sábado, 3 de outubro de 2026

You Will Die at 20

"You Will Die at 20", de Amjad Abu Alala (2019) Candidatura oficial do Sudão para a categoria de 'Melhor Filme Internacional' da 93ª edição do Oscar, em 2021. Existem duas formas de se assistir a esse premiadíssimo drama proveniente do raro cinema do Sudão: uma forte crítica ao fanatismo religioso e da cultura islâmica, que decide a vida das pessoas; ou uma fábula inspirada em "A bela adormecida", onde uma maldição diz que um bebê recém nascido morrerá aos 20 anos de idade. Por conta dessa maldição, os pais de Muzamil, Sulaiman e Sakina, entrem em crie no casamento. Sulaiman, o pai, decide abandonar a família e ir embora, pois não aguente viver sob a profecia da morte de seu filho homem; ja à mãe, Sakina, cade criar o filho sobre uma super proteção, inclusive tirando ele da escola, onde ele estava sofrendo bullying das outras crianças, que o chamam de "filho da morte". Muzamil cresce até os 19 anos sem amigos, sem poder namorar ninguém, sem aproveitar a vida. A cena final de "Você morrerá aos 20" é bastante simbólica. O filme possui uma linda fotografia que valoriza as cores do deserto e do figurino colorido dos moradores do pobre vilarejo instalado no deserto. O filme ganhou prêmio especial no Festival de Veneza, a participou de importantes Festivais.

Contos paralelos

"Histoires parallèles", de Asghar Farhadi (2026) O cineasta iraniano Asghar Farhadi realizou dois filmes na França: o premiado ‘O passado”, e “Contos paralelos”. Concorrendo à Palma de ouro em Cannes 2026, “Contos paralelos” saiu do evento debaixo de uma chuva de críticas. Levemente inspirado em um dos episódios do “Decálogo”, de Kryzstof Kieslowsky”, “Não amarás", onde o protagonista se apaixona pela vizinha do prédio da frente e a observa obsessivamente. Farhadi realizou filmes importantes no Irã, como “À procura de Ely”, ‘A separação”e “O Apartamento”, ganhando 2 Oscars de filme internacional. “Histórias paralelas” foge totalmente de seu estilo narrativo, e traz ficção metalinguística, ao apresentar a escritora em crise Sylvie (Isabelle Huppert), que busca inspiração para escrever um novo romance. Essa inspiração acaba vindo de seus vizinhos do apartamento da frente. Sylvie observa um estúdio de som, e ali, seus 3 personagens: Cristophe (Vincent Cassel) e Anna (Virginie Efira). Ele o chefe, mais velho, mantém um relacionamento com Anna. Mas Anna tem também um romance com o colega de trabalho mais jovem, (Pierre Niney). Enquanto isso, a sobrinha de Sylvie, Celine (India Hair), apresenta para sua tia o jovem desempregado Adam (Adam Bessa), um homem que a salvou de um assalto no metrô. Adam passa a trabalhar para Sylvie. Ele descobre o manuscrito que Sylvie está escrevendo, baseado nos vizinhos da frente, e tenta vendê-lo para uma editora, interpretado também por Virginie Efira. “Contos paralelos” é bastante confuso, e mais, traz uma história desinteressante. Os personagens não possuem carisma, e mesmo as estrelas que dão vida à história, parece estar no automático. A melhor cena envolve Huppert e Catherine Deneuve, em uma participação como a editora de Sylvie, em um embate sobre a obra escrita.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A Revolta: A Ascensão de Robin Hood

"The uprising", de Paul Greengrass (2026) O cinema muitas vezes traz coincidências temáticas e que, lançados no mesmo período, acabam prejudicando ambas as obras. " A Revolta: A Ascensão de Robin Hood", com Andrew Garfield, e " A morte de Robin Hood", com Hugh Jackman, foram lancados em 2026. Enquanto o primeiro filme se atém no surgimento do herói, o filme de Jackman o retrata no fim da vida. Em ambos os filmes, se impõe a visão sóbria, realista, violenta de Robon Hood, através de um olhar contemporâneo sobre um herói popular que incita rebeliões contra os poderosos, em prol dos maispobres e necessitados. O filme foi escrito e dirigido por Paul Greengrass, diretor dos sucessos "Supremacia Nourne", "Vôo United 93", "Capitão Philips", "Zona verde", entre outros. A história se passa na Inglaterra, mas o filme foi todo rodado na Bavária, Alemanha. Ambientado em 1381, o filme se baseia na história real da revolta que inspirou a lenda de Robin Hood, o líder de uma rebelião contra a tirania do Rei Ricardo II em uma luta por justiça. Devastada pela peste negra, os camponeses sobreviventes são oprimidos per imposts cobrados pelo jovem Rei Ricardo II. Um dos camponeses (Andrew Garfield), pretende se reunir com o Rei e apresentar inúmeras queixas. Eles são repelidos pelos soldados, dando início à Revolta dos Camponeses de 1381. Andrew Garfield interpreta um camponês sem nome, que no desfeco, acaba personificando o bandido Robin Hood. Quem espera um filme de aventuras com humor e romance, irá se decepcionar bastante, É realista, sem espaço para leveza. PAul Greengrss é um excelente cineasta e que já apresentou diversos filmes primorosos. Mas "A revolta" não me seduziu. Achei arrastado, burocrático. Gsrfield está bem, mas é um filme frio e sem emoção. e o desfecho ainda sugere uma continuação, que acho muito difícil acontecer.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

The fetist

"Atsui toiki", de Hisayasu Satō (1998) "The fetist" é dirigido pelo cineasta japonês Hisayasu Satō, um dos expoentes do cinema exploitation chamado "Pinku eiga". Nesse tipo de filme, o conteúdo s3xu4l e de violência é o chamariz. Nudez, fetiches, voyeurismo, perversões. em "The fetist", a história acontece em Shinjuku. Diversos personagens convergem em torno de um serial Killer. Kazuya tem toque por limpeza, é um germofóbico. Ele mora com sua irmã, que junto de seu amante, praticam atos BDSM e de dominaçao. Inquieto pelo que vê escondido, Kazuya perambula pelas ruas matando pessoas aleatórias. Paralelamente, um jovem pintor fica obcecado na figura de Kazuya. Um técnico de som grava áudios dos vizinhos. O filme tem cenas de s3x0 simuladas bastante explícitas, apesar de não aparecer genitais. O roteiro é confuso e beira à narratva experimental, às vezes. É um filme para aficcionados pela obscuridade de universos underground e perverso.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Invisibles

"Invisibles", de Junna Chif (2025) Co-escrito e dirigido por Junna Chif, "Invisibles" é drama canadense que trata de um tema delicado, sem vitimação: a sexualidade de pessoas com deficiência, que buscam a ajuda de uma acompanhante para realizarem seus desejos s3xu41s. Em 2011, a comédia belga "Hasta la visa- Venha como você é", já trazia o tema, ao mostrar 3 jovens com deficiência, que viajavam da Bélgica para a Espanha para buscar prostitutas especializadas em atender pessoas com deficiência, que tirassem suas virgindades. Em "Invisibles", o tema é tratado com muita seriedade e provocação. A atriz Nadia Essadiqi, mais conhecida pelo pseudônimo de cantora e compositora La Bronze, interpreta Elizabeth. Ela é uma artista de cabaré e sem que ninguém saiba, é acompanhante. Quando ela decide mudar de progissão, ela atende um último cliente, um homem com deficiencia. Mas a experiência se torna um desastre. Mas é justamente esse fato que faz com elizabeth estude e procure saber mais , sobre como ela pode ajudar pessoas com deficiência e resolver suas questões s3xu41s. Logo, Elizabeth se especializa em atender clientes Pcd. Mas ela não esperava ser julgada por todo mundo: como prostituta, e para alguns, uma mulher que deseja hierarquicamente superior a clientes com deficiência. Os temas do filme são muito explosivos. Em determinando momento, Elizabeth participa d eum bate papo com feministas, que a julgam por todos os motivos possíveis. A roteirista e cineasta Junna Chif quer valorizar o trabalho de acompanhantes e a defesa de que elas fazem o que quiserem com seus corpos, em livre e espontanea vontade. Nadia Essadiqi, no papel principal, tem atuação visceral, e se entrega a cenas bem complexas e íntimas.

Um cabo solto

"Um cabo suelto", de Daniel Hendler (2025) Escrito e dirigido pelo ator uruguai Daniel Hendler, "Un cabo suelto" é o filme escolhido pelo Uruguai para representar o país no Oscar internacional em 2027. O filme venceu o Festival San Sebastian em 2025, e ganhou os prêmios de melhor ator e atriz coadjuvante no Cine Ceará. O cinema uruguaio tem muito do humor ácido e patético que filmografias como a de Aki Kaurismaki traz. É a atuação que os americanos chamam de pan face, onde pouca emoção é vista nas performances do elenco, acentuando o humor da situação e do constrangimento. Santiago Pallares (Sergio Prina), é um policial argentino que foge de uma emboscada e foge de barco até o Uruguai. Dois marginais estão em seu encalço. Chegando no Uruguai com a ropa do corpo, Santiago conhece um atendente de um quisque de comida e bebida e também, Rocio (Pilar Gamboa), uma atendente de uma duty free da fronteira. Santiago logo se apaixona por ela e pretende começar vida nova. O ator uruguaio Cesar Troncoso faz participação no filme. Divertido, "Um cabo solto" tem um título de duplo sentido que dá o tom do filme. O cinema de Daniel Hendler costuma trabalhar com um humor melancólico, onde o riso e gargalhadas dão lugar a reflexões. Parece cinema de irmãos Coen, mas não é, até porque não vemos uma gota de sangue sendo pingada.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Las intempéries

"Las intempéries", de Guido de Paula e Andy Riva (2022) Escrito e dirigido pela dupla Guido de Paula e Andy Riva, "Las intempéries" é um drama argentino vencedor de menção honrosa no Festival de Cinema de Calella. É um filme trágico, que traz temas como luto e culpa, e a busca pelo perdão. O longa foi filmado no Usuahia, Terra do Fogo, Argentina. Os irmãos Diego e Lorenzo vivem um trauma e nunca mais se falaram. Diego é pai de uma menina de 10 anos. Quando Lorenzo a leva para fazer um passeio nas montanhas, por descuido e disciplicência dele, a menina morre atropelada. Diego decide se isolar do mundo após essa tragédia, sem perdoar Lorenzo, e se torna um eremita. Nunca mais ninguém teve notícias dele. Lorenzo acredita tê-lo reconhecido numa fotografia de jornal enquanto lia um artigo e inicia uma peregrinação pela paisagem árida e desolada. O filme é um mergulho denso na alma, trazendo um protagonista avassalado pela tragédia que ele causou. Até a primeira metade do film,e eu estava gostando bastante. Mas daí, surgiram outros personagens, e achei que a história perdeu um pouco o foco. De qualquer forma, o desfecho é comovente. As lindas e desoladoras paisagens de usuahia ajudam a dar a sensação de isolamento.

The grund beneath our feet

"Jörðin undir fótum okkar", de Yrsa Roca Fannberg (2025) Indicado pela Islândia à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027, "The ground beneath our feet" é co-escrito e dirigido por Yrsa Roca Fannberg. O filme venceu o prêmio do juri de melhor filme no Hong Kong International Film Festival. A própria cineasta trabalhou como cuidadora de idosos e veio dái a idéia de fazer um documentário sobre o limite entre vida e morte. Yrsa dedicou 15 anos para realizar o filme, rodando em 16 mm. Logo no início, a própria cineasta aparece cuidando de uma idosa em sua cama. Yrsa diz que vai filmar um documentário sobre a vida, e a idosa pergunta se será sobre o ciclo da vida, começando pelo nascimento de um bebê. Yrsa diz qe não, que ela quer filmar a vida no estágio em que a idosa está. O longa foi rodado em Grund, Islândia, o lar de idosos mais antigo do país, localizado na capital, Reykjavi. Sem sensacionalismo, a câmera acompanha o dia a dia dos idosos. Uma rotina que inclui alimentação, banho de sol, cuidados com gatos, aulas de espanhol. E claro, alguns dos idosos estão bem doentes, e a diretora conversa com eles em seus leitos. É um olhar melancólico sobre a finitude, mas sem tornar essa etapa da vida algo trágico.

The last living boy in Buenos Aires

"The last living boy in Buenos Aires", de Laszlo Rapaport (2025) O curta argento, "The last living boy in Buenos Aires", escrito e dirigido por Laszlo Rapaport, é um divertido e melancólico retrato da juventude do país. Lautaro é um jovem romântico, e toda a sua trajetória acontece em uma única noite, na efervescente Buenos Aires. Através de imagens poéticas das ruas da cidade, o filme traz Lautaro em conversas naturalistas e despojadas com seu melhor amigo. Els vão à uma izzaria, comem a pizza na rua, conversam sobre diversos assuntos. Em determinando momento, a jovem por quem Lautaro se apaixonou, ao encontrá-la em um ônibus, surge na sua frente. Gostei muito da forma como o diretor rodou ofilme. Certamente sem orçamento, filmando com um olhar documental, mas ainda assim, apaixonante e lúdica, com ângulos e situações que transitam entre o romântico e o patetico. Um belo hino à juventude, e aos erros e acertos da vida.

Music

"Music", de Angela Schanelec (2025) Fico impressionado como "Música", vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Berlim 2023, tenha justamente no seu roteiro o elemento mais confuso de sua narrativa, um verdadeiro quebra-cabeças. Li algumas críticas que diziam que a inspiração da roteirista e cineasta alemã Angela Schanelec foi o mito grego de Édipo, e muito por conta dessa referência, foi filmado nas ilhas gregas e com elenco local. Mas ainda assim, essa história que se passa nos dias atuais permanece uma incógnita para mim. De qualquer forma, existem elementos que me mantiveram atento ao filme, de ritmo bastante lento. O elenco e a figuração parecem saídos de um filme de Robert Bresson: ninguém expressa emoções. Os planos em sua maioria são gerais e poucas cenas possuem closes, com planos bem estendidos no tempo. Os elipses temporais acontecem a todo momento, e o protagonista Jon (Aliocha Schneider) permanece o mesmo ator, da adolescência até a fase já de meia idade. O filme é uma co-produção Alemanha, França, Grécia e Sérvia. Um bebê com os pés ensanguentados é encontrado à beira de uma estrada. Um casal o recolhe e decide adotá-lo. Já adolescente, Jon passeia na praia com um grupo de amigos. Quando um homem decide beijá-lo, Jon o empurra, e o rapaz morre. Jon é preso e na prisão, ele conhece a guarda Iro (Agathe Bonitzer). Os dois se envolvem e Iro engravida. Após sair da prisão, os dois moram juntos. Mas uma revelação fará com que iro se suicide, e Jon precisa cuidar de sua filha, com a ajuda dos pais adotivos. O nome "Música" vem pelo fato da música ser um elemento de conexão entre personagens, principalmente o casal jon e Iro, e porquê depois Jon se torna um cantor. Mas ainda assim, tudo é muito elipsado e o espectador recebe poucas informações. A diretora Angela Schanelec provoca o espectador ao força-lo a obter construções narrativas por conta própria, e isso talvez tenha estimulado o juri a votar no filme para melhor roteiro.

domingo, 27 de setembro de 2026

Feral

"Feral", de Andrés Klaiser (2018) Em 1974, Werner Herzog lançou o clássico "O enigma de Kaspar Hauser", baseado na história real de um jovem que estava vivendo uma vida como selvagem, e que foi encontrado e educado para ser incluído na sociedade, terminando em tragédia. "Feral", terror mexicano, parte de uma premissa semelhante, trazendo elementos sobrenaturais e de terror à história. A linguagem do found footage corrobora para trazer mais mistério. Melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Los Cabos 2018, o terror mexicano "Feral" é escrito e dirigido por Andrés Klaiser. Filmado e embientado nas montanhas de Oaxaca, o filme é ambientado nos anos 80. Logo no início, uma matéria de tv traz a tragédia sobre um abrigo isolado nas montanhas de Oaxaca, onde foram encontrados 4 corpos: 1 de adulto, e 3 de crianças. Através de vídeos, o público vai desobrindo a quem pertencem os corpos. Juan(José Ángel García) abandonou sua mãe e se tornou monge, assim como seu irmão mais velho. A educaçõ do mosteiro lidava com psicanálise, até ser desativada pelo Vaticano. Juan acabou em Oaxaca. Ali, ele se instala. Um dia, ele encontra um menino selvagem. Junto de outras 2 crianças, Juan procura evangelizá-los. O filme pode ser visto como uma crítica aos missionários que evangelizavam à força povos indígenas. "Feral" traz suspense, e o espectador fica atento, tentando entender pistas para elucidar a tragédia. O desfecho é dúbio, e pode irritar quem buscava algo mais concreto, o que foi o meu caso. Mas é um ótimo exercício de found footage, um gênero que muitos acreditavam estar morto.

Hotel Amor

"Hotel Amor", de Hermano Moreira (2025) Há muitos e muitos anos atrás, quando eu era assistente de direção, trabalhei em uma comédia brasileira de um diretor renomado. O produtor assistiu algumas cenas filmadas, e exigiu que o diretor refilmasse uma cena em específico. O motivo: o diretor havia feito a cena em plano sequência, sem cortes. O cineasta deu muitos argumentos para manter a sua visão artística, mas o produtor foi contundente: "Plano sequência não funciona em comédia: perde o ritmo, fica sem timing, perde a piada." Polêmicas à parte, a co-produção Brasil/Portugal 'Hotel Amor" foi todo rodado em um único plano sequência (essa é a idéia conceitual, obviamente o filme é composto de diveros planos ( 16, para ser preciso), unidos na pós para dar ideia de tempo real. Nesse conceito, há muitos vai e vens, caminhadas, subidas e descidas de elevador e de escadaria, que provocam alguns tempos mortos e que fazem a narrativa perder o ritmo em momentos importantes. O filme foi rodado em 16 dias, e foi um grande sucesso comercial em Portugal, com 3500 espectadores em sua estréia. Ousadias da direção e produção, em cima de um roteiro escrito por Bruno Bloch, que traça um painel de diversos personagens que habitam o Hotel: funcionários, hóspedes, um grupo de fãs torcedores de futebol que fazem vigília, prostitutas de luxo, jogadores de futebol, um grupo de amigas comemorando a despedida de solteira, uma idosa que desaparece e o que melhor define o filme como comédia: a participação breve, mas divertida, de Marcelo Adnet, interpretando a si mesmo, como um comediante brasileiro convidado para fazer um show, e sendo abordado por 2 tietes brasileiros, que trabalham no Hotel. Tudo isso embalado para dar sensação de caos. Alguns filmes famosos, como "Grande Hotel" e "Grande Hotel Budapeste" já trouxeram esse mosaico que acontece todo em um hotel. Independente do filme funcionar ou não como comédia ( que mesmo tendo momentos de pastelão, nao é para família, pois tem cenas de s3x0, envolvento até mesmo uma orgia, e nudez), o time de atores portugueses acaba sendo um grande mostruário de talentos locais. Para o público brasileiro, Adnet é quem melhor funciona na parte cômica da história.

Coração selvagem

"Heart of the beast", de David Ayer (2026) Filme amaldiçoado, que me fez chorar litros!!!!! Todo mundo que ama filme de animais, procura saber logo se o bicho morre ou não, antes de assistir. Para a felicidade geral de todos, e isso foi divulgado pela Paramount, o animal protagonista, Odin, um pastor alemão, não morre. Mas ainda assim, o filme arraca todas as lágrimas do público. É importante não confundir com o filme homônimo de "David Lynch", de mesmo título. Na cartela final, surgem os letreiros: "Nos últimos 20 anos, mais de 3 mil cachorros prestaram serviços militares, salvando milhares de soldados. os animais sofrem transtorno de stress pós traumático, e alguns conseguem uma segunda chance, sendo adotados por famílias. Não tem ator no mundo que suplante o carisma de um animal em cena, e o Pastor alemão é de uma emoção tremenda, responsável por momentos cativantes, deixando claro quem é o melhor amigo do ser humano. O diretor David Ayer dirigiu com Brad Pitt "Corações de ferro", além de "Esquadrão suicida", "Beekeeper", entre outros. Brad Pitt é James Belmont, um veterano aposentado das Forças especiais. Tato ele quanto seu cachorro odin têm transtornos de stress pós traumático. Durante uma viagem de monomotor sobrevoando um lago no Aslaka, James sofre um princípio de infarto e cai com seu avião. A partir daí, um e outro procuram ajudar o outro: lutam contra ursos selvagens, lobos, tempestades, frio, fome, longas caminhadas, para percorrer os 83 kilometros até a estrada. O roteiro é simples, focando na sobrevivência e nas habilidades do cachorro. O filme foi rodado em locações na Nova Zelândia, mas algumas intervenções de efeitos CGI, como o urso e precipícios, acabam destoando da proposta do filme.

Vida

"Life", de Daniel Espinosa (2017)ado em 2017, "Vida" gerou grande burburinho, por conta da teoria da conspiração que rolava entre os fãs da Marvel. Especulava-se que o filme mostrasse a origem do Venom, mas com o lançamento, provou-se que era somente especulação e que não tinha nada a ver. O filme, dirigido por Daniel Espinosa, do criticado "Morbius", com Jared Leto, foi escrito por Rhett Reese e Paul Wernick e está mais para um filme genérico sobre o universo "Alien". Na época, eu já não tinha gostado do roteiro, pois me irritou demais a decisão estúpida de todos os personagens do filme, que custou a vida de muitos deles. O que me manteve a atenção, foi o elenco estelar (Ryan Reynolds, Jake Gylenhaal, Rebecca Ferguson) e os efetos que de fato, me impressionaram. Decidi rever o filme porque assisti à uma cena isolada numa rede social e quiz dar uma nova chance. Seis membros de uma tripulação espacial capturam uma sonda que retorna de Marte com uma amostra de solo que pode conter evidências de vida extraterrestre. Quando um dos cientistas trabalha na amostra de solo, ele desperta um ser alienígena que estava inativo, e que vai eliminando um a um da tripulação. O roteiro realmente destrói o filme, e não tem como torcer por ninguém ali. As dceisões tomadas são ridículas. Os efeitos continuam bons, a parte técnica é toda excelente. As primeiras meia hora são arrastadas, e a ação só acontece após esse tempo. O final também é irritante, e li em um depoimento que o diretor não quiz fazer uma continuação, deixando o final pessimista, uma referência aos finais trágicos de episódios de "Além da imaginação".

They call me Danka

"They call me Danka", de Dovile Gasiunaite (2025) Melhor filme no Tallinn Black Nights Film Festival, "They call me Danka" é um coming of age melancólico e pesimista. O filme é uma produção da Lituânia, e foi escrito e dirigido por Dovile Gasiunaite. A trama é bastante comum para esse tipo de temática: Danka é uma jovem de 15 anos, e vive em uma família desfuncional de classe média. Ela não consegue se comunicar direito com seus pais, que são ausentes. Na escola, ela é rebelde e tem como melhor amigo Vikis. Danka aceita uma proposta de Vikis, de se juntar a um vigarista para ganhar dinheiro. O filme traz diversas situações comuns à uma jovem que não consegue se encaixar no sistema. Duas cenas são memoráveis: durante uma festa, ela é abusada e urina quando o rapaz a ataca. Na cena final, em um lago congelado, a tensão eminente de uma tragédia. Ula Liagaite, no papel de Danka, traz uma performance visceral e bastante intensa. O roteiro não traz muitas novidades, e o interesse pelo filme fica por conta das atuações dos jovens atores.

sábado, 26 de setembro de 2026

Virtuosas

"Virtuosas", de Cíntia Domit Bittar (2025) Co-escrito, dirigido e editado por Cíntia Domit Bittar, "Virtuosas" concorreu no Festival do Rio na Premiere Brasil 2025. O filme mesca drama, crítica social, humor ácido, suspense e terror, tendo uma sub-trama sáfica na narrativa. Assistindo ao filme me lembrei de imediato de filmes como "Shock corridor", de Samuel Fueller, onde um jornalista ambicioso se infiltra em uma clínica para fazer investigação. Por outro lado, filmes como "Mulheres perfeitas" e "Não se preocupe, querida", trazem a outra trajetória narrativa: mulheres educadas para serem recatadas e do lar, diante de famílias cristãs. Logo nos primeiros minutos do filme, já é evidente o tema proposto pelo filme: críticas ao fanatismo religioso, críticas ao movimento anti-vacina, críticas ao movimento de masculinidade tóxica "Legionários", críticas às mulheres que abominam o movimento feminista e que dedicam as suas vidas para srevir à família e a seus maridos, de forma subserviente. Assim como em "Pedágio", a líder da seita tem um segredo: ela tem uma amante. A nome da protagonista, Virginia (Bruna Linzmeyer), influenciadora e coach que prega a submissão femnina, sob as dountrinas cristãs, certamente veio de Virginia Fonseca. Virginia prega para ssuas seguidoras fervorosas, quando decide sortear 3 convites Vips para que as escolhidas passaem uma semana em seu resort, isolado na Santa Catarina. Entre as mulheres, estão Lorena (Juliana Lourenção), mãe e esposa de um político; uma fã, Barbara Rossi(Sarah Motta), que quer buscar a sua melhor versão e Germina (Maria Galant, uma jornalista infiltrada. Elas são recebidas por Gorete (Brisa Marques), assistente de Virginia. Germina vai aos poucos, entendendo o que se passa naquele local, e os mistérios que s eescondem sob a fachada de Virginia, que se mostra uma mulher perigosa e violenta.

Copan

'Copan", de Carine Wallauer (2025) Em competição no Festival "É tudo verdade" 2025, "Copan" é dirigido por por Carine Wallauer, que também fotografou o filme. Pelo seu trabalho de fotógrafa, Carine lhe ganhou o prêmio de Melhor Fotografia de Longa Documentário na ABC. Quando assisti ao filme, imaginei encontrar um filme emotivo e comovente, que fizesse um correlato ao clássico de Eduardo Coutinho, "Edifício Master", apresentando histórias curiosas e divertidas de moradores do icônico prédio. Mas "Copan" frustra qualquer expectativa para quem for comparar com o filme de Coutinho. A sua narrativa é experimental, plástica, e não segue um roteiro singular. carine também é artista plástica, e ess eolhar recai sobre o seu filme. Alternando silêncios, sons entranhos, ela traça diversas linhas narrativas, sendo a mais evidente, uma eleição de síndico no prédio. A metáfora é óbvia: filmadoem 2022, Carine faz uma analogia com a situação política da época. O filme apresenta alguns moradores, mas que não têm voz. A camera percorre seus apartamentos, como por exemplo, um Dj solitário. O Copan teve início de sua obra em 1957, projetada por Oscar Niemwyer, e apenas inaugurada em 1966. São 5 mil moradores, distribuídos por 1600 apartamentos. Localizado na República, o icônico prédio mistura apartamentos e lojas comerciais, e merecia um filme que retratasse a sua história através de moradores, empregados e lojistas. O filme de Carine é uma visão muito pessoal sobre o prédio, e deixa o espectador ainda mais curioso sobre a sua história.

The living corpse

"The living corpse", de Takeshi Sone (2026) A invasão da IA no audiovisual era questão de tempo. "The living corpse" é um filme de terror existencialista, totalmente gerado por AI, e venceu os prêmios de melhor filme nos East Village New York Film Festival e Bangkok Movie Awards. O filme é um remake do filme homônimo lançado em 1986, que foi escrito, dirigido por Hideshi Hino adaptado de seu mangá. Hideshi Ono escreveu a história em cima de experiências próprias: ao desmaiar por excesso de trabalho, Hino decidiu escrever a história de um homem, Yosuke Shinkai, que acorda como morto vivo, sobrevivendo à morte, mas que começa a se decompor lentamente. Ele decide vagar pelo mundo em busca de sua esposa e filho. Tudo é ruim no filme: o roteiro, a IA, a dublagem, o ritmo. Para poder competir com o cinema live action e memso com animação, o IA precisa entender que necessita de uma história que prenda a atenção do espectador, e criar forma de tirar a frieza da dublagem sem emoção, e dos movimentos de seus personagens que não pareçam tão mecânicos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

The Gospel of the beast

"The gospel of the beast", de Sheron R. Dayoc (2023) Co-escrito e dirigido por Sheron R. Dayoc, "The gospel of the beast" é um drama co-produzido por FIlipinas e Singapura. Premiado em diversos festivais, incluindo Festival de Tokyo, a história apresenta o início na carreira do crime de um adolescente de 15 anos. Quando Mateo, 15 anos, acidentalmente mata um colega da escola, ele precisa fugir. Ele conhece Berto, um criminoso que inicia uma relação quase de pai para filho, ensinando como funciona o mundo do crime, envolvendo torturas e chantagens. Mateo, que foi abandonado por seu pai e teve uma educação rígida de sua mãe, começa a entrar em conflito com a sua nova vida na marginalidade. Filmado como um drama realista, "The Gospel of the beast" apresenta um mundo brutal, onde esperança é o que não existe na vida de seus personagens. As cenas de violência são cruas, incluindo torturas bárbaras. O protagonista Jansen Magpusao, no papel de Mateo, e Ronnie Lazaro, no papel de Berto, estão excelentes.

O vale dos sorriso

"La valle dei sorrisi", de Paolo Strippoli (2026) Um excelente filme de terror queer, o italiano "O vale do sorriso" é muito melhor que o hypado "Leviticus". Lidando com os mesmos temas da religiosidade regida por fanáticos e de jovens gays impossibiltados de expressar seu amor, "O vale do sorriso" traz um roteiro inteligente, que traz referência de "Corpo fechado", de M. Night Shyamalan e de "Carrie, a estranha", com a Eleven de 'Stranger things". O filme foi o vencedor do prêmio FEDIC de melhor filme no Festival de Veneza 2025. Em 2009, um acidente de trem na região de Remis, pequena vila localizada em um vale isolado nas montanhas, matou 46 vidas, todas moradoras a cidade. Um dos sobreviventes é Matteo (Giulio Feltri), um adolescente que possui o dom de manipular as pessoas. Sérgio (Michele Riondino) é o novo professor de educação física em Remis. Matteo tem uma tragédia pessoal: a morte de seu filho, o que o levou ao alcoolismo e depressão. Na pousada aonde fica, ele conhece Michela (Romana Maggiora Vergano), a dona do estabelecimento. Querendo ajudar Sergio na sua dor, ela o leva para um ritual que acontece na igreja: Moradores se reúnem para abraçar Matteo, que absorve a dôr das pessoas, libertando-as do sofrimento. No entanto, Sergio começa a questionar o ritual, e passa a conversar com Matteo. A convivência faz com que Matteo passe a questionar as suas ações. Matteo é apaixonado por um colega da ecsola, Lorenzo, mas o conservadorismo da região impede que os dois consumam seu amor. Tudo no filme é incrível: a atmosfera, o elenco, os efeitos, a fotografia, o roteiro. O desfecho do filme é uma catarse, com imagens belas e assustadoras.