quarta-feira, 18 de outubro de 2023

A lua

"Deo mun", de Kim Yong-hwa (2023) Escrito pelo sul coreano Kim Yong-hwa, "A lua" é descaradamente uma mistura de "Perdido em Marte" e "Gravidade". Mas ainda assim, o filme foi um grande sucesso comercial na Coréia do Sul, muito por conta dos ótimos efeitos especiais e pela presença do jovem ator Do Kyung-soo, um astro teen e pop, também cantor da Boy band EXO e que ficou anos servindo o serviço militar. "A lua" é o seu retorno às telas e a expectativa foi enorme. O filme se passa no ano de 2030, quando a Coréia do Sul deseja entrar na disputa pela exploração d alua, já tendo os Estados Unidos como pioneiro. Anos atrás, uma primeira viagem de um ônibus espacial com 3 tripulantes terminou em tragédia, com o foguete explodindo. Agora, 3 jovens astronautas, entre eles, o fuzileiro naval e sem nenhuma experiência espacial Hwang Seon-woo (Do Kyung-soo) viajam para uma nova missão espacial. O lançamento é um sucesso, mas já no espaço, o ônibus sofre uma pane e durante o conserto, 2 dos astronautas morrem, deixando Hwang sozinho. Na base espacial da Terra, o engenheiro Kim Jae-guk procura ajudar o rapaz a cumprir sua missão na lua e retornar com vida para a Terra. O filme é longo e tem muiutos sub-plots, que acabam esvaziando a trama principal do jovem astronauta. Ficou arrastado e cansativo. Mas pelos efeitos e pela qualidade técnica do filme, vale ser visto. Nada que já não tenhamos assistido, e de novo, uma promissora ficção científica que certamente trará outros exemplares do país, atestando a importância da filmografia sul coreana como entretenimento no mundo.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Derrapada

"Derrapada", de Pedro Amorim (2023) (Comentários em breve) Em Derrapada, o jovem Samuca (Matheus Costa) de apenas 17 anos de idade descobre que sua namorada, Alicia (Heslaine Vieira), está grávida. A notícia vem à tona em um momento não muito propício da vida de Samuca, justamente quando ele achava que tudo estava correndo muito bem. Por ter cometido a mesma "derrapada" que sua mãe Melina (Nanda Costa) vivenciou anos atrás, tendo um filho na mesma idade que ela o teve, Samuca se sente pressionado pelas novas responsabilidades e preocupações. Temas como gravidez na adolescência e questionamentos sobre a vida adulta ganham visibilidade e são desdobrados ao longo da trama.

A era dos humanos

"A era dos humanos', de Iara Cardoso (2023) (Comentários em breve) Como os nossos pensamentos, intuições, emoções e sentidos influenciam a vida no planeta? Você irá descobrir em uma viagem pelo Ar, Fogo, Água e Terra e entender como a natureza humana está por trás das mudanças climáticas. O ator Marcos Palmeira é o nosso guia nessa jornada, na qual cientistas prestigiados compartilham sua paixão pela natureza e mente humana.

Um par para chamar de meu

"Um par para chamar de meu", de Kelly Cristina Spinelli (2023) (Comentários em breve) Um Par Pra Chamar de Meu acompanha a vida da mãe da diretora e de quatro outras mulheres que saem com os chamados personal dancers para discutir solidão, sexualidade e privilégio entre as mulheres da terceira idade.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

O exorcista- o devoto

"the exorcist- believer", de David Gordon Green (2023) 50 anos após o lançamento da obra-prima de Willian Friedkin, adaptado do romance escrito por William Peter Blatty, o cineasta e roteirista David Gordon Green, realizador da nova franquia "Halloween", e dos dramas "Prine Avalanche" e "Stronger" lança a continuação oficial, com os direitos comprados pela Blumhouse por 400 milhões de dólares. A crítica odiou, mas o público compareceu em peso à estréia. Talvez o grande chamariz seja a altamente alardeada participação de Ellen Burstyn no filme, e muitas especulações sobre o retorno de Linda Blair, a menina Regan. E já digo logo que a cena final do filme valeu toda a espera. E mais: não achei o filme ruim como todo mundo anda dizendo. Decerto não é o terror que todos esperavam, até porquê são poucas as cenas tensas, concentradas mais no desfecho. E Burtsyn dá dignidade ao projeto. Parece a Laura Strode retornando em 'Halloween", já na terceira idade, mas repleta de sabedoria. DAvid Gorodn Green sabe que em terror, o apelo vem das personagens femininas fortes. Duas meninas, Angela e Katherine desaparecem na floresta após tentarem contactar o espírito da mãe de Angela, morta durante o seu parto. O pai de Angela, Victor, faz a busca por sua filha, junto dos pais de Katherine. Dias depois elas ressurgem, mas agem estranhas. Aos poucos, sinais de possessão passam a aparecer, e Victor pede ajuda à Chris (Burstyn), que se afastou de sua filha Regan após publicar um livro relatando a sua experiência no exorcismo, e ela mesma, uma técnica especializada no assunto. O filme não precisava ter uma trilogia, mas o desfecho já prevê que sim.

Algo que você disse ontem à noite

'Something you said last night", de Luis De Filippis (2022) Premiado em importantes Festivais, como San Sebastian e San Francisco, essa produção Lgbtqiap+ canadense e suíça também foi premiada em Rotterdan. O filme é escrito e dirigido pelo cineasta trans Luis de Filippis, que traz uma história com inspiração autobiográfica. Ren(Carmen Madonia) é uma jovem de 22 anos que acaba de ser demitida. Ela é escritora e busca inspiração. Ren é uma mulher trans, e passa uma semana viajando com sua família para uma região litorÂnea. A família é de ascendência canadense-italaiana: a irmã adolescente Siena(Paige Evans), a mãe de ambas, Mona (Ramona Milano) e o pai, Guido (Joey Parro). Nessa semana, Ren vive diversas experiências, relacionadas à sua família, que respeita e normaliza a sua transição, um rapaz com quem flerta e o carinho de proteção para com sua irmã. Com ótimas performances de todo o elenco, o filme apresenta registros naturalistas e o roteiro privilegia essa rotina mundana, com poucos acontecimentos, mas ainda assim, as pequenas ações se tornam algo que faz o espectador entender melhor quem é a família, e entender mais dos personagens.

Aldeia natal

'Aldeia natal", de Guto Pasko (2022) (Comentários em breve) Aldeia Natal é um filme de viagem, que nos conduz, como espectadores, a diferentes territórios, que vão da Ucrânia, terra ancestral da família do diretor, a seu passado, e à complexa teia de relações que ele mantém com seus pais e irmãos desde que saiu de casa antes mesmo da adolescência.

Môa, raiz afro mãe

"Moa, raiz afro mãe", de Gustavo McNair (2023) (Comentários em breve) O documentário Môa, Raiz Afro Mãe acompanha a vida e trajetória do músico e capoeirista Môa do Katendê. Compositor, mestre de capoeira e símbolo de resistência cultural – considerado um dos responsáveis pela revolução do carnaval baiano com a ascensão dos blocos afro. Môa do Katendê foi assassinado em um bar de Salvador, em 2018, devido a uma discussão relacionada à disputa eleitoral. O documentário começou a ser produzido antes da morte do mestre de capoeira, que chegou a gravar entrevistas para o filme. Em complemento a seus relatos, a história do artista é contada por meio de imagens de arquivo e depoimentos.

Infinitas Terras (Ou relatos do meu tempo em crise)

"Infinitas Terras (Ou relatos do meu tempo em crise)", de Cauê Brandão (2023) (Comentários em breve) Um quadrinista se vê obrigado a lidar com pessoas e lugares que há muito tempo tem tentado ignorar, em busca de uma revista em quadrinhos perdida de sua coleção, na esperança de trazer alguma ordem para sua vida.

O acidente

"O acidente", de Bruno Carboni (2022) (Comentários em breve) Acidente acompanha a ciclista Joana que se vê envolvida num acidente estranho no meio do trânsito em uma metrópole brasileira. A jovem consegue sair ilesa e decide esconder o acontecido de Cecilia, sua esposa, a qual ela está prestes a começar uma família. Quando um vídeo do acidente surge, Joana é convencida pela esposa a dar queixa e logo recebe a visita da motorista e de seu filho, o autor do vídeo. Aos poucos, Joana é atraída para a vida dessa família desfuncional, principalmente para os vídeos bizarros do jovem Malcon, fazendo mudar o olhar para com sua própria família que está começando.

Coração de neon

"Coração de neon", de Lucas Estevan Soares (2022) Curioso drama brasileiro que traz elementos de Thriller e musical, "Coração de Neon" foi escrito, produzido, protagonizado e dirigido pelo curitibano Lucas Estevan Soares. O filme teve orçamento de R$ 1,5 milhão, captado pela International House of Cinema, produtora que pertence a Lucas, e realizado sem dinheiro incentivado. É fácil ver referências ao cult "Drive", com Lucas querendo absorver um pouco da persona de Ryan Gosling do filme, transitando entre a emoção e à violência. Visualmente belo, com fotografia oitocentista de Eduardo Ribeiro, o filme é todo roado no popular bairro curitibano de Boqueirão. Fernando (Lucas) e seu pai, Laudércio (Paulo Matos) possuem uma empresa de telemensagens, com Fernando cantando músicas de amor para os clientes. Ambos vão à bordo de um velho chevette, chamado de "Coração de neon", mas que Fernando insiste chamar de Boquelove. Quando chegam na casa de uma mulher, Andressa (ana de Ferro), casada com um violento policial, o evento dá errado e Laudércio acaba morrendo, assassinado pelo policial, que acredita que Andressa o traía com Laudércio. Fernando fica traumatizado, e decide ir atrás de Andressa, que foi acusada do assassinato. O filme impressiona pela qualidade técnica, considerando ser um filme de baixo orçamento; edição, fotografia, direção de arte e figurinos estão bem orgânicos diante da proposta do filme, que tem uma narrativa e um tratamento visual quase que de quadrinhos. Os personagens são beme squemáticos e óbvios, maa ainda assim, é muito bom ver uma rara produção de Curitiba apresnetar uma qualidade bastante louvável.

sábado, 14 de outubro de 2023

Um fim de semana em Gaza

'A Gaza weekend", de Basil Khalil (2022) Fiquei de queixo caído com a ousadia e a coragem do cineasta e jornalista britânico palestino Basil Khalil em escrever e dirigir uma comédia de humor ácido baseada no conflito entre Israel e Palestina. O filme foi lançado em 2022 e venceu o Prêmio da crítica internacional no Fetsival de Toronto 2022. Agora em pleno outubro de 2023, com o evento que culminou no conflito entre Israel e Hamas, sediado em Gaza, não consigo ver ao filme sme pensar que hoje em dia, seria impossível rodar o filme e muuto menos brincar com os dois lados da guerra. Basil Khalil foi indicado ao Oscar de curta ficçào em 2015 com o iconoclasta 'Ave Maria". Agora, ele vai aléme, e aind apremonitório, escreveu o roteiro antes do advento da pandemia do covid. Por uma fala na segurança em um laboratório de biomedicina em Israel, um vírus mortal escapa e contamina toda Israel. Pela ironia do detsino, o único lugar seguro é a Faixa de Gaza, justamente por ser uma região onde a circulação é estremamente controlada por Israel. Um jornalista britânico, casado com uma isrealense, Michael e Karen, fogem para Gaza, com a ajuda de um contrabandista. Eles se escondem no porão de um casal de vigaristas, Emad e Waheed, que os enganam, em troca de dinheiro. Apolícia palestina decsobre que um israelense furou o cerco e decidem ir atrás dele. Emad e Wahhed tentam fazer com que o casal atravessa a fronteira para o Egito. Incrível pensar que desde 2005, Israel controle Gaza em todos os níveis: controle da água, dos produtos comercializados, etc. O filme obviamente faz essa ironia da inversão de valores. Inicialmente rodado em Haifa, Israel, mas com a covid a produção teve que interromper as filmagens, recuperando em 2021, mas filmando na Jordânia. O filme apresenta os palestinos residentes em gaza como pessoas ora felizes, ora batalhadores, mas sem as dimensões trágicas comumente vistas em filmes que registram o conflito. Talvez pela aparente normalidade da vida em gaza apresentada no filme, apenas sacudida com o advento do vírus, o filme mereça aplausos,e novamente, pela coragem do diretor. Os atores são todos excelentes e é curioso ver como o filme faz graça de algo tão brutal, me fazendo lembrar às vezes de "A vida é bela", de Roberto Benigni.

Em pedaços: A ascenção e queda dos filmes Slasher

"Going to Pieces: The Rise and Fall of the Slasher Film", de Jeff McQueen (2006) Excelente documentário para fãs de slashers, o filme é uma adaptação do livro de Adam Rockoff e procura contar a história da origem dos filmes de terror com assassinos cruéis que matam suas vítimas com requintes de crueldade, utilizando métodos violentos para massacrar as suas vítimas. O filme credita a 3 filmes a origem do sub-gênero do terror: "A tortura do medo", de Michael Powell, "Psicose", de Alfred Hitchcock e 'Aniversário macabro", de Wes Craven. Muito da inspiração também veio dos filmes do italiano Mario Bava, entre eles, 'Seis Mulheres Para o Assassino.", um dos precursores do Giallio. O documentário apresenta algumas das cenas mais célebres e outras bastante obscuras de filmes representativos, como os óbvios 'Sexta feira 13", "Halloween", "Natal sangrento", entre outros. O auge do gênero foram os anos 80, mas já nos anos 90 entrou em total decadência, retornando ao gosto do público com o grande sucesso de "Pânico", de Wes Craven. Atacado pelos críticos, que enxergavam conservadorismo e misoginia nos filmes, os slashers retornaram nos anos 2000 com força total, com novas franquias como "Terrifier", "Jogos mortais" e revisitações que fazem a festa do público.

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

The puppetman

"The puppetman", de Brandon Christensen (2023) Apesar de genérico como terror, "The puppetmen" é um bom filme que traz elementos de "Premonição" , "A hora do pesadelo" e "Ouidja" , com uma trama sobrenatural que apresenta um demônio que vai matando um a um o grupo de amigos de Michal (Alyson Gorske), uma jovem estudante com um trauma de infância: seu pai assassinou sua mãe na sua frente, e alegou que não foi ele quem matou e que estava sob o poder de algo. O crime foi apelidado de "The puppetman", e agora, anos depois, ele está sendo condenado à morte. Mas Michal começa a ter visões e seus amigos procuram ajudá-la. Mas um a um vão sendo mortos e Michael precisa saber se de fato existe um espírito que possui seu pai e que agora quer possuí-la. As cenas de morte são ótimas, e tem uma na academia de ginástica que lembra uma morte de "A hora do pesadelo". Mas a mais assustadora é a da biblioteca, é angustiante e fiquei com pensa da menina. O filme tem um plot twist bem interessante, e o elenco funciona.

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

O clube do milagre

"The miracle club", de Thaddeus O'Sullivan (2023) Rodado em Dublin e concorrendo em Tribeca, o filme traz um elenco de atrizes premiadas: Maggie Smith, Laura Linney, Kathy Bathes, além de Stephen Rea. Smith e Bathes já receberam Oscar, e Linney já foi indicada. E o grande chamariz do filme é esse mesmo, assistir as performances dessas grandes atrizes. O ano é 1967: em Ballygar, Irlanda, uma pequena cidade operária, moram as amigas Lily (Smith) e Eileen (Bates) Junto de Dolly (Agnes O'Casey), uma jovem mão de 2 crianças, elas formam um grupo musical em um concurso de talentos, cujo prêmio é passagens dos vencedores até Lourdes, cidade religiosa em Paris, para fazerem peregrinação e assim, fazerem seus pedidos: Eileen descobre um caroço no seio e decide não contar para ninguém; Lily está em luto desde que seu filho morreu afogado; Dolly quer levar seu filho pequeno, que iniiste em não falar e decsobrir uma forma de fazer ele conversar com as pessoas. OS maridos respectivos das 3 mulheres reclamam e fazem de tudo para impedir que elas ganhem. Até que surge Chrissie (Linney), uma mulher que abandonou a cidade há décadas e agora precisa ajustar as contas com seu passado. O filme é bem aquilo que se espera de um filme com Maggie SMith: fofo, simpático, com algumas boas risadas, muuto drama, emoção e claro, a força da sororidade das mulheres, que fazem tudo para levantar a moral de seus homens frouxos e que só fazem reclamar.

Pobres criaturas

"Poor things", de Yorgos Lanthimos (2023) Vencedor do prêmio de melhor filme em Veneza 2023, "Pobres criaturas" traz referências de muitos filmes de ficção científica de horror antigos, como "Metrópoles", de Fritz Lang. Com performances viscerais e primorosas de todo o elenco, em especial Emma Stone, Willen Dafoe, Mark Rufalo e Ramy Youssef, o filme reconstrói a história de "Frankestein", trazendo pautas importantes como mundo patriarcal e machista, socialismo, pertencimento de seu próprio corpo, etarismo, bullying. No final do século XIX, o Doutor cirurgião Godwin Baxter (Dafoe) convida o jovem estudante Max (Ramy Youssef) para trabalhar em sua mansão e fazer anotações sobre uma de suas grandes conquistas: sua filha Bella (Stone), que tem um corpo d emulher adulta, mas um raciocínio de uma criança pequena. Bella aprende rápido a falar, caminhar, ter raciocínios próprios. Max fica encantado com a jovem e se apaixona por ela. Mas o advogado Duncan (Ruffalo) surge e também fica encantado com Bella, convidando-a para conhecer o mundo com ele. Com sede por conhecimento e saber, Bella topa a empreitada. Tive uma grata surpresa ao ver a diva alemã Hannah Schygulla no elenco do filme, em deliciosa participação. O filme traz elementos futuristas, de horror mas também de humnor ácido próprio do grego Yorgos Lanthimos, que aqui exercita novamente esse seu olhar surreal sobre tipos e situações, já experimentada em seus outros filmes. Um primor de figurino, direção de arte e de fotografia, mesclando preto e branco e colorido, o filme traz ótimas reflexões , e como no próprio mito de Frankestein, sobre a existência humana.

Drug shore

'Drug shore", (2023) Baseado em história real, o drama LGBTQIAP+ de Hong Kong 'Drug shore" traz cenas de sexo explícito e de uso de drogas sintéticas, como Special K e matanafetamina, indiscriminadamente. O filme mostra jovens viciados em drogas, e principalmente, as Chemsex, festas famosas na Ásia e Europa, onde os participantes se drogam para participarem de orgias por horas e dias. Visualmente, o filme é belíssimo, com uma fotografia inspirada em filmes de Wong kar Wai, com cores fortes e saturadas, e a atmosfera do filme lembra os filmes dos anos 90 do cineasta, e muita trilha eletrônica. Xiao Fei é um jovem traficante de drogas que trabalha para A Zhe. Xiao FEi não é usuário. Quando ele reencontra Tzui Hui, que foi seu namorado e por quem ambos ainda são apaixonados, eles decidem participar de uma Chemsex na casa de A Zhe. Tzui Hui decide abandonar a festa, mas Xiao Fei continua e a partir daí, torna-se um usuário. O filme tem cenas gráficas bastante fortes e é totalmente voltado para um público adulto. Os atores participam de cenas viscerais de sexo explícito, e tem um tom de atuação naturalista. Me lembra uma versão queer de "Requiem para um sonho", de Aranofsky, mais punk.

Dezesses facadas

"Totally killer", de Nahnatchka Khan (2023) Chamado pela crítica de uma mistura de "De volta para o futuro" , 'Halloween" e "Pânico", "Deesseis facadas" é um divertido terror, que assim como "Pânico", mescla comédia com terror, com um ótimo time de atores e uma brincadeira onde todos os personagens atuais possuem suas versões jovens no passado. Em uma pequena cidade, durante o halloween, um serial killer, apelidado de "Dezesses facadas", ressurge para matar Pam, mãe de Jamie. Após o crime, Jamie procura entender os motivos do serial killer retornar. Em 1987, ele matou 3 estudantes, amigas de sua mãe Pam. Quando o assassino vem para pegála, Jamie se esconde em um parque de diversões, e ao entrar em uma cabine de uma máquina do tempo, ela retorna ao ano de 87, antes dos assassinatos. Descobrindo que sua mãe ainda está viva, Jamie procura matar o assassino antes que ele mate suas vítimas e sua mãe no futuro. O filme é uma delícia de se assistir, não somente pelas piadas internas e mil referências aos filmes citados, como pela trilha sonora com clássicos dos anos 80, como New order, Echo and the bunnymen, Bangles, etc. O desfecho é ótimo, e só pelo fato de não ter gancho, já me ganhou.

Uma família normal

"A normal family", de Jin-ho Hur (2023) Espetacular drama de suspense sul-coreano, é a 4a adaptação do livro escrito pelo holandês Herman Koch, "Teh dinner": já tiveram as versões holandesa, italiana, americana e agora, a sul coreana. Mesmo não tendo visto as outras versões, acredito ser muito difícil superar a sul coreana, que é absurdamente ótima em todos os aspectos: atuações, roteiro, construção da narrativa, direção, trilha, fotografia. E que atores!!!! Capitaneado pela dupla de casais o médico cirurgião Jae Wan (Kyung-gu Sol) e sua esposa dona de casa Yeon Kyung (Kim Hee-ae) e o irmão de Jae Wan, o advogado poderoso Jae Giu (Jang Dong-Gun) e sua jovem segunda esposa Ji Su (Claudia Kim). O filme trabalha muito bem a questão do caráter e da luta d epoder entre classes: o médico é classe média, o advogado é milionário. O médico tem um filhao que sofre bullying na escola e o advogado uma filha que sonha em ir para Cambridge Um acidente de trânsito onde uma das partes morre, une o médico que precisa salvar a filha do acidentado, e o advogado, que precisa defender o causador do acidente. O filme constrói de forma arrepiante a construção de cada personagem, que vão se revelando o oposto do que são apresentados. É uma perfeita cartilha de virada de trama e de jornada de herói, e é impossível não pensar em 'Parasita" e a sua discussão acerca dos prazeres e confortos dos mais ricos, e a humilhação dos mais pobres. Imperdível.

Rodeio rock

"Rodeio rock", de Marcelo Antunez (2023) O ator Felipe Folgosi estréia na escrita de roteiro com 'Rodieo rock", uma comédia romântica musical que ele começou a escrever há mais de 10 anos, tendo como base "O príncipe e o mendigo" e "Dom Quixote", além da cartilha da comédia romântica. Lucas Lucco é Hero e Sandro. Eles não se conhecem, mas são idênticos. Hero é vendedor de uma loja de instrumentos musicais e forma uma dupla de rock com seu fiel amigo Pança (Felipe Hintze). Eles são mandados embora e precisam se virar em tudo quanto é festinha para pagar as contas. Por um acidente, o famoso cantor sertanejo Sandro precisa se hospitalizar. Seu empresário conhece Hero e firma um contrato de sigilo, para que substitua o astro nos palcos. Arredio por não curtir sertanejo, logo Hero se apaixona pela filha do prefeito de Huagariúna, Lulli (Carla Diaz) e se rende ao ritmo. O filme é mais romance e drama do que propriamente uma comédia, que se concentra mais nos personagens de Agnaldo (Charles Paraventi) e de Pança. Lucas Lucco funciona melhor na trama romântica junto de Carla Diaz, ambos bastante fotogênicos e auxiliados pelas belas paisagens e iluminação do 2o ato do filme, que acontece no pantanal, favorecendo as externas e os belos amanhecer e entardecer. O elenco de apoio é o ponto forte do filme: além de Paraventi e Hintze, temos os excelentes Norival Rizzo, Paula Cohen, Marcelo Mansfield.

Jogo justo

"Fair play", de Chloe Domont (2023) O filme é vendido como um thriller erótico, mas de erótico não tem absolutamente nada, fora uma ou outra cena mais do que pudica de pega pega. O jovem e bonito casal Emily (Phoebe Dynevor) e Luka (Alden Ehrenreich) trabalham em uma alta empresa de aplicação financeira. Eles namoram escondido, sem que ninguém da empresa saiba. Quando um funcionário do alto escalão é demitido, Luke tem a certeza de que assumirá o posto. Mas para sua surpresa, Emily pega o posto. Em princípio orgulhoso, logo Luke mostra-se um psicopata, criando um relacionamento tóxico e abusivo contra Emily, a quem acusa de ter se promovido através de jogo de sensualidade com o chefe da empresa. Todos as pautas femninistas estão no filme: gaslight, mansplanning, misoginia, relacionamento tóxico e abusivo, estupro. O elenco principal, acrescido do excelente ator inglês Eddie Marsan, cumprem com louvor seus respectivos personagens. O filme se estica mais do que precisa, mas ter um filme escrito, dirigido e protagonizado por mulheres para falarem do risco que sofrem em suas rotinas pessoais e profissionais é um grande alento e alerta para toda a sociedade.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Down low

"Down low", de Rightor Doyle (2023) Co-escrito e co-protagonizado por Lukas Gage, de "Euphoria"e "The white lotus", "Down low" concorreu em SXSW e provocou reações mistas. O filme é uma comédia Lgbtqiap+ de humor ácido, com cenas que beiram o surreal, como eram nas comédias dos anos 80 e 90 mas que nos dias de hoje parecem não funcionar mais, mais pelo tom desarranjado do que pelo talento dos atores, que fazem o que podem em uma história sem carisma. O filme lembra aquelas comédias onde os protagonistas precisam esconde rum corpo, morto em acidente, como em "Um morto muito louco" e "A noite é delas", mas aqui, em versão queer. Gary (Zachary Quinto) é um advogado de sucesso. Ele se separou recentemente de sua esposa e os dois filhos adolescentes foram morar com ela. O motivo da separação: Gary descobriu-se gay, mas nunca teve um caso com um homem. Assim, ele chama os serviços do terapeuta tântrico Cameron (Luke Gage), em busca de um "Happy ending". Cameron é jovem, sexy, arrogante, blasé. Quando ele decsobre que Gary nunca fez sexo com outro homem, e mais, que ele tem um tumor no cérebro e está em estado terminal, ele decide criar um perfil no grindr para que Gary tenha sua experiência sexual com outro homem. Mas acidentalmente o homem morre em uma queda. Gary e Cameron precisam se desfazer do corpo, mas pessoas vão surgindo na casa e faz com que a dupla tenha que criar álibis. No início fui curtindo o filme, mais pela safadeza do que por outra coisa. Mas quando começa o sub-plot do morto, o filme foi ficando chato, sem graça e muito bobo, ccom momentos irritantes. Talvez o único momento que se salve é quando se imaginanm em um clip musical. Fora isso, nada mais me conectou ao filme. Os dois atores, Luke Gage e Zachary Quinto são carismáticos, mas os personagens não são tão divertidos assim.

Blackberry

"Blackberry", de Matt Johnson (2023) Concorrendo nos Festivais de Belrim, SXSW e San Francisco, o drama "Blackberry" traz um humor lá na sua base, uma narrativa típica de seu co-roteirista, diretor e protagonista Matt Johnson, que realizou "The dirties", inspirado no tiroteio de Columbine, e "Operação avalanche". O filme traz a ascenção e glória do smartphone Blackberry, o primeiro aparelho móvel com capacidade de chamadas de voz, navegação na internet, troca de mensagens e outros itens. De 2002 a 2007, o Blackberry dominou totalmente o setor de smartphones. Em 1996, os amigos Mike (Jay Baruchel) e Doug (Matt Johnson) querem vender um protótipo de modem para uma grande empresa. Eles são recebidos com desprezo por Jim (Glenn Howerton) em um pitching. Mas quando Jim é demitido, ele procura os dois rapazes nerds e juntos, se associam. O sucesso vem, mas quando em 2007 Steve Jobs lança o Iphone, Mike, Doug e Jim não dão muito crédito. O filme traz o paralelo entre os que sonham e os que acreditam nos sonhos de outros. Asism como em outros filmes que mostram o surgimento de startups e aparelhos que revolucionaram a vida das pessoas, 'Blackberry" se beneficia de um excelente time de atores, de sua edição, fotografia e direção de arte. O ritmo é bem dinâmico e seduz o espectador que ama histórias no estilo de "Air- a história por trás da logo".

Dario Argento pânico

'Dario Argento panico", de Simone Scafidi (2023)
Concorrendo no Festival de Veneza 2023, o essencial documentário 'Dario Argento Pânico" é o que todo fã do Mestre do giallio deseja: segredos de bastidores de seus filmes. Além de amigos, familiares, produtores e roteiristas, cineastas famosos, como Gaspar Noé, Nicolas Winding Refn e Guillermo del toro dão o seu parecer sobre a importância de Argento para o cinema de terror e outros gêneros, tendo inclusive influenciado seus trabalhos. Gaspar Noé inclusive escalou Argento para protagonizar seu últiomo filme, o drama "Vórtex". Argento é famoso por escrever os seus roteiros em hotéis isolados e assustadores, para buscar inspiração. É divertido ouvir a sua irmã Floriana dizer que quando crianças, Dario pregava sustos nela para testar se os sustos funcionavam. O diretor do filme, Simone Scafidi, decide convidar ARgento para acompamhá-lo na escrita de seu último roteiro em um hotel, mas ele fica irritado pois o hotel foge do padrão que ele tem hábito: ao invés de isolado, ele é chique e repleto de hóspedes, o que o irrita. Suas filhas, Fiore e Asia, que atuaram em seus filmes, a irmã Floriana e a ex-esposa Marisa falam da intimidade e das obsessões do cineasta. Asia diz que o pai a explorava em cenas de sexo nos filmes, e que deixou de falar com ela por 2 anos por ela ter preferido dirigir seu 2o longa nos Estados Unidos ao invés de atuar em seu filme "O jogador de cartas". Fiore aos 13 anos interpretou uma cena em "Phenomena" onde tem a cabeça degolada. Marisa diz que desfez o casamento quando reconheceu que a protagonista de "4 moscas em veludo cinza", era inspirada nela, revelando ser a assassina. Ouvir os atuais cineastas de terror Lamberto Bava e Michel Soavi falarem de quando eram assistentes de direção de ARgento é revelador, detalhando muitos momentos tensos no set. Um momento também revelador das obsessões de Argento é da atriz espanhola Cristina MArsillac, que protagonizou o filme aos 24 anos. Ela diz que nas filmagens, ARgento era frio e distante e a maltratava, mas hoje, ela diz que esse processo a ajudou a dar o melhor de si. As cenas que envolvem como surgiram a strilhas eletrônicas do mítico grupo Goblins é uma delícia. Senti falta d epoder rever as cenas famosas, que surgem em flashes.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Assustando mulheres à noite

"Scaring women at night", de Karimah Zakia Issa (2022) Premiado curta queer canadense, exibido em Competição no Tiff e outros importantes festivais de gênero. O filme percorre uma noite em uma rua escura e deserta durante à noite. Ali, sem ninguém na rua, apenas 2 mulheres que não se conhecem, mas que caminham na mesma ca;cada, assustadas, acreditando que uma possa ser ameaça para a outra. Ella (Kavita Musty) é uma mulher branca e enquanto caminha sozinha na rua, tem pensamentos assustadores sobre mulheres assediadas ou violentadas por estarem desacompanhadas. Subitamente, ela percebe que alguém caminha atrás dela. No seu ponto de vista, é um homem negro que a apavora e todos os pensamentos ruins vêm à mente. Até que esse homem negro se revela uma mulher trans. E o preconceito passa a ser outro, a da transfobia. O filme foi baseadao nas experiência reais vividas por uma das roteiristas, a trans feminina Ace Clamber. Junto do diteror trans feminino Karimah Zakia Issa, também negro, o filme fala sobre o medo da transição recente, quando as pessoas ainda não conseguem identificar o gênero. Um filme complexo e polêmico, que merece certamente debates acerca dos temas propostos na provocativa narrativa.

Cemitério maldito- A origem

"Pet sematary- bloodlines", de Lindsey Anderson Beer (2023) Prequel do clássico terror de Mary Lambert de 1989, "Cemitério maldito", adaptado do livro de Stephen King. Ambientado em 1969, durante a Guerra do Vietnã, o filme se passa na mesma cidade de Ludlow. Três jovens amigos: Jud, Manny e Timmy agora precisam decidir o que fazer de sua vida, chegando à fase adulta. Não há muito o que fazer na cidade. Para os que querem sair, resta se alistar na Guerra do Vietnã, ou como Jud, ingressar na Peace Corps. Porém Timmy retorna um tempo depois da Guerra, morto, mas apenas seu pai sabe disso, Bill (David Duchovny). Ele ouvir falar das terras sagradas onde existe um cemitério indígena, onde acredita-se, animais e pessoas enterradas ali retornam à vida. Assim, Timmy retorna como morto vivo, mas as pessoas nãos abem, e Jud e Manny não reconhecem mais o amigo, que agora, se torna violento. O filme discute colonização e o racismo contra indígenas, através da família de Manny, que é indígena. O filme como terror não asssusta, e resta então, a porção dramática da história, sobre perdas e lutos. O melhor do filme é o seu elenco, que infelizmente, está muiuto mal aproveitado. Os veteranos David Duchoviny, Henry Thomas ( o menininho de "Et", aqui já um cinquentão, e Pam Grier, pouco têm a fazer. O filme tem um desfecho bastante escuro que mal dá para ver o que se passa na tela. A curiosidade é que ambos os filmes, de 1989 e agora de 2023, são dirigidos por mulheres.

O protetor- confronto final

"The equalizer 3", de Antonhy Fuqua (2023) Retomando o personagem que surgiu em 2014 e depois em 2018, "O proteror - o confronto final" traz novamente Robert maccall (Denzel Washington), um ex-policial aposentado que precisa voltar à ativa por conta própria para literalemnte proteger pessoas indefesas que necessitam de sua ajuda. O clássico japon6es "OS sete samurais" vem à tona quando Robert mora em uma pequena cidade do sul da Itália habitada por uma população simpática e amigável, mas ameac=çada pela Camorra. Resta a Robert e à agende da CIA Emma Collins (Dakota Fanning) procurar desbaratar a gangue de mafiosos, não sem antes, morrer gente de forma violenta de ambos os lados. O filme, diferente dos outros, traz uma porção generosa de drama, e menos ação. E por isso mesmo, se destaca, aproveitando o belo trabalho de todos os atores, incluindo o cast italiano. O mais lindo, no entanto, é rever o reencontro de Washington e Fanning, 21 anos depois de "Chamas da vingança", de 2004. Ver a maturidade de Fnaning em um papel forte com um Denzel já no caminho da aposentadoria, pelo menos no personagem, é emocionante. Parece um pai protegendo sua filha. E as cenas de ação são absurdamente divertidas e violentas. E as locações em Minori, Campana, na Itália, são um presente para os olhos do espectador.

Monster

"Kaibutsu", de Hirokazu Koreeda (2023) O poster do filme já entrega: impossível não se lembrar de "Close". O cineasta japonês Hirokazu Koreeda é um habitueé de Cannes e todos os seus filmes já ganharam algum prêmio ali. Com "Monster", o filme levou a Palma de melhor roteiro, um impressionante estudo de personagens, recriado com uma montagem espetacular, com idas e vindas e pontos de vista narrativos diferenciados por personagem. A trilha do recém falecido compositor Ryuichi Sakamoto é elgante, às vezes criando momentos de tensão ma stambém de melancolia e esperança. O roteiro premiado é de Yûji Sakamoto. Koreeda é famoso por seus filmes sobre famílias defsuncionais e aqui não poderia ser diferente. O que um incêndio tem em comum com as vidas de uma mãe solteira, seu filho que começa a dar sinais de violência; um professor acusado de bullying, um colega de escola sorridente mas que surge com machucados no corpo e uma diretora da escola que estimula o silêncio? Um incêndio, e mentira e culpa. Mais uma vez, 'Close"surge a cada momento no filme. Não dá para se falar muito, pois irá configurar spoiler. O trabalho dos atores é espetacular, e revelam camadas e segredos que vão sendo apresentados aos poucos nesse drama tenso, e longo, com o ritmo costumeiro de Koreeda. Muitos momentos sublimes e encantadores, mas também, de tristeza e raiva.

sábado, 7 de outubro de 2023

A praga

"A praga", de José Mojica Marins (2021) Remake de um episódio filmado por José Mojica marins para sua série de tv na Tv Bandeirantes em 1967, e perdida após um incêndio que destuir o material. O filme foi filmado em super 8 em 1980, mas Zé do Caixão não teve dinheiro para finalizar e os rolos sumiram. Após a morte de Zé do Caixão, o produtor Eugenio Puppo decidiu finalizar o material, mas o aúdio não foi encontrado. Foram escalados atores para dublar a história. Todo o estilo e linguagem narrativa de Zé do Caixão foi mantida e reproduzida, com suas cenas beirando o sureralismo e universo fantástico e contemplando outras religiões. Um jovem casal, Juvenal (Felipe Von Rhine) e Marina (Sílvia Gless) passeiam pelo interior. Juvenal gosta de tirar fotos. Ao se aproximar de uma casa isolada, ele é alertado por um vaqueiro para não se aproximar, pois a moradora não gosta de ser molestada. Mas Juvenal insiste e conhece a moradora, uma velha bruxa que acaba rogando uma praga em Juvenal: a carne do corpo dele ira rasgar e uma praga surgirá. A partir daí, Juvenal passa a ter alucinações, maltratando as pessoas no trabalho e também com Marina. Para quem é fã dos filmes de Zé do Caixão, certamente irá se divertir com esse filme que inclui cenas em terreiros, pai de santo e muitos efeitos práticos de carne apodrecida. O filme também reserva momentos de muito erotismo e cenas de sexo. O pr'pprio Zé do Caixão surge vez ou outra como mestre de de cerimônias da história.

O preço do aluguel barato

"The price of cheap rent", de Amina Sutton e Maya Tanaka (2020) Concorrendo em Toronto e Chicago, "O preço do aluguel barato" é um divertido mockmentary, que por trás do humor ácido,e sconde nas entrelinhas um desabafo contra a colonização, o racismo e os espíritos do passado que permanecem presentes para não deixar suas histórias de luta e sofrimento morrerem para as novas geraçõe,s principalmente, das comunidades negras. A co-diretora, roteirista e atriz Amina Sutton 9 ela assumiu o papel após a atriz escalada ter desistido) é uma jovem artista negra que após se formar em arte pela universidade de Yale, decide s emudar para Nova York, onde ela tem certeza, artistas como ela poderão ganhar espaço. Mas o preço dos aluguéis na cidade é impensável. Após dividir um apartamento com outras 5 pessoas e 3 gatos, ela entende que ela precisa morar sozinha. Ela consegue então um apartamento estúdio em um porão por um ótimo valor. Mas ela logo desconfia e nos primeiros dias, entende o motivo. O lugar é mal assombrado. Ela logo percebe que os fantasmas são de negros que moraram ali e morreram. Embuída de querer participar de suas histórias, ela aceita permanecer no lugar assombrado. Com um roteiro bastante criativo, o filme usa da simplicidade para falar de temas importantes, tanto para mulheres quanto para mulheres negras. Ainda sobra agulhadas para colonizadores holandeses que tomaram à força muitas regiões dos Estados Unidos, e certamente, os espíritos agora querem se vingar. Com humor e inteligência, as diretoras Amina Sutton e Maya Tanaka provam que fazer um filme não depende de orçamento, mas de boa idéia.

Rapito

"Rapito", de Marco Bellocchio (2023) Concorrendo no Festival de Cannes 2023, "Rapito" é adaptado de uma polêmica história real, ocorrido na Bolonha, Itália em 1858: o menino judeu Edgardo Mortara, filho do casal Salomene e Marianna Mortara, foi raptado por enviados da Igreja católica e convertido à força pela Igreja para tornar-se papa. Adulto, se tornou no Dom Pio Maria Edgardo Mortara, mesmo sob protestos de seus pais, que não aceitaram a sua conversão. Quando bebê, a babá da família judia, testemunhou uma cerimoônia que ela acreditou ser um batismo feito às escondidas. Denunciando a família à Igreja, acreditando que o menino foi batizado fora do ambiente católico, Edgardo foi sequestrado, contra a vontade dos pais. Durante toda a vida, os pais tentaram trazer o filho de volta, mas Edgardo, já crescido, renegou sua origem judia e abraçando totalmente o catolicismo, para desgosto dos pais. O papa Pio IX aproveitou dessa situação para provar os anti-católicos, apresentando uma conversão ao catolicismo, e Edgardo virou um símbolo para a Igreja. Marco Bellocchio é um importantíssimo cineasta italiano, autor de obras-primas como "De punhos cerrados" e filme spolêmicos como "o diabo no corpo", que escandalizou o mundo nos anos 80 com uma cena de sexo oral. Em "Rapito", Bellocchio novamente aponta a sua câmera para provocar a igreja católica e os tantos escândalos envolvendo a casa de Deus. Com um elenco excelente, capitaneado por Fausto Russo Alesi e Barbara Ronchi, que interpretam os pais em todas as épocas, o filme mescla melodrama e drama político e social. Longo, com 135 minutos e um ritmo arrastado, Bellocchio procura explorar todos os permonores da cultura judaica e católica, fazendo o contraponto entre as religiões e culturas.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

O que vejo quando olho

"What I see when I look", de Lindsay Calleran (2021) Vencedor do prêmio de melhor filme no Sun Valley Film Festival 2021, "O que vejo quando olho" é um relato autobiográfico da roteirista e cineasta americana Lindsay Calleran, quando tinha 6 anos de idade. O filme é baseado em memórias de uma criança, portanto a diretora trabalha às vezes com abstrações e silêncio. Ashely Pearsall interpreta Ashley, alter ego de Lindsay aos 6 anos de idade, Meaghan Sullivan interpreta a sua irmã Meaghan aos 10 anos e Emilea Wilson interpreta a mãe de ambas. Pelo ponto d evista de Ashley, tudo corre às mil maravilhas na familia: a felicidade dos pais, a relação com a irmã mais velha. Mas aprofundando o olhar, vemos que não é nada disso: os pais passam por um processo de separação, e a irmã não suporta Ashley, acreditando que a mãe dá mais atenção à ela . Filmado com naturalismo, o filme apresenta excelentes performances do elenco e uma bela fotografia de Jack Davis, que traz tons suaves e permite enquadrar momentos reveladores através de um olhar infantil.

Limiar

"Limiar", de Coraci Ruiz (2020) Prêmio do público de melhor documentário no Queer Lisboa 2021, : Limiar" é co-escrito e dirigido pela documentarista Coraci Ruiz. O filme traz relatos de 3 gerações de uma mesma família: A avó, Marti Ruiz de Matos; a mãe e documentarista Coraci Ruiz; e o neto Noah Silveiura Ruiz, trans não binário, nascido como Daria, mulher cis, e cujo tema do filme é justamente a sua transição para Noah. O filme termina com Noah aos 17 anos, em 2019, em dúvidas sobre se fazia cirurgia para retirada de seios, tomava hormônios e outros processos para redesignação de gênero. O filme traz um olhar muito franco sobre como cada geração absorve as suas lutas e as novas questões que foram outrora tabu. A avó diz ter sido feminista, esquerda, a favor dos pensamentos de união aberta, por conta dos pensamentos de Simone de Beauvoir, mas que ainda assim, na prática as coisas não eram exatamente como na teoria. E ela mesma , com todo esse pensamento progressista, fica em conflitos eítocs sobre a transição de Noah. Idem Coraci: Quando grávida, ela imaginava que seu filho fosse homem, mas nasceu mulher. E em determinando momento do filme, se abre para Noah e diz que é bissexual e que já teve experiências com mulheres, o que surpreende o próprio Noah. O mais bonito do filme são as revelações, os segredos e inquietação guardados a sete chaves e agora finalmente expostos, não somente para a família, como para o mundo. Ouvir Noah dizer que ao comentar com os amigos sobre se definir no início como homem trans, a deixou também em conflito, pois os amigos começaram a provocá-lo, pedindo para agir como um homem padrão. O filme faz um paralelo com o momento político de várias gerações, até desembocar no impeachment de Dilma , na posse de Temer e o movimento das ruas do Fora Temer.

Apêndice

"Appendage", de Anna Zlokovic (2023) Em 1989, o ator Richard E. Grant protagonizou o filme "Como faezr carreira em publicidade", onde um publicitário em crise de nervos e stress manifesta em seu corpo um furúnculo que cria vida e conversa com ele. Em "Apêndice", a roteirista e diretora Anna Zlokovic escreve uma história onde Hannah (Hadley Robinson), uma jovem desenhista de moda, está passando por um mau momento na carreira e com sua família: sua mãe é possessiva, e o chefe do ateli6e pratica um relacionamento tóxico. Hannah começa a sentir dores abdominais até que percebe que um apêndice surge na barriga e cria vida própria. Hannah vai ao médico, que indica a ela um grupo de terapia com pessoas com o memso sintoma. O filme é delicioso, remetendo a cults dos anos 80 e 90, como "Seres rastejantes", com efeitos toscos de monstros práticos, sem cgi. Com uma mescla de suspense e comédia ácida, "Apêndice" tem uma história bizarra e um monstrinho que mais diverte que assusta. Uma metáfora sobre o lado A e lado B de cada ser humano e de como precisamos aprender a lidar com a dualidade na nossa vida.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Elegia de um crime

"Elegia de um crime", de Cristiano Burlan (2018) O cineasta mineiro Cristiano Burlan, realizador do excelente e premiado drama "A mãe", com Marcelia Cartaxo, dirigiu o chamado 'A trilogia do luto: 3 documentários bastante pessoais, sobre as tragédias que acometerem a sua família. Em 'Construção", de 2007, ele fala da morte de seu pai, um pedreiro, que caiu e morreu durante uma obra que estava trabalhando. Em 2014, lançou "Mataram meu irmão", sobre o assassinato de seu irmão por um traficante. E em 2018, lançou 'Elegia de um crime", um documentário que retrata o feminicídio através da história de sua mãe, a promotora de vendas Isabel Burlan da Silva, assassinada por enforcamento pelo seu namorado, Jurandir Alcantara. ele a matou pois não aceitou a separação. Cristiano Burlan decidiu traçar a trajetória de sua mãe, contando a sua luta diária para manter a família unida e o esforço de uma mãe de classe média pobre para se manter como mulher em um mundo machista. Burlan entrevista parentes, familiares, pessoas próximas à sua mãe. Paralelo, frente ao descaso de parte d apolícia, Burlan procura biscar o paradeiro do assassino, que ele descobre estar em um acampamento de sem terras de Uberlândia. No desfecho, o criminoso não é encontrado, e supõe-se que tenha matado outras 2 mulheres. O filme tem uma narrativa de documentários de crime, que estão muito em voga hoje em dia. Mas Burlan lançou o filme em 2018, e de certa forma antecipou essa febre por histórias de crimes reais. Mas o seu olhar é mais autoral, e mesmo falando de um tema tão próximo, ele procura manter seu distanciamento como documentarista.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Fogos de artifício

"Fireworks", de Nikita Grushin (2020) Excelente filme russo, uma aula de estilo, "Fireworks" é um filme sem diálogos e todo trabalhado na atmosfera da câmera, fotografia e na direção. O filme foi inspirado em acontecimentos reais - em 2017, o cineasta Grushin estava por perto quando um jovem de 22 anos explodiu uma bomba no metrô de São Petersburgo , matando 15 pessoas. "Fireworks" é uma espécie de exorcização do trauma de Grushin, que por anos viveu com esse fantasma das mortes e da paranóia. Oleg é um jovem terrorista. Ele está em uma van e a sua missão, junto dos outros terroristas, é se espalharem pela cidade e explodirem bombas na noite de ano novo. Oleg vai até um shopping lotado e deixa uma mochila com a bomba na praça de alimentação. Antes de detonar a bomba à distância, ele observa o ambiente: crianças, mães, casais felizes, pessoas inocentes. Bastante sensorial, o filme foi filmado com lente teleobjetiva e fotografado pela fotógrafa Ekaterina Smolina. A equipe reduzida filmou de forma documental e sem chamar a atenção do público, que desconhecia a filmagem. Assim, Oleg é o foco, e o seu ponto de vista sobre o ambiente que o circunda. Um belo filme, tenso mas ao mesmo tempo, dando espaço para conflitos morais.

Dogman

"Dogman", de Luc Besson (2023) Concorrendo no Festival de Veneza 2023, "Dogman"é escrito e dirigido por Luc Besson, o midas do cinema francês, autor de diversos filmes cults, como "O quinto elemento", "O profissional"( o filme que lançou Natalie Portman, em 1994, entre outros. Com 'Dogman", Besson mais uma vez explora o seu mundo de personagens excêntricos e de tramas onde a lógica e o bom senso não existem. O "The guardian" considerou o filme um dos mais ridículos do ano, o que é uma maldade. O filme é insano, bizarro, mas bem divertido, pois o tempo todo a gente se diverte com as maluquices do roteiro. Personagens caricatos, maniqueístas, mas os heróis são Caleb Landry jones, um jovem ator da linhagem de Jonhhy Depp, em busca de personagens bem extravagantes, e da matilha de cães treinados que devem ter dado um trabalho absurdo para a proddução. Festival de Veneza 2023. O filme acompanha douglas (Jones), morador de New Jersey, que no início do filme, é preso. ele é interrogado pela psiquiatra da polícia, Evelyn (Jojo T. Gibbs) e assim narra a sua história: Quando criança, foi abusado pelo pai e irmão violentos, que o prenderam junto ao canil onde o pai treina cães de briga, como punição. Douglas cria uma relação com os cães que o obedecem. Após um incidente quando o pai dá um tiro e torna Douglas paraplégico, ele é levado pela polícia e criado em um orfanato. Mais tarde, ele se torna amigo de uma atriz de Shakespeare, que ensina a Douglas que as dores do mundo são curadas no palco. Ele se torna uma drag queen e cria seus cachorros, que roubam jóias de socialites. Mas uma gangue decide ficar com o dinheiro de Douglas. O filme tem uma história muito louca, mas é impossível não querer assistir até o final para ver aonde irá terminar. As cenas de Douglas dublando Piaf, em clara referência à atuação de Marion Cotillard, já valem o filme. Caleb está excelente no papel bastante complexo, uma drag queen justiceira que cuida e treina seus cães. O que eu amo em Besson, é que ele não teme o ridículo, como diz a crítica do The Guardian. E que bom!

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Sweet Sweetback's Baadasssss Song

"Sweet Sweetback's Baadasssss Song", de Melvin Van Peebles (1971) Clássico do cinema independente americano, "Sweet Sweetback's Baadasssss Song" é o primeiro filme "Blackexploitation" da história, sendo seguido por "The shaft" no mesmo ano. O filme foi rodado em 1970, mas lançado em 1971. O filme, por conta de sua importância para a história do cinema e pelo valor histórico e cultural, foi lançado pelo Selo criterion e incluído em 2020 no National Film Registry by the Library of Congress. Também está incluído no livro "1001 filmes para ver antes de morrer". A maior polêmica do filme reside na cena de abertura: o filho de Melvin Van Peebles, Mario Peebles, que na época da filmagem tinha 13 anos, interpreta Sweetback na adolescência e tem uma ousada cena onde ele, totalmente nú, faz sexo com uma prostituta. Fica difícil imaginar um filme atual reproduzir a mesma cena com um ator da mesma idade. Essa cena foi censurada em versão dvd. Nenhum estúdio de Hollywood quiz apoiar apoiar o filme, com um elenco majoritariamente negro. Melvin fez um emprétsimo de 50 mil dólares com Bill Cosby e o filme tornou'se um enorme sucesso, arrecadando 15 milhões de dólares. Melvin protagoniza e também é produtor, diretor, roteirista, compositor e editor. Meilvin é Sweetback, criado em um prostíbulo nos anos 40. Ele perde a virgindade ainda criança com uma prostituta e devido ao tamanho do seu pênis e de sua vitalidade, ele se torna atração no local, fazendo sexo ao vivo. O clube é invadido pela polícia e Sweetback levado para interrogatórion pelos policiais brancos racistas. No caminho, ele presencia a polícia espancar um negro do Panteras negras. Ele revida, espanca o policial e foge. A partir daí, o filme se torna uma caçada por Sweetback nas ruas, chegando até a fronteira do México. Revolucionário em sua linguagem, com cortes bruscos, mistura de linguagem documental, trilha sonora lisérgica e muito experimentalismo, o filme encantou a comunidade negra, que a partir daí, passou a consumir filmes feitos por e para os afro americanos, surgindo o cinema "blackexploitation", onde drama, ação, policial e muito sexo ditavam as regras. O filme objetifica o corpo negro, mas certamente se fosse um diretor branco, o barulho seria muito maior.

O sol do futuro

"Il sol dell'avvenire", de Nani Moretti (2023) O cineasta Nani Moretti é um intelectual de esquerda, e a sua expressão política é inserida em quase todos os seus filmes. O Festival de Cannes recebe sempre de braços abertos os seus filmes, que misturam tons de drama, comédia, invariavalemente em tons de melancolia e sobr eum mundo em constante mudança. Em 2001, venceu a Palma de ouro com o seu melhor filme, "O quarto do filho". Em 2023, concorreu novamente com "O sol do futuro", um filme dentro de um filme, uma metalinguagem sobre o cinema de antes e o cinema de hoje, dominado por streamings, obviamente para onde a verve crítica de Moretti se direciona. Moretti interpreta Giovani, um cineasta italiano famoso que está lutando para filmar seu projeto sobre o Partido Comunista Italiano enfrentando os soviéticos durante a invasão da Hungria em 1956. Na vida pessoal, Giovani vive uma crise em seu casamento com Paola (Marguerite Buy), que sempre produziu os seus filmes mas agora decidiu produzir os filmes dos outros. No momento, ela produz um filme de ação que será exibido em canal tipo Netflix. No filme de Giovani, o casal principal, jornalistas, abraçam a causa comunista italiana, mas sofrem com a invasão soviética à Hungria. Pierre (Mathieu Almaric) é o produtor que vai atrás de patrocínio para os filmes de Giovani. O filme traz uma visão pessimista de Nani Moretti sobre os rumos do cinema atual, inundado por produções de streamings, que acabaram transformando o próprio ato de se fazer cinema. O forte do filme certamente é o sue elenco, com uma turma de atores veteranos contracenando com jovens atores. ë óbvia a busca de Moretti ao olhar lúdico de Fellini, tanto na presentação do circo, um núcleo que faz parte na história dentro do filme, e no seu desfecho, inspirado em "8 1/2". O que não funciona: os números musicais inseridos na trama, que surgem do nada e não combinanm com a narrativa.

Veneno

"Poison", de Wes ANderson (2023) 2o curta lançado por Wes NAderson, adaptado dos contos escritos por Road Dahl ( o 1o foi Äs incríveis histórias de Henry sugar"). O filme traz a mesma linguagem do seu antecessor: os atores falam ráido, sme pausas, de forma mecânica. Os cenários são todos contruídos em estúdio, com paredes móveis. Aqui, Anderson ainda insere um contra regra de cena que ajuda os personagens em suas ações. A fotografia do incrível artista Robert D. Yeoman, parceiro de muitos filmes de Anderson. E ainda, repete o memso elenco: Benedict Cumberbatch como Harry, o inglês colonizador; Dev Patel como o soldado Woods; Ralph Fiennes como o escritor Road Dahl e Ben Kingsley como o médico Dr Ganderbai. O soldado Woods surge na casa de Harry e se assusta: Harry está deitado imóvel na cama e avisa que uma cobra Krait, altamente venenosa, está em sua barriga, coberta pelo lençol. Woods convoca o Dr Ganbergai para vir à casa e ajudar Harry. O filme é uma grande crítica à colonização inglesa na Índia. A relação entre os personagens, com o humor próprio de NAderson, em seu defscho torna tudo bastante incômodo. É um grande filme, em apenas 12 minutos, ANderson explora um universo que muita gente tenta fazer em longos filmes sem trazer a essência que "Veneno" traz.

domingo, 1 de outubro de 2023

Pérola

"Pérola", de Murilo Benício (2022) Adaptação do texto teatral escrito pelo dramaturgo Mauro Rasi e adaptado ao cinema pelos roteiristas Jô Abdu, Adriana Falcão e Marcelo Saback, 'Pérola" tem a logline "Um filme para todas as mães do mundo". E não está errado: o filme está coberto de amor e humanidade, tendo como protagonista Pérola, brilhantemente interpretada por Drica Moraes, mãe do dramaturgo nascido em Bauru Mauro Rasi (Leonardo Fernandes). O filme lembra aquelas comédia sitalianas dos anos 70 de Ettore Scola, Dino Risi e Mario Monicelli, onde toda a história são pequenos skestches da rotina de uma família que vive brigando, mas ao mesmo tempo, se ama. Nesse 2o trabalho na direção de Murilo Benício, após "O beijo no asfalto", ele une um trio de criativas mulheres para comendar o visual do filme: Kika Cunha na fotografia; Valéria Costa na direção de arte e Bia Salgado no figurino. O elenco, no entanto, acaba se tornando a grande força do filme: Claudia Missura é Tia Norma; Rodolfo Vaz é o marido de Pérola, Vado; Gustavo Machado é Mauro, marido de Tia Norma; Louise Cardoso, Jefferson Schroeder, Gillray Coutinho, Gustavo Duque, Valentina Bandeira, Lavinia Pannunzo e Marianna ARmellini também estão incríveis. Um filme repleto de paixão, que percorre dos anos 50 aos 80 embalado por uma trilha sonora repleta d epreciosidades pops, além de um trecho do filme "Bonequinha de luxo".

Resistência

"The creator", de Gareth Edwards (2023) Diretor inglês que lançou "Monstros", Godzilla", "Rogue one", Gareth Edwards chupa muitos elementos de projetos famosos como "O Mandaloriano", "Blade Runner", "Avatar", entre outros. Mas de "Mandaloriano" é descarado: a personagem 'A criança" do filme é exatamente igual ao Baby Yoda, com a mesma finalidade e mesmos poderes; de "Blade runner" vem todo debate filosófico e ético sobre a convivência entre humanos e IA, aqui trocando "replicantes" por "Simulantes", além de visualmente a cidade da Nova Ásia ser exatamente igual, com os grandes painés de neons nas ruas. E de "Avatar" vem o exército fascista americano querendo liquidar a minoria que só quer viver em paz e harmonia. Além disso, a fotografia é tão escura que tem momentos que mal dá para ver o que está acontecendo na tela. Em 2065, os Estados Unidos banem qualquer tipo de IA na vida da população. Isos porquê há décadas atrás, IA criaram independência e explodiram o centro de Los Angeles, matando milhares de civis. O único lugar do mundo que ainda se admite IA é a Nova Ásia, onde humanos se misturam com simulantes ( andróides com comportamento humano). O governo americano quer destruir o cérebro da IA, e para isso, enviam, como espião o soldado Joshua (John David Washington- quase repetindo seu papel em "Tenet). Mas ele acaba se apaixonando por uma simpatizante da IA, Maya (Gemma Chen). Ela engravida mas um ataque americano provoca a morte dela e do filho que esperam. 5 anos depois, Joshua é avisado pelo governo que Maya está viva e que para recuperá-la, ele deve voltar à Nova Ásia e destuir o cérebro do IA. Longo demais, com 135 minutos, o filme tem um ritmo bem arrastado e as cenas de ação so começam a acontecer mesmo depois de 1 hora de filme. Não me deixei envolver pelo filme, perceber referências de tantos filmes e séries conhecidos acabou me afastando do filme. Ainda assim, o filme tem ótimo production design, e um elenco coadjuvante de respeito: Allison Janney, como uma coronel americana bem malvada; Ken Watanabe como um dos líderes da IA e Ralph Ineson como um general americano também malvadão.

Um homem

"Un varón", de Fabian Hernández (2022) Exibido em competição no Festival de Cannes na Quinzena dos realizadores 2022, o filme competiu também em San Sebastian e na Mostra de São Paulo. O filme é o indicado da Colômbia para uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2024. O filme é o longa de estréia de Fabian Hernandez, que escreveu e dirigiu esse drama sobre jovens marginalizados que moram nas ruas, muito próximo a tantos filmes já vistos na América Latina, como o brasileiro "Pixote, a lei do mais fraco". Com uma narrativa crua e distanciada, o filme apresenta o protagonista Carlos (Dilan Felipe Ramírez Espitia), morador de um abrigo para jovens em Bogotá. O Natal se aproxima, e Carlos tem um desejo: reunir a família composta pela mãe e sua irmã. Mas a mãe está presa, e a irmã, é prostituta na rua e deve uma fortuna ao cafetão. Carlos quer arranjar um bico para poder tirar a irmã das ruas. Ele acaba se envolvendo com um traficante que vende drogas no abrigo. Carlos precisa aprender a ser a figura masculina e tóxica que ele não é. Fragilizado emcoionalmente, mas precisando ter uma carcaça de ferro, Carlos vai se transformando no processo. O filme é todo de Dilan Felipe Ramírez Espitia, no papel de Carlos, estreando como ator. A linguagem do filme se assemelha muito aos filmes dos irmão Dardenne: a câmera acompanha o tempo todo Carlos, em um olhar humanista sobre personagens que vivem à margem da sociedade. Um filme triste, violento, cruel, que deixa claro que para sobreviver, é necessário ser quem você não é.

My tempo

"My tempo", de Nattapong Arunnate (2022) Drama musical adolescente LGBTQIAP+ tailandês, "My tempo" era originalmente uma série e foi condensada em formato longa-metragem. A montagem no entanto ficou uma grande bagunça, com vai e vem no tempo totalmente desconexo, abrupto e confuso. O que era para ser uma história fofa de primeiro amor queer, se torna um filme longo, tedioso e confuso. Dois estudantes pobres da periferia de Manilla, Hope e Tawan, estudam em uma ecsola na capital graças à uma bolsa de estudos e ao esforço dos pais, que os mantém em quarto alugado na cidade. Os dois não são intimos, mas quando se inscrevem no Set Yourth competition, o principal concurso de música para estudantes da Tailândia, eles acabam se ajudando em suas fraquezas. Mas logo acabam sentindo uma atração um pelo outro, que poderá prejudicar no resultado do concurso. Amor, intriga, ciúmes e o sonho de se tornar um astro da música e ser popular na internet com uma fan base grande. Quem nào quer? Pena que o filme não seduz como deveria. Ele é genérico, tem momentos bons, principalmente os musicais, mas quando avança na parte dramática ou romântica o filme ainda é prejudicado pelo pouco talento dos jovens atores. São todos jovens e bonitos, mas ainda bem crus.

Flora e filho- Música em família

"Flora and son", de John Carney (2023) Um filme que tem todas as qualidades para ser visto: Dirigido pelo irlandês John Carney, realizador dos excelentes "Apenas uma vez", "Se nada mais der certo" e 'Sing street". A protagonista, Eve Hewson é filha de Bono Vox, cantor do U2 e ela é muito boa atriz e musicista. No elenco, temos também os ótimos Joseph Gordon Levitt e Jack Reynor, além do jovem ator Oren Kinlan, que interpreta o filho de Flora, Max. E sim, o filme, como todos os outros de Carney, te fará se emocionar, se divertir e chorar muito. Eu mesmo caí em prantos diversas vezes. O filme segue Flora, uma jovem mãe que está tentando reconstruir sua vida depois de um divórcio difícil com seu ex Ian (Jack reynor), ex-músico que abandonou seu sonho de ser integrante de uma banda de sucesso como baixista. Flora mora com Max, seu filho adolescente rebelde. Ambos não consgeuem ter uma boa comunicação. Ao voltar da casa de uma cliente onde faz serviços de babá, Flora encontra um violão no lixo e decide dá-lo de presente para seu filho, que o recusa. Flora decide ela mesmo aprender a tocar violão. Para isso, ela faz aulas opnline com Jeff (Levitt), americano de Los Angeles que também abandonou seu sonho de ser músico. Um lindo filme feel good movie sobre personagens losers que se conectam através de seus fracassos e seu desejo de pertencimento. Com ótimas atuações, "Flora e filho" tem um roteiro simples, mas repleto de amor e paixão que o diretor tem pelos seus personagens, mesmo em seus momentos de erro.