domingo, 24 de abril de 2011

Capítulo 27


" Chapter 27" , de J. P. Schaefer (2008)

Drama que reconstitui os 3 dias que Mark Chapman permaneceu em Nova Yorque, premeditando o crime que culminou no assassinato de John Lennon.
Chapman chega a Nova Yorque nas vésperas do natal, determinado a assassinar o cantor John Lennon, que segundo ele, teria se transformado, e fez de sua vida algo voltado para o consumismo e materialismo. Chapman, sempre acompanhado de seu livro " O apanhador no campo de centeio", vaga pelas ruas de Nova Yorque, testemunhando a degradação moral e social da cidade metropolitana.
O filme mostra a importância do livro e da linguagem desse para a solidificação de sua personalidade confusa e conturbada. Durante a projeção, eu me lembrava o tempo todo do filme " Taxi Driver". O paralelo é tão evidente, que temos a mesma cena do personagem se olhando para o espelho, e apontando a arma. Mesma coisa são as várias cenas de táxi, com o personagem divagando sobre a moralização do ser humando, enquanto presencia mendigos, prostitutas e afins pela noite Nova Yorquina.
A performance de Jared Leto é o que mais impressiona no filme. Também produtor, o ator engordou mais de 30 kilos, para personificar o personagem. A sua atuação e empostação de voz lembra bastante a performance de Philiph Seymor Hoffman em " Capote".
No seu lançamento no Festival de Sundance 2008, o filme foi bastante criticado. A maioria dos críticos e espectadores não conseguiram entender o porquê de realizar uma obra que tentasse humanizar uma figura tão polêmica quanto Mark Chapman. Inegavelmente, o filme tenta entender o que se passa em sua mente.
O elenco de apoio é interessante, com destaque para Lindsay Lohan, no papel de uma fã.
A fotografia é bela, a trilha sonora boa, e a reconstituição de época eficaz. O ritmo compromete, pois tem uma narrativa bastante lenta, como se fosse a mente do personagem divagando e elocubrando suas ações.

Nota: 7



sábado, 23 de abril de 2011

O amor chega tarde


" Loves comes lately", de Jan Schutte (2008)

Drama com tintas de humor sarcástico tipicamente judeu, nos moldes de um Woody Allen em seus momentos mais ácidos. Mas o filme propõe uma divagação sobre a limitação do ser humano, perante a inevitável chegada da morte, e a tentativa exasperada de se encontrar o amor, independente de idade ou classe social.
Baseado em 3 contos do Ganhador do Prêmio Nobel, Isaac Bashev Singer, o filme narra a história de Marx Kohn, um escritor de 80 anos, que tem uma amante, que toma conta dele e de seus assuntos pessoais. Marx porém, apesar de sua idade e limitações físicas, mantém uma saudável relação com outras amantes, sejam elas reais ou imaginárias, advindas de seus contos que ele escreve em noites insones.
O ator austríaco Otto Tauzig faz aqui um trabalho fenomenal de composição de personagem, mantendo o humor ferino e a antipatia típica de idosos rabugentos. Mas ele se diferencia de outros de sua idade, por querer manter uma vida afetiva em constante ebulição. O elenco de apoio é outro ponto positivo do filme: Barbara Hershey, Rhea Perlman e outras atrizes conferem realismo e naturalidade nas interpretações.
É um filme bastante melancólico, pois discute vida e morte, solidão, tristeza, perda de entes queridos.
O ritmo do filme é bastante lento, e aparenta ter mais tempo do que ele de fato possui. Algumas belas cenas bem fotografadas, em tons cinzas, mantendo um clima bastante depressivo.
A trilha sonora é boa. De curioso, o fato do filme ser de 2008, e somente agora estar sendo exibido aqui no Brasil.
Foi exibido em Sundance e Toronto, e a Co-produção é Austríaca, germana e americana.

Nota: 7

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Contra o tempo


" Source Code", de Duncan Jones (2011)

Drama de ação e ficção científica, com dose de romance. Parece muito?
Interessante, que ele foi lançado próximo a " Os agentes do destino", filme com Matt Damon e Emily Blunt, que também aposta nessa mistura de gêneros.
Colter (Jake Gyllenhaal) é um soldado americano em ação no Afeganistão. Quando o filme começa, nós o vemos dentro de um trem. De repente, ele descobre que ele está com outra identidade, e não consegue entender o que está acontecendo. Sùbito, o tem explode, com todos dentro. Colter aparece então em uma cápsula, que é administrada por agentes do Governo. Ele descobre que faz parte de um experimento, chamado " Código fonte", que o faz retornar ao tempo, em um período de 8 minutos. Goodwin ( vera farmiga) é quem opera a máquina, e diz a Colter que ele precisa descobrir a identidade do terrorista que colocou a bomba no trem, uma vez que existe um boato de que ele irá explodir um segundo local. O Colter real se encontra entre a vida e a morte, e esse experimento só funciona em quem se encontra nesse estado. Mas Colter tem outros planos.
Intrincada e fantástica trama, um pouco complexa de início, mas que vai tomando um rumo mais aventuresco e romantico ao longo da projeção. De imediato, a trama me lembrou o filme " Feitiço do tempo", com Bill Murray. Toda vez que Colter retorna, ele se encontra na mesma situação.
Os efeitos da explosão poderiam ser melhores, soam falsos, mas a força do filem está no roteiro e na atuação de seu elenco principal. Sempre bom rever Jefrey Wright e Michelle Monaghan.
O desfecho da história se rende aos apelos de Hollywood, mas mesmo assim, é convincente.
Uma diversão inteligente, assim como " A origem", que procuram trazer ao espectador um pouco mais de substancia que faça a diferença.

Nota: 8

Broder


de Jeferson De (2011)

Filme vencedor dos prêmios de Melhor filme, diretor e ator (Caio Blat) em Gramado 2010, narra o drama de Macu (Caio Blat), morador da favela de Capão Redondo, na periferia de São Paulo. O filme se passa em tempo real, no dia do aniversário de Macu. Ele recebe a visita de 2 amigos de infância, Jaiminho (Jonatan Haagensen) e Pibe (Silvio Guindane).
Macu mora com sua mãe (cassia Kiss) e seu padrasto ( Ailton Graça), além de sua meia-irmã, interpretada por Cintia Rosa. Ela tem uma paixão mal resolvida por Jaiminho, que é um jogador famoso, prestes a ser convocado para integrar a seleção brasileira de futebol. Pibe tabém se arranjou na vida, morando na zona pobre do centro de São Paulo. O retorno dos dois amigos trazem consequencias trágicas. Macu está prestes a sequestrar seu amigo Jaiminho, junto com seus comparas, para poder levantar uma grana. Porém, as cosias não se encaminham do jeito que Macu esperava, e tudo sai fora do eixo.
Bom drama filmado todo em locação, com ótimos atores interpretando com naturalismo os seus personagens. A fotografia e câmera de Gustavo Hadba são ótimas, e servem de linguagem e dinamismo para a narração da história. Porém, o excesso de clichês do gênero filme-favela, nos fazem recorrer o tempo todo a vários outros filmes, com situações muito parecidas. É um filme de boas intenções, mas confesso, me deu preguiça de ficar assistindo.


Nota: 7

sábado, 16 de abril de 2011

Pânico 4


" Scream 4", de Wes Craven (2011)

Passaram-se 10 anos desde os últimos acontecimentos em Woodsboro. O sherife Dewey (David Arquette) está casado com a ex-repórter sensacionalista Gale (Courteney Cox), e a paz reina na cidade, Porém, Sidney Prescott (Neve Campbell) retorna a cidade, para o lançamento de seu livro auto-biográfico,e se transforma em uma celebridade. Ela é recebida por sua sobrinha, Jill. O que ninguém eperava era que Ghostface, inesperadamente, retorna, e continua sua matança. As suspeitas recaem sobre todos.
Que ninguém espere um retorno triunfal de " Pânico 4". É apenas mais uma continuação do filme, que aliás nem precisava ter acontecido. mas já que existe, vale a pena rever os personagens celebrados pela série: Sidney Prescott (Neve Campbell, linda!!), O Sherife Dewey , e a repórter Gale. Os 3 se divertem muito em cena, e é bacana ver como eles levam a sério os seus personagens. E ganham a simpatia do espectador, que torce por eles.
O roteiro brinca com todas as referências ao novo gênero do terror, que assolou o planeta após o filme " O Albergue". Ou seja, ele faz críticas ao sub-gênero " Torture porn", e aproveita também para se criticar a si próprio, ao destacar os clichês de uma refilmagem em série.
Os diálogos são divertidos, e o filme tenta segurar a atenção do espectador, até aonde dá. Alguns clichês inevitáveis enchem o saco, como o indefectível susto inesperado, advindo de sons estridentes súbitos. Ou as mortes sucessivas, e ninguém dando a mínima pra morte.
Para quem quer apenas se divertir, vá ver o filme. Para quem desejava ver uma continuação superior aos anteriores, desista. nada de novo no front. De interessante, apenas a reviravolta da cena final, divertida.

Nota: 7

A Criada


" La nana", de Sebastien Silva (2009)

Raquel (Catalina Saavedra) é uma empregada que trabalha a mais de 20 anos na casa da família abastada do Chile. Nesse período, Raquel exerceu sua função de forma exemplar, praticamente uma escrava, servilmente. Rege os filhos do casal de forma severa, e o filho adolescente tem uma tensão sexual na figura de Raquel. O casal, sentindo o stress que envolve raquel, resolve chamar outra empregada para ajudá-la nos serviços da casa. Mas Raquel reage mal a essa invasão de seu espaço, e destrata violentamente a empregada. Até que surge outra empregada, que não se mostra abalada ante as investidas pesadas de Raquel.
Excelente drama psicológico, com performances extraordinárias do elenco, com destaque total para Catalina Saavedra. Uma metáfora sobre a condição social e política do Chile do período da ditadura. Uma produção baixo orçamento, que ganhou vários prêmios em Sundance 2009, inclusive melhor atriz e melhor filme. Uma prova de que um bom filme se faz com bom roteiro e com ótimos atores, e independe de orçamento.

Nota: 9

domingo, 10 de abril de 2011

Que mais posso querer


" Cosa voglio di piu/Come undone". de Silvio Soldini (2010)

Anna (Alba Rohrwarker) é uma mulher que mora a anos com seu marido, o obeso e simpático Alessio (Giuseppe Battiston). Ela é contadora de uma pequena empresa, e ele, um lojista faz-tudo, que conserta eletrônicos e afins. Ambos são classe média. Sua irmã acabou de dar a luz a um bebê, o que gera em Alessio o desejo de ser pai, contra a vontade de Anna. De repente, Anna conhece Domenico (Pierfrancesco Favino) , um funcionário de um restaurante. Ambos se apaixonam, apesar de Domenico ser casado e ter 2 filhos. É uma paixão avassaladora, que faz com que eles mintam para os seus conjugues, até chegar a uma situação limite: suas vidas pessoas estão sendo devastadas aos poucos.
Bom drama, prejudicado pela longa duração (125 intermináveis minutos) e pela repetição de situações, sem qualquer ousadia ou criatividade. No tema da infidelidade, melhor ficar com a obra-prima " Mademoiselle Chambom", um filme extraordinário francês. Incomoda fazer o paralelo entre o marido e o amante garanhão. O marido é visto como um tonto, obeso, ridículo. Assim, qualquer mulher faria a mesma coisa.
O que se salva aqui é a atuação da sempre ótima Alba Rohrwarker, de " A solidão dos números primos".
A cópia do filme estava péssima, e tudo muito escuro, o que prejudicou ainda mais a projeção. Uma pena.

Nota: 6

Contracorrente


" Contracorriente/Undertow", de Javier Fuentes Leon (2009)

Drama. Miguel é um pescador de uma região praiana no Peru. Respeitado pela comunidade, ele vive uma relação estpavel e feliz com Mariela, sua esposa, que está grávida. Porém, Miguel possui um amante, SAntiago, um artista pástico e fotógrafo que mora na região. Ambos são apaixonados um pelo outro, mas Miguel evita uma maior aproximação, temendo que os colegas descubram sua relação homossexual. Essa relação fria faz com que Santiago se sinta deprimido. Uma noite, ele entra no mar revolto, e morre afogado. Mas ninguém sabe de sua morte. Ele surge para Miguel, mas como espírito. Miguel , em princípio assustado, logo se acalma, e aproveita da situação de somente ele poder ver Santiago, e assim, consegue consumir o seu amor por ele, sem temer que os moradores saibam. Mas as fofocas surgem, e logo Miguel precisa lidar com a verdade.
Belíssimo drama com toques de humor proveniente do Peru. Curioso como uma cinematografia tão rasa como a peruana, consiga produzir um filme com tamanha qualidade técnica: o roteiro, as atuações do trio principal, a fotografia, som, trilha sonora. Tudo é perfeito. O filme é um pouco longo, o que prejudica a sua narrativa. Mas é mero detalhe.
Sim, o filme lembra demais " Dona Flor e seus dois maridos", e " Brokeback Mountain". Mas que bom, com resultados bem distintos. A poesia emana das imagens impressionantes da locação, sempre com um efeito solar na luz.
É um filme muito sensível e emocionante, e que mereceu todos os prêmios que recebeu mundo afora.
Que venham mais filmes peruanos, que mesmo sem dinheiro, conseguem produzir obras com muito esmero e de prazer cinematográfico.

Nota: 8

Os Agentes do Destino


" Adjustment Bureau", de George Nolfi (2011)

David Norris ( Matt Damon) é forte candidato ao Senado, e está em posição de liderança. Mais jovem político a se candidatar, David subitamente tem uma foto sua publicada pela mídia: durante uma comemoração, em época de faculdade, ele mostrou sua bunda em um bar. Isso é o suficiente para tirar sua liderança e fazê-lo perder a eleição. Em um momento de desabafo, em um banheiro, ele conhece Elise (Emily Blunt), uma bailarina. Paixão a primeira vista, eles são separados pela ação do destino. Porém, logo David descobre que o destino na verdade, são homens de chapeú enviados por Deus, que impedem que o curso natural de sua vida seja alterado por percalços do destino, no caso, a aparição de Elise. Logo, David precisa lutar contra os agentes, e pelo amor de Elise.
Fantasia romântica, baseada em conto de Philip K.Dick ( autor de " Blade Runner", " Agentes do destino" é curioso, e romântico na medida certa. A química entre Damon e Blunt é perfeita, e é daqueles filmes que a gente fica torcendo pelo casal. O roteiro é engenhoso, apesar de algumas vezes soar forçado. O elenco secundário é otimo, em especial, Terence Stamp, fazendo o papel de Deus. Muita ação e correria, e lembra vagamente " Inception", por conta de suas portas que dão entrada para outros ambientes. O filme mantém o ritmo, e é preciso abstrair um pouco qualquer tipo de verossimilhança para apreciar melhor.

sábado, 9 de abril de 2011

Djinns


" Djinns/Stranded", de Hughes e Sandra Martin (2010)

Um pelotão francês tem uma missão no deserto da África do Norte: encontrar um avião desaparecido, e com ele, uma misteriosa maleta. O ano é 1960, e a França domina a Argélia. Argelinos rebeldes tentam atacar o pelotão. O grupo encontra o avião e a maleta, mas os passageiros estão todos mortos. Eles se refugiam em um misterioso vilarejo, e lá, vão morrendo um aum, devido a ação de uma força misteriosa, os djinns ( de onde originou o gênio da lâmpada). São espíritos que defendem o território.
Filme curioso, que mistura ação e terror. A primeira parte do filme , centrada na ação dos soldados em busca do avião no deserto, e o encontro com rebeldes argelinos, é interessante. Mas quando começa a parte de terror, o filme se transforma completamente. Não há uma boa liga, e parece que estamos assistindo a 2 filmes distintos. As cenas de tensão são fracas, o roteiro, raso, e os personagens são todos muito maniqueístas. Os efeitos também não são bons, e parece um filme feito a toque de caixa, apesar de belas locações.
Não tem nenhum clima de suspense, e tudo é previsível. Apesar do desfecho apocalíptico, mas meio sem pé nem cabeça.
As cenas de ataque dos espíritos são sempre noturnas. A fotografia é muito escura, e acaba que a gente não vê quase nada.

Nota: 4

A ùltima noite


" Last Night", de Massy Tadjedin (2010)

Joanna ( Keira Knightley) é uma escritora, casada com Michael (Sam Worthington). Ela desconfia que Michael está atraído por sua bela companheira de trabalho, Laura (Eva Mendes). Ao chegarem em casa, após um evento do trabalho de Michael, ambos discutem. Joanna iniste na infidelidade, apesar das negativas do marido. Ele viaja para a Filadélfia no diaseguinte, junto com Laura, o que provoca ainda mais a insegurança de Joanna. Até que ela esbarra por acaso em Alex (Guillaume Canet), seu ex-namorado francês, com quem ela ainda sente uma enorme atração. Essa noite será decisiva para ambos os casais.
Assistir a " A última noite" me fez lembrar a cada fotograma em " Closer", filme de Mike Nichols, com Julia Roberts, Natalie Portman, Jude Law e Clive Owen. Ambos tem um elenco de estrelas , lindos e perfeitos. Discutem sobre as relações, e claro, infidelidade. Todos são de ótima classe social, vivem em ambientes chiques e modernos, morando na cidade grande, Nova Yorque. Mas em comparação ao roteiro , "A última noite" perde feio. Apesar da elegância da direção de arte, fotografia e trilha sonora, o filme não chega a emocionar como deveria. Talvez pelo fato de toda sua história acontecer em uma única noite, em tempo quase real para os personagens. A exploração do drama fica muito rasa. Os diálogos são óbvios, e as situações idem. Os filmes de Richard Linklater, " Before sunset" e " Before sunrise" são provas de que a limitação de tempo
(uma tarde) não é problema para se desenvolver uma ótima história. O diferencial são os diálogos, aqui escritos pela própria diretora, a iraniana-americana Massy Tadjedin, que já havia trabalhado antes com Keira Knightley em " Camisa de força".
O elenco está bem, cumprindo com competencia os seus papéis. Curioso notar a semelhança física de Guillaume Canet, ator e cineasta francês, com Patrick Dempsey.


Nota: 7

Rio


" Rio", de Carlos Saldanha (2011)

Simpática animação dirigida por Carlos Saldanha, a sua declaração de amor a sua cidade natal. Mas como tantos outros filmes estrangeiros que saúdam a beleza da cidade, " Rio" não poderia deixar de ter um tempero exótico.
O filme começa mostrando o protagonista Blu, ainda filhote, sendo capturado na floresta amazônica, junto com outros espécimes, e tranferido por contrabandistas para os Estados Unidos. Lá, seu caixote cai do caminhão, ele é encontrado por uma jovem, Linda. A relação de amizade dos dois é paixão a primeira vista. Passam-se os anos, e Linda e Blu são os melhores amigos. Porém, são procurados por Túlio, um biólogo carioca, que deseja fazer o cruzamento de Blu com a última espécime fêmea existente no planeta, e que se encontra no Rio. Túlio convence Linda a ir ao Rio. Ela, relutante, acaba cedendo. Chegando ao Rio, ela se deslumbra com a cidade, que está em período de carnaval. Chegando ao escritório de Tulio, eles colocam Blu na jaula de Jade, Mas ela reluta , e seu desejo é fugir dali. Um pivete acaba roubando a gaiola onde os dois se encontram, e o vende para um traficante de animais.
O visual do filme é o grande ponto forte. Belissimamente concebido, o filme é uma das maiores homenagens que uma cidade recebeu de um filme. O Rio de Janeiro é mostrado em todos os seus cartões postais. E mesmo a favela é apresentada no desenho, de uma forma mais poética.
Os personagens são esterótipos do que se espera de um carioca: malandros, arruaceiros, alegres, e principalmente, amantes do carnaval e do futebol, a ponto de abandonarem tudo para apreciarem melhor os seus hobbies. Amam cantar, e escutam bossa-nova. Ou seja, tudo o que um americano epera encontrar na cidade.
Blu é divertido, e com a voz original de Jesse Eisemberg , melhor ainda. Rodrigo Santoro faz a voz de Tulio, e Anne Hathaway, a de Jade.
O roteiro procura trazer uma mensagem positiva em relação a preservação da fauna. Os diálogos são criativos, apesar do clichê de que quase todos na cidade falam inglês.
O cinema americano sempre gostou de glamurizar e fantasiar a cidade maravilhosa, e aqui não poderia ter sido diferente.
Muitas pessoas reclamam de alguns estereótipos. Por ex: o pivete é um menino negro, a praia é recheada de mulheres bundudas, e por aí vai.
Acho que o filme tem problemas de ritmo, mas em um contexto geral, é alegre e satisfaz na sua proposta.
Li recentemente uma crítica de Rodrigo Fonseca, e concordo que o filme homenageia o " American way of life" do carioca, e também as fantasias da Atlântida, dirigidas por Carlos Manga. Tudo muito vibrante e colorido.
A animação " Rango" para mim, é mais envolvente e inteligente.

Nota: 8



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sem Limites


" Limitless", de Neil Burger (2011)

Drama baseado no livro " The dark fields", narra a história de Eddie Morra (Bradley Cooper) , um escritor fracassado e desempregado, que vive as custas de sua namorada (Abbie Cornish). Ela acaba o abandonando. Desesperado, Eddie esbarra em um ex-cunhado, que lhe propõe uma droga sintética para venda. Eddie não aceita, mas acaba ganhando um comprimido de presente. Eddie o toma, e sua vida se transforma. A droga simplesmente potencializa tudo o que ele estudou, aprendeu em vida, e o torna dinãmico, inteligente, sagaz. Eddie aos poucos vai ganhando fama e sucesso, tudo graças a droga. Porém, seu ex-cunhado é assassinado, e ele fica com as drogas que estavam escondidas, sem saber que um assassino está também à procura das drogas.
Confesso que me diverti bastante vendo o filme. A trama é tão bizarra e absurda, que parecia que o filme era a própria " viagem " da droga. As soluções do roteirista beiram o ridículo, e ver atores tarimbados como Bradley Cooper e Robert de Niro interpretando se torna uma experiência muito estranha. Como de Niro aceitou participar de um filme tão insano? Por ex, a cena que Cooper toma do sangue do inimigo, é muito tosca. E por se levar tudo a sério, acaba ficando divertido.
Tecnicamente o filme é ótimo: a fotografia, o uso das cãmeras, muitas das tomadas sendo auxiliadas por computação gráfica.
A moral do filme é muito indefinida: afinal, é uma apologia às drogas???
Recomendo assistir se você estiver a fim de algo inusitado e que te surpreenda por você não saber como as coisas irão se desenrolar. Caso contrário, passe batido.

Nota: 6

sábado, 2 de abril de 2011

Atividade Paranormal: Tokyo


" Paranômaru akutibiti: Dai 2 shô " Paranormal Activity 2: Tokyo Night , de Toshikazu Nagae (2010)

Adaptação japonesa do grande sucesso americano, " Atividade Paranormal: Tokyo" tem em seu título original, uma tentativa forçada de querer informar ao espectador que se trata de uma continuação do original.
Uma jovem japonesa retorna a Tokyo, após uma temporada em San Sebastian, Estados Unidos. Porém, ela está imobilizada, com as 2 pernas enfaixadas. Ela sofreu um acidente de carro, e a responsável pelo acidente foi a sobrevivente do filme original, Kate. Ela estava em fuga, com a polícia em se percalço, quando bateu de frente com o carro da japonesa. Kate morreu no acidente, e a jovem Koichi quebrou as duas pernas.
Em sua casa natal, Koichi é cuidada por seu jovem irmão, Haruka. O pai deles vive viajando, e segue para Singapura. Prostrada em uma cadeira de rodas, Koichi permanece em casa, sob os cuidados do irmão, Aos poucos, fatos sinistros acontecem na casa, fazendo com que os irmãos desconfiem de maus espíritos. Haruka resolve colocar uma câmera no quarto da irmã para registrar o que está acontecendo.
Se o filme é oportunista ou não, só o " Atividade paranormal 3" irá responder. A curiosidade fica em torno se esta é considerada uma continuação oficial ou não, uma vez que ele cita a personagem do filme americano, Kate, e lhe dá um destino, ou seja, ela morreu em um acidente e o diabo passou para o corpo de Koichi.
O interessante dessa adaptação japonesa é que demônios e espíritos do mau casam melhor em uma história local, uma vez que os japoneses são crentes no que diz respeito a espíritos invadindo um ambiente. Existe até um personagem que é um exorcizador de espíritos malignos. Alías a figura dele é bem cômica, mostrando o quão ridícula pode ser um fato cultural.
Os dois jovens atores tentam defender os seus personagens, mas assim como no original, o roteiro é forçado e irritante. Forçado porquê a premissa é de que tudo o que vemos é ponto de vista de uma filmadora. Então, porquê a pessoa em um momento de desespero, insiste em manter a câmera ligada? Por ex, a fuga de Haruka de sua casa, correndo nas ruas e pegando um táxi? Creio que ninguém em sã consciência manteria a filmadora funcionando. Outro ponto em questão: se tantos fatos ruins acntecem na casa, porquê eles não pedem ajuda a polícia, aos amigos, saem de casa, se mudam para outro local? E olha que essa versão japonesa é diferente da americana, pois os personagens dos irmãos de fato acreditam que a casa está amaldiçoada, ao contrário dos americanos.
Sustos ocasionais, causados por sons que surgem do nada ( o silêncio impera no filme), forçando o suspense da narrativa.
O filme vale como curiosidade, mas em nada acrescenta à franquia. Tudo muito requentado e deja vú.
De curioso, o fato de ter 2 monitores observando o ambiente, e o desfecho, que brinca com a famosa personagem icônica dos filmes de terror japoneses, Samara.

Nota: 5

Os Olhos de Julia


" Los Ojos de Julia", de Guillem Morales (2010)

Julia é uma mulher que sofre de uma doença degenativa, assim como sua irmã gêmea. Em momentos de stress, ela perde parte de sua visão, e ao acúmulo de tensão pode levá-la a cegueira.
Sua irmã é encontrada morta, e o laudo é suicídio. Porém, Julia não acredita nessa hipótese, e decide por conta própria investigar a morte dela, contra a vontade de seu marido. Situações misteriosas e a descoberta de uma pessoa que a persegue a deixam appavorada, ao mesmo tempo que a doença segue seu curso.
Suspense produzido por Guilherme Del Toro, " Os olhos de Julia" é protagonizado por Belén Rueda, que já havia trabalhado em outro suspense produzido por Del Toro, " O Orfanato". O roteiro mantém um clima de suspense constante, mas derrapa várias vezes ao criar falsas pistas, muitas delas inverossímeis. A resolução também é meio estapafúrdia, deixando aquela sensação de frustração. Mal explicada, com um assassino óbvio demais.
Os atores secundários estão bem, apesar da caricatura de alguns tipos, e o diretor Guillem Morales cria bons momentos climáticos. A fotografia é bonita, previlegiando a luz escura e sombras, e usando vários chavões do filme de terror: noite de tempestade, sótão, o uso do flash como elemento dramático.
Vale como passatempo, ainda mais sendo uma produção espanhola produzida por Del Toro. Mas fica aquém da possibilidade de um País que já nos trouxe " Rec", " O orfanato", " Os outros".

Nota: 7

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ricky


" Ricky", de François Ozon (2009)

Drama fantasioso dirigido por François Ozon, um cineasta francês que admiro bastante, mais pelos seus filmes " O tempo que resta", " Amor em cinco tempos", " Águas em pedras escaldantes", " 8 mulheres" e outros.
Ozon não se define como um cineasta de gênero. Ele mistura vários estilos e longuagens: musical, teatro, realismo fantástico. Essa é a sua fonte.
Em " Ricky", uma trabalhadora de uma fábrica (Alexandra Lanmy), pobre e suburbana, mãe solteira, conhece um imigrante (Sergi Lopez) , também funcionário, e ambos se apaixonam. Ele vai morar com ela em sua casa, e acabam tendo um filho. Vivem momentos de felicidade, até que de repente, esse bebê vai se revelando algo muito especial. Ao mesmo tempo, a relação do casal vai se deteriorando,
O filme é daqueles que ou a gente ama, ou odeia. Não tem meio termo. O espectador precisa entrar no clima da fantasia proposta por Ozon, ou tudo parecerá muito tosco e risível. Como todas as críticas já falam sobre o segredo do menino, comentarei aqui também. Ricky é uma criança que possui asas, que vão crescendo aos poucos, até se formarem por completo e ele voar de vez e abandonar aquele lar. A mãe, desesperada, procura guardar o segredo de todos, mas a imprensa já descobre e vai atrás do menino.
Como assimilar uma história fortemente realista, que do nada, dá uma virada na narrativa e se transforma em um conto de fábulas? Esse é um desafio que pertence a casa espectador. Quando eu assisti, muitas pessoas saíram do cinema fazendo comentários negativos sobre o filme, de que não entraram na onda da narrativa, que acharam tosco e bizarro.
O cinema de Ozon é assim, surpreendente. Goste-se ou não, ele está sempre em busca de novas formas de contar uma história.

Nota: 7

quarta-feira, 30 de março de 2011

Uma Professora muito Maluquinha


Dirigido por Cesinha Rodrigues e André Pinto

Adaptado do livro best-seller de Ziraldo, " Uma professora muito Maluquinha" não é, pelo menos no conteúdo, um filme infantil, como aparenta ser.
A história gira em torno de Catarina Roque, Cate para os mais próximos. Ela é professora e mora em uma cidade do interior de Minas. O filme começa com Luizinho, menino da roça, que se encaminha para o seu primeiro dia de aula. Ele logo cria inimizades com garotos da cidade, que zoam dele pelo fato dele ser morador do interior. Ao chegar na sala de aula, Luizinho e todos as crianças ficam admiradas com a beleza e simpatia da Professora Cate. Ela logo ganha a confiança e apreço de todas as crianças, e também, inimizade com outras professoras da escola, que possuem método tradicional e careta de dar aulas. Cate propõe brincadeiras, cantorias, tudo de uma forma divertida, para que as crianças aprendam brincando. Ao mesmo tempo, os homens da cidade se apaixonam por ela, e o mundo vive o temor da segunda guerra mundial.
Essa é uma adaptação extremamente feliz da obra de Ziraldo. O elenco é numeroso, e composto por atores de tv e teatro: Paola Oliveira, Chico Anysio, Rodrigo Pandolfo, Suely Franco, Elisa Pinheiro, Claudia Ventura, Cadu Fávero, Max Fercondini, etc. Tecnicamente é ótimo: fotografia, som, trilha sonora deslumbrante de Ronald Vale.
O filme guarda muito parentesco com o filme francês " O pequeno Nicolau". Além de ser baseado em obra já publicada ( no caso, Goscinny e Sempé), o filme atinge mais os adultos nostálgicos do que o público infantil. Atrás de toda alegria e romantismo existente no filme, guarda uma melancolia tênue que deixa os corações da gente apertado. O filme é uma elegia a um mundo que infelizmente não existe mais. O da imaginação, da felicidade, do romantismo puro.

Nota: 9

domingo, 27 de março de 2011

Confessions


" Kokuhaku", de Tetsuya Nakashima (2010)

A Professora Morigushi se prepara para mais uma aula para a sua turma. Porém, essa aulaé especial. Ela resolve comentar sobre um fato ocorrido: a sua filha foi encontrada morta em uma piscina, afogada. Morigushi investuga e descobre que a morte dela não foi acidental, e que sim, dois de seus alunos que estão presentes na sala são os responsáveis por sua morte.
A partir dessa confissão, a professora prepara a sua vingança, que culminará em mudanças radicais de todos os envolvidos, terminando em eminente tragédia para todos.
Fascinante e perturbador filme japonês, indicado pelo Japão para concorrer ao Oscar de Filme estrangeiro em 2011. O filme no entanto é ousado, e seria muito difícil ter sido selecionado pela Academia.
O roteiro acompanha a vida de vários personagens: A professora, os 2 alunos acusados do crime, uma aluna que se interessa por um dos acusados, e as respectivas mães dos acusados. Cada um deles tem o seu momento de confissão no desenrolar do filme. As reviravoltas são uma constante, revelando detalhes que antes passaram despercebidos.
O visual do filme é um caso a parte: belíssimamente fotografado, o diretor abusa de câmera lenta, trilha sonora melancólica, enquadramentos estranhos, e muito efeito especial, porém sem interferir negativamente no filme. O filme tem um constante clima de pesadelo sem fim. A gente nunca sabe o que acontecerá a seguir. O espectador fica em suspense, querendo absorver mais detalhes. O constante vai e vem na narrativa pode ser um recurso já batido, mas funciona bem.
A atuação do elenco é impressionante. Os garotos são fantásticos, e é incrível como conseguem traduzir tão bem a infelicidade e o escárnio perante a vida dos outros. Takaku Matsuo, no papel da professora, tem uma performance sensacional, mantendo sempre a elegância e postura que a profissão de professora exige, mesmo em momento tão difícil, como o de revelar a identidade dos criminosos.
Para o espectador não familiarizado com as performances dos atores japoneses, podem estranhar a constante gritaria, mas isso é um fato cultural. Os japoneses são assim, extravazam suas emoções através do grito.
Com um tema tão forte como a vingança, o filme poderia facilmente ser confundido com uma produção de Park Chow Woo, cineasta sul-coreano que dirigiu a trilogia da vingança. capitaneado por " Oldboy". Até mesmo o uso da violência gráfica, mostrada em excessos. Lembra bastante. Sinal de que o cinema asiático tem muito a oferecer a cinematografia mundial.

Nota: 9

Feliz que minha mãe esteja viva


" Je suis heureux que ma mére soit vivante", de Claude e Nathan Miller (2009)

Drama familiar dirigido por Claude Miller ( " Um segredo em família" ) e seu filho Nathan.
Narra a história de Julie, uma jovem mãe solteira, que não consegue administrar sua vida pessoal coma profissional. Ela acaba abandonando os 2 filhos pequenos, Thomas e Patrick, a ums instituição de adoção. Lá, os dois são adotados por um casal. os anos se passam, e Thomas mostra-se um garoto rebelde e inconformado com a sua situação de adotivo. Rechaçado pelos colegas de turma, ele carrega esse trauma na vida, diferente de Patrick, que aceita os novos pais. Thomas resolve então sair em busca de sua mãe biológica. Após peregrinação na assitência social, ele acaba obtendo o endereço de Julie. Nesse reencontro amargo, contas devem ser pagas, terminando em um desfecho trágico.
O filme se baseia em uma história policial ocorrida na França. A narrativa se divide em 3 tempos distintos. Mostra Julie antes do abandono dos filhos e a adoção do casal. Depois, mostra Thomas aos 12 anos e depois aos 20 anos. Os 3 atores que interpretam Thomas são excelentes, com destaque óbvio para Vincent Rottiers, que o interpreta aos 20 anos. O elenco adulto também funciona a contento. Porém, a escolha da atriz Sophie Cattani é certeira na 1a fase, mas com o passar dos anos, ela permaneceu com a mesma fisionomia, o que me incomodou bastante. Quando colocada lado a lado com Vincent, parecem irmãos. deveriam ter trocado a atriz. O roteiro é lidado de forma fria por Claude Miller, talvez para demonstrar o desamor dos personagens. Porém, a antipatia do protagonista o impede de ter qualquer tipo de empatia por parte do espectador. Vincente Rottiers faz milagres para administrar o seu complexo personagem, e o desfecho é brutal. A estrutura da história apresentada se assemelha a um melodrama, mas a mão certeira de Miller trata com realismo esse filme que provoca apatia pela sua frieza.
Infelizmente não me emocionei com o filme, e pior, a última parte do filme me causou certo distanciamento. O desenrolar da trajetória de Thomas, mesmo baseada em fatos reais, foi cruel.
Melhor ficar com " O filho", dos irmãos Dardenne, um brilhante filme que trata do mesmo tema d da rejeição e do perdão.

Nota: 6



Sucker Punch, Mundo Surreal


" Sucker Punch", de Zack Snyder (2011)

Zack Snyder possui uma linguagem estética visual facilmente identificável pelo espectador que tem acompanhado seus filmes. Muita cãmera lenta, closes, enquadramentos espertos, fotografia em tons escuros e com aparência de "lavada/bleach".
" Sucker Punch" não é diferente. Baby doll, nome que a personagem recebe ao chegar a uma instituição psiquiátrica, é uma jovem internada à força por seu padrastro. Ele a incriminou de um assassinato, a morte da irmã dela, um crime que ele mesmo cometeu. Uma vez lá dentro, Baby doll conhece outras garotas. Uma terapeuta polonesa (Carla Gugino) está fazendo experimentos com as meninas. Enquanto ouvem música, elas se abstraem do mundo real e criam um mundo paralelo, habitado por montros, nazistas, robôs. Baby Doll se aproveita desse mundo paralelo para tecer um plano de fuga. Mas para isso ela precisa lidar com Blue, um funcionário da instituição corrupto, que convoca um doutor para aplicar a lobotomia em Baby Doll. Ela precisa lutar contra o tempo.
Muito de " Watchmen" e " 300" está presente no filme. O prólogo, onde Snyder conta brevemente a história de Baby Doll antes da instituição, é uma linguagem semelhante ao prólogo de " Watchmen". O roteiro, escrito pelo próprio Snyder, é ousado, mas também confuso e mal delineado. Ele não amarra direito as diversas pontas que ele apresenta na história. E mais, o tal mundo imaginado, não oferece perigo real para as meninas. Os vilões são facilmente derrotados, e são todos caricaturas: nazistas, robôs, dragões, samurais. Baby Doll e as outras meninas também não deixam de ser caricaturas de meninas super-poderosas. Um pouco de " A noiva", de Kill Bill, mais " As panteras", mais as personagens de " Sin City". O que Snyder oferece é uma salada de referências de vários universos, inclusive o de mangás. Mas tudo isso embalado numa narrativa fria, completamnete sem emoção. Nenhum momento empolga. Apesar dos ótimos efeitos visuais e da tentativa de se impôr uma dinâmica através da edição frenética e da trilha sonora pop, a cargo de músicas de Bjork e outros, é tudo muito enfadonho. No elenco, Emily Browning, que interpreta Baby Doll, Jena Malone, Carla Gugino e Vanessa Hudgens ( de High School) tentam dar alma aos personagens. Uma pena, pois a premissa é muito interessante. Lembra bastante " O labirinto do fauno" e " A ilha do medo". Mas sem chegar perto da excelência dessas duas produções.


Nota: 6


sábado, 26 de março de 2011

Another Year


" Another year", de Mike Leigh (2010)

Como lidar com a felicidade dos outros?

Essa é a premissa que o cineasta britânico Mike Leigh propõe para os espectadores. Com uma temática semelhante ao seu filme anterior, " Simplesmente feliz", em " Another year" Leigh exibe a felicidade que existe na relação de um casal, que passa ano, entra ano, continuam se amando incondicionalmente, e observando tudo o que passa ao seu redor de forma otimista e objetiva, sem crises, sempre tentando entender que a vida é plena e que devemos aproveitá-la de uma forma sábia e inteligente. Já entrando na terceira idade, o casal compreeende que a missão deles está cumprida.
A personagem de Gerri (Ruth Sheen) é uma psicóloga, e trabalha em um centro assistencial. Seu marido, Tom (Jim Broadbent) é um engenheiro geólogo. Os dois possuem um filho, Joe, a a relação dos três é a melhor possível. Um exemplo de família centrada e feliz.
Porém, a felicidade parece apenas existir nesse núcleo. Todas as pessoas que os rodeiam, vivem uma vida de infelicidade e desamparo. Mary (Lesley Manville) é uma secretária que trabalha com Gerri, e são amigas a mais de 20 anos. Porém, Mary não aceita o avanço da idade, e nutre uma paixão platônica por Joe. Alcóolatra, ela convive com o casal, até que a chegada de uma nova namorada de Joe a deixa atordoada e provoca um rompimento na relação dos amigos.
O filme se passa no período de 1 ano. Dividido em 4 blocos narrados através da passagem das estações do ano. O filme foi filmado durante esse período e levou 1 ano para ser finalizado. OS atores, como de costume nos filmes de Mike Leigh, se reuniram por 5 meses, para juntos, construírem o roteiro. Leigh é famoso pelo despojamento que constrói seu roteiro, sempre em colaboração com os atores.
É um filme muito melancólico, e os personagens são construídos de forma muito realista. Difícil não nos identificarmos com algum dos personagens. A atuação do elenco, em particular, a difícil e complexa performance de Lesley Manville, são um ponto positivo. Lesley compõe Mary de forma brilhante, sem cair na caricatura da mulher infeliz com a idade chegando, e alcoólatra.
Exibido no Festival de Cannes em 2010, o filme não levou nenhum prêmio. Não acho o melhor filme de Leigh, como os anúncios têm sugerido. Porém, Leigh continua um mestre na arte de narrar seus filmes, com diálogos bem construídos que provocam empatia com o espectador.
Um pouco longo (129 min) e talvez verborrágico demais, mas ainda assim, um filme impecável, uma quase fábula sobre relacionamentos e amizades feitas e desfeitas com o passar do tempo.

Nota: 8

A garota da capa vermelha


" Red hiding hood", de Catherine Hardewick (2011)

Livremente adaptado no conto " Chapeuzinho Vermelho", de Charles Perrault, " A garota da capa vermelha" é uma tentativa de se fazer filmes para adolescentes com toques de ação, erotismo, romance e suspense baseados em clássicos de histórias infantis.
Em um vilarejo medieval, animais são sacrificados a cada luz cheia para um lobo que ronda a região. No vilarejo, mora Valerie (Amanda Seyfried) , uma adolescente que é desejada por dois homens, Peter e Henry. Peter é órfão, e desde criança é amigo de Valerie, e ambos nutrem uma paixão não desenvolvida. A tempos planejam uma fuga do local. Porém, os pais de Valerie arranjam para ela um casamento por interesse, com o rico Henry. Ao mesmo tempo, a irmã mais velha de Valerie é morta pelo lobo, que pela primeira vez ataca um ser humano. Revoltados, a população manda chamar ao local o caçador de lobisomens, Padre Solomon (Gary Oldman), que usa de métodos obscuros para obter o que quer. O Lobisomem surge para Valerie, e ela conversa com ele, para sua surpresa. Logo, os moradores acusam Valerie de ser uma bruxa, e a condenam para ser sacrificada ao lobo.
A diretora Catherine Hardewick, que realizou " Crepúsculo", procura aqui repetir a mesma fórmula que consagrou o seu blockbuster anterior. Usa os mesmos recursos: o triângulo amoroso, jovens sedutores e belos, clima etéreo e mágico, olhares furtivos e apaixonantes, trilha sonora moderna e a base de rock, e uma protagonista dividida entre o amor de dois homens. O elenco de apoio, excelente, é mal aproveitado: Julie Christie está irreconhecível como a avó: aparenta estar pouco a vontade nesse universo fabulesco, e parece que fez plástica, de tão esticado que está o seu rosto. Virginia Madsen, de " Sideways", também está apática. Uma pena, pois ela é uma atriz de ótimos recursos, e inclusive já trabalhou no terror cult " Candyman". Lukas Haas, eternamente lembrado como o garoto de " A testemunha", tem um personagem que é pouco desenvolvido. Gary Oldman infelizmente, retorna aqui às suas performances caricatas. Sempre que ele intepreta um tipo vilanesco, ele exagera na composição, tendendo ao overacting.
Algumas cenas são bem risíveis: por ex, quando Valerie descobre que pode falar com o Lobo. As atuações dos dois galãs são muito fracas. De interessante apenas, a tentativa de modernizar o conto e a bela fotografia. Mas para tal, é melhor ficar com o cult de Neil Jordan, " A companhia dos lobos", muito mais ousado e sim, uma perfeita alegoria sobre despertar da sexualidade na adolescência.

Nota: 6

domingo, 20 de março de 2011

O sequestro de um herói


" Rapt", de Lucas Belvaux (2009)

Drama do cineasta francês Lucas Belvaux, que em 2002 trouxe uma trilogia interessantíssima,
" Um casal admirável", " A fuga" e " Acordo quebrado", com o mesmo elenco e gêneros distintos. Belvaux tem interesses em trazer novidades a gêneros que ele acha desgastado. Talvez isso explique a realização de " O sequestro de um herói", drama que narra o sequestro de um poderoso empresário. Com uma temáctia mais do que comum a centenas de filmes americanos, Belvaux procura ir na contra-mão da ação e do suspense: ele busca o calvário desse homem, e não o desenrolar das ações policiais.
Stanislas Graff ( Yvan Atall, marido de Charlotte Gainsburg), presidente da maior empresa da França e amigo do Presidente Francês. Prestes a viajar para a China na comitiva do Presidente, Stanislas tem uma vida de rotina. Em 5 minutos de filmes, sabemos quem é o personagem: através de um clip, vemos várias reunioes com homens poderosos, o fascínio de seus empregados, sua relação com a amante, a esposa traída, as duas filhas carinhosas, e a presença onipresente de sua mãe controladora. Um dia, saindo de casa, Stan é sequestrado de forma violenta. Levado até um cativeiro, ele é obrigado a escrever uma carta exigindo 50 milhoes de euros em recompensa, e tem um dedo decepado. A partir desse momento, e da exposição na mídia sobre o seu sequestro, descobrimos quem é o verdadeiro Stan: jogador, amante de várias mulheres, playboy, e que teve parte de sua fortuna perdida em cassinos no mundo inteiro. Sujeito arrogante, ele logo é execrado pela mídia e sua vida então passa por um inferno: perde a presidência da empresa, sua família descobre as suas tarições, e perde a confiança de todos. Apesar disso, sua esposa e a polícia tentam negociar o seu resgate.
O filme é longo (125 minutos), que se arrastam em uma narrativa lenta. Apesar de uma ou outra cena de ação, o filme se concentra no lado dramático da situação, e na devastação física e moral que provoca em todos os envolvidos. O roteiro é interessante, apesar de em determinados momentos quase virar uma lavação de roupa suja em âmbito familiar. A força do filme está em seu elenco, capitaneado por Yvan Atall, que se entrega ao seu complexo personagem. O elenco de apoio tambèm é excelente.
A narrativa é seca e bruta, quase em estilo documental
No mais, o filme deixa em aberto para interpretação do público, o seu desfecho enigmático e abrupto.
Um remake americano está a caminho, a cargo da cineasta dinamarquesa Susanne Bier.

Nota: 7


Invasão do Mundo: a batalha de Los Angeles


" The battle of L.A", de Jonathan Liebesman (2011)

Pipocão sem cérebro, perfeito para um final de tarde em um Cinemark desses da vida.
O filme começa em Los Angeles, na véspera de um ataque alienígena. O sargento Natz (Aaron Eckheart) foi destituído de seu cargo, e deve obedecer ao Tenente Martinez, que não tem experiência em campo, apesar de ser muito eficaz em comandos estratégicos. Natz lutou com um pelotão na Guerra do Iraque, mas perdeu vários de seus homens, o que o deixa abatido e mal visto pelos outros soldados.
Cada soldado e cabo tem a sua própria história de vida, narrada em clips. Até que o dia seguinte chega, e misteriosamente, meteoros caem do céu. Descobre-se mais tarde que esses metoros são na verdade naves espaciais que começam a atacar o mundo inteiro. Os alienígenas pretendem tomar a água terrestre, Os marines resolvem entaõ tomar de assalto essa invasão. Mas antes, devem resgatar civis que estão escondidos em uma delegacia. A missão é aplacada pelo alienígenas, e todos devem lutar por suas vidas, uma vez que um ataque de mísseis está previsto para acontecer no local, e o grupo deve sair do local o quanto antes.
Sim, os diálogos são toscos, muitas frases de efeito, muito ufanismo americano, muita propaganda dos Marines americanos, muito suor, sangue e efeitos. Mas se a gente abstrair qualquer coisa que remete a raciocínio, pode se divertir nesse arremedo de video-game proposto pelo cineasta Jonathan Liebesman ( mesmo de " Massacre da serra elétrica, o início"). Liebesman entende de ação e ritmo, ele cria ótimas cenas de tensão. Muitos furos na narrativa (como assim, a internet e transmissão de tv funcionam as mil maravilhas no meio dessa confusão toda???) mas deixando qualquer comentário críticio de lado, me diverti bastante. A sala que assisti ( Cinépolis Lagoon) tem um som e projeção perfeitos, excelentes para esse tipo de filme. O negócio é relaxar e se deixar levar pelos tiroteios, explosões, efeitos....
O filme procura fazer referências a vários outros: "Alien", " Nascidos para matar", " Distrito 9", " Falcão negro em apuros". Tecnicamente é impecável, a Cãmera, trêmula o tempo todo, muito boa. Os atores fazem o que podem, e o roteiro ainda propõe doses de melodrama ao longo da história.
Ah, vale ressaltar também a verdadeira catarse no cinema, quando surge a atriz Michelle Rodriguez no papel da Tenente Santos, a única mulher do grupo. Ela virou especialista nesse papel da mulher machona, guerreira. E que venham mais filmes com esse personagem. hehee
Clássico do sessão da tarde em breve nas tvs.




Nota: 7

domingo, 13 de março de 2011

Sexo sem compromissos


" No strings attached", de Ivan Reitman (2011)

Comédia romântica que narra a história de uma amizade de mais de 15 anos, entre duas pessoas solitárias: Emma (Natalie Portman) e Adam (Ashton Kutcher). Entre vais e vens nesse período, onde eles sempre se desencontram, existe um algo mais que eles não querem assumir. Emma torna-se médica, e Adam, um assistente de produção em um seriado de tv. Adam quer ser roteirista, e seu pai, um famoso apresentador de tv (Kevin Kline) tenta manter a eterna juventude. Ele e o pai mantém uma relação de atritos. Emma e Adam tornam-se " fuck buddies", a famosa amizade colorida, por imposição dela, que não quer compromissos sérios. Adam, por sua vez, tenta fazer com que a relação se torne séria, mas encontra resistencia dela. Até que a relação chega a um ponto onde a única solução é a ruptura.
Comédia romãntica com Ashton Kutcher, é sinônimo de previsibilidade, ainda mais tendo Natalie Portman como parceira em cena. Algum espectador acha que a história não terá final feliz? Pois bem, esse filme foi feito para os casais que ainda estão em dúvida quanto as suas relações, e ele faz acreditar que o amor é lindo, sim, e vale a pena. Algumas piadas fofas, diálogos cheios de chavões mas que funcionam, por conta da ótima química do casal principal, e por possuir um excelente elenco de apoio: kevin Kline, mestre em comédias e Greta Gerwig ( de " Greenberg") são os destaques.
Não é nenhum " O diabo veste Prada", mas é um passatempo correto, que vale uma tarde num cinema em um fim de semana. Curioso ver Natalie Portman, após sua glória em " Cisne Negro", protagonizar uma comédia tão clichê. Cuiroso também comparar essa comédia com " Amor e outras drogas", que apostou em ser uma comédia romântica para adultos (como esse aqui, que tem várias cenas com semi-nudez de Ashton Kutcher), mas exagerou na dose do drama. Ficou chato.

Nota: 7

Eu sou o número quatro


" I´m number four", de D.J.Caruso (2011)

Atenção: esse filme desde já, será um clássico do Sessão da tarde.
John é um pós-adolescente, que vive com Henri, que ele apresenta como seu pai. Eles vivem mudando de cidade em cidade, fugindo de algo. Descobrimos depois que na verdade, ambos são fugitivos de um planeta, e se refugiaram na Terra. Henri é seu protetor. Um grupo de caçadores de um planeta rival caçam John e mais 8 outros fugitivos. Ao total, são 9, cada um sendo chamado por um número. John é o número quatro. Os outros três anteriores foram mortos pelos caçadores, e John será o próximo da lista. Ambos se refugiam em uma cidade pequena, chamada Paradise. Entediado da fuga, John resolve se matricular em uma faculdade local. Ele de cara se apaixona por Sarah (Dianna Agron, a Quinn de " Glee). Mas sofre também com a agressão de um grupo de outros estudantes. Paralelo a sua tumultuada vida estudantil, os caçadores descobrem o paradeiro de John, e vão ao seu encalço.
O grande barato desse filme é que ele quer ser uma diversão para adolescentes e para a família. As cenas de violência são sublimadas, e podem ser vistas por crianças de qualquer idade. É uma misto de " Homem -aranha" , " Crepúsculo", " Man in black" e tantos outros filmes que tem como tema a vida estudantil e ataque de extraterrestres. É uma grande diversão, que além da ação, previlegia também o drama e o romance. Os efeitos são meio "B", e quando Sarah (Dianna Agron) entra em cena, fica para os fãs, impossivel de dissociá-la do " Glee". Mas ela é carismática, e funciona bem, apesar de sua personagem ser mal delineada. Alguns personagens de apoio são ótimos, como a Número 6, e o amigo Sam. O protagonista Alex Pettyfer está ok, e promete ser uma das novas sensações americanas. Curioso é que a caracterização dos caçadores, com suas tatuagens, lembra bastante a caracterização do próprio Alex no seu novo filme, " Fera".
Preparem-se para uma nova franquia. O filme promete várias continuações. Afinal, são 9 os refugiados, né? hehee


Nota: 7

Em um mundo melhor


" Haevnen/ In a better world", de Susanne Bier (2011)

Poderoso drama dirigido por Susanne Bier, diretora dinamarquesa, que iniciou seus filmes no movimento Dogma, com o filme " Corações livres". Ela ficou famosa depois com os premiados " Brothers", " Depois do casamento, e o americano " Coisas que perdemos pelo caminho", com Hale Berry e Benicio del Toro.
" Em um mundo melhor" narra várias histórias que se entrecruzam, baseada em personagens que transitam entre duas famílias distintas. Anton é um médico que serve em um campo de refugiados na África. Ele mora na Dinamarca, mas vive viajando e se divide entre os dois países. Seu filho Elias, adolescente, sofre de Bulliyng na escola. Um dia, surge um novo aluno, Christian, que defende Elias, e os dois passam a ser os melhores amigos. A mãe de Elias é médica, e está sofrendo um processo doloroso de separação com Anton, contra a vontade dele. Ao mesmo tempo, Christian sofre com a morte de sua mãe, por câncer, e culpa o seu pai, Claus pela morte dela. Christian tem transtornos de personalidade, e usa da violência para se vingar de quem abusa dele ou de pessoas próximas a ele.
O filme discute a violência, seja ela externada ou presente internamente em cada um de nós. Os personagens do filme tem o instinto animalesco prestes a eclodir a qualquer momento. Anton, que sofre atos de violência tanto na África quanto em sua casa, procura usar da palavra para se defender do inimigo. Mas o que ele encontra é mais rancor e ódio. Susanne Bier se utiliza de elementos do melodrama para configurar o seu filme. Tem momentos extremamente sensíveis, mas que em mãos de diretor menos habilidoso, esbarrariam feio no dramalhão. Com um excelente elenco em mãos ( incluindo uma atriz que eu amo, presente em vários filmes dinamarqueses, Tryna Dyrholm) e dois garotos espetaculares, que são extremamente expressivos, Bier tem um petardo que seduz os espectadores ávidos por um filme forte e marcante. Muitas cenas fortes, que podem emocionar as pessoas mais sensíveis, fazem desse filme um programa obrigatório. Há quem discuta o tom otimista que prevalece no fim, dando soluções para todos os dramas que surgem ao longo da narrativa. Mas esa é a mensagem que Bier quiz dizer aos seus espectadores. Contar uma fábula , e assim, porque nao mudar o final que nós já sabemos como termina?

Nota: 9

sábado, 12 de março de 2011

Mistério na Rua 7


" Vanishing on the 7th street", de Ben Anderson (2011)

Suspense que narra a história de um acontecimento que acontece na cidade de Detroit, inexplicavelmente. Numa noite, as luzes da cidade se apagam. Tudo fica escuro. Os dias seguintes vão ficando com menos horas de luz do dia, até ficar completamente escuro.
As pessoas desaparecem, e em seu lugar, só ficam as roupas. Porém, 4 sobreviventes resistem às investidas de criaturas noturnas, espectros semelhantes aos espíritos de " Ghost".
São eles: um repórter (Heydan Christansen), uma enfermeira que luta desesperadamente em procurar o seu bebê (Thandy Newton) , um projecionista de cinema (John Leguizamo) e um menino , filho de uma dona de um bar que foi buscar ajuda na igreja e sumiu. Todos os 4 se encontram nesse bar, que tem luz gerada por um motor nutrido por combustível. Juntos, eles tentam sobreviver ao ataque das criaturas, e procuram manter a luz acesa o máximo de tempo posssível, enquanto tentam descobrir o que está acontecendo.
Esse filme parece um episódio do seriado " Além da imaginação". As questões são jogadas para o espectador, mas o filme acaba, e a gente fica sem saber de fato o que aconteceu. Quem são aqueles espectros? Porquê aquele final bíblico, á la Adão e Eva? O que acontece quando as pessoas se transformam em espectros? Tudo bem, entendo que os 4 sobreviveram porque de certa forma, eles estavam protegidos por alguma fonte de luz. Mas numa cidade com milhões de pessoas, só eles tinham alguma luz acesa? estranho, né???
A fotografia é correta, e favorece o clima de mistério do filme. Muita escuridão. A trilha sonora irrita, porquê é over e previsível, cheia de sons estridentes.
O elenco tenta dar veracidade à trama...mas não estão em seus melhores momentos. Quase todos estão histéricos e caricatos. Os efeitos são ruins: a cena do avião caindo é péssima, mal feita. Os espectros não metem medo, porquê a concepção deles é muito tosca. Igual aos espectros de " Ghost".
Uma pena, porquê o filme até tem um clima de mistério de tensão interessantes, mas o roteiro não ajuda. Mais incrível ainda, é que no currículo do cineasta Ben Anderson, tem o maravilhoso filme " O operário", com Christian Bale, esse sim, um filme que lida bem com o delírio e o surrealismo.



Nota: 7

quinta-feira, 10 de março de 2011

Rango


" Rango", de Gore Verbisnky (2011)

Deliciosa e divertida animação da Nickelodeon e Paramount Pictures, uma verdadeira festa para cinéfilos mais atentos.
O filme narra a história de um lagarto, que viaja em um carro, dentro de um aquário. Seus donos se mudam para Las Vegas. Porém, durante a viagem na estrada, ao lado do deserto de Mojave, o aquário se solta do porta-malas e cai na estrada, sem que os donos percebam. O Lagarto fica sozinho, e atravessa o deserto, sedento. Até encontrar Bean, uma jovem lagarta que vai em direção a uma cidade isolada, chamada Dirt. Lagarto a acompanha, e descobre que a cidade é uma espécie de cidade típica de faroeste, sem lei. Toda a população está sedenta, e a água é considerada moeda, inclusice sendo guardada dentro do banco. Acidentalmente, lagarto é confundido com um herói, e assume a identidade de Rango. Logo se transforma no xerife local. Porém, a água do banco é roubada, e Rango precisa descobrir o que está acontecendo com o sumiço dela.
O filme possui um roteiro inteligente que brinca com várias referências cinematográficas: além das óbvias citações a todos os faroestes de Sergio Leone ( Era uma vez no Oeste, Por uns dólares a mais, etc), ele ainda cita " Apocalipse now" e "Star Wars" na fantástica cena de ataque aéreo; " "Chinatown", ao tratar do assunto da falta de água e ao representar o vilão como um espectro de John Houston; " Banzé no Oeste", na brincadeira de colocar um forasteiro como xerife local; " Matar ou morrer", no signo do relógio que bate ao meio-dia; e muitos outros. A trilha sonora é toda referencial a Ennio Morricone e seus clássicos feitos para os filmes de Sergio Leone. A fotografia ganhou consultoria de Roger Deakins, mestre que tem realizado todos os últimos filmes dos irmãos Cohen.
O filme não deverá agradar as crianças, uma vez que os diálogos são rebuscados e as citações complexas demais. Inclusive existe uma cena, antológica, onde o Lagarto contempla um diálogo absurdo com o Fantasma do Oeste, uma brincadeira com Clint Eastwood e suas estatuetas ganhas no Oscar. Não sei porquê não chamaram o próprio Clint para dublar as falas do personagem, teria sido maravilhoso. Aliás, as dublagens sçao um caso a parte. Johhny Depp é fabuloso até mesmo em voz. As variações que ele impõe ao personagem Rango são incríveis, eu enxergava o próprio Depp no desenho. Um erro os distribuidores no Brasil terem apostado na versão dublada do desenho. São poucas as cópias legendadas, o que considero um crime. Deixar de ver o filme, sem a voz original de Depp, é um absurdo.
Uma maravilhosa surpresa esse desenho, de alta qualidade técnica, e que espero, tenha um sucesso comercial e crítico merecido.
Incrível a trajetória do Cineasta Gore Verbisnky. Após o sucesso da refilmagem de terror " O Chamado", e da franquia " Piratas do Caribe", ele ataca com muito sucesso na área da animação.
Obs: Um show a parte é o grupo de mariachis corujas...deliciosamente divertido e irônicos, narrando como um coro grego passagens do filme.

Nota: 9

El Bola


" El Bola/Pellet" , de Achero Manãs (2000)

Comovente e sensível drama sobre violência doméstica.
Pablo, conhecido pelos colegas de turma pelo apelido de " el Bola", tem 12 anos. Ele mora em um bairro de classe média baixa de Madri. Em sua escola, ele não tem amigos. em casa, vive sofrendo maus tratos por parte de seu pai, um tipo bruto.
Um dia, aparece um novo aluno, Alfredo. Pablo e Alfredo se tornam amigos. O pai de Alfredo é tatuador e tem um loja de tattoo. Porém, o pai de Pablo não vê com bons olhos esse nova amizade, e proíbe Pablo de visitar Alfredo e família.
Filme espanhol vencedor de 4 prêmios Goya em 2000, incluindo melhor filme e diretor, " El Bola" é um filme brutal, que narra uma bela amizade sendo destruída pelo rancor do pai do menino. As cenas de violência são fortes. O elenco é sensacional, com destaque absoluto para a performance do menino Juan José Ballesta, que interpreta El Bola. Aliás, a semelhança entre esse filme e " Os incompreendidos", de Truffaut, é tremenda. Inclusive a semelhança física entre Juan José e Jean Pierre Leaud, que interpretou o personagem Antonie Doinel, no filme.
É um filme sério, que tem uma mensagem muito boa, sobre violência doméstica, e que deveria ser assistida por pais e em escolas, como fonte de denúncia.

Nota: 8

terça-feira, 8 de março de 2011

Vida Cigana


" Dom za Vesanje/Time of the gypsies", de Emir Kusturika (1988)

Drama Iuguslavo, participou do Festival de Cannes em 88, de onde saiu com o prêmio de melhor direção.
O filme narra o drama de Perhan, um garoto de 13 anos, que mora em uma vila na Iuguslávia. Ele divide a casa com a sua avó, o seu tio e sua irmã pequena. A Avó sobrevive fazendo trabalhos como curandeira, cuidando de doentes. O tio é um vaggabundo, que passa os dias bebendo e na jogatina. A irmã tem problemas na perna, e sente dores. Perhan possui poderes telecinéticos, e conforme a avó mesma diz, não servem para nada. perhan é apaixonado por uma jovem da vila, Azran, e quer casar com ela. Mas a mãe dela só permitirá o casamento quando Perhan estiver rico. Um dia, Ahmed, um gangster, chega na cidade. Ele promete levar A irmã de Perhan para a Itália e curá-la. Perhan vai junto, e promete a Azran que irá voltar para casar com ela. Porém, o que Perhan nao imaginava é que Ahmed fosse usá-lo como isca para negócios escusos. Ele monta um bando de crianças carentes e faz delas pequenos marginais.
Kusturika faz aqui uma de suas maiores obras-primas. O filme é um épico, e como sempre, ele faz uso de realismo fantástico em tom de fábula farsesca. O elenco é sensacional, as fisionomias são tão cativantes e realistas, parece que você está acompanando a história ao vivo, na locação.
O roteiro é de uma criatividade impressionante. A gente nunca sabe aonde a história vai se caminhando, nada é previsível. A trilha sonora se utiliza de música local, regada a muito acordeão, típica dos filmes de Kusturika.
O filme posssui muitas cenas antológicas: o ritual a beira do rio; a cena da aparição da mãe na viagem do carro, vestida de noiva; o desfecho, sensacional, no trilho do trem.
É incrível como eu nunca havia assistido esse filme até hoje. Ele é de uma sensibilidade ímpar, uma pequena obra-prima, que emociona e encanta com a sua inteligência e sutileza. Alguns efeitos podem ter ficado datados, mas nada que tire a força da história. A versão original do filme tem 270 minutos, eu vi a versão de 136 minutos, distribuída internacionalmente.

Nota: 9

Gnomeo e Julieta


" Gnomeo and Juliet", de Kelly Asbury (2011)

Animação inspirada livremente em " Romeu e Julieta", de Shakespeare".

Gnomeo e Julieta pertencem a famílias rivais. Ambos moram no jardim de casas vizinhas: Os Montequeo e Os Capuleto. Os vizinhos por si só vivem às turras. Julieta pertence aos vermelhos, e Gnomeo, aos Azuis. Um detalhe: eles são cerâmicas de jardins. Gnomeo é um gnomo, e Julieta uma pastorinha. Quando por uma questão do destino ambos se encaram, a paixão acontece. Daí em diante, eles precisam lutar pelo amor, antes que suas famílias acabem com os dois.
O que esse desenho tem de melhor é a sua trilha sonora, toda inspirada em canções de Elton John (aliás, um dos produtores do filme) e a dublagem, composta por atores renomadíssimos ingleses: James Macvoy empresta sua voz para Gnomeo; Emily Blunt para Julieta; Michael Caine faz o pai de Julieta; Maggie Smith, a mãe de Gnomeo; Jason Statham faz Teobaldo, o vilão dos Vermelhos; e Patrick Stewart dá voz a estátua de Willian Shakespeare.
Por ser um filme infantil, a diretora e roteirista Kelly Asbury preferiu não chocar as crianças e investiu em um happy end. Assim, a saga finalmente ganha uma versão onde todos saem felizes.
Os números musicais são muito semelhantes a " Shreck", mas o filme não tem o humor ácido e ferino do ogro. É um filme simpático, bacana, e só. Não traz nenhuma inovação, a não ser a bizarrice de ter como personagens porcelanas de jardim. A sonoplastia é muito interessante, porquê reproduz o barulho das cerâmicas em movimento. Algumas cenas são divertidas, mas a falta de gags talvez aborreça os pequenos.
Um passatempo para uma tarde de domingo.

Nota: 7

Os infelizes


" De helaasheid der dingen/ The misfortunates" , de Felix Van Groeningen (2009)

Drama com tintas de comédia melancólica, participou do Festival de Cannes em 2009, na Quinzena dos Realizadores.
O filme narra a história de Gunther, menino de 13 anos, que mora em uma cidade ma Bélgica. De família pobre, ele mora com seu pai e 3 tios, além da avó. Tanto o pai quanto os 3 tios são alcóolatras, e passam seus dias bebendo em casa, nos bares, arranjando confusão e pegando mulheres. Inclusive levam as mulheres em casa, transando em tudo quanto é lugar, para desespero da mãe deles, que nada pode fazer para impedir. Gunther observa o cotidiano sem perspectiva alguma de melhora de sua família, e procura refletir se o seu futuro será o mesmo para ele. Seu sonho é se tornar um roteirista, e poder ser alguém na vida. O filme trabalha com 2 narrativas: o presente, que mostra Gunther já adulto, e desesperado, ao achar que a sua vida é tão ruim quanto a de seu pai e tios. Ele tenta ser roteirista, mas os roteiros são rejeitados pelas editoras. Está enamorado de uma garota, que engravida. Ele sente repulsa pelo filho que vai nascer, porquê repete exatamente a sua vida, já que ele também foi gerado por acidente.
O filme é vendido como comédia, mas ele está aquém disso. Pode ser comédia, mas é muito acre-doce. É um drama triste, disfarçado de fanfarronice. Os personagens são trágicos, dignos de piedade, porém bem realistas. Os atores são ótimos, e evitam o estereótipo do bêbado, apesar da caracterização dos tipos beirar a caricatura. A atriz que interpreta a avó de Gunther é excelente, assim como o garoto que interpreta Gunther.
O filme tem cenas memoráveis ( a corrida de bicicleta com todos os homens nús; a lição que o pai dá ao filho pequeno para aprender a andar de bicicleta...), e a direção privilegia o uso de câmera na mão, fazendo quase que um registro documental da vida dessa família bizarra.

Nota: 7

segunda-feira, 7 de março de 2011

O retrato de Dorian Gray


" The portrait of Dorian Gray", de Oliver Parker (2009)

Suspense baseado na obra homônima de Oscar Wilde.

O filme é ambientado em Londres Vitoriana, Sex XIX. Dorian Gray (Ben Barnes) é um jovem que retorna a sua mansão onde passou a sua infância. Seu pai morreu, e ele toma conta da mansão. A sua beleza e jovialidade impressionam a todos, que ficam embevecidos. Basil (Ben Chaplin) , um pintor renomado, resolve fazer uma pintura retratando Dorian, o que se tornará a sua obra-prima. O Lorde Henry (Collin Firth) , amigo de Basil, encanta Dorian com o seu prazer pela vida mundana. Ele estimula Dorian a frequentar puteiros, bares e a seduzir e amar quantas mulheres possível. E isso somente enquanto durar a beleza e jovialidade de Dorian. Encantado e seduzido pelos ensinamentos de Henry, Dorian se frustra, esperando a velhice eminente. Porém, ao ver o seu auto-retrato pintado por Basil, ele faz um pacto: a pintura envelhecerá, e ele fisicamente permanecerá belo e jovial. Passam-se os anos, e Dorian permanece jovem, e seduzindo a todos. Mas o seu segredo jamais deverá ser descoberto, e Dorian precisa eliminar todos que o descobrem.
Dito assim, parece que a obra de Oscar Wilde é um filme de terror. Mas não é. oscar escreveu essa fábula para fazer uma crítica a sociedade aristocrática. Cutucar o falso moralismo, o puritanismo vigente.
Porém, o diretor Oliver Parker resolveu levar ao pé da letra, e transformou o filme em uma obra de suspense gótica. Apostou em efeitos especiais e clima de tensão para seduzir o espectador. Mas faltou charme e sensibilidade. As cenas beiram o trash e o ridículo. O Desfecho então é risível. Uma pena, pois o elenco tenta conferir credibilidade ao projeto. Colin Firth está correto, como se espera dele. Ben Barnes, que fez o Príncipe Caspian em " Crônicas de Nárnia", ainda é imaturo para um personagem tão complexo, apesar de emprestar beleza que Dorian necessita. Rebecca Hall, interpretando a filha de henry, aparece pouco, e seu personagem é pouco desenvolvido.
Melhor ficar com a versão de 1945, com George Sanders. O filme não tem a sensualidade que a obra exige, nem toca no assunto do homossexualismo ( Basil sentia atração física por Dorian, um ponto positivo que a versão de Oliver Parker respeita), mas pelo menos o transforma em um drama sobre a imortalidade, sem grande arroubos de tecnologia.

Nota: 6

Zé Colméia, o Filme 3D


" Yoggi bear, the movie", de Eric Brevig (2011)

Adaptação com atores do famoso desenho animado de Hannah Barbera dos anos 60, o urso Zé Colméia, que fez a alegria de várias gerações de crianças mundo afora.
Utilizando a mesma técnica de " Scooby doo", " Garfield" , " Os Flintstones", e " Alvim e os esquilos", " Zé colméia, o filme" possui os mesmos defeitos dessa mistura inusitada de computação gráfica e atores.
A história é simples, e vai direta ao assunto: o parque Jellystone está passando por dificuldades financeiras. O prefeito local, que é candidato a Governador, deseja lotear o Parque para poder angariar fundos para a sua campanha. Para isso, ele precisa fazer com que o local seja um fracasso retumbante. O que ele não conta é com a dedicação do Guarda Belo, sempre atento aos cuidados com o Parque. A ele, se juntam Zé Colméia, Catatau e uma documentarista, Rachel (Anna Farris, dos filmes de " Todo o mundo em pânico"). Belo e Rachel se apaixonam, mas ambos não sabem lidar com o amor.
Unindo comédia pastelão a mensagens de ambientalismo e romantismo, o filme agrada em cheio a criançada. Porém, aos eternos fãs do urso, fica uma sensação de frustração terrível. Afinal, o filme deve agradas as crianças ou aos marmanjos que foram fãs a décadas atrás? Partindo dessa premissa, fica difícil ter uma resposta. Os fãs esperavam um roteiro mais esperto e menos simplório. Os produtores resolveram apostar nas crianças e o filme ficou assim, bobo toda vida.
A interpretação dos atores é caricata, uma opção do diretor Eric Brevig ( de " A viagem ao centro da terra 3d). Muitas caras e bocas, que com certeza fará a festa dos petizes. Aos adultos, fica a sensação de tristeza por ter mais um personagem querido relegado a uma homenagem frouxa.
De qualquer forma, essa adaptação é superior aos outros filmes citados acima. É mais cuidadosa, e a fotografia é bonita. Os efeitos são bacanas, e o uso do 3D , apesar de repetitivo, é funcional.
A diferença desse filme é que Zé Colméia fala e é ouvido pelos humanos. O que facilita e muito na compreensão da história.
O filme é válido pelo carinho com que os personagens são tratados pelo projeto, apesar de não satisfazer os eternos fãs.

Nota: 7

domingo, 6 de março de 2011

Ilegal


"Illégal", de Olivier Masset-Depasse (2010)

Drama belga sobre imigração ilegal. Tania é uma russa que mora ilegalmente na Bélgica com o seu pequeno filho Ivan. Ela recebe uma carta intimação, dizendo que deve abandonar o País. Para evitar a deportação, Tania queima suas digitais com ferro, e vive na marginalidade. Passam-se os anos, e no dia da comemoração do aniversário de seu filho, agora com 13 anos, Tania é presa por fiscais da imigração. Ela é enviada até um centro de detenção de imigrantes ilegais. Lá, ela se recusa a dizer o seu nome e descendência, e se torna uma presidiária sem nome. Ela trava amizades com outros presos, e mantém estreita relação de identificação com uma das carcereiras, que encontra nesse emprego a única forma de sobreviver mantendo seus filhos. Tania evita ser deportada para fora do país, e ao mesmo tempo, evita que seu filho vá trabalhar para um mafioso russo local.
Bom drama, com tintas realistas, com muito uso de câmera na mão e fotografia em tons frios. O filme procura fazer um registro do cotidiano de Tania no cárcere e sua relação com outros presos, se tornando em certo ponto um filme de presídio, abusando de certos clichês ( os policiais maniqueistas, malvados).
A performance de Anne Coesens é tocante. Esposa do cineasta, ela defende com garra o seu personagem, variando nas emoções, ora de felicidade, ora de sofrimento extremo. O diretor espertamente evita o melodrama no filme, tratando-o mais como um filme hiper-realista.
Participou do Festival de Cannes, na Mostra quinzena dos realizadores, em 2010.

Nota: 7