domingo, 14 de outubro de 2018
Bangkok Love Story
"Bangkok Love Story", de Poj Arnon (2007)
Imagine um filme de romance policial Lgbtq+, que faz referências explícitas a Tarantino, "Brokeback mountain", de Ang Lee e "Happy Together"de Wong Kar Wai?
Produção tailandesa. "Bangkok Love Story" ganhou diversos prêmios internacionais. Tecnicamente estilizado, com fotografia hiperrealista e trilha sonora melodramática, que intensifica a tragédia do amor proibido entre um assassino de aluguel, Cloud, e um policial enrustido, Stone.
Cloud é contratado para matar o policial Stone, mas a sua ética, que faz com que ele mate apenas corruptos e bandidos, o deixa em conflito. Stone é um policial bom, que investiga o patrão de Cloud. Cloud resolve então salvar a vida do policial, e isso faz com que toda a máfia vá atrás dele. Ferido, Stone toma conta de Cloud, e ambos se apaixonam.
O Diretor Poj Arnon dirige o filme com extrema sensualidade, com cenas bastante sexies, sem apelar para a vulgaridade. O roteiro aposta no melodrama mexicano, daqueles bem exagerados, chegando ao limite do absurdo. O desfecho é para arrancar lágrimas forçadas, mas o carisma dos 2 protagonistas seduzem o espectador que torce por eles.
O filem ainda tem aquele charme de Filme B dos filmes polciaiis de Hong Kong, sujos, malditos.
Um cult obscuro e apaixonante.
Um pequeno favor
“A simple favor”, de Paul Feig (2018)
Diretor de comédias hilárias como “ Missão madrinha de casamento”, Paul Feig adaptou o livro de Darcey Bell e realizou um filme que me surpreendeu pelo inesperado. Afinal, o filme é comédia, suspense, romance, humor negro? Ou uma mistura de tudo isso? Mas será que funciona?
Sai do filme na dúvida se eu tinha gostado de uma mistura tão bizarra de gêneros, que funciona para os Irmãos Coen justamente porque eles investem pesado na violência, é o humor vem para amainar o impacto. Mas aqui, a violência vem amparada por um humor quase ferino de Anna Hendricks, numa composição até divertida, mas estranha para o roteiro.
Anna interpreta Stephanie, viúva e que cuida de seu filho pequeno. Careta até o último fio de cabelo e mãe zelosa, ela acaba ficando amiga de Emily ( Blake Lively, deslumbrante) , mãe de um menino que estuda na mesma turma do seu filho. Emily é o oposto de Stephanie: extrovertida, fashion, abusada é louca o suficiente para propor coisas indecentes. Emily é casada com Sean ( Henry Golding, de “ Podres de ricos”), um escritor fracassado. Elas se tornam melhores amigas, até que um dia, Emily desaparece.
O primeiro ato do filme é totalmente comédia, e Anna lembra até o humor brasileiro de comediantes famosas em sua persona. Mas aí o filme vira de tom, mas sem deixar de lado o humor.
O que realmente impressiona no filme, é a primorosa trilha sonora, recheada de clássicos pop franceses de varias décadas. O filme tem um toque sofisticado, chique, justamente por causa das musicas.
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Nasce uma Estrela
"A star is born", de Bradley Cooper (2018)
Quarta adaptação de uma história escrita a 8 mãos em 1937 ( que já teve Janet Gaynor, Judy Garland e Barbra Streisand no papel da protagonista) , "Nasce uma estrela" tem o brilho de Bradley Cooper, que acumula funções entre co-roteirista, Diretor e Ator. Estreando na Direção com força e muita segurança, ele recria o drama musical sobre Ascenção e decadência no show business de forma emocionante, rendendo sorrisos e lágrima ao longo da projeção. Muito do carisma do filme advém também de Lady Gaga, surpreendendo no papel de Ally, garçonete que cruza o seu caminho com o bêbado e drogado Country Star Jack (Cooper), por quem ele se apaixona e reconhecendo um talento nato de cantora e compositora nela, a ajuda a formar uma carreira.
Com 136 minutos de duração, o filme é repleto de cenas fortes de emoção e drama. Várias cenas antológicas: a premiação do Grammy; a cena que o empresário de Ally procura por Jack; a cena dos irmãos. O filme é um show de talento do elenco de apoio, como Sam Elliot no papel do irmão de Jack, e de Andrew Dice Clay, no papel do pai de Ally, que competiu com Robert de Niro e John Travolta para o papel.
Toda a parte técnica do filme é excelente: fotografia, câmera, trilha sonora, músicas, direção de arte, edição.
Entre mundos
"Between worlds", de Maria Pulera (2018)
Escrito e dirigido pela cineasta espanhola Maria Pulera, "Entre mundos" é mais um dos filmes zueiras com Nicholas Cage, que a cada filme recente, prova que está cagando pra crítica e quer mais é filmar e ganhar dinheiro. O filme aliás, tem uma coleção fabulosa de futuros memes de Cage, impagável.
O filme se propõe a ser um suspense sobrenatural mesclado a melodrama, mas essa misturada toda resultou numa grande comédia involuntária. Roteiro tosco e totalmente implausível, elenco no seu pior momento ( meu Deus, o que aconteceu com a carreira da atriz alemã Franka Potente, protagonista de "Corra Lola Corra"?), efeitos mais do que trash. Um cult imediato.
Cage interpreta Joe, um motorista de caminhão desolado pela morte de sua esposa e filha em um incêndio residencial. Ao ir para o banheiro de um posto de gasolina, ele testemunha Jullie (potente) ser estrangulada. Ao defender ela, ele se assusta, pois era justamente o que ela queria! Jullie, quando adolescente, sofreu um acidente que a deixou em coma por alguns minutos, dando o dom dela sair de seu corpo e ajudar os outros. Mas para que ela ajude a sua filha que está em coma, ela precisou ser sufocada e entrar em estado de coma. Logo, Joe a ajuda, e ao trazer sua filha de volta, ela acaba trazendo o espírito da ex-mulher de Joe, que enciumada por ele estar se relacionando com Jullie, "baixa" no corpo da filha de Jullie, seduzindo Joe!!! Ou seja, mãe e filha transam com o mesmo homem!!!
Confesso que ri demais durante o filme. Para quem estiver nessa vibe de "quanto pior melhor", esse filme é um prato cheio.
O príncipe feliz
"The happy prince", de Rupert Everett (2018)
Longa de estréia do ator inglês Rupert Everett que também escreveu o roteiro e protagoniza essa cinebiografia sobre o autor inglês Oscar Wilde.
Com um elenco mega estelar ( Colin Firth, Emily Watson, Tom Wilkinson), o filme acompanha os três últimos anos de vida de Oscar Wilde, logo após a sua libertação da prisão ( ele foi preso por acusação de sodomia com o Lord Alfred Douglas e condenado a 2 anos). Vivendo em Paris sob o pseudônimo de Sebastian Melmoth., e morando em um quarto decadente, sem dinheiro e mendigando, Wilde manteve poucos amigos. Morreu de meningite e sífilis, em 30 de novembro de 1900. Somente em 2017, Wilde e outros 50 mil homossexuais foram perdoados por suas condutas consideradas ofensivas. O filme apresenta em flashbacks, momentos da vida gloriosa de Wilde, no auge do sucesso, casado e com filhos e também cercado da alta sociedade e da intelectualidade.
O filme foi exibido em Sundance 2018, e já ganhou alguns prêmios internacionais. Com uma narrativa não linear, que alterna tempos distintos, o filme provoca muitas vezes uma confusão que fica difícil de acompanhar algumas vezes. Essa opção por trazer uma estrutura desconexa prejudica o entendimento do filme, e o torna menos acessível ao público médio. De qualquer forma, é um projeto de alta qualidade técnica: fotografia, direção de arte, locações e principalmente, o excelente trabalho de maquiagem, que transformou Rupert Everett.
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
A garota na caixa
"The girl in a box", de Stephen Kemp (2016)
Baseado na terrível história real de Colleen Stan, uma jovem de 20 anos que foi sequestrada ao pegar carona com um casal e confinada em uma caixa pelo período de 7 anos. O casal sequestrador, Cameron e Janice Hooker, estupravam Collen durante um período do dia, e depois a trancafiavam de novo. Cameron era adepto do "bondage"e "S&M", e fazia de Collen, a sua escreva sexual.
Angustiante, com ótimo trabalho do trio principal, não é um filme que se recomenda para se assistir de noite, pois provavelmente provocará desconforto no espectador. Claustrofóbico, depressivo, degradante. Se você está nesse vibe, assista ao filme, caso contrário, o esqueça.
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
30 anos de Adonis
"30 years of Adonis", de Scud (2017)
Repleto de cenas de sexo explícito, nudez total masculina do elenco de 30 atores e gang bang, "30 anos de Adonis" é um misto de ficção e drama experimental. Dirigido pelo Cineasta e roteirista de Hong Kong Scud, o filme é uma alegoria sobre o trabalho do Ator, e sobre a chegada dos 30 anos de idade.
Adonis é um Ator de Ópera de Pequim. Ao completar 30 anos de idade, ele entra em crise. Desempregado, ele decide se prostituir com homens e mulheres e participar de filmagem de um pornô.
O filme mescla a rotina de Adonis na prostituição, filmagem de um pornô e momentos de puro lirismo onde ele se imagina na floresta em devaneios com outros homens.
O filme tem momentos intensos, mas de uma forma geral, é pretensioso, e somente deverá agradar a espectadores que curtem fetiches. Fosse um média metragem seria mais interessante, mas como longa, é chato, sem um foco definido sobre que filme ele quer ser.
A curiosidade fica nos últimos 5 minutos, onde todo o elenco dá depoimento sobre o que imaginam do trabalho do Ator e a experiência no filme.
Sete notas no escuro
"Sette note in nero", de Lucio Fulci (1977)
Clássico do "Giallio" de um dos maiores Cineastas do gênero italiano, o filme também tem um título alternativo chamado de "Premonição". Ambos os títulos trazem spoilers para quem for assistir à esse delirante suspense à La Hitchcock.
No prólogo, acompanhamos uma menina na década de 50, na Irlanda, tendo visões de sua mãe se suicidando. Anos se passam, e a menina agora é Virginia (Jennifer O'Neill, de "Sacnners" e "Era uma vez um verão". Casada com um milionário italiano, Frederico, ela resolve fazer uma nova decoração em uma das mansões do seu marido. Em uma de suas visões, ela descobre um esqueleto feminino enterrado dentro da parede do quarto da casa. Seu marido é preso como suspeito, e Virgínia resolve ir atrás do possível assassino.
Com um roteiro repleto de twists, o filme tem uma edição dinâmica e uso de zoom que combina com a narrativa, apesar de parecer cafona hoje em dia. toda vez que Virginia tem visões, aplica-se um zoom em seu rosto.
Lucio Fulci é um Mestre e sabe como entreter e prender a atenção do espectador. Eclético, depois ele dirigiu uma série de filmes de zumbis, que viraram clássicos, e assimilou posteriormente o gore e violência explícita.
Aqui,a violência chega a ser trash ( a cena da mãe se suicidando e caindo do penhasco é antológica, nitidamente vê-se uma boneca).
Uma ótima diversão para quem curte o giallio, para quem não curte, vai se divertir bastante dando altas risadas.
Ótima trilha sonora.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
Like cattle towards glow
"Like cattle towards glow", de Dennis Cooper e Zac Farley (2015)
Prato cheio para espectadores Voyeurs, fetichistas e amantes de produções obscuras, essa antologia de 5 curtas franceses está repleto de cenas explícitas, masturbação, necrofilia, estupro, fist fucking e outros prazeres do sexo selvagem envolvendo pós-adolescentes franceses.
Misto de ficção e arte conceitual, o filme não pode ser assistido por espectadores sensíveis. Essa antologia de certa forma me lembrou a antologia de filmes explícitos "Destricted", dirigido por cineastas conceituados, como Gaspar Noé, e que também envolviam o submundo do sexo.
1o episódio: um jovem contrata um garoto de programa e deseja que ele "interprete" um morto, em homenagem a um amigo dele que morreu e que ele não teve chance de transar.
2o episódio: um performer se apresenta para uma platéia alternativa, e durante o seu discurso, ele é estuprado por alguns dos presentes.
3o episódio: um jovem é interceptado por outro rapaz na linha de trem, que lhe pede para praticar fist fucking
4o episódio: um casal, vestido de monstros, sequestram um rapaz e o obrigam a se masturbar, caso contrário será morto
5o episódio: uma mulher comanda um drone que segue um rapaz até uma caverna
Os 3 primeiros episódios são os melhores, com destaque para o 2o. O último é o pior de todos. Os atores são todos amadores, e falam um inglês com sotaque francês.
Aguarde instruções posteriores
"Await further informations", de Johnny Kevorkian (2018)
Curioso filme de ficção cientifica e suspense, uma mistura inusitada de "Videodrome", do Cronemberg, "Black mirror" e do seriado 'Twilight zone".
O filme é uma fantasia metafórica, que faz uma crítica à massificação da mídia. Um jovem casal, Nick e Annji ( ela descendente hindu), vão passar a noite de Natal na casa da família de Nick. Há tempos ele não visita sua família, por conta do racismo de seu pai, que é contra seu envolvimento com Annji. Além de seus pais, estão seu avô, sua irmã e seu cunhado. Após discussão, o casal resolve ir embora, mas descobre que a casa está totalmente cercada por uma espécie de placa fibrosa, que os impede de sair. Além disso, na televisão começam a surgir instruções que devem ser seguidas à risca, caso contrário, pessoas irão morrer.
Com um roteiro instigante, esse filme inglês ganhou prêmios em Festivais de gênero, e nos deixa curiosos para saber como vai terminar.
O desfecho é Cronemberg puro, com efeitos bem anos 80, toscos mas divertido.
domingo, 7 de outubro de 2018
Malevolente
"Malevolent", de Olaf de Fleur (2018)
Filme de terror inglês que pega carona nos sucessos de "Invocação do mal" e do espanhol "O orfanato", tem um terceiro ato bem tenso e que faz valer a pena assistir.
No início dos anos 80, os irmãos Angela (Florence Pugh, protagonista do excelente "Lady Macbeth') e Jackson comandam um grupo de paranormais que são contratados por clientes que acreditam que suas casas estão assombradas por espíritos. Junto da namorada de Jackson, Beth, e do amigo deles, Elliot, o grupo afugente os fantasmas. Na verdade, eles são um trambiqueiros. Até que uma cliente, a Sra Green, os chama para o orfanato dela, onde ela acredita que os espíritos das meninas assassinadas pelo seu filho estão de volta para assombrar. E Angela descobre que possui dom de mediunidade.
Com um ótimo grupo de atores, incluindo Celia Imrie, do filme "O exótico Hotel Marigold", o filme surpreende por conta de vários plot twists ao longo da narrativa. Mesmo sendo um filme de baixo orçamento, o filme segura a atenção.
Venom
"Venom", de Ruben Fleischer (2018)
Diretor da franquia "Zumbilândia" e do policial "Caça aos gangsters", Ruben Fleischer teve a missão de levar às telas um personagem que passeia na mesma vibe do anárquico "Deadpool". Isso porquê Venom precisa se alimentar de cabeças humanas!!!!! Ou seja, bizarrices à mil nessa adaptação que foi destruída pela Crítica, mas que me entreteu em suas quase 2 horas. Tudo bem, não é dos melhores filmes da Marvel, mas ver Tom Hardy dando faniquitos e Michelle Willians como She-Venom vale o ingresso.
Mas o mais curioso, é que quando o Filme de ficção científica "Vida" foi lançado pela mesma Sony em 2017, havia rumores de que seria um Prequel para "Venom". Assistindo, de fato parece, pois o filme começa exatamente como terminou "Vida", e o ser alienígena se parece bastante nos 2 filmes.
Algumas tiradas são bem divertidas, e os efeitos são bacanas. O filme tem uma atmosfera mais sombria, mas repleto de humor negro.
sábado, 6 de outubro de 2018
Luz verde permanente
"Permanent green light", de Dennis Cooper e Zac Farley (2018)
Livremente inspirado na história do jovem australiano Jale Bilardim que se suicidou como homem bomba, logo depois de se filiar a um Grupo Islâmico. O que intrigou as autoridades, é que somente ele morreu, havendo uma preocupação da parte dele de que não houvessem pessoas na rua pública onde ele detonou a bomba.
A dupla de diretores e roteiristas Dennis Cooper e Zac Farley realizam esse drama independente francês, que competiu no prestigiado Festival de Rotterdan. Através da história de 5 amigos, o filme propõe discutir, de forma romântica, o suicídio sem vínculos políticos, apenas com uma forma de desaparecer da humanidade. Os jovens são de classe média, têm problemas de falta de comunicação com seus pais e não encontram um futuro muito promissor pela frente. Um deles, procura constantemente pela internet, uma forma de fabricar uma bomba.
Polêmico, o filme não procura evitar o suicídio através de terapias ou aconselhamento por parte de profissionais. O tempo todo, e de forma bastante verborrágica, o roteiro mostra esses jovens totalmente apáticos, uma geração sem ambição. É um filme sobre a desilusão, e nem é aconselhável ser assistido por pessoas influenciáveis. Devo dizer que é um filme muito chato, de ritmo arrastado, talvez intencionalmente para que o espectador sinta a monotonia dos personagens.
sexta-feira, 5 de outubro de 2018
Leave no trace
"Leave no trace", de Debra Granik (2018)
Melancólico drama independente americano, dirigido pela Cineasta Debra Granik, mesma realizadora de "Inverno da alma", filme que lançou Jennifer Lawrence ao estrelato.
Exibido com sucesso em Sundance 2018, e na Quinzena dos realizadores em Cannes , "Leave no trace" narra uma história muito semelhante a "Capitão Fantástico", com Vigo Morttensen.
Will (Ben Foster(, veterano de guerra e portador de Ptda (Síndrome pós traumático) , mora com sua filha Tom (Thomasin McKenzie), 13 anos, na floresta de Oregon. Escondidos de todos, eles vivem como de pequenas plantações e de eventuais idas à cidade para comprar produtos de primeira necessidade. Após Tom ser flagrada por um corredor, a polícia chega e os prende, levando-os até a Assistência social. Pai e filha fogem de novo até à floresta, mas no pouco tempo em que ficaram na assistência social, foi o suficiente para modificar o pensamento de Tom, que já não compartilha dos mesmos ideais de seu pai.
Raro filme a receber 100% de aprovação do Site Rotten Tomatoes, "Leave no trace" tem um ritmo extremamente lento.
Acho um bom filme, mas nada que já não tenha visto antes, e melhor. Boa direção, bom trabalho da dupla de atores. Esse tipo de filme que glorifica a vida na natureza e faz discurso contra o capitalismo já rendeu "Vida"e "Na natureza selvagem", dois excelentes filmes.
Conquistar, Amar e Viver Intensamente
"Plaire, aimer et courir vite ", de Christopher Honoré (2018)
A filmografia do francês Christopher Honoré me interessa bastante. Desde os excelentes "Em Paris" e "As canções de amor", que não deixo de assistir a um filme seu.
Seus filmes geralmente versam sobre relacionamentos apaixonantes mas envoltos em auras de tragédias e mortes, onde a saudade bate forte à medida que a ausência consome os personagens. Novamente apostando na temática do amor entre um casal gay, Honoré ambienta seu filme no ano de 1993, quando a Aids e o HIV continuam matando a comunidade gay de forma desenfreada. É dentro desse panorama maldito, que Jacques ( Pierre Deladonchamps) , de "O Segredo do lago" e Arthur (Vincent Lacoste ) se conhecem, dentro de uma sala de cinema, onde esta sendo exibido "O piano", de Jane Campion.
Jacques tem 35 anos e é escritor. Arthur tem 20 anos e deseja estudar cinema. Jacques é de Paris, Arthur é de uma cidade pequena e quer se mudar para Paris para poder flertar com quantos homens quiser, agora que ele resolveu se assumir publicamente como homossexual. Jacque sé portador do HIV. Entre a culpa e o desejo, os 2 personagens perambulam em círculos, buscando outros parceiros, mas acabam retornando um ao braço do outro.
Honoré bem que tenta em alguns momentos trazer o gênero musical ao filme ( em 'As canções de amor", literalmente o filme vira musical. O filme é repleto de música, a fotografia privilegia a luz noturna da cidade, melancólica. Mas é um filme ao mesmo tempo sexy e triste. As cenas de sexo são sensuais, os atores estão ótimos, mas a sua longa duração pesa contra, são 2:13 horas, totalmente uma loucura, podendo ter sido cortado em pelo menos 20 minutos.
O filme foi exibido em competição no Festival de Cannes 2018. Não é seu melhor filme, mas para quem curte filmes românticos protagonizados por personagens gays, e ainda por cima, filme verborrágico onde falam sem parar, aqui é a pedida certa.
Papillon
"Papillon", de Michael Noer (2017)
Segunda aversão da famosa biografia do francês Henri Charriére, já levada às telas anterioremente com Steve Macqueen e Dustin Hoffman nos papéis agora de Charlie Hunnan e Rami Malek.
O filme começa em 1931, em Paris. Papillon ( apelido dado por conta da tatuagem de borboleta em seu peito) é preso com acusação falsa de ter assassinado um cafetão. Papillon é um bandido especializado em roubar para uma máfia local, e sua sentença é de prisão perpétua. Ele acaba sendo levado até a Guiana Francesa, para uma prisão para deportados franceses. Chegando lá, ele fica amigo de Louis Deas (Malek), que, por ter dinheiro, acaba sendo figura chave para a possibilidade de fugir da Ilha.
A história da amizade entre esses 2 homens é o emociona o espectador. Bem dirigido e com excelente atuação dos 2 atores ( Malek copia os trejeitos de Dustin Hoffman) , o filem conjuga drama, ação de forma espetacular. É longo, 2:13 de duração, mas é um épico humanista cujo livro, lançado em 1970, se tornou um imenso best seller, e responsável pela eliminação dessas penitenciárias, para onde j;a foram deportados mais de 80 mil pessoas.
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
Legalize já- Amizade não morre nunca
"Legalize já- Amizade não morre nunca", de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé (2017)
Cinebiografia do cantor Marcelo D2, vocalista da Banda de Rap "Planet Hemp". O filme encobre o início dos anos 90, com a dura vida de Marcelo, que vendia camisetas de bandas de Rock no centro da cidade, como camelô, a sua relação com sua namorada grávida e o conflito sobre um possível aborto; o drama com seu pai ( Stephan Nercessian), que o cobra por não ter um emprego decente e uma casa para morar; e principalmente, a sua amizade com Skunk ( Ícaro Silva), o grande idealizador da banda e incentivador de Marcelo, para que ele largasse a vida de camelô e de vendedor de loja de eletrodoméstico para se lançar com cantor de rap. expondo as suas frustrações e angústias através das letras que escrevia.
O filme ganhou 5 prêmios no Festival Aruanda em 2017, e deve agradar aos fãs do cantor. A fotografia estilosa, quase em tom de preto e branco, reforça a dramaticidade da história.
O filme na verdade, tem uma presença muito mais forte e vibrante na figura de Skunk, através de uma performance magistral de Ícaro Silva. Ele sim, é a grande motivação para se assistir a esse filme, dando um exemplo simbólico da luta do brasileiro que jamais desiste de seus sonhos, mesmo em momentos de desespero total.
terça-feira, 2 de outubro de 2018
Jonas
"Jonas", de Christophe Charrier (2018)
Drama que é um soco no estômago, com um desfecho trágico que me deixou muito triste.
O filme envolve 2 momentos na vida de Jonas: aos 15 anos e aos 33 anos de idade. Adolescente, Jonas é um gay enrustido. Aos 33 , ele é totalmente assumido e faz pegações desenfreadas no Grindr. Trabalhando como enfermeiro, descobrimos que Jonas tem um passado traumático, que envolve a sua amizade com o colega de turma Nathan, jovem judeu homossexual, por quem ele se apaixona.
Com excelente atuação dos atores que interpretam Jonas nas duas fases, e do ator que interpreta Nathan, "Jonas"é um belo drama contundente. A montagem intercala as duas épocas, para trazer uma surpresa no decorrer da história da razão do trauma de Jonas.
O filme é bastante sexy, com ótimo clima de tensão sexual.
Ótima Direção de Christophe Charrier, que também escreveu o roteiro.
Não se preocupe, ele não vai chegar longe à pé
"Don't Worry, He Won't Get Far on Foot", de Gus Van Sant (2018)
Cinebiografia do cartunista John Callahan, nascido em 1951 e morto em 2010. Exibido em Sundance em competição no Festival de Berlin 2018, o filme faz parte de leva de filmes humanistas e melodramáticos de Gus Van Sant ( "O mar de árvores", "Terra prometida"). Particularmente, gosto mais dos filmes de Van Sant onde ele era provocador, como "Elefante", "Paranoid Park", "Gerry", "Garotos de programa", "Mala noche'.
John Callahan nasceu em Portland ( cidade natal de Van Sant) e desde criança se tornou alcóolatra. Aos 21 anos, ele sofreu um acidente de carro, que estava sendo dirigido por um homem que ele conheceu nessa noite de bebedeiras, interpretado por Jack Black. resultado: Callahan se tornou quadraplégico. Diante da nova perspectiva de vida, Callahan acabou abandonando a bebida e participou de grupos de apoio, até se tornar um cartunista famoso, mas odiado por muita gente, pelo sue conteúdo politicamente incorreto.
O filme tem uma montagem que mistura tempos, e entremeada por cenas de animação do verdadeiro Callahan. Como filme, é correto, mas sem alma. Tá ali, tudo certinho, mas falta um impulso para que a gente se apaixone pelo filme. O que me fez segurar a atenção, obviamente é a performance arrebatadora de Joaquim Phoenix, e surpresa das surpresas, de Jonah Hill, mais magro e em papel dramático, interpretando um gay.
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Oitava série
"Eighth grade", de Bo Burnham (2018)
Amei, amei, amei, amei essa comédia dramática super premiada, o filme mais elogiado no Festival de Sundance 2018. Bo Burnham é Ator e roteirista, e esse é seu filme de estréia. Para quem não se lembra, ele trabalhou na comédia "Doentes de amor", indicada ao Oscar em 2018.
"Oitava série" tem toda a cara de um filme de Wes Anderson, e também lembra um pouco "Ladybird", so que direcionado à outra faixa etárea. Em "Oitava série", a protagonista, Kayla, tem 13 anos e está prestes a terminar a sua oitava série e no ano seguinte, entrar para o ensino fundamental. Junto com isso, vem todas as angústias de uma menina assustada com o processo de crescimento.
Kayla é tímida, não tem amigos, é órfã de mãe e mora com seu pai, Mark (Josh Hamilton, absolutamente apaixonante no papel). Kayla cria um Canal no Youtube dando dicas de comportamento e auto-estima, tudo o que ela não consegue ser. Sem seguidores e nenhum like, ela é a própria Looser. Quando você acha que o Diretor e roteirista Bo Burham quer narrar um filme masoquista onde ele bota a protagonista para sofrer o tempo todo, ele alterna com momentos brilhantes de humor ferino, ácido e melancólico. Ao mesmo tempo que a gente antipatiza de Kayla, por ela destratar seu amável pai, a gente se apaixona por ela, porquê simplesmente, quase todo mundo já passou por situações como as dela.
Muitas cenas antológicas: a simulação de ataque terrorista na escola; Kayla tentando aprender a fazer sexo oral com uma banana; a cena da piscina onde ela conhece o nerd Gabe; a cena do shopping com o seu pai a espionando. Mas nada disso seria possível, sem a presença magnetizante de Elsie Fishr no papel principal. ela começou na carreira dublando a voz de Agnes em "Meu malvado favorito". Elsie lembra bastante o biotipo de Abigail Breslin quando surgiu em "A pequena Miss Sunshine". O seu carisma e talento impressionantes constróem uma personagem trágica e humana, a pobre coitada que sai do lugar comum das pessoas que sofrem bullying e tentam suicídio. Kayla não pensa em se matar. ela pensa em ser alguém.
"Oitava série" é um dos filmes mais espetaculares sobre a adolescência.
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