entanto, os 4 descobrem terem poderes: Ida de mexer nas articulações do seu corpo, Aisha de ler mente e falar por outra pessoa, Anna com poderes ainda desconhecidos e Ben, o mais forte de todos, que consegue manipular a mente das pessoas e mover objetos. Quando Ben decide eliminar a todos que acredita estarem atrapalhando o seu caminho, cabe às outras meninas tentarem impedi-lo.
Um filme de terror com crianças com poderes parecia impossível competir em Cannes. Mas par quem lembra de filmes como "Lua em Júpiter", também premiado e também sobre um rapaz com poderes, fica evidente entender que os grandes festivais estão se rendendo aos filmes de gênero. As crianças são um talento impecável, e o filme cresce em tensão, num final arrebatador. Ótimos efeitos especiais e excelente fotografia.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Memória



"Memoria", de Apichatpong Weerasethakul (2021)
Vencedor do prêmio do juri no Festival de Cannes 2021, "Memória", do tailandês Apichatpong Weerasethakul, é o candidato da Colômbia para uma vaga ao Oscar 2022.
Seu primeiro filme rodado fora da Tailândia, "Memória" é um complexo e hermético filme produzido e protagonizado por Tilda Swinton. Ela interpreta a bióloga inglesa Jessica, moradora de Medellin, na Colômbia. Jessica visita sua irmã doente no hospital, Karen. Jessica tem ouvido estranhos sons que somente ela escuta, e em busca da origem do som, ela encontra um engenheiro de som jovem, Hernan, e depois, um pescador de mesmo nome.
É difícil descrever sobre o que fala o filme. Eu sou admirador do cinema de Apitchpong desde "Tio Bonmee", "Mal dos trópicos"e "Cemitério do esplendor". Mas aqui, o filme, de ritmo quase insuportavelmente lento, vai de encontro à meditação, a planos muito longos onde quase nada acontece. Pode ser que o filme fale sobre a memória do povo colombiano que se apagou, voltado à grande metrópole e à modernidade. Cabe à uma estrangeira resgatar as origens, na floresta, conectada à natureza e pasmem, à uma nave espacial que surge.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

O último duelo


"The last duel", de Ridley Scott (2021)
Com roteiro escrito pelos amigos Ben Affleck e Matt Damon, "O último duelo" tem uma estrutura narrativa que remete a 'Rashomon", obra prima de Kurosawa: a mesma história sendo contada em 3 versões diferentes.
No século XIV, em 1377, os ex-melhores amigos Jean de Carrouges (Matt Damon), casado com Marguerite de Carrouges (Jodie Comer) e Jacques Le Gris (Adam Driver)travaram o último "duelo judicial" oficialmente reconhecido pela França.
Quando voltou de uma batalha, Jean foi avisado por sua esposa que foi estuprada por Le Gris. Seguem-se então as 3 versões: uma neutra, uma pelo ponto de vista de Les Gris, onde diz ter havido consenso, e outra pelo ponto de vista de Marguerite, dizendo que foi violentada sem consenso.
O filme traz o temas muito atuais sobre sociedade machista, Metoo, gaslighting, e todos os atores estão ótimos em seus papéis. É a volta de Scott na seara dos filmes de batalha, como em "Cruzada"e "Gladiador", com muitas cenas de luta, sangue e violência. O filme no entanto, é longo, quase 160 minutos, e fica cansativo e arrastado.

O teste Beta


"The Beta test", de Jim Cummings e PJ McCabe (2021)
Concorrendo no Festival de Berlin, "O teste Beta" é escrito e dirigido por Jim Cummings, mesmo realizador do ótimo "O lobisomem de snow hollow". Aqui, o tema do filme é sobre o universo tóxico do audiovisual e do relacionamentos monogâmicos: Jordan (Cummings) é um agente de elenco que trabalha em Hollywood. Prestes a se casar com Caroline (Virginia Newcomb), Jordan recebe um estranho convite pelo correio: um blind date com uma desconhecia. Seduzido elo instigante convite, Jordan topa e vai até o quarto de um hotel, fazendo sexo com a desconhecida mascarada Mas depois, consumido pela paranóia, acredita que está sendo seguido e chantageado. O filme é vendido como uma comédia de humor ácido e terror. Na verdade, o filme é mais um drama sobre as angústias de um homem, simbolicamente, com medo de ficar preso a um casamento e perder a sua liberdade como macho alfa, sedutor e podendo pegar quantas mulheres quiser.
Um filme ok, com bons atores mas sem mita novidade, ritmo lento e um final meia bomba.

King Richards- criando campeãs


"King Richards", de Reinaldo Marcus Green (2021)
Premiado em diversos festivais, "King Richards" é o tipo de filme que o público espera de Will Smith: trazendo um personagem que veio xerocado de "À procura da felicidade", um pai destemido que faz de tudo para garantir um futuro promissor para suas filhas, diante de questões presentes como a violência do bairro de periferia aonde moram, o racismo e a questão social.
O filme mostra a força de um pai (Richard Willians) em fazer duas de suas filhas, Venus e Serena Willians, que ele teve com sua esposa Oracene (Aunjanue Ellis ) para vencerem na difícil liga de tenistas. O ano é 1994, e diante de tantos obstáculos, no fim, as duas se consagram como duas das maiores tenistas dos Estados Unidos.
O filme tem a inacreditável duração de 140 minutos, e que acaba parecendo interminável. O que segura o filme é a interpretação do elenco, e o carinho com que o filme olha para uma família negra que precisa provar para todos de que merecem o mesmo tratamento que a comunidade branca e elitista. Um filme sobre garra e volta por cima, tema comum ao mundo dos esportes vistos em filme.

domingo, 5 de dezembro de 2021

O resgate


"The rescue", de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi (2021)
Premiado em importantes Festivais de documentários, "O resgate" é um emocionante documento sobre o resgate dos 12 meninos tailandeses e o seu treinador de futebol durante os 17 dias em que estiveram presos no interior de uma gruta na Tailândia. A gruta Tham Luang Nang Non, uma das maiores do país, tem o acesso proibido durante os meses das monções, quando fica totalmente alagada. Mas no dia 23 de junho, o time estava perambulando pela floresta que rodeia a gruta, treinando e querendo comemorar o aniversário de um dos integrantes. Com a forte chuva que estava acontecendo, o grupo decidiu entrar na gruta para se proteger (eles já estavam acostumados a frequentar a gruta), mas acabaram surpreendidos com o alagamento inesperado, impedidos de sair. Mais de 500 tailandeses e uma força de países voluntários, entre eles Estados Unidos, Inglaterra, China, Austrália, enviaram equipes de resgate e em fato inédito, conseguiram utilizar equipamentos ultra-modernos para localizar e resgatar o grupo inteiro. Durante esse período, Saman Gunan, um dos mergulhadores voluntários, ficou inconsciente após ficar sem ar e acabou morrendo afogado. Ele é considerado um herói e uma estátua foi erguida em sua homenagem.
O filme lida com a religião do povo tailandês, e a crença dos voluntários, se arriscando com as próprias vidas, para resgatar a garotada, em fato que paralisou o mundo em 2018. O filme tem imagens inéditas e inacreditáveis de todo o processo, elevando à categoria de impressionante a captação de imagens em situação tão precária.

Silent night


"Silent night", de Camille Griffin (2021)
Premiado no prestigiado Festival de Sitges como melhor roteiro, o filme de estréia da cineasta e roteirista Camille Griffin é anunciado como terror, mas é um erro: é um drama apocalíptico com pitadas de fantasia e humor ácido. Um filme bastante melancólico sobre o fim do mundo que se anuncia, e o mais impressionante: o filme foi rodado antes da pandemia, quando nem se falava em Covid.
O mundo acompanha a aparição de uma nuvem tóxica que, quando inalada, mata as pessoas com muito sofrimento, com sangramento nos orifícios. O casal Nell (Keira Knitley) e Simon (Matthew Goodie) , pais de 3 crianças, entre elas, Art (Roman Griffin Davis, de "Jo Jo Rabit"), convidam seus melhores amigos para uma festa e no final da noite, na chegada do Natal, todos se suicidarem tomando uma pílula enviada pelo Governo. (Bom ressaltar que a família real está em um bunker, à salvos). Art questiona seus pais se de fato a nuvem é tóxica, mas desconversam. A ordem é que, quem não tomar, será morto.
Um filme curioso, defendido por bons atores ingleses. Mas a narrativa é lenta, os personagens não são apaixonantes então fica difícil torcer por alguém. Um filme indefinido em gênero, fica a metáfora da mensagem para todos de que a natureza se volta contra a humanidade, um tema bastante comum nos último filmes de terror, um sub-gênero apelidado de "Eco-terror".

No fim da noite


"Que la nuit s'acheve"", de Denoal Rouaud (2018)
Premiado curta francês LGBTQIAP+, escrito e dirigido por Denoal Rouaud.
Karim (Sofian Khammes) é um motorista de Uber turco. Ele busca a reconciliação com sua ex, mas ela nega. Ao retornar para casa, ele se depara com o cliente Alex (Jordi Gimeno), um estrangeiro ligado às artes plásticas. Karim fica fascinado com a beleza do passageiro. Uma noite, Alex liga para Karim ir buscá-lo de madrugada, após uma balada. Entre os dois rola um clima, mas quando Alex recusa uma investida maior, Karim responde com violência.
Um filme que fala sobre homofobia entre os próprios gays enrustidos. Quando a pessoa não se aceita como gay parte pra violência. O filme é bem dirigido e tem dois bons atores.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Inconfissões


"Inconfissões", de Luiz Roberto Galízia (2017)
Excelente curta brasileiro LGBTQIAP+, é um documentário realizado pela cineasta Ana Galízia sobre o seu tio, o ator e diretor paulista Luiz Roberto Galízia, morto pelos sintomas da Aids em 1985, aos 34 anos.
Composto por fotos e imagens de super 8 realizadas pelo mesmo, algumas fotos com imagens explícitas, o filme é narrado pelos atores Charles Fricks, Gunnar Borges e pela própria Ana Galizia.
O filme começa com um laudo médico sobre Luiz Roberto Galízia: "traços de inferioridade e insegurança, sobretudo afetiva". Isso diz muito sobre a angústia que ele vivia, sendo homossexual em uma família conservadora. Luíz fez poucos filmes: participações em "O beijo da mulher aranha", "O olho mágico do amor". Seu grande feito foi ter criado, junto de Cacá Rosset,, o "Teatro do ornitorrinco', em são Paulo. Galízia foi estudar em Berkley, nos Estados Unidos, e sempre temeu a Aida, até que ele próprio foi diagnosticado como portador de HIV.
Com lindas imagens e emocionantes textos em off, o filme fala sobre a arte, sobre a cultura e sobre o amor à profissão. Um filme sobre uma época e um período trágico da história no mundo, artistas dizimados pela Aids.

O olhar masculino: sonhos de celulóide


"The male gaze- Celulloid dreams", de Roberto F. Canuto,
Ana Galizia, Glenn Gaylord, Kyriakos Hatzimihailidis, Harry Richards e Jonathan Wald (2021)
Coletânea de 6 curtas LGBTQIAP+ premiados, todos rodados em película de 16 a 35 MM, antes do advento do cinema digital. Nessa coleção nostálgica, o olhar sobre a comunidade queer varia bastante, de acordo com o momento histórico. São filmes do Brasil, estados Unidos, Espanha, Grécia, Israel.
1) Jonas out of reah- Jonas, um jovem gay , acorda na cama de um homem de terceira idade. Sem saber o que fazer, ele se levanta devagarzinho para não acordar o homem, que acaba acordando
2) Toto forever- Emulando os irmãos Coen, um jovem carteiro se apaixona por um fugitivo da máfia e tenta protegê-lo
3) Homens não choram- Um homem bate na porta de um estranho numa noite de chuva. O dono da casa não entende nada, até que o estranho o faz lembrar de uma noite que tiveram numa boite
4) Alger la blanche- Um oficial francês tem um caso com um jovem algeriano. Mas ele esconde a relação, com medo que seus chefes e sua família descubram
5) Inconfissões- Material de arquivo mostrando a vida e obra do ator Luiz Roberto Galízia
6) Mesma diferença- Dois irmãos gêmeos e gays se apaixonam pelo mesmo rapaz
7) Boychick- Uma mãe judia superprotege seu filho adolescente gay, o que o faz ficar constrangido
7 curtas com qualidade variada. Mas o que interessa nessa coleção é justamente observar historicamente filmes realizados durante a epidemia da Aids e de que forma, as histórias tarem um olhar trágico e melancólico sobre o tema. E também o tema da homofobia e do assédio.

Encontros


"Introduction", de Hong Sang Soo (2021)
Premiado com o Urso de ouro de melhor roteiro no Festival de Berlin 2021, "Encontros" é o 25o filme do cineasta sul coreano, famoso por rodar uma média de a 2 longas por ano. Outra fama de sua filmografia é o seu estilo narrativo: longos planos sem corte, e movimentos de zoom para dar closes, além das famosas cenas de verborragia com os personagens em volta de uma mesa de restaurante bebendo até ficarem bêbados.
Sang Soo retorna ao seu tema favorito, a metalinguagem sobre o universo do audiovisual. Young-Ho é um jovem ator que desiste da profissão quando precisa beijar uma atriz em cena. Em conflito pela fidelidade com a sua namorada, Young-Ho entra em crise. O filme é dividido em 3 segmentos: No 1o, Young Ho vai visitar seu pai acunputurista na clínica dele, mas precisa aguardar na recepção quando o pai atende um famoso ator de última hora. No 2o, Young-ho vai visitar sua namorada de surpresa em Berlin, onde ela foi estudar moda, deixando-a incomodada. No 3o, a mãe de Young-ho o convida para uma conversa com o famoso ator em um restaurante para ouvir conselhos sobre a profissão.
O filme é divertido e faz reflexões sobre a profissão do ator, diante dos olhos de um jovem inseguro. O filme fala também sobre uma geração pressionada por sucesso e diante de um mundo que precisa que sejam ferozes e não tímidos. Ótimos atores, o filme é rodado em belo preto e branco.

Coded- a vida secreta de J.C. Leyendecker




"Coded- the hidden life of J.C. Leyendecker", de Ryan White (2021)
Premiado no Festival de Tribeca 2021 como melhor documentário, o filme, narrado pelo ator Neil Patrick Harris, apresenta ao espectador o ilustrador americano J.C. Leyndecker, responsável por quase 400 capas da famosa revista "Sturday evening post". Mas nessas ilustrações, havia um sub-texto do universo gay, com homens bem torneados, esportistas sexies e casais gays, que a sociedade conservadora americana não conseguiu enxergar. O filme apresenta o ilustrador, conta a sua trajetória e mostra muitas de suas obras. Mas onde o filme se destaca é na sua relação às escondidas com o seu parceiro Charles Beach, que foi usado como modelo para as ilustrações. Quando morreu, ele praticamente esnobou Charles no testamento, deixando quase nada.
Leyenecker foi pioneiro na propaganda homoerótica LGBTQIAP+. Muito do que se vê hoje, se deve ao seu pioneirismo,. O filme mostra como campanhas da Calvin Klein sofreram sua influência.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Viagem ao topo do mundo





"Le sommer des Dieux", de Patrick Imbert (2021) Exibida no Festival de Cannes 2021, a animação francesa, adaptada do mangá "The Summit of the Gods de Jiro Taniguch, é um ode aos alpinistas do Everest, que arriscam suas vidas para chegar ao topo. Baseado em história real, o filme possui traços realistas que impressionam, incluindo as espetaculares locações no Nepal e Everest.Em 1924, George Mallory e Andrew Irvine tentaram escalar o Monte Everest e nunca mais foram vistos. Setenta anos depois, Makoto Fukamachi, um jovem repórter japonês, encontra um misterioso alpinista chamado Habu Joji, em cujas mãos Fukamachi pensa ter visto a câmera de Mallory, que pode revelar se Mallory e seu companheiro foram realmente os primeiros a escalar o Everest. Fukamachi gradualmente se envolve mais com Habu, a ponto de finalmente se juntar a ele no Everest para registrar a tentativa de Habu de alcançar o pico.Com essa instigante sinopse, o filme emociona e traz um olhar sobre a existência humana e o que de fato é importante para algumas pessoas, essa conexão com a natureza, o perigo e a essência da vida. Um filme em tom melancólico e depressivo.

Belfast


"Belfast", de Kenneth Branagh (2021)
Premiado em diversos Festivais e forte candidato ao Oscar 2022, "Belfast" é o filme de memórias de . Kenneth Branagh. Em algum momento de suas carreiras, boa parte dos Cineastas voltam as suas histórias para a sua infância e o quanto essa fase da vida moldou o seu caráter. Foi assim com "Amarcord", de Fellini, com 'Roma", de Alfonso Cuarón, com John Boorman em 'Esperança e glória". Ambientado em 1969 em Belfast, em plena crise civil do conflito entre protestantes e católicos, o filme apresenta a família de Brannagh, no filme aos 6 anos de idade, e interpretado com sagacidade e muito talento pelo pequeno Jude Hill, o Buddy. Pa (Jamie Donan) e seu pai, em busca de emprego. Ma é Caitrione Balfe, e seus avós paternos são Jude Dench e Ciaran Hinds. Para fechar, Lewis Macaskie faz Will, seu irmão mais velho. Tudo pelo olhar de Buddy, que com bastante carinho, observa a bondade de seus pais e avós, se lembra de seu primeiro amor com uma menina católica, sendo sua família protestante. A cena mais linda, e que Branagh homenageia no filme, é quando a família vai à sala de cinema assistir "Se minha cama voasse", da Disney. Um hino de amor à sétima arte.
A fotografia do filme é um personagem à parte: fotografado por , Haris Zambarloukos que fez boa parte dos filmes de Branagh, em um preto e branco nostálgico. Os atores estão todos ótimos, e a direção de arte, um deslumbre. Um filme alegre, melancólico, apaixonante.

Diversão


"Diversion", de Mathieu Mégemont (2018)
Premiado filme de terror francês, escrito e dirigido por Mathieu Mégemont. Um jornalista sensacionalista, Joel, vai cobrir uma matéria na área rural da Franca, Em uma estrada deserta, ele atropela um cachorro. Ao parar o carro, ele é abordado pelos donos do cão, que por vingança, fazem Joel colocar a coleira e agir como o novo cachorro deles.
Um polêmico filme, com um roteiro misógeno e que tem como sub-trama um marido violento que se vinga da mulher que quiz tirar a tutela de suas filhas. Violento, com um desfecho confuso, o filme tem uma boa direção e um roteiro que instiga pelo fato do espectador não saber para onde vai caminhara história.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Playground


"Un monde", de Laura Wandel (2021)
Premiado com mais de 12 prêmios, entre eles, o Fipresci do Festival de Cannes 2021, "Playground, escrito e dirigido pela estreante Laura Wandel, é um assustador e extraordinário olhar sobre o universo do bullying entre crianças de 8 a 10 anos de idade em Paris. Tão violentas quanto os adolescentes, as crianças são vistas pelos adultos como fazendo brincadeiras apropriadas para a idade, mas a verdade é que as consequências são devastadoras.
Nora (Laura Wandel, 8 anos, uma atriz impressionante) está em seu primeiro dia de aula na escola. Assustada com tudo e com todos, ela tenta se apegar ao seu irmão mais velho, Abel (Gunther Duret), que a ignora. Abel sofre bullying, e pede para que Nora nao conte nada ao pai deles. Mas ao contar, Abel acaba apanhando ainda mais, e Nora se sente culpada.
COm uma narrativa muito semelhante ao cinema dos irmãos Dardenne, com a câmera 100% colado na protagonista, o filme traz os adultos como insensatos e incompreensíveis com a angústia e solidão das crianças. Com atuações repletas de camadas e comoventes das duas crianças, é um filme forte e contundente sobre um tema da violência infantil que está longe de acabar.

Juntos e enrolados


"Juntos e enrolados", de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put (2021)
Comédia estrelada por um enorme time de comediantes: Cacau Protásio, Rafael Portugal, Evelyn Castro, Matheus Ceará, Leandro Ramos, Fafy Siqueira, Emanuelle Araújo, Berta Loran, Tony Tornado e Fabio de Luca, envolvidos em uma trama que mistura elementos de "Um convidado bem trapalhão", e o episódio do casamento de "Relatos selvagens".
Com elementos de comédia maluca catastrófica, daquelas que com o andar da narrativa vai se transformando num verdadeiro caos e pandemônio, o filme traz Júlio (Rafael Portugal) e Daiana (Cacau Protásio): ele bombeiro hidráulico, e ela bombeira real da corporação, que se conhecem quando ele está se afogando em uma piscina e decidem, dois anos depois, se casar. Juntando economia, o casal começa o casamento apaixonado e termina às turras, em cises de ciúme. Com momentos divertidos e apostando em uma performance mais naturalista de cacau Protasio, o filme é a sessão da tarde família para honrar os pipocões.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Teenage angst


"Teenage angst", de Thomas Stuber (2008) Premiado drama juvenil alemão, recebeu prêmio especial no Festival de Berlin. O filme tem influências de "O jovem Torless:, obra de Robert Musil e adaptada por Volker Schlöndorff nos anos 70. O filme relata um grupo de 4 rapazes da elite alemã, que são enviados pelos pais para a melhor escola do país. Lá, os 4 decidem matar as aulas. Dois dos rapazes, mais violentos e rebeldes, estupram uma garota e ameaçam o mais frágil do grupo com socos e pontapés, humilhando o rapaz em tudo quanto é tipo de espancamento. Um dos rapazes vai até o diretor fazer a denúncia, mas o rapaz humilhado e espancado nega todas as agressões. "Teenage angst" não é um filme LGBTQIAP+, mas o diretor filma tudo com cenas de forte teor homoerético, com seu jovem e belo elenco semi-nús nas cenas e em situações sedutoras. Um filme aterrorizante, mostrando o quanto figuras tóxicas destroem a vida de jovens mais fragilizados. Os atores são ótimos e a fotografia intensifica o drama da história.