quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Primeiro aniversário

"Dol (First birthday", de Andrew Ahn (2011) Curta dirigido pelo cineasta Coreano-americano Andrew Ahn, Vencedor de vários prêmios internacionais em Festivais Lgbts. Andrew fez do filme a sua saída de armário. Sua família, tradicional, não sabia que ele era gay, e ele tinha receio de contar para eles. Andrew resolver contar os seus anseios, através do reencontro com a família por ocasião do primeiro aniversario de seu sobrinho. Nick, um americano de descendência coreana, mora com seu namorado, Brian. Nick vai para a festa de comemoração de seu sobrinho e resolve não levar Brian. Durante a festa, Nick age de forma discreta, sem chamar a atenção de seus parentes por conta de sua sexualidade. Rodado de forma minimalista, e se apropriando do naturalismo das interpretações, Andrew Anh revelou ter se baseado na filmografia dos irmãos Dardenne e do chines Edward Yang para narrar o dia a dia simples e sem grandes eventos na vida de pessoas comuns. Um belo filme, com bonita fotografia e boas performances. https://vimeo.com/34502663

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

We keep on dancing

"We keep on dancing", de Jessica Barclay Lawton (2013) Excelente curta australiano, premiado em vários Festivais. Com muito humor e uma boa dose de drama, o filme narra a história de um senhor que leva seu fusca para consertar em uma oficina mecânica. Chegando lá, os 2 mecânicos dizem ser impossível consertar o carro. O senhor diz que ele precisa ir até cemitério, para levar flores para sua falecida esposa, e então, resolve contar a história do amor entre os dois. Com bela atuação dos 3 atores, e diálogos inspirados de Rhys Mitchell ( com direito a um brilhante monologo), "We keep on dancing" emociona pela leveza e simplicidade ao querer contar uma historia sobre amizades e amores perdidos no tempo e na memória. https://vimeo.com/171343268

Dalida

"Dalida", de Lisa Azuelos (2016) Cinebiografia de uma das grandes cantoras do romantismo e do Pop na Europa dos anos 50 a 1987, ano em que Dalida se suicidou. Nascida no Cairo, Dalida aprendeu a falar fluentemente em 10 línguas, e cantando em todas elas. Em sua trágica vida pessoal, ela se relacionou com vários homens, sendo que 3 deles se suicidaram, incluindo o cantor italiano Luigi Tenco, que se matou em um quarto de Hotel após ter sua música rejeitada pelo juri do Festival de San Remo em 1967. Dalida também ficou impossibilitada de ter filhos, após um aborto mal sucedido que destruiu seu ovário. Quando criança, seu pai, um músico, foi preso acusado de ter sido colaborador do nazismo. O filme apresenta todas essas histórias, além de sua relação com seu irmão Orlando ( o astro italiano Riccardo Scamarcio), que se tornou seu fiel empresário. Musicalmente, Dalida cantou clássicos do romantismo, e logo depois, grandes pérolas do pop e da Disco ( "J' attendrai" é considerada a primeira música disco na Franca). Sua versão de "Bang Bang" foi um imenso sucesso. Dalida fez muito sucesso também nos Estados Unidos e no Japão. Quando se matou, Dalida deixou 3 recados: um para seu namorado, um para seu irmão e outro para o público. Como Cinema, o filme é correto, burocrático, e será melhor assimilado para quem é seu fã. Os melhores momentos são as reproduções musicais de suas canções, muito bem filmados, com direito ao glamour e a cafonice da época. Sveva Alviti está deslumbrante como Dalida: Altiva, dando nuances da personalidade conflitante da Diva. Glamurosa, linda, carismática. Uma bela performance.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Bjorg Vs MacEnroe

"Bjorg Vs MacEnroe", de Januz Metz (2017) Para quem perdeu esse filme, como eu, nos Cinemas, um aviso: ele é muito bom. Muito bem dirigido, com excelente trabalho do elenco ( Sverrir Gudnason como Bjorg, Shia Labeouff como MacEnroe e o brilhante Stellan Skasgard como o treinador de Bjorg), o filme tecnicamente é impecável: Edição, fotografia, figurino e direção de arte. O filme narra a histórica partida entre Bjorn Borg, sueco, e John MacEnroe, americano, na final de Wimbledon, em 1980. A partida foi apelidada de "Ice Vs Fire": Bjorn era centrado, introspectivo, racional, e MacEnroe era o oposto: explosivo e impulsivo. O filme apresenta a infância e adolescência de ambos e a disciplina a que eles tinham que se submeter para chegarem aonde chegaram. O desfecho do filme é bastante emocionante, principalmente quando nos créditos aparecem as fotos reais de ambos, que acabaram se tornando melhores amigos.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Eu me lembro de você

"Ég man þig", de Óskar Thór Axelsson (2017) Instigante filme de suspense e terror Islandês, com toques de drama. 2 histórias são apresentadas separadamente, mas convergem para um desfecho onde os personagens se cruzam. Um psiquiatra, Freyr, é chamado para atender o caso de uma idosa que se suicidou. Ele logo descobre que ela na infância fazia parte de um grupo de crianças que praticavam bullying em um garoto, que acabou desaparecendo sem vestígios. Freyr, por sua vez, é pai de um menino que também desapareceu há um tempo. Paralelo, temos a história de um grupo de 3 amigos, 1 casal e a amiga deles, que compram uma casa abandonada isolada da civilização e que desejam construir ali uma pequena pousada. Mas estranhos fatos acontecem, e eles acreditam que a casa é mal assombrada. Bem dirigido e com um belo roteiro assustador, o filme peca no final, que deixa muitas pontas soltas. De fato, o espectador ica instigado para saber como o filme irá acabar e como tudo se conecta ( algo meio "DARK", a série da Netflix). O elenco é bom, a fotografia excelente O filme utiliza recursos batidos de filmes de terror de Hollywood, como trilha sonora repleta de sons estridentes e sustos bobos, como portas que se fecham e pessoas que surgem no fundo do corredor. Mas vale assistir, senão pelo filme, pelas locações esplendorosas.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

The Post- A guerra secreta

"The Post", de Steven Spielberg (2017) Impressionante o domínio da técnica da linguagem cinematográfica de Spielberg. Ele consegue, como poucos, transformar um tema árido e totalmente verborrágico sobre jornalistas e editores `as voltas com a liberdade de imprensa, e transformar em um eficiente thrller politico. Spielberg homenageia um dos grandes clássicos sobre o assunto, "Todos os homens do presidente", de Alan J. Pakula, inclusive em seu desfecho apoteótico. Dramatizando a história real ocorrida em 1971, quando o Presidente Nixon tentou embarreirar a imprensa por terem tido acesso a documentos do Governo que deixavam clara a desastrosa participação dos Estados Unidos no Vietnã, o filme tem também outro tema atual levado por Spielbeg e personificado por uma brilhante Meryl Streep: a luta e a idealização profissional de uma Mulher em um Mundo corporativo dominado por homens. Kay Graham (Streep), dona do The Washington Post, passeia por ambientes onde as mulheres ou são donas de casa ou secretarias. Ben Bradlee (Tom Hanks) é o Diretor do Jornal, que luta pelo direito de divulgar para o público os documentos a que tiveram acesso. As cenas de embate entre Streep e Hanks são formidáveis, verdadeira aula de atuação. Um filme obrigatório para um publico que esteja a fim de pensar e refletir, não é um passatempo.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Telefones brancos

"Telefoni bianchi", de Dino Risi (1976) Dino Risi foi durante décadas, um dos mais populares Cineastas da Itália. Diretor de clássicos dos anos 60 e 70 como "Perfume de mulher" e "Aquele que sabe viver" , Dino Risi teve em Vittorio Gassman o seu Ator fetiche, protagonizando vários de seus filmes. Em "Telefones brancos", de 1976, Risi repete a mesma dupla de perfume de mulher": Além de Gassman, ele escalou Agostina Belli para protagonizar a tragicómica história de Marcella, uma camareira de um Hotel de luxo que sonha em ser Atriz dos "Telefones brancos". Durante a 2a guerra, os "Telefones brancos" eram os filmes realizados pelo regime fascista, onde os protagonistas eram representantes de uma classe alta, e o telefone branco era símbolo de poder. Franco Denza (Gassman) é o sonho de consumo de Marcella, que quer contracenar com ele. Para isso, Marcella faz de tudo para conseguir seus objetivos: ela transa com todos que ela acha que podem lhe dar essa oportunidade: seu patrão no hotel, um oficial fascista que na verdade a leva para se prostituir em um bordel, e finalmente o Duque Mussolini. Hoje em dia, esse filme teria sido detonado pela galera do politicamente correto: os homens se aproveitam de Marcella, e ela também entra no jogo de Poder. Ela oferece seu corpo, eles lhe oferecem oportunidade. Mas o tema que mais me interessou, foi o de Vitorio Gassman. Seu personagem é o retrato da glória e decadência dos atores que trabalharam para o regime facista. Quando a Italia perdeu, os atores do "Telefone branco" caíram em desgraça e foram rechaçados pela população. E' um filme com grande produção, elenco gigantesco. Mas tem um roteiro irregular e um ritmo lento, muito por conta de sua longa duração. Vale pela curiosidade e pelo belo trabalho dos 2 protagonistas. Gassman tem uma cena brilhante quando ele é ameaçado de morte pelos revolucionários.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Era uma vez, Cinema

"Nassereddin Shah, Actor-e Cinema", de Mohsen Makhmalbaf (1992) Escrito e dirigido pelo Mestre iraniano Mohsen Makhmalbaf, o filme é um projeto experimental que faz uma reflexão sobre o que é o Cinema. Realizado em 1992, o filme é uma espécie de "Cinema Paradiso" iraniano, mas com toques surrealistas. Um Cinematógrafo caracterizado de Charles Chaplin, Ebrahim, trabalha para um Rei que odeia Cinema. No entanto, O Rei se apaixona por uma atriz, e não sabe como conquistá-la. Ebrahim introduz ao Rei trechos de vários filmes clássicos iranianos, incluindo fazendo parte integrante das cenas. O Rei, encorajado por Ebrahim, procura se tornar um Ator. Com uma excelente proposta, o filme é todo rodado em preto e branco, para poder mesclar na edição com os trechos de filmes antigos e não sentirmos a diferença. A edição de som também inclui na pista de audio, chiados como se fosse filme de época. A bem da verdade, as inserções de trechos antigos ficaram meio toscas, mas a originalidade do roteiro abafa esses defeitos técnicos. O filme tem planos belíssimos.O desfecho é lindo, homenageando "2001" de Stanley Kubrick. Tres anos depois, Makmalbaf viria a lançar sua obra prima sobre o Cinema: o documentário "Salve o Cinema".

A rede

"Geumul", de Kim Ki Duk (2016) O cineasta sul coreano Kim Ki Duk foi durante mais de uma década, referencia do cinema autoral de seu Pais, com filmes premiados em importantes Festivais mundo afora, abordando temas como incomunicabilidade, silencio, morte, misticismo. Foi assim com "Casa vazia", "Primavera, verão, outono, inverno", "O arco", "Folego" e outros. Em "A rede", Kim Ki Duk dá uma guinada em sua carreira e mostra um cinema humano, quase um melodrama. O filme foi exibido em Veneza e em Toronto. Narra a epopéia de Nam Choo (Seung-bum Ryoo, brilhante) , um pescador pobre, casado e com filha pequena, que mora na beira de um rio na Coreia do Norte. Ao pescar em sua rotina, sua rede fica presa no motor e ele não consegue retornar, indo parar na margem do outro lado do rio, pertencente `a Coréia do Sul. Ninguém acredita na história de Nam: Para o Norte, ele é um desertor. Para o Sul, um espião. E na verdade, tudo o que Nam quer, é voltar para a sua família. Com um belo roteiro escrito pelo próprio Duk, tendo como mensagem que independente da ideologia, o extremismo dos 2 lados da Coreia estão errados, "A rede" faz uma linda metáfora sobre como um homem simples pode ser corrompido, mesmo tentando de todas as formas manter a sua ideologia. Forte, intenso, trágico. Um filme que merece ser visto e discutido.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Fúria

"Ikuri", de Lee Sang-il (2016) Drama de suspense de 145 minutos, "Fúria" é um épico sobre a humanidade e os sentimentos de amor e fúria que os conduz. Desenvolvido em 3 histórias independentes, que não se cruzam, mas que possuem um elemento em comum: um grupo de policias em busca de um serial killer, que pode ser o protagonista de uma das 3 histórias. Há um ano atrás, um casal foi assassinado com requintes de crueldade. Acredita-se que o assassino possa ter feito cirurgia plástica e até mesmo mudado seu sexo. Na 1a história, acompanhamos Yohei (Ken Watanabe), um pescador que vai buscar sua filha Aiko em Tokyo, dentro de um prostíbulo. Ele a trz de volta para a ilha onde mora, e lá, ela acaba se apaixonando por Tashiro, um homem misterioso que surgiu por lá e acaba trabalhando com Yohei. Na 2 a história, Yuma, um jovem executivo gay, frequenta boites e dark rooms Lgbt , até que conhece Naoto, um rapaz introspectivo, por quem se apaixona. Sem ter onde morar, Yuma o leva para morar com ele. Na 3a história, a jovem Izumi e seu namorado Tatsuya frequentam uma ilha, e lá conhecem Tanaka, um construtor civil, que se refugia em uma casa abandonada. O filme vai desenvolvendo, de forma inteligente e criativa, as 3 histórias paralelamente, em excelente trabalho de edição e de trilha sonora, de Ryuchi Sakamoto. Trabalhando o Drama e com suspense, acompanhamos as relações de amizade, amor e traição entre os novos relacionamentos que vão surgindo ao longo do filme, culminando em momentos de violência e fúria que alteram o rumo dos personagens. Com bela interpretação de praticamente todos os atores, e com ousadas cenas do universo gay, "Fúria" entrega ao espectador um filme inquietante, apesar de sua longa duração. O filme venceu vários prêmios internacionais.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Backstory

"Backstory", de Joschka Laukeninks (2017) Excepcional curta alemão, vencedor de mais de 30 prêmios internacionais. Em menos de 6 minutos, o filme narra a história completa de um homem: sua infância, adolescência, fase adulta e terceira idade, e num piscar de olhos, tudo acaba. Divorcio dos pais, primeiro amor, sexo, estudo, trabalho....a forma como o Diretor Joschka Laukeninks traduz isso em imagens é emocionante e bastante criativo: nunca vemos o rosto do homem em todas as suas fases...ele é anónimo..e na parte final, quando tudo termina, finalmente vemos seu rosto. E' foda, muito foda! Primor de direção, fotografia, trilha sonora, edição e concepção. Imperdível!

Detroit em rebelião

Fetr
"Detroit", de Kathryn Bigelow (2017) A cineasta Kathryn Bigelow mais uma vez se une ao seu roteirista Mark Boal e dessa vez o tema é uma história real acontecida em Detroit no ano de 1967: no auge das rebeliões segregacionistas que varriam os Estados Unidos, 3 jovens negros foram mortos em circunstancias misteriosas dentro de um Motel em Detroit, durante uma invasão policial. Até hoje, não se sabe com precisão o que aconteceu de verdade, mas o filme se baseia em depoimentos dos sobreviventes. Ao contrário do que parece, John Boyega ( Finn de "Star Trek" não é o protagonista. Aliás, ele está bastante mal aproveitado no filme, que tem dezenas de personagens. Quem carrega o filme e tem um arco dramático que vai do inicio ao fim, é Larry, um postulante a cantor. E' com ele que o espectador se insere nesse clima de terror que se instalou em Detroit, com tiros, saques, revoltas populares e muita porradaria. Kathryn Bigelow é excelente Diretora, comandando a técnica e efeitos de filmes como poucos ( "Guerra ao terror", " A hora mais escura"). Mas aqui ela peca pelo excesso de estilo e uma falta de refinamento no roteiro. Sao muitos personagens, uma caricatura dos policias brancos que comandam durante mais de uma hora uma sessão de torturas interminável. Não havia necessidade desse filme tem 144 minutos! Muito longo, repetitivo, poderia ter rendido muito mais se tivesse pelo menos meia hora a menos. O desfecho, no tribunal, ficou sem empolgação. Bons atores, excelente reconstituição de época, fotografia foda. Mas dessa vez, faltou alma.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Franswa Sharl

"Franswa Sharl", de Hannah Hilliard (2009) Divertido curta australiano, Vencedor de vários prêmios, entre eles, de Melhor Curta da Mostra Geração no Festival de Berlim. O filme é baseado em história real. Duas famílias passam suas férias na Ilha de Fiji. Os pais vivem disputando entre seus filhos, quem é o Campeão em diversas atividades, Greg (Callan McAuliffe) perde todas as apostas, deixando seu pai frustrado. Até que ele descobre que vai acontecer um Campeonato de garota mais linda da Ilha Fiji. Greg decide se vestir de mulher e usa o pseudónimo de Franswa Sharl. Com um humor delicioso e boas performances ( Callan McAuliffe está sensacional), o filme cria uma empatia grande com o espectador, que entende que a competição entre os jovens provocadas pelos pais nunca é sadia. Bela direcao de Hannah Hilliard, que escreveu o roteiro junto do verdadeiro Greg. https://vimeo.com/19685421

A grande jogada

"Molly's game", de Aaron Sorkin (2017) Em primeiro lugar, uma pergunta: porque esse filme precisa ter 140 minutos? Meu Deus, cortassem 30 minutos desse filme e ele poderia ter sido mais interessante. Aaron Sorkin estréia na Direção nesse filme, mas ele também escreve a adaptação do livro de Molly Bloom. Sorkin ganhou o Oscar de roteiro por "A rede social", mas foi responsável por alguns dos filmes mais chatos que vi na vida entre eles, "Moneyball". Não fosse o talento impecável de Jessica Chainstain, que carrega esse filme totalmente nas costas, esse filme teria sido uma chatice sem fim. Mas uma coisa Sorkin precisa levar mérito: ele, como poucos roteiristas, consegue escrever roteiros sobre temas dos mais técnicos possíveis, tentando converter em Cinema assuntos dos mais áridos possíveis. Eu particularmente não entendo nada de Poker. Mas não se preocupe se você não entende, você tem 140 minutos para pelo menos tentar entender que é um jogo de azar e que você pode morrer por isso. O filme é quase todo narrado, sinal de que Sorkin não acreditou que apenas os diálogos fossem o suficiente para contar a história. Todas as ações são explicitamente explicadas por Molly. Molly Bloom ( nome de personagem de "Ulisses", de James Joyce) é uma jovem que desde criança é induzida pelo seus pais a ser uma esquiadora e ganhar prêmios. ( Nisso, o filme se aproxima totalmente de "Eu, Tonya". O quanto que a protagonista sofreu nas mãos de pais carrascos.) Ao sofrer um acidente durante uma competição, ela fica proibida de continuar no esporte. Molly decide se mudar para Los Angeles e lá ela trabalha como garçonete, até que conhece o mundo do Clube do Poker , onde celebridades e milionários apostam alto. Aos poucos, Molly se torna uma organizadora de um Clube, e passa a ganhar muito dinheiro, até que é presa pelo Fbi. O elenco tem a participação de Idris Elba, no papel de seu advogado, e Kevin Costner, como o pai de Molly. Michael Cera interpreta um personagem inspirado em Tobey Maguire, conhecido em Hollywood por participar desses clubes e de ter introduzido Molly a muitos jogadores. O filme é bem dirigido, uma surpresa, em se tratando de filme de estréia. Mas é longo, chato, com um tema sem interesse para quem não curte jogatina. Quando o filme investe no drama familiar de Molly e seus conflitos, o filme se torna mais interessante. Bela fotografia da dinamarquesa Charlotte Bruus Christensen, de "A caça" e "Um limite entre nós".

O jovem Karl Marx

"Le jeune Karl Marx ", de Raoul Peck (2017) Dirigido pelo mesmo realizador do excelente documentário "Eu não sou seu negro", "O jovem Karl Marx" acompanha 4 anos na vida de Karl Marx , então com 26 anos de idade, e a sua relação de amizade com Friedrich Engels, filho de um rico industrial na Inglaterra. Juntos, os 2 lutam pelos direitos dos trabalhadores por melhores condições de trabalho, e fomentando que a burguesia sufoca os trabalhadores e visam comente o lucro em suas empresas, sem se preocupar com o bem estar dos funcionários. O filme segue até o ano de 1848, quando Karl Marx e Engels escrevem o famoso "Manifesto comunista", que reivindicam entre outros pontos, uma menor carga horária para os trabalhadores. O filme também acompanha as esposas de Marx e Engels, ambas fundamentais para a formação do pensamento de seus esposos. Mary, esposa de Engels, foi empregada de seu pai, mas devido a seu caráter de líder, acabou sendo demitida. Engels foi atrás dela e acabaram se apaixonando. Engels fez farta pesquisa sobre condições de trabalho com pessoas próximas `a Mary. Paoul Peck teve uma difícil missão de transcrever em imagens cinematográficas uma biografia tão densa quanto a de Marx e Engels, repletas de literatura e farta carga política. O filme foi duramente criticado aqui no Brasil por ser considerado uma visão burguesa Hollywoodiana sobre esses ícones do movimento comunista. Uma bobagem, é um filme bem estruturado e com excelente atuações. Não vou negar que achei o filme bem pesado e lento, mas dentro de sua proposta, atende bem o quesito de informar. Incrível como os ideais de Marx se mantém tão atuais, nao œ toa o filme termina com uma música pop dos anos 60, "Like a Rolling Stone", com imagens que ilustram a ânsia capitalista em várias épocas.

As Histórias Não Contadas de Armistead Maupin

"The Untold Tales of Armistead Maupin", de Jennifer M. Kroot (2017) A documentarista Jennifer M. Kroot realizou um belo documentário sobre o escritor americano Armistead Maupin, famoso no mundo inteiro pelos seus livros que retratam a rotina em Sao Francisco. Em "Contos da cidade", seu livro mais famosos, através das crônicas, Maupin fala sobre a comunidade Lgbts nos anos 50, algo até então raro na literatura popular. Muiitos dos personagens eram gays, trangeneros, e descritos de forma realista, sem estereótipos. Maupin nasceu em família conservadora, seu pai era racista e homofóbico. Na sua juventude, Maupin também foi conservador, até que decidiu se mudar para Sao Francisco e se assumir como gay. O filme narra a sua trajetória como escritor e jornalista, e ao mesmo tempo, através de imagens documentais de Sao Francisco dos anos 70, revelar como era a comunidade gay antes do advento do HIV. O livro foi adaptado para a televisão em 93 com Laura Linney, Olympia Dukakis e Ian Mackellen, que se tornaram seus grandes amigos. Outras celebridades também dão depoimentos no filme, como a escritora Amy Tan. A parte mais curiosa do filme, fala sobre o seu casamento com Christopher, um ex-modelo e fotógrafo 30 anos mais jovem, que é dono de um site de namoros com homens mais velhos. Um belo exemplo de amor verdadeiro, no contra fluxo de uma comunidade que em sua grande maioria, visa corpos e sexo anónimo.

Band Aid

"Band Aid", de Zoe Lister-Jones (2017) Um feito e tanto: a Atriz Zoe Lister-Jones escreveu, protagonizou, produziu e dirigiu essa deliciosa comedia dramática que concorreu em Sundance 2017. Anna (Zoe Lister-Jones) e Ben ( Adam Pally) são os típicos Loosers: desempregados, na faixa dos 40, sem filhos. Anna se vira como Motorista da Uber, mas queria ser escritora. Ben fica em casa se virando com pequenos trabalhos no computador, mas queria ser um Artista. O casal vive discutindo por pequenas coisas, até que tem uma idéia: montar uma banda, e as letras falariam sobre temas relacionados a discussão do casal. Para complementar, eles convidam Dave, um vizinho nerd viciado em sexo. Alternando um fino humor com romance e drama, "Band Aid" é a típica produção exibida em Sundance e que a gente adora: trilha sonora cool, fotografia indie, atores desconhecidos porém talentosos, e diretores estreantes que chamam a atenção por falarem de coisas próximas `a sua vida. O filme tem diálogos inspirados e é uma delicia de se assistir.

O Reino de Deus

"God's own country", de Francis Lee (2017) Estou há horas chorando. Que filme emocionante, bem dirigido! O desfecho é apoteótico. "O Reino de Deus" é ´"Brokeback Mountain" com um outro final. E que trabalho fenomenal desses 2 jovens atores, o inglês Josh O'Connor e o romeno , Alec Secareanuo, cujo personagem Georgh é o marido que todo mundo pediu a Deus. Em uma fazenda de Yorkshire, o jovem Johnny cuida de seu pai enfermo, de sua avó e dos animais da fazenda. Jonnhy vive uma vida intensa de muita rebeldia, irritado por conta de tantos afazeres. Ele é alcoólatra e transa com homens anonimamente, sem se envolver emocionalmente. Um dia, o pai de Jonnhy contrata um romeno, Georgh, para ajudar Jonnhy nos partos dos animais. De inicio, Jonnhy maltrata Georgh , chamando-o de cigano. Mas a postura do jovem romeno fará com que Jonhny mude seu modo de encarar a vida, até que se apaixonam. Impressionante que esse seja o filme de estréia de Francis Lee. Ele dirige com extrema sensibilidade e mostra muito talento na direcao de atores, valorizando mais a imagem do que as palavras. No elenco de apoio, Gemma Jonesmo como a avó, e Ian Hart como o pai também estão ótimos. Bela trilha sonora, fotografia deslumbrante e um final absolutamente arrebatador. Preparem os lenços. O filme venceu dezenas de Prêmios mundo afora, incluindo um especial em Berlim e o de Melhor direção em Sundance.

Vende-se essa casa

"Open house", de Matt Angel e Suzanne Coote (2018) Escrito e dirigido pelos Cineastas Matt Angel e Suzanne Coote, essa produção do Netflix pega carona no enorme sucesso da série "13 reasons why" e contratou o jovem Dylan Minette para protagonizar esse filme de suspense. Dylan já havia estrelado um longa de suspense para o cinema, o ótimo "O homem das trevas", esse sim, um roteiro preciso e bem estruturado, com ótimas viradas na trama. Em "Vende-se essa casa", a história parte de um tema mega batido, e que acreditem, fica ainda pior na sua parte final. O carisma do jovem Dylan dessa vez não conseguiu segurar o filme. ele interpreta Logan. Após a morte acidental de seu pai, ele e sua mãe passam por um perrengue, pois ela está sem emprego. ela acaba aceitando a ajuda se sua irmã, que deixa ela ficar um tempo em sua casa, mas montanhas isoladas. Eles são hostilizados pelos vizinhos, e pior, percebem coisas estranhas na casa. Aos poucos, descobrem que algo de muito estranho está acontecendo por ali. O desfecho de fato é o pior do filme, sem pé nem cabeça. Lembra "Funny games", de Michael Haneke, e "Os estranhos". A primeira e segunda parte são arrastadas, e o terço final, percorre um caminho muito louco. Excesso de trilha incidental, anunciando tudo o que irá acontecer.

O amante de um dia

"L'amant d'un jour ", de Philippe Garrel (2017) Os CInemas de Hong Sang Soo e de Philipe Garrel possuem muito em comum. Ambos falam do cotidiano, das traições, das repetições e muito papo bebendo em bares. O olhar de ambos busca o naturalismo nas atuações, e um minimalismo na forma de observar as pessoas e suas ações. "O amante de um dia" foi exibido em Cannes 2017 e Ganhou um prêmio especial na Mostra Quinzena dos Realizadores. Para quem já viu os filmes anteriores de Garrel, já sabe o que encontrar aqui: Fotografia em preto e branco e poucos personagens, `as voltas com casos de traição. Janne é uma jovem estudante apaixonada por Matteo. Ambos estudam na mesma faculdade e dividem um apartamento. Após uma crise de ciúmes, Jeanne resolve ir morar com sue pai, Gilles, um professor. Ao chegar lá, ela descobre que ele está namorando Arianne, uma jovem de sua mesma idade. Jeanne e Arianne medem esforços para chamar a atenção de Gilles, e entre elas rola uma grande rivalidade. O elenco está bem, os diálogos sao inspirados, mas fica aquela sensacao de estar assistindo ao mesmo filme de Garrel desde...seus 3 últimos filmes. Vale pela delicosa trilha sonora.