quarta-feira, 3 de março de 2021

Entropic


"Entropic", de Robert W Gray (2019)
Drama erótico LGBTQIA+ canadense, "Entropic" parte de uma premissa que parece ter saído de um episódio de "Black mirror": M (Stephen Huszar) é considerado o homem mais bonito do mundo. Cansado de se objetificado como objeto de desejo, M parte para uma proposta radical: convoca o seu amigo Aaron (halid Klein"e se submete a experimentos para ganharem dinheiro: em um galpão isolado, e completamente nú, qualquer pessoa pode pagar um valor pelo período de 40 minutos e fazer o que quiser com o corpo de M. As pessoas exploram o lado mais fetichista de seus desejos: homens e mulheres se permitem realizar desejos que nunca tiveram coragem de expôr para ninguém.
Robert W Gray perdeu uma boa chance de fazer um excelente curta. Como longa, o filme de torna repetitivo em suas cenas, variando apenas os fetiches. É um filme bonito, com linda fotografia e uma atmosfera futurista. Mas como roteiro explora pouco as várias dimensões de seus personagens.

terça-feira, 2 de março de 2021

Guigo offline


"Guigo offline", de René Guerra (2917)
Drama LGBTQIA+ nacional, com argumento de Cássio Pereira dos Santos e dirigido pro René Guerra, mais conhecido pelo seu longa "Serial; Kelly", protagonizado por Gaby Amarantos.
"Guigo offline" tem como protagonista o menino Guigo( Antonio Haddad Aguerre), um menino mimado de 12 anos, que flerta com sua colega de escola Sabrina. Os pais de Guigo são separados e ele precisa passar o final de semana no rancho com pai, Roberto (Alexandre Cioletti) e um amigo dele, Paulo (Roberto Rezende). Para não se sentir sozinho, Tulio, o melhor amigo de Guigo, viaja com ele. Guigo se irrita porquê no local não tem internet para ele manter contatos com Sabrina. Numa noite, acampados, ele descobre que seu pai e Paulo são namorados.
Filmado de forma naturalista, o elenco do filme é o que a produção tem de melhor. as crianças são ótimas, bem espontênas e sem vícios de interpretação. Os adultos são discretos e cumprem bem seu papel/ O filme trata de temas como amizade, falta de comunicação entre gerações e principalmente, a aceitação sobre o desejo e desejos dos outros em relação a sua sexualidade. O filme tem uma produção modesta, de baixo orçamento, tecnicamente tem questões, mas sua simplicidade é o seu grande chamariz.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Seus olhos sobre mim


"Your eyes on me", de Sergei Alexander (2020)
Polêmico drama LGBTQIA+ inglês, premiado no London independent Film Festival como melhor filme. O filme trata sobre uma relação incestuosa entre pai e filho.
Gloria (Paul Stone) é uma Drag Queen que se apresenta em um cabaré. Um dia, ela é procura por uma outra Drag Queen mais jovem, que quer que ela a ajude a se preparar melhor. Elas acabam transando. Mais tarde, Gloria descobre que Alex, a drag queen, é seu filho. Alex namora uma jovem, mas querendo descobrir o paradeiro de seu pai, chega em Gloria. Mesmo sabendo da relação familiar entre ambos, eles mantém o relacionamento.
Esse tema em mãos erradas daria muito ruim. O diretor Sergei Alexander filma com delicadeza um tema tão provocativo. Não é, no entanto, um filme perfeito: os atores são bons, mas o roteiro vai descantando para uma trama novelesca lá pelo ato final. Fosse um Almodovar, ele daria conta de lidar com essa história cabeluda. Do jeito que está, é aceitável, mas ficou faltando algo mais controverso e uma coragem maior para enfrentar os desafios da trama.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Sweet boy


"Sweet boy", de Niroon Limsomwong e Sathanapong Limwongthong (2016)
Drama romântico tailandês adolescente LGBTQIA+, "Sweet boy" é bastante ousado e provocativo, com um elenco todo adolescente em cenas de homoerotismo explícito.
O filme apresenta o dilema de Naki, um estudante CDF que faz parte de um grupo de rapazes encrenqueiros. Naki é gay, mas tem medo de sair do armário e mantém sua fachada. Quando um dos colegas, Toy, passa a reparar em Naki de forma diferente, ambos dividem momentos de amizade misturado a outras sensações. Naki também teme que sua mãe homofóbica descubra a sua sexualidade.
Histórias como essa existem às centenas em filmografias Lgbt no mundo todo. O que difere esse de outras produções é a forma como os diretores filmam os corpos do elenco, com bastante tensão sexual. O elenco é bonito, mas todos péssimos atores. Vale pela diversão, um drama carregado em melodrama novelesco.

Loucuras de amor


"Loco por ella", de Dani de la Orden (2021)Que linda essa comédia romântica espanhola, repleta de humor e emoção. O filme, escrito pela dupla Natalia Durán e Eric Navarro, se apropria do mote de "Um estranho no ninho" e o traz para o gênero do romance: o publicitário Adri (Álvaro Cervantes) conhece Carla (Susana Abaitua) em uma noite no bar e juntos prometem ter a melhor noite de suas vidas, sem saber nada de nenhum dos outros, e no dia seguinte irem embora. Mas Adri se apaixona por ela e no dia seguinte decide tentar encontrá-la Ele descobre que ela é interna de uma clínica psiquiátrica por problemas de transtorno bipolar. A única forma dele entrar lá é se internando também. Só que ao discutir com Carla, ele decide ir embora, mas descobre que é impossível. Adri precisa então passar por um período ali até receber alta. Nesse tempo, ele entende melhor a questão das doenças mentais tanto de Carla quanto de outros internos., Com um excelente trabalho de todo o elenco, compondo tipos extravagantes mas bastante carismáticos, o roteiro do filme caminha no limite de não desrespeitar as doenças mentais, e isso resolve bem no desenrolar da história, através do preconceito das pessoas que desconhecem a fundo os problemas. Um filme gostoso, emocionante, com ótimas piadas e diálogos. A personagem com síndrome de Tourette é impagável, falando palavrões o tempo todo.

Para Gerard


"To Gerard", de Taylor Meacham (2020)
Super premiado curta de animação escrito e dirigido por Taylor Meacham, que trabalha na Dreamworks. Inspirado em seu pai, que lhe ensinou que o importante é seguir seus sonhos, Taylor Meacham conta a história do carteiro Gerard. Ele trabalha em uma agência postal separando cartas. E;e se lembra que na sua infância, ele foi apaixonado pela arte de um mágico, que lhe deu uma moeda mágica e que ele seguisse seus sonhos. <as Gerard continuou como carteiro. Até que um dia, uma menininha surge na sua frente, e Gerrard resolve dar para ela sua moeda.
Premiado em Annecy, o maior Festival de animação do mundo, e pré=selecionado para o Oscar da categoria em 2021, "Para Gerard" é um filme para se emocionar e chorar. Lindo, poético, com uma mensagem edificante e importantíssimo para as crianças de hoje.

Parceiros da noite


"Cruising", de Willian Friedkin (1980)
Clássico trhiller LGBTQIA+, "Parceiros da noite" se tornou o 1o filme mainstraim de Hollywood a investir no universo gay de forma realista. O filme chocou a todo mundo, foi proibido em vários países e durante as suas filmagens, grupos ativistas gays tentaram paralizar a produção, alegando que o filme denegriam a sua imagem diante do grande público.
Adaptado do livro homônimo escrito pelo jornalista da The New Yorker, Gerald Walker, sobre os assassinatos cometidos contra gays em NY dos anos 70. O filme é uma obra histórica importante por revelar uma Nova York decadente, perigosa e underground, principalmente em 2 de seus maiores ícones turísticos: Time Square e Central Park, famosos até então pela zona de prostituição e sexo livre. Foi o prefeito Rudolph Giuliani e sua política de Tolerância Zero que varreu essa Nova York e a transformou no que ela é hoje em dia. Nos anos 70, Times Square era onde se concentravam casas de sexo, saunas, cinemas pornôs e à noite virava área de prostituição.
Fora isso, tanto Willian Friedkin quanto Al Pacino colocaram suas carreiras em risco. Na época, o filme foi destruido pela crítica e foi fracasso de público. O filme hoje em dia se tornou clássico, Al Pacino é reverenciado pela sua coragem em interpretar um personagem tão controverso e Willian Friedkin pela coragem artística, sem fazer qualquer tipo de concessão. O filme ficou tão realista em sua abordagem do universo gay leather e B&M, que dizem que 40 minutos do filem foram cortados. Em 2013, James franco dirigiu o filme explícito "Interior leather bar", reproduzindo as cenas de sexo explícitas retiradas do filme original.
Al Pacino interpreta Steve, um policial padrão, casado com Nancy (Karen Allen). Ele é convocado pelo Capitão Edelson (Paul Sorvino) a se infiltrar na noite gay para tentar encontrar o paradeiro do serial killer que mata gays. Steve acaba se transformando: ao se infiltrar, ele descobre segredos até então ocultos dentro de si.
Sim, o filme é homofóbico, é mega violento, é misógino. Mas ao mesmo tempo, é uma obra de arte, um filme cruel, sujo, pervertido, fetichista, ousado, corajoso, bravo e certamente, um filme que Hollywood jamais conseguirá fazer novamente. O mundo já foi mais vanguarda.

Philipino story


"Philipino story", de Benji Garcia (2013)
Drama LGBTQIA_ filipino, premiado em alguns Festivais, é escrito e dirigido por Benji Garcia.
O filme apresenta Philip, um jovem que mora com seu irmão, cunhada e sobrinha em um barraco na favela de Manilla. Philip é amante de Bastian, um homem bem mais velho, que trabalha como artista plástico. Bastian ajuda Philip financeiramente. Philip gasta todo seu dinheiro para ajudar seu irmão e sua família que passam necessidades. Quando Bastian decide dar um tempo no relacionamento, Philp se desespera e passa a se prostituir.
Drama com tintas bastante novelescas, com trilha sonora apelativa e uma trama que caminha para uma tragédia. A produção do filme é tecnicamente pobre, com baixo orçamento. Mas os bons atores, mesmo que com um roteiro que exija muitas ações melodramáticas, seguram a onda. O filme apresenta a periferia e submundo de Manilla, distante dos cartões postais.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Tom & Jerry- O filme


"Tom & Jerry- the movie", de Tim Story (2021)
Versão cinematográfica de um dos personagens mais famosos da dupla Hannah & Barbera, Tom & Jerry. O filme conta com uma excelente animação computadorizada, misturando atores e desenho. A direção é de Tim Story, mais conhecido por ter dirigido a versão para o cinema de "Shaft", e também a adaptação para os cinemas da primeira franquia de "O quarteto Fantástico".
O filme apresenta Tom & Jerry em Nova York, e como eles se conhecem. Logo de cara, ambos se tornam inimigos. Depois de muitas brigas, os dois acabam parando em um grande hotel de luxo, onde Kayla (Chloë Grace Moretz) vai pedir emprego como uma sub-gerente. Kayla rouba Cb de uma concorrente e acaba pegando o trabalho. O gerente Terence (Michael Pena) desconfia de que Kayla não aparenta ser a grande profissional. O Hotel vai ser o local do casamento do ano: os influencers Ben e Preeta armam uma grande celebração, mas Tom & Jerry acabam estragando tudo.
O filme fará mais sucesso para a criançada do que para os adultos nostálgicos. A história é bastante ingênua, e certamente uma de suas grandes referências é "Um convidado bem trapalhão", de Blake Edwards. O maior mérito é o filme manter a sequência de porradaria entre gato e rato, não fazendo concessões ao politicamente correto dos desenhos de hoje em dia.

"A viúva das sombras


"Vdova" de Ivan Minin (2020)
Para quem ainda não se cansou de assistir a centésima produção que copia o mote de "A bruxa de Blair", "A viúva das sombras" pode ser uma boa opção. Para não ficar somente nessa referência, essa produção russa ainda traz referências de "Rec", filme espanhol de terror.
Reza a lenda que uma mulher foi acusada de matar o seu marido. A população resolveu matá-la afogando-a no pântano da floresta. Desde então, segundo o filme, baseado em fatos reais, todo ano mais de 300 pessoas desaparecem na floresta próxima a Saint Peterburgo. Uma equipe de voluntário recebe o chamado que um menino desapareceu na floresta, e decidem ir resgatá-lo. Ao invés do menino, encontram uma mulher. Desorientada, a equipe resolve levá-la. Só que se perdem e não conseguem sair da floresta. A repórter que acompanha o grupo, Vika, grava tudo, mas o que irão encontrar são vestígios de que a lenda realmente existe.
O filem é tão descaradamente copiado de "A bruxa de Blair"que pelo menos duas cenas são exatamente iguais: os artefatos demoníacos inscritos nas árvores, e a pessoa que fica de costas contra uma parede em uma cabana abandonada.
A única diferença desse filme para os clássicos j;a citados, é que a linguagem do found footage só vai até determinado ponto.

Glauber, Claro


"Glauber, Claro", de César Meneghetti (2020)
Premiado documentário que retrata a fase italiana de Glauber Rocha, onde realizou o longa "Claro", de 1975, com elenco francês, americano e italiano e retrata a juventude italiana em crise com o seu Governo. Roma é vista como a capital do Imperialismo e do capitalismo. O documentário faz uma analogia dessa força que o filme teve na época, mostrando a juventude indignada, com a geração que nos dias de hoje também panfleta nas mesmas ruas representadas no filme de Glauber. Pegando depoimentos de atores, técnicos e produtores, "Glauber, Claro" apresenta uma faceta do cineasta mais polêmico da história pelo ponto de vista de quem trabalhou com ele, encantados com sua força e energia.
Com trechos do filme intercalados com depoimentos e imagens de Roma nos dias de hoje, captados em belos movimentos aéreos de drone, o filme termina com a raivosa entrevista de Glauber para a imprensa, logo depois que o juri do Festival de Veneza de 1980 anuncia os seus vencedores. Glauber estava presente em competição com "A idade da Terra", seu último filme. Dois filmes venceram o Leão de Ouro, dividindo o prêmio: 'Atlantic city, de Louis Malle, e "Gloria", de John Cassavettes. Theo Angelopoulos ganha o prêmio do juri por "Alexandee, o grande". Glauber chama Louis Amlle de cineasta de 2 classe, Cassavettes de fazer filmes comerciais usando a fachada do cinema de vanguarda e Angelopulos de fazer filmes velhos. Sobrou até para Hitchcock, a quem Glauber chama de fazer filme porcaria. Acusa o juri de ter se vendido ao cinema americano. E tudo isso, sob o olhar dos jornalistas, pasmos. Aos críticos, ele chama de decadentes. Enfim, esse é Glauber.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Yank! Uma história de amor na Segunda Guerra


"Yank! A WWII love story", de Ian Good (2005)
Filmagem do premiado musical da Broadway encenada em 2005, "Yank!" é um musical LGBTQIA+ que traz o tema sobre o amor secreto entre soldados durante a 2a guerra mundial, cercados de preconceitos, medo, insegurança e homofobia entre os oficiais e os outros soldados.
Escrita pelos irmãos Joseph e David Zellnick, o musical apresenta Stu, um jovem tímido que é obrigado a se alistar em 1943, e se torna correspondente. Ele de imediato se apaixona pelo soldado Mitch. Ambos se descobrem apaixonados um pelo outro, mas diante do forte preconceito no quartel, precisam manter esse amor de forma platônica.
Tive a sorte de assistir ao musical em uma montagem no Rio de Janeiro. É um texto lindo, melodramático, mas que traz lindas mensagens de aceitação e de amor eterno. Para românticos e amantes de uma boa novela, é imperdível, além de trazer músicas ótimas. O cenário é que é bem pobre, acentuando o baixo orçamento do espetáculo.

Uma noite de verão


"Eoneu yoreunmal bame", de Heon Kim (2016)
Logo no início de "Uma noite de verão", o espectador já se surpreende com a visceralidade desse drama LGBTQIA+ Sul coreano: uma intensa cena de sexo explícito entre dois soldados. Além disso, certamente a cena de beijo de língua mais intensa e apaixonante que ja vi em filmes.
Yong-joon e Jae-seong são soldados que fazem parte do exército vermelho da Coréia do Norte. Pêgos em flagrante fazendo sexo, os dois fogem, mas Jae-seong se acidenta e fica para trás.
3 Anos se passam: Yong-joom mora na Coréia do sul, mas trabalha como ajudante em um restaurante e é maltratado pela patroa. Ele mora com seu namorado, tae Gyu, um vagabundo que não trabalha e vive de pregar peças nas pessoas da rua. Um dia, ele acidente um garoto e o cega. O pai cobra de Yong Joon dinheiro para recompensar o acidente, mas Yong Joon não possui esse dinheiro. Para piorar, Jae -Seong consegue fugir para a Coréia do Sul em busca do seu grande amor, mas decsobre que ele está namorando outro rapaz.
Um filme trágico e sofrido, não é aconselhável para quem reclama que muitos filmes gays possuem tramas que falam sobre violência e tragédia no mundo lgbtqia+. Tudo aqui é bastante cruel, triste. Para contrabalancear, as várias cenas de sexo explícito acabam trazendo poesia para tanta dor, nem mesmo dão tesão. Ótimo trabalho dos 3 atores em uma história muito triste.

Depois a louca sou eu


"Depois a louca sou eu", de Julia Rezende (2020)
Fazer comédia com Rivotril e outros tarjas pretas parece ser um lugar bastante perigoso, mas o roteiro de Gustavo Lipenztein e a direção de Julia Rezende entenderam essa demanda e deram a "Depois a louca sou eu", um tratamento mais dramático ao tema da ansiedade, mas tendo como pano de fundo humor e emoção.
Adaptação do livro autobiográfico da escritora e cronista Tati Bernardes, o filme acompanha Dani (Debora Falabella), uma publicitária em crise profissional, amorosa e principalmente, com a sua mãe super protetora, interpretada com inteligência pela atriz Yara de Novaes. Ao conhecer Gilberto (Gustavo Vaz), um psicanalista com ansiedade igual ou mais acentuada que a sua, Dani encontra paz. Mas logo as coisas voltam ao estado crítico, e Dani precisa aprender a lidar com os fantasmas do transtorno mental.
A grande força do filme está no trio Debora Falabella/Yara de Novaes e Gustavo Vaz, que trazem dignidade e respaldo para um tema tão espinhento e necessário. O elenco de apoio conta com atores notáveis, como Debora Lamm, Romulo Arantes, Marcelo Laham e Claudia Ventura.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Hello stranger- O filme


"Hello stranger- the movie", de Dwein Baltazar (2021)
Drama romântico LGBTQIA+ filipino rodado durante a pandemia de Covid, o filme,e scrito e dirigido por Dwein Baltazar, tem uma curiosa trajetória: em 2020, foi criada a série pro Youtube, Hello stranger", em 10 episódios. Na série, toda rodada via Zoom, vários personagens estudantes de faculdade, mantém estudo e relacionamento social pelo aplicativo. O esportista Xavier e o nerd Mico acabam se conhecendo, mas descobrem que era inimigos na escola. Mas no final da série, rola um clima romântico entre eles, mas por conta da pandemia, não podem se encontrar. Com o grande sucesso da série, a produtora Black sheep, especializada em conteúdo "Boys love/BL", resolveu filmar a versão do longa para cinema: hospedou todo o elenco e equipe em um resort e assim puderam filmar sem máscaras. No filme, a pandemia acabou e todos resolvem passar um tempo no resort para se divertir. Mico e Xavier se encontram, mas mal entendidos fazem com que se afastem.
O filme tem um roteiro bastante adolescente que não combina com a idade dos personagens. Mas acredito que a intenção dos produtores era fazer um filme ingênuo, light, com atores bonitos e descamisados em cena. Dá para assistir, é um passatempo bacana, com lindas paisagens, trilha pop e a mensagem de que toda forma de amor vale a pena.

Filho


"Son", de Ivan Kavanagh. O ator Emile Hirsch deu uma reviravolta em sua carreira até então ascendente em Hollywood e acabou ficando no rol dos Filmes B de terror. Agora ele está em "Filho", no papel do policial Paul, que investiga assassinatos onde as vítimas tem o corpo devorado. Ele acaba conhecendo Laura (Andi Matichak), uma mulher que fugiu de um sanatório, onde ela acreditava ser frequentada por adoradores do diabo. Laura tem filho, David, e juntos fogem de algo demoníaco.
O filme recicla a idéia de "A profecia", onde a criança é a filha do Diabo em pessoa. Tudo acaba se tornando óbvio. Para quem não assistiu o filme original, vale dar uma olhadinha nesse filme, que pelo menos, tem boas cenas de violência. Quando ao Emile Hirsch, uma pena que ele tenha colocado sua carreira em filmes menores.

Explota explota


"Explota explota", de Nacho Álvarez (2021)
Para quem acredita que o mundo é gay, colorido, um conto de fadas e divertido, repleto de purpurina, papel picado caindo do céu, não pode deixar de assistir "Explota explota", uma comédia romântica musical baseado nas músicas da Diva italiana Rafaella Carrá, um dos maiores ícones gays da Europa. O filme é exagerado, caricato, mas ao mesmo tempo, uma delícia de cafonice com um roteiro muito simples e ingênuo, mas tudo a serviço de homenagear Rafaella e seu mundo pop Kitsch purpurinado.
No ano de 1973, Maria ( Ingrid García Jonsson), uma espanhola, prestes a se casar com o italiano Massimiliano, desiste de se casar com ele, pega um avião e volta para Madri: órfã, sem dinheiro, sem casa, ela conhece a aeromoça Amparo (Verónica Echegui), e se tornam grandes amigas. Três meses depois, trabalhando como aeromoça, Maria conhece Pablo, que trabalha na TVE e perdeu uma mala. Quando Maria consegue resgatar a mala, ela leva até a TVE., e acidentalmente, é vista por um diretor de tv que decide colocá-la como a estrela do programa de sucesso Uma Noite de Rosa, após discutir com a estrela anterior.
Tudo no filme é over, desde figurinos, maquiagem, números musicais, em grande estilo de coreografias surreais e divertidas. A comparação com Almodovar é inevitável, ainda mais na fase do filme "Amores passageiros".

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Flesh Gordon


"Flesh Gordon", de Michael Benveniste (1974)
Paródia erótica do famoso personagem criado por Alex Raymond em 1934. "Flesh gordon" foi lançado em 1974 e acabou inspirando a famosa versão de 1980, através de visual Kitsch e um cenário e figurinos carnavalescos.
O filme contém cenas de sexo explícito e os seus efeitos especiais, alternando várias técnicas, incluindo o stop motion, desenvolvido por grandes artistas acabou ficando numa lista final de indicados para o Oscar.
A produção, escrita e dirigida por Michael Benveniste, é uma adaptação totalmente obscura, mas cultuada por muitos cinéfilos que vão em busca de pérolas trash. Planeta Pornô, Penissauros, Robôs com pênis em formato de brocas assassinas, Raios de sexo, orgias, Amazonas lésbicas, é um festival de sandices, taras e fetiches que hoje em dia seria impensável realizar.
A história é uma tosquice, porem deliciosamente sacana: O Imperador Wang, o Pervertido, promove orgias em seu palácio no Planeta Pornô. No entanto, ele envia Raios de sexo para o Planeta sexo, e quem entra em seu foco, fica desesperado para fazer sexo. Flesh Gordon, um jogador de futebol, segue para o Planeta junto de sua assistente Dale e o cientista Jerkoff para tentar derrubar o Imperador.
É difícil descrever as cenas e situações toscas do filme, um festival de sandices que deixa o espectador atordoado: a cena do ataque dos dinossauros em formatos de pênis, ou o ataques dos robôs com formato de pênis assassinos são antológicas. Fora isso, o filme ainda encontra espaço para fazer referência a clássicos do cinema, como "King Kong" e "O mágico de Oz".
Diversão para quem procura fesouros trash esquecidos pela história do cinema.

Canto dos ossos


"Canto dos ossos", de Petrus de Bairros e Jorge Polo (2020)
Grande vencedor da mostra Aurora do Festival de Tiradentes 2020, "Canto dos ossos" é produzido pelos Estúdios Giz, que tem como foco produzir filmes realizados por diretores jovens, de baixo orçamento e que redefinam os filmes de gênero e que levantem a bola das classificações de gênero e multiculturalidade. O mesmo Estúdio produziu "Sem seu sangue", de ALice Furtado, exibido em Cannes 2019 e que também traz à tona os temas do cinema de horror brasileiro discutindo luta de classes e racismo. Em 'Canto dos ossos", essa discussão é pautada por um cinema Queer, trash e ppbre, mas sempre instigante.
Duas criaturas vampirescas se separam: a professora Nainana, que sai do Ceará e vem trabalhar dando aula em Búzios. E Diego, um balconista de farmácia. Durante a noite ambos caçam suas presas, mas o mundo também traz à tona as Mosntras, criaturas poderosas que querem dominar tudo.
O filme é totalmente experimental, com efeitos toscos de maquiagem e aplicações digitais bem safadas na tela. A estética é do Brasil pobre e maldito, sufocado e oprimido. Trabalhando com a metáfora. o filme redefine a eterna luta entre oprimidos e opressores.
O filme não me encheu os olhos, mas a ousadia e criatividade dos cineastas e roteiristas formandos da Faculdade de cinema da UFF nos ensina que é possível fazer um cinema urgente, marginal, udigrudi com os recursos que tivermos em mãos.

Todos os mortos

"Todos os mortos", de Marco Dutra e Caetano Gotardo (2020)
Premiado drama alegórico brasileiro, concorreu ao Urso de Ouro em Berlin 2020, sendo o unico filme brasileiro a concorrer na Mostra principal. Ganhou no IndieLisboa o prêmio de melhor filme, e em Gramado ganhou os Kikitos de ator e atriz coadjuvante, para Thomas Aquino e Alaíde Costa.
Confesso que tive dificuldades para gostar do filme, sou apaixonado por outros filmes de Dutra, como "Trabalhar cansa" e "As boas maneiras", e de Caetano Gotardo, prefiro "O que te move". "Todos os mortos" é anunciado pela mídia como terror, mas está longe de ser um filme de gênero. Talvez o grande terror seja o roteiro do filme aproximar o Brasil de 1899 do Brasil de 2020, e sofrendo das mesmas mazelas, principalmente no que se refere à questão do racismo e preconceito no país. As sequelas da escravidão permanecem no Brasil de hoje, com um racismo escondido e camuflado na sociedade. Os diretores se utilizam de um recurso que os aproxima de Shayamalan, porém ser querer provocar sustos ou surpresas no espectador, e sim, fazer uma transição discreta temporal.
Em 1899, 10 anos após a abolição da escravatura no país, a família Soarese perde o seu poder econômico. Iná, uma ex-escrava, e seu filho João, agora procuram por trabalho. Ambos acabam parando na fazenda dos Soareses, mas a escravidão segue implícita. Mas Iná representa a força da mulher negra e agora vai se impôr.
O filme tem um elenco excelente ando vida a personagens majoritariamente feminino. são performances mais teatrais, empostadas, mas não menos fortes e vibrantes. Mawusi Tulani, como Iná, e Alaíde Costa são os grandes destaques.
Participação especial das ótimas Gilda Nomacce, Tuna Dwek e Leonor Silveira.