quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Gay life: Sexualidade masculina


"Gay life: male sexuality", de Judy Jackson (1981)
Importante documentário LGBTQIAP+ inglês, foi lançado em 1981, antes do surgimento da Aids. O filme apresenta a vida sexual da comunidade gay em Londres, e traz diversas entrevistas com frequentadores da boite gay Heaven, e também, com gays que fazem pegação no parque Hampstead Heath.
O filme traz depoimentos sobre a liberdade do sexo casual sem culpa, e entre pós e contras dos entrevistados, também fala sobre o envelhecimento do homem gay, que os leva à depressão. Muitos tentam retardar o envelhecimento fazendo musculação, usando couro e bigodes para disfarçar a idade e o corpo.
A promiscuidade é proclamada como algo maravilhoso, e quase todos pregam as delícias de se ter dezenas de parceiros na semana, sem culpa nem compromissos.
Entre as perguntas que são feitas pelo entrevistador, estão: "Porque o sexo e não amor?". Entre depoimentos que hoje em dia seriam rechaçados pela comunidade gay, um gay diz que os heteros são menos promíscuos que os gays, pois são mais aventureiros. Outros acham o sexo casual competitivo e agressivo.
Com imagens históricos do comportamento gay do in;icio dos anos 80, e toda recheada com trilha disco, o filme traz questionamentos que vistos pelos olhos de hoje em dia, podem parecer libertinos, mas não se deve assistir ao filme com ideias pré concebidas de querer vitimizar ou ar razão para o surgimento do Hiv. É um filme sobre o prazer do sexo, sobre uma vida hedonista.

Até que pornô nos separe


"Até que pornô nos separe", de Jorge Pelicano (2018)
Premiado documentário português, filmado durante 4 anos, entre 2013 a 2017 com uma intimidade poucas vezes vistas em uma equipe invadindo a intimidade de dois personagens.
Eulália Almeida é uma senhora de 65 anos, católica e conservadora, mora em Lisboa. Viúva, Eulália ama seu filho Sydney Fernandes, que partiu para Berlim para trabalhar, No entanto, ao fazer buscas na internet e no Facebook, ela descobre que seu filho trabalha com o pseudônimo de Fostter Riviera e é o maior ator pornô gay de Portugal, famoso mundialmente. Chocada, ela manda mensagem pro filho se dizendo horrorizada e envergonhada com as mentiras e pela sua profissão. Durante 4 anos, acompanhamos as mensagens e ligações trocadas entre mãe e filho, até finalmente, ela aceitar o filho do jeito que ele é, inclusive assistindo uma performance de sexo ao vivo em um evento erótico em Berlin.
O filme foi rodado em Lisboa e Berlin, acompanhando os dois protagonistas. Em uma entrevista, Foster diz que quando criança, ele queria ser cientista, médico, professor, mas aos 15 anos, se encontrou como ator pornô. Um filme com ritmo bastante lento, invasivo, mas buscando entender os valores de ambas as partes, sem juízo de valor.

A morte de Oso


"La muerte de Oso", de Cristian Sitjas (2021)
Premiado curta LGBTQIAP+ espanhol, com uma perfomance visceral do jovem ator Lluís Febrer, no papel de Saul. Apaixonado por seu cão Oso, que está nastante doente, Sauls e rende à Sexcam para poder juntar dinheiro e poder bancar os custos do veterinário. Mas o cão morre, e seus pais, indiferentes, mandam fazer um enterro coletivo, que é mais barato. Saul s erecusa e quer bancar um enterro único, mas para juntar o dinheiro, ele decide aceitar a proposta de um estranho cliente adepto do sadomasoquismo que quer atendimento presencial.
Com uma proposta ousada e fetichista de fazer uma analogia entre o cachorro e o cliente que quer ser tratado como cão, o filme é repleto de sacanagem e muitas imagens pervertidas. E de novo, com uma entrega total do seu ator protagonista.

Stanislavski: Lust for life


"Stanislavski: Lust for life", de Julia Bobkova (2020)
“Eu não consigo colocar vida nos atores, mas consigo fazer a vida passar através deles.”. Com esse depoimento de um importante preparador de atores inglês, ‘Stanislavski: Lust for life” propõe um debate sobre a importância do revolucionário professor e diretor russo que criou o método e o conceito da memoria afetiva no processo de criação de personagens.
O quão é relevante o método nos dias de hoje, com um público afito a assistir produções da HBO e Netflix?”, pergunta um diretor de teatro russo.
O filme possui entrevistas intensas de cineastas, professores de teatro russo e americanos, como Ivana Chubbuck, discutindo sobre o quão efetivo é o trabalho de Stanislavski. Alguns amam, outros acham fora de moda.
Nikiya Mikhalkov, um dos maiores cineastas russo, fala sobre seu processo de direção de atores, baseado em Stanislavski: ele ensaia os atores diversas vezes. Mas na hora de rodar a cena, ele propõe situações em cima
da hora
, pegando os atores desprevenidos, mas por estarem dentro das personagens, continuam vivos na cena, reagindo aos impulsos externosa
O filme é repleto de exercícios e de cenas impactantes de atuação de jovens atores nos palcos da Moscow Art Theater, co-produtora do filme e berço de Stanislavski.
Uma das cenas mais instigantes é quando um professor russo propõe aos alunos que façam uma cena onde testemunham fogo em suas cacas e alertam os vizinhos. Com reagir a uma situação fictícia e sem terem testemunhado algo na vida real.
Grandes profissionais e atrizes, como Meryl Streep, Isabelle Huppert e Helen Mirren, falam sobre o enorme impacto que o trabalho de Stanislavsky teve sobre eles. Nos ensaios, no palco e no set, eles sentem sua influência todos os dias. Stanislavski, que conseguiu manter sua liberdade e verdadeira arte dentro dos limites do sistema soviético, tudo graças ao poder de seu talento prodigioso.

Virgem, meu cú


"Virgin, my ass", de Adar Sigler (2020)
Premiado curta LGBTQIAP+ israelense, com excelentes atuações de Tom Chodorov (Ophir) e Avi Sarussi (Harel).
Ophir e Harel são melhores amigos. Numa noite, Ophir tem um pedido de amigo para Harel: ele diz que conheceu um cara num app, mas ele está tenso, pois nunca fez sexo e é virgem. Ophir pede então um favor: que Harel retire a sua virgindade. Harel nega, diz que isso irá atrapalhar a amizade deles e que ele não sente nada pelo amigo. Mas pressionado por Ophir, ele cede.
Um roteiro hilário com diálogos inteligentes, "Virgem, meu cú" se baseia totalmente no trabalho formidável dos atores e dos diálogos, que prendem o espectador. Uma excelente aula de filme barato com muita criatividade.

Sweet river


"Sweet river", de Justin McMillan (2020)
Drama de terror australiano, dirigido por Justin McMillan. Para quem assistiu ao cult de Atom Egoyan "Um doce amanhã", sobre mães em luto pelo acidente de ônibus que matou seus filhos, "Sweet river" é a sua versão terror.
Hannah (Lisa Kay, excelente) é uma mãe em luto: o seu filho desapareceu na cidade rural de Billis. Um serial killer agia na região canavieira e seu filho foi dado como uma das vítimas, mas ao contrário das outras vítimas, seu corpo nunca foi encontrado. Determinada a prosseguir na busca, Hannah retorna à cidade, e acaba descobrindo um terrível fato associado ao acidente de ônibus .
Terror com um viés mais artístico, "Sweet river" se destaca pelo excelente trabalho de todo o elenco. A fotografia também traz um tom assustador ao filme, lembrando o clássico 'Colheita maldita".

terça-feira, 16 de novembro de 2021

O playboy e o Buda


"The playboy and the Buddah", de R.B. van Heesch (2021)
Um filme lisérgico, experimental, homoerótico e sensorial dirigido e escrito pelo cineasta holandês R.B. van Heesch. O filme foi rodado em 5 países, entre eles, Nepal, Coréia do Sul e Japão. Durante 4 anos, o cineasta rodou nos países para fazer um filme sobre meditação, os conceitos do amor, espiritualidade , consciência e sexualidade.
Três rapazes de países diferentes e modo de viver distintos despertam para a sua espiritualidade. Um playboy no Nepal, um soldado no Japão e um monge na Coréia do Sul se vêem diante de obstáculos morais. O foco maior fica em um rapaz no Nepal: ele vai direto para as baladas, tem uma namorada mas deseja o seu melhor amigo, em imagens poéticas e repletas de tesão.
O filme remete à narrativa de Terrence Malick, com imagens de "sonho", filmadas com grande angular, voz off, bela fotografia.

Límites


"Limites", de José Antonio Valera (2020)
LímitesPremiado curta LGBTQIAP+ espanhol, é uma hilária e repleta de tesão comédia romântia erótica. Dois homens sem nome (Jaime Macanás e Victor Montesinos) se encontram em um lugar emo durante uma pegação. Um dos homens, mais românticos, deseja rever o outro, que recusa por dizer que não repete o sexo com o mesmo parceiro. Diante a insistência do outro, eles propõem um jogo: que se encontrem mais 10 vezes, e cada um tem direito a fazer com o outro a realização de um fetiche. Podolatria, golden shower, bondage, submissão, fist fucking, são alguns dos fetiches realizados, com muito realismo e uma total entrega de seus atores, hilários e tesudos.
Um filme muito criativo, com ótima direção e timing de humor, romance e muita sacanagem.

Entrelençóis


"Entrelençóis", de Tato Vidal (2020)
Um raro exemplar de curta vindo de Sao Bernard do Campo, SP, "Entrelençois" é um curta LGBTQIAP+ que fala sobre desejo, voyeurismo e flerte. Um rapaz morador de um prédio flerta todo dia no terraço de sue prédio com um vizinho, enquanto pendura as roupas no varal. Tímido, ele procura encontrar uma forma de se aproximar de seu objeto de desejo.
Com atuações sutis de e naturalistas Breno Rodrigues, Tato Teryua, o filme é belamente fotografado, com imagens cinematográficas que remetem ao cinema de Wong Kar Wai, silêncio e praticamente sem diálogos. Ótima direção de Tato Vidal que faz uso de enquadramentos bem criativos.

Dois


"Dois", de Guilherme Jardiim e Vinicius Fockiss (2021)
Belo curta LGBTQIAP+ mineiro, dirigido durante o inicio da pandemia de 20220 por Guilherme Jardim e Vinicius Fockiss. De forma poética e com muita sensibilidade, o filme registra o amor durante o distanciamento social entre Bernardo Rocha e Luix Gabriel, dois rapazes que se conhecem em uma festa antes da pandemia mas não mantiverem contato, e por conta da pandemia, não puderem criar intimidade física. Apaixonados, procuram descobrir uma nova forma de amar à distância.
Lindamente dirigido e fotografado, e com diálogos apaixonantes que exalam intimidade e arte, "Dois" é um exemplo perfeito de baixo orçamento e criatividade.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Detetive MadeinUsa


"Detetive MadeinUsa", de Rodrigo Van Der Put (2021)
Existem filmes que têm como missão alegrar seus fãs, e não a crítica. Na filmografia brasileira, foi assim com os filmes da Xuxa, dos Trapalhões, e agora, com "Detetive MadeinUsa". O filme é um exculacho total e busca referências nos filmes besteirol dos anos 80, como "Top secret" e "Corra que a polícia vem aí", dentro de um tempero totalmente brasileiro, ou seja, com picardia, exculhambação e um time de atores celebridades que são o chamariz do público principalmente da internet. Tirullipa, Gkay, Whindersson Nunes, Antonio Tabet. A eles se juntam os improváveis no gênero Aisha Jambo, Luana Tanaka e Bruno Montaleone. As participações especiais são uma salada eclética: o nadador Gustavo Borges, o Dj Alok, Gretchen, o lutador Wanderlei Silva, o cantor Wesley Safadao e a cantora Pabblo Vittar. Mas de todos, cabe a Montaleone a grande surpresa do filme. Sem abusar da caricatura, o ator surpreende na comédia maluca fazendo um tipo genuinamente sedutor e divertido.
Tirulipa é Madeinusa, um político demitido pela honestidade e que junto de seu melhor amigo Uóston (Montaleone), decide montar a agência de detetives, onde se juntam Gkay, Aisha Jambo e Luana Tanaka, cada uma com sua especialidade. Claro que o filme sacaneia todos os filmes de ação, e no meio de um festival de sandices de gosto duvidoso, fica a sensação de que um novo público de cinema está se formando, já há um tempo, que consome um tipo de produto oriundo da linguagem do conteúdo das redes sociais. O cinema é plural e portanto, gostando ou não do filme, o espectador certamente irá soltar algumas boas gargalhadas de tanta insanidade vista nas telinhas.

Night raiders


"Night raiders", de Danis Goulet. Drama distópico de ficção científica canadense, a produção independente canadense, escrita, produzida e dirigida pela cineasta Danis Goulet venceu um prêmio de novos talentos no Festival de Toronto, além de ter participado do Festival de Berlin em mostra paralela.
Em 2044, os Estados Unidos e Canada se tornaram uma única nação. Pobres, indígenas e esquerdistas estão separados da sociedade. Niska (Elle-Máijá Tailfeather) é mãe da adolescente
Waseese (Brooklyn Letexier-Hart). Quando a filha se acidenta, a amiga de Nika, Roberta (Amanda Plummer) a aconselha a levar ate um hospital do Estado. Mas logo depois Niska conhece um grupo de Night raiders, revolucionários, que dizem que os adolescentes sofrem lavagem cerebral. Niska decide se juntar ao grupo para resgatar os jovens sob a tutela do estado.
Apesar do baixo orçamento, o filme possui bons efeitos e quantidade de elenco e figuração. ë uma mistura de gêneros, mas o que prevalece é uma grande crítica aos governos direitistas e opressores, um big brother que exclui a liberdade dos oprimidos. O ritmo é lento e pode incomodar quem busca no filme um drama de ação. Os atores são bons e em especial a sempre excelente Amanda Plummer.

A teoria dos vidros quebrados


"La teoria de los vidrios rotos", de Diego Fernandez (2021)
Divertida e simpática comédia ácida uruguaia, que competiu no Festival de Gramado 2021. O filme tem o olhar patético e sui generis de filmes de Aki Kaurismaki e Wes Anderson, dentro de uma linha de cinema independente e baixo orçamento. O elenco traz atores jovens e veteranos, como Cesar Troncoso e Roberto Birindelli, e Marton Spalik, como o impagável Claudio, agente de uma companhia de seguros de automóveis.
Claudio é convocado por seu chefe para ir até a pequena cidade de Santa Marta investigar o incêndio em uns automóveis. Ao chegar na cidade, Claudio testemunha a bizarrice dos moradores do local, e a cada dia, mais um automóvel é incendiado. Pressionado pelos donos dos autos que querem o seguro e a sua esposa grávida que quer que ele volte para casa, Claudio decide investigar os incêndios por conta própria.
Com um ótimo elenco e um roteiro delicioso, "A teoria dos videos quebrados" busca um olhar carismático para seus personagens e na linguagem, traz uma narrativa de filmes dos anos 80 da América Latina, com decupagem simples. Vale assistir para se conhecer a ainda escassa filmografia uruguaia.

domingo, 14 de novembro de 2021

One child nation


"One child nation", de Nanfu Wang e Jialing Zhang (2019)
Excelente documentário que explora a fundo o tema da Política do filho único implantado na China em 1979, durante o governo de Mao Tse Tung, O governo alegava que se a população tivesse mais de dois filhos, não teria comida para alimentar e todos morreriam de fome pelo colapso. O governo espalhou por todo o País propagandas nacionalistas pregando a felicidade das famílias que tiverem apenas um filho. Caso contrário, as famílias perderiam privilégios de educação e saúde e teriam que pagar multas, além de serem xingados pelos vizinhos. Mulheres eram obrigadas a abortar por agentes de esterilização, muitas crianças aforam abandonadas e morreram e outras foram clandestinamente vendidas.
O filme foi dirigido por Nanfu Wang, que nasceu durante a política do filho único e agora morando nos Estados Unidos e tendo seu primeiro filho, rememora as lembranças de sua vida na China. Ela decide retornar à região rural de onde nasceu, junto de seu bebê, e entrevistar sua mãe seu avô, o agente da vila, mulheres que trabalharam como agentes de esterilização e sobreviventes da cruel política. Um agente diz que mandava derrubar casas. Uma ex-agente se arrepende das centenas de abortos que fez e hoje em dia ajuda casais a terem filhos. A mãe de Nanfu fala da importância da política na época e diz pra filha não fazer críticas.
Nanfu diz que sua mãe, assim como a maioria da população defendem a política por conta do excesso de propaganda que dizia que o país definharia. A política acabou em 2015, e hoje em dia, as famílias podem ter quantos filhos quiserem.
A conclusão final de Nanfu: Valeu a pena sacrificar milhares de fetos, bebês mortos, abandonados, grávidas abortadas à força em prol da política?

sábado, 13 de novembro de 2021

Vagalumes


"Vagalumes", de Leo Bittencourt. Antonio da Silva é um cineasta queer português que faz muito sucesso mundialmente realizando filmes onde explora a natureza e a sexualidade masculina, em lindas imagens poéticas, experimentais e explícitas. Leo Bittecnourt segue esse caminho ao apresentar o famoso aterro do Flamengo, parque idealizado por Bure Marx, de madrugada. Entre sem teto, senhoras que levam comida para gatos e a completa solidão, homens vão em busca de sexo. Famoso ponto de pregação e também de assalto no Rio de Janeiro, o filme glamuriza o pornográfico, sem no entanto, revelar o explícito de Antonio da Silva. Frustrante para uns e provocativo para outros, é certamente um filme fetichista e safado.

O amigo do meu tio


"O amigo do meu tio", de Renato Turnes (2021)
"Você foi uma criança viada?" . Com essa pergunta provocatva, o cineasta Renato Turnes rememora a infância de Vicente Concilio. Vicente narra o filme e apresenta imagens de VHS de quando ele tinha 9 anos de idade, registradas pela filmadora VHS comprada pelo seu pai. Vicente deixa claro que ele já era uma criança viada, algo que as imagens não escondem. Seu pai fazia de tudo para trazer o mundo heero machista normativo para Vicente, levando-o para corridas de carro e outras atividades. Mas foi quando acompanhou seu tio para um encontro de seus amigos, que Vicente teve sua primeira paixão: chulé, o amigo do tio. A forma como Vicente narra essa paixão e tesão de uma criança de 9 anos é sensacional, sem pudor por ser pelo ponto de vista de uma criança queer.
Um lindo filme, pulsante, formado apenas com imagens de arquivo, mas narrado com muita sensorialidade e melancolia.

Macho carne


"Macho carne", de George Pedrosa (2021)

Premiado curta maranhense produzido pela Kazarão filmes e 100% produzido com equipe e elenco local. "Macho carne" é um filme LGBTQIAP+ erótico e fetichista com narrativa experimental, onde o fco é o corpo, a pele, o desejo de explorar as muitas possibilidades da devassidão e do bondage. Repleto de belas cenas pornográficas, é um corajoso ode ao amor queer, sem censura, permitindo que a dôr faça parte do orgasmo e do desejos do sexo.

7 prisioneiros


"7 prisioneiros", de Alexandre Moratto. Após o grande sucesso do drama independente "Sócrates", o cineasta Alexandre Moratto repete a parceria com Christian Malheiros e abocanhou um prêmio especial no Festival de Veneza 2021.
Com um tema semelhante ao drama "Pureza", de Renato Barbieri, o filme fala sobre trabalho escravo nos dias de hoje e sobre o mito de Mephisto, que vende a sua alma ao diabo, em nome da ambição.
Christian é Mateus, um jovem que mora no interior de Sao Paulo com sua mãe e duas irmãs. Pobres, Mateus decide ir até a capital com seus 3 amigos para poderem trabalhar em um ferro velho, comandado por Lucas (Rodrigo Santoro). Para surpresa dos rapazes, eles são obrigados a trabalhar e esquema de trabalho escravo, sem direito a nada, muito menos sair, sob ameaça de violência contra eles e os familiares. Mas Mateus se torna assistente de Lucas e vai gostando do serviço.
O melhor do filme é o trabalho extraordinário de Chrstian Malheiros, um dos melhores atores da nova geração. Santoro também está ótimo, além de todo o elenco dos jovens escravos, todos em registro minimalista e naturalista, contidos. Um filme forte, contundente, uma metáfora do Brasil do jeitinho, do quem leva a melhor, da corrupção e do egoísmo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

The deep house


"The deep house", de Alexandre Bustillo e Julien Maury (2021)
Terror dos franceses Alexandre Bustillo e Julien Maury, responsáveis pelo cult "A invasora"e por "Leatherface-Massacre no Texas". Em "The deep house", a novidade vem pelo fato de ser um filme de fantasmas em uma casa mal assombrada submersa a 30 metros abaixo da água.
Ben (James Jagger Ben) e Tina (Camille Rowe) são um casal de influencers que exploram ruínas exóticas pelo mundo. Eles seguem para uma região no litoral da França após escutarem sobre umas casas submersas, inundadas por um acidente natural. Persuadidos põe um local, Pierre, a irem para uma região isolada onde existe uma casa que contém histórias, o casal submerge, mas logo ficam presos, faltando uma hora para acabar o oxigênio e ainda ameaçados por fantasmas.
Filme genérico, roteiro mega óbvio, cheio de referências a filmes que todo mundo já viu e com jump scares bobos. Vale a pena apenas pelas tomadas submarinas, que devem ter dado um puta trabalho. Mas não assusta tanto. E quer saber, bem feito, casal chato, protagonistas que a gente nem torce pelas decisões idiotas.

Falling for Figaro


"Falling for Figaro", de Ben Lewin (2021)
Simpática comédia romântica inglesa, co-escrita e dirigida por Ben Lewin.
Danielle Macdonald é Millie, uma profissional de grande sucesso em uma empresa de fundos de investimento em Londres. Ela namora seu ex-chefe, Charles. Mas Millie decide seguir um outro sonho, apesar do sucesso profissional: ela quer estudar canto lírico, e seguir o sonho de ser canora de ópera. Para isso ela vai fazer aula com a megera professora Meghan (Joanna Lumley). Para sua surpresa, ela treina o próprio filho, Max (Hugh Skinner), por quem acaba se apaixonando.
Um filme de roteiro simples, sem reviravoltas e de desfecho óbvio. É passatempo, com lindas locações e bom elenco.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Afetadas


"Afetadas", de Jean (2021)

Curta LGBTQIAP+ escrito, produzido e dirigido por Jean, um artista negro de Recife que começou na fotografia e estendeu seu olhar na arte audiovisual através de colagens e narrativas experimentais. Munido de uma Cybershot, Jean gravou imagens na noite Lgbt de Recife e acompanhando trans e travestis de dia, confeccionando fantasias e na sua luta, dando voz a elas. É um filme underground, com uma trilha techno e trazendo ao público um contrate entre a cidade nordestina de Recife e a convivência com a forca da comunidade Lgbt. Um filme muito interessante, colorido e pulsante.

Sero discordantes


"Sero discordantes", de Noel Alejandro (2019)
Drama LGBTQIAP+ espanhol e rodado em Berlin, é baseado em história real. O casal
Miguel (Alejandría Cinque) e Evaristo (Cachorro Lozano) vive feliz, até que Miguel descobre ser soropositivo. Miguel faz de tudo para esconder de Evaristo a sua condição e não deixar o seu amado preocupado. Mas ele entende que um dia ele irá precisar contar, e o dia chegou.
O casal real, Alejandría Cinque e Cachorro Lozano interpretam a si mesmos no filme. Ambos abrem a intimidade em cenas intensas de sexo explícito, sem qualquer pudor.
Sero discordante é termo que se dá quando em um casal, um é soropositivo e outro não. O tema é tratado com bastante respeito e o espectador testemunha uma relação repleta de amor, respeito e tesão. A câmera e a direção de Noel Alejandro são bastante sensíveis e exploram o sexo com muita paixão e tesão.

O homem perfeito


"Ich bin dein mesnch", de Maria Schrader (2021)
Extraordinária comédia romântica de ficção científica, baseado em conto de Emma Braslavsky e vencedor do prêmio de performance no Festival de Berlin em 2021 para Maren Eggert. O filme é uma mistura do famoso episódio de BLACK MIRROR, "Be right back", com o filme de Robin Willians, "O homem bicentenário".
Maren Eggert interpreta Alma, uma pesquisadora de um Museu em Berlin que, para poder financiar seu projeto, aceita ser cobaia em um experimento científico: passar 3 semanas convivendo com um humanóide desenhado para satisfazer todas as suas necessidades, Tom (Dan Stevens,). Cética, separada de seu ex-marido e com um pai com Alzheimer, Alma desmerece Tom por ele ser um robô, mas a forma como ele a conhece faz com que ela reviva momentos felizes de sua vida.
Com a metáfora de que a vida de Workhaholcik de Alma não difere da de Tom, o filme acerta em todos os gêneros que aposta, não só pelo roteiro e diálogos maravilhosos, mas também pelas atuações esplêndidas dos 3 atores principais: Maren Eggert Dan Stevens (falando alemão fluente) e Sandra Hüller ( de "Tony Edderman"). O filme é repleto de cenas divertidas e emocionantes, uma trilha deliciosa e um desfecho absolutamente encantador.
O filme foi indicado pela Alemanha para tentar uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2022. A cineasta Maria Schrader é responsável pela série de grande sucesso "Nada ortodoxa".

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

O prisioneiro da grade de ferro


"O prisioneiro da grade de ferro", de Paulo Sacramento (2003)

Lançado no mesmo ano que "Carandiru", de Hector Babenco, em 2003, o super premiado documentário de estréia de Paulo Sacramento abocanhou prêmios em importantes Festivais, como Festival do Rio, Tribeca, Gramado, Grande prêmio do cinema brasileiro, entre outros. Rodado um ano antes da implosão do complexo de detenção de Carandiru, ocorrido em 2003, o filme é um trabalho cooperativo realizado junto de 20 detentos, que aprenderam técnicas de roteiro, direção e uso de câmera para narrar o ponto de vista de quem está dentro do presídio. Driblando censura interna e deixando que nada interfira na apresentação do interior do presídio pelo olhar dos detentos, Sacramento só não conseguiu com que esses mesmos detentos acompanhassem a pós -produção: ou seja, a edição não lhes foi permitida. O filme lembra um pouco o posterior "Cesar esta morto", dos irmãos Taviani, que apresenta detentos de segurança máxima estimulados pela atuação. A arte abrindo possibilidades para quem se acreditava sem futuro.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Algum lugar especial


"Nowhere special", de Uberto Pasolini (2020)
Concorrendo em Veneza e outros importantes Festivais, "Algum lugar especial" é uma co-produção Reino Unido, Itália e Romênia. O filme é baseado em uma triste história real: John (James Norton), é um homem d 34 anos, abandonado pela esposa que retornou pra Russia. Ele mora com seu filho Michael (Daniel Lamont, fofura total). John trabalha como limpador de janelas e descobre estar com poucos meses de via. Desesperado, ele começa a entrevistar possíveis famílias que podem cuidar de seu filho, mas a sensação de perda e a dificuldade em falar pro filho sobre o que está acontecendo o atordoam, enquanto assistentes sociais procuram acelerar o processo de adoção.
Melancólico até a alma, "Algum lugar especial" poderia perfeitamente ter sido dirigido por Ken Loach, em uma narrativa que traz muito do cinema dele. James Norton traz uma comoção para seu personagem, e o espectador se conecta de imediato. Toda hora me lembrava da relação pai e filho de "Kramer vs Kramer", até porque a idade da criança é semelhante. Esperem um filme que evita o sentimentalismo, mas ainda assim, traz um clima de muita tristeza.

Lindo de morrer


"Looks that kill", de Kellen Moore (2020)
Eu amo filmes com protagonistas jovens com doenças terminais. "Lindo de morrer", estréia na direção de Kellen Moore, que também escreveu o roteiro, parte de uma premissa curiosa e interessante: o protagonista Max (Brandon Flynn, ótimo) nasceu com uma estranha condição: bonito demais, quem olha para ele, morre. Max passou a vida toda então de óculos escuros e de faixa no rosto. Já adolescente, ele se sente deprimido por não ter muitos amigos e por não poder namorar ninguém, até que decide se suicidar. É quando surge Alex (Julia Telles), uma adolescente que diz a ele que não vale ele se jogar. A partir daí nasce uma grande amizade e uma paixão, até que Alex lhe diz estar com doença terminal e quer que ele olhe para ela para que ela pare de sofrer.
Com um time de excelentes atores jovens, o roteiro pega os clichês de tipos adolescentes e os insere em uma parábola sobre o quanto a beleza pode destruir o emocional de um jovem, e sobre como lidar com questões existenciais da morte na adolescência. Boa direção, linda fotografia e trilha sonora, é um filme comovente e divertido.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

O acompanhante


"The accompanist", de Frederick Keeve (2021)
Escrito, produzido, protagonizado e dirigido por Frederick Keeve, "O acompanhante" é um drama LGBTQIAP+ independente americano.
O filme conta a história de Jason (Reeves), um pianista de 50 anos que trabalha em uma escola de balé tocando música ao piano durante as aulas. Jason sofreu um acidente de carro que traumatizou a vida para sempre de sua esposa e dois filhos adolescentes. Na escola, ele conhece o bailarino Brandon (Ricky Palomino), de 27 anos, que se apaixona por Jason e sente nele uma proteção, evitando assim a relação abusiva que ele sofre de seu namorado.
O filme tem um roteiro fraco e trazendo elementos fantásticos que de nada acrescentam ao filme, aliás, só atrapalham. Por conta do acidente, Jaosn tem poderes mágicos, e isso é explorado de forma tosca e sem sentido. O elenco é fraco, a edição é costurada com stock shots irritantes de Los Angeles.

A noite do fogo


"Noche de fuego", de Tatiana Huezo (2021)
Premiado drama de ficção de estréia da documentarista mexicana Tatiana Huezo, "Noite de fogo" recebeu importantes prêmios em Festivas importantes, como Cannes e San Sebastian. Trágico e cruel, um alerta contra a violência dos cartéis e do tráfico de jovens meninas em regiões pobres do país. Segundo estatísticas, por ano 80 mil meninas desaparecem, retiradas de seus lares, para serem vendidas no tráfico ou para trabalharem nos cartéis.
Nas montanhas de Sierra Madre, moram as amigas Ana, Maria e Paula, de 8 anos. Suas mães cortam seus cabelos para que elas aparentem ser masculinas. Mas com o passar dos anos,s e torna impossível esconder a mudança dos corpos. Os cartéis obrigam os moradores a trabalharem nos campos de papoulas para retirar material para fabricação de heroína. Rita, a mãe de Ana, quer mandá-la para morar com seu pai, mas ela se recusa.
Indicado pelo México à vaga ao Oscar de filme estrangeiro 2022, "Noite de fogo" tem um elenco todo de não atores, e performances comoventes. É um filme triste, aterrorizante e bastante destruidor.

domingo, 7 de novembro de 2021

Finch


“Finch”, de Miguel Sapochnik (2021)
Dirigido pelo realizador do remake de “Repo men” e também um dos diretores de “Game of thrones”, “Finch” é uma fantasia apocalíptica ambientada na Terra pós destruição da camada de ozônio. Finch (Tom Hanks”, um sobrevivente solitário de um mundo dizimado, vive com seu cachorro Goodyear e um pequeno robô, Dewey. Morrendo de câncer, Finch constrói um robô AI para que ele cuide do cachorro. Mas uma tempestade destrói o laboratório e faz com que a transferência de dados atinja 76%, o equivalente ao raciocínio de uma criança.
Impossível não se lembrar de “Náufrago”, também com Tom Hanks, e “Wall.e”, e onde inclusive o robô Dewey provavelmente foi inspirado. Tom Hanks é o ator ideal para essa fábula humanista, e o filme funciona muito por causa dele e da fotografia, além dos ótimos efeitos especiais do robô Jeff. Mas a falta de originalidade do roteiro, com tema bastante batido, tira um pouco o brilho da produção.

O prófugo


“El profugo”, de Natalia Meta (2021)
Indicado pela Argentina para uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2022, “O prófugo” concorreu na competição oficial do Festival de Berlin. O filme é dirigido pela mesma cineasta do sucesso policial LGBTQIAP+ “Morte em Buenos Aires”, que buscou referência nos policiais dos anos 80. Agora, Natalia Meta busca referência nos giallos italianos dos anos 70, principalmente Dario Argento para narrar uma bizarra história sobre uma atriz, cantora soprano e dubladora de filmes Inês (Erica Rivas, a noiva de “Relatos selvagens”).
Inês viaja de férias com seu namorado ciumento e possessivo Leopoldo (Daniel Handler). Ele acaba cometendo suicídio durante uma discussão, ou talvez tenha sido morto. Abalada, Inês recebe a vista de sua mãe, Marta (Cecilia Roth) que decide cuidar dela. Mas estranhas vozes passam a atormentá-la.
Prófugo é uma pessoa que tende a fugir. No caso, seria alguém que tenta assumir o corpo de Inês. Buscando traços no terror e suspense, o filme traz elementos de humor sutil e drama, mas é na fotografia e no trabalho do grandioso elenco que o filme tenta atrair o espectador. Ritmo lento, roteiro confuso e inconclusivo podem afastar as pessoas.

sábado, 6 de novembro de 2021

Jogo perigoso


 "Most dangerous game", de Phil Abraham (2020)

Originalmente uma série de 15 episódios de 7 a 10 minutos lançado pela QUIBI, um serviço de streaming específico para conteúdo de celular , e que acabou falindo, "Jogo perigoso"foi editado para longa com 127 minutos de duração. O mais impressionante é que o filme, lançado e 2020, tem um enredo muito parecido com o giga sucesso sul coreano "Round 6".

Um ex-empresário de sucesso e agora falido Dodge Tyson (Liam Hemsworth) está com dívida enorme, Para piorar a situaçao, sua esposa Val está grávida e ele descobriu ter um câncer de cérebro terminal. Com medo de deixar sua esposa e filho sem condições, Dodge aceita a proposta de um magnata de um perigoso jogo convencê-lo a participar de um jogo mortal. Miles (Christoph Waltz) comanda um jogo internacional onde caçadores pagam para caçar iscas humanas. A cada hora que se mantenha vivo, um valor de 50 mil será depositado na sua conta. Cinco caçadores desejam matar Dodge, que precisa permanecer vivo por 24 horas.
Um ótimo filme de ação, mesmo com um roteiro que possui uma trama bastante mastigada, oferece a surpresa pro espectador de não saber quem são os caçadores de imediato, ou seja, qualquer pessoa na rua pode ser suspeita. Christoph Waltz e Liam Hemsworth estão ótimos, assim como o elenco que interpreta os caçadores.

Tapete vermelho


"Tapete vermelho", de Luís Alberto Pereira (2006)
Uma grande falha eu não ter assistido a esse ótimo filme brasileiro de 2006, vencedor de diversos prêmios, entre eles, melhor ator, atriz e roteiro no Cine PE, para Matheus Nachtergaele e Gorete Milagres, nos irrepreensíveis papéis de Quinzinho e Zulmira. Felizes na vida do campo, Quinzinho havia prometido ao seu filho Neco (Vinícius Miranda, uma grande surpresa) que no dia de seu aniversário, o levaria à cidade grande para ver um filme do Mazzaroppi na tela grande. Zulmira é contra, mas acaba indo nessa aventura que os leva a testemunhar muitas mazelas no Brasil, como a luta dos sem terra, meninos abandonados, corrupção na política e na sociedade.
Além do trio de atores brilhantes, o filme tem um elenco primoroso que conta com Paulo Goulart, Cassia Kiss, Cacá Rosset, Duda Mamberti, Ailton Graça e Debora Duboc. O roteiro atualiza o tema de Jeca Tatu e o faz se tornar consciente das tragédias brasileiras. Mas o tema da paixão ao cinema brasileiro é o grande homenageado do filme, com direito a tapete vermelho.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

A menina que matou os pais


"A menina que matou os pais", de Maurício Eça (2021)

Terminei por esse, e só posso dizer: Que ótimo ator é o Leonardo Bittencourt!

O menino que matou meus pais


"O menino que matou meus pais", de Maurício Eça (2021)

Comecei por esse, e só posso dizer: Que ótimo ator é o Leonardo Bittencourt!

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Marighella


"Marighella", de Wagner Moura(2021)

Dever cívico cumprido em um daqueles filmes brasileiros que viram baluarte da Cultura brasileira. Fotografia check de Teijido, elenco foda, direção show de Wagner Moura. Mas preciso dizer que achei longooooo.

A médium


"The medium", de Banjong Pisanthanakun (2020)
Premiado terror tailandês co-produzido com a Coréia do sul, dirigido pelo mesmo cineasta do ótimo "Espiritos: a morte está ao seu lado".
Uma equipe de documentário faz um filme sobre a xamã NIn que habita o Norte da Tailândia. Ela se diz possuída pela espírito da deusa Bayan, e dedica a sua vida a praticar o bem. Mas quando a sua sobrinha Mink passa a sofrer sintomas de possessão, Nin e sua irmã Non passam a desconfiar que outros espírito possam estar agindo.
Excelente terror, sob o formato do found footage, que traz um ótimo roteiro e boa narrativa que surpreende pelas constantes surpresas e viradas na história. O elenco é muito bom, e o cineasta investe pesado no gore e na violência. Os efeitos são muito bons, e somente a longa duração impede do filme ser melhor, com seus quase 130 minutos.

Nove dias


"Nine days", de Edson Oda (2020)
Premiado com melhor roteiro n Festival de Sundance 2020, "Nove dias"lembra os filmes de Michel Gondey ou Spike Jonze, ao narrar uma estranha e fantasiosa história onde um homem, Will (Winston Duke) trabalha solitário em uma casa isolada, selecionando almas que irão habitar o corpo de quem irá nascer. Quando uma das pessoas que ele admirava morre em um acidente, Will é obrigado a entrevistas 9 almas até decidir por uma que irá sobreviver, ao passo que as outras terão sua existência apagada.
O roteiro é bastante criativo mas no fundo parece um filme espírita que fala sobre existência e morte, apresentada de forma edificante e pomposa, quase um Terrence Malick. O elenco tem a presença de estrelas como Bill Skarggard, Benedict Wong, Tony Hale, entre outros. É um filme longo, e dá uma canseira.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

O labirinto


"Into the labyrinth", de Donato Carrisi (2020)
Uma complexa trama de mistério escrita em livro e adaptada pelo próprio autor nos cinema, o italiano Donato Carrisi. O filme acompanha diversos personagens e espectador quebra a cabeça tentando entender como elas convergem entre si. O foco principal e a menina Samantha sequestrada quando criança. O filme começa com uma mulher acordando em uma enfermaria e cuidada por um médico, Dr Green (Dustin Hoffman). Ele a entrevista e procura saber o que aconteceu com ela. Paralelo, um detetive, Burke (Toni Servillo) , que há 15 anos não quiz prosseguir na investigação de Samantha, está prestes a morrer e quer entender por onde ela andaria.
Confesso que o filme me confundiu muito, e somente no final o filme dá uma amarração, e mesmo assim, ainda é confuso.Mas certamente vale pelo trabalho dos dois grandes astros do cinema, e por eles, vale a pena assistir.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Madalena


 "Madalena", de Madiano Marcheti (2021)


Concorrendo em importantes Festivais, como Rotterdan e San Sebastian, o brasileiro "Madalena" foi co-escrito e dirigido por Madiano Marcheti. O filme é um alerta sobre o assassinato de transexuais no Brasil um dos países que mais mata a comunidade Lgbt.

O filme se passa no Mato Grosso, estado aonde nasceu o cineasta. Na área rural, vemos uma plantação de soja. Vemos também a bizarra e trágica mistura de avestruzes, enormes colheitadeiras, caminhões, crianças jogando futebol, plantação de soja e uma mulher trans mota, jogada na plantação. Ela é Madalena. O filme acompanha 3 personagens, direta ou indiretamente relacionado à história de Madalena. Uma amiga que trabalha como host em uma balada; um jovem filho de latifundiário que encontra o corpo e se desespera; e um grupo de amigas travestis de Madalena, que curtem uma tarde tomando banho de rio.
Com boa direção de Madiano Marcheti, muitas vezes a sua narrativa me lembra o cinema do tailandês Apitchapong principalmente nas patéticas cenas de aulas de dança e video-clip em planos gerais, situações típicas do cineasta asiático.Rafael de Bona, ator de "45 dias sem você" está ótimo, e a fotografia também é um grande destaque.

Não sabendo


 "Bilmemek", de Leyla Yilmaz (2020)

Drama turco LGBTQIAP+, vendedor de mais de 10 prêmios internacionais.

Selma e Senat formam um casal de meia idade em crise no casamento. Umut é o filho adolescente. A discussão do casal os cega diante dos problemas de Umut: na escola ele sofre bullying e homofobia de seus colegas do time de natação. Em casa, ele se cala. Umut decide fugir, e ó ai os pais percebem que ele desapareceu.

Bem dirigido e com boas atuações, o filme trata de bullying homofobia de uma forma ja vista diversas outras vezes. Nada de original, vale pela questão cultural, de ser um filme turc, país tradicionalmente conservador e machista, lidando com o tema da saída do armário e suas consequências diante da sociedade.

Espíritos obscuros


"Antlers", de Scott Cooper (2021)
Terror produzido por Guillermo del Toro e dirigido por Scott Copper, famoso pelos dramas viscerais e que rendeu o Oscar de melhor ator a Jeff Bridges por "Coração louco".
No Oregon, a professora de ensino médio Julia (Keri Russell) tem um passado traumático de abuso sexual de seu pai. O irmão dela, Paul (Jesse Plemonns) é o xerife local. Julia repara que um de seus alunos, Lucas, está passando por problemas e desconfia que ele sofra de abuso doméstico. Ela decide ir atrás dos fatos, Assassinatos têm acontecido na região e estão associados ao pai de Lucas.
Trazendo a mitologia do Wendigo, uma entidade da cultura nativo americana, que possui o corpo de personagens, "Espíritos obscuros" investe no drama e na metáfora do abuso doméstico. Scott Cooper escalou atores de peso, como Keri Russell e Jesse Plemmons e extrai dramaticidade do pequeno Jeremy Thmas, no papel de Lucas, um personagem complexo e cheio de camadas.
Os efeitos são ótimos, idem a fotografia.