quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025
A festa de Léo
"A festa de Léo", de Gustavo Melo e Luciana Bezerra (2023)
Concorrendo no Festival do Rio 2023, o 1o longa do grupo Nós do Morro, premiado grupo de artistas da comunidade carioca coordenada por Guto Fraga, lança "A festa de Léo", escrita e dirigida pela dupla Gustavo Melo e Luciana Bezerra. A fotografia ficou a cargo de Renato Falcão, parceiro do cineasta Carlos Saldanha em suas produções americanas. O filme traz no elenco um grande cadastro de artistas que nasceram e se formaram no Vidigal: Cíntia Rosa, Sabrina Rosa, Jonathan Haagensen, Mary Sheila, Tiago Martins, Lucio Aadrey, Luciano Vidigal, Roberta Rodrigues, Marcelo Melo jr, Mikael Borges, Babu Santana e a estréia de Arthur Ferreira, como Léo, filho de Rita (Cíntia Rosa). O filme se passa todo em um dia, e como um "After Hours", de Scorsese, a protagonista Rita está com o tempo contra si, ao ter que conseguir dinheiro para salvar a vida de seu ex, Dudu (Haagensen), que além de ter roubado seu dinheiro que ela havia guardado no armáerio, está sendo ameaçado pelos traficantes do morro. Rita procura todos os conhecidos do Vidigal para pedir ajuda, incluindo Seu Dejair (Marcio Vito0, barraqueiro da praia do Leblon para quem ela trabalha. O filme traz mensagem de sororidade e solidariedade dos moradores da comunidade, que se unem por uma causa, além de tratar as mulheres como empoderadas e fortes. Aos homens, com algumas exceções, o filme reserva o lado fraco do ser humano, repleto de falhas. O drone que abre o filme, em um lindo amanhecer, revela uma Vidigal cinematográficam chegando na janela da casa de Rita. É um belíssimo plano. A edição do filme, de Quito Ribeiro e Alesio Slossel, é um grande destaque, trazendo tensão e ritmo à uma narrativa que demanda um tempo determinado.
Misericórdia
"Miséricorde", de Alain Guiraudie (2024)
Eleito pela Cahiers du cinema o melhor filme de 2024, "Misericórdia" é escritoe. Dirigido pelo francês Alain Guiraudie, responsável por "Um estranho no lago", filme que escandalizou Cannes em 2013 com suas cenas de sexo explícito gay. O filme concorreu ao Queer Palm no Festival de Cannes 2024, dedicado a filmes com temática lgbt. Em "Misericórdia", Jeremias (Félix Kysyl), um jovem padeiro, retorna à sua cidade natal, Averyron, para o funeral de seu ex-chefe. Ele é recebido pela viúva, Martine (Catherine Frot) e pelo filho do casal, Vincent (Jean-Baptiste Durand, premiado diretor francês). A presença de Jeremias incomoda a todos, incluindo um vizinho, Walter (David Ayala), o padre local, Philippe (Jacque Delavey) e posteriormente, a polícia. Entre todos, incluindo a viúva e o falecido, existe uma tensão sexual por Jeremias.
Considerar o filme o melhor de 2024 de fato é algo que gera controvérsia. Eu não colocaria nem entre os 200 do ano. O filme não me agradou, não está entre os melhores trabalhos de Guiraudie. Entre flertes com "Teorema", de Pasolini, filme que diversos críticos recorrem, ao humor das comédias bizarras de Bruno Dumont, destaco a bela fotografia e o bom trabalho do elenco.
Quando chega o outono
"Quand vient l'automne", de François Ozon (2024)
Melhor roteiro no Festival de San Sebastian 2024, "Quando chega o outono" me fez lembrar de outro filme de François Ozon, 'Dentro de casa", de 2014, que traz elementos de drama e de suspense em uma trama requintada e jamais previsível. A idéia do roteiro partiu de um evento real que aocnteceu com Ozon: Uma de suas tias preparou uma refeição para toda a família com cogumelos que ela mesma havia colhido na floresta, e todos ficaram doentes na noite seguinte, exceto ela, pois ela não havia comido os cogumelos. Ozon ficou fascinado com o que aconteceu e suspeitou que sua tia queria envenenar todo mundo. Com essa idéia, Ozon trouxe protagonismo à atrizes da terceira idade.
O filme traz um elenco formidável, composto por Helene Vincent, como Michelle; Josiane Balasko, como Marie Claire Perrin, melhor amiga de Michelle; Ludivine Saignier, como Valerie Tessier, filha de Michelle; e Pierre Lotin, como Vincent Perrin, filho de Marie Claire. (Pierre Lotin é protagonista do excelente "A fanfarra", de 2024)
Michelle é uma idosa que mora em uma bela casa de campo na vila da Borgonha. Ela desfruta de sua rotina com Marie Claire, sua melhor amiga. Valerie chega com seu filho Lucas para que ele passe o final de semana com a avó, enquanto Valerie resolve seu divórcio em Paris. Mas no almoço, Valerie passa mal ao comer os cogumelos que sua mãe preparou, e acredita que ela quiz envenená-la, por desavenças na herança. Valerie decide levar seu filho de volta para Paris, deixando Michelle frustrada. Vincent por sua vez, é solto da prisão, e quer socializar novamente. Michelle o contrata para ser seu jardineiro.
O roteiro vai construindo uma narrativa que, ao mesmo tempo que diverte, traz elementos de suspense, deixando o espectador inquieto sobre o desenrolar dos fatos. O elenco está soberbo (Ozon sempre soube dirigir seus atores). A fotografia e a direção de arte trabalham juntos para dar um tom poético e solar ao filme.
Delantero
"Delantero", de Irán Hernández Castillo (2021)
Drama LGBTQIAP+ cubano, escrito e dirigido por Irán Hernández Castillo. O filme traz o drama do adolescente Freddie (Victor Cruz), que mora com seu pai viúvo, Ruben (Jorge Martinez). Ruben sempre quiz que Freddie fosse um jogador de futebol, e mal sabe ele que levar o filho a frequentar o ambiente esportivo atiçou no filho o desejo por corpos masculinos. Freddie é enrustido e teme que sei pai e seus colegas de time descubram que é gay. Ele é enviado por seu pai para morar momentaneamente com a tia de Freddie para ele poder estudar e treinar. Freddie finge namorar uma garota, mas seus desejos por um dos colegas do time são mais fortes. Começa a rolar uma fofoca de que Fredie é gay, e ele precisa tomar uma decisão em sua vida.
"Delantero" tem um roteiro que vai no lugar comum de gays que vivem uma vida dupla por conta do ambiente esportivo tóxico em que convivem. O filme se apóia nas boas performances e na curiosidade de conhecer uma Havana mais de classe média, sem apresnetar a pobreza da cidade.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2025
Love me
"Love me", de Andrew Zuchero e Sam Zuchero (2024)
Quando "Tudo em todo lugar ao mesmo tempo", de Daniel Scheinert e Daniel Kwan foi lançado em 2022, eu saí do cinema com a impressão de ter tido uma experiência esquizofrênica e que não tinha sido agradável. Agora com "Love me", do casal Andrew Zuchero e Sam Zuchero, em seu longa de estréia, eu fiquei com essa mesma sensação ao triplo. Gostei? Não gostei? Pesou mais para o "não gostei". Certamente é um filme que merece uma revisão, algum dia. A primeira pergunta que faço, é para quem se detsina o filme? não há uma narrtiva linear, é uma narrtiva experimental, uma metáfora sobr eo uso da inteligência artificial sendo recriada por 2 elementos sem ida própria, uma bóia e um satélite, que se comunicam muitos anos depois da extinção da humanidade. Esses elementos, munidos de inteligência artificial, conseguem acessar um canal de youtube e focar em um casal de youtubers, Deja (Kristen Stewart) e seu namorado Liam (Steven Yeun), que mostram para seus seguidores a convivência de casal 24 horas online. A bóia e o satélite recriam o mesmo casal em AI e dão um outro rumo ao romance e relacionamento.
No início pensei muito em "Wall.e", quando estava somente a bóia no mar, solitária. Mas daí começou uma verdadeira loucura narrativa e confesso que esse casal de diretores e roteiristas são bastante criativos ao criar uma história tão bizarra e estranhíssima. Mas fiquei entediado quase que o tempo todo, e a história não me pegou. Toda a parte de rede social é muito bem explorada e os efeitos de edição são muito originais.
Straight
'Straight", de Marcelo Tobar (2023)
Adaptação de uma peça teatral, 'Straight" é um drama romântico LGBTQIAP+ mexicano. O filme traz apenas 3 personagens, em boa parte do tempo, no apartamento de Roberto (Alejandro Speitzer), um banqueiro na faixa dos 30 anos, bonito e rico, morando em um apartamento de alto estilo. Há 6 anos, ele namora a bióloga Elia (Barbara Loez). Mas quando Roberto utiliza um app gay, ele conhece o jovem Cris (Franco Masini), e sua vida se transforma em um grande conflito: apaixonado por Cris e apaixonado por Barbara, e pressionado pelos dois, Roberto precisa tomar uma decisão: ou se assume gay, ou mantém seu relacionamento com Barbara. Em ambos os casos, ele irá ferir um dos amantes.
O filme não esconde a sua base teatral: é bastante verborrágico, e mesmo a câmera e a fotografia buscando ângulos e movimentos de câmera para dar dinamismo, o tetxo e diálogos emperram a narrativa. As cenas de romance não são sexies, falta mais tempero nas cenas de sedução. Os atores estão bem, mas é pouco para seduzir o epsectador. O filme ficou lento e arrastado.
Desafie a escuridão
"Brave the dark", de Damian Harris (2024)
A Angel studios ficou mundialmente por trazer grandes sucessos de bilheteria como a série "The chosen" e o drama "O som da liberdade". Focada em temáticas cristãs, os filmes trazem mensagens edificantes e doutrinárias sobre personagens fora da curva e como, com a ajuda das pessoas certas, elas se reinventam. Com "Enfrente a escuridão", a produtora traz um drama baseado em fatos reais. Nos anos 80, na Pensilvânia, os caminhos do professor de teatro Stan Deen (Jared Harris) e a de seu aluno rebelde Natyhan (Nicolas Hamilton) se cruzam. Natan mora em um carro, e não qer morar com seus avós, que o tratam com frieza. Natan tem um passado traumático, que envolve o suicídio de sua mãe. Após praticar um ato de vandalismo, Natan vai preso. Stan, ciente da situação do rapaz, decide pagar sua fiança e ser seu mentor.
Claro que durante a trajetória de redenção de Natan, ele terá que passar por muitas provações, assim como a resiliência de Stan, que jamais desiste do rapaz, por conta de seus preceitos cristãos. O filme conta com boas atuações de HArris e Hamilton, e mesmo sendo uma história óbvia, o espectador que vai em busca de filmes sobre a fé, irá se emocionar, principalmente quando no dsfecho, surgem as fotos reais de Stan e Natan.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
Housewarming
"Housewarming", de Liam White (2024)
Melhor curta no Festival Raindance 2024, escrito e dirigido por Liam White, "Housewarming" é um thriller sobre uma mulher, Saskia (Charley Clive) que acaba de se mudar para a sua 1a casa, onde irá morar sozinha. Feliz pela sua independência, Saskia, uma professora, decsobre que morar sozinha tem seus revezes. Principalmente quando vizinhos estranhos e principalmente, um homem sinistro, Craig (Barry Ward), aparece na sua porta. Ele procura pela ex-namorada, que morava ali, sem saber que a casa foi vendida. Assustador, Craig pede um favor para Saskia: carregar seu celular. Ela consente, mas pede que ele aguarde do lado de fora. Na cozinha, enquanto manda mensagens, ela descobre que Craig entrou na casa, pedindo para usar o banheiro.
O filme, bem dirigido por Liam White, traduz a felicidade e ao mesmo tempo, o medo de quem mora sozinho em uma casa. Deixando pontas em aberto, é uma parábola sobre independência, mas também, uma história de pesadelo sobre isolamento.
Mulher objeto
"Mulher objeto", de Silvio de Abreu (1981)
Clássico do cinema erótico de 1981, Mulher objeto" foi dirigido pelo roteirista e diretor Silvio de Abreu. O filme é estrelado pela musa do cinema erótico Helena Ramos, e traz no elenco Nuno Leal Maia, Yara Amaral, Kate Lyra, Maria Lucia Dahl e Helio Soutto. A história é do cineasta Alberto Salvá. O filme teve inspiração no grande sucesso de "A dama do lotação", que tem uma história muito parecida sobre uma mulher frígida que nao consegue fazer sexo com seu marido rico (em ambos os filmes, Nuno Leal Maia). O filme também traz referências à "Repulsa ao sexo", de Roman Polansky, sobre um trauma de infância que envolve abuso sexual cometido pelo pai.
Regina (Ramos) teve uma vida pobre, mas ao se tornaar secretária de Hélio(Maia), acabou se casando com ele. Com o passar dos anos, Regina foi ficando frígida, o que destrói seu casamento. Ela só consegue ter prazer com outros homens que ela imagina em seus sonhos.
Tem uma bela cena de sexo entre Helena Ramos e Maria lucia Dahl, com a narração da personagem de Maria Lucia falando sobre as vantagens do sexo entre 2 mulheres. A cena é embalada pela música de "O expresso da meia noite", de George Moroder, e nem sei se teve direitos sobre ela.
O filme traz muitas cenas de sexo envolvendo fetiches, bondage, incesto, lesbianismo, e até uma ousada e poirbida cena de sexo com dois menores de idade. O filem é longo, 2 horas, e não tem história que sustente tanto tempo de tela.
Os sapos
"Os sapos", de Clara Linhart (2024)
Adaptação da peça teatral 'Oa sapos", escrito por Renata Mizrahi, baseado em uma experiência pessoal que ela teve: ao viajar para uma casa isolada no campo, ela precisou conviver com 2 casais onde ela testemunhou relacionamentos dependentes e tóxicos, sem que as mulheres dos casais pudesse perceber o tipo de relacionamento que estavam vivendo. A diretora Clara Linhart adaptou para curta em 2011, e agora, lança a versão em longa-metragem. Veronica Reis, que na peça de teatro viveu a protagonista, dá seu lugar à Thalita Carauta, no papel de Paula. Os outros 2 casais são Marcelo (Pierre Santos) e Luciana (Karina Ramil) e Claudio (Paulo Hamilton) e Fabiana (Veronica Reis).
Paula é convidada por Marcelo a passar um final de semana na casa que ele tem, em Nova Friburgo. A idéia é fazer um churrasco reunindo a turma que não se vê há 20 anos. Mas ao chegar na casa, Paula descobre que o churrasco foi cancelado, e ela não foi avisada. Luciana tenta agradar a amiga de Marcelo, mas é nítido seu ciúme. O ônibus de volta só passa uma vez por dia, logo, Paula terá que passar a noite ali. Ela decide ir pra cachoeira e ficar de noite para a fogueira. Um vizinho, o músico Claudio, surge e convida a todos para um show, mas por conta do tempo frio, o evento é cancelado. Fabiana, namorada de Claudio, surge e puxa conversa com Paula. Paula irá fazer aflorar nas duas mulheres um sentimento de autodescoberta e de auto valorização, diante relacionamentos claramente abusivos e t;oxicos. A própria Paula recém terminou um relacionamento complexo, e ela sofre uma tentativa de estupro de Claudio.
O filme alterna momentos de humor e drama. À medida que o filme avança, é nítido que o drama se sobrepõe. A decupagem de Clara favorece planos abertos onde quase toda a cena acontece ali, sem closes. O que mais chama a atenção, é a excelente direção de atores, dando um tom naturalista e eficiente nos silêncios e reações.
Dormir de olhos abertos
'Dormir de olhos abertos", de Nele Wohlatz (2024)
A diretora alemã radicada na Argentina Nele Wohlatz lançou em 2016 o excelente e divertido "O futuro perfeito", sobre uma chinesa que se matricula em um curso de espanhol para estrangeiros para falar espanhol. "Dormir de olhos abertos" traz novamente protagonismo asiático para uma bizarra e estranha história de chineses turistas e alguns residentes em Recife. Quando a cineasta Nele Wohlatz conheceu Kleber MEndonça Filho, ele lhe comentou sobre Recife, e ela decidiu ambientar a sua história ali, que, segundo um dos chineses "O carnaval dura o ano inteiro". Olhando por cima, o filme é um olhar estrangeiro sobre Recife, com sua exuberância, exotismo e diversidade cultural de um povo alegre e divertido, contrastando com a frieza dos chineses. Me fez lembrar de "Encontros e desencontros", de Sofia Coppola, e de que forma um país estranegiro é visto pelo olhar de fora. Kai (Liai Kai Ro) é uma chinesa de Taiwan que vem passar as férias em Recife. Ela aguarda seu namorado, que nunca vem. Em seu quarto, o ar condicionado faz barulho, o que a impede de dormir. Ela conhece o dono de uma loja de guarda chuvas, o chinês Fu Ang. Ele não vende nenhum guarda chuva, pois na cidade, não chove. Quando ela vai procurá-lo novamente, ele foi embora, largando o comércio. Kai recebe uma caixa com cartões postais de chineses relatando a rotina deles na cidade, e passa a ler as histórias.
Nele utiliza o mesmo tipo de humor surreal que ela explorou em seu filme anterior, um humor muito semelhante ao de Mika Kaurismaki, baseado em tempos mortos e no patético. Tem uma cena de falas divertidas onde KAi pergunta a um turista argentino como ela poderia fazer para se sentir menos estrangeira em Recife, pois tem a impressão de que todos olham para ela como se ela não fosse dali.
domingo, 16 de fevereiro de 2025
Mãe, se eu fosse uma vampira
"Mom, if I were a vampire", de Deborah Devyn Chuang (2022)
Ótimo curta de terror Lgbt de Taiwan, "Mãe, se eu fiosse uma vampira" ;embra o cult "Grave", de Julia Ducournau: uma adolescente decsobre a sua sexualidade através da visão do sangue e ao experimentá-lo, é como se fosse a sua iniciação sexual, um passo adiante para a sua maturidade. Com uma fotografia que traz elementos de filmes de Wong Kar Wai, repleto de estilização e de uso de lentes grandes angulares, o filme apresenta Wen (Ting Chiu), 17 anos, em conflito com sua mãe (Jou Min Huang), que não a entende. Na escola, Wen sofre bullying de outras meninas, até que conhece Jo (Yu Xuan Wang), uma jovem rebelde e decsolada que dá uma lição nas garotas do bullying. Jo convida Wen para uma balada, mas no retorno para casa, Wen é atacada por um estuprador. Quando Jo corta o pescoço do homem, o sangue espirra em Wen, que imediatamente se transforma em uma vampira.
Todo o ato final é deslumbrante, e o último plano, ao som de " A real hero", do College e Eletric youth, da trilha do filme "Drive", é um primor. O filme é um ato de liberdade e de grito feminino e feminista. É um filme de 17 minutos que vale cada minuto, repleto de criatividade, energia e respirando cinema pop.
3,5 Stunden
"3, 5 Stunden ", de Ed Herzog (2021)
O Muro de Berlim foi construído na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, com a finalidade de impedir que os cidadãos do lado oriental fugissem para a parte ocidental da cidade. O filme "3,5 stunden" é uma ficção inspirada em fatos reais: no dia 13 de agosto de 1961, um trem partia de Munique para Berlim, capital da RDA. Durante o trajeto, eles ouvem que um muro está sendo levantado e separando a Alemanha em duas. Os passageiros têm 3 horas e 1/2 para decidir se saltam na última estação antes de chegar em Berlim, e selando as suas vidas para sempre. Muitos não sabem o que fazer, pois suas vidas os aguardam em Berlim: entre eles. um jovem grupo musical pop; um casal idoso que corre o risco de nunca mais poder ver o filho, que mora em Munique; um pai que conseguiu um emprego na parte ocidental, mas cuja esposa tem apreço ao comunismo, e quer retornar para Berlim; uma ginasta e seu treinador; um jovem casal gay; uma filha que não quer abandonar seu pai idoso, ex-soldado nazista,\; um cinegrafista que entrevista a maquinista do trem e acabam se apaixonando; entre outras histórias.
Nesse filme coral, são muitos os personagens e muitas histórias interessantes que lidam com questões políticas, sociais, amores de gerações eg6eneros distintos, sonhos. O elenco é bom e a trama é bem conduzida pelo roteiro e pela direção, ganhando tensão à medida que o filme avança. Boa direção de arte que reconstitui o trem de época com muitos detalhes.
L'amour ouf
"L'amour ouf", de Gilles Lellouche (2024)
Concorrendo à Palma de ouro do Festival de Cannes 2024, "L'amour ouf" foi um grande sucesso de público na França, com 5 milhões de espectadores. No entanto, a crítica detonou o filme, e em Cannes, dos 22 concorrentes, foi o filme com a pior avaliação. Mas vou dar minha opinião: é dos melhores romances da última safra. O filme é um melodrama criminal, daqueles que o público torce pelo casal principal, brilhantemente represnetado na adolescência por Mallory Wanecque e Malik Frika e na fase adulta por Adele Exarchopoulos e François Civil, nos papéis de Jackie e Clotaire. O filme traz drama, romance, policial e musical, esplendorosamente fotografado e filmado por Laurent Tangy. O elenco ainda reúne a nata do cinema francês: Alain Chabat como o pai de Jackie, Elodie Bouchez e Karim Leklouz como os pais de Clotaire, Vicent Lyndon como um dos amantes de Jackie, Benoît Poelvoorde como um traficante. O filme se passa entre os anos 80 e 90, trazendo clássicos musicais da época: The Cure, Everything but the girl, Prince, Alan Parsons, e no momento mais sublime, 'Eyes witout a face", de Billy idol.
Adaptado do romance irlandês best-seller de 1997 "Jackie Loves Johnser OK?" de Neville Thompson, o filme traz a clássica história de amor entre uma menina comportada, Jackie, órfã de mãe e educada com muito amor pelo pai, com Clotaire, um garoto rebelde que se mete com traficantes e vai preso. Ao sair da prisão 12 anos depois, ele quer se vingar por um crime que não cometeu, mas o seu amor por Jackie, agora casada, o deixa cada vez mais transtornado. O filme traz um lindo número musical ao som de "The forest", do the Cure, que embala o amor do casal. O que joga contra o filme é a sua longa duração, de 164 minutos. Mas ao final, quem embarcar nessa jornada épica sobre o amor, sairá apaixonado.
From zero to I love you
"From zero to I love you", de Doug Spearman (2019)
Escrito e dirigido por Doug Spearman, "From zero to I love you" é um drama romântico Lgbtqiap+ indie americano. O filme traz 2 protagonistas: Jack (Scott Bailey) e Pete (Darryl Stephens). Ambos moram na Filadélfia. Jack tem um casamento feliz há 15 anos com Pamela (Leslie Zemeckis) e é pai de 2 filhos adolescentes. Durante uma festa, Jack se embebeda e acaba beijando o garçon. Esse evento desperta nele um interesse por homens, que até então ele desconhecia. Pete é um gay solteiro e tem o péssimo hábito de se apaixonar por homens casados. Seu pai e sua madrasta procuram encontrar o homem ideal para ele. Jack e Pete acabam se conhecendo e entre os dois rola um interese. Jack mantém encontro às escondidas com Pete, mas Pete quer alguém sério para namorar. Jack vai ao terapeuta para entender o que está acontecendo com ele.
Filme fraco em todos os níveis: atuações medianas, roteiro sem profundidade, falta de ritmo. As cenas que são para ser cômicas não funcionam, as cenas românticas falta química ao elenco. Fiquei até com pena da esposa ludibriada de Jack.
Nice view
"Qi ji · Ben xiao hai", de Muye Wen (2022)
Vencedor de mais de 30 prêmios internacionais e indicado pela China à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2023, "Nice view" se tornou um grande sucesso de público na China, sendo o 9o filme mais visto no país em 2023.
Em 2013, em Shengzhen, Jing Hao (Jackson Yee), 20 anos, possui uma pequena loja de reparos de celulares. Ele mora com sua irmã de 6 anos, Tongtong (Halin Chen), que possui uma doença no coração, a mesma que matou a mãe deles. O pai os abandonou. Sem dinheiro para pagar o aluguel e sem dinheiro para pagar a cirurgia do coração da irmã, Jing encontra a solução financeira ao adquirir um lote de celulares conficados pela alfândega e recusados pelas empresas por estarem danificados. O governo lança uma lei que poíbe revender celulares de 2a mão, e Jong se desespera. Ela decide então procurar o fabricante dos celulares e oferecer as peças dos aparelhos para serem reaproveitados pela empresa. O dono lhe dá um prazo para entregar as peças, sem danificação, e asism, pagar após a certificação. Jing monta uma equipe de desajustados para a empreitada, com a promessa de pagar depois da entrega.
Já no primeiro minuto do filme, o espectador sabe que irá chorar muito nesse filme. O diretor Muye Wen não economiza no melodrama e no sofrimento dos personagens. É um filme que mostra que a dedicação ao trabalho, a busca pela perfeição e as boas intenções são o que salvam o ser humano do fracasso. Nessa mensagem capitalista em um mundo comunista, "Nice view" traz uma fórmula sobre o sucesso profissional. O elenco é todo muito bom, naquele clich6e de um grupo de marginalizados pela sociedade que encontram um trunfo.
sábado, 15 de fevereiro de 2025
Cabin pressure
"Cabin Pressure - 'Anya leszek csak azért is!'", de Sára Czira e Eszter Nagy (2024)
Documentário húngaro que trata de um tema bastante contemporâneo: as famílias dos tempos modernos, diferente das clássicas famílias tradicionais. Heni é uma mulher húngara de 36 anos de idade, que se muda para Barcelona para trabalhar como diretora de arte em produções audiovisuais. Heni deseja muito ter um filho, mas os relacionamentos que ela teve com homens a desencorajou a formar um casal tradicional. Temendo chegar aos 40 e sem tempo de conseguir um novo parceiro, Heni decide seguir o conselho de uma amiga: ela aceita um homem gay, 15 anos mais velho do que ela, ser o pai de seu filho. Andrey é russo, nascido em Moscou, mas mora em Barcelona. Eles se conhecem e formam um acordo para criarem o filho, cada um em seu canto. Durante a gravidez, surge a covid, o que dificulta e assusta Heni e Andrey. Para piorar, as famílias conservadores de Heni, na Hungria, e de Andrey, em moscou, podem não entender o acordo feito para terem um filho in vitro e com um pai gay.
O filme começa com uma cartela alertando que o filme foi rodado entre 2019 e 2022, antes da guerra entre Ucrânia e Rússia. São tantas coisas que aconteceram no entorno de Heni nesses anos de realização do filme, sendo que a pandemia certamente foi a mais dramática, que o tema da gravidez in vitro entre um casal não afetivo acaba sendo o pano de fundo: homofobia, religião, covid, isolamento, etarismo, sociedade machista, depressão, maternidade...é um filme comovente, sobre pessoas solitárias que buscam se apoiar em seus desejos afetivos de maternidade/paternidade.
Entre montanhas
"The Gorge", de Scott Derrickson (2024)
Scott Derrickson é conhecido por ter dirigido 'Dr Estranho" para a Marvel e o terror "O telefone preto". Com "Entre montanhas", Derrinckson realiza um filme híbrido de gêneros: misto de romance, filme de ação, aventura, fantasia e terror. Mas ao final, o que prevalece, é o amor, quase como se toda a parte de monstros, vilões e etc fosse necessário para que o casal apaixonado possa ficar junto no final.
O filme começa quase como um filme silencioso, sem falas, daí parte para um romance, filme de ação, monstros e vilões malvados. A duração é desnecessariamente longa, com 2hrs5 minutos, podia ter encomizado uns 20 minutos aí, pois o 1o e o 2o ato tem muita enrolação.
Dois agentes militares altamente perigosos, Levi (Miles Teller) e Drasa (Anya Taylor Joy), que não se conhecem, são convocados pela general Bartolomeu (Sigourney Weaver) para seguirem para uma distante e isolada região na Filândia e trabalharem em postos isolados e distantes, para ficarem em vigília. Ambos não sabem o que estão vigiando. Sem contatos físicos e sem comunicação, e tendo cada um no lado oposto do desfiladeiro, Levi e Drasa acabam se vendo e se comunicando por placas e binóculos. Mas logo descobrem que seres mutantes, chamados de homens ocos, espreitam a região e querem invadir os postos de vigília.
Apesar de longo, o filme é interessante pela proposta inusitada de ser um filme de monstros, mas tendo foco maior no romance do casal. O público torce por eles e paricularmente, gosto da química dos dois. Sempre achei Miles Teller um ótimo ator pouco aproveitado por Hollywood. Sigoruney faz uma bandidona da pior espécie e está ótima. Os efeitos são ok, e os homens ocos parecem até aquele shomens árvores de "o Senhor dos anéis".
A vilã das nove
"A vilã das nove", de Teodoro Poppovic (2024)
Drama brasileiro protagonizado por um excelente time de atrizes: Karine Teles, Camila Márdila, Alice Wegmann, Angela Rabello, além de participações afetivas de Antonio Pitanga, Felipe Rocha, Otto Jr e João Fernandes. O filme apresenta Roberta (Teles), divorciada e mãe da adolescente Raquel (Rabello). Roberta é fonoaudióloga e trabalha com uma clientela formada em sua maioria por atores. Um dia, um dos atores a convida para uma festa comemorando a estréia d anovela que ele participa, protagonizada por Paloma (Márdila). Roberta se assusta ao perceber que a personagem da novela, Eugenia, tem muitas referências de sua vida, principalmente de um segredo do passado que ela jamais contou a ninguém. Ela decide investigar queme stá por trás do roteiro da novela.
Trazendo elementos de dramédia típicos de Almodovar, combinando humor, tragédia e drama de alma feminina, "A vilã das nove" traz a figura materna vista como vilã pelas outras pessoas, sem entender as reais circunstâncias que a fizeram agir daquela forma. Conduzido com delicadeza pelo forte elenco, o filme brinca com o universo novelesco da televisão, sem medo de exagerar nas caricaturas.
A garota mais linda do mundo
"The most beautiful girl in the world", de Robert Ronny (2025)
Comédia romântica da Indonésia, "A garota mais linda do mundo" funciona por conta da química do casal principal de atores, na fórmula mega batida de opostos que se atraem, mas que acaba sempre funcionando quando o elenco ajuda.
Reuben (Reza Rahadian) é um jovem playboy e mulherengo, filho de um magnata da televisão. O carro chefe do programa é um reality show chamado 'A garota mais linda do mundo", já em terceira temporada. Kiara (Sheila Dara), é uma produtora assistente que dá suporte nos programas do canal: uma mulher forte, determinada, feminista e que não gosta do reality, pois acredita que ele objetifica a mulher, além de ser misógeno. Quando o pai de Reuben morre, no testamento diz que ele só receberá a herança se ele se casar com a mulher mais bonita do mundo. Confrontado, Reuben decide ele mesmo ser o protagonista da próxima temporada do programa, se casando com a vencedora, que ele mesmo irá escolher. Ele pede para kiara ser a sua produtora, mas ela recusa, por conta de não gostar da proposta do show. Após desavenças, ela aceita, contanto que possa sugerir mudanças. Durante uma viagem de lancha com reuben e as candidatas, Reubene. Kiara caem no mar numa tempestade e vão para em uma ilha deserta, sem comunicação. Eles precisam lidar com as suas diferenças para poder sobreviver. E claro, irão se entender.
1 a cada 5 comédias tem esse mote de alguém só receber herança se executar uma tarefa. O filme é clichê e óbvio. O elenco é carismático, a produção é caprichada e as musicas pop dão ritmo e tornam mais fácil a tarefa de assistir ao filme. O filme é longo, tem 2 hrs 05, e claro, eu teria retirado pelo menos 20 minutos de filme.
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