sábado, 31 de outubro de 2015

Dheepan

"Dheepan", de Jacques Audiard (2015) Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2015, o filme me lembrou bastante a estrutura narrativa de "Barton Fink", dos irmãos Coen, que aliás, foram os presidentes da edição do Festival que premiou o filme. O filme começa como drama de personagens, e súbito, se transforma em algo absolutamente surpreendente. Os últimos 15 minutos são simplesmente uma obra-prima isolada, tal a força da Direção de Audiard, que contrói a cena de forma poderosa e tensa. Confesso que levei uns sustos. Dheepan , um soldado do Sri Lanka, resolve abandonar o exército e foge do seu País junto de uma mulher, Yalini, que ele acaba de conhecer, e de uma menina, Illayaal, de 9 anos, que se faz passar por filha deles para que juntos, possam fugir para a França. Chegando lá, os 3 desconhecidos tentam sobreviver como podem, até que Dheepan consegue uma vaga como zelador em um condomínio barra pesada da periferia. O local, infestado de marginais, se torna um prato cheio para que os 3 imigrantes entendam o sentido das palavras amor e convivência. Ameaçados, a violência parece ser a única solução. Muito bem dirigido e interpretado, "Dheppan" impressiona pelo roteiro, que subverte expectativas. O elenco, liderado por Jesuthasan Antonythasan e Kalieaswari Srinivasan, conferem realismo e dignidade à obra, pela presença minimalista e tensa de seus personagens. O filme vai seguindo lento, mas é bom prestar bastante atenção em pequenos detalhes, que irão se desenvolver ao longo do filme. Belos momentos melancólicos e poéticos em câmera lenta, retratando a tragédia desses imigrantes. Nota: 9

Atividade paranormal: Dimensão fantasma

"Paranormal activity: Ghost dimension", de Gregory Plotkin (2015) Suposto último filme da franquia "Atividade paranormal", que de tão esticada já teve várias paródias. Aqui, aliado ao recurso do 3D, filme apela mais do que nunca na história, repetida pela enésima vez. O negócio é tão escancarado, que o filme parece até um reboot de "Poltergeist". Uma família se muda para uma casa. Súbito, fatos estranhos acontecem e os pais descobrem que a filha pequena está sendo seduzida por algum fantasma. Chamam um especialista, no caso, um Padre. é ou não é a história de "Poltergeist"? A diferença é que aqui usam a narrativa do found footage que ninguém aguenta mais (recentemente, o único que usa essa linguagem e que presta é "A visita", do Shayamalan. Assistir ao filme é um tormento, porquê agente fica se perguntando o tempo todo porquê aquelea família, logo de cara, não se muda da casa? Porqu6e eles insistem em ver as fitas VHS encontradas? Porquê insistem em usar a filmadora sinistra? Porquê não chamam as autoridades? Tudo bem, não teria filme. Mas teria sido uma escolha sensata. Nota: 4

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Juventude

"Youth", de Paolo Sorrentino (2015) Caramba como filme bem esse Paolo Sorrentino. As câmeras, quase flutuantes ( que ele já havia realizado em "A grande beleza"), sobrevoando sobre os personagens, buscando-os, é sempre uma maravilha de assistir. É uma sofisticação, uma forma de filmar que valoriza o todo: O ator, as locações, a direção de arte, sempre emoldurados por uma trilha sonora arrebatadora. E que fotografia de Lucas Bigazi, cacete! O filme foi exibido em Cannes 2015 e saiu de lá sem nada, mas tem ganho vários prêmios internacionais. Merecidamente. Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weitz, Paulo Dano e Jane Fonda estão soberbos. Somente a cena de Harvey Keitel e Jane Fonda já vale o filme. Ele interpreta um cineasta, ela a Atriz fetiche de todos os seus filme.s É uma aula de atuação, um primor! Fred ( Michael Caine) e Mick ( Keitel) são dois amigos idosos que estão passando uma temporada em um hotel resort nos Alpes suiços. Fred é um Maestro aposentado, e Mick é um cineasta em atividade, e está lá com uma equipe de jovens roteiristas escrevendo o seu último projeto. Paul Dano é um Ator que está lá querendo se inspirar em sua carreira, uma vez que seu papel mais famoso é o de um robô e todos o elogiam por esse papel, o que lhe traz frustraçao. Um emissário da Rainha Elisabeth vai até Fred e o convida para tocar em um evento que comemora o aniversário do Príncipe real. Fred recusa. A partir desse evento, o filme discute dicotomias como novo/velho, moderno/conservadorismo, motivacão/fracasso, amor/falta de comunicação, beleza/feiura. Todo o visual e a parte sonora do filme são deslumbrantes, e assistir ao filme é um grande deleite. O filme tem um ritmo lento, e não é tão ácido como "A grande beleza", mas procura manter um tom de ironia o filme todo. Sorrentino adora cenas de musicais e o filme é recheado de cantoras se apresentando. Mas de novo, lembrando , a cena de Jane Fond é absurdamente boa. A discussão gira em torno sobre a importância que a tv está tomando, em relação ao mercado, em comparação ao Cinema. Que atriz, pena que não tem feito mais filmes. O único porem vai para uma cena peralta de Sorrentino, que ilustra o poster do filme. Enquanto tomam banho numa sauna, Fred e Mick vêem uma mulher totalmente nua entrando na banheira e se banhando em frente deles. Fosse aqui no Brasil, o filme teria sido taxado de machista. Nota: 8

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sábado

'Sábado", de Ugo Giorgetti (1995) Comédia paulista lançada em 1995, reúne um elenco numeroso para contar uma história inusitada. Em um sábado qualquer na cidade de São Paulo, uma equipe de publicidade chega no edifício das Américas para rodar um comercial de perfume. Outrora elegante, hoje em dia o edifício está decadante. A diretora de arte, no início do dia, fica presa no elevador, junto de uma equipe que veio remover um cadáver. No saguão, com o elevador quebrado, os moradores estão impossibilitados de irem para os seus apartamentos e acabam ficando ali aglomerados, ao lado da filmagem. Ugo Giorgetti faz aqui o seu "A noite americana"de Truffaut. Tudo na filmagem dá errado. Nessa brincadeira com a metalinguagem, Girgetti na verdade quiz fazer a metáfora de um Brasil possível, que apesar de tdas as desgraças, ainda pode dar certo. E isso há 20 anos atrás. Visto pelo ponto de vista de hoje em dia, 2015, vê-se que nada mudou. O filme acontece todo dentro do prédio, em vários ambientes. O filme, de baixo orçamento, carecia de uma técnica melhor: fotografia, som, etc. Outro elemento que faz com que o filme não seja mais primoroso, é a mistura de atores e não-atores, Fica evidente ali quem não sabe atuar. Li que a figuração foi recrutada entre moradores próximos ao local onde foi filmado, que era o antigo estúdio da Vera Cruz. Faltou um olhar Pasoliniano para retratar e enquadrar melhor esses brasileiros de terceiro mundo. No elenco, Jô Soares faz participação afetiva, junto de Maria Padilha, Otavio Augusto, Wellington Nogueira, Giulia Gam e Mariana Lima.

domingo, 25 de outubro de 2015

1001 gramas

"1001 gram", de Bent Hamer (2014) O Cineasta norueguês é conhecido pelos filmes "Senhor O'Horten" e "Em casa para o Natal", são filmes que falam sobre pessoas solitárias, que se comunicam muito pouco e com quase nenhuma grande ambição na vida. Pessoas comuns que procuram buscar sentido para a sua existência. Em "1001", tudo continua igual. Candidato da Noruega para indicação ao Oscar 2015, esse drama melancólico, que procura extrair sorriso de canto de boca do espectador flerta ainda com o romance. Marie (Ane Dahl Torp) é uma cientista do Instituto de metrologia da Noruega. Essa profissão ela herdou do seu pai, o técnico oficial da Noruega que todo ano representa o País em uma Convenção de pesos. Com a doença do pai, Marie é incumbida de ir até Paris. Recém-separada, e órfã de mãe, Marie e gue até lá, mas com o coração partido por deixar o pai doente. Porém, Marie, que é sempre séria e compenetrada, abre os olhos e o coração para um francês que participa da convenção. Como resistir aos encantos da cidade luz? O filme tem uma belíssima fotografia, boa parte valorizando o azul. O elenco também é ótimo, tendo a bela Ane Dahl Torp como o carro chefe. A trilha sonora contém elementos que homenageiam a música francesa tradicional. É no roteiro que vem a sua maior fraqueza. Um filme que tem como tema a questão do peso perfeito de 1 kilo em uma convenção vamos combinar não é lá muito atrativo. O filme procura buscar elementos de simpatia com personagens paralelos, como a oficial de segurança do aeroporto. Mas é tudo muito inócuo. É um filme sem emoção, frio. O que nos faz manter interesse são as belas locações na Noruega e Paris, e a fotografia e trilha sonora. Ah sim, e a ótima atriz Ane Dahl Torp. Nota: 6

Contos de Halloween

"Tales of Halloween", de Axelle Carolyn e outros (2015) Antologia de 10 histórias dirigidas por 11 cineastas fãs de terror. O filme é uma homenagem aos filmes de episódios dos anos 80, como "Contos da cripta" e traz toda aquela atmosfera da época, seja nos efeitos toscos, quanto no uso da trilha sonora de sintetizadores. O elenco é amador, e infelizmente das 10, só gostei mesmo de 2 histórias: "Tricks" e "Sexta feira 31". O primeiro é sobre crianças malvadas que aterrorizam um casal em sua casa. O segundo, uma paródia insana de Jason e toda a franquia do "Sexta feira 13". Os outros episódios ficam devendo e muito no quesito horror. Alguns ainda conseguem animar com o seu humor negro, como "O sequestro", mas o que provocou mesmo foi tédio. Para quem gosta de tosqueira, esse filme é uma boa pedida. Para os que querem episódios de Halloween com melhor qualidade, peqguem "Contos do dia das bruxas "( Trick and treads), muito melhor. Nota: 5

Um amor a cada esquina

"She's funny that way", de Peter Bogdanovich (2014) A primeira coisa que preciso falar dessa comédia é: "Meu Deus, Cybill Shepherd está uma senhora! A segunda coisa é que Peter Bogdanovich, que dirigiu a obra-prima "A última sessão de cinema", realizou uma das melhores comédias de todos os tempos, que se chama "Essa pequena é uma parada", com Barbra Streisand e Ryan O'neil. Dito isso, vale falar uma tercaira coisa,agora sobre esse filme: Bogdanovich faz a sua releitura de Woody Allen em Nova York, usando o ator Olwen Wilson, que trabalhou com Woody em "Meia-noite em Paris", interpretando o alter ego de Woody Allen, praticamente repetindo seu mesmo papel. E é isso mesmo: "Um amor a cada esquina" é uma coletânea de pequenas histórias de tipos neuróticos na grande metrópole. Claro, as suas profissões são exatamente as que a gente pode esperar: Atriz, Diretor, Psicóloga, Detetive particular, roteirista, jornalista e toda a sorte de estressados. O elenco é pop: Além de Wilson, temos Jennifer Aniston, Imogen Poots ( a inglesinha que anda roubando atenções), Cybil Shepperd e outros enos conhecidos, mas igualmente divertidos. Izzy ( Poots) é uma jovem aspirante a atriz, que faz serviços de call girl para poder pagar os estudos e levar a vida. Um dia, ela vai atender um cliente, Derek ( WIlson). Dias depois ela vai fazer uma audição para um papel na Broadway e descobre que o Diretor é Derek! Que na verdade se chama Albert. Os outros personagens vão cruzando entre si, numa espécie de loucura desenfreada que somente um bom roteirista pode ar credibilidade, pois qualquer outro autor seria acusado de narrativa frouxa e cheio de encontros forçados. E é assim que as pessoas vão se cruzando em cada esquina, no mesmo restaurante, etc. O filme é leve e poderia ser considerado por fãs de Woody Allen, um filme menor dele. Sendo de Peter Bogdanovich, ficou faltando um pouco mais de autoria. Inclusive ele repete a mesma trilha sonora de Allen! Nota: 7

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Nosferato no Brasil

"Nosferato no Brasil", de Ivan Cardoso (1971) Clássico do Cinema marginal, "Nosferato no Brasil" foi realizado em Super 8 e é a primeira experiência do Cineasta e fotógrafo Ivan Cardoso em filmes. Famoso por ter cunhado o gênero "terrir" em seus filmes, onde existe uma mistura de temas como terror, erotismo e comédia, Ivan Cardoso realizou esse filme de forma impressionante em 1971. O filme é mudo, mas traz uma coletânea incrível de músicas que vão de Roberto Carlos e outros clássicos hippies e populares da época. O filme traz também um registro histórico importante da Cidade do Rio de Janeiro, e imagens que são raras de se ver em documentários, como o Aeroporto do Galeão, o Pier do Posto 9, Jacarepaguá, etc. Ivan convidou o poeta e jornalista Torquato Neto, um dos agitadores do movimento Tropicalista a protagonizar o filme. Torquato se matou 1 ano depois, tornando ainda mais legendário esse filme. O filme começa em preto e branco em Budapeste, no Sec XIX. Vemos Nosferato atacando mulheres. Corta, passagem de tempo, estamos em 1970, cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. O filme agora é colorido. Nosferato ao longo do filme vai se despindo de suas pesadas roupas e se adaptando ao clima brasileiro. Ivan subverte toda a linguagem narrativa assim como Godard fez nos anos 60 e filma tudo de dia, mas coloca uma cartela onde se diz: Onde se vê dia, veja-se noite.". No final, outra cartela: "Sem sangue não se faz história", e aí vemos um frasco de Ketchup e ao fundo, na televião, Silvio Santos apresentando seu programa. A partir daí é uma sucessão de ataques a belíssimas mulheres, entre elas, Scarlett Moon. O filme é um embrião de um de seus filmes mais famosos, "As sete vampiras". Tudo está ali: mulheres semi-nuas, lesbianismo, orgias, malícia, fetiches. Todo o elenco parece se divertir muito, porquê riem deliciosamente em momentos que era para ser de tensão. Assistido hoje em dia pela garotada, certamente será celebrado como um símbolo à tosquice. Mas lembremos que na época em que foi realizado, foi um verdadeiro escândalo e um hino do ato de bravura de seus realizadores contra a ditadura e a censura que vigoravam. Nosferato no Brasil toma água de coco, seduz mulheres de biquin, pega carona de carro na Restinga e pega avião da Vasp para voltar para casa. Simples assim. Obs: Impressionado como o rio de Janeiro era moderníssimo e ousado em plenos 1970!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A fonte da donzela

"Jungfrukällan", de Ingmar Bergman (1960) Chocado comigo mesmo como eu nunca havia visto esse filme de Bergman. Que obra-prima, que filme brutal sobre a sordidez humana! E pensar que só fui assistir a esse filme porquê no documentário que vi sobre Bergman, "Trespassing Bergman", tem um depoimento do cineasta Wes Craven dizendo que se baseou em "A fonte da donzela"para criar o seu clássico "Aniversário macabro". Pois é isso: "A fonte da donzela" é um filme sobre pureza, pecado, culpa e vingança. No Século XIV, os homens se dividem entre cristãos e pagãos. Uma jovem virgem é solicitada pelos seus pais para entregar velas para o padre em uma igreja distante, No caminho, ela é abordada por 2 pastores que a estupram e a matam. Nessa mesma noite eles buscam refúgio na casa dos pais da menina, sem saberem da relação entre eles. A fotografia de Sven Nykvst é de uma beleza extraordinária. Em preto e branco, reforça principalmente nos closes, a emoação contida, assim como nos closes do filme "O martírio de Joana d'arc", de Carl Dryer. A direção de Bergman é incrível, com eus planos longos e a marcação dos atores em cena, muito certamente de seus anos em teatro. Os atores estão todos excelentes. A jovem Birgitta Pettersson, encarnando com perfeição a pureza da virginal Karin. A cena dela após o estupro é chocante, e o som que ela emite é assustador. Max Von Sydow e a cena antológica dele derrubando uma árvore, para conter a sua ira. Bergman discute aqui no filme a religião, e os desígnios de Deus para com os seres humanos de bom coração que pagam pelos pecados do mundo. Obrigatório e definitivamente, um dos grandes filmes de Bergman, mesmo que de uma fase pouco conhecida, pré-psicanálise. O Filme ganhou o Oscar e Globo de Ouro de filme estrangeiro, e mençao honrosa em Cannes. Nota: 10

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A canção do elefante

"Elephant's song", de Charles Binamé (2014) Baseado em peça teatral de Nicolas Billo, o filme não esconde a sua origem. Extremamente verborrágico, o filme quase todo se passa em uma sala de um psiquiatra, tornando enfadonha a experiência de assistir a esse filme cuja maior curiosidade é de ver o jovem cineasta Xavier Dolan interpretando o protagonista Michael. Nos anos 70, o psiquiatra Dr Green interroga o paciente Michael, pois acredita que ele sabe aonde está o Dr Lawrence, um colega psiquiatra que cuida de Michael e que está desaparecido. Enquanto analisa o paciente, Dr Green vai tentando juntar as peças surpreendentes que vão surgindo, desvendando a triste história de Michael no seu passado e a sua relação com seus pais. O título do filme se dá por conta de uma canção infantil que os pais contam para as crianças para elas aprenderem a contar. Visualmente o filme é todo bem arrojado: fotografia, direção de arte, nos levam a crer que estamos assistindo a um suspense psicológico, tipo "O Silêncio dos inocentes". Mas nada disso acontece: o filme promete, cria clima, mas fica no mesmo tom, morno. O que é uma pena, considerando o bom elenco: Catherine Keaner no papel da enfermeira e Carrie Ann Moss que faz uma ponta totalmente sem força dramática. Bruce Greenwood, que interpreta o psiquiatra Dr Green, lembra muito fisicamente Sam Neill, e faz o que pode para trazer interesse ao seu personagem. Acredito que no teatro deva ficar mais interessante, ainda mais que um dos temas do filme, o homossexualismo, está bem discretamente citada na história. Nota: 5

Peter Pan

"Pan", de Joe Wright. O cineasta britânico Joe Wright é um excelente esteta e muito preocupado com o visual em seus filmes. "Ana Karenina", um de sus últimos trabalhos, é um primor de conceito artístico, unindo a linguagem do Cinema e do Teatro para narrar a história. "Peter Pan" inicialmente foi planejado para ser uma trilogia, mas por conta do grande fracasso comercial e de crítica, pode ser que o projeto seja cancelado. O que é uma grande pena. Fazer um prequel da origem de Peter Pan e mais, do Capitão Gancho, parecia uma ótima idéia. Nesses novos tempos de politicamente correto, onde os grandes vilões do cinema e da literatura estão tendo a chance de se redimir de suas maldades ( vide "Malévola"), o Capitão Gancho interpretado deliciosamente por Garret Hedlund é uma espécie de jovem Indiana Jones, um anti-herói divertido e trapaceiro, e dá muita curiosidade e saber o que lhe reservaria no segundo filme da trilogia. O filme conta de onde sair Peter Pan e a sua sina em ser uma espécie de herói e messias que salva o Reino da Floresta das mãos do Pirata Barba Negra ( Hugh Jackman, que parece se divertir bastante), dominando assim todo o Mundo da terra do Nunca. Nessa empreitada, a eles se juntam Tigresa ( Rooney Mara, linda). O prólogo do filme se parece demais com Harry Potter, de quem Joe Wright pegou emprestada a ambientação e atmosfera. Eu resumiria o filme como a Avenida Marquês de Sapucaí: o filme é todo uma enorme evolução carnavalesca, com direito a mestre-sala, porta-bandeiras, estandartes, destaques, alegorias mil, samba-enredo ( uma versão muito louca de piratas cantando "Smells like teen spirit", do Nirvana), adereços e um final apoteótico cheio de evolução, vôos magistrais e claro, muita purpurina. Se deu certo? De certo é Carnaval puro, de gosto duvidoso. Mas me divertiu, e no final me emocionou. é o que basta, Ponto extra para o jovem Levi Mller, no papel de Pan. Nota: 8

Beasts of no nation

"Beasts of no nation", de Cary Fukunaga (2015) Dirigido, escrito, produzido e fogografado pelo multi-facetado Cary Fugunaga, que adaptou o livro de Uzodinma Iweala, "Beasts of no nation" é a primeira produção da Netflix realizada para ser exibida simultâneamente para as telas de cinema e no serviço de streaming, podendo concorrer assim para o Oscar. O filme é um petardo doloroso e cruel do universo das crianças-soldado que populam os países da África. O menino Abraham Attah, no papel do impressionante Agu, foi escolhido enre outras 1000 crianças em Gana, país onde foi rodada a produção. O Ator Idris Elba, co-produtor, protagoniza o filme no papel do tirano Comandante, que forma um exército para poder derrubar o Governo. Agu tem a família dizimada pela força do Governo, que acredita que eles sejam rebeldes. Agu foge, mas é resgatado pelo Comandante, que o prepara para ele ser uma máquina assassina e tomar conta do País. Tudo no filme é superlativo: o elenco inteiro é impressionante, a produção, a direção de arte, a atmosfera, a fotografia, a direção de Fukunaga, que com certeza, está escrevendo seu nome entre s grandes nomes de Hollywood. É um filme muito cruel, violento, com cenas chocantes e que no final, fazem a gente pensar no destino da humanidade diante de tanta barbárie. A estrutura narrativa do filme me fez lembrar de "A cor purpura", de Spielberg, que assim como aqui, usa o recurso do protagonista narrando em off o seu pensamento, como se escrevesse carta para Deus. A única forma de suportar tanta desgraça e sofrimento. De novo, a força e o talento de Abraham Attah e de Idris Elba me comoveram. E o monólogo final de Agu é uma aula de atuação. A dor interna, refletida apenas no olhar. Nota: 8

domingo, 18 de outubro de 2015

O Silêncio

"Tystnaden", de Ingmar Bergman (1963) Falar sobre a inquietação em uma obra de Bergman é ser extremamete redundante. Mas como ficar alheio a um filme realizado em 1963, com cenas de sexo, nudez, masturbação feminina, e que trata de temas como incesto, niinfomania e lesbianismo? Bergman foi ousado, um Artista muito à frente de sua época. Acredito que esse filme tenha sido um grande esândalo na época de lançamento. Mas pode ser também que o seu hermetismo tenha discretamente camuflado todos os signos existentes em sua narrativa. Integrante de uma trilogia que fala sobre a incomunicabilidade, chamada "A trilogia do silêncio" ( composto também por "Através de um espelho" e "Luz do inverno", "O Silêncio", visto hoje em dia, é com certeza um embrião de um de seus filmes mais famosos, 'Gritos e sussurros". "o Silêncio" é uma fábula negra e surreal sobre a repressão sexual e sobre a Morte que rondeia a todos. Duas irmãs, Esther ( a intelectual) e Anna (jovem e fogosa) viagem de trem pela Europa Central, acompanhados de Johan, menino de 10 anos, filho de Anna, que o não lhe dá muita atenção. Esther sofre de doença terminal e resolvem parar em uma cidade para que la descanse no quarto do Hotel. O país é fictício e elas não conseguem se comunicar. Enquanto Esther permanece no quarto, Anna vai para as ruas e entra em um café, onde ela é assediada por um homem e presencia um casal fazendo sexo. Johan, por sua vez, circula pelos corredores do hotel, armado de seu revólver de brinquedo e se deparado com tipos estranhos, como anões espanhóis e um Concierge idoso. O filme é bem alegórico e cheio de significados. Eu não sou entendedor da psicanálise, ma é evidente todas as questões discutidas no filme, referente a traumas e fetiches sexuais e frustrações. O fato do filme ser ambientado em lugares claustrofóbicos, como o quarto, o vagão do trem, os corredores, é para mostrar o sufoco pelo qual os personagens passam em não poderem se expressar no contexto sexual e verborrágico. Espertamente, Bergman localiza seu filme em um lugar onde ninguém entende a língua do outro, se comunicando através de sinais ou mímicas. A fotografia de Sven Nykvst é carregada nas sombras, provocando uma sensação asfixiante. O filme deve ter influenciado com certeza muitos cineastas existencialistas e ouso dizer que esteticamente, Wes Anderson e Kubrick pegaram referências aqui. Outro que também puxou elementos do filme com certeza foi Fassbinder em "Lágrimas amargas de Petra Von Kant". A cena das duas irmãs discorrendo sobre amor e poder , no quarto, é puro Fassbinder. Um filme cheio de detalhes e nuances e obrigatório para Atores que querem aprender a trabalhar com o rosto sem uso das palavras. Nota: 8

De naermeste

"De naermeste", de Anne Sewitsky (2015) Exibido em Sundance 2015, o novo filme da Cineasta Norueguesa Anne Sewitsky repete o tema de seu filme mais famoso, a comédia "Happy happy": as relações extra-conjugais. Mas aqui, a traição está associada a um tema mais tabu: o incesto. Charlotte, 27 anos, dá aula de ballet para crianças. Seu pai está em estado terminal, e sua mãe somente pensa na carreira como escritora. Sentindo-se carente e insegura, Charlotte reencontra o seu meio-irmão Henrik, casado e com filho. Nesse reencontro, a dôr de ambos pela ausência é tão forte que acabam se tornando amantes. Drama belamente fotografado e com trilha sonora envolvente, "Homesick" (título em inglês) tem em sua maior virtude o talento da atriz Ine Marie Wilmann, no difícil papel de Charlotte. Segura e versátil a atriz se expõe em cenas de lirismo e densidade dramática, sem nunca perder sua força. Com um tema tão bombástico, a cineasta Anne Sewitsky preferiu fazer um filme low profile, lento. O roteiro não chega a empolgar, e apesar de boas cenas, o filme se arrasta mais do que deveria. Pelo menos, evita um melodrama lá pela parte final. As cenas de sexo são discretas, e sinto que faltou mais ousadia e tesão ao filme. Nota: 6

Invadindo Bergman

"Trespassing Bergman", de Jane Magnusson e Hynek Pallas (2013) Extraordinário documentário de mais de 4 horas de duração, exibido na televisão Sueca em 6 episódios e compilado para o Cinema em versão de 107 minutos. Eu assisti aos 6 episódios direto, sem parar, tal a fome que eu estava de querer descobrir mais e mais sobre a figura fascinante que foi Ingmar Bergman, falecido em 2007. O Documentário tem uma premissa muito original: através da filmoteca existente na casa de Bergman, localizada na Ilha de Faro, e que tem um acervo de 1711 filmes, os cineastas convidaram Diretores e atores dos mais variados para comentarem sobre as suas carreiras e tentar adivinhar porquê Bergman tinha seus filmes no acervo. "Os irmãos caras de pau", "Apocalipse now", "Alien", "Funny games", "Lanternas vermelhas", "Emanuelle", "Duro de matar", "Jurassic Park", "Veludo azul"eram apenas alguns dos títulos ecléticos dos filmes que existiam nas prateleiras. Cada episódio do seriado começa com uma pergunta de um entrevistador feita para Bergman: " Se você estivesse sozinho em uma Ilha deserta qual de seus filmes você levaria contigo?". Bergman respondeu: "Isso é horrível, jamais levaria um filme meu. Levaria filmes de outros Diretores.". Segundo Woody Allen, em uma de suas conversas com Bergman, ele dizia que antes de dormir assistia sempre a um filme, para relaxar, com medo da Morte, pois a Morte sempre vinha quando ele pensava nela. Cada um dos 6 episódios tem um tema, e juntos, formam uma obra-prima que todo cinéfilo e amante do cinema deveriam ter a obrigação de assistir. Os cineastas retratados revelam o porquê de fazer Cinema e qual a importância dos filmes de Bergman para a sua formação. Tudo ricamente ilustrado com incontáveis cenas de filmes. O filme contém curiosidades como a do relato de Wes Craven, que diz que seu primeiro filme, "Aniversario macabro", é praticamente uma refilmagem de "A fonte da donzela", de Bergman. Ou Lars Von Triers, que criou uma relação de amor e ódio por Bergman, por ele nunca ter respondido uma carta sua como fã. Vários Cineastas foram convidados a visitar a casa de Bergman em Faro, enquanto outros Artistas foram entrevistados em sua cidade natal. Os episódios são: 1) Comédia - Entrevistados : Tomas Alfredson ( Diretor de "Deixa ela entrar"), Wes Anderson, Robert de Niro 2) Morte - Entrevistados: Woody Allen, Inarritu, Gus Van Sant 3) Silêncio - Entrevistados: Ang Lee, Lars Von Triers, Claire Denis , Holly Hunter 4) Aventura- Entrevistados: Coppola, Zhang Yimou, Laura Dern 5) Medo- Entrevistados: Ridley Scott, Wes Craven, Michael Haneke 6) Alienação- entrevistados: John Landis, Irmãos Dardenne, Scorsese, Isabela Rosselini Imperdível e Emocionante! Nota: 10

sábado, 17 de outubro de 2015

Fitzcarraldo

"Fitzcarraldo", de Werner Herzog (1982) Rever esse épico do cineasta alemão Werner Herzog é sempre uma obrigação cinéfila. Para quem não conhece a história, narra a aventura de Brian Sweeney "Fitzcarraldo" Fitzgerald ( Klaus Kinsky), um aventureiro do início do Século 20. Irlandês, ele morava em Iquitos, parte peruana do Amazonas. Um grande sonhador, ele chegou a construir parte de uma ferrovia que iria atravessar a Amazônia, mas teve que parar a construção por falta de verba. Agora, ele mantém uma pequena fábrica de gelo, também sem muito sucesso. Amante de ópera, seu sonho e trazer o cantor lírico Caruso, para cantar em um Teatro que ele quer construir em plena selva amazônica. Para tanto, ele precisa seguir em uma missão: atravessar o Rio Amazônico para pegar uma remessa de borracha e com isso, bancar a construção do seu teatro. A cafetina Molly ( Claudia Cardinale) compra uma embarcação e assim, Fitzcarraldo segue em sua missão. O filme em si virou lenda, pois ficção e realidade se tornaram reais. Na mais famosa sequência do filme, a embarcação, que pesa 320 toneladas, é arrastada montanha acima por índios. Herzog, determinando, quiz por que quiz que essa cena acontecesse, apesar da enorme grita de todo mundo, de que seria impossível. O filme é a idealização do desejo de Herzog em afirmar que nada é impossível quando se quer algo. As histórias de bastidores são tão interessantes quanto o filme: Jason Robards teve que avabdonar o filme, com 40 por cento do filme rodado e substituído por Kinsky, que na época estava brigado com Herzog. Grande Otelo, Milton Nascimento e José Lewgoy participam do filme, em pequenos papéis. O filme visualmente é escandaloso, e somente comparável em termos de grandiosidade e loucura acredito, com "Apocalipse now", de Coppola. São filmes que marcam uma época, onde tudo era real, não existia computação gráfica. Os cineastas tinham que ser muito ensandecidos e acredtar em seus sonhos, tendo que arrastar toda a equipe e produção com eles, caso contrário, seria impossível. O filme é longo (157 minutos), porém casa fotograma dele é um primor, uma obra de arte, fotografado com maestria por Thomas Mauch e com trilha sonora de Popol Vuh. É uma experiência, e se possível, assistam em tela grande. Klaus Kinsky e Werner Herzog são duas divindades cinematográficas que merecem todo o culto de suas obras. Várias cenas antológicas, como a pro'pria do barco sendo arrastado morro acima, ou a chegada das canoas com os índios e as árvores caindo por trás deles. Hoje em dia, seria impossível fazer esse filme. A floresta foi devastada, e índios, dizem, morreram durante a filmagem. Vencedor do Prêmio de Direção em Cannes 1982. Nota: 9

Tudo vai ficar bem

"Everything will be fine", de Win Wenders (2015) Em 1993, Robert Altman dirigiu uma de suas obras-primas chamada "Short cuts". Em uma das histórias, uma mulher atropela uma criança que aparentemente está bem. Ela se despede da criança, sem saber que logo depois ela entrou em coma no hospital. E assim, a mulher vai seguindo sua vida. Em "Tudo vai ficar bem", Tomas ( James Franco) é um escritor que atropela uma criança na estrada. A mãe da criança, Kate ( Charlotte Gainsbourg) entra em luto profundo, junto de seu outro filho. Os anos se passam. Tomas se torna um escritor de sucesso, mas os fantasmas do passado insistem em procurá-lo. Até que um dia, o irmão do menino morto, Christopher, resolve entrar em contato. A grande maioria das críticas referentes ao filme o destróem, provavelmente por ser um filme de Win Wenders. Mesmo já tendo trabalhado com o melodrama ( Vide "Paris, Texas" e "Asas do desejo"), aqui ele se aproxima do modelo clássico americano do dramalhão. O filme não é ruim. Os atores estão bem, a trilha sonora de Alexandre Desplat é bela, a fotografia do mago Benoit Demie é maravilhosa e evoca bem o clima melancolólico da história. A expectativa talvez das pessoas é que Wenders fizesse uma obra-prima após 7 anos sem fazer uma ficção. Seu último trabalho foi o documentário "O sal da terra". Ao filme, ele incorporou a tecnologia do 3D, já absorvida após o sucesso de "Pina". Curioso ver Charlotte Gainsbourg repetir o papel da mãe em luto, após o filme "Anticristo", de Lars Von Triers. Acredito que tenha sido intencional essa escolha de atriz por parte de Win Wenders. Quanto a James Franco, ele é um bom ator de vários recursos, fazendo bem drama e comédia. Rachel MacAdams foi a mais prejudicada, devido ao acento francês de seu personagem, que ficou falso. Desnecessário ter que fazer acento. Um roteiro tão denso poderia render maravilhas nas mãos de Douglas Sirk, o Mestre do melodrama americano dos anos 50. Mas sendo um filme de Diretor europeu, o que interessa e o fundo do poço e a sua redenção. Se é que ele existe. Um filme longo e lento. Mas para quem gosta de novelão, vai se acertar com essa proposta do Win Wenders. Exibido em Competição em Berlin 2015, de onde saiu debaixo de pedradas. Nota: 7

Turbo kid

"Turbo kid", de François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell (2015) Co-produção Canadá/Nova Zelândia, "Turbo kid" é uma homenagem ensandecida ao cinema dos anos 80. A fantástica trilha sonora de sintetizadores, os efeitos especiais toscos e claro, referência direta a "Mad Max", só que, ao invés de veículos motorizados, temos bicicletas turbinadas. E os vilões, liderados por um envelhecido Michael Ironside ( de "Scanners"), são maus, muito maus. No futuro apocalíptico e sem água, vilão Zeus (Ironside) detém o domínio da água, que ele obtém através do sangue das pessoas. The kid se une a uma robô, the girl, e a um cowboy, e tentam combater as forças do mal. O olhar vintage dos 3 cineastas percorre cada fotograma do filme. Impossível, para quem é nostálgico, não se divertir com tantas referências. O filme é uma festa para os nerds, e para quem curte uma diversão desmiolada, esse filme já nasceu clássico. Personagens carismáticos e risadas mais que garantidas. As cenas de violência são daquelas bem explícitas: cabeças decepadas, olhos revirados, corpos mutilados. Mas não se preocupem: é quadrinhos! O filme foi selecionado para o prestigiado Sundance e ganhou prêmios em vários Festivais internacionais do Cinema fantástico. Nota: 8

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

In natura

"Mot naturen" , de Ole Giæver e Marte Vold (2015) Vencedor de vários prêmos internacionais, e exibido em Toronto e Berlin, "In natura" foi dirigido, escrito, produzido e editado pelo norueguês Ole Giæver, que se expõe por inteiro nesse filme sobre a possibilidade de repensar a vida usando a natureza como aliada. Martin, 36 anos, é casado e tem um filho pequeno. Sentindo-se sufocado em seu trabalho no escritório, e em casa, com sua esposa e filho alehios a tudo o que ele faz, ele resolve passar um fim de semana caminhando nas montanhas. Ali, na paz da natureza, e sem ninguém do seu lado, ele repensa as opções feitas em sua vida, sua relação com o pai falecido e as atuais e futuras chances de mudança. Belo drama, diferente de "Livre", "Na natureza selvagem" e outros dramas sobre pessoas que abandonam todo o mundo capitalista e fazem um mergulho existencial na natureza para fugir do mundo. Martin só quer um tempo sozinho para pensar na vida. Mesmo isolado nas montanhas, o seu celular funciona. Ele pode mandar fotos, usar whastaap e tudo o mais. Nesse contracampo cômico, há espaço para masturbaçao explícita ( o ator e cineasta Ole Giæver não tem o mínimo pudor em se expôr) e para gags visuais. Ainda assim, o filme tem um lindo lamento melancólico, que trespassam muitas cenas, embaladas por belas músicas. Cena antológica ao som de "Forever young", de Alphaville. Nota: 7

A visita

"The visit", de M. Night Shayamalan. Vamos aplaudir o retorno de Shaymalan à boa forma, do jeito que a gente gosta: com ótimo roteiro, daqueles com uma virada espetacular na história. De baixo orçamento e com poucos atores em cena, é um filme definitivamente de personagens. Shayamalan, além de Bom Diretor e saber criar clima e atmosfera, é excelente Diretor de Atores. Aqui, ele tira o máximo dos dois adolescentes Olivia de Jorge ( Becca) e de Tyler ( Ed Oxenbould), além dos veteranos Deanna Dunagan, no papel da avó, e de Peter McRobbie, no papel do avô, Toda a narrativa do filme é vista por uma câmera. Sim, Shayamalan se rendeu à fórmula da câmera subjetiva. Becca quer ser cineasta, e decide registrar toda a sua visita, junto de seu irmão, aos avós, que eles não conhecem enquanto sua mãe passa uma semana em um cruzeiro com o namorado. Os avós os recebem com muito amor e carinho em sua fazenda isolada. Mas eles impõe regras: jamais sair do quarto após as 21:30. Os irmãos vão descobrindo aos poucos, que coisas estranhas vão acontecendo por ali. O filme brinca com vários gêneros, mas obviamente o suspense resplandece magnificamente, com cenas antológicas, como a dos irmãos brincando de esconde esconde debaixo da casa. Tudo é beme studado,e é daquels filmes que vale a pena rever para resgatar detalhes que passaram despercebidos. Não dá para falar muito d ahistória, senão entrega o jogo. Mas posos afirmar que Shayamalan se baseou em duas fabulas infantis para escrever seu roteiro. Um, da menina que quer visitar a avó. A outra, de dois irmãos gulosos que chegam em uma casa. Descubram se forem capazes. Nota: 8