quinta-feira, 27 de agosto de 2026

The odissey

"The Odissey", de Marcel Walz (2026) Eu fico impressionado com a rapidez com que a produtora indie americana The Asylum consegue realizar e lançar filmes pegando carona em mega blockbusters, além da enorme cara de pau de pegar caona em nomes e títulos. Segundo a Wikipedia, "The asylum é uma produtora e distribuidora americana famosa por criar filmes de baixo orçamento conhecidos como mockbusters — imitações de grandes produções de Hollywood lançadas com nomes e capas parecidos para confundir o público." Seu maior sucesso é "Sharknado", que se tornou viral. A bola da vez é "A odisséia", de Christopher Nolan. A versão da Asylum foi rodada em 12 dias, em West Virginia. O filme como um todo foi gerado em Ai: os cenários, monstros, embarcações, mar, tudo. Apenas os atores e uma locação 1a beira de um lago são reais. A história pega carona em quase todo o roteiro de Nolan, deixando de fora a Bruxa de Samantha Morton, mas todo o restante está ali: Ataque à Troia, as sereias, a tempestade e redemoinho, o monstro de oito cabeças, o Cíclopes...aqui ainda acrescentam a Deusa Atena. A ninfa de Charlize Theron também não existe aqui, nem a ilha dos mortos. O desfecho foi alterado, com o Cíclopes retornando à Itaca. Obviamente tudo é trash e tosco, e claro, motivo de muitas gargalhadas. O excesso de diálogos estraga a brincadeira e torna o filme mais arrastado do que deveria ser, pela proposta zoada dele.

A mulher da fila

"La mujer de la fila", de Benjamín Ávila (2025) Co-escrito e dirigido por Benjamín Ávila, "A mulher da fila" é baseado na história real de Andrea Casamento, fundadora da ACIFAD (Associação Civil de Familiares de Presos), uma organização argentina que luta pelos direitos de familiares de detentos. No ano de 2001, em Buenos Aires, a viúva Andrea (Natalia Oreiro), mãe de 3 filhos, Gustavo (Federico Heinrich), de 18 anos e os pequenos Matías (Juan Pedro Rodríguez Isturiz) e Martina (Julieta Rodríguez Isturiz), trabalha no ramo imobiliário e conta com o apoio da mãe, Alicia (Lide Uranga). Um dia, a polícia invade a sua casa, procurando por Gustavo, que eles acusam de fazer parte da quadrilha de um traficante. Gustavo vai preso, sem provas, e vai para um sistema prisional afastado da cidade. Sua mãe vai visitá-lo e logo entende que sue privilégio burgu6es não faz diferença: precisa enfrentar filas, ser revistada. COm o tempo, ela se mistura à outras mães. Nos 8 meses onde frequentou o presídio viistando seu filho, Andrea rev6e o seu conceito sobre a sociedade, as classes sociais e seu preocnceito contra o sistema prisional. Ela acaba se apaixonando pelo preso Alejo, que ajuda Gustavo a sobreviver lá dentro. Durante 14 anos, Andrea visitou a prisão, visitando Alejo, que acabou saindo em 2019. Eles se casaram e tiveram um filho. "A mulher da fila" ganhou o premio de melhor filme no Fetsival de Málaga, co-produzido Argentina e Espanha. O diretor Benjamin Avila já havia lançado em 2011 o premiado "Infância clandestina". Natalia Oreiro é o grande destaque do filme, que foi acusado por críticos de romantizar o sistema carcerário.

Blind mountain

"Mang shan", de Yang Li (2007) Escrito e dirigido por Yang Li, "Blind mountain" brutal, cruel, angustiante, violento. É muito difícil indicar o filme para alguém, por conta de sua natureza aterrorizante. O filme concorreu nos Festivais de Cannes e de Sundnace, e certamente surtirá muitos debates sobre direitos humanos e violência contra às mulheres. O filme é ambientado no início dos anos 90, no norte da China. O governo chinês prega a política do filho único. As bebês do sexo feminino normalmente são afogadas nas regiões pobres e rurais. Por conta da ausência de mulheres para casar, as famílias compram garotas que são sequestradas e obrigadas a conviver um matrimônio à força. Bai (Lu Huang) é um ajovem que terminou a faculdade. Querendo ajudar sua família endividada, ela aceita um trabalho para vender ervas na montanha remota. Mas ao chegar lá, ela decsobre que o recrutador que a contratou se fez passar por seu pai e a vendeu para se casar com um homem bruto, Huang (Youan Yang). Bai tenta fugir, mas é impossível. Ela se nega a se casar, mas é 3stupr4d4. Toda a vila é conivente com os casamentos forçados. Bai procura todo o tipo de ajuda, foge, mas sempre é arrastada de volta. Não esperem um momento de otimismo no filme. Até o último segundo, é sofrimento, torturas psicológicas, abusos de todos os tipos. "Blind mountain" é um filme sádico, que não traz respiro para a sua protagonista. Lu Huang tem um desempenho visceral e deve ter sofrido muito em desgastes físicos e emocionais para compor a personagem. O restante do elenco é formado por não atores, escalados no vilarejo.

Muito prazer

"Muito prazer", de Jorge Furtado (2026) Escrito e dirigido por Jorge Furtado, "Muito prazer" tem uma premissa bem parecida com "Saneamento básico", um de seus filmes mais conhecidos: personagens amadores e anônimos decidem montar uma equipe de filmagem e fazer filmes, no caso 3r0tic0s, para viralizar na internet e ganhar dinheiro com as visualizações. Obviamente, esse mote garante boas piadas e risadas, pela forma tosca e desengonçada que os personagens dirigem e atuam nos filmes, dessa vez auxiliados pela AI. O elenco é composto por um time de excelentes atores: Daniel de Oliveira, Luísa Arraes, Samantha Jones, Drica Moraes, a ótima revelação Felipe Veloso e atores gaúchos em participações divertidas. Daniel de Oliveira é Rubem: um rapaz solitário, formado em administração mas que sucumbiu ao desemprego e acabou como motorista de app. Com a morte de seu tio, Rubem herda um motel falido: Pérola. Rubem descobre que o Motel está cheio de dívidas e decadente. Ao entrar no estabelecimento, Rubem conhece Grace (Arraes), uma ex-funcionária que acabou moranndo por lá mesmo, uma forma de compensar a falta de pagamento de seus salários. Os dois decidem reativar o local, com muito custo: são assaltados, e o motel da frente faz uma forte concorrência. Grace acaba tendo uma idéia para ganharem dinheiro: colocar câmeras escondidas, gravar os casais fazendo s3x0 e mudarem seus rostos. Para isso, eles contam com a ajuda de Nalva (Jones), uma expert em computação e Ai. O filme se concentra quase todo no Motel e com poucos atores, funcionando às vezes quase que como uma peça teatral. Jorge Furtado, grande conhecedor do gosto popular, inclui diálogos rápidos e engraçados, e faz o filme para um público amplo, evitando apertar demais no 3r0t1sm0 e com isso, afastar a platéia. Por isso, aposta na ingenuidade dos personagens e nas situações, e o s3x0 nunca é visto, apenas sugerido em momentos engraçados.

No hit wonder

"No hit wonder", de Florian Dietrich (2025) Comédia dramática alemã, "No hit wonder" traz o mote bem batido de um loser que se une a um grupo de losers como ele e juntos ganham confiança e auo estima para vencer na vida. Daniel Nowak (Florian David Fitz) teve um hit estrondoso que o alçou ao mega sucesso. O problema é que foi o único hit, e nunca mais Daniel fez outro sucesso. Assim como a fama e sucesso vieram rápido, a decadência e ostracismo chegaram em seguida. Deprimido e isolado, Daniel tenta o su1c1d10, mas o tiro não o mata. Daniel acorda em um hospital psiquiátrico. Lá, ele conhece a enfermeira Lissi (Nora Tschirner), que na verdade, é uma estudante que vê em Daniel a sua chance de escrever a tese de doutorado perfeita. Lizzi convida Daniel para participar do coral do hospital psiquiátrico como forma de motivar seus estudos, e estimular a todos os integrantes a encontrarem na música, uma forma de encararem a vida de forma positiva. O filme é simpático e segue sem muitas surpresas na história. As músicas ecsolhidas são conhecidas e ajuda o público a se conectar: "Get lucky", "Come on Eileen". Os atores são carismáticos. A duração é longa, quase 2 horas, e se tivess euns 20 minutos a menos, seria mais efetivo e dinâmico.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Manila

"Manila", de Adolfo Alix Jr. e Raya Martin (2009) Os filmes filipinos geralmente transitam em dramas sobre personagens perifericos que tentam sobreviver diante da miséria e da violência. "Manila" é uma homenagem a dois filmes seminais e dois cineastas já falecidos: Lino Brocka e seu clássico "Jaguar", e Ishmael Bernal com "Manila by night". O filme "Manila" é dividido em 2 histórias, uma ocorrendo, de dia, a outra, de noite. O protagonista é Piolo Pascual, também co-produtor do filme. No segmento "Day", Piolo Pascual interpreta William, um viciado em drogas que tenta reconstruir seu senso de identidade e se reconectar com as pessoas ao seu redor. No segmento "Night", Piolo interpreta Philip, um guarda-costas do filho de um prefeito que acredita erroneamente que seu chefe o considera parte da família. O filme é rodado em 16 mm, preto e branco. Infelizmente, "Manila" não chega no nível dos filmes que procura homenagear. Faltou a roteiro mais intensidade draática, os personagens já são bem batidos e sme nenhuma novidade. Mas vale pelo olhar desolador da capital das Filipinas, e a decadência da sociedade, retratada com tintas melancólicas.

Chocolate

"Chocolate", de Prachya Pinkaew (2008) O cineasta Quentin Tarantino classificou o thriller de ação tailandês "Chocolate" em 17o lugar na sua lista dos 20 filmes favoritos do século 21, elogiando as suas sequências de luta. O diretor Prachya Pinkaew é o mesmo da franquia de sucesso "Ong bank". Novamente, as lutas marciais são focadas no Muai Thay. A protagonista é a jovem JeeJa Yanin, campeã de Thai kwen Do aos 14 anos e que levou 4 anos treinando Muai Thay para fazer a personagem. "Chocolate" foi um grande sucesso de crítica e bilheteria. Existem pelo menos 3 sequências que já valem todo o filme: a quadrilha de assassina strans; a luta entre Zen, uma jovem autista contra um lutador portador de síndrome de tourette e a batalha final, entre lajes e muretas. Zin (Ammara Siripong) é amante de um mafioso tailandês, No 8 (Pongpat Wachirabunjong). Ela é uma asassina que cobra dívidas para No 8. Mas ela acaba se apaixonando pelo Yakuza Masashi (Hiroshi Abe). Os dois vivem felizes até que o nº 8 os separa à força por meio de ameaças, enviando Misashi de volta ao Japão e interrompendo toda a comunicação entre eles. Zin, ao perceber que está grávida, muda-se para um apartamento e cria sua filha. Zen, nasce autista e de tanto assistir a filmes e séries de ação, acaba aprendendo a lutar. Zin adota um garot, Moon, que se torna amigo de Zen e a ajuda a treinar. Quando Zind escobre estar com câncer, sua filha e Moon decidem cobrar dívidas antigas de credores para poder conseguir dinheiro e custear as despesas com hospital. No 8 descobre e decide eliminar a todos. O filme é uma grande diversão, com um roteiro melodramático com cenas tocantes, e muitas lutas inverossímeis e por isso mesmo, geniais. A ariz que interpreta Zen e seu amigo Moon são muito carismáticos. O vilão No 8 é o supra sumo da maldade, uma caricatura odiosa e bem defendida por Pongpat Wachirabunjong .

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Tenement

"Tenement", de Can Baran (2023) Drama turco co-escrito e dirigido por Can Baran, vencedor de menção honrosa no Festival internacional da Grécia. "Tenement" é um curta que epxlora a vida de um zelador, Serkan (Sevki Cepa), que vive solitário em seu pequeno apartamento em um condomínio. Ele vive uma rotina servindo os os moradores do prédio. Na ausência dos moradores, Serkan entra nos apatamentos e vivencia suas vidas: olha fotografias, os ambientes. Quando ele entra no apartamento de Yucel, um idoso solitário, Serkan se vê nele. Ele encontra fitas onde stão gravados aúdios de Yucel, afirmando estar com Alzhemier, e guardando as suas memórias nas fitas. "Tenement" é um filme minimalista, simples, e que retrata a solidão e de que forma as memórias, através de áudis e fotografias, se tornam engrenagens fundamentais para se mante a sanidade mental.

Mansyon

"Mansyon", de Joel Ruiz (2005) Escrito e dirigido por Joel Ruiz, "Mansyon" é um premiado drama filipino de 2005, que muitos críticos comentaram ser precursor de "Parasita", de 2019. O filme apresenta um casal de empregados: Dolores (Roselyn Perez) e Ambo (Jess Evardone). Eles são entrevistados para vagas de empregada e jardineiro, respectivamente. Os patrões passarão 3 meses fora e querem que eles mantenham tudo arrumado e limpo. OS dias se passam, com muita presteza na arrumação da mansão e do jardim. Mas quando Dolores esbarra em um frasco de perfume e deixa derrubar o perfume, ela sente um impulso de querer se passar pela patroa: veste suas roupas, dorme na sua cama, trazendo seu companheiro junto, e assim, vivenciar uma vida de luxo que ele sjamais teriam chance de ter. Mas os patrões retornam antes. Mesmo sendo drama, "Mansyon" tem uma fina ironia, com momentos que, dependendo do olhar do espectador, podem ser divertidos ou trágicos. É um filme de silêncios, de observação, com ritmo lento, acentuando a rotina e monotonia do casal. Os dois atores estão bem em seus papéis, e é impossível o espectador não se simpatizar com eles.

Live show

"Live show", de Jose Javier Reyes (2000) Escrito e dirigido por Jose Javier Reyes, "Live show" é um drama erótico filipino que foi exibido no Festival de Berlim em 2000. Probido pelo governo e liberado um ano depois, mas com restrições, o filme inicialmente se chamava "Toro", que significa os shows de s3x0 ao vivo. Como muitos dramas filipinos, "Live show" apresenta personagens que vivem na periferia miserável de Manilla, e precisam recorrer à prostituiçao e casas de s3x0 ao vivo para sobreviver. Roily é filho de uma prostituta que está doente. Ele se prostitui nas ruas para clientes gays, e de noite, se exibe em casas de s3x0 ao vivo, onde clientes observam friamente, casais em atos s3xu41s. O filme apresenta outros personagens da noite: uma jovem mãe que se exibe na casa, e procura desesperadamente pelo filho que ela deu para adoção; um jovem casal precisa retornar à casa de show ao vivo, após tentativas frustradas de emprego que não aconteceram. Filmando as redondezas mais decadentes e desgraçadas de Manila, o filme não procura trazer um otimismo à trama. O personagem de Roily narra em off as vidas sem perspetiva de futuro, onde se vive o presente e a vã tentativa de sobreviver, perdendo a dignidade e se humilhando diante de pessoas que desconhecem as suas histórias. O filme traz nudez e muitas cenas de s3x0 simuladas, mas o mais degradante é ver as personagens fazendo expressões de tristeza e humilhação ao se apresentarem aos clientes.

The house of us

"Wurijip", de Yoon Ga-eun (2019) Escrito e dirigido por Yoon Ga-eun, "The house of us" é um drama sol coreano com ponto de vista de uma menina de 12 anos. É um drama contundente que me lembrou de "Ninguém pode saber", de Koreeda, sobre filhos abandonados pelos pais. Hana (Na-yeon Kim) mora com seu irmão Chan, de 16 anos, e seus pais. Hana é a mais estudiosa de sua turma. Mas ela sofre com as constantes brigas de seus pais, e fica cada vez mais isolada de seu irmão. Hana tenta de tudo para manter a felicidade de sua família, desejando a união, mas a tarefa se torna cada vez mais difícil. Ao ir ao mercado fazer compras, hana conhece duas meninas, Yoomi, de 9 anos, e Yoojin, de 7. Elas moram sozinhas em um apartamento, enquanto os pais trabalham fora em outra cidade. Hana faz amizade com as meninas e as protege, identificando a sua história com a delas. Quando vi o poster, pensei que seria um coming of age solar, mas fiquei surpreso o quanto o filme é melancólico e depressivo. A fotografia traz alternantes de dias ensolarados com interiores mais frios, intensificando emoções. As atrizes mirins são todas muito boas, trazendo performances naturalistas, espontâneas. Um olhar cruel sobre o mundo dos adultos, mediante a observação das crianças.

Follies

"Folichonneries", de Eric K. Boulianne (2025) Co-escrito e dirigido por Eric K. Boulianne, "Follies" é uma comédia erótica canadense, falada em francês. Poderia perfeitamente ser uma continuação do filme "O convite", de Olivia Wilde, se considerarmos que o casal de Seth Rogen e Olivia WIlde tivessem topdao participar de festas de swings. Menção especial no Festival de Locarno 2025, e rodado em película 16 mm, "Follies" é repleto de cenas de s3x0, envolvendo Bdsm, fetiches e 0rg14s em clubes, com muita nudez frontal. O casal François (Eric K. Boulianne) e Julie (Catherine Chabot) estão casados há 16 anos, e são pais de 2 meninas. Mas o relacionamento entrou na rotina. Seduzidos por amigos mais jovens, eles decidem abrir a relação e participar de eventos de s3x0, fazendo s3x0 com homens e mulheres. François cada vez mais adere ao mundo do BDSM, enquanto Julie se entrga ano amor e acaba se apaixonando. Fantasia eót1c4, o filme é para adultos e apresenta muitas cenas quentes. O elenco é divertido e se entrega totalmente às propostas do filme, em jogos viscerais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

El ser querido

"El ser querido", de Rodrigo Sorogoyen (2026) Concorrendo à Palma de ouro em Cannes 2026, "El ser querido" foi comparado por toda a crítica ao vencedor do grande prêmio do juri de 2025 do mesmo Festival, "Valor sentimental". Ambos os filmes retratam a relação conflituosa entre um pai cineasta e a sua filha, com quem não mantém contato há tempos. O cineasta decide escalar a filha para uma personagem, como uma forma de expiar os fantasmas entre ambos. Co-escrito e dirigido por Rodrigo Sorogoyen, mesmo diretor de As bestas", de 2022, o filme é uma co-produção Espanha e França. Esteban Martínez (Javier Bardem) é um cineasta espanhol que foi trabalhar em Hollywood e se estabeleceu como um cineasta de sucesso e formando família americana. Mas em seu 1o filme espanhol, ele teve um caso com uma atriz e teve ua filha, Emilia (Victoria Luengo), que ele nunca reconheceu. Retornando à Espanha para rodar um drama histórico, Esteban decide fazer contato com Emilia e dizer à ela que quer que ela interprete um papel no filme. Emilia, que nunca teve destaque como atriz, está receosa que a equipe descubra que ela é filha de ESteban e só foi escalada por nepotismo. Ela aceita, e a equipe segue para o norte da Africa, para rodar o filme sobre a ocupação espanhola. Mas a forma ditatorial e linha dura de Esteban dirigir, deixa a equipe e a própria Emilia tensos. O filme é longo, 134 minutos, e de ritmo lento. Só a cena inicial, de Esteban e Emilia em um restaurante, dura 15 minutos. Para quem tem curiosidade sobre bastidores de uma filmagem, vai achar interessante, ainda mais mostrando processos de ensaios com elenco. Para quem aprecisa o trabalho de Javier Bardenn, não terá do que reclamar: ele está soberbo.

Rio de sangue

"Rio de sangue", de Gustavo Bonafé (2026) Thriller de ação com temas que falam ao Brasil da violência, do desmatamento, dos grileiros, do machismo e feminicídio, da corrupção e do extremínio dos povos indígenas. "Rio de sangue" abraça diversos sub-plots e são muitos os personagens que surgem ao longo da tela. O elenco all star se equilibra com novos talentos: Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Antonio Calloni, Felipe Simas Sergio Menezes, Ravel Andrade, Vinicius de Oliveira e Rui Ricardo Diaz abrem espaço para o ator indígena Fidelis Baniwa, no papel do narrador do filme, Mario. O filme traz referências de filmes de ação americanos, onde uma mãe policial precisa ir atrás de sua filha sequestrada. Em São Paulo, pós uma ação desastrada que resulta em morte, a policial Patrícia (Antonelli) é jurada de morte. Ela é enviada paa o Pará, para passar um tempo com sua filha, Luiza (Wegmann), com quem acabou se distanciando, por conta do trabalho. Luíza é médica e presta serviço, junto d euma equipe, para aldeias indígenas. Garimpeiros liderados por Polaco (Calloni) e seus filhos, Jadson (Andrade) e Baleado (Simas) sequestram Luiza, após uma chacina na aldeia. Patricia precisa descobrir o paadeiro de Luiza e salvá-la. O filme traz boas cenas de ação, uma fotografia que favorece as diversas cores da Amazônia e uma edição frenética. Aqui, a história não tem erro: são as mocinhas e mocinhos lutando contra os vilões, que são muito maus. No final, o personagem de Mario costura todas as histórias, trazendo uma reflexão sobre o mundo em que vivemos.

Back to the 90's

"Back to the 90's", de Facundo Scalerandi (2026) Comédia romântica alemã com elementos fantásticos, "Back to the 90s" traz a já mega manjada trama de personagens que voltam acidentalmente ao tempo e precisam encontrar uma forma de voltar a sua época. Claro que terão muitas lições de moral pelo caminho, amores que surgem, conflitos sobre voltar à sua época ou permanecer no passado. Comparações com "Back to the future" são citados inclusive pelos personagens. O filme vai funcionar para quem gosta de filmes ingênuos, trilha sonora dos anos 90 e principalmente, ficar de olho nos 5 jovens atores, todos mega sexies e apresnetados diversas vezes em cenas de piscina, semi nús. Os produtores não são bobos e sabem que corpos masculinos atraem todos os tipos de público. Matteo (Julien Brown), Jonas (Tim Schäcker), Chris (Luis Freitag), Ben (Jacob Rott) e Oliver (Bene Schulz) são cinco melhores amigos, e compõe uma boy band nos dias atuais. Eles irão participar de um concurso de talentos, mas acreditam que sua música não é boa o suficiente. Quando um dos integrantes escuta uma música dos anos 90 em seu iphone, enviada por um anônimo, o elevador onde eles estão sofre um acidente. Els surgem em 1995, e agora precisam encontrar uma forma de voltar ao seu tempo, usando o mesmo elevador.

domingo, 23 de agosto de 2026

Just une illusion

"Just une illusion", de Olivier Nakache e Éric Toledano (2026) Dirigido pela dupla francesa que realizou os grandes sucessos "Os intocáveis", 'Samba" e "Assim é a vida", novamente o protagonista são personagens que vivm na classe marginalizada e que precisma lutar pela dignidade. O filme é ambientado em 1985, e apresenta uma família judia desfuncional de classe média: Yves (Louis Garrel), que esconde de sua família que está desempregado; Sandrine (Cammile Cottin), secretária de uma empresa e que decide comprar um computador para poder ter um uograde na profissão; Arnaud (Alexis Rosenstiehl), o adolescente rebelde e roqueiro; e Vincent (Simon Boublil), 13 anos. É dele o ponto de vista do filme: testemunhando a crise dos pais, que vivem discutindo; suas brigas com seu irmão mais velho; seus amigos da escola; seu bar Mitzvah que está chegando e principalmente, a sua grande paixão platônica, uma garota do colégio. Tem também o zelador do prédio, Ettine (Pierre Lottin), que provoca ciúmes em Yves. Alexis e Pierre Lottin trabalharam juntos em outra comédia dramática, "Ceux qui comptent". Os grandes méritos de "Just une illusion" são obviamente, seu elenco formidável de estrelas, e a trilha sonora, repleta de clássicos dos anos 80: "Just an illusion", "Eye in the sky", Holdng back the years", "In between days", "Im so excited", "I'm not in love" são alguns exemplos. O filme não é o melhor da dupla de diretores, mas traz emoção, humor e carinho o suficiente para conquistar o espectador.

Bagarre

"Bagarre", de Julien Hollande (2026) Comédia de ação francesa, co-escrita e dirigida por Julien Hollande. O filme traz uma premissa bem maluca, e as cenas de ação e a própria narrativa se permitem trazer momentos surreais, assim como eram os filmes de Jerry Zucker, de "Corra que a polícia vem aí", com a diferença que aqui, as cenas são violentas, mas dentro de um universo que remete aos violentos cartoons infantis, tipo "Pernalonga". Naim (Nassim Lyes) trabalha como garçon em um hotel 5 estrelas e ao chegar em casa, é expulso por sua namorada, que o larga na rua, junto de seu pequeno cachorro, Chipie. Naim é uma pessoa boa e altruísta, mas quando seu cachorro fica doente, ele não tem como pagar o tratamento. Durante uma briga com um cliente do hotel, Naim acaba se convencendo a fazer parte de um serviço de app chamado "Helo brawl", onde lutadores são contratados para reoslver problemas através de luta. Dessa forma, Naim poderá juntar dinheiro e custear o tratamento de Chipie. Mas após diversas lutas, Naim vai entendendo que a melhor forma de resolver as brigas, é através de uma boa conversa, o que contraria o dono do app. O filme tem ótimas cenas de porradaria, permeadas por violência e humor, com lutas coreografadas no estilo de "John Wick", só que sem uso de armas de fogo. O ator Nassim Lyes traz carisma ao seu personagem.

Once upon a time in the cinema

"Once upon a time in the cinema", de David Gleeson (2026) Escrito e dirigido por David Gleeson é uma co-produção Irlanda, Alemanha e Bélgica. O filme acontece em uma única noite e apresenta a última sessão de cinema em uma sala de cinema em uma pequena cidade na Irlanda. O filme é ambientado em meados dos anos 80, quando o VHS ja era uma realidade e muita gente deixou de ir para as salas de cinema. No filme, o último filme a ser exibido é "Breathless/Sem Fôlego", de Jim Mcbride, refilmagem de "Acossado", de Godard. O proprietário do cinema, Earl Clancy (Colin Morgan), está prestes a vender o cinema para um empresário de construção, que quer derrubar o prédio. Os funcionários do cinema tentam demovê-lo da idéia. A sala está lotada de espectadores que querem se despedir da sala, que já não oferece lucros. O ambiente está decadente: o projetor apresenta falhas, existem ratos na sala, os canos estão esturados. O filme é uma homenagem às salas de cinema, como já vimos em filmes famosos, como 'Splendor", de Ettore Scola, e "Cine Majestic". com Jim Carrey. Alternando drama e humor, é um filme que fará muita gente se emocionar pela nostalgia do grande evento que é frequentar uma sala de exibição. O filme foi rodado no Royal Cinema em Limerick, na Irlanda, que fechou em 195, e a última sessão foi "Loucademia de polícia 2". Depois, o local se torou uuma casa de show noturno.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Pinocchio:unstrung

"Pinocchio:unstrung", de Rhys Frake-Waterfield (2026) Escrito e dirigido por Rhys Frake-Waterfield, "Pinocchio: unstrung" é um terror da mesma produtora inglesa que lançou "Ursinho Pooh, mel e sangue", "Peter Pan", e tantos filmes de terror slasher, aproveitando personagens famosos da infância que entraram em domínio público. "Pinocchio:unstrung" é ousado por não ter pudor em assassinar crianças barbaramente, com requintes de crueldade, com torturas e mortes claramente inspiradas em 'Terrifier". Uma cena inclusive mostra uma adolescente totalmente nu4 em banho, e chequei, ela realmente é m3n0r!! Após a morte de seus pais, o pequeno James (Cameron Bell) se muda para a casa de seu avô, Gepeto (Richard Brake). James precisa se adaptar à nova realidade na escola. Com pena de James, Gepeto cria para ele um boneco de madeira a partir de uma árvore mágica que dá vida à sua criação, Pinóquio. Sob a influência do grilo falante (Robert Englud, o eterno Freddy Kueger), Pinochiio passa a assassinar todos que atrapalham o caminho de James. Ao mesmo tempo, Pinocchio quer se tornar humano, e retira partes do corpo humano de suas vítimas e aplica em si. O filme traz referências de diversos clássicos do terror: "O iluminado", "o boneco assassino", "O labirinto do fauno", "Maníaco", entre outros. Para quem goste de slasher gore e brutal, não terá do que reclamar. E o boneco do Pinóquio, para um filme de baixo orçamento, está perfeito e muito bem desenvolvido.

A family

"A family", de Mees Peijnenburg (2026) Escrito e dirigido por Mees Peijnenburg, "A family" recebeu a menção honrosa no Festival de Berlim 2026 na Mostra geração, dedicado a filmes com temática sobre a juventude. Co-produzido e filmado pela Holanda e Bélgica, o filme é um drama sobre uma família desfuncional, formado pelos pais Jacob (Pieter Embrechts) e Maria (Carice van Houten, a Melisandre de "Game of thrones") e pelos filhos, a adolescente Nina (Celeste Holsheimer) e o menino de 11 anos Eli (Finn Vogels). O casal está em processo de divórcio. OS filhos reagem mal à separação, e são utilizados pelo pai e pela mãe como moedas de troca e motivos de briga. O caso vai para o tribunal: os filhos, isoladamente, precisam decidir com quem querem morar. A partir daí, o filme é dividido em 4 capítulos: 1- prólogo apresentando a crise e a pressão do juiz sobre os filhos 2- O filme vira ponto de vista de Nina, uma adolescente lésbica, dançarina, e como tudo rui mediante a separação, inclusive, se afastando cada ez mais de Eli 3- O filme vira Pov de Eli, que se afunda e se deprime 4- A conclusão Os 4 atores estão extraordinários, mas a cena do pequeno Eli desabando emocionalmente me comoveu. Que atuação!