domingo, 16 de setembro de 2018

O predador

"The predator", de Shane Black (2018) Diretor de "Homem de ferro 3" e o ótimo "Dois caras legais", o cineasta Shane Black ficou com a missão de revigorar a franquia "Predador", que além do original, rendeu continuações bem fracas, incluindo um mix muito ruim do "Predador X Aliens". Agora, um Predador Gigante e uns cães predadores invadem uma cidade, em busca de um artefato que está nas mãos de Rory (Jacob Trembley, de novo fazendo um papel de garoto que sofre bullying, depois de "Extraordinário"). Para salvar a vida do filho, o soldado McKena traz a sua tropa de soldados de elite para tentar matar o predador. A eles, se junta a bióloga Bracket. Bom, não há muito o que falar de um filme que faz parte de uma franquia mega hiper repetitiva. Mesma porradaria, mortes, povo do governo sendo escroto, coisas e tal. Achei que o menino Jacob Trembley ficou mal aproveitado. Fico também revoltado com esses roteiristas, que incluem personagens de apoio apenas para servir de escada e serem mortos: o latino, os negros, o marginalizado. Enfim, vale como pipocão, para quem quer tiro, porrada e bomba.

Mondo Rocco

"Mondo Rocco", de Pat Rocco (1970) Pat Rocco é considerado o primeiro Cineasta independente americano a realizar filmes para um público estritamente gay a partir dos anos 60. Nesse documentário "Mondo Rocco", estão reunidos 10 curtas, entre ficção e registros documentais, apresentando uma Los Angeles dos anos 60, ainda lutando pela reconhecimento do Movimento gay, e já tendo um início da revolução sexual que sacudiria a América da época. Considerado um importante documento histórico, o filme apresenta um Cabaret onde Drag queens se apresentam dublando Barbra Streisand, Judy Garland, Mae West; O próprio Pat Rocco conduz um documentário entrevistando gays que participam da Marcha a favor do movimento gay; vemos policias invadindo um bar gay; Pessoas cantando músicas de "Hair" na praça pública; um dançarino totalmente nu fazendo uma apresentação em uma casa de shows; e para os Voyeuristas e fetichistas de plantão, Pat Rocco incluiu pequenos segmentos apresentando os famosos "Beefcakes", que eram modelos musculosos totalmente nus para o deleite dos espectadores, em histórias ingênuas que eram pretexto pros rapazes tirarem as roupas. Desses, o mais instigante e sensual, é o episódio onde um garoto de programa seduz e ensina um jovem hetero desempregado a ser um michê. A curiosidade do título do filme, foi porque Pat Rocco pegou carona nos documentários "exploitation" que ficaram comuns nos anos 60, por conta do grande sucesso de "Mondo Cane". Esse tipo de filme explorava o lado bizarro, cruel e violento da humanidade.

sábado, 15 de setembro de 2018

Buscando...

“Searching...”, de Aneesh Chaganty (2018) Surge um novo Shayamalan no Cinema! Filme foda em todos os sentidos: Roteiro, Direção, montagem, concepção visual, trilha sonora, atuação!! A linguagem do found footage já está mais do que gasta no cinema. Sabendo disso, o roteirista e Cineasta Aneesh Chaganty resolveu fazer diferente: ele pegou a ideia do filme de guerra de Brian de Palma, “Redacted”, que mostra uma guerra inteira exibida nas telas somente em monitores de celular, filmadoras, Skype, etc, sem nunca filmar os atores fora desse ambiente online. O filme inteiro é visto através de telas; monitor de computador em dezenas de sites, câmeras de segurança, celular, etc, tudo em tempo real. E o filme consegue prender a atenção do espectador durante os seus 100 minutos sem nenhum segundo de respiro! Tensão o tempo todo! Um resultou brilhante é impressionante! Após a morte d sua esposa por câncer, David acaba se ausentando da vida de sua filha, Margot. Um dia, ela sai para estudar, mas acaba desaparecendo. De início David acha que ela quiz pregar uma peça nele, mas aos poucos ele começa a se desesperar: procura por conhecidos dela, lugares onde ela possa estar. Inconformado, ele procura a polícia. E aí luta contra o tempo para tentar descobrir o paradeiro dela. O filme o tempo todo exala o suspense de Hitchcock e as pegadinhas de roteiro de Shayamalan. Inteligente, criativo, e sempre surpreendente, o filme ainda lança ao estrelato John Choo, que interpretou Sulu na nova franquia de “ Star Trek”. Um elenco protagonizado por orientais, nessa nova onda de Hollywood que resolveu buscar nos asiáticos o seu novo filão de sucesso, vide o mega sucesso de “ Podres de ricos”.

Mandy

"Mandy", de Panos Cosmatos (2018) O que seria do atual cinema independente e dos seriados de tv, sem a referência dos anos 80, a década mais pop de todas? Filmes cults da época, como "Mad Max", "Hellraiser", "O massacre da serra elétrica", "Demons, os filhos das trevas" servem de base para essa fantasia de horror psicodélico de Panos Cosmatos. Para quem assistiu o seu filme anterior, "Além do arco íris negro", sabe do que estou falando. Ali, ele já experimentava as cores fortes e hiperrealistas, as referências metafísicas e sensoriais de Jodorowsky, David Lynch e Tarkovsky, sempre emerso em uma atmosfera de pesadelo. "Mandy", exibido com louvor e palmas em Sundance e Cannes, não poderia existir, se não fosse a contribuição de Nicholas Cage e do compositor islandês Johan Johannsson, recém falecido em 2018, e que compôs as trilhas primorosas de "Sicario" e 'A chegada", Nicholas Cage, que ultimamente virou meme por conta de tantos filmes ruins que fez em sua carreira, e de suas caras e bocas, aqui exercita todo aquele olhar e sorriso malígno que ele adora fazer. E a gente ama! Ele está perfeito no papel do marido que resolve se vingar, e cada movimento seu é celebrado com êxtase pelo espectador. Johan Johannsson criou uma trilha estranha, repleta de ruídos assustadores e que possibilitam o espectador entrar na atmosfera onírica maldita do filme. A melhor definição para o filme, veio de um crítico americano: "Mandy" parece aquelas capas de Lp das bandas de Heavy Metal dos anos 80 e que criaram vida". Red (Cage) e Mandy ( Andrea Riseborough, ótima) moram em uma cabana isolada na floresta. Eles formam um casal apaixonado: trabalham, e de noite assistem filmes juntos em casa. Ele é lenhador, ela trabalha em uma loja de conveniências. Mandy tem apreço por literatura barata de livros de fantasia e terror, e tem pesadelos constantes. Um dia, ao ir a pé para o trabalho, Mandy cruza com uma van, onde se encontram toda a gangue de Jeremiah, um líder de uma seita chamada "Black skulls" e que conjuram uma gangue de demônios motoqueiros toda noite. Jeremiah resolve sequestrar Mandy e Red, com a finalidade de que Mandy seja uma integrante do grupo. Diante de sua recusa, ele a mata cruelmente. Red consegue se soltar, e agora tudo o que ele quer, é vingança. O roteiro em si, é repleto de clichês, e é o que menos interessa. O que conta aqui no filme, e a atmosfera, a fotografia, a ousadia e criatividade de Panos Cosmatos de fazer o filme que ele quiz, sem concessões. O espectador fica o tempo todo falando para si mesmo : É sério isso"? Muitas cenas antológicas: uma luta diante de uma tv que está exibindo um filme de sexo explícito, uma outra luta de serra elétrica, e definitivamente, a cena de Red entrando em um banheiro, alucinado, tomando uma vodka. Ah, e o que dizer dele cheirando pó? Cult dos cults, um filme para cinéfilos amantes de terror e alucinação, uma pena que seja dificil agradar ao público médio, pelo ritmo lento da primeira parte, mais metafísica e existencialista.

Domingo

“Domingo”, de Fellipe Barbosa e Clara Linhart (2018) Na obra prima de Bunuel, “ O anjo exterminador”, a classe operária abandona a mansão da classe média alta decadente logo no início do filme. Em “ Domingo”, ela abandona no fim. O filme é repleto de referências cinematográficas: “ O pântano”, de Lucrécia Martel, “ Festa de família”, de Thomas Vintemberg e até mesmo “ Casa grande”, do próprio Fellipe Barbosa. Tensão sexual, conflito de classes, decadência moral e econômica, tudo embalado no período político onde O Presidente Lula assume a presidência do Brasil pela primeira vez. O elenco enorme, resulto de rostos conhecidos e outros que são lançamento, inclui dois veteranos que voltam ao cinema: a musa do cinema novo Itala Nandi e Clemente Viscaino, esse representando metaforicamente a direita que teme um esquerdista no governo. Seus diálogos clichês sobre o comunismo que assume o governo reverbera em consequências trágicas. O filme foi exibido em Mostra paralela no Festival de Veneza 2018 com grande sucesso. Para quem ama filmes que falam sobre famílias desajustadas, herdeiros do cinema italiano de Dino Risi e Ettore Scola, vai se divertir com esse retrato louco, sexual e pandemônio bem brasileiro.

Rostos cancelados

"Cancelled faces", de Lior Shamriz (2015) O cineasta israelense Lior Shamriz mora em Berlin e em Los Angeles. Seu cinema fala sobre personagens perdidos na imensidão das grandes metrópoles. Foi assim em "Japan, Japan", rodado em Tela Viv, e agora com "Rostos cancelados", rodado em Seul. Seus protagonistas vivem a solidão. a sensação de estarem perdidos dentro de uma sociedade capitalista e consumista. Em "Rostos cancelados", que foi exibido no Festival de Berlin, acompanhamos Unk, um jovem operário que trabalha em uma fábrica e mora com sua mãe. Seu pai foi embora morar nos Estados Unidos. Seu irmão serve o exército. Unk tem poucos amigos, e é solitário. Gay não assumido, uma noite, ao dirigir na rua, atropela Boaz, que apareceu de repente no seu caminho. Entre os 2 surge uma tensão sexual imediata, e eles vão transar. Unk é pobre.. Boaz é rico. Essa diferença social incomoda Unk, mas ele é apaixonado por Boaz. A paixão torna-se doentia, a ponto de Unk perseguir Boaz por suas andanças pelas noites de Seul, sem rumo. O filme é dividido em 2 segmentos: uma é essa sinopse descrita acima. A outra história, acontece como uma programa de tv: um teatro filmado, onde é apresentada a história da queda de Jerusalém há 2 mil anos atrás. A melhor parte do filme é quando narra a história de amor doentio entre Unk e Boaz. A parte do teatro filmado é entediante e pretensiosa, mas no desfecho, acaba servindo como uma metáfora da relação dos 2 rapazes. Belamente fotografado em preto e branco, me fez lembrar o tempo todo, por conta da estilização, dos filmes de Wong Kar Wai. Me lembrei também de "O martírio de Joana D'arc", de Dryer, por conta dos closes e enquadramentos. Um filme sensual, belo, instigante, e com 2 atores muito interessantes. existe um monólogo da mãe de Unk, durante o café da manhã, que também é excelente

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Alfa

"Alpha", de Albert Hughes (2018) A gente passa o filme todo pensando: Mas esse filme parece "300"..parece "Caninos brancos"..parece "Game of thrones"...enfim, parece tantos outros filmes de ação e aventura. Isso se explica pela filmografia do Cineasta Albert Hughes. No início dos anos 2000, ele filmava junto de seu irmão, e assinavam como "The Hughes Brotehrs". Juntos, fizeram, entre outros, "Do inferno'e "O livro de Eli". Todos os seus filmes são bastante estilizados., e aqui em 'Alfa", essa estilização chega em nível máximo, para o bem e para o mal. A história acontece na Europa, 20 mil anos atrás. Uma pequena comunidade vive de caças antes da chegada do inverno. Para isso, os homens seguem quase uma semana de estrada, para caçar búfalos selvagens. Entre eles, está o chefe da tribo e seu filho, Kade ( Kodi Smit-McPhee, que estreou em 'Deixa ela entrar" e depois fez "A estrada" e "X-men- Apocalipse"). O chefe quer que Kade seja seu sucessor, e para isso, ele precisa ser um macho Alfa ( trocadilho com o título do filme(. Mais sensível, Kade não consegue matar os animais. Até que na caça decisiva, ele é lançado pelo animal para um precipício. Kade é dado como morto, e seu pai vai embora. desolado. Até que inesperadamente, ao ferir um lobo que o ameaçou, Kade o salva. A partir daí, os 2 tornam-se grandes amigos. O filme apresenta ao espectador a origem da relação de amizade entre o Homem e o cão, no caso, um lobo. Quem ama animais, vai se apaixonar pelo filme, principalmente no desfecho, que é absolutamente encantador. Mas o filme, atenção, não é um filme da Disney. O que quero dizer com isso, é que tem cenas de violência que pequeninos podem ficar assustados. Na minha sessão, teve uma criança que perguntou pra mãe: "eles mataram o coelho?" Ponto negativo para a cópia brasileira: a dublagem. Não que a qualidade da dublagem estivesse ruim. O problema foi assistir a um filme que se passa há 20 mil anos atrás, com as pessoas falando um português corretíssimo, e palavras difíceis, como "alcatéia". Deveriam ter mantido o original, com uma língua própria criada para o filme, e botar legendas.

Ardente

"Beoning", de Lee Chang Dong (2018) Drama de suspense sul coreano indicado para uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2019. 'Ardente" é uma intrincada trama que remete aos filmes de mistério de Hitchcock: o que estamos vendo, é real ou não? Com um roteiro instigante, que brinca o tempo todo com a essência do Cinema, que é a arte de contar uma mentira. Lee Chang Dong novamente fala sobre serial killers e literatura, assim como em seu filme de 2000, "Poesia", que venceu o Palma de ouro de roteiro. "Ardente" é um filme que mistura gêneros, e o espectador nunca sabe qual será o próximo passo. Jong Su é um rapaz que trabalha para uma loja fazendo entregas. Nascido numa fazenda, ele saiu de sua cidade, logo após seu pai surtar e agredir um funcionário da prefeitura. Ao fazer uma entrega, ele conhece Hae Mi, uma jovem extrovertida mas igualmente solitária, que trabalha como animadora de produtos de uma loja de rua. Ela diz a Jong Su que o conhece desde criança, e mesmo ele não se lembrado, tornam-se amigos e amantes. Hae Mi faz uma viagem até a África e pede para que Jong Su tome conta de seu gato. Ao retornar de viagem, ela vem acompanhada de Ben ( Steven Young, o Glenn de "The walking dead"). Ben é um jovem milionário,e logo os 3 se tornam amigos. Um dia, Hae Mi desaparece, e Jong Su acredita que ben está por trás de seu sumiço. , e resolve investigar. Com um excelente trabalho dos 3 atores, exalando sensualidade e talento, Lee Chang Dong filma tudo com extrema elegância. O filme o tempo todo engana o espectador, que acha que vai para um caminho óbvio. Muita gente poderá por conta disso, ficar puta com o filme. O desfecho, em aberto, propõe muitas discussões e leituras. O filme é bastante longo, quase 2:30, mas quem chegar até o fim, certamente terá visto um filme muito bem acabado, com fotografia exuberante, e com pelo menos 2 cenas antológicas: a dança sensual de Hae Mi no pôr do sol, e a cena dela fazendo uma mímica comendo uma laranja imaginária. No Festival de Cannes 2018, o filme ganhou o Prêmio Fipresci, concedido pela Crítica ao melhor filme do Festival.

Side effected

'Side effected", de Lev Pakman (2013) Excelente curta, vencedor de vários Prêmios e nomeado para importantes Festivais, como Cannes, Palm Spring e San Diego. Em apenas 7 minutos, o filme apresenta uma brilhante conversa entre um Dono de uma empresa farmacêutica e um de seus cientistas. o Dono ouviu comentários acerca do novo remédio produzido pelo farmacêutico,e quer que o rapaz explique os efeitos colaterais, as quais ele tenta rebater todos os comentários contrários. O desfecho do filme é absolutamente avassalador. Com um humor negro afiadíssimo, os diálogos são espertos, e o elenco então, fenomenal. Direção, fotografia, montagem, tudo perfeito. https://vimeo.com/62317984

Dez segundos para vencer

"Dez segundos para vencer", de José Alvarenga Jr (2018) Ambiciosa cinebiografia do pugilista brasileiro Eder Jofre, que vai da década de 50 até os anos 70, começando pela sua infância, sua pós-adolescência e o seu desejo de ser um desenhista até começar a treinar nos ringues e se tornar campeão mundial no ao de 1961, nos Estados Unidos. Depois disso ele se casa com sua esposa Cida, com quem tem filhos, mas a crise conjugal o faz se afastar do boxe. Anos depois, em 1973, ele retorna aos ringues, e novamente, se torna campeão mundial. Mas o filme é mais do que isso: pegando carona na narrativa de "Dois filhos de Francisco', de Breno Silveira, que também é um dos produtores do filme, "Dez segundos para vencer" tem na figura paterna o grande personagem. Através de sua obsessão, de sua perseverança, do desejo de tirar sua família do limbo, da pobreza e de mostrarem ao mundo de que eles são capazes, o filme contrói tudo pelo ponto de vista de Kid Jofre ( Osmar Prado, sensacional). É ele quem carrega o filme, é ele que, com seu método cruel de treinamento, faz o filho se tornar o grande campeão. Mas será que tanto sacrifício valeu a pena? Pelo visto sim. O filme traz a mensagem de que, com muito treinamento, luta, garra e ambição, conseguimos construir a nossa estrada. Mas convenhamos, todos os filmes de lutadores possuem esse mesmo mote. O que se conclui que vencer é uma metáfora de chegar ao topo da pirâmide, sair do anonimato e se tornar alguém visível, de sucesso. O elenco é a grande força do filme. Daniel de Oliveira, Sandra Corveloni ( no papel da mãe), Osmar Prado e Renato Gelli, que faz o tio Silvano, são o destaque. Tanto Osmar quanto Ricardo Gelli ganharam prêmios de interpretação em Gramado 2018, de ator e ator coadjuvante, respectivamente. A direção de arte e a fotografia, de Lula Carvalho, também ajudam a recriar esse universo pobre da família, decadente e ao mesmo tempo onírico.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Sodoma

"Sodom", de Mark Wilshin (2017) "Sodom" é um filme inglês, todo rodado em Berlin, e é praticamente uma refilmagem do filme chileno "Na cama", que já havia rendido outras 2 refilmagens, uma brasileira, "Entre lençóis", e outra italiana, "Um quarto em Roma". Tanto a versão original quanto a brasileira apresentam um casal hetero; a italiana, um casal lésbico, e nessa versão inglesa, é um casal gay. Outra diferença é que aqui, a história acontece em um apartamento, e não em um quarto de Motel. Will está em sua noite de despedida de solteiro. Quando o filme começa, ele está nú, algemado em um poste. Michael surge, e o solta, levando-o para o seu apartamento para vestir o rapaz. Will explica que é jogador de futebol, e que seus amigos o prenderam como pegadinha de despedida de solteiro. ele está prestes a se casar com a sua noiva. Michael é um pianista e se encontra solteiro há anos após seu namorado ir embora, depois de uma relação de mais de 10 anos. Will tem 20 anos, Michael tem 40. Entre eles, nasce uma tensão sexual, que resulta em sexo. Eles passam a noite juntos, conversam. Mas o dia amanhece. E Will precisa tomar uma decisão. Um drama essencialmente teatral, é verborrágico do início ao fim. O que menos gostei no filme, que é entediante, foi a escalação do ator que interpreta Will, o jogador de futebol. Tanto o ator quanto a sua interpretação são muito suaves, e logo no primeiro fotograma, está mais do que evidente de que ele é gay. Faltou masculinidade. Talvez se tivessem invertido os papéis, pois o Ator que interpreta Michael tem mais o phisique de role de Will. Fora isso, faltou para o filme mais sensualidade, tesão. As cenas de sexo são frias. Um filme que poderia ter rendido muito mais, e ter um desfecho mais emocionante.

Eu sou culpado

"Falscher Bekenner ", de Christoph Hochhäusler (2005) Um retrato altamente desolador da juventude na Alemanha. "Eu sou culpado" é um drama bastante depressivo e angustiante. Armin é um adolescente que acabou de se formar na escola. Seus pais o pressionam para que ele procure seu primeiro emprego. Armin, apático e totalmente sme ambição na vida, vai para várias entrevistas, mas não passa em nenhuma, pois não entende a estratégia das perguntas e não tem vivência para poder responde-las. Frustrado, sem amigos, Armin se refugia em banheiros públicos, fantasiando relações sexuais com estranhos. Com atuação visceral do jovem Constantin von Jascheroff, que venceu prêmios de melhor ator em alguns Festivais ( o filme concorreu na Mostra "Um certo olhar" de Cannes) , "Eu sou culpado' mostra da forma mais desoladora possível, a decadência da Europa, em seus valores morais e sociais, o desemprego, a falta de comunicação e a desesperança. Quem busca um filme que leva o protagonista ao fundo do poço, vai adorar esse aqui. De quebra o filme tem excelentes cenas de entrevistas, testes vocacionais e psicológicos.

Com Thelma

"Avec Thelma", de Raphaël Balboni e Ann Sirot (2017) Lindo e emocionante curta belga, dirigido e interpretado com muita sensibilidade. Jean e Vincent formam um casal gay de meia idade. Eles moram juntos e com eles, uma gata. Um dia, o irmão de Jean liga da Islândia, dizendo que o vulcão entrou em erupção e que por conta disso, irá chegar dias depois em casa com a sua esposa. O irmão pede para Jean tomar conta da filha deles, Thelma, de 3 anos de idade. A presença de Thelma ilumina a vida do casal, trazendo uma alegria já há muito perdida na vida deles. Interpretado de forma totalmente naturalista, o filme traz registros da vida em comum do casal com Thelma, onde eles brincam, cantam, dormem totalmente preocupados com ela. Divertido, morri de rir na cena que eles vão para um espetáculo e contratam um baby sitter. Vincent fica preocupado, porquê a primeira coisa que o babá ( um gay) pergunta, é qual a senha do wi fi. Altamente recomendado.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O que te faz ficar viva

"What keeps you alive", de Colin Minihan (2018) Escrito e dirigido por Colin Minihan, esse suspense psicológico canadense tem uma premissa bastante interessante: um filme de suspense protagonizado por um casal de lésbicas, naquela linha de luta pela sobrevivência. Mas o que não funciona nesse filme, que foi exibido em alguns Festivais de Cinema independente? Os 20 minutos finais, que estragam todo o filme. Sabe aquela decisão estúpida, que te faz ficar irritado, vontade de deixar de ver o filme? Pois é. Jules e Jackie resolvem comemorar 1 ano de casadas indo para uma casa no meio de uma floresta isolada, que pertenceu ao pai de Jackie. Quando criança, o pai de Jackie costumava caçar, ensinando a filha a técnica de caça a animais selvagens. Quando uma vizinha reconhece Jackie mas a chama por um outro nome, Jules estranha. Até que durante um passeio, o inesperado acontece: Jackie empurra Jules precipício abaixo. Acreditando que Jules está morta, Jackie liga para a polícia. Mas para sua surrpresa, Jules reaparece, sedenta de vingança. Curioso que em vários aspectos, o filme se assemelha ao recente "Vingança". de Coralie Fargeat. A protagonista do filme, também jogada de um precipício, não morre, e resolve se vingar de seu namorado. A primeira metade do filme é bastante decente. Mas o que levou o roteirista e diretor Colin Minan a irritar a platéia com o seu desfecho ridículo, não dá para entender. As atrizes dão conta do recado, dando um mínimo de credibilidade às personagens, por mais ridículas que sejam os seus atos.

Precauções Diante de uma Prostituta Santa

'Warnung vor einer heiligen Nutte", de Rainer Werner Fassbinder (1971) Sou um grande fã dos filmes de Fassbinder, mas confesso que eu nuca havia ouvido falar dessa produção de 1971. Muita gente compara esse filme a "8 1/2", de Fellini, "Noite americana", de Truffaut, ou "O desprezo", de Godard, pelo simples fato de se ambientar em uma filmagem onde técnicos e atores. Eu incluiria aí mais uma outra referência, mais óbvia para mim, apesar do filme ter vindo depois: "O estado das coisas", de Wim Wenders, de 1982. Ambos os filmes falam sobre a agrura de um produtor de uma equipe de filmagem pela falta de financiamento, que impossibilita a filmagem. Falta material e equipamento, e o Diretor também desapareceu. A equipe e elenco ficam aguardando em compasso de espera no Hotel onde estão hospedados, na Espanha, e que também servirá de cenário pro filme. ( o filme foi rodado em Nápoles, Itália). Quando o Cineasta aparece, o caos continua, pois o equipamento não apareceu. O Cineasta resolve ensaiar as cenas com o elenco, na esperança de que o equipamento apareça. Mesclando metalinguagem ( cenas da filmagem são às vezes confundias com as cenas dos personagens), Fassbinder abusa da linguagem teatral, uma forte característica de sua filmografia. Os atores interpretam de forma totalmente anti-naturalista, como se estivessem chapados, apáticos. Particularmente não curti o filme, achei entediante. Gosto mais dos melodramas de Fassbinder, pós "Lágrimas amargas de Petra Von Kant". O ponto positivo aqui, é a fotografia e trabalho de câmera de Michael Baulhaus, fotógrafo de quase todos os filmes de Fassbinder, e que depois viria a trabalhar com Martin Scorsese em boa parte de seus filmes.

Maçaneta

“Knob”, de Hans Tsai (2018) Divertido curta de animação, dirigido por um especialista em efeitos visuais que já trabalhou em filmes como “Deadpool”. O filme chega a ser escatológico, mas isso faz parte da história, por mais nojento que possa parecer. Um homem está aguardando o seu momento pra uma entrevista de emprego. Ele resolve ir ao banheiro. Um problema: o homem tem toc de limpeza. Um outro homem sai do banheiro, depois de fazer as necessidades, sem lavar o banheiro e sem lavar as mãos. O entrevistado se desespera: não tem papel para limpar as mãos nem sabão, e por isso, ele não consegue pegar na maçaneta, com nojo. Como sair e não perder a entrevista? O filme tem apenas 4 minutos, mas é bem engraçado. Ganhou vários prêmios em festivais de animação. https://youtu.be/Ww22UCUrTIk

O silêncio

“The silent”, de Tony Tikannen (2013) Curta de suspense finlandês exibido em vários Festivais, é uma fábula sobre luto, repleto de atmosfera gótica e muita poesia nas imagens. Me lembrou bastante o clássico “Inverno de sangue em Veneza”, inclusive a menininha usa também um casaco de cor vermelha. Com excelente fotografia e trilha sonora, o filme tem como protagonista uma menina, que acorda de um pesadelo. Ela mora com seus pais em uma casa em frente à um rio. O que ela busca? E porque os pais choram? Bela Direção, e um bom trabalho de atores, que interpretaram sem diálogos. https://youtu.be/lce_DJH4XmE

Speechless

“Speechless”, de Daniel Manzano (2018) Exibido em Festivais de filmes fantásticos, “Speechless” é um curta de suspense que brinca com a figura maligna da Samara, aquela entidade japonesa de cabelos pretos longos cobrindo o rosto e os grunhidos assustadores. Um homem lava suas roupas em uma lavanderia. De repente, ele percebe que não está sozinho. Mais do que suspense, o filme é uma divertida paródia realizada com pouca grana mas muita presença de espírito. Parece bobo, e é, mas como homenagem vale o ingresso. https://youtu.be/qZ5MD2l6rGM

Manequim

“Manequim”, de Derec Nunes (2013) Curta de suspense premiado em festivais de filmes de gênero, é uma ideia simples em cima de alucinação e que tem um final em aberto. Ou também quem sabe, ser visto como uma metáfora que faz uma crítica a pessoas workaholicks que deixam de aproveitar a vida para se dedicar exclusivamente ao trabalho e entram em parafuso. Uma estilista trabalha em seu escritório de madrugada costurando uma roupa para ser entregue. Ela vai vestindo a manequim com partes de roupa que ela vai confeccionando. Cansada, a mulher toma um comprimido. De repente, ela percebe que a manequim parece ter criado vida. Realizado com baixo orçamento, mas com uma ótima técnica, com destaque para a fotografia, repleta de atmosfera, e a edição de som, que inclui ruídos assustadores, como o barulho das bolinhas de plástico estourando. Repleto de clichês do gênero, é um filme que tem um suspense bem light. https://youtu.be/5SM76emW-s8

domingo, 9 de setembro de 2018

Irmão, irmã

"Die Geschwister", de Jan Krüger (2016) Melancólico drama Lgbtqi+ alemão, livremente inspirado no conto dos irmãos Grimm, "Irmãozinho, irmãzinha". Thiés é Gerente de uma corretora de imóveis, e apresenta imóveis para pretendentes. Em umas das apresentações de apartamento, entre os vários interessados, ele se sente atraído por um jovem rapaz, Bruno. Thies é solitário, e durante a sua rotina matinal, fazendo cooper, ele esbarra em Bruno. Logo eles se tornam amantes. Thies descobre que Bruno é refugiado polonês, junto de sua irmã, Sonja. Por serem imigrantes ilegais, não conseguem trabalho nem documentação para alugar um imóvel. Thies, apaixonado, permite que os irmãos fiquem em um imóvel desalojado. O filme é um libelo a favor dos refugiados ( em uma cena, vemos uma pichação "Refugees welcome"), mas ao mesmo tempo, mostra a dura realidade de quem veio para Berlin em busca de um sonho. O filme fala também sobre a dificuldade de se alugar um espaço em Berlin, por questões raciais e morais, e também sobre aceitação da homossexualidade. O trio principal de atores é ótimo, e as cenas de sexo, bem filmadas e sensuais.