quarta-feira, 14 de agosto de 2024
Skin to skin
'Skin to skin", de Luke Daly e Nathan Fagan (2021)
Curta LGBTQIAP+ irlandês, "Skin to skin" traz uma narrativa experimental pelo ponto de vista dos seus diretores, Luke Daly e Nathan Fagan. O filme parte do seguinte princípio: um olhar sobre a pegaçao na cultura queer. Geralmente associado a sexo sem compromisso, o filme mostra o lado íntimo, revelador e comovente de pessoas que se se conhecem uma única vez, mas que após o sexo, se mantêm conectados ao reveleram histórias bastante pessoais, se abrindo para estranhos que talvez nunca mais verão e que nem sabem o nome. Os diretores estrevistaram diversos integrantes da comunidade Lgbt e escalaram atores e modelos para darem vida a essas vozes, em imagens abstratas, on;iricas, lúdicas e poéticas, que exploram e dão um mood ao tom confidencial e sussurrante. Elegante, belamente fotografado, o filme embala o espectador em um mundo etéreo e melancólico.
Little girl blue
"Little girl blue", de Mona Achache (2023)
Concorrendo no Festival de Cannes 2023 na mostra Golden Eye, dedicado a documentários, "Little girl blue" é um docudrama provocativo escrito e dirigido por Mona Achache. O filme consgeuiu um feito inédito no César, que foi receber indicação de melhor atriz para Marion Cotillard para um filme documentário. Mona decide revisitar em material de arquivo e com reconstituição a imagem de sua mãe, a escritora e atriz Carole Achache, que se suicidou aos 63 anos de idade, se enforcando. Mona busca entender o processo mental e espiritual de sua mãe. O filme fala sobre 3 gerações de mulheres: a avó, a mãe e a própria Mona. Monique Lange foi editora e escritora nos anos 50 e 60, e muito influente e amiga de artistas e intelectuais, entre eles, o cineasta Jean Genet e a escritora Marguerite Duras. Carole, na época com 12 anos, mantinha vinculo com os amigos de sua mãe, até que ela foi abusada sexualmente por amigos de Genet. Monique, com medo de ser hostilizada pelos amigos, não deu atenção à filha. Já adulta, Carole tentou ingressar no meio artístico como atriz, e depois, escritora, mas foi esnobada pelos editores. Fez muitas fotos posando nua e chegou a ir até Nova York, onde se relacionou com um amante que a induziu a fazer programa. Grávida de Mona, Carole se dedicou aos afazeres de mãe e também à festas, mas sempre mantendo uma aura de melancolia.
Mona convida a atriz MArion Cotillard para dar vida à sua mãe. A cena que Marion chega no escritório de Mona e ela apresenta o material de arquivo, roupas, jóias, peruca e maquiagem que a mãe usava, e assim, Marion vai se transformando nela, é assombrosa. Marion carrega o filme de uma forma espiritual, assim como fez em "Piaf". Um filme doloroso, um projeto feminino sobre mulheres que precisaram lutar contra a hipocrisia de uma sociedade patriarcal e machista.
terça-feira, 13 de agosto de 2024
Amável
"Milulis", de Stanislavs Tokalovs (2022)
Concorrendo no Festival de Locarno, "Lovable" é uma co-produção da Lituânia e da Estônia. A história me lembrou bastante do drama francês 'Amanda", com Vincent Lacoste: um jovem independente que do nada, se vê cuidando de uma criança, quando do falaceimento da mãe dela, e a sua dificuldade em lidar com a situação e o amadurecimento precoce."Lovable", no entanto, é mais amargo e denso, sem romantismo na relação de um adulto com a criança.
Matiss (Kārlis Arnold Avota), um jovem cobrador de dívidas está em um relacionamento amoroso com Agate, uma mãe solteira mais velha. Agate é mãe de Paula, uma menina de 9 anos. Agate é uma empresária bem sucedida, e deseja que Mattis venha morar com ela. Quando Agate morre acidentalmente, a assistência social tenta buscar um parente para cuidar de Paula, mas por enquanto, Mattis fica na função de cuidar da menina. Mas Mattis é jovem e quer continuar a sua vida sexual com diversas mulheres, dando pouca atenção pra menina.
Com cenas de sexo bem expositivas e muita nudez, o filme traz um grande dilema para o protagonista MAttis: um jovem que quer aproveitar a sua vida da melhor forma possível, com muitas mulheres e pouca responsabilidade. Mas quando uma criança fica sobre sua guarda, o personagem se divide entre ter responsabilidade ou agir como um jovem sem limites. Bons atores, uma trama densa e uma narrativa fria e triste.
Dominant chord
"Dominant chord", de Jeremy Leroux (2019)
Drama LGBTQIAP+ americano, "Dominant chord" mostra uma crise no relacionamento do casal gay Adam (Clayton James) e Brian (Sean Poague). Adam é um cantor country nacionalmente conhecido, mas seu público acredita que ele é hetero. Adam vive um relacionamento no armário, e Brian sofre com essa vida dupla. Mas quando um vídeo dos dois se beijando na rua e apanhando de grupo homofóbico viraliza, a agente de Adam, Jolene (Caitlin Stryker) pede que ele saia com uma conhecida celebridade feminina para tirar fotos de intiomiodade e esclarecer o mal entendido.
Um filme que apresenta um conflito profissional e pessoal que muitos artistas no armário passam, o filme faz refletir sobre o peso da decisão: o que prevalece? A carreira profissional, ou a pessoal?
Petit ami
"Petit ami", de Anthony Schatteman (2017)
Premiado curta LGBTQIAP+ belga, "Petit ami" é lindo, melancólico, sexy, e traz duas figuras solitárias em uma noite de natal. Jasper (Ezra Fieremans, excelente) é um jovem garoto de programa de 19 anos. Ele é chamado na noite de natal para atender um cliente em um quarto de hotel. Vincent é um homem de 40 anos. Eles fazem sexo, comem pizza, bebem, se divertem, Até que Jasper descobre que Vincent é casado, e que alugou o quarto para se suicidar em breve. Com belíssima e estilosa fotografia e cenas homoeroticas dirigidas com muita classe e sensualidade, o filme traz uma história apaixonante e triste sobre um amor de um jovem garoto de programa e um homem mais velho que poderia seguir para um romance. Mas o filme decide apostar na tristeza da época natalina e revela que a solidão muitas vezes vem sob o fardo da depressão. Muito boa a atuação do jovem ator Ezra Fieremans, totalmente imerso no personagem.
Planeta fantástico
"La planète sauvage", de René Laloux (1973)
Grand Prix no Festival de Cannes 1973, "Planeta fantástico" é uma obra-prima da animação francesa, uma produção experimental que revolucionou a linguagem dos desenhos adultos. A sua trama é bastante complexa ao falar sobre filosofia e metafísica, mas o pano de fundo é bastante claro: a luta de classes e a forma cruel como grupos que não fazem parte da sua civilização são exterminados. Pode-se dizer também que é uma grande metáfora sobre a crueldade dos humanos com os animais. Baseado no romance escrito pelo escritor francês Stefan Wul, "Oms", de 1957, o filme é uma ficção científica que se passa em um planeta, Ygam, habitado por gigantes humanóides de cor azul, com rosto de anfíbio, chamados Draags. Os Draags são serem bastante desenvolvidos cientificamente, tecnologicamente e espiritualmente. Os Draags sequestram humanos da Terra, a quem chamam de "Oms", com a finalidade de criarem como animais de estimação. Os Oms são maltratados pelos Draags: muitos morrem, enquanto outros conseguem fugir. Quando a mãe do bebê Teer é morta por crianças raags, Terr cresce junto da Draag Tiwa, que deseja tê-lo como animal de estimação. Durante seu crescimento, Teer acaba absorvendo o mesmo estudo de Tiwa, se tornando um ser humano consciente. Quando tem a oportunidade de fugir, Teer encontra outros humanos selvagens, e acaba ensinando a todos tudo o que aprendeu. Juntos, decidem lutar contra os Draags, mas eles precisam usar da inteligência emocional para conquistá-los.
Bizarro, surrealista, durante todo o tempo fiquie me lembrando de "O submarino amarelo", de George Dunning, a animação dos The Beatles de 1968 que já havia buscado uma lingauhem adulta e experimental na animação, com seres fantásticos e visual exótico. Mas "Planeta fantástico" propõe um estudo sobre filosofia que o eleva a um nível de viagem transcendental. Não é um filme fácil de se assistir. Mas certamente, ao final, o espectador será brindado com uma viagem lisérgica muito criativa.
segunda-feira, 12 de agosto de 2024
Dormitory
"Yurt", de Nehir Tuna (2023)
Premiado no Festival de Veneza com melhor roteiro, o roteirista e cineasta turco Nehir Tuna estréia em longa-metragem como um promissor drama, mostrando a força de sua narrativa e direção de atores. O filme tem inspiração na própria infância do cineasta, que morou 5 anos em um "Yurt", dormitórios islâmicos que ensinam os jovens a religião e cultura islâmica.
O ano é 1996, o auge dos conflitos entre a pol;itica secular(laica) e a religiosa, islâmica. A família de Ahmet é laica. O pai de Ahmet (Doga Karakas), 14 anos, decide se converter ao islamismo, como uma forma de redenção, e arrasta a esposa e o filho para a religião. AHmet estuda em uma escola secular de dia, e está apaixonado por uma das colegas de classe. Mas envergonhado de dizer que estuda em um Yurt, ele mente aos colegas e ao motorista do micro- ônibus que mkora nos arredores do Yurt. No dormitório, todos os rapazes são de classe baixa, e Ahmet é o único rico, tendo que esconder a sua situação financeira. Ahmet sofre bullying dos rapazes e do diretor do Yurt, que decide se vingar em Ahmet pela riqueza da família do garoto. Hakan (Can Bartu Aslan) é um dos residentes do Yurt que ajuda AHmet a suportar a opressão do lugar e ambos se tornam grandes amigos.
O filme tem uma fotografia espetacular, de Florent Herry, que é em 2/3 do filme, em preto e branco, e do nada, se torna colorido, em uma sequência encantadora do passeio de Ahmet e Hakan pela cidade, embalado pelo clássico pop italiano de 1969, "Ma che freddo fa ", de Nada Malasina. Os jovens atores, em especial Doga Karakas, estão excelentes. Doga lembra bastante Xavier Dolan quando jovem, trazendo um olhar doce e uma rebeldia incrível ao personagem. Fiquei apaixonado e encantado com o filme, um coming of age com iniciação sexual e conflitos familiares.
Clara esperança
"Clara esperança", de Diego Alexandre
Curta documentário escrito e dirigido por Diego Alexandre, "Clara Esperança" é o nome do Lp lançado pela cantora Clara Nunes em 1979. Mas também é o tema delicado do filme: logo no inicio, Clara deixa claro o seu desejo de ser mãe. Mas após diversos abortos espontâneos, ela dá uma entrevista para Leda Nagle no jornal Hoje que para realizar seu sonho de ter crianças, ela quer muito construir uma creche em sua cidade natal, Caetanópolis, Minas Gerais. Clara, nascida em 1942, faleceu no dia 2 de abril de 83, aos 40 anos, sem poder realizar seu sonho de montar a creche. Sua irmã mais velha, Mariquita, conhecida como Dindinha, decide levar adiante o projeto. Contando com apoio de políticos e de fã clubes, ela montou uma creche e um Memorial Clara Nunes. Dindinha foi considerada a 2a mãe de Clara, pois desde jovem Clara havia perdido a mãe e foi Dindinha quem a criou. Caetanópolis é considerado o berço da indústria têxtil no Brasil, e ali, Dindinha se dedica a suas obras sociais. O filme apresenta também Barthô, fã de Clara e que se apresentou nos anos 80 no programa de auditório de Luiz Armando Queirós da Tv Manchete para responder perguntas sobre Clara, e uma vez vencendo a competição, doar todo o dinheiro para a creche.
Durante 2 anos, Diego Alexandre trabalhou no Memorial de Clara Nunes, e decidiu levar essa história paraa o filme. Para fãs de Clara, um presente, e para o público em geral, um legado sobre a importância da presenvação da memória cultural brasileira.
Dandelion
"Dandelion", de Nicole Riegel (2024)
Drama romântico musical que muitos críticos compararam a "Apenas uma vez/Once", clássico dos anos 2000 do cinema indie. Trazendo a mesma melancolia de cantores que buscam um lugar ao sol, o filme apresenta Theresa ( KiKi Layne), que tem nome artístico de Dandelion. Ela passou sua vida cuidando de sua mãe doente e por isso, nunca saiu da cidade em busca de oportunidades maiores. Theresa se apresenta 3 vezes por semana em um bar em Cincinatti. Mas as pessoas não lhe dão atenção: falam, riem, a ignoram. Após uma discussão com sua mãe, que a coloca na parede em relação ao futuro dela, Theresa decide ir embora. Pega o carro e vai até Dakota do SUl para uma competição de um festival folk. Logo de cara, Theresa percebe que não será fácil chamar a atenção. Ela acaba conhecendo Casey (Thomas Doherty), um canto escocês também em busca de reconhecimento. Os dois se conectam, se apaixonam e procuram entender como faezr para lidar com suas vidas estagnadas e buscar um reconhecimento em umm universo já bastante saturado.
O filme traz belíssima fotografia de Lauren Guiteras, valorizando as locações, em uma atomosfera que remete à melancolia de uama América sonhadora de "Nomadland". Os atores estão bem, as músicas são boas, mas o filme não consegue trazer a beleza de "Once". Talvez porquê não tenha nenhuma música que traga a dôr dos sentimentos, tanto pessoal quanto profissional, ou porquê a aixão dos dois não seja tão carismática quanto ao filem irlandês. Mas é um bom filme que merece ser visto e, segundo a roteirista e diretora Nicole Riegel, trazer ao público um raro foco na mulher negra dentro do universo folk, mais especificamente, mulheres como Tracy Chapman.
domingo, 11 de agosto de 2024
A menina do mar
"The king tide", de Christian Sparkes (2023)
Exibido no Festival de Toronto, "A menina do mar" é um drama de realismo fantástico, que a grosso modo, poderia ter sido vendido como uma X-men que surge em uma ilha pequena e que passa a ser venerada como divindade, mas que não consegue controlar as suas emoções, podendo se tornar uma arma mortal.
Rodado na comunidade de Keels, Newfoundland, no Canadá, o vilarejo à beira do litoral possui apenas 30 moradores. É ali que o diretor Christian Sparkes apresenta a sua fábula sobre ganância e violência. Nessa ilha de pescadores, mora um casal: o profeito Bobby (Clayne Crawford) e sua esposa Grace (Lara Jean Chorostecki), que perde o bebê que estava esperando. Um dia, os pescadores encontram um barco acidentado e ali Bobby encontra uma bebê. Ele decide adotar a bebê, que ele apelida de Isla. Para surpresa de todos, a presença dela cura qualquer doença e enfermidade: incluisve a mãe de Grace, Faye *Francis Fisehr), que sofria de demência, se cura. 10 anos depois, a ilha s efecha para o mundo externo, para que somente os moradores usufruam da divindade de Isla ( Alix West Lefler). Mas quando um menino morre e Isla não estava presente para salvá-lo, ela acaba perdendo seus poderes, e os moradores se desesperam.
O filme tem uma excelente fotografia e uma atmosfera de opressão, condizente com a triste história sobre pessoas que se corrompem, sobre a bondade e a maldade que co-existem em todos. O elenco é ótimo e mesmo com uma mensagem moralista sobre crime e castigo, o filme surpreende pela forma como lida de forma realista uma história fantasiosa.
Of hearts and castles
"Of hearts and castles", de Rubén Navarro (2020)
Premiado curta LGBTQIAP+ co-produzido pela Espanha e Estados Unidos, é escrito e dirigido pelo espanhol radicado nos Estados unidos Ruben Navarro. O filme começa apresentando Marcus (Philemon Chambers), que após o rompimento de um relacionamento, conhece Angel (Luis Carazo) na saída de um bar. eles conversam e acabam na casa de Luiz, que possui uma tatuagem em forma de coração em seu peito.
O filme é confuso e traz uma edição não cronológica dos acontecimentos. Talvez a intenção do diretor tenha sido apresnetar as várias estapas em um relacionamento, mas confesso que não captei a mensagem do filme.
Lonesome
"Lonesome", de Craig Boreham (2022)
Drama LGBTQIAP+ australiano, é um filme bastante visceral com cenas de sexo explicito e protagonizado por dois jovens atores que foram descobertos pelo roteirista e diretor Craig Boreham através do app de pegação GRINDR, o que explica um pouco a facilidade com que se expõem em cenas bastante fortes e erotizadas no filme.
Casey (Josh Lavery) é um cowboy do oeste. Ele deixa a sua pequena cidade do interior após um escândalo envolvendo seu relacionamento com um homem casado e segue para Sydney. Sua mãe liga para ele constantemente, mas Casey não atende, pois é considerado um marginal em sua cidade. Ao chegar em Sidney, ele vende seu corpo para poder faturar algum dinheiro, até que conhece durante uma orgia Tib (Daniel Gabriel). Os dois acabam se afeiçoando e Tib chama Casey para morar com ele e fazerem pequenos biscates como jardineiros em casas de ricos.
Mas os dois acabam se desentendendo e Casey vai ao fundo do poço, em processo auto-destrutivo, e acaba entrando no universo do BDSM.
Com cenas explícitas e repletas de fetiches BDSM, o filme fica restrito a maior parte do público. É um mergulho na solidão de uma nova geração que perdeu suas referências familiares e de joga na vida disposta a tudo, e onde o sexo sem freios acaba sendo um paliativo para as dores do mundo. A sequência de BDSM é muito forte e dá pena de ver Casey ali entregue a algo que ele não está confortável. Ótima performance de Josh Lavery em um personagem muito expositivo e complexo.
Animal
"Animal", de Sofia Exarchou (2023)
Lindo e melancólico drama grego, "Animal" é escrito e dirigido pela cineasta Sofia Exarchou, e traz um retrato cruel e depressivo dos animadores de resort de luxo, que vivem a sua felicidade para os turistas. Vencedor de inúmeros prêmios internacionais, incluindo melhor performance para a espetacular Dimitra Vlagopoulou, no papel da protagonista Kalia, o filme é totalmente naturalista e o espectador assiste a rotina dos personagens que não vivem grandes conflitos, mas é esse minimalismo que é muito doloroso nas entrelinhas. A linguagem do filme me remeteu muito ao cinema de Andrea Arnold, de "American honey", misturado ao cinema visceral e depressivo de Ulrich Seidl, o austríaco autor da trilogia "Paradise". É uma dramaturgia que mostra a futilidade dos muito ricos em detrimento de uma vida quase que de escravidão dos animadores. Todos os dias, eles se apresentam, cantam, dança, animam festas e atividades esportivas dos hóspedes, sempre com energia e sorriso nos rostos. Acabao o trabalho, os animadores mais jovens, que v6em de toda parte da Europa, seguem para festas e baladas, para beberem, fazerem sexo, se divertir, em uma vida totalmente hedonista. Kalia (Dimitra Vlagopoulou) trabalhou quase toda sua vida na ilha do resort, e na chegada de uma jovem, Eva (Flomaria Papadaki), Kalia passa a refletir sobre as suas decisões e o qanto ela deixou de viver a sua vida.
Rodado quase que em registro documental, é um filme poderoso, duro, sexo, e que traz uma cena absolutamente antológica e que certamente foi decisiva para Dimitra ganhar seu prêmio: em um karaokê, emocionalmente destruída, cantando 'Yes, Sir, I can boogie". Magistral.
sábado, 10 de agosto de 2024
Cuckoo
"Cuckoo", de Tilman Singer (2024)
O roteirista e cineasta alemão Tilman Singer adora fazer filmes de terror com tramas confusas e bizarras. Em 2018, ele lançou "Luz", sobre uma taxista que entra em uma delegacia e diz estar sendo ameaçada por um demônio. Agora, ele lança "Cuckoo", que foi exibido no SXSW e concorreu no Festival de Berlim na mostra Teddy, dedicada a narrativas LGBTQIAP+.
O filme tem uma trama muito louca, quase uma mistura de Dario Argento com David Cronemberg e M. Night Shyamalan. Surreal, fantasioso, a história acompanha uma família que vai se mudar para um resort nas Montanhas bavárias, Alemanhas. Gretchen (Hunter Schafer), de 17 anos , seu pai Luis (Márton Csókás), sua madrasta Beth (Jessica Henwick) e sua meia-irmã Alma (Mila Lieu), 10 anos. Gretchen perdeu sua mãe e foi morar com seu pai, que vai construir uma nova propriedade perto do resort. O diretor do retiro, (Dan Stevens) recebe a todos com muita alegria. Gretchen acaba conhecendo uma hóspede, Ed (Àstrid Bergès-Frisbey). e as duas têm um caso. Mas Gretchen passa a ser perseguida por uma mulher misteriosa, que veste uma capa e uma peruca loira, além de soltar um som estridente, que provoca convulsões em Alma.
Tilman Singer escrever um roteiro que traz como base científica os trinados de um pássaro cuco, além de falar de humanóides habitantes da floresta, de fato, é ser muito criativo ou doido demais. O terror é pouco explorado no filme, mais pendendo para um suspense light.
Caller number nine
"Caller number nine", de Sandy Honig (2024)
Divertido curta que concorreu nos prestigiados Festivais de SXSW e Palm Spring, "Caller number 9" foi inspirado em uma nota d epé de página de um site em 2017: sem querer, um operador de telemarketing acabou ligando para um programa de rádio ao vivo e acabou ganhando em um concurso. Partindo dessa premissa, a roteirista e cineasta Sandy Honig mostra um embate entre um operador de telemarketing estressado, James (Freddie Meredith) e a apresentadora de um programa de rádio, Maria (Patti Harrison). Ela diz que James ganhou 30 por cento de desconto em um equipamento de ski e tem que buscar em uma cidade longe de James. esse acaba se irritando e os dois se provocam, com Maria aceitando o desafio de James de entender qual dos dois provoca mais o outro ao vivo em vendas inúteis.
O filme tem um crescendo de bizarrices , com uma variedade de enquadramentos que parecem bastante um cinema dos irmãos Coen. Divertido e um show de atuações.
sexta-feira, 9 de agosto de 2024
É assim que acaba
"It ends with us", de Justin Baldoni (2024)
Adaptação do romance escrito por Colleen Hoover, um best seller que somente no Brasil vendeu mais de 1 milhão de exemplares, desde seu lançamento em 2018. O filme ganhou um fã clube enorme por conta do romance melodramático e principalmente pela trama de relações abusivas.
Justin Baldoni, diretor do filme, também é protagonista no papel de Ryle, o neurocirurgião que se relaciona com a dona de floricultura Lily Bloom (Isabela Ferrer quando jovem. Blake Lively adulta). Baldoni dirigiu dois filmes que amo, os lacrimogêneos "A cinco passos de você" e "Clouds". Em "É assim que acaba", não há apelo para faezr o público chorar, e sim, torcer pela felicidade da protagonista Lily. Durante toda sua infância e adolescência, ela testemunhou sua mãe sofrendo abusos violentos de seu pai. inclusive a própria Lily sofreu, principalmente quando ela passoua. namorar o jovem estudante Atlas (Alex Neustaedter quando jovem. Brandon Sklenar na fase adulta). Anos depois, Lily retorna para a sua casa quando seu pai morre. De volta à New Jersey, ela conhece o neurocirurgião Ryle, e é amor à primeira vista. os dois mantêm um relacionamento. Nesse meio tempo, Lily reencontra ao acaso Atlas, que agora é dono de um restaurante. Quando acontece um acidente doméstico, Lily relembra os abusos de seu pai na figura de Ryle.
O filme é bem decente e fará certamente muitas pessoas torcerem por Lily. Tudo no filme é bonito: o elenco, a direção de arte, trilha, a fotografia. É a receita de um filme convencional, mas que prende o espectador pela trama.
Armadilha
"Trap", de M. Night Sgyamalan (2024)
Se eu fosse dono da Limusine, processaria esse filme: como assim alguém preso à uma algema dá 3, 4 puxões e consegue arrebentar a armação de metal do carro? E mais, se eu fosse o Shyamalan, protegeria a filha Saleka Shyamalan, que é quase uma co-protagonista do filme, dos ataques da crítica e do público e não exporia ela a um trabalho que exige demais da personagem, sendo que ela é crua demais como atriz. O roteiro do filme reúne um absurdo por minuto, o que os americanos chamam de "Suspension of belief". Sinceramente, não dá para comprar trques de roteiro e de narrativa só pra fazer a história andar. No final das contas, fiquei pensando que se o filme tivesse sido lançado como uma sátira ou paródia, seria um clássico. Mas tendo que levar a sério e fazer o público ficar preso no suspense, é muito difícil.
Pra não dizer que achei tudo meehh, louvo aqui as performances de John Hartnett e de Alison Pill. Ele como o pai amoroso, e Alison no papel de sua esposa Rachel. A cena dos dois lá pro final é muito boa de atuação, e Hartnett quase repete o papel de James Macvoy em "Fragmentado', com um papel repleto de nuances e camadas. Pensando melhor, como o público na sala ria com tantos absurdos do roteiro e truques fáceis, acho que todo mundo acabou se divertindo bastante, no final das contas.
Saideira
'Saideira", de Pedro Arantes e Júlio Taubkin (2024)
Se algum desavisado for querer assistir à "Saideira" pela sinopse, vai achar que esse filme já foi feito antes com Ingrid Guimarães e Tatá Werneck e se chama "Minha irmã e eu". Afinal, duas irmãs que não se vêem há tempos, tem temperamentos distintos, vivem às turras e partem em um road movie com uma missão, sendo que no fundo, acabam se afinando e se amando, é a premissa dos dois filmes. Mas existe uma diferença muito grande. "Saideira" tem um tom mais realista, uma dramédia, que mesmo que aposte em um ou outro momento em uma comédia mais escrachada, o que fica é um sabor de "feel good movie". De quebra, o filme traz lindas imagens de Paraty, no Rio de Janeiro, e de municípios mineiros como Itabira, Tiradentes e de São Thomé das Letras, terra dos Ovnis e Ets.
Penélope (Luciana Paes) mora há mais de 10 anos em são Paulo, e retorna para Paraty para o velório de seu avô, Honório (Tonico Pereira), que a vida toda tocou um negócio de caldo de cana. Mas o interesse de Penélope é também descobrir a garrafa da cachça "Saideira", uma marca raríssima, afinal, ela é especialista em cachaças e viaja o Braisl inteiro em busca de raridades. Ela acaba reecontrando sua irmã Joana (Thati Lopes), ressentida com a irmã por ela ter ido embora e deixando ela sozinha. Juntas, decidem pegar estrada até Minas e ir atrás da 'Saideira" e da história da avó delas, que morreu sem que elas pudessem conhecer.
O filme é repleto de participações especiais: Suely franco, Rogério Fróes, Jackson Antunes, Ary França e Teca Pereira, excelente em cena.
O filme tem uma bela trilha sonora que ajuda a traduzir os sentimentos das cenas.
quinta-feira, 8 de agosto de 2024
We used to own houses
'We used to own houses", de David Robinson-Smith (2023)
Co-escrito e dirigido pelo cineasta australiano David Robinson-Smith, "We used to own houses" é um grito de desespero, um conto de ódio, vingança contra a ganância. O filme me pareceu bastante inspirado em "Parasita", a eterna luta entre as classes desfavorecidas. O cineasta teve a idéia para o filme aós ele mesmo sofrer e entender o desespero da população australiana com a piora da crise do custo de vida atualmente, e com o pensamentro de que jamais poderão ser donos de uma casa própria. O filme é uma fábula em tom de trhiller sobre um inquilino, o jovem Thom (Thom Green), que revoltado pelos constantes aumentos no valor do aluguel, decide invadir a casa do proprietário
Anthony (Anthony Phelan) e o ameaçar com um martelo, enquanto o obriga a ler um poema que fala sobre liberdade.
O filme traz uma linda fotografia da fotógrafa Jaclyn Paterson e um clipe de realismo fantástico, em tom onírico, onde os inquilinos encontram liberdade em sesu espaços para morar.
Elizabeth Taylor- As fitas perdidas
"Elizabeth Taylor- The lost tapes", de Nanette Burstein (2024)
Documentário que procura explorar quem foi Elizabeth Taylor, nascida em 32 e falecida aos 79 anos em 2011. O filme é construído a partir de uma entrevista que Liz concedeu em 1964, no auge de seu sucesso, ao jornalista Richard Meryman da revista LIFE, para a publicação de um livro. As fitas foram encontradas recentemente e assim como o maravilhoso documentário sobre Marlon Brando, o filme é todo narrado pela própria.
Não tem como as entrevistas não fugirem das fofocas da vida pessoal de Liz, que por décadas, alimentaram os tabóides: os 7 casamentos conturbados, incluindo o de Eddie Fisher, que namorava a amiga de Liz, Debbie Reynolds, e que quando foi consolá-lo após Liz perder o marido Michael Todd em um acidente de avião, acabaram tendo um caso e se casaram, deixando Debbie e os fofoqueiros incrédulos. E depois, ela abandonou eddie por Richard Burton, que ela conheceu no set de "Cleopatra".
Liz começou a ser atriz aos 10 anos de idade, em 1948, na série de filmes da cadela "Lassie". Ela era filha de um galerista de arte que acreditava que Liz poderia ser atriz e ela de cara ganhou o papel. A partir daí, o seu sucesso foi enorme, favorecido pelos grandes olhos azuis e a elegância e porte de Estrela. ALiás, por muito tempo, liz se ressentia que era considerada pela crítica como uma Estrela de cinema. e não uma atriz. Seu primeiro Oscar só veio em 1961, após 3 indicações perdidas, e ironicamente, em um filme que ela odiou: "Disque Butterfield 8". Depois,s eu 2o Oscar veio em 1967, com 'Quem tem medo de Virginia Wolf". O filme é fartamente ilustrado com um vasto material de arquivo, com fotos, cenas de filmes e bastidores. Ele termina com uma outra entrveista, dada por ela em 1985, falando dos escândalos com drogas, obesidade e por fim, seu envolvimento total com a causa e cura da Aids.
Cleaners
"Cleaners", de Glenn Barit (2019)
Premiada produção das Filipinas, "Cleaners" é um filme independente de baixo orçamento rodado com jovens não atores, selecionados entre estudantes reais de escolas de uma cidade no interior das Filipinas, Cagayan. Dividido em capítulos, cada um protagonizado por um estudante, o filme traz temas comuns aos filmes adolescentes: coming of age, dificuldade de comunicação entre gerações, busca por liderança, envolvimento com diretório estudantil, primeiro amor...
O filme é rodado em preto e branco, trazendo um visual anos 90, com alteração na velocidade quase como se fosse um stop motion, e cada protagonista tem a cor de seu figurino colorido de uma cor personalizada.
Simples, sem pretensões, "Cleaners" parece um filme realizado por estudantes e para estudantes que prezam a liberdade de estilo e de linguagem.
Project silence
"Talchul: Project silence", de Kim Tae-gon (2023)
Filme catástrofe de terror sul coreano, "Project silence" será lembrado como um dos últimos trabalhos do ator Lee Sun-kyun, o patriarca milionário de "Parasita", e que se suicidou em 2024, após bullying e cancelamento por ser flagrado consumindo drogas. Um ator excelente e mesmo nesse filme, consegue trazer muitos contornos ao personagem heróico.
O filme se passa dentro de um túnel, onde os sobreviventes de um acidente precisam sobreviver ao ataque de cães assassinos geneticamente criados em laboratórios, e também ao gás mortal que exala de um caminhão. Filmes ambientados em túneis, como "Daylight", com Stallone, ou "O túnel", norueguês, têm por mérito trazer tensão e claustrofobia.
Jung-won Cha (Lee Sun-kyun), um viúvo e funcionário da segurança interna de uma grande empresa. Ele precisa levar sua filha até o aeroporto, onde ela irá estudar na Austrália. Ambos quase não s efalam: ele por não dedicar tempo para a filha, e ela sentindo ausência do pai e da mãe falecida. Mas um acidente no túnel provoca uma catástrofe: carros batem, pessoas morrem. Um caminhão com gás mortal exala o veneno e as pessoas precisam fugir. Para piorar, cães assassinos fogem do caminhão do exército e começam a matar as pessoas.
Tem um personagem que rouba o filme, que é o frentista do posto de gasolina Jobak (Ju Ji Hoon), é o típico personagem de filmes sul coreanos, que extrapoam o humor e os exageros na composição de personagem, mas responsável pelo alívio cômico.
O filme tem ótimos efeitos, mas também muito falatório, sempre cortando pra central de segurança, e fica chato. O epílogo também mega desnecessário. O filme não traz a violência que se esperava de um filme sul coreano.
Borderlands- O destino do Universo está em jogo
"Borderlands", de Eli Roth (2024)
Eu nunca tinha ouvido falar do game ou da Graphic novel "Borderlands", e só tomei conhecimento quando assisti o trailer do filme pela 1a vez. O que me chamou a atenção não foi nem a história, a mais genérica possível, e sim, o super elenco, que vai de Cate Blachett a Jamie Lee Curtis, Edgar Ramirez, Kevin Hart, Jack Black (em voz), Gena Gershow e outros menos conhecidos. Durante o filme, eu parecia estar vendo um filme ruim do Luc Besson, com visual de "O quinto elemento" vs "Valerian". O filme é uma bagunça que traz referências pop a todos os filmes de ficção científica e de heróis que você possa imaginar, e isso não é mentira: 'Star wars", "X men", Guardiões da galáxia", "Esquadrão suicida", "Arlequina", "Caçadores da arca perdida", "Hans Solo", "Duna", "Mad Max", a lista é enorme e interminável.
Vi o filme sem saber nada da história e no final, fiquei com a impressão que a melhor forma de assisti-lo é assumir que é um trash protagonizado por Cate Blanchett que deve ter se divertido muito nas filmagens e ganho uma boa grana, e que algum dia da vida, irá se perguntar se foi real ela ter trabalhado no filme. E mais uma coisa: que robozinho chato, me lembrou o tempo todo do Jar Jar Binks, aquela figura que teve hate na trilogia de 'Star wars".
Os amantes búlgaros
"Los novios búlgaros", de Eloy de la Iglesia (2003)
eloy de la Iglesia é um cineasta espanhol responsável por filmes LGBTQIAP+ ousados e controversos que se tornaram cults em seu país. Diferente de ALmodovar, Eloy mostra cenas quase explícitas em seus filmes, com nudez frontal total e personagens mergulhados em prostituição, fetiches, tráfico de drogas, pedofilia. são filmes para um público adulto.
Em "Os amantes búlgaros", o roteiro traz um homem gay na faixa dos 40 anos, carente, que se apaixona por um imigrante búlgaro que extorque tudo dele: dinheiro, lar, pede presentes, jóias e mais, traz a sua noiva búlgara como imigrante para vir morar com ele no apartamento do gay. E ainda, exige dele documentos que legalizem a vida na Espanha.
Daniel Vergara (Fernando Guillén Cuervo) é um advogado respeitável, morador de um apartamento sofisticado em Madri. Junto de seus amigos gays, eles frequentam uma sauna gay em Chueca, bairro Lgbt de Madri, frequentado por rapazes imigrantes em busca de um gay que os sustente. É ali que Daniel conhece Kyril (Dritan Biba), um búlgaro heterossexual de 23 anos, um típico malandro que extorque dinheiro de gays carentes.
Mesmo transitando entre o drama e a comédia, principalmente nos personagens dos amigos de Daniel, que são hilários, não tem como não sofrer e não ficar angustiado com a relação entre Daniel e Kyril. Daniel é alertado o tempo todo pelos amigos sobre as intenções de Kyril, mas ele está cego de paixão. É uma situação desconfortável que certamente, muita gente já passou. A cegueira dessa paixão avasssaladora faz com que muita gente ignore ou até memso conscientemente se entregue de corpo, alma e financiamento a essa relação tóxica. O filme é bastante ousado nas cenas de sexo e na nudez.
terça-feira, 6 de agosto de 2024
Pink eye
"Pink eye", de Jacob Motz (2024)
Ótimo curta de humor ácido, dirigido e escrito por Jacob Motz e realizado ccom muito bom humor e cenas repugnantes. O trabalho de maquiagem de efeitos de Ally McGillicuddy e da protagonista Jessamine Burgum no papel de Shell são o grande segredo de sucesso do filme.
Eu não sabia que "Pink eye" significava conjuntivite. O diretor Jacob Motz havia lido o conto "P nariz", de Nikolai Gogol , e ficou fascinado. A história de um homem que acordou sem o sue nariz e por isso, virou o centro das atenções, é o tema de de "Pink eye": uma mulher poderosa, uma corretora de sucesso, acorda com uma horrível conjuntivite no dia que terá que tirar fotos para um catálogo. Assustada e sem poder cancelar as fotos, ela decide enfrentar o dia. Mas tudo o que encontra é o desprezo das pessoas e a repugnância.
Uma deliciosa sátira sobre imagem e sobre como a vida de alguém é desiquilibrada por detalhes, o filme diverte e enoja, graças de novo, ao excelente trabalho da atriz e da maquiagem, perfeita em detalhes.
Mickey's the mouse trap
"Mickey's the mouse trap", de Jamie Bailey (2024)
Com roteiro escrito por Simon Phillips, essa foi a 1a produção que se beneficiou da liberação do uso dos direitos autorais da imagem de Mickey Mouse no curta de animação "Steamboat Willie", que expirou no dia 1 de janeiro de 2024. Os produtores decidiram lançar um slasher baixo orçamento colocando o Mickey Mouse como um serial killer.
Logo nos créditos iniciais, os produtores já dão um tom de deboche fazendo referência ao início de 'Star wars": deixando claro que não inlfingiram direitos da Disney, e também, da Lucas Film.
O filme, rodado com baixo orçamento no Canadá, é uma pena dizer, mas é muito ruim. não serve nem para rir de tosquice. É ruim, e ponto. A história acontece toda em uma casa de diversão re pleta de fliperamas e brinquedos. Uma funcionária, Alex, vai comemorar 21 anos, mas o seu patrão diz que precisa que ela fique depois do expediente mais 3 horas para atender um grupo especial de 8 jovens. Alex fica puta, mas o patrão diz que irá pagar hora extra. Para surpresa de Alex, o grupo é formado por seus amigos, que querem comemorar o niver dela em grupo. Paralelo, o patrão de Alex está sentado em uma sala de cinema privé e assistindo a "Steamboat Willie" e é tomado por espírito malígno que o faz vestir uma máscara de Mickey Mouse e sair matando geral.
O filme foi feito a toque de caixa para poder ser conhecido como o 1o filme a utilizar a imagem de Mickey em um universo diferente do que ele é conhecido para a criançada. Tudo é mal feito e ruim, as mortes não assustam, o assassino não assusta, e o roteiro inexiste. Só vale ser visto por curiosidade, nada além disso.
E se fosse verdade
'Just like heaven", de Mark Waters (2005)
Super clássico da comédia romântica, "E se fosse verdade" é um daqueles filmes apaixonantes que todo espectador de fantasia ama rever.Filmado em San Francisco, o filme apresenta a Dra Elisabeth (Eeese Winterspoon), uma médica solitária e workhaholick que dedica todo o seu tempo aos pacientes. Sua irmã, Abby (Dina Spybey-Waters) quer porque quer apresentar uma pessoa para ela. A caminho da casa da irmã, Elisabeth sofre um acidente de carro. O tempo passa e o arquiteto solitário David (Mark Rufallo) aluga o apartamento que era de Elisabeth, que agora mora no apartamento como espírito e não tem ideia de que morreu. David consegue enxergá-la, e tenta expulsá-la de lá. Elisabeth não quer sair dali e juntos, procuram entender o que está acontecendo.
Com um excelente elenco de apoio, que conta também com John Heder, protagonista de "NApoleon Dynamite", no papel de um livreiro espírita, o filme faz rir, emocionar e torcer pelos personagens. Repleto de cenas hilárias e românticas, os dois protagonistas estão excelente e estavam no auge de seu momento de comédias românticas.
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
De pai para filho
"De pai para filho", de Paulo Halm (2024)
Escrito à seis mãos, pelo próprio cineasta Paulo Halm, Claudia Sardinha e Renata Corrêa, "De pai para filho" poderia também se chamar de "Os rejeitados", filme de Alexander Payne, sobre uma família que vai sendo construída a partir de pessoas solitárias que tiveram grandes perdas em suas vidas. José (Juan Paiva). é um jovem de Araraquara que chega à cidade do Rio de Janeiro para receber a herança de seu pai, Machado (Marco Ricca), músico famoso dos anos 80, mas que estava vivendo um ostracismo e uma decadência que o levaram à morte. José também perdeu sua mãe, morta de câncer, ambos abandonados há 20 anos por Machado. A vizinha do seu prédio, Dina (Miá Mello) e sua filha adolescente Kat (Valentina Vieira) perderam o marido e pai, Carlos (Thiago Fragoso). Todos esses personagens não conseguiram assimilar a morte de seus entes queridos e as emoções variam entre raiva, frustração, ódio, ausência. Sendo vizinhos, todos irão s erelacionar e unir as suas dôres, entre dramas e risos.
O filme foi escrito e filmado durante a pandemia da Covid, o que explica as críticas ferozes à Cloroquina, no personagem de um médico escroque, machista e de direita interpretado por Charles Fricks. A música é importante na trama, desde as canções criadas para a banda de Machado, quando nas homenagens explícitas nas capas dos Lps de MPB, e do rock internacional das camisetas do porteiro. Uma dramédia sensível, às vezes divertida, mas que explora a bondade das pessoas, ainda possível, em um filme com uma mensagem positiva e altruísta.
Chabuca - Baseado na vida de Ernesto Pimentel
'Chabuca", de Jorge Carmona (2024)
Cinebiografia do artista peruano Ernesto Pimentel, conhecido nacionalmente como a apresentadora de tv, cantora e Drag queen Chabuca. Ela apresenta há anos o programa de tv "La chola Chabuca", com uma audiência que conquista pessoas de todas as idades.
O filme começa com Chabuca nos dias de hoje se preparando para entrar em cena. Mas ela desmaia, e suas memórias tomam conta de si. O filme retorna para 1978, quando Ernesto tinha 8 anos, morando em Arequipa, região pobre do Peru. Ernesto era um bom estudante e bom rapaz, mas passava fome. Sua mãe, Nelly, sustentava os dois se apresentando em cabarés eróticos. Quando Nelly morre, Ernesto é cuidado por sua tia Estelitta. Já adolescente, ele busca a carreira artística na grande cidade. O filme acompanha seus amores, sua luta profissional e o HIV que contraiu em 1990 de seu então namorado, e como até os dias de hoje, convive com o vírus. O filme termina mostrando que Chabuca contribui em Ongs, faz doações e segue na sua luta para a prevencção do HIV.
O filme é narrado de forma diática, contando com bons atores e ótima ficha técnica. Bela fotografia, figurinos coloridos e respeitosos e uma trilha sonora repleta de latinidade.
domingo, 4 de agosto de 2024
Godless- O exorcismo de Eastfield
"Godless- The Eastfield exorcism", de Nick Kozakis (2023)
Melhor filme do público 2023 no prestigiado Festival Sitges, destinado a filmes de gênero terror, "Godless" é baseado em trágica história real. Em 1993, Joan Vllmer passou a ter sinais de possessão demoníaca. Sua médica diz ser esquizofrenia e distúrbios mentais, mas o marido religioso de Joan dizia ser caso de exorcismo. Ralph buscou um exorcista não autorizado pela Igreja católica, e no final, Joan acabou morrendo durante as sessões de exorcismo, resultado de maus tratos e torturas.
Lara (Georgia Eyers) está sofrendo distúrbios mentais que a fazem ter visões. Ron (Dan Ewing) discute com a psiquiatra de Lara, alegando que ela está tendo possessão demoníaca. Ron acaba procurando a líder de sua congregação pentecostal, Barbara (Rosie Traynor), que indica Daniel (Tim Pocock), um exorcista não regulamentado. Daniel amarra Lara em uma cadeira e durante dias, a tortura f;ísica e mentalmente, impedindo-a de comer e beber água.
Vendido como filme de terror, o filme é na verdade um drama psicológico. É um filme brutal e muito violento, com cenas extremas de violência contra a mulher e de torturas. O filme pode ser um gatilho e por isso, não recomendado para espectadores com históricos de violência doméstica. O desfecho é muito devastador.
O soldado desaparecido
"The vanishing soldier", de Danny Rosemberg (2023)
"Faça amor, não faça a guerra". Esse poderia ser um título alternativo para 'O soldado desaparecido", uma tragicomédia israelense que acontece toda em um único dia. É uma mistura de "After hours" com "Corra Lola Corra".
Shlmi (Ido Tako) é um doldado de 18 anos que está na frente de uma batalha contra o Hamas. Mas durante o combate, ele abandona os colegas soldados, pega um carro e foge para Tel Aviv. Ele não está desertando, e sim, indo para reencontrar a mulher que ele ama, a suos Chef Shiri (Mika Reiss), que está de partida para o Canadá no dia seguinte. Shlmi quer convencê-la a ficar com ele, por amor, e juntos, montarem um restaurante. Mas enquanto Shlomi tenta ir atrás de sua namorada, o exército acredita que ele foi sequestrado pelo Hamas, e a mídia toda noticia o fato.
Muito bem dirigido, mantendo o ritmo o tempo todo, "O soldado desaparecido" tem um a excelente performance de todo o elenco, principalmente o do protagonista e da atriz que interpreta a sua mãe. A cena dela, ciente da enrascada de seu filho, conversa com militares que anunciam da possibilidade dele estar morto, é um primor de atuação. Outra cena memorácel é em um bar lotado de civis, todos dançando e benendo ao som de "Titanium", de DAvid Guetta, e as pessoas comentando sobre morte de soldados em atentado e continuarem a sua rotina, sendo o assunto mais banalizado para todos.
Um romance do além
"Guan yu wo han gui bian cheng jia ren de na jian shi", de Wei-Hao Cheng (2022)
Grande sucesso de bilheteria do cinema de Taiwan, "Um romance do além" é uma mistura de gêneros que funiona muito bem, apesar de sua longa duração, de 130 minutos. O clássico filme policial formado por uma dupla que não se tolera, um drama sobre homofobia, um romance no estilo "Ghost", além da união da comédia com o cinema de ação. Nessa fantasia, destaca-se o trabalho dos dois protagonistas, Greg Hsu, noo papel do policial Wu Ming-Han, e de Austin Lin, no papel do fantasma vagante Mao Mao.
Wu Minh-Han é um policial que se infiltra em diversos lugares para desbaratr uma gangue de traficantes. Jovem e boa pinta, Wu é isca em uma sauna, onde se faz passar por gay para prender um frequentador gay usuário de drogas. Acontece que Wu é homofóbico, e pelas suas atitudes, ele é constantemente advertido. Por ironia do detsino, Wu acaba se tornando o "Marido" de Mao Mao, um espírito vagante, que precisa cumprir sua missão na terra antes de partir de vez. Esse casamento acontece no budismo. Wu é obrigado a aceitar que Mao Mao esteja sempre com ele, e juntos, procuram descobrir o paradeiro da gangue e no caso de Mao Mao, entender qual laço ainda não está desatado em sua vida na terra que ainda o prende.
Divertido e inusitado, e obviamente, repleto de piadas que expõem a homofobia na sociedade conservadora e machista, o filme traz gags visuais hilárias, que lembram até "Dona Flor e seus dois maridos". De brinde, atuações incríveis dos dois atores principais e litros de lágrimas no final.
Um espírito baixou em mim
"All of me", de Carl Reiner (1984)
Clássica comédia fantasiosa dos anos 80, "Um espírito baixou em mim"é um ótimo veículo para os talentos dos mestres da comédia Steve Martin e Lily Tomlin. Roger (Steve Martin) é um adovogado contratado pela milionária moribunda Edwina (Tomlin), que desde criança é portadora de uma doença que a faz ficar confinada na cama. Prestes a morrer, Edwina quer que Riger aprove um testamento onde ela cede toda a sua fortuna para Terry (Victoria Tennat), uma jovem que permite que o espírito de Edwina assuma o corpo dela, pois ela não quer mais viver. Roger acja tudo uma maluquice, mas durante a assinatura do testamento, Edwina morre e durante a sessão de transferência de espírito realizada por um guru, acaba que Edwina baixa em Roger, sem que ninguém saiba. Victoria se mostra uma vigarista, que queria a fortuna de Edwina.
Baseado no romance "Me Two" , de Edwin Davis, o filme tem efeitos datados, mas toda a harmonia entre Martin e Tomlyn é brilhantemente acertada. Um filme gostoso, bem sessão da tarde, com ótimos coadjuvantes e uma história maluca, mas que funciona para fazer prosseguir toda a trama onde o espectador torce pelos protagonistas.
sábado, 3 de agosto de 2024
Stud country
"Stud country", de Lina Abascal e Alexandra Kern (2024)
Premiado documentário LGBTQIAP+ sobre o Club Bahia, um clube dançante em Los Angeles, inaugurado durante a pandemia da covid em 2021 e com o intuito de reunir os amantes da country music e Line dance da comunidade queer. O lugar foi criado por órfãos do Oil Can Harry's, um bar de line dance country que existia há décadas mas fechou em 2017. O filme entrevista o fundados da Stud country, Sean Monoghan e os dançarinos Anthony, Zach e Abi. Todas as noites, o local reune mais de 300 dançarinos queer. Mas o local acabou sendo vítima da gentrificação e será demolido. O filme retrata os últimos dias do local, trazendo melancolia para os que ali frequentam.
Mais sombrio que a meia noite
"Più buio di mezzanotte", de Sebastiano Riso (2014)
Exibido em competição na Semana da crítica de Cannes 2014, esse filme de estréia do italiano Sebastiano Riso é uma cinebiografia da famosa Drag Queen Fuxia, porém se limitando a contar a sua história apenas na fase adolescente, quando aos 14 anos de idade, resolveu fugir de casa e morar na rua.
Davide mora com seus pais e seu irmão em um apartamento classe média em Catania. Aos 14 anos, ele continuamente sofre bullying de seu pai pela sua aparência andrógina e sua extrema feminilidade. Davide foge de casa, e é acolhido na rua por travestis e michês. Para sobreviver, Davide acaba sendo agenciado por um cafetão. Seu sonho é ser artista e cantora.
O filme tem uma história interessante e de coragem, e tinha tudo para ser um relato emocionado de uma pessoa que apenas quer ser aceita do jeito que é. No entanto, o cineasta Sebastiano Riso exagerou no retrato do grupo Lgtb que faz parte da vida de Davide. São todos muito caricatos. Tudo parece uma eterna festa, e a cena deles roubando centenas de objetos no supermercado e nenhum segurança dando conta, é totalmente implausível.
O roteiro não consegue trabalhar com interesse a vida de Davide, e as cenas se sucedem burocraticamente, sem emoção.
O que realmente vale a pena, é a performance de Davide Capone, no papel principal. É um papel dificílimo, e mesmo com caricaturas, Davide consegue trazer certa humanidade e conflito interno.
Searching Eva
"Searching Eva", de Pia Hellenthal (2019)
Documentário LGBTQIAP+ alemão, concorreu em Berlim 2019. O filme me lembrou muito o brasileiro "Nome próprio", de Murilo Salles. No filme, Leandra Leal interpretava a blogueira Clara Overbuck, autora do livro "Máquina de pinball" e pioneira dos blogs na Internet. Foi a partir de blogs como o de Camila que as pessoas passavam a seguir pessoas anônimas que abriam toda a sua intimidade para quem quisesse, 24 horas por dia.
Assim tamnbém a italiana Eva Coll, que ao longo do filme vai transicionando para o gênero não binário. Quando o filme foi lançado, Eva já havia se tornado Adam Collé, um homem trans. O filme, como muitos críticos chamaram de "Filme Instagram", traz uma linguagem que procura aproximar o público da linguagem do blopg de Eva. Também uma pioneira, Eva se abre para os seguidores, expondo sua infância com um pai machista e sua mãe viciada em heroína. Eva decide escrever um Tumblr, intitulada "Variações de Guerra", que chamou a atenção da cineasta Pia Hellenthal e de sua produtora Giorgia Malatrasi, que decidiram seguir Eva por anos. Ela imigrou para a Alemanha, se tornou modelo e garota de programa. O filme acompanha as suas inquietações, o sexo com clientes, as amizades e a angústia de quem ainda não sabe o seu lugar no mundo.
O filme procura retratar uma geração que cresceu com a Internet e com a super exposição, trocando idéias com os seguidores e seguindo de modelo para muitos que acompanham a sua vida. É um filme que trata d etemas muito adequados para quem enfrenta uma pressão por uma sociedade que busca rotular tudo e todos em gêneros, carreira profissional, ambições. Eva é uma personagem fascinante e provoca o espectador o tempo todo com o seu existencialismo e crise de gênero.
sexta-feira, 2 de agosto de 2024
Patagônia
"Patagonia", de Simone Bozzelli (2023)
Competindo no Festival de Locarno, o longa de estréia do cineasta italiano Simone Bozzelli, que também co-escreveu o roteiro com
Tommaso Favagrossa, parece uma versão queer de "A estrada", de Fellini. Simone é um jovem cineasta que realizou o filme quando tinha 28 anos.
Ambientada na região de Abruzzo, no centro-oriental da Itália, cercada por montanhas e colinas, o filme acompanha o pós adolescente Yuri(Andrea Fuorto), um jovem franzino e queer que mora com suas 3 tias. Ele trabalha em um açougue local e vive uma vida solitária e entediante. Quando acompanha seu sobrinho em uma festa de aniversário, ele conhece Agostino (Augusto Mario Russi), um animador vestido de palhaço, mais velho que Yuri. Agostini pede para Yuri ser seu assistente na festinha e ele se encanta. Quando a festa acaba, Yuri decide fugir no trailer de Agostini e seguir com ele em uma vida errática de apresentações e festas. Mas com o passar do tempo, Agostini se mostra abusivo e o relacionamento se torna tóxico. Além disso, Yuri descobre que Agostini tem esposa e filho.
Rodado em 16 mm, com fotografia granulada e acentuando as locações ensolaradas da região, o filme é angustiante, pois acompanhar Yuri se tornar uma presa fácil para um predador não é tarefa fácil. Os dois atores estão excelentes, mas a perversidade de algumas cenas, como por exemplo, um golden shower forçado, é uma visão bastante deprimente. Não é um filme fácil para se recomendar para assistir.
A good teacher
"Pas de vagues", de Teddy Lussi-Modeste (2024)
Drama baseado em história real ocorrido com o cineasta e co-roteirista Teddy Lussi-Modeste, "A good tecaher" lembra os filmes sobre assédio e falsas acusações como "A caça", de Thomas Vintemberg, e "Infâmia", de Willian Wyller. No ano de 2019, Teddy foi professor de letras de uma escola em Seine-Saint-Denis, cidade conservadora da França. Ele foi acusado por uma aluna adolescente de tê-lo seduzido durante uma aula. Teddy, casado com um homem, e mantendo a sua vida pessoal privada, sem que ninguém tomasse conhecimento de sua homossexualidade, manteve-se no armário durante todo o processo, temendo homofofobia. Mas a escola, tanto os professores quanto os alunos, acabam tornando a sua vida um inferno, com bullying e invasão da vida privada, além de ameaças de morte vindo do irmão da aluna. Por fim, um vídeo dele dançando com seu namorado em uma festa viraliza.
Teddy é brilhatemente interpretado por François Civil ( de "Os três mosqueteiros"), no papel de Julien. A forma como o roteiro ai num crescendo de tensão e angústia é muito bem conduzida pelo diretor. A aluna, Leslie, também é muito bem performada pela jovem Toscana Dusquene.
What is buried must remain
"What is buried must remain", de Elias Matar (2022)
Um raro filme de terror libanês, "What is buried must remain" traz como pano de fundo um olhar crítico sobre a colonização francesa no país, que ganhou a sua independência em 1943, mas cujos fantasmas traumáticos sobre a população continuam até os dias de hoje.
O filme é um foudn footage, um gênero que teve seu auge nos anos 90 e 2000, mas que caiu em desuso peo excesso e banalização. "What is buried must remain" toda hora quer trazer referências explícitas à "A bruxa de Blair", incluindo a vítima de costas para a câmera e de frente para a parede, a casa abandonada e os personagens irritantes que gritam o tempo todo.
Três amigos decidem entrar em uma casa abandonada para registrarem imagens para um documentário que acreditam, irá deixá-los famosos. Nos anos 30, um rico industrial francês construiu a casa em um terreno onde houve um massacre dos povos nativos. Jack Torrance,o francês, enlouquece e assassina toda sua família. Lara Lara (Asma Jumaa), uma voluntária em uma Ong para refugiados sírios e palestinos; Shadi(Hamza Zahab), seu namorado câmera e o amigo do casal Alaa (Hassan Alkhlefe), que será o apresentador e deseja que o filme seja uma ponte para uma carreira em Hollywood. Ao chegarem no local abandonado, se deparam com um sem teto viciado em heroína, que toda vez que se pica, v6e os mortos que habitam a casa. Os 3 amigos decidem ir embora, mas não conseguem sair.
Como roteiro, o filme não traz novidades. O que de fato é muito bom, é a excelente direção de arte da casa, muito realista com seus escombros e decadência. Os atores são medianos e os personagens, irritantes.
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
Romance package for two
"Romance package for two", de Carlen May-Mann (2023)
Premiado curta LGBTQIAP+ americano, escrito e dirigido por Carlen May-Mann. O roteiro é baseado em situações ocorridas nos relacionamentos tóxicos e possessivos da diretora. Inspirando em fotos de "Love motels", repletos de cenografia cafona e iluminação retrô, o filme apresenta o casal ;ésbico Cleo (lJackie Abbott) e Judy (Tallie Medel). As duas administram sozinhas um Love motel. A relação está desgastada e monótona. Quando uma hóspede, Candy (Emma Maddock) surge, Cleo fica fascinada com ela, e ainda mais, quando decsobre que ela aluga o quarto para encontros sexuais como Dominatrix. Cleo passa a frequentar o quarto de CAndy, sem que Judy saiba.
O filme tem um visual totalmente retrô. Lembra muito os filmes de jim Jarmusch dos anos 80, com planos fixos, longos e uma narrativa que celebra o tédio. Filmado em super 16mm, repleto de granulação e tons pasteís, é um filme qque reflete sobre relacionamentos, e o quanto nos permitimos estar envolvidos em uma relação no papel de passivos.
Tuesday - O último abraço
'Tuesday", de Daina Oniunas-Pusic (2023)
"Ah, os filmes da A24 são estranhos.". Muita gente fala isso quando lê o selo da famosa produtora americana assinando um filme. Sim, "Tuesday" é um filme bem estranho da A24. Imaginem um papagaio que muda de tamanho e vem todo catito aparecer para as pessoas que estão morrendo, como um anjo da morte, abrindo as asas e aí, a pessoa morre de vez. Quem viu 'o sétimo selo", de Bergman, tem a figurosa sombria e misteriosa da Morte jogando xadrez. Aqui, o papagaio fala, toma banho, ameaça tomar café. Mas nada disso faz com que mude o destino de alguém. Não se engana a Morte. As pessoas tentam enganá-la, retaradar a Morte, esperneiam, gritam, batem nela, mas nada irá mudar.
Tuesday (Lola Petticrew) é uma adolescente com doença terminal e prestes a morrer. Sua mãe, Zora (Julia Louis-Dreyfus), está atônita com a eminente morte da filha e não consegue lidar com a situação. O papagaio aparece para Tuesday, e antes de morrer, ela pede pra Morte para fazer uma última ligação para a sua mãe, ao que a Morte permite.
Eu confesso que não sei dizer se gostei ou não do filme. Eu prefiro "Prova de amor", filme com Cameron Diaz. Sei que é bastante apelativo no melodrama, mas gosto mais. O que é inegável, é o excelente trabalho de CGI do papageio, impressionante para um filme de médio orçamento.
As duas atrizes estão excelentes, e Julia Louis Dreyfys é bastante versátil quando trabalha drama e humor. É um filme que é repleto de simbologia. Tem uma atmosfera lúdica sobre o tema da Morte e do luto. Muitos religiosos que assistiram ao filme não gostaram da revelação do papagaio de que "Deus não existe" e consideraram o filme anti-religião. Dependendo do seu ponto de vista, esse filme pemrite diversas interpretações.
Skin & Bone
"Skin & bone", de Eli Powers (2022)
A falta de sutileza do roteirista já entrega de cara o que o spectador irá assistir em "Skin & bone", drama de terror fantástico ambientado em uma isolada fazenda e somente com 2 personagens. Seus nomes: Cristian e Serene. Cristian = Cristão, e Serene vem de SIREN, sereia. Quem os interpretam é Thomas Sadoski e Amanda Seyfried.
Cristian, um homem atormentado por um passado, chega em uma fazenda pedindo trabalho e um lugar para ficar. Serene, que está ali sozinha e aparentemente desprotegida, decide acolhe-lo. Durante o sono, Cristian tem visão de homens pedindo ajuda. Ao caminhar na fazenda, vê túmulos com nomes femininos. Uma de suas visões pede que ele pegue uma arma e mate Serene.
O filme tem atmosfera, os atores estão bem, a fotografia traz um tom de pesadelo e a aambiguidade dos personagens é bastante atraente. O desfecho é óbvio, mas ainda assim vale assistir por recriar uma fábula sobre empoderamento feminino.
Shark warning
'Shark warning", de James Gadd (2024)
Eu sou apaixonado pelos filmes de tubarões, e de mês em mês lançam pelo menos 3 filmes. É uma fonta inegsotável de criatividade dos produtores e roteiristas, que vai desde tubarão zumbi, fantasma, cocaine, etc. Agora, a produtora The Asylum, especializada em filmes de baixo orçamento e na mesma mão, de baixa qualidade, lança "Shark warning". Nem precisa dizer que o filme é podre. O roteiro tem zero apelo, até porque o tubarão em si deve aparecer no máximo uns 2 minutos em cena total, se contar as suas aparições. Mas a agente ama efeitos toscos, elenco ruim, personagens caricatos e óbvios, e isso tudo tem. Dei umas boas risadas involuntárias principalmente quando alguém grita: 'Shark!". A história é sem noção: quando criança, 10 anos de idade, Alan presencia seu irmão Danny ser devorado por um tubarão enquanto brincavam na praia. Ele bota a culpa no tio Ron (David Chokachi) por ter pedido para eles brincarem na água. 20 anos depois,
David, agora Andrew J Katers, retorna à sua cidade. Quando ele fica ciente que um tubarão está atacando as pessoas, ele percebe que é o mesmo que matou seu irmão e se une à Lisa (Angela Cole), seu crush de infância, e seu tio para matarem de vez o bichano.
20 anos depois e o mocinho reconhece o mesmo tubarão? 20 anos depois e a mocinha reconhece David que não via há 20 anos e está com cara totalmente diferente? 20 anos depois e tio David está com a mesma cara? Pra quem curte trasheira com tubarão, pode ser que se divirta um pouco, não tanto quanto os filmes da produtora de 'Sharknado", mas garanto boas risadas com as performances.
O abandono
The abandon", de Jason Satterlund (2024)
Ficção científica e drama de guerra que toda a crítica internaiconal anunciou como um cruzamento de "Cubo" e "Enterrado vivo", mas com orçamento muito menor. "O abandono" é ambientado em 1991 durante a Guerra do Iraque. Soldados americanos lutam em terra. Quando o soldado Miles (Jonathan Rosenthal), é ferido, ele desmaia e acorda em uma sala cinzenta, sem saída. Ele tenta entender o que está acontecendo, até que a sala vai alterando as paredes, a gravidade e desafios passam a ocorrer. Frases desconectadas surgem nas paredes. Um telefone toca ele atende: é Damsey ( Tamara Perry), uma mulher na outra linha que está passando pela mesma situação que Miles. Durante a conversa e desafios onde eles não se vêem, as paredes começar a afunilar e a espremer os dois. Para surpresa de ambos, eles entendem que estão em épocas diferentes: ele em 1991, ela em 2020.
Um filme desses não poderia ter 100 minutos. Falta roteiro, falta ritmo, falta orçamento como em "Cubo" para entreter o público com desafios mortais. Mas como nada disso existe, além do que a trama é confusa, esteria ter 2 bons atores. Damsey só ouvimos a voz, e Miles, na performance de Jonathan Rosenthal, está ok. Mas não existe dramaturgia que o sustente, e nem um plot twist tenso como em 'Enterrado vivo". Chato.
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