domingo, 11 de fevereiro de 2018

Trama fantasma

"Phantom thread", de Paul Thomas Anderson (2017) O Cineasta Paul Thomas Anderson é provavelmente, um dos realizadores mais aguardados e cultuados pelos Cinéfilos no mundo inteiro. Cada filme de sua autoria é aguardado com muito burburinho, e também é sinónimo de premiações. Seu filme anterior, "Vício inerente", talvez seja dos menos intensamente aclamados em sua filmografia. Por isso, 4 anos depois, "Trama fantasma" vem cercado de expectativas. Ainda mais com a parceria vitoriosa de Daniel Day Lewis, cujo filme que trabalharam juntos, "Sangue negro", rendeu os Oscars de Fotografia e Ator em 2008. Daniel Day Lewis divulgou recentemente que esse seria seu último filme. A pergunta é: Valeu a pena? E a resposta é:Sim. Dirigindo, escrevendo, produzindo e pela primeira vez, fotografando, Paul Thomas Anderson, narra uma história sobre Poder, assim como em "Sangue negro". Reynolds Woodcock (Day Lewis) é um renomado estilista de alta sociedade na Londres dos anos 50. Perfeccionista e meticuloso, ele é repleto de tiques, além de ser uma figura desprezível e insuportável. Sua irmã, Cyrrill ( Lesley Manville, indicada ao Oscar de coadjuvante) é quem, friamente, administra toda a Mansão de alta costura. Um dia, ao almoçar, Reynolds conhece a garçonete Alma ( Vicky Krieps). Atrapalhada, mas forte e decidida, Alma acaba sendo convidada por Reynolds para ser uma de suas modelos. Alma fica encantada com tudo, mas ao perceber a forte personalidade de Reynolds, ela vira o jogo: ela também é de forte temperamento. Belissimamente dirigido, com atores em plenos pulmões dando o melhor de si ( todos, até os coadjuvantes) , "Trama fantasma" fa;a sobre o mundo obssessivo da moda, mas também fala sobre relações humanas e temperamentos destruidores. Com muita pompa, Luxo e Glamour, o filme concorre em 6 categorias, inclusive, a de ator e de figurino. Vicky Krieps , nascida em Luxemburgo, está ótima, pena que não tenha levado indicação. Linda trilha elegante de Jonny Greenwood, parceiro habitual de Thomas Anderson. O filme evoca momentos de "Rebecca", de ALfred Hitchcock.

Paddington 2

"Paddington 2", de Paul King (2017) Estou totalmente apaixonado por esse filme. Que filme delicioso! Um presente para os Cinéfilos. Uma homenagem carinhosa ao Cinema de Wes Anderson, Jacques Tati, Charles Chaplin, com gags visuais impecáveis. Continuação do grande sucesso de 2014, agora acompanhamos o urso Paddington, adotado pela família Brown, Mary (Sally Hawkins), Henry ( Hugh Bonneville) e seu dois filhos adolescentes, além da avó Judy. Eles vivem felizes, até um dia que Paddington vai em um antiquário em busca de um presente para sua tia Lucy. ele se encanta por um livro de Londres em 3D. Quando visitam o circo local, eles conhecem Phoenix Buchanan (Hugh Grant, sensacional), um ator charlatão que deseja ter o livro em mãos. que ele acredita ter o mapa de um tesouro. Direção de arte, fotografia, trilha sonora, roteiro, tudo é de um primor, de um requinte, parecendo um grande conto de fadas. Os personagens são todos carismáticos, e o grupo de prisioneiros, entre eles o cozinheiro Montanha, são antológicos. Todos atores de primeira linha, e o filme possui gags em turbilhão, ri tanto que doeu a barriga. E' um filme para se assistir muitas vezes, de tao emocionante e divertido que ele é. Hawkins tem um momento que lembra bastante sua personagem de "A forma da água".

Cinquenta tons de liberdade

"Fifty Shades Freed", de James Foley (2018) O Cineasta James Foley já dirigiu alguns filmes cults: "Caminhos violentos" e " O sucesso a qualquer preço". Também dirigiu alguns episódios de "House of cards". Mas para o grande público, talvez o seu nome seja associado `a franquia milionária de "50 tons de cinza". ele dirigiu o segundo capítulo, e agora, o episódio final, intitulado "Cinquenta tons de liberdade". O filme começa com o casamento de Anastacia (Dakota Johnson, insossa) e Christian Grey (Jamie Dorman, que vale pela sua aparência hercúlea). Logo depois, eles saem de lua de mel. A seguir, descobrem uma trama para sequestrar Anastacia. E aclaro, entre uma coisa e outra, muitas cenas de sexo, ciúmes e sacanagem. Mas para quem viu os filmes anteriores, a sacanagem é toda estilizada, publicitária. Tesão zero. Confesso que ri bastante, pela tosquice do roteiro e do diálogos, desse que é com certeza o pior filme da franquia. Mas me diverti. Anastacia nunca pegou um carro esporte, e de repente, ela pilota como um campeão de fórmula um. Nunca deu tiro, e quando dá, acerta de primeira. E por aí vai. Vale pelo requinte das locações, pelo luxo e glamour. A sacanagem mesmo, vai ficar devendo e muito.

Iboy

"Iboy", de Adam Randall (2017) Primo pobre dos filmes de super-heróis, "Iboy" tem ótimas atrizes no elenco: as inglesas Maisie Willians ( Arya de "Game of thrones") e Miranda Richardson. Se for bem analisado, o filme poderia ter sido uma espécie de "Spider man". Após salvar uma amiga de um ato de violência, Tom, um jovem nerd que sofre bullying na escola, leva um tiro. Estilhaços do celular ficam impregnados em seu cérebro, e por conta disso, ele adquire poderes. Sua avó (Miranda Richardson), ´´quase uma Tia May de "Spider man": doce, dedicada e prestativa. Infelizmente, o roteiro é ruim, o filme tem efeitos fracos e o mais importante, o vilão não oferece perigos dignos de um grande rival, mesmo porque, ele nao tem nenhum poder. Maisie Willians faz o que pode, mas o filme não tem ritmo e nem oferece grandes atrativos. Uma pena.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Sem nome

"Without name", de Lorcan Finnegan (2016) Drama de terror psicológico irlandês, o filme teve seu debut no prestigiado Festival de Toronto em 2016. O que era para ser um bom exercício de gênero, infelizmente se torna um enfadonho exercício de estilo, cujo roteiro simplório não traz qualquer tipo de tensão. Eric é um topógrafo que é contratado por um homem misterioso para demarcar suas terras em uma floresta de Dublin. Com problemas familiares com sua esposa e filho, Eric aceita o trabalho e vai parar em uma floresta misteriosa, se hospedando em uma cabana isolada. Olivia é sua amante e vai até lá trabalhar com ele. Mas estranhos fatos começam a acontecer. envolvendo livros que ele acha escondido na casa. O filme aposta numa história onde pouco acontece e muito se tenta fazer na atmosfera. Mas o filme em momento algum surpreende ou procura prender o espectador. Até determinado momento a gente fica curioso em saber o que está acontecendo, mas depois a gente meio que deixa rolar e quer praticamente seguir ao último minuto do filme para ver se tem algo de fato interessante. E acreditem, nada demais. O filme evoca todos aqueles filmes de terror que acontecem numa floresta isolada. Mas aqui, nada, absolutamente nada. acontece. O desfecho é bastante frustrante. O que valeu a pena foram a fotografia e um trecho no final, que dura menos de 1 minuto, repleto de luzes estroboscóbica e edição frenética, que justifica a cartela inicial do filme, dizendo que quem tem problemas com estrobo devem evitar ver o filme.

Encarando o prato

"Ne gledaj mi u pijat", de Hana Jusic (2016) Escrito e dirigido pela Cineasta Hana Jusic, "encarando o prato" é um drama da Croácia vencedor de dezenas de prêmios mundo afora. O filme, no entanto, é de uma monotonia quase insuportável, provavelmente querendo trazer ao espectador a mesma sensação de vida passiva dos personagens retratados. Marijana ( em bela performance visceral de Mia Petricevic) é uma jovem mulher, que mora com seus pais e seu irmão demente. Pobres, eles moram em um cortiço. Marijana é quem sustenta a todos. O pai está desempregado e a mãe é dona de casa. Marijana é enfermeira. Para conseguir suportar a vida de merda, ela sai `as noites caçando homens e transando deliberadamente sem culpa. Frio, seco e sem qualquer emoção, o filme retrata vidas cinzentas, e a roteirista não tem qualquer piedade com nenhum personagem. Tem uma cena cruel do pai batendo na filha com tolha, e em outra, a mãe e o irmão dando uma surra nela. O desfecho pode irritar muita gente, mas enfim, tem quem goste de sofrer. Ritmo extremamente arrastado.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O ritual

"The ritual", de David Bruckner (2017) Adaptação do livro homônimo escrito por Adam Nevill, "O ritual" é um filme de terror inglês, dirigido por um jovem cineasta expoente do gênero, que já rodou episódios de filmes famosos, como "VHS". O filme tem elementos que lembram " A bruxa de Blair", "Amargo pesadelo" e até mesmo "King Kong". 5 amigos se encontram em um pub e decidem em que lugar cada um quer passar com a turma nas férias. Ao comprarem bebidas em uma loja, Luke e Robert presenciam um assalto. Luke se acovarda e se esconde, e Robert acaba sendo morto. Meses se passam, e os 4 amigos remanescentes estão nas montanhas isoladas da Suécia, lugar onde Robert gostaria d elevar os amigos. Ao retornarem para casa, um dos amigos se machuca, O grupo decide abrir atalho e entrar numa floresta. Porém, um ser estranho surge e passa a eliminar um por um. Bem dirigido e com excelente fotografia, "O ritual' é o típico filme de sobrevivência. Ele só não é melhor porque sue miolo ficou entediante. Mas a atmosfera de suspense que permeia o fllme é muito interessante, e os efeitos estão bem resolvidos. Passatempo recomendado para quem curte filme de terror psicológico.

Saturday church

"Saturday Church", de Damon Cardasis (2017) Negro, pobre e gay. Assim é Ulysses, em interpretação comovente de Luka Kain. "Saturday Church" ganhou diversos prêmios em festivais mundo afora, e foi escrito e dirigido por Damon Cardasis. Em formato de drama e de musical repleto de glitter, o filme apresenta o submundo dos Clubes de Vogue, famoso estilo de dança celebrizado por Madonna e frequentado por negros e latinos pobres. Sao nesses clubes aonde Ulysses se esconde e procura ser feliz, fazendo amizade com outras Drags. em casa e na escola, Ulysses vive um mundo de homofobia e de bullying. Com um excelente elenco de drags, "Saturday Church" é um libelo contra os maus tratos e a discriminação contra jovens gays. Belos diálogos, números musicais que parecem ter saído de um clip de Beyoncé. Tudo visto por um olhar carinhoso com esse universo underground. Fotografia inspirada de Hillary Spera e uma trilha sonora repleta de Música eletrônica.

Lady Bird- A hora de voar

“Lady bird”, de Greta Gerwig (2017) Famoso por ser o filme que por um bom tempo se manteve no ranking da Rotten Tomatoes como a produção que ganhou 100% de aprovação dos críticos ( logo depois suplantada por “Toy Story 2”), “Lady Bird” é o filme de estréia da atriz Greta Gerwig, que também escreveu o roteiro. Impossível assistir ao filme e não pensar que ele é um prequel de “Frances Ha”, filme de Noah Baumbach que tornou Greta famosa no circuito indie cinematográfico. Cristine (Saorsie Rosnan) é uma adolescente de 17 anos que mora com sua família na cidade de sacramento, lugar que ela odeia por estar fora do circuito cultural efervescente do País. Seus pais, a enfermeira Marion (Laurie Metcalf, brilhante e comovente) e Larry (Tracy Letts, ótimo), desempregado e seus 2 irmãos adotivos moram confinados em uma casa na periferia da cidade. Christine, que se auto-denomina “Lady Bird”, vive `as turras com sua mãe, com o colégio católico que ela odeia e quer passar para uma faculdade em Nova York, mas além dela não ser uma boa estudante, seus pais não tem como bancar os estudos. Christine passa a experimentar tudo que uma menina de sua idade deseja: primeiro namorado, primeiro sexo, fumar maconha, ser atriz na escola, ter os melhores amigos. Totalmente amparado no talento da atriz Saorsie Rosnan, no papel principal, que está absolutamente adorável, o filme tem todas as qualidades que a gente espera de uma produção indie: bons atores, bom roteiro e diálogos, trilha sonora envolvente, e principalmente, uma direção que valoriza o material humano e não queira inserir a técnica acima do material humano. E; um filme muito simples na decupagem, na execução, e aí está o grande acerto de Greta Gerwig. Ela sabe o ouro que tem no seu roteiro com diálogos vibrantes, com seu elenco impecável.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Meu amigo Dahmer

"My friend Dahmer", de Marc Meyers (2017) Adaptação da Graphic novel de Derf Backderf, onde ele relata a sua amizade com o então adolescente Jeff Darher, que logo depois, se tornaria um dos maiores Serial Killers dos Estados Unidos, assassinando e estuprando 17 rapazes. Em 1978, aos 18 anos, Jeff Darher (Ross Lynch, um ex-astro do Disney Channel, assustador como o jovem serial killer) mora com sua família em Milwaukee, Wisconsin. Seus pais vivem brigando. Na escola, Jeff sofre bullying por conta de seu jeito estranho. Jeff passa quase o dia todo em seu laboratório, dissecando e dissolvendo animais em ácido. Um dia, um grupo de rapazes liderado por Derf Backderf ( autor da Graphic novel e interpretado por Alex Wolff, de "Jumanji") convida Jeff para fazer parte de sua turma. Jeff por sua vez, tem uma obsessão pelo sedutor medico da cidade, Dr Matthews. Bem dirigido e com um bom time de jovens atores, o filme mostra a génese do que seria um futuro serial killer. De ritmo lento, o filme pode desagradar quem busca um filme violento e repleto de sangue. Pelo contrario, o filme nao tem nada de violento, e no meaximo, uns poucos momentos de suspense. Narrado e apresentado com muita frieza narrativa, para trazer ao espectador um desconforto pertinente `a história contada. O roteiro procura trazer muitas informações que justifiquem o comportamento assassino de Jeff. O filme ganhou alguns prêmios internacionais em festivais de filmes de gênero.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Sonho em outro idioma

"Sueño en otro idioma", de Ernesto Contreras (2017) Ganhador de diversos prêmios internacionais, entre eles, o Sundance de Melhor filme popular em 2017, esse filme mexicano encanta pela mistura de drama, fábula e romance. 2 homens idosos, Evaristo e Isauro, são os últimos remanescentes de uma comunidade indígena que fala a língua Zikril. O linguista Martin quer entrevistá-los, ma descobre que os 2 não se falam, por conta de um incidente que ocorreu há 50 anos a vida dos 2. Em flashback, descobrimos que os 2 eram amantes, mas por medo de se assumir gay, Evaristo se casa com uma jovem, Maria, e passou a vida toda renegando seu amor por Isauro. Bem dirigido, com ótimas interpretações, o filme tem uma atmosfera mágica que procura dar um tom mais lúdico a uma trama bastante cruel: um amor rompido pelo preconceito de uma sociedade conservadora. O filme trabalha bem os momentos de silencio, e as expressões dos 2 atores, já idosos, trazem um olhar duro e comovente.

Crazy all these years

"Crazy all these years", de Jeff Swafford (2016) O roteirista e cineasta Jeff Swafford adaptou a sua peça teatral homônima. Producao independente, "Crazy all these years" acompanha 4 personagens durante o filme todo: Ben, um jovem gay que vem de Nova York para Tennesse cuidar de sua mãe doente, após a morte de sua irmã, que cuidava dela. Ao chegar, ele reencontra Lori, sua vizinha, que sempre foi apaixonada por Ben. Mas Ben era apaixonado pelo irmão de Lori, Joe, e por causa dele, ele resolveu sair da cidade. Joe nunca assumiu a sua homossexualidade. A mãe de Ben, Martha, é tirana e agressiva, e passa o filme todo maltratando Ben pelo fato dele ser gay. Dito assim, parece que o filme é um drama vibrante sobre pessoas que precisam se aceitar e a aprender a assumir as suas escolhas de vida. Infelizmente, o ritmo do filme é arrastado, os diálogos, fracos e as interpretações, frágeis. A parte técnica é correta, mas o filme não alça voos maiores.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Adeus, Christopher Robin

"Goodbye, Christopher Robin", de Simon Curtis (2017) Meu Deus, chorei mil litros vendo esse filme. Cinebiografia de Alan Milne (Domhnall Gleeson, extraordinário), jornalista e escritor inglês, criador do Ursinho Pooh (Winnie, the Pooh), se baseando na imaginação de seu filho Christopher Robin ( um trabalho fantástico do jovem Will Tilston. a cara de Geena Davis). Alan lutou na 1a Grande Guerra e por conta disso, ficou traumatizado. Sua esposa Daphne (Margot Robbie) resolve engravidar, na esperança de que um filho trouxesse a alegria de volta para Alan. Mas a criança nasce, e Alan continua depressivo. Aos 8 anos de idade, tendo a família se mudado para uma casa de campo, junto da babá Olive (Kelly Macdonald, ótima). Christopher brinca com seus bonecos de pelúcia. A imaginação fértil de Christopher inspira Alan a criar o Ursinho Pooh e seus amigos, que logo, se tornaram um fenômeno mundial ( num mundo onde todos estavam tristes por causa da Guerra, a alegria de Pooh e seus amigos foram um antídoto). O que Alan não poderia prever, é que Christopher ficasse irritado, pois com o sucesso, ele entendeu que aquele mundo que ele criou apenas para ele e seu pai, acabou sendo dividido para outras pessoas. Christopher cresceu problemático e sofrendo bullying aonde quer que fosse. Simon Curtis foi o realizador do comovente :Sete dias com Marylin". Com uma linda trilha de Carter Burwell ( Compositor de vários filmes dos irmãos Coen e de "Carol") bela fotografia, o filme , de uma forma correta, conta uma história de sucesso e suas consequências desastrosas. E todo mundo sabe que os atores ingleses são os melhores! Apelando pro melodrama e para o encantamento, típico do universo de Walt Disney ( que décadas depois, se apropriou dos direitos do Ursinho), é um filme para toda a família, apesar do seu desfecho melancólico e que com certeza, fara muita gente chorar.

Roman J. Israel, Esq.

"Roman J. Israel, Esq.", de Dan Gilroy (2017) Escrito e dirigido pelo mesmo realizador do excelente "O abutre", com Jake Gyllenhaal, filme pelo qual ele foi indicado ao Oscar de Melhor ator. Dan Gilroy repete a sua parceria com o fantástico fotógrafo Robert Elswit (Oscar de fotografia por "Sangue negro"). Assim como Jake Gyllenhaal, Denzel Washington também foi indicado ao Oscar para melhor ator. Ele interpreta o advogado Roman J.Israel, esq (Esq é uma contração de "esquire", um titulo honorário). Roman é excêntrico e extremamente idealista. ele acredita na humanidade e em seus princípios. Ele se veste com roupas de décadas atrás, além de não atualizar seu aparelho de celular e seu computador, todos bastante antigos. Trabalhando há 36 anos em uma empresa de advocacia, ele descobre que a empresa vai fechar: seu dono teve um enfarte, e a empresa está falida financeiramente. Desempregado, ele vai trabalhar para a empresa de advocacia de George (Colin Farrel, excelente). Roman também se envolve com Maya, uma professora que trabalha em uma Ong. Cansado de apanhar na vida, além de descobrir que a empresa que trabalhou há décadas estava repleta de falcatruas, Roman decide se corromper e toma uma atitude que lhe trará sérias consequências. Bom drama, prejudicado pela longa duração (mais de 2 horas), o que o filme tem de mais interessante, além da fotografia e do bom trabalho de Denzel Washington ( nada que justifique uma indicação ao Oscar) , é o ótimo trabalho de Colin Farrell, um Ator muito subestimado pela crítica e pala Academia, e a trilha sonora muito foda, repleta de hinos pop soul dos anos 70, como "I'll be there', do The Spinners. O tema da corrupção moral, ja vista em "O abutre", dá o tom de repeteco no filme do mesmo diretor e roteirista. Mas vale assistir pela dignidade do projeto.

Braven

"Braven", de Lin Oeding (2018) Depois do grande sucesso de "Liga da justiça", o ator havaiano Jason Mamoa, que interpretou o personagem Aquaman, começa a protagonizar vários filmes de ação. Mas é melhor o seu agente escolher melhor os seus projetos, pois se forem como esse "Braven", logo ele sucumbirá ao descaso com os críticos. Usando um plot mega batido, Mamoa interpreta o pacato pai de família Joe Braven. Ele mora nas montanhas geladas de uma região do Canadá com sua filha, esposa e o seu pai que sofre do Mal de Alzheimer. Perigosos traficantes escondem cocaína na cabana de Joe, e ele acaba acuado, confrontando os bandidos e tendo que proteger sua família. O filme é a primeira direção de Lin Oeding, famoso Coordenador de cenas de ação de muitos sucessos de Hollywood. Mas ao contrário de outro famoso Coordenador, Chad Stahelski, que estreou com grande impacto na franquia "John Wick", Lin Oeding não tem noção de ritmo e de direção de atores. As cenas de ação não tem dinâmica, os atores estão bastante canastrões e a trilha sonora tenta dar o que a imagem não traz: porradaria, sangue e violência, que é o que o publico quer ver. Jason Mamoa é carismático, mas aqui ele não encontrou um bom roteiro para mostrar o seu potencial. Confesso que ri bastante em vários momentos, principalmente nas cenas de ação e nas decisões malucas dos personagens.

Crepúsculo

"Rökkur", de Erlingur Thoroddsen (2017) Escrito e dirigido pelo Cineasta islandês Erlingur Thoroddsen, "Crepúspulo" ganhou alguns prêmios internacionais em Festivais Lgbts e de Filmes fantásticos. Explica-se: é um filme gay, e também um filme de terror psicológico. Gunnar e Einar formam um casal gay. Logo no início do filme, sabemos que eles se separaram. Gunnar está em nova relação, mas recebe uma ligação estranha de Einar e ele se preocupa com o seu estado mental. Gunnar resolve visitar Einar na caba afastada da cidade, isolada do mundo. Ele encontra Einar, mas fatos estranhos parecem rondar a casa. Alguns problemas do filme: o clichê já batido de acharem que alguém ronda a casa; a longa duração do filme; a falta de ritmo da narrativa, quase um sonífero em se tratando de um filme de suspense; e a falta de carisma dos atores principais. A história também não ajuda muito. Não sei como esse filme ganhou prêmios, pois o único e verdadeiro atrativo do filme, são as lindas locações da Islândia, proporcionando uma fotografia deslumbrante, incluindo uma aurora boreal.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Hi, It’s Your Mother

"Hi, It’s Your Mother", de Daniel Sterlin-Altman (2016) Premiadíssimo curta Lgbts todo feito em técnica Stop motion. Uma mulher, Lisa, está na cozinha cortando cenouras, enquanto seu filho transa com seu namorado gay no quarto. Quando a mãe de Lisa liga, ela se irrita, e acaba cortando o seu dedo. Delicioso, divertido, picante surreal, bem no clima de um David Lynch, "Hi, It's your Mother" tem menos de 5 minutos, mas tempo o suficiente para entreter e provocar algumas boas discussões acerca de pais com excesso de proteção e bipolaridade. A concepção visual é uma graça. Um filme ousado e criativo. https://vimeo.com/164426467

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Homens de coragem

“Only the brave”, de Joseph Kosinski (2017) Dirigido pelo mesmo Cineasta “Tron, o legado” e “Oblivion”, “ Homens de coragem” é a reconstituição da segunda maior tragédia com bombeiros depois do 11 de setembro: em 2013, 19 bombeiros do grupamento Hotshot ( elite dos bombeiros) morreram no maior incêndio florestal do Arizona. O filme, em 134 longos minutos, dramatiza a história dos principais bombeiros e mostra o conflito familiar e profissional deles. Com bons efeitos especiais, o filme conta com um elenco estelar: Josh Brolin, Jeniffer Connely, Miles Teller, Jeff Bridges, Andie Macdowell. Além da longa duração, o filme tem um inevitável ufanismo patriótico, além de um excesso de melodrama e estilização de por do sol típico de Michael Bay. Vale pela homenagem feita aos bombeiros, digna e emocionante.

Todo o dinheiro do mundo

"All the money in the world", de Ridley Scott (2017) Baseado em uma história real acontecida em 1973 em Roma, o filme relata o sequestro de John Paul Getty III , o neto do homem mais rico da época, Paul Getty (Christopher Plummer, maravilhoso), um magnata do petróleo. O menino, de 16 anos, foi sequestrado pela máfia italiana, mas a fama do caso foi que Paul se recusou a pagar o resgate. Frio, calculista e mesquinho, Paul ignorou os pedidos de sua nora, Gail (Michelle Willians), vinda de um casamento frustrado e falido com o filho de Paul. O filme, de 134 minutos, poderia ser resumido em duas frases, afinal, tudo se trata sobre o não pagamento do resgate. Porém Rdley Scott transformou essa história que mais parece uma parábola do Tio Patinhas em cinema de entretenimento, aliando drama e suspense. E' um bom filme, mas aquém do que poderíamos esperar desse grande cineasta. Longo, se desdobrando em sub-tramas desnecessárias e pior, com um prólogo confuso. Sao tantos personagens, que muitos deles simplesmente desaparecem da trama, como por ex, o pai do menino, que em momento algum do filme é questionado sobre o sequestro do menino. Mark Whalberg está sub aproveitado e Michelle Willians está correta. Pontos altos: a direção de arte, a fotografia e as locações na Itália. Inexplicável é escalar o ótimo ator francês Roman Duris em um personagem italiano. Para a história do Cinema, esse filme ficará conhecido como o que substituiu o Ator Kevin Spacey a poucos dias da filmagem, e em seu lugar, entrou Plummer, por conta dos casos de assédio sexual.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Late bloomer

"Late bloomer", de Craig William Macneill (2004) Premiado curta americano, exibido em Competição em Sundance, O filme acontece todo dentro de uma sala de aula, de crianças na faixa dos 10 anos de idade. Os alunos terão seu primeiro dia de aula de educação sexual. A professora apresenta a vagina e o penis de uma forma monstruosa, como se fossem entidade do mal, o que assusta a garotada. Narrado por uma voz chatíssima de Clay McLeod Chapman, e totalmente sem diálogos, "Late bloomer" ainda tem o agravante de ser totalmente caricato, principalmente a figura da professora. Mesclando fantasia, surrealismo e humor negro, o curta poderia ter sido um projeto bem mais divertido. A idéia é boa, mas a narração, insuportável, afasta o espectador da história. Talvez assistindo sem som fique mais interessante.