terça-feira, 18 de junho de 2019

Thirsty

"Thirsty", de Margo Pelletier (2016) Musical cinebiográfico da Drag Queen Thisrty Burlington, nascido Scott Townsend em PrinceTown, Massachussets. O filme acompanha Scott desde que ele tinha 11 anos de idade em 1970, até os dias de hoje. Nos anos 90, ele personificou a cantora Cher em quase todos os seus números musicais apresentados em cabarets e shows. A cineasta e roteirista Marg Pelletier faleceu de câncer logo após finalizado o longa. Famosa por realizar filmes e documentários que têm em comum o tema do transgênero, Margo foi uma lésbica militante. O filme faz um apanhado musical de várias décadas, e de certa forma, lembra bastante Hedwig", de John Cameron Mitchell ( o ator Scott Towsend interpreta a si mesmo já na fase adulta). Scott sofreu durante sua infância e adolescência com o bulllying de estudantes e de vizinhos , que sempre o consideraram afeminado. Sua mãe era alcóolatra. Foi seu tio quem motivou Scott a cantar em pequenos shows. O filme em si é interessante, bem dirigido, mas longo e sem ritmo. A história de Scott é narrada em uma edição que vai e volta no tempo, tornando a narrativa confusa. Mas a mensagem que o filme passa acaba sendo o grande motivo para se assistir ao filme. Produção de médio orçamento, e com desfecho reunindo todo o elenco em um grande número musical. O filme foi exibido em diversos Festivais e ganhou alguns prêmios.

A lenda do Golem

"The Golem", de Doron Paz e Yoav Paz (2018) Raro filme de terror israelense, "A lenda do Golem" é um ótimo exemplo de que filmes de gênero podem ser muito bons. Com um drama bastante acentuado, o filme conta a história de Hannah (Hani Furstenberg, sósia de Jessica Chainstain) , uma mulher que vive em uma Vila Lituana na Europa do Século XVII. O mundo está sendo devastado pela Peste Negra. Hannah vive com seu marido em uma comunidade judaica. O casal perdeu recentemente o marido. Invasores pagãos surgem na vila exigindo que salvem a filha do chefe deles, que está morrendo da peste negra. O Chefe pagão afirma que os judeus são feiticeiros, pois não contraíram a doença. A vila fica ameaçada. Hannah descobre que ela pode invocar o Golem, uma figura mítica feita de barro, para proteger a vila e também para substituir o filho morto. Mas a criança nasce com desejo de sangue, e foge do controle de Hannah. Violento, o filme apresenta mortes brutais, principalmente cabeças explodindo. É um filme que se aproxima dos recentes "Brightburn"e "Cemitério maldito", apresentando crianças sanguinárias e assassinas. 'A lenda do Golem" além de ser filme de terror, também é um ótimo drama, apresentando a cultura machista e misógina dos judeus, que não oferecem espaço para a mulher na religião e no comando da sociedade.

O Adeus

"The gooodbye", de George Velez Junior (2018) Um jovem descobre que tem 6 meses de vida. Ele se desespera, e evita refazer as pazes com seu ex-namorado que o traiu, e com seu pai, que abandonou a família quando o filho anunciou que era gay. Dramas sobre pessoas comuns que descobrem ter doença terminal e pouco tempo de vida são bastante comuns. Mais comum ainda, é quando essa pessoa é jovem. Talvez o melhor filme sobre esse tema seja "O tempo que resta", de François Ozon. "O Adeus" é um drama inglês, e por conta disso, merece crédito pelo seu bom elenco, e pelo carinho com que o Diretor e roteirista George Velez Junior lida com esse tema sempre tão delicado, evitando excessos de melodramas.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Os Príncipes

"Os Príncipes", de Luiz Rosemberg Filho (2018) No dia 19 de maio de 2019, faleceu o Cineasta Luiz Rosemberg Filho. Ativo na produção de filmes autorais e provocativos desde o final dos anos 60, Rosemberg nunca escondeu a sua influência ciinematográfica das filmografias de Godard e de Glauber Rocha. De Godard, ele buscou inspiração nas colagens, na montagem de imagem e som esquizofrênicas e nos protagonistas anti-heróicos. De Glauber, trouxe a narrativa teatral, épica e a câmera livre. Em "Os Príncipes", Rosemberg volta a filmar com alguns de seus atores recorrentes: Ana Abbot e Patricia Niedemeier, que trabalharam com ele em "Dois casamentos" e Guerra do Paraguay", e Alexandre Dacosta, também de "Guerra do Paraguay". Esses 3 filmes, aliás, foram produzidos por Cavi Borges, incansável batalhador do Cinema autoral brasileiro. "Os Príncipes" também teve produção da Cafeína Filmes, de Ph Souza, Produtor de Belo Horizonte. Competindo no Festival Cine PE 2018, "Os Príncipes" conseguiu o grande feito de ganhar 6 importantes Prêmios: Melhor Ator para Igor Cotrim; Melhor Atriz para Patricia Niedemeier, Melhor Ator Coadjuvante para Tonico Pereira, Melhor Fotografia, Edição de Som e Trilha Sonora. É difícil não enxergar algumas referências cinéfilas: podemos encontrar uma homenagem explícita à "A Laranja mecânica", quando os protagonistas, em busca de uma noite de sexo e violência, invadem uma casa e batem nos moradores, cantando 'Singing in the rain". Tem também ecos de "O bandido da Luz Vermelha", com o recorrente locutor de uma rádio ligada no carro narrando noticiários políticos. O filme acompanha a trajetória de 2 "Príncipes" urbanos no Rio de Janeiro: pilotando um carro anos 70, eles vagueiam pelas ruas da cidade, acompanhados de 2 prostitutas. Os 4 seguem uma epopéia de muito sexo, drogas e destilando uma metralhadora giratória de impropérios verbais que atiram para todos os lados. é uma crítica feroz à sociedade, ao governo, à corrupção, ao Cinema comercial e, impossível de não reparar, ao machismo. Para o público feminino, o filme deve incomodar bastante: as personagens femininas são vitimas da misoginia dos personagens masculinos, que comandam a narrativa. O filme reserva uma cena divertida, quando quer criticar o Cinema feito por Hollywood: o crítico de cinema Rodrigo Fonseca interpreta a ele mesmo, entrevistando uma Diva que representa Hollywood. É uma cena digna da melhor chanchada brasileira, ao som de samba e Nino Rota de "8 1/2"de Fellini, e muita avacalhação narrativa do cinema marginal. O elenco como um todo atua de forma visceral, sem pudores e sem amarras. Um filme brutal, sujo, violento, que choca e que faz refletir sobre o mundo que estamos vivendo.

O mais jovem

"The younger", de Etsen Chen e Yen-Hung Chen (2014) Dirigido, escrito e protagonizado por Etsen Chen, que co-dirigiu com Yen Hung Chen, "O mais jovem" é um premiado drama LGBTQ+ de Taiwan. O filme narra a rotina barra pesada do jovem Chen Hao-Zhi: seus pais o abandonaram sozinho com sua avó, que sofre de Alzheimer. Sem ter dinheiro para pagar os medicamentos caros de tratamento da avó, Chen acaba indo trabalhar em uma casa de massagem gay. O que de início era só massagem, acaba aos poucos sendo sexo, para que possa ganhar uma diária maior e poder arcar com os custos domiciliares. Mas Chen se apaixona por um cliente casado, que lhe promete presentes e carinho. Intenso no drama e com uma cena especialmente sensual e provocativa, quando Chen faz sexo pela primeira vez com o cliente casado, "O mais jovem" apresenta a dura realidade da juventude que teve que abdicar de seus estudos por motivos vários, e que precisa enfrentar a realidade do mercado do sexo. Comovente e com ótimas performances dos atores Etsen Chen, no papel principal, e de Chun-Mei Hou, no papel da avó.

domingo, 16 de junho de 2019

Rastros de um sequestro

"Gi-eok-ui bam", de Hang-jun Zhang (2017) Excelente suspense sul-coreano, com uma trama absolutamente diabólica. O roteiro, do próprio Hang-jun Zhang, possui pelo menos uns 10 Plot twists, daqueles de fazer virar na cadeira. Claro, muitas dessas viradas de roteiro sôam bastante forçadas, para fazer a história avançar, fora algumas coincidências da trama. Mas nada que tire o grande prazer de acompanhar tenso do início ao fim uma história que o espectador pode até tentar adivinhar logo de cara, mas que vai ser constantemente surpreendido com o típico "Achei que seria isso." No ano de 1997, uma família acaba de se mudar para uma casa nova: os pais e os irmãos, Jin-seok, o mais novo ( excelente trabalho de Ha-Neul Kang) e Yoo-seok (o igualmente ótimo Mu-Yeol Kim). Jin Seok venera o seu irmãos mais velho, que sempre foi bastante estudioso e dedicado. Um ano atrás, a família sofreu um acidente de carro e Yoo Seok ficou com defeito na perna. Uma noite, ao retornarem de um passeio, o irmão mais velho é sequestrado, para o desespero de Jin Seok. 19 dias depois, o irmão retorna, mas Yoo Seok estranha a postura do irmão e acredita que ele é um impostor. Um filme obrigatório para quem curte suspense com trama rocambolesco e que propõe um monte de charada. Boas cenas de ação e trilha sonora que remete à trilha de Bernard Hermann, compositor de Hitchcock.

I Am Mother

"I Am Mother", de Grant Sputore (2019) Exibido em Sundance 2019, "I Am Mother" é um excelente filme de ficção cientifica, um surpreendente filme de estréia do australiano Grant Sputore. Co-escrito pelo próprio, o filme é um amálgama de muitos clássicos de terror e ficção científica: 'Alien", "O iluminado", "O exterminador do futuro", "2001" , "Cloverfield 10" são alguns exemplos, com cenas muito semelhantes que claramente são uma homenagem dos criadores. Com apenas 3 atrizes em cena, sendo que uma apenas com a voz ( Rose Byrne) , que dá vida à "Mother", uma andróide emotiva e carinhosa mas também perigosa, uma máquina assassina. As outras atrizes são Hillary Swank, no papel da "Mulher", e Clara Rugaard, no papel da "Filha". No futuro, uma adolescente é criada pela "Mother", uma andróide, que faz o papel de sua mãe, educando-a. A Filha é a única humana existente no universo: a Mãe diz que a humanidade se extinguiu por conta de um vírus e portanto, a menina não pode sair do bunker sob o risco da também ser contaminada. Um dia, uma Mulher surge ferida no bunker, e a Filha se surpreende: a Mulher diz que existem sobreviventes no exterior e que precisam de ajuda. O que está acontecendo de verdade: Teria a mãe mentido sobre o mundo externo? Com um roteiro inteligente e instigante, ótima Direção, atrizes excelentes e efeitos especiais de arrepiar, "I Am Mother" surpreende e cria uma grande expectativa sobre o que de fato está acontecendo. O desfecho é complexo, há que se raciocinar um pouco sobre tudo o que foi visto. É um filme melancólico, claustrofóbico, intimista. Uma grande pedida para quem busca filmes provocadores.

sábado, 15 de junho de 2019

Ray e Liz

"Ray and Liz", de Richard Billingham (2018) Em 1997, uma exposição fotográfica chamada "Sensation" exposta na The Royal Academy of Art em Londres chamou a atenção do mundo: fotos de um casal decadente, o homem alcóolatra e desdentado e uma mulher obesa e toda tatuada, em momentos de pura degradação humana. As fotos foram tiradas em um apartamento de classe média baixa, em um prédio de periferia durante o Governo Tatcher. Descobriu-se depois que o casal eram os pais do fotógrafo, Richard Billingham. No ano anterior, ele já havia lançado um livro de fotos chamado "Ray's a laugh", onde expunha fotos do cotidiano de seus pais. Essa foi a forma que Billingham conseguiu exorcizar a sua difícil relação com seus pais, e que agora ele próprio complementa com o seu filme de estréia. Intitulado "Ray e Liz", nome de seus pais, acompanhamos 3 fases distintas na vida do casal: anos 80, anos 90 e anos 200, já no fim da vida. Richard, nos anos 80, então com 10 anos, morava com seu irmão pequeno Jason em péssimas condições de higiene. Seus pais eram negiigentes e passavam o dia todo bebendo. Quando Jason é esquecido do lado de fora de casa, quase morrendo de frio, a assistência social resolveu tirá-lo da guarda dos pais e entregá-lo a pais adotivos. Richard permaneceu morando com os pais, e sua vida foi eternamente marcada por uma vida de depressão e pobreza. Dramaturgicamente o roteiro parece ter sido extraído de filmes de Ken Loach e Mike Leigh, mas esteticamente, se diferencia bastante. A rotina da classe desempregada da era Tatcher, às voltas com fome e alcoolismo, é apresentada com extremo rigor narrativo. Planos fixos ou com movimentos lentos de travellings, com uma estilização na fotografia que não vemos nos filmes de Ken Loach, mas afeito ao olhar documental. Os atores estão todos excelentes. É um filme barra pesada, difícil de ser visto não pelo ritmo extremamente lento da narrativa, mas pelas cenas fortes e escatológicas. Uma pedrada. O filme ganho quase 20 prêmios internacionais em Importantes Festivais, incluindo Locarno e BFI.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Amarrados para o perigo

"Strapped for danger", de Richard Griffin (2017) Comédia trash LGBTQ+, repleta de erotismo e nudez explícita. Richard Griffin, diretor, editor e produtor do filme, já ganhou dezenas de prêmios em sua filmografia, baseada em filmes B de horror e comédias Lgbtq+, tudo dentro do universo trash. Em "Amarrados para o perigo", ele conta a história de 3 amigos: o casal gay Joey e Matt e o hetero Chuck. Os 3 trabalham como Streapers de um club gay. Cansados da dura rotina, eles resolvem assaltar a clientela e roubar todo o dinheiro da casa. Durante a fuga, eles são encurralados por uma policial homofóbica. Eles sequestram o parceiro da policial, que vira refém. O grupo foge até uma fraternidade universitária masculina. Lá, eles transam com todos os alunos, ao mesmo tempo que tentam descobrir uma forma de fugir da polícia. Impossível não rir de tantas cenas verdadeiramente toscas do filme. Abusando da caricatura gay, mas voltadas para um público Lgbtq+, o filme usa e abusa de closes de genitálias, e sacaneia o feminismo, o machismo, as drag queens, os musicais e tudo o mais que envolve o universo gay. Tecnicamente amador, e com uma deliciosa trilha sonora que evoca os sintetizadores dos anos 80, o filme tem um elenco formado por péssimos atores, mas por isso mesmo, divertidos e totalmente dentro da proposta do filme.

Matar Jesus

"Matar a Jesus", de Laura Mora Ortega (2017) Co-escrita e dirigida pela Cineasta colombiana Laura Mora Ortega, "Matar Jesus" ganhou mais de 18 prêmios importantes em renomados Festivais. O filme é um relato da rotina de violência em Medellin, capital da Colômbia. Uma história como outra qualquer, que acontece a cada minuto em um País da América Latina. Paula ( a ótima Natasha Jaramillo) é uma jovem estudante de Artes. Seu pai é um professor de universidade pública de ciências sociais. Ao voltar para casa com seu pai, ele é assassinado na rua com um tiro. Paula consegue enxergar o assassino na garupa de uma moto. Desconsolada pela forma como a polícia atua no caso de seu pai, Paula resolve sair em busca de vingança. Uma noite, na balada com amigos, ela reconhece o assassino. Se aproximando dele, ela descobre o nome dele, Jesus. Aos poucos, ela vai invadindo a intimidade dele, e descobre que ele também é vítima de violência. O inevitável acontece: ela se afeiçoa a ele. Bem dirigido e com uma câmera documental que vai atrás dos personagens. "Matar Jesus" tem um título dúbio que fala sobre a perda da inocência em todos os sentidos. Sem um desfecho conclusivo, o que poderá irritar muitos espectadores, o filme procura apresentar um flash de violência em uma grande Metrópole, ciente de que não existe solução a longo prazo, diante da total apatia d Governo.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Fora de série

"Booksmart", de Olivia Wilde (2019) A atriz Olivia Wilde estréia na direção com essa comédia dramática premiada em San Francisco e Palm Spings. O filme tem um roteiro já visto diversas vezes em comédias americanas inconsequentes, como na franquia 'Se beber não case", "Finalmente 18", "Projeto X", Superbad" e tantos outros similares. A diferença, é que nesse filme produzido pelo ator Will Ferrel, o foco é no ponto de vista feminino. Dirigido, escrito e protagonizado por mulheres, "Fora de série" destaca a adolescência inconsequente e mais do que isso, fala sobre o tema do desapego e o fim da inocência. Molly e Amy ( as ótimas Beanie Feldstein e Kaitlyn Dever) são cdf e dedicam seu tempo aos estudos. Ao descobrirem que outros colegas que elas consideravam vagabundos também passaram para importantes faculdades, elas decidem ir a uma festa para, pela primeira vez, aproveitarem a vida como elas nunca fizeram antes. Amy saiu do armário há pouco tempo, e Molly morre de ciúmes da amizade de Amy. Juntas, elas tentam descobrir o endereço da festa, mas até chagarem lá, passarão por muitos percalços em uma noite muito azarada e repleta de descobertas. O que difere esse filme de todos os outros citados, é o tratamento dado a ele, com uma narrativa mais autoral e independente. Os diálogos são espertos e o filme ainda flerta com o universo Lgbtq+ e as diferenças, representadas através da gordofobia, bullying contra latinos e a melhor de todas as piadas, o desemprego: o reitor da escola trabalha de noite como motorista de Uber para aumentar sua renda.

Bem vindo de volta

"Bem vindo de volta", de Lucas Vasconcelos (2018) Curta de estréia do roteirista e Cineasta Lucas Vasconcelos, "Bem vindo de volta" poderia também se chamar de "Crônica de uma morte anunciada", em um País como o Brasil onde a cada duas horas, uma mulher é morta, segundo pesquisas. A maioria dessas mortes é causada por ciúmes ou suspeitas de traição. Luiza (Giulia Buscacio) e Felipe (Victor Thiré) formam um jovem casal de classe média alta. Alegres, apaixonados. Um dia, porém, Luiza resolve terminar o relacionamento. Inconformado, Felipe vai na rede social de Luiza e encontra evidências de que ela está saindo com alguém. Felipe pega a sua arma e resolve ir tomar satisfações. Lucas busca referências estilísticas em clássicos do cinema de suspense psicológico, protagonizados por sociopatas, como "Psicopata americano" e "Seven". Com uma fotografia hperrealista e uma montagem frenética, o filme traz elementos de horror, para intensificar o desespero emocional dos protagonistas. Bom trabalho dos atores e um desfecho curioso, que justifica o título do filme.

Fado tropical

"Fado Tropical", de Cavi Borges (2019) O que o Cineasta independente Cavi Borges e a cantora Madonna têm em comum? Em termos cinematográficos, pouco, mas musicalmente, tudo. Ambos buscaram recentemente inspiração musical em Portugal, através das variações globalizadas e estilísticas que vão do Fado, ao rap, ao samba, ao funk, à Batukada. Produzido pela Cavideo e pela JCaetano, "Fado Tropical" é o filme mais emotivo da premiada produtora carioca, falando diretamente ao coração e aos ouvidos. Isabel (Patrícia Niedermeier) é uma cineasta independente brasileira, que se encontra em Lisboa com o seu produtor interpretado pelo também Cineasta Felipe Bond. Apresentando seu novo filme no Festin, Festival de Cinema independente Brasil Portugal, ela reencontra o seu irmão Antonio (Jorge Caetano). Há anos, ele de mudou com o pai para Lisboa, diante do desejo do pai de morrer no País aonde nasceu. Antonio é cantor, mas atualmente trabalha como produtor musical. Isabel sofreu com a partida do irmão, e por isso, a sua relação com ele ficou estremecida. Com a morte do pai, e o desejo de ter suas cinzas jogadas por ambos os filhos em vários pontos de Lisboa. Isabel e Antonio reaprendem a se reconectar, ao mesmo tempo que fantasmas de um passado tortuoso e controverso, que fala sobre um Amor incondicional e além das convenções entre os irmãos, parece querer retornar. Terceiro e último filme da trilogia da Viagem, elaborado pela dupla Cavi Borges e Patrícia Niedermeier, enquanto rodavam países e estados brasileiros durante temporadas de Festivais e Workshops, foi iniciada em 2017 com "Salto no vazio" e depois em 2019 com 'Reviver". Os 2 primeiros filmes possuem uma narrativa mais experimental e poética, enquanto que "Fado tropical" fala sobre memória e sobre Saudade, a tal da palavra portuguesa que não encontra tradução em outras línguas. O roteiro, escrito a 4 mãos por Patrícia Niedermeier e Jorge Caetano, recorre ao elemento mais utilizado pelo gênero Road movie: antagonistas que precisam aprender a lidar com as diferenças e aprenderem a olhar para a frente. E essa trama é realizada com muita dignidade, com sentimentos aflorados que em momento algum, apostam no melodrama barato. É possível encontrar referências cinematográficas em 2 filmes de Walter Salles, acredito que até inconscientemente: "Terra estrangeira", clássico que fala sobre a falta de identidade entre ser brasileiro ou português, e "Diários de motocicleta", com a famosa cena final, com lindos portraits de pessoas anônimas, e aqui, representada por uma família portuguesa em um restaurante. Belamente fotografado, e com uma ficha técnica musical de primeira qualidade, com trilha composta por Rodrigo Marçal e edição de som do craque Bernardo Uzeda, "Fado Tropical" é um filme necessário, um grito de resistência Cultural, realizado com garra e incentivos próprios, que deixa claro o seu amor ao Cinema através de uma cena filmada dentro da Cinemateca portuguesa, onde os 2 irmãos conversam: ao fundo, temos um livro de capa dura intitulado "O Cinema não morreu". Depender desses realizadores, jamais.

Dor e Glória

“Dolor y Gloria”, de Pedro Almodóvar (2019) Premiado em Cannes 2019 com a Palma de Ouro de melhor ator para Antonio Banderas, "Dor e Glória"encerra a trilogia do Desejo, iniciada com "A lei do desejo" em 1987 e em seguida, por "Má educação", em 2004. Os 3 filmes são autobiográficos, se envolvem no ambiente do cinema e trazem um realizador de cinema em crise existencial e criativa, trazendo seu passado e seus fantasmas à tona. "Dor e Glória" é o "Amarcord" e "8 1/2"de Almodovar, um retrato comovente e cativante de um Cineasta apaixonado pela sua profissão. Aqui, Almodovar exorciza a figura de sua mãe, belamente interpretadas por Penelope Cruz e depois, por Julieta Serrano; fala de sua relação conturbada com Antonio Banderas, aqui representado por Leonardo Sbaraglia; a sua infância e descoberta dos desejos homossexuais, através da performance encantadora do menino Asier Flores, responsável por uma das cenas mais lindas do filme, que é ele desmaiando vendo um pintor totalmente nu; fala de suas doenças crônicas e de como elas o impediram por um tempo de continuar filmando, e o seu envolvimento com drogas. O que é real ou fictício no filme, cabe ao espectador tentar descobrir. Almodovar joga muitas pistas, muitas bastante corajosas, abrindo seu baú emocional e seu coração para todo o mundo. Os seus eternos colaboradores continuam firmes e fortes: o fotógrafo José Luis Alcaine, o compositor Alberto Iglesias. O filme reserva pouquíssimos momentos de humor, focando na angústia e na frustração de um Artista que parou de criar. Tem uma frase que o Cineasta de Antonio Banderas, Salvador, diz a um Ator, que resume bastante o cinema de Almodovar: "Eu não quero um Ator que faça chorar. Eu quero um Ator que contenha as suas lágrimas." Particularmente, continuo preferindo "Tudo sobre minha mãe" como meu Almodovar preferido. Mas definitivamente, 'Dor e Glória"está entre seus melhores trabalhos.

Um homem fiel

“L'homme fidèle”, de Louis Garrel (2018) Ninguém tem dúvidas de que Louis Garrel é dos melhores atores franceses de sua geração, filho de um grande Cineasta, Philipe Garrel, de onde veio sua paixão Cinefila. Agora em seu segundo longa, depois do divertido “Dois amigos”, Garrel novamente volta ao tema do triângulo amoroso. Dessa vez, ele convidou para escrever o roteiro Jean Claude Carriere, um mito do Cinema de Bunuel a Godard, passando por todos os importantes cineastas europeus dos anos 60 aos dias de hoje. Garrel trouxe um olhar de Nouvelle Vague ao filme, com um tratamento estético e temático que muito se assemelha a vários clássicos dos anos 60. Rodado em 35 mim, Garrel também interpreta o protagonista Abel. Ele mora com Marianne ( Laetitia Costa, radiante), que mais tarde, ele descobre ter traído ele com Paul, seu melhor amigo é pior, grávida do amigo. 9 anos de passam e Paul morreu. Viúva, Marianne se reaproxima de Abel, que sempre a amou. Só que agora existem 2 obstáculos: o ciumento filho de Marianne, Joseph, que diz a Abel que seu pai foi assasinado por envenenamento pela mãe, e Eve (Lily Depp, filha de Jonnhy Depp com Vanessa Paradis”, irmã de Paul e que sempre foi apaixonada por Abel. Nessa confusão de paixões e traições, Garrel evoca o humor sofisticado de Woody Allen, em cenas bem orquestradas com ótimas performances de todo o elenco. Enxuto, com 75 minutos, é um filme charmoso, com linda trilha sonora e fotografia.

Os dois filhos de Joseph

“Deux fils”, de Félix Moati (2018) O Cineasta Félix Moati também é ator e interpretou um dos personagem do sucesso “Um banho de vida”. Agora, ele escreve o roteiro de “ Os dois filhos de Joseph”, um filme onde ele quer discorrer sobre a masculinidade dentro de uma família formada apenas por homens: pai, Joseph ( Benoit Poolvedore” e seus dois filhos, Ivan, de 13 anos, e Joaquim ( Vicente Lacoste, um dos jovens atores mais prolíficos da França atualmente). A família se dá muito bem. O pai é médico, Joaquim um brilhante estudante de psicologia e Ivan os vê como um espelho. Mas quando o irmão de seu pai morre, Joseph perde o rumo e desiste de ser médico, se voltando para a escrita, seu grande sonho. Joaquim por outro lado, vai se tornando relapso e péssimo estudante. Fora isso, os dois irmãos estão as voltas com desejos e paixões de um Primeiro amor. Comédia dramática mais puxada pro drama, com fotografia bastante escura e um tom narrativo mais sóbrio. O filme carece de ritmo, e o roteiro perde o foco ao querer narrar as histórias dos três homens e suas relações com varios personagens paralelos. Apesar dos três bons atores, o filme não decola. Faltou se apaixonar mais pelos personagens, fundamental para quem quer falar sobre “loosers”.

terça-feira, 11 de junho de 2019

The Mustang

"The Mustang", de Laure de Clermont-Tonnerre (2019) Drama independente americano, dirigido pela atriz francesa Laure de Clermont-Tonnerre, e vencedor de um prêmio especial em Sundance 2019. Tomando como base o programa de reabilitação de prisioneiros perigosos, que são obrigados a treinar cavalos selvagens, os Mustangs", como forma de treinar o psicológico e a reabilitação em sociedade, o filme conta a história de Roman (Matthias Schoenaerts), um homem violento e temperamental que recebeu pena de 12 anos por ter batido na sua ex-companheira, que ficou com traumas físicos sérios. Roman evita qualquer contato com pessoas, evitando inclusive sua filha adolescente Martha, que o visita para pedir para que ele assine uma carta de emancipação. Ao receber a missão de treinar o mais selvagem dos mustangs, ao qual ele apelida e Marquês, Roman vai entendendo o paralelo da vida desse animal e a sua própria vida: arredio, anti-social, violento e intempestivo. Seguindo a tradição do sub-gênero americano que se utiliza de cavalos para falar sobre virada de personagens, através do convívio e aceitação de sua fraquezas e virtudes, "The mustang" é um filme muito bem dirigido, com atuação exemplar do ótimo Matthias Schoenaerts, e também de Bruce Dern. Tecnicamente o filme é impecável, principalmente na fotografia e na edição. O desfecho é emocionante e mesmo caminhando para um melodrama, vale pelo trabalho do elenco.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Mapplethorpe

"Mapplethorpe", de Ondi Timoner (2018) A cineasta independente americana Ondi Timoner foi, por 2 vezes, Ganhadora do Sundance por dois de seus documentários, tendo ganho o Grande Prêmio do Juri. Em 2018, ela lançou a sua cinebiografia do Artista plástico e fotógrafo americano Robert Mapplethorpe, morto aos 42 anos de idade em 9 de março de 1989, em decorrência do HIV. Nascido no Queens, e tendo estudado Artes Plásticas, no final dos anos 60 Mapplethorpe conheceu a poetisa e cantora Patti Smith. Moraram juntos e criaram parcerias artísticas. Ao se assumir gay e revelar casos com outros homens, Mapplethorpe se afasta de Patti. ele conhece vários amantes, assistentes, empresários que acabaram levantando exposições que expusessem suas fotos explícitas de sexo e nudez para um público seleto que começou a venerar as fotos. No limite da Pornografia e Arte, as fotos enfrentaram resistência e galeristas, público, mas adquirindo um status de cult entre celebridades. Mapphetorpe, já no auge, contraiu HIV vindo a falecer. Toda sua obra foi doada pela fundação para a Getty Research Institute, com trabalhos indo dos anos 1970 até 1989. Até hoje, mais de 50 milhões de dólares foram arrecadados para pesquisa de apoio ao HIV. Assim como o filme "Linda Lovelace", "Mapplethorpe" sofre com a extrema caretice da narrativa. Linda Lovelace ficou famoso pelos seus filmes pornôs e pela famosa cena de sexo oral, no filme "Garganta profunda". O filme ficou pudico, nem mesmo nudez teve. "Mapplethorpe "até tem algumas cenas de nudez, mas as cenas de relacionamento, sessões de fotografia provavelmente foram pensadas para atingir um grande público. O filme ficou chato, arrastado, os personagens sem carisma, tudo muito burocrático. A essência da vanguarda artística e polêmica passou longe, para um público cinéfilo que vai em busca de algo mais avassalador.

domingo, 9 de junho de 2019

Vil romance

"Vil Romance", de José Campusano (2008) Há tempos eu não via um filme argentino tão ruim como esse "Vil romance". escrito e dirigido por José Campusano, o filme conseguiu a façanha de ser exibido em diversos Festivais, incluindo o importante Festival de Mar del Plata. Roteiro ruim, atores amadores, edição fraca, direção atirando para todos os lados. O filme não se decide em relação ao gênero: quer ser drama, quer ser humor negro, quer ser policial. "Vil Romance" é um filme LGBTQ+ que fala sobre um relacionamento tóxico. Raul é um adolescente de família classe média baixa. Ele trabalha como mecânico em uma oficina, e passa suas noites em busca de sexo com outros homens em bares e ruas. Sua mãe e sua irmã igualmente procuram homens para saciar desejos sexuais em casa. Um dia Raul conhece Roberto na rua: um homem mais velho, e que trata Raul como um objeto sexual: o estupra, o violenta, pratica atos masoquistas. Raul gosta dessa relação e cada vez mais procura por Roberto. Um dia, ele conhece um espanhol, que se apaixona por Raul. Roberto quando fica sabendo da existência desse espanhol, resolve se vingar. O filme contém cenas de sexo explícito, e algumas doses involuntárias de humor. Ri bastante com a tosquice do filme, e essa é a única forma de se assistir ao filme do início ao fim. Esse é a da turma do quanto pior melhor. Vale assistir com amigos e se divertir. Os atores são fraquíssimos, e por isso mesmo, um grande barato.

Ma

"Ma", de Tate Taylor (2019) Um filme de suspense com Octavia Spencer interpretando uma psicopata serial killer? Essa ideia sensacional é o que salva esse projeto: Octavia engole todo mundo no filme, tanto o jovem elenco de desconhecidos, quanto o veterano Luke Evans, o Gaston de "A Bela e a fera". Juliette Lewis, que nos anos 90 já foi ninfeta de tantos filmes cults, agora interpreta uma mãe à la Winona Ryder em 'Stranger Things": solteira, independente e bastante mandona e defensora de sua filhota, a tímida e insegura Maggie. Ela e sua mãe se mudam para uma pequena cidade, onde Erica (Lewis) conseguiu um emprego em um cassino. Lá, Maggie se torna amiga de um grupo de 4 amigos: Haley, Andy, Chaz e Daryll. O grupo decide comprar bebida alcóolica para uma festinha, mas como são menores de idade, pedem ajuda à uma desconhecida, Sue Ann (Spencer) para comprar. Logo, ela se torna amiga deles e os convida para fazerem festinha no porão de sua casa. Com um roteiro esperto, remetendo aos filmes de psicopatas dos anos 80 e 90, o Cineasta Tate Taylor, que também é ator e aqui faz uma ponta como um policial, diverte a platéia com um punhado de clichês do gênero, mas que funciona a contento, muito por conta do talento de Octavia, que dá credibilidade à uma personagem que faz tudo para se vingar de um fantasma do seu passado.

sábado, 8 de junho de 2019

Atentado ao Hotel Taj Mahal

"Hotel Mmbai", de Anthony Maras (2018) Co-escrito e dirigido por Anthony Maras, "Atentado ao Hotel Taj Mahal" reproduz a história real do dia 26 de novembro de 2008, quando um grupo islâmico terrorista formado por 10 homens provocou inúmeros atentados em Mumbai, maior capital da Índia. Entre os atentados, estavam a rodoviária, um café frequentado por turistas e o Luxuoso Hotel Taj Mahal, point de milionários, artistas e celebridades e considerado um dos hotéis mais caros do mundo. Ali, morreram mais de 100 pessoas, entre hóspedes e funcionários. O filme faz uma homenagem aos funcionários, que dedicaram suas vidas para salvar os hóspedes, e cujo lema do Hotel é : "Hóspede é Deus". Entre os que estão no Hotel e que lutam pela sobrevivência, estão o garçon Arjun (Dev Patel) e o americano David (Armie Hammer), casado com Zahra e acompanhado da babá Sally e seu bebê. Quando os ataques começam no Hotel, o grupo acaba se separando, e precisam se reencontrar para poderem fugir juntos com vida. O filme é violento e brutal, e não poupa esforços para mostrar a violência que aconteceu no Hotel. Logo de cara, os terroristas chacinam todos que estavam no Lobby, dando tiros na cabeça, sem trégua. Os assassinos são apresentados como máquinas de fúria, guiados pela religião e por um Mentor. Entende-se que eles matam os turistas como forma de protestar contra o "roubo" das riquezas do País. A direção de Anthony Maras é dinâmica e mostra bastante agilidade nas cenas de ação. O filme só poderia ser pelo menos 20 minutos menor.

Graças a Deus

"Grâce à Dieu ", de François Ozon (2018) É impressionante o ecletismo de Ozon, que alterna dramas com comédias, musicais, sátiras, fantasias e agora, um denso drama que reconstitui uma história real ainda em julgamento: um grupo de vítimas masculinos que entraram com um processo contra o Padre francês Bernard Preynat, que atuou em diversos lugares, como França, Irlanda, Portugal, etc. Alexandre (Melvil Poupaud), François (Denis Ménochet) e Emmanuel (Swann Arlaud) foram vítimas do Padre quando eram escoteiros mirins mos acampamentos da Igreja liderados pelo Padre. Abusados sexualmente, eles foram calados pelos pais na época ou tiveram suas denúncias enterradas pelo Alto escalão da Igreja. 30 anos depois, Alexandre descobre que o Padre voltou a trabalhar na Igreja de Lyon e lecionar catecismo com crianças, e resolve ir atrás para exorcizar seus fantasmas do passado. Outras vítimas se unem para impedir que o Padre trabalhe e que seja excomungado e levado ao tribunal, mas enfrentam resistências da Igreja. O filme aborda em quase 140 minutos a vida desses 3 homens, brilhantemente interpretados , além de todo o numeroso elenco. Cada personagem se relaciona com os pais, filhos, espoas, e de que forma o abuso transformou suas vidas e a dos familiares. O Ator Bernard Verley tem a difícil missão de dar vida ao Padre Preynat, sem torná-lo uma caricatura de vilão. O filme ganhou o Urso de Prata em Berlin, concedido pelo Juri. Um filme corajoso e ousado, que não teve medo de filmar cenas com crianças e que com certeza, permanecerá na mente dos espectadores por um bom tempo. O pior de tudo, é descobrirmos o motivo do filme se chamar "Graças a Deus". Revoltante.

Boas intenções

"Les bonnes intentions", de Gilles Legrand (2018) Comédia dramática francesa co-escrita e dirigida por Gilles Legrand, é um sub-gênero que merece classificação própria: professor que chega para dar aula a uma turma de alunos desajustados e que, com o tempo, dedicando amor e atenção, consegue transformar a todos, incluindo a si próprio. Você já assistiu a esse filme mil vezes. Aqui, a diferença é que o tema principal é o humanismo e o tratamento feito pelos franceses aos refugiados e estrangeiros. Brincando com todos os clichês sobre estrangeiros, incluindo negros, asiáticos, judeus, etc, o filme tem uma excelente protagonista, Isabelle (Agnès Jaoui, ótima), uma professora de francês que dedica o seu tempo aos refugiados e acaba esquecendo seus 2 filhos adolescentes e e marido. A turma que Isabelle está dando aula é formado por adultos estrangeiros, que precisam aprender a língua para poderem trabalhar no País. O filme bota em pauta várias questões humanitárias, embaladas por drama e humor e uma protagonista altruísta que acredita estar fazendo bem aos outros, mas esquecendo dos seus próprios familiares. Com ótimos atores no elenco, o filme diverte e emociona, e na área da comédia, reveza um humor refinado com uma comédia quase beirando o pastelão, mas com bons resultados.

Pássaros de verão

"Pájaros de verano", de Cristina Gallego e Ciro Guerra (2018) Em 2016, o cineasta Colombiano Ciro Guerra ficou mundialmente famoso ao ter o excelente "O abraço da serpente" como um dos finalistas para o Oscar de filme estrangeiro. Agora, dirigindo junto de sua esposa, Cristina Gallego, Ciro Guerra conta a história do surgimento do tráfico na Colômbia dos anos 60 a 80 através da saga de 2 famílias indígenas, uma delas, os wayúus, um povo indígena que vive da região de Guajira. Rapayet saiu de sua aldeia wayuú e foi mora na cidade de Medellin. Quando resolve retornar, quer pedir a mão de Zaida em casamento, mas a mãe dela, Ursula, exige que Rapayet siga os preceitos e tradições da cultura de sua tribo. pois alega que Rapayet passou muito tempo fora e perdeu a ancestralidade. Necessitado de dinheiro, Rapayet conta com a ajuda do amigo Moisés, um alijuna ( que não é indígena). Moisés diz que o País está sendo visitado por americanos hippies que querem consumir maconha. Os dois amigos resolvem ir buscar maconha com uma família que planta maconha. A partir daí, Rapayet torna-se fornecedor de maconha para os americanos. Ursula pressente que algo de ruim irá acontecer com a família, mas ela mesma decide entrar no tráfico. Com excelente direção e um roteiro que lembra a ascenção e derrocada da família Corleone de "O Poderoso Chefão", "Pássaros de verão" é um curioso estudo antropológico que reveste uma trama mafiosa de sangue e violência, onde traições são pagas com sangue . O elenco mistura atores profissionais e amadores, com grande acerto, como já haviam feito no filme anterior. É um filme violento, e que ganhou diversos prêmios em importantes Festivais.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Não é o Pornógrafo que é perverso..

"It is Not the Pornographer That is Perverse... ", de Bruce La Bruce (2019) Parafraseando um filme LGBTQ+ cult do Cineasta alemão Rosa von Praunheim, "Não é o homossexual que é perverso, e sim a sociedade em que ele vive", o igualmente contestador e polêmico Bruce la Bruce traz uma antologia de 4 curtas eróticos gays, escalando como protagonistas, modelos da produtora de filmes pornôs Cockyboys. 1) Diabo em Madri- Um diabo surge no cemitério de Madri, tentando seduzir homens que velam os seus entes queridos. Um anjo sedutor surge para salvar a alma desses homens, mas o Diabo o seduz. 2) Über Menschen- Um professor ( o astro Colby Keller) viaja de Buenos AIres para Madri para se suicidar da Ponto de Segovia. O motorista do Uber que o leva até lá, ao perceber as intenções do homem, o convida para uma boa transa, para que ele desista da idéia. 3) Purple Army Faction- Um grupo armado quer evitar a alta população mundial, e para isso, sequestra homens heteros nas ruas com a intenção de torná-los gays. O filme é protagonizado pelo astro pornô francês François Sagat, que já havia sido dirigido por Bruce la Bruce no filme "Um homem no banho". 4_ Cinema sujo- Durante a exibição do filme "Thw Raspberry Reich", de Bruce La Bruce, a platéia se deixa envolver pelos ideais do filme e começam a transar e a praticar uma grande orgia. Bruce la Brice já realizou clássicos do cinema underground gay, como "The Hustle white", "The raspberry reich", "Otto", "Super 8 1/2". Mas aqui ele perdeu a mão e faz uma paródia pobre de seu filme "The Rasbperry reich", no entanto, sem a mesma força ou militância. Escalando modelos de filmes pornôs sem talento para dramaturgia, La Buce deixa claro as suas reais intenções com o filme: muito sexo explícito e conteúdo em segundo plano.

Godzilla II- Rei dos Monstros

"Godzilla II - King of monsters", de Michael Dougherty (2019) Sequência do filme de 2014 dirigido por Gareth Edwards e ignorando totalmente a existência do filme de 1998 de Roland Emmerich, "Godzilla II- Rei dos Monstros" traz uma reviravolta na personalidade do monstro radioativo: Godzilla agora é do bem e quer ajudar os humanos a destruírem os Titãs, que são Monstros que querem destruir o planeta. Entre os monstros, está o Rei Ghidorah e Rodan. Mothra, a borboleta gigante, ajuda Godzilla a lutar contra os outros bichanos. Vera Farmiga e Millie Bobby Brown ( a Eleven de "Stranger Things" são mãe e filha. Emma (Farmiga) é uma cientista que quer descobrir uma forma de controlar os Titãs através de ondas eletromagnéticas. Seu marido se separou dela quando o filho deles moreu durante o ataque de Godzilla em 2014. A família se une quando Emma e sua filha são sequestradas por Jonah, um eco-terrorista que quer controlar os monstros. Com longos e intermináveis 135 minutos, "Godzilla" poderia ter no mínimo 30 minutos a menos, principalmente na parte que conta a história chata da família de Emma. Essa mania de, em filmes catástrofes, o drama humano virar Divã para reconciliação é uma grande chateação. O que tem de bom no filme claro, são os efeitos e a porradaria. De resto, muito drama familiar enfadonho e um desfecho sem noção que faz chamada para uma continuação totalmente descnecessária.

Homens expostos

"Private dicks- Men exposed", de Thom Powers e Meema Spadola (1999) Documentário que tem como tema um dos elementos do corpo humano masculino de maior tabu em qualquer lugar aonde ele é comentado: o Pênis. 25 homens de todos os gêneros ( hetero, gay, trans), raças (latino, brancos, asiáticos, negros) e idades entre 17 a 70 anos comentam sobre a sua própria experiência com o seu pênis: tamanhos, doenças, vergonha, exposição em público, masturbação, libido, paralisia, enfim, todos os assuntos abordados e relacionados ao pênis são questionados e respondidos pelos entrevistados, em grande maioria, nús em pêlo, com nu frontal. A idéia do documentário é desmistificar a imagem do pênis para o grande público: homens conversam espontaneamente enquanto surgem nus. Os diretores querem que o espectador veja o órgão sexual masculino sem er que desviar o olhar e se sentirem confortáveis. O filme poderia ter sido mais divertido, e terem selecionado melhor os depoentes. Mas a ousadia e a coragem dos realizadores é bem vinda, e mesmo irregular, é um grande feito ter sido realizado e apresentado sem censura.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Domino

"Domino", de Brian de Palma (2019) Com um Elenco All Star, que vai dos atores de "Game of Thrones" Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lennister) e Carice van Houten (Melisandre) a Guy Pierce, o Cineasta Brian de Palma retoma a direção de filmes desde "Passion", seu filme de 2012. Todos os estilos narrativos e técnicos de Brian estão aqui: câmera lenta, planos longos e virtuosos, zoom, POV de binóculo, desfecho épico em uma locação repleta de figurantes e trilha sonora excessiva e dramática, composta pelo eterno companheiro Pino Donaggio. O roteirista Petter Skavlan, do ótimo "Kon Tiki", escreveu um dos piores textos para um filme de de Palma. Tudo na história é ruim e pavoroso, sem nenhuma surpresa, sem nenhuma reviravolta que a gente amava ver nos filmes de Mestre de suspense. A homenagem à Hitchcock continua, com uma referência a "Um corpo que cai" e uma perseguição no telhado. Mas isso é muito pouco, para quem nos presenteou com algumas grandes obras primas do cinema, como 'Carrie", "Um tiro no escuro", "Vestida para matar", "Os intocáveis", "O pagamento final", entre outros. A trama, mirabolante e confusa, gira em torno de terroristas islâmicos , agentes da CIA, policiais dinamarqueses e touradas em um estádio espanhol. Nikolaj Coster-Waldau é Christian, um policial dinamarquês que quer vingar a morte de seu colega, um policial casado que tinha como amante a também policial Alex ( Carice). Juntos, formam uma dupla, que descobrem que o responsável pela morte do colega é um terrorista líbio que é cooptado por um agente escroque da CIA, Joe ( Guy Pierce). Nem dá para falar muito do filme, pois tudo é uma grande tristeza e uma pálida sombra do gênio que de Palma foi. Li que ele próprio rejeitou o filme, acusando os produtores de terem reeditado tudo. Mas com esse roteiro, fica difícil imaginar se ele realmente era melhor. A cena de uma terrorista massacrando atores, equipes em um festival de cinema parece uma vingança de de Palma por ter sido esnobado pelos grande eventos cinematográficos.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Um filho

"Un fils", de André Gaumond (2011) Escrito e dirigido por André Gaumond, "Um filho" é um premiado filme canadense, que tem como tema o abuso sexual contra adolescentes. Frederic, um adolescente, é levado por sua mãe até um Psicólogo, Sebastien. O rapaz vai contra a vontade dele. Aos poucos, o psicólogo quer saber os motivos do rapaz tentar o suicídio. Aos poucos, se revela os maus tratos e violência sexual do padrasto do garoto. Desesperado, Frederic diz ao psicológo que não quer mais voltar para casa. Com ótimas performances dos dois atores principais, "Um filho" tem bons diálogos e direção firme de André Gaumond. Gaumond se apropria de um tema bastante denso para fazer um alerta à sociedade diante do aumento de caso de estupros contra crianças e adolescentes dentro de suas casas.

domingo, 2 de junho de 2019

Ace

Av
'Ace", de Jordan Gear (2018) Curta LGBTQ+ independente americano, com uma pegada de Gus Van Sant dos anos 90. Ace é um calouro introvertido, que chega na faculdade e se enturma com outros estudantes. Nesse universo de estudantes tão ecléticos, Ace se interessa por Z, um jovem negro hetero que namora uma das garotas. Durante uma festa, os 2 trocam olhares e flertes, que culmina em uma one night stand. No dia seguinte, Ace fica inseguro sobre os sentimentos que nutre por Z, ao passo que esse se interessa cada vez mais pelo outro rapaz. Um filme que fala sobre inseguranças acerca da sexualidade, o filme aponta para as incertezas no âmbito do relacionamento. Bem filmado, com uma fotografia e imagem estilizadas, alternando preto e branco e cores, o filme é filmado de forma bastante despojada, quase um documentário com atores amadores.

sábado, 1 de junho de 2019

Dias vazios

"Dias vazios", de Robney Bruno Almeida (2018) Escrito e dirigido por Robney Bruno Almeida, 'Dias vazios" competiu no Festival de Tiradentes 2019. Longa de estréia do cineasta goiano, o filme se passa na pequena cidade de Silvânia, no interior de Goiás. O filme tem como temas o desencanto da juventude e o suicídio, e como muitos filmes recentes brasileiros, são filmes bastante pessimistas. Livremente adaptado do livro "Hoje Está um Dia Morto", escrito por André de Leones, o filme se passa em duas épocas distintas e com dois casais separados pelo tempo. Jean e Fabiana estudam em um colégio católico. Namorados, eles não sabem o que fazer de suas vidas assim que se formarem. Ambos demonstram o desejo de sair da cidade, mas não encontram estímulo para tal. Jean acaba se suicidando com um tiro na cabeça, e Fabiana desaparece. Dois anos depois, Daniel e Ailana estudam no mesmo colégio.Igualmente apáticos, suas vidas espelham a de Jean e Fabiana. Daniel decide escrever um livro sobre Jean e Fabiana, e imagina um final para Fabiana. Aos poucos, a identificação entre os 2 casais vai cada vez mais se aproximando. Corajoso por tratar do tema do suicídio de forma crua e sem apelações melodramáticas, "Dias vazios" não deve ser visto por pessoas depressivas. Um alerta contra a apatia dos pais e da sociedade, além da Igreja, fortemente criticada no filme, que nada ou pouco fazem para salvar as vidas de jovens depressivos. Com um ótimo elenco de jovens, preparados por Fátima Toledo, e a participação especial e bastante significativa de Carla Ribas no papel de uma freira, o filme incomoda pelo tema, mas faz vislumbrar um cineasta com domínio de sua narrativa.

A saída do comerciante

"Trademans's exit", de Tom E. Brown (2015) Escrito, dirigido, protagonizado, editado e produzido por Tom E. Brown, esse curta teve participação em vários Festivais, e é um drama LGBTQ+ que brinca com o universo do Macgyver, aquele detetive que produzia todo tipo de equipamento para resgate e explosivos. O filme começa com Hank produzindo todo tipo de explosivos e detonadores, e com um semblante nitidamente de quem está irritado com algo. Logo, a verdade de revela. Singelo mas com boa edição, o filme tem um roteiro esperto, um plot twist curioso.

Primeiro ano

"Première année", de Thomas Lilti. O Cineasta e roteirista francês Thomas Lilti é médico de formação e isso explica porquê todos os seus filmes giram em torno da Medicina. "Hpócrate", "Insubstituível" e agora "Primeiro ano". Com atuações brilhantes de Vicente Lacoste ( do recente "Amanda") e William Lebghil, "Primeiro ano" tem um tema muito comum aos estudantes brasileiros: a preparação e o stress emocional para o Vestibular. O filme também é uma linda homenagem à amizade, com uma cena final de fazer soltar lágrimas. Antoine (Lacoste) tenta pela terceira vez passar para Medicina, sem sucesso. Por ser veterano em Vestibular, ele é incumbido da missão de ser o monitor do calouro Benjamin ( Lebghil), que está tentando prova para medicina pela primeira vez. Ambos possuem questões com seus pais: enquanto os pais de Antoine pedem para que ele não se sacrifique tanto, pois os estudos estão deixando ele surtado, o pai de Benjamin, que também é médico, não lhe dá muito crédito, o considerando fraco e sme vocação. À medida que Antoine vai percebendo que Benjamin tem mais chance de passar no vestibular do que ele, a amizade vai degringolando. Bem dirigido, com um roteiro bastante eficiente, apesar de muito verborrágico, o filme acompanha todas as fases que qualquer estudante já enfrentou. As cenas das provas e dos resultados são muito bem editados, dando um enorme tom de suspense. O filme se permite a uns pequenos toques de humor.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

A urtiga

"A urtiga", de Piaoyu Xie (2017) A roteirista e cineasta chinesa Piaoyu Xie foi estudar cinema em Praga e ali ela dirigiu esse drama LGBTQ+ "A urtiga". O filme lembra bastante o drama "A garota dinamarquesa", com o tema da crise da masculinidade e da descoberta de uma nova identidade de gênero. Nikola e Anna formam um casal pós adolescente. Uma noite, Anna maquia Nikola, passando batom. Esse gesto faz com que Nikola se "acenda" para a sua homossexualidade, até então, latente. Quando ambos vão passar o feriado na fazenda do pai de Anna, Nikola encontra ali uma possibilidade de ser o seu primeiro relacionamento com outro homem. Delicado e sensível, é um filme que trata de temas controversos, mas dirigido com competência por Piaoyu Xie. Os atores estão bem, apesar de eu achar a escalação de Vojtech Hrabák, no papel de Nikola, um miscasting, pois ele é bastante afeminado e não coerente com o personagem, que deveria ser dúbio.

Zoo

"Zoo", de Antonio Tublen (2018) Usar a infecção zumbi como metáfora para se falar de relacionamento de um jovem casal que está em crise é o que propõe o roteirista e cineasta Antonio Tublen, nessa co-produção Inglaterra/Suécia/Dinamarca. Produção de baixo orçamento, o filme conta a história d casal Karen e John: ele professor, e ela, descobre-se depois, traficante de drogas. Ambos quase não se falam mais, tal a falta de assunto que um tem pelo outro. Mas ao acordarem no dia seguinte, descobrem que o mundo foi tomado por uma epidemia zumbi, e que as autoridades recomendam a ninguém sair de casa. Mas a comida vai escasseando, e fora isso, pessoas tentam entrar no apartamento deles procurando por refúgio. Durante esse processo de isolamento, o casal vai aceitando as suas diferenças. Filmado todo dentro de um apartamento e com poucos atores, o filme não se decide entre ser um drama, comédia de humor negro ou filme de zumbi. Fora isso, a evidente falta de dinheiro torna o filme enfadonho, com diálogos intermináveis e uma lavação de roupa suja bem chata, algo que não combina com filme de zumbis. Os atores são bons, mas o roteiro não ajuda muito a criar carisma para eles.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Os donos da rua

"Boyz in the hood", de John Singleton (1991) Obra-prima do Cinema independente americano, "Os donos da rua" foi escrito e dirigido por John Singleton, morto em 2019. John Singleton é o cineasta mais jovem a ser indicado ao Oscar da categoria Diretor, aos 24 anos de idade. O filme é inspirado na vida real de John Singleton. Assim como o protagonista Tre (Cuba Gooding Jr, adulto), quando criança ele foi deixado por sua mãe, Reva, (Angela Basset) aos cuidados do ex-marido, Furious, interpretado por Lawrence Fishburne, para fazer Tre se tornar homem. Furious mora em um gueto na periferia de Los Angeles, local dominado por gangues. Furious faz de tudo para manter seu filho Tre longe da bandidagem, das drogas e traficantes. Tre tem 3 amigos: Doughboy, Cris e Ricky. Sete anos se passam, agora todos são adultos. Tre e Ricky estudam para entrar na faculdade, Doughboy e Cris se tornam malandros. eles precisam lidar com as dificuldades do bairro, dominado por traficantes. Logo na cartela inicial, existe a seguinte informação: "De cada 21 negros assassinados, 1 é morto por um outro negro.". O filme explora as brigas de facções dominadas por traficantes negros, que controlam o tráfico de drogas de áreas pobres de Los Angeles. A grande mensagem do filme é que, mesmo com todas as adversidades, é possível se manter alheio ao crime. O filme é uma bela homenagem à figura do pai de Singleton, interpretado por Lawrence Fishburne com muita força e carisma, e também um ode à amizade. Singleton faz referências diretas à "Conta comigo", clássico de Rob Reiner. É um filme poderoso, com imagens fortes, estilo quase documental e grandes performances. Obrigatório.

Rocketman

"Rocketman", de Dexter Fletcher (2019) O Cineasta inglês Dexter Fletcher já havia dirigido um musical, o excelente "Sunshine on Leith", e também já havia trabalhado com Taron Egerton em "Voando alto". Agora, ele junta Taron e o Musical para a sua cinebiografia delirante de Elton John, que também foi o produtor do filme. Elton John não teve senão para abrir a sua vida e expôr ao público a sua fase mais negra: a dos anos 70, de quando surgiu para o estrelato, o seu envolvimento com um empresário gay inescrupuloso, vivido por Richard Madden, a sua péssima relação com seus pais, que não o amavam, o companheirismo com o seu eterno compositor Bernie, interpretado por Jamie Bell, um casamento de fechada fracassado, com uma mulher e a sua aceitação como homossexual. Tudo isso é embalado com números musicais extravagantes e belamente coreografados e orquestrados, que diferente de "Bohemian Rapsodhy", são performances que transcendem os musicais antigos, onde tudo no entorno para e os personagens cantam e dançam. Tecnicamente o filme é impecável: Fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem, edição. Também Ator, Dexter Fletcher extrai do seu elenco performances arrebatadoras:. Taron Egerton está brilhante, magnético, repleto de nuances, além de cantar de verdade. Richard Madden, Jamie Bell estão perfeitos e Bryce Howard Dallas, irreconhecível como a mãe de Elton, Sheila. Impossível não se emocionar e não querer cantar junto quase todos os hits que com certeza, embalaram a vida de todos.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Joy

Joy", de Sudabeh Mortezai (2018) A roteirista e Cineasta alemã Sudabeh Mortezai é filha de iranianos. Desde o seu primeiro filme, "MAcondo", ela já tinha como tema comum à sua filmografia a questão dos refugiados. Agora, com "Joy", ela fala sobre a prostituição e o tráfico de mulheres nigerianas para países da Europa, no caso, Austria. "Joy" venceu dezenas de prêmios em Festivais Internacionais, entre eles, Melhor filme no London Film Fetsival e prêmio especial em Veneza. Joy é uma nigeriana que para poder trabalhar na Austria como prostituta, faz um ritual de feitiçaria em sua comunidade na Nigéria chamada "Juju", onde ela pede para que tudo dê certo no exterior, e caso ela falte com a promessa, tudo dará errado para ela. Já na Austria, ela trabalha como prostituta para uma cafetina, chamada Madame, que explora as suas meninas e somente pagando um valor alto, devolve o passaporte para elas. Joy enfrenta todo o tipo de situação nas ras, e para piorar a sua questão financeira, é obrigada por Madame a ajudar uma jovem prostituta, Precious, a aumentar a sua renda. O problema é que Precious não quer ser uma prostituta e sim, poder trabalhar em outros serviços. Escalando atrizes amadoras, a cineasta Sudabeh Mortezai obtém um rendimento impressionante de suas 3 atrizes principais. O filme é cruel, em estilo documentário, mostrando todo tipo de violência contra as mulheres. Não é um filme fácil de se assistir. Vale pelo excelente trabalho de Direção e performances. O roteiro investe em clichês do Gênero sobre exploração sexual. A fotografia é um dos pontos altos do filme.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Inferninho

“Inferninho”, de Gustavo Parente e Pedro Diógenes (2018) Vencedor do Prêmio Teddy no Festival do Rio 2018, dedicado a filmes com temática Lgbtq+, além de outros prêmios em Importantes Festivais, “Inferninho” é mais uma realização do importante Coletivo Alumbramento, do Ceará, de onde o Cineasta Gustavo Parente faz parte. Realizador dos excelentes “Doce amianto” e “ O clube dos canibais”, Parente agora divide a direção e roteiro com Pedro Diógenes. O filme me lembrou o recente “Paraíso perdido”, de Monique Gardemberg e “Querelle”, clássico de Fassbinder. Todos esses filmes são bastante teatrais, com atuações empostadas e cenário e fotografia estilizados. “Inferninho” é um pequeno bar Cabaret, cuja dona, Deusimar, uma mulher trans, herdou de sua avó e sua mãe e que cresceu sempre ali dentro. Uma trupe bizarra de funcionários trabalha com ela, entre eles, uma faxineira lésbica, um pianista mudo tipo Excêntrico e um Coelho, além de uma cantora poliglota que canta forro em versão sensual. Os frequentadores são parte do universo Pop: Darth Vader, Wolverine, Mulher Maravilha, Mickey. No meio disso tudo, Deusimar se apaixona por um marinheiro, Jarbas. Empresários inescrupulosos querem comprar o bar para construir uma estrada e assim, Deusimar se sente dividida entre manter o local ou vender. Metáfora sobre a militância e resistência em períodos sombrios, “Inferninho” faz uso de uma linguagem bastante livre e debochada, mesclando gêneros. Nada é para se levar a sério, o melodrama exacerbado vem em tons de humor. O filme é bastante claustrofóbico, e quando no final Deusimar se sente livre e “viaja” por países, o filme atinge o seu ápice criativo e emocional. Belo, lúdico e inquietante, o filme conta com um trabalho refinado de todo o elenco, que não teve medo de fazer um registro bastante diferente do naturalista.

O Caravaggio roubado

“Una historia senza nome”, de Roberto Andó (2018) Comédia de espionagem na linha dos clássicos “ Charada” e “ Arabesque”, famosos filmes protagonizado por Audrey Hepburn e Sophie Loren nos anos 60 e que as envolvia em tramas mirabolantes, “O Caravaggio roubado” parte de uma premissa real: o roubo do quadro “Natividade” de Caravaggio, que aconteceu em 1969 e até hoje, avaliado em 150 milhões de dólares, não foi localizado. O filme procura criar uma trama fictícia que envolve a Máfia e o Cinema, através da metalinguagem. Com o título original de “Uma história sem nome”, o filme conta a história de Valeria, secretaria de um famoso produtor de Cinema. Ela é amante do famoso roteirista de sucesso Alessandro, mas sem ninguém saber, é ela a verdadeira autora dos roteiros. Alessandro, que sofre de crise criativa, paga para que Valeria escreva e ela, morrendo de amores por ele, aceita a parceria. Um dia, ela é abordada por um homem mais velho que diz ter uma ideia original para ela escrever o roteiro enque fala sobre o roubo da obra de Caravaggio. O argumento é aprovado para ser filmado pelo famosos Cineasta Kunze ( o Cineasta Polones Jerzy Skolimowsky) mas logo todos se veem envolvidos em uma trama muito louca envolvendo a Máfia que quer recuperar a Obra. O filme tem momentos divertidos e a protagonista Micaela Ramazotti é muito carismática e talentosa. Mas as varias sub tramas e um roteiro longo e disperso que não se define sobre qual filme contar, atrapalha bastante a narrativa. É um roteiro bastante confuso e o espectador precisa ficar atento a tantos personagens que surgem. Tecnicamente o filme é ótimo, com fotografia e trilha sonora que homenageia os anos 60.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Cruising in the park

"Cruising in the park", de Antonio da Silva e Fábio Lopes (2018) Em 2013, o cineasta francês Alain Guiraudie escandalizou Cannes com o seu controverso e erótico "Um estranho no lago", um suspense gay que mostrava um serial killer atacando em uma floresta à beira de um lago, matando gays que ali se encontravam para encontros sexuais. O filme tinha fortes cenas de sexo explícito. Agora o Cineasta e artista plástico Antonio da SIlva, português radicado em Londres lança um polêmico documentário, escalando pessoas reais para o seu documentário sobre um point de pegação gay em Londres. Sem mostrar o rosto, Antonio os torna figuras anônimas, desesperados por sexo. O filme tem uma narração em Off de um homem casado de meia idade, que diz ir ao lugar na hora do almoço, para desestressar do seu trabalho sufocante. Ali, ele divaga sobre caçar e ser caçado, sobre reconhecer pessoas com quem já fez sexo, pessoas que transam sem camisinha, sobre o prazer que ele sente em transar em lugares sujos, sobre o tesão do sexo perigoso. O filme é repleto de cenas de sexo explícito e portanto, proibido para quem não estiver disposto a ver cenas de sexo visceral e fetichista. No final das contas, o filme é uma alegoria sobre a solidão do Universo Lgbtq+, onde pessoas solitárias buscam suprir sua carência afetiva através do sexo.

Rim of the world

"Rim of the world", de McG (2019) O Cineasta americano McG é mais conhecido por fazer reboots de franquias famosas, como "As Panteras" e "O exterminador do Futuro: Salvação". Agora com "Rim of the world", ele ataca misturando no mesmo saco "Jurassic Park", "Gravidade", "Stranger Things "e "Independence day". 4 crianças se conhecem em uma colônia de férias. Ricos e mimados, e claro, nerds, eles precisam acertar as suas diferenças para liquidar com alienígenas que querem dominar o mundo. Como não poderia deixar de ser nesses tempos de militância, tem uma asiática, um negro, um ruivo e um moreno ( cadê o latino??) nesse grupo. O filme tem roteiro fraco, diálogos pouco inspirados e falta de ritmo que sustente os quase 100 minutos de filme. A garotada faz o que pode, mas lhes falta carisma, não pelas atuações, mas pelos personagens chatos e que vivem gritando o tempo todo. Os efeitos são Ok.

domingo, 26 de maio de 2019

Furie

"Furie", de Le-Van Kiet (2019) Para quem ama "Kill Bill" e "Snowblood", o vietnamita "Furie" é absolutamente imperdível. O filme é a primeira produção do Vietnã a entrar comercialmente nos cinemas dos Estados Unidos. Graças ao carisma e talento das protagonistas Veronica Ngo, no papel de Hai. a mãe Coragem, e de Cat Vy, como sua filha Mai, que é sequestrada por traficantes de menores, "Furie" se torna uma pedida mega imperdível. Sua história se assemelha a muitos outras produções americanas, como "Taken", com Lian Neeson, mas aqui a porradaria é na base das artes marciais. Claro que tem que ter a figura do Mestre, o pai de Hai que na sua infância a ensinou a lutar e a suportar a dor. Com ótimas cenas de ação, ritmo desenfreado e vilões malvados, "Furie" diverte, empolga e emociona no seu desfecho.

The perfection

"The Perfection", de Richard Shepard (2019) Imaginem uma mistura de "Whiplash"com "Martyrs", um cult de terror francês que escandalizou meio mundo em 2008 com cenas de extrema violência contra mulheres? "The perfection" é um terror gore com momentos de humor negro, e tem um roteiro tão insano quanto improvável, e por isso mesmo, delicioso. Dividido em 4 capítulos, o filme é um libelo feminista contra um Universo dominado por homens misóginos, o da música clássica. Charlotte (Allison Williams, a namorada de "Corra!") é uma jovem violoncelista talentosa que teve que abandonar o auge de seus estudos para poder cuidar de sua mãe doente. 10 anos depois, quando a mãe morre, Charlotte decide retornar os estudos, mas encontra uma rival, Lizzie (Logan Browning). O tutor e dono da escola de música vai decidir entre 3 finalistas, entre elas Charlotte e Lizzie, qual delas iá ganhar uma bola integral, mas para isso elas devem atingir o que ele chama de "A perfeição". Rodado nos Estados Unidos e Shanghai, o filme provoca o espectador em reviravoltas bem doidas de roteiro, tendo cada capítulo um flashback para explicar exatamente o que acabamos de ver. não se pode falar mais nada sobre o filme, pois qualquer informação amais configurará Spoiler. O mais divertido e bacana do filme é falar sobre homossexualismo e feminismo sem ser didático, permitindo o espectador se divertir bastante. Tem gente que provavelmente irá odiar o final, mas vale relevar a bizarrice da história e curtir as personagens. Ótimos efeitos especiais.

Tolkien

"Tolkien", de Dome Karukoski (2018) Quem diria que o Cineasta finlandês Dome Karukoski, famoso por filmes densos que retratam o Universo Lgbtq+ como o erótico e fetichista "Tom of Finland" fosse ser o realizador do comovente "Tolkien", cinebiografia de J. R.R. Tolkien, famoso por ter escrito os livro "O Hobbit" e depois, "O Senhor dos anéis". O filme apresenta Tolkien desde sua infância pobre, as mortes dos pais, sua vida no orfanato junto de seu irmão mais novo, a relação com a Igreja Católica, a sua paixão pela também órfã Edith ( Lily Collins), seu período de estudo em Oxford, o seu envolvimento como soldado na 1a Guerra Mundial, e o mais importante de tudo: a sua história de amizade com outros 3 amigos de Colégio e Universidade, Geoffrey, Cris e Robert, e que juntos formariam uma Sociedade de amigos, inspiração para a Irmandade do Anel. Interpretado por Harry Gilby e depois, por Nicholas Hault, o personagem de Tolkien é apresentado durante uma batalha no front. Inconsciente e delirante, ele repassa toda a sua vida, ao mesmo tempo que procura encontrar o seu amigo Geoffrey, que também está no front. Muitos personagens do filme, inspirado em pessoas reais, serão identificados pelos fãs de "O Senhor dos anéis" : Sam, o soldado que cuida de Tolkien no front; O professor de Filologia, inspiração para Gandalf, Edith, a paixão de Tolkien, é a base da Elfa. É um filme obrigatório para quem assistiu à saga de Peter Jackson, filmado com extrema competência, delicadeza, com fotografia deslumbrante, trilha sonora inspiradora e se preparem para chorar bastante.