segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Back to the 90's
"Back to the 90's", de Facundo Scalerandi (2026)
Comédia romântica alemã com elementos fantásticos, "Back to the 90s" traz a já mega manjada trama de personagens que voltam acidentalmente ao tempo e precisam encontrar uma forma de voltar a sua época. Claro que terão muitas lições de moral pelo caminho, amores que surgem, conflitos sobre voltar à sua época ou permanecer no passado. Comparações com "Back to the future" são citados inclusive pelos personagens. O filme vai funcionar para quem gosta de filmes ingênuos, trilha sonora dos anos 90 e principalmente, ficar de olho nos 5 jovens atores, todos mega sexies e apresnetados diversas vezes em cenas de piscina, semi nús. Os produtores não são bobos e sabem que corpos masculinos atraem todos os tipos de público.
Matteo (Julien Brown), Jonas (Tim Schäcker), Chris (Luis Freitag), Ben (Jacob Rott) e Oliver (Bene Schulz) são cinco melhores amigos, e compõe uma boy band nos dias atuais. Eles irão participar de um concurso de talentos, mas acreditam que sua música não é boa o suficiente. Quando um dos integrantes escuta uma música dos anos 90 em seu iphone, enviada por um anônimo, o elevador onde eles estão sofre um acidente. Els surgem em 1995, e agora precisam encontrar uma forma de voltar ao seu tempo, usando o mesmo elevador.
domingo, 23 de agosto de 2026
Just une illusion
"Just une illusion", de Olivier Nakache e Éric Toledano (2026)
Dirigido pela dupla francesa que realizou os grandes sucessos "Os intocáveis", 'Samba" e "Assim é a vida", novamente o protagonista são personagens que vivm na classe marginalizada e que precisma lutar pela dignidade. O filme é ambientado em 1985, e apresenta uma família judia desfuncional de classe média: Yves (Louis Garrel), que esconde de sua família que está desempregado; Sandrine (Cammile Cottin), secretária de uma empresa e que decide comprar um computador para poder ter um uograde na profissão; Arnaud (Alexis Rosenstiehl), o adolescente rebelde e roqueiro; e Vincent (Simon Boublil), 13 anos. É dele o ponto de vista do filme: testemunhando a crise dos pais, que vivem discutindo; suas brigas com seu irmão mais velho; seus amigos da escola; seu bar Mitzvah que está chegando e principalmente, a sua grande paixão platônica, uma garota do colégio. Tem também o zelador do prédio, Ettine (Pierre Lottin), que provoca ciúmes em Yves.
Alexis e Pierre Lottin trabalharam juntos em outra comédia dramática, "Ceux qui comptent". Os grandes méritos de "Just une illusion" são obviamente, seu elenco formidável de estrelas, e a trilha sonora, repleta de clássicos dos anos 80: "Just an illusion", "Eye in the sky", Holdng back the years", "In between days", "Im so excited", "I'm not in love" são alguns exemplos.
O filme não é o melhor da dupla de diretores, mas traz emoção, humor e carinho o suficiente para conquistar o espectador.
Bagarre
"Bagarre", de Julien Hollande (2026)
Comédia de ação francesa, co-escrita e dirigida por Julien Hollande. O filme traz uma premissa bem maluca, e as cenas de ação e a própria narrativa se permitem trazer momentos surreais, assim como eram os filmes de Jerry Zucker, de "Corra que a polícia vem aí", com a diferença que aqui, as cenas são violentas, mas dentro de um universo que remete aos violentos cartoons infantis, tipo "Pernalonga".
Naim (Nassim Lyes) trabalha como garçon em um hotel 5 estrelas e ao chegar em casa, é expulso por sua namorada, que o larga na rua, junto de seu pequeno cachorro, Chipie. Naim é uma pessoa boa e altruísta, mas quando seu cachorro fica doente, ele não tem como pagar o tratamento. Durante uma briga com um cliente do hotel, Naim acaba se convencendo a fazer parte de um serviço de app chamado "Helo brawl", onde lutadores são contratados para reoslver problemas através de luta. Dessa forma, Naim poderá juntar dinheiro e custear o tratamento de Chipie. Mas após diversas lutas, Naim vai entendendo que a melhor forma de resolver as brigas, é através de uma boa conversa, o que contraria o dono do app.
O filme tem ótimas cenas de porradaria, permeadas por violência e humor, com lutas coreografadas no estilo de "John Wick", só que sem uso de armas de fogo. O ator Nassim Lyes traz carisma ao seu personagem.
Once upon a time in the cinema
"Once upon a time in the cinema", de David Gleeson (2026)
Escrito e dirigido por David Gleeson é uma co-produção Irlanda, Alemanha e Bélgica. O filme acontece em uma única noite e apresenta a última sessão de cinema em uma sala de cinema em uma pequena cidade na Irlanda. O filme é ambientado em meados dos anos 80, quando o VHS ja era uma realidade e muita gente deixou de ir para as salas de cinema. No filme, o último filme a ser exibido é "Breathless/Sem Fôlego", de Jim Mcbride, refilmagem de "Acossado", de Godard. O proprietário do cinema, Earl Clancy (Colin Morgan), está prestes a vender o cinema para um empresário de construção, que quer derrubar o prédio. Os funcionários do cinema tentam demovê-lo da idéia. A sala está lotada de espectadores que querem se despedir da sala, que já não oferece lucros. O ambiente está decadente: o projetor apresenta falhas, existem ratos na sala, os canos estão esturados.
O filme é uma homenagem às salas de cinema, como já vimos em filmes famosos, como 'Splendor", de Ettore Scola, e "Cine Majestic". com Jim Carrey. Alternando drama e humor, é um filme que fará muita gente se emocionar pela nostalgia do grande evento que é frequentar uma sala de exibição.
O filme foi rodado no Royal Cinema em Limerick, na Irlanda, que fechou em 195, e a última sessão foi "Loucademia de polícia 2". Depois, o local se torou uuma casa de show noturno.
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Pinocchio:unstrung
"Pinocchio:unstrung", de Rhys Frake-Waterfield (2026)
Escrito e dirigido por Rhys Frake-Waterfield, "Pinocchio: unstrung" é um terror da mesma produtora inglesa que lançou "Ursinho Pooh, mel e sangue", "Peter Pan", e tantos filmes de terror slasher, aproveitando personagens famosos da infância que entraram em domínio público.
"Pinocchio:unstrung" é ousado por não ter pudor em assassinar crianças barbaramente, com requintes de crueldade, com torturas e mortes claramente inspiradas em 'Terrifier". Uma cena inclusive mostra uma adolescente totalmente nu4 em banho, e chequei, ela realmente é m3n0r!!
Após a morte de seus pais, o pequeno James (Cameron Bell) se muda para a casa de seu avô, Gepeto (Richard Brake). James precisa se adaptar à nova realidade na escola. Com pena de James, Gepeto cria para ele um boneco de madeira a partir de uma árvore mágica que dá vida à sua criação, Pinóquio. Sob a influência do grilo falante (Robert Englud, o eterno Freddy Kueger), Pinochiio passa a assassinar todos que atrapalham o caminho de James. Ao mesmo tempo, Pinocchio quer se tornar humano, e retira partes do corpo humano de suas vítimas e aplica em si.
O filme traz referências de diversos clássicos do terror: "O iluminado", "o boneco assassino", "O labirinto do fauno", "Maníaco", entre outros.
Para quem goste de slasher gore e brutal, não terá do que reclamar. E o boneco do Pinóquio, para um filme de baixo orçamento, está perfeito e muito bem desenvolvido.
A family
"A family", de Mees Peijnenburg (2026)
Escrito e dirigido por Mees Peijnenburg, "A family" recebeu a menção honrosa no Festival de Berlim 2026 na Mostra geração, dedicado a filmes com temática sobre a juventude. Co-produzido e filmado pela Holanda e Bélgica, o filme é um drama sobre uma família desfuncional, formado pelos pais Jacob (Pieter Embrechts) e Maria (Carice van Houten, a Melisandre de "Game of thrones") e pelos filhos, a adolescente Nina (Celeste Holsheimer) e o menino de 11 anos Eli (Finn Vogels). O casal está em processo de divórcio. OS filhos reagem mal à separação, e são utilizados pelo pai e pela mãe como moedas de troca e motivos de briga. O caso vai para o tribunal: os filhos, isoladamente, precisam decidir com quem querem morar. A partir daí, o filme é dividido em 4 capítulos:
1- prólogo apresentando a crise e a pressão do juiz sobre os filhos
2- O filme vira ponto de vista de Nina, uma adolescente lésbica, dançarina, e como tudo rui mediante a separação, inclusive, se afastando cada ez mais de Eli
3- O filme vira Pov de Eli, que se afunda e se deprime
4- A conclusão
Os 4 atores estão extraordinários, mas a cena do pequeno Eli desabando emocionalmente me comoveu. Que atuação!
Ghost in the cell
"Ghost in the cell", de Joko Anwar (2026)
Exibido no Festival de Berlim 2026, "Ghost in the cell" é escrito e dirigido por Joko Anwar e co-produzido por Indonésia e Coréia do sul. Joko Anwar é um dos cineastas mais prolíficos do país, e boa parte de seus filmes se tornaram grandes sucessos de bilheteria, e referência do gênero terror. O filme traz uma estranheza na narrativa, pois mistura terror sobrenatural, comédia e drama de prisão.
A penitenciária de Labuhan Angsana é uma das mais violentas e vigiadas da Indonésia. Dimas (Endy Arfia) é um jornalista investigativo, acusado de ter assassinado seu chefe na redação de jornal. Tímido, Dimas chega na prisão e é ameaçado por um dos presos. Ele logo fica proximo de outros presos, entre eles, Anggoro. No seu setor, a maioria dos presos está ali por golpes virtuais. A chegada de Dimas coincide com a chegada de um espírito vigativo, que mata as pessoas violentas, transformado-os em obras de arte com seus corpos mutilados. Para evitarem de serem as próximas vítimas, os presos oram, dançam, fazem graça, para espentar a índole violenta.
O roteiro é bem bizarro, misturando cenas de gore explícito com um humor bem pastelão, principalmente nas cenas onde os presos precisam fazer alguma graça para espantar o espirito. Dependendo do que o espectador busca, o filme pode funcionar, ou ser uma grande bomba. Na metáfora, a história faz uma crítica pesada ao sistema penitenciário, ao governo cirrupto, aliado a políticos e empresários chantagistas. Os atores principais são carismáticos, e Joko Anwar ainda traz cenas homoeróticas, como um extenso plano dos presos tomando banho nús.
Kalel, 15
"Kalel, 15", de Jun Robles Lana (2019)
Comovente drama queer filipino, vencedor de diversos prêmios internacionais. O filme me fez lembrar do clássico "Kids", de Larry Clark, por trazer protagonistas adolescentes, envolvidos com drogas, s3x0, prostituição e HIV. Kalel e sua mãe (interpretada por Jacklyn Jose, vencedora da Palma de Ouro em Cannes por "Ma'Rosa") saem de um hospital público. Kalel tem 15 anos e acabou de descobrir que é portador de HIV. Sua mãe está revoltada, e ao invés de apoiar o filho, ela o agride, com medo de que seus vizinhos descubram que Kalel está soropositivo. A namorada de Kalel quer fazer s3x0 com ele e perder a virgindade, mas ele a repele, pois não quer que ela se contamine. Só de raiva, ela morde a boca de Kalel e suga o sangue dele. Kalel é um gay enrustido, e está em um tremendo conflito. Ele se droga com seus amigos da escola, e quando não encontra mais apoio de ninguém, se prostitui. Um filme com excelentes performances, rodado em belíssimo preto e branco, "Kalel, 15" não faz concessões. É um filme que dificilmente seria realizado aqui no Brasil, pelos seus temas envolvendo menores de idade. Um retrato trágico e cruel da adolescência, com uma cena final avassaladora. O filme termina dizendo que nas Filipinas, o avanço do HIV entre jovens cresce a níveis assustadores.
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Niu Lai
"Niu lai", de Yumeng Xin (2026)
Um fenômeno da animaçao chinesa, "Niu lai" (que na tradução literal, significa "Venha boi") foi considerado pelos críticos e pelo público, o "The room" da animação. Para quem não se lembra, "The room", de Tommy Wiseau, é coniderado o pior filme da história, e por isso, amado pelo público, se tornando cult e filme celebrado desde então. "Niu lai" certamente seguirá esse mesmo caminho. Todos os críticos foram unânimes em dizer que o filme é ruim em todos os quesitos: desenho, roteiro, edição, trilha, técnica. O filme foi totalmente prodduzido e criado por 2 únicas pessoas: o diretor Xin Yumeng e sua mãe, Sun Lifang. Desde a escrita do roteiro até o lançamento, o filme levou 5 anos. Eles fizeram absolutamente tudo, até a dublagem de todas as vozes. O filme custou 200 dólares, e rendeu 4 milhões de dólares: em termos de proporção de lucro entre custo e bilheteria, é o filme mais rentável da história. Mas nem tudo foram flores: quando lançado nos cinemas, em 9 dias, não levu nem 300 pessoas aos cinemas. Mas o boca a boca, os vídeos e prints do filme viralizaram nas redes sociais, e o público acabou indo assistir para conferir. E mais: o filme se tornou um case contra a invasão da Ai versus criação artesanal: afinal, mãe e filho criaram tudo utilizando um programa básico de 3D, com cara de animação feita nos anos 90 por software. O ritmo do filme, repleto de pausas sem sentido, os diálogos básicos e tati bi tati, como se fossem escritos para um público infantil, aliado à mensagens existencialistas, fizeram o público cair em gargalhadas. E ainda assim, teve quem saísse chorando do filme, pelo seu desfecho emocionante.
Me lembrei da animação "Touro ferdinando" pela mensagem de heroísmo e da masculinidade e coragem que o boi recém nascido, Niu Lai, precisa enfrentar, para poder fazer parte da manada, liderada pelo pai. Niu Lai nasce mas não tem forças para se levantar. Ele conta com o apoio de sua mãe, de um pássaro e de um leopardo para enfrentar os perigos da apoximação dos lobos e dos seres humanos.
Mas a maior diversão mesmo são os traços e a edição, repleta de pausas sem sentido. Um clássico do quanto pior, melhor.
Tinsman road
"Tinsman road", de Robbie Banfitch (2026)
Escrito, dirigido e protagonizado por Robbie Banfitch, que também editou e produziu "Tinsman road", um found footage de suspense. Rodado em New Jersey, o filme foi realizado pelo mesmo diretor do controverso "The outwaters", um found footage de horror cósmico que diviu opiniões de crítica e público. O filme concorreu no SXSW festival.
Em "Tinsman road", Robbie é um cineasta que ficou anos afastado de sua família: sua mãe, Leslie (a mãe de verdade de Robbie) e sua irmã, Noelle (Salem Belladonna). Robbie foi fazer cinema em Los Angeles. Quando sua irmã desaparece, Robbie decide retornar para New Jersey para passar um tempo com sua mãe e tentar desvender o desaparecimento de sua irmã. Leslie se torna sonâmbula e caminha pela casa de noite, acreditando que Noelle ainda esteja por ali. Robbie não acredita que Noelle esteja presente e decide entrevistar pessoas da região, até chegar em Keith, um homem solitário e rude que mora na mata e Tinsman road.
Robbie realiza um filme com 2 horas de duração, uma narrativa estendida no limite do suportável. Pouca coisa acontece no filme, além da câmera acompanhar Robbie perambulando pelas ruas e fazendo divagações. VEndido como terror, o filme engana com uma suposta trama sobrenatural, que não acontece, e nos 10 minutos finais, investe mais no thriller. No restante, é um filme bem arrastado, que mostra a onipresença de seu diretor, mais interessado em se auto promover.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
The convenience store
"The convenience store", de Jirô Nagae (2026)
Terror sobrenatural japonês, "The convenience store" lembra clássicos como "A corrente do mal" e "O grito", que trazem tramas sobre uma maldição que preisa ser passada adiante para que a vítima se livre do Mal e da ameaça da morte. O filme é adapatação do game homônimo criado em 2020. O jogo é um survival game: após receber um Sd card por u período de 4 dias segudos, totalizando 4 cartões, a pessoa, após assistir ao conteúdo, precisa fazer com que a próxima vítima assista os cartoes em um período de 4 dias, caso contrário, a pessoa mais próxima da vítima anterior irá morrer. O filme começa com um prólogo mostrando um homem assassinando sua esposa e seu filho pequeno. Logo depois, uma jovem, Tazuru Yukino , uma estudante universitária, vai trabalhar no turno da noite em uma loja de conveniência. Sozinha, ela cuida do local durante a madrugada. Um homem surge e lhe entrega um pacote, contendo um cartão SD. Ao assistir, ela vê imagens de uma mulher sendo assassinada. Na mesma noite, ela vê uma criança que se revela ser um fantasma. Na noite seguinte, ela recebe outro Sd, e assim, pelo período de 4 noites. Na última noite o gerente da loja é encontrado assassinado no porão. A polícia é acionada, e um detetive tenta desvender o mistério, entrevistando Tzuru, sem saber que ela quer lhe passar a maldição adiante.
O filme, mesmo trazendo uma trama para lá de batida, tem uma atmosfera interessante e bons atores. As cenas na loja de conveniência são intrigantes e seguram a atenção do espectador.
A luta
"La lucha", de José Ángel Alayón (2025)
Drama escrito por Marina Alberti e dirigido por José Ángel Alayón, "A luta" tem como pano de fundo a tradicional "Luta canária": "é um esporte tradicional originário das Ilhas Canárias, na Espanha, com raízes ancestrais que remontam aos antigos povos aborígenes (Guanches). O objetivo principal é desequilibrar o oponente e fazê-lo tocar o solo com qualquer parte do corpo que não seja a planta dos pés".
Concorrendo no Festival de San Sebastian, o filme é uma co-produção Espanha e Colômbia.
Na ilha de Fuerteventura, Miguel (Tomasín Padrón) e sua filha Mariana (Yazmina Estupiñán )tentam seguir em frente após a morte de sua esposa, uma perda que deixou os dois à deriva. A luta tradicional é tudo o que eles conhecem: é sua forma de conquistar um lugar no mundo. Mas o corpo de Miguel dá sinais de não ser mais o mesmo, e a raiva de Mariana a leva a romper com as regras. Ambos estão enlutados. Miguel sente o peso da idade em seu corpo. Mariana, jovem e de corpo pequeno, não tem o perfil para a luta. Mas ela quer, e seu pai fica receoso.
O elenco é formado por lutadores reais da luta canária. Filmado como narrativa documental, o filme traz belas imagens, com ritmo lento, contemplativo. É um filme que me fez lembrar de "A menina de ouro", de Clint Eastwood, que traz um esporte masculino, onde mulheres também participam, focado na força físiza e na brutalidade.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Truly naked
"Truly naked", de Muriel d'Ansembourg (2026)
Concorrendo no Festival de Berlim 2026, "Truly naked" é um drama denso, escrito e dirigido por Muriel d'Ansembourg. O filme é uma co-produção entre Holanda, Bélgica, França e Reino Unido. Os créditos iniciais, trazendo closes no corpo de uma mulher nua toda pintada de dourado, lembra a abertura de "Goldfinger', com James Bond. Mas quando o enquadramento amplia, se revela ser um set de filmagem de um filme pornô. O espectador é apresentado a Dylan (André Howard), um ator pronô decadente, e a sua parceira da cena, Lizzie (Alessa Savage), uma mulher mais jovem, que há tempos tem filmado cenas com Dylan, utilizando elementos bizarros nas cenas de s3x0. Quem filma, dirige e edita é o adolescente Alec (Caolán O'Gorman), que vem a ser filho de Dylan. Órfão de mãe, Alex é um rapaz introvertido, e que desde cedo, entendeu que o relacionamento entre um homem e uma mulher vem através de preceitos de filmes pornôs, voltados apenas aos atos e nenhum envolvimento emocional. Quando os dois precisam se mudar por conta do orçamento apertado, Alec conhece a adolescente Nina (Safiya Benaddi), sua colega de classe na high school. Nina é feminista e acaba criando um laço afetivo com Alec. Mas o rapaz não sabe como se envolver com emoções e sentimentos reais com uma muler.
O filme mostra muitas cenas de s3x0 simuladas, mas com o pretexto de chocar o espectador, com nudez total e cenas fetichistas ( uma delas, no final, apresenta um menage envolvendo Dylan, Lizzie e um polvo gigante vivo!!!!)
É um filme ousado, corajoso, pervertido, que encontra um elenco disposto a enfrentar situações constrangedoras. O tema discute relacionamentos tóxicos, abusivos, misoginia e principalmente, a masculinidade red pill, na relaçcão pai e filho.
Nada entre los dos
"Nada entre lod dos", de Juan Taratuto (2026)
Co-escrito e dirigido por Juan Taratuto, "Nada entre los dos" é uma co-produção Argentina e Uruguai, e foi filmada em Montevideu e Punta del Leste. O filme apresenta dois executivos de uma mesma empresa alimentícia, Guillermo (Gael Garcia Bernal) e Mechi (Natalia Orero). Eles não se conhecem. Ele é do México, ela vem de Buenos Aires. Guillermo é casado e tem um filho adolescente, e vive um relacionamento que caiu na rotina. Mechi está prestes a se divorciar de seu marido, e mantém uma relação difíicl com sua filha adolescente
Nesse final de semana onde Guillermo e Mechi participam de reuniões, os dois acabam se apaixonandoe. vivem um romance tórrido, sem culpa nem ressentimentos.
Certamente muitos casais irão assistir ao filme e se ver no lugar de seus personagens. A aventura amorosa dos amantes infiéis, não encontra punição nem crise entre os dois personagens. Eles se amam, se entregam e no final, retornam aos seus respectivos. O filme traz melancolia, algum humor e principalmente, um respiro sobr possibilidades de recomeços. Lindas locações, apoiadas em uma fotografia que traz frescor aos rostos de GAel e de Natalia, que estão ótimos em seus personagens. Vale uma adaptação teatral.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Another world
"Shì Wài", de Tommy Kai Chung Ng (2025)
Concorrendo no Festival de animação de Annecy, "Another world" é adaptação do romance da escritora japonesa Naka Saijo Sennenki, " Fantasma do Milênio". Assim como o romance, o filme é dividido em segmentos, caa um composto por um personagem. Inicialmente lançado como curta em 2017, essa versão para longa levou oito anos para ser concluído. O filme me remeteu à outra animação, Soul", da Pixar, e "A viagem", filmes das irmãs Warchowsky. São filmes que tratam do tema da reencarnação e das possibilidades de retornar como uma outra pessoa totalmente diferente.
Quando as pessoas morrem, ela vã parar em 'Another world": um mundo governado pela Goddess. Gudo é um guia espiritual, que encaminha as almas perdidas para a reencarnação. Essas almas recém falecidas precisam renunciar aos laços emotivos e afetivos que os prendem ao mundo, e assim, poder desatar os nós que, senão renunciados, podem desenvolver sementes do mal, e se transformar em criaturas chamadas Wraths. Uma vez transformadas em wraths, não podem mais reencarnar. Gudo acompanha 4 almas perdidas, caa um com a sua história trágica: uma princesa que acredita que seu pai foi assassinado; um camponês que lidera seu povo a lutar contra um tirano líder; duas irmãs exploradas em uma fábrica durante a revolução industrial; e uma jovem em busca de seu irmão perdido.
O filme não é para crianças: é extremamente violento, e a trama, bastante complexa. Os traços lembramm os desenhos de Hayao Miasaky. O desfecho é emocionante, quando se entende a conexão entre todas as histórias.
Impatience of the Heart
"Ungeduld des Herzens", de Lauro Cress (2025)
Co-escrito e dirigido por Lauro Cress, "Impatience of the Heart" é uma adaptação do romance de Stefan Zweig escrito em 1939, "Cuidado com a piedade", e ambientado nos dias de hoje. Eu fiquei feliz que o filme não seguiu por um caminho trágico, já que eu não havia lido o romance, pois logo no início a índole do protagonista Isaac era uma incógnita para mim. O filme ganhou o prêmio de Melhor Longa-Metragem no Festival de Cinema Max Ophüls.
Um jovem soldado, Isaac (Giulio Brizzi), filho de imigrantes, serve no batalhão da guarda da Bundeswehr, junto d eoutros soldados. Durante uma farra no boliche, ele decide convidar uma jovem para dançar, Edith (Ladina von Frisching), mas passa por uma situação constrangedora: ela cai no chão por ser cadeirante. ISaac decsobre que ela é filha de um milionário. Envergonhado, Isaac decide no dia seguinte visitá-la em sua mansão. Ele fica sabendo que ela sofreu um acidente de moto e ficou paraplégica. Isaac se aproxima da família e passa boa parte de se tempo com Edith, confortando-a de seus amigos soldados, que praticam bullying, e da própria família de Edith: a irmã mais velha, Ilona, e o pai delas, que agem com super proteção, o que incomoda Edith.
O filme tem atuações excelentes do casal principal, e a narrativa vai ficando uma mistura de angústia com alívio.
domingo, 16 de agosto de 2026
How to divorce during the war
"How to divorce during the war", de Andrius Blazevicius (2025)
Escrito e dirigido por Andrius Blazevicius, "How to divorce during the war" é o filme selecionado pela Lituânia para uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. O filme ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Sundance 2026. Trazendo um fino humor, esse inusitado drama sobre relacionamentos é ambientado às véspera do início da Guerra da Russia contra a Ucrânia. Trazendo temas como inversão de papéis, desemprego, fracasso profisional, expectativas pessoais e profissionais, "How to divorce during the war" traz diversos pontos de vista no relacionamento d euma família composta de 3 pessoas: Vytas (Marius Repšys), um cineasta desempregado; sua esposa Marija (Žygimantė Elena Jakštaitė) e a filha de 10 anos, Dovile (Amelija Adomaityte). Marija é uma alta executiva de uma empresa de entretenimento que produz videos para a internet. A empresa tem braços com a Russia. Marija está tendo um relacionamento com uma colega de trabalho, Jurate (Indrė Patkauskaitė). Em cris com seu casamento de 12 anos, ela decide se divorciar. Vynis reage mal e desabe emocionalmente. Sem ter o que fazer, ele decide ir morar com os pais, que são simpaizantes pró Rússia. A filha começa a se comportar diferente, e Marija, querendo apoar os ucranianos, hospeda em sua casa uma família ucraniana e se demite do seu emprego, que recebe apoio ruso.
Os atores são extraordinários, e a menina tem momentos de alta sensibilidade. Quanto ao casal principal, ha uma cena de discussão dentro do carro, que dura uns 7 minutos, brilhante. Os diálogos são ácidos, a direção contempla planos longos. Mais do que merecido ter recebido o prêmio de direção em Sundance.
The soundman
"The soundman", de Frank Van Passel (2025)
Escrito e dirigido por Frank Van Passel, "The soundman" é um drama com toques de realismo fantástico que é ;ivremente inspirado em uma história real. O filme se passa nos dias que antecedem o início da 2a guerra mundial, na Bélgica. Segundo uma cartela do filme, mais de 15 mil belgas foram acusados de serem comunistas e politicamente contrários ao governo, e enviados a campos de concentração. Logo depois, judeus foram enviados, a pedido dos alemãs nazistas. A história se baseia principalmente na vida do avô do diretor Frank Van Passel: o avô era amigo próximo do primeiro artista de Foley da Bélgica.
Em maio de 1940, Elza (Femke Vanhove) é uma jovem judia belga, que sonha em ser atriz dos palcos. Enquanto essa oportunidade não chega, ela ganha a vida gravando jingles em rádios, recebendo cachês baixos. Quando surge a oprtunidade de Elza dar voz à personagens de radionovelas, ela conhece o artista de foley e sonoplastia Berre (Jeffe Hellemans). Os dois acabam se apaixonando e se tornam amantes. Berre procura ajudar Elza para que ela fuja para Buens Aires. Ao mesmo tempo, eles se conectam através da busca de Berre por sons específicos que simboliza o amor dos dois.
A parte da fantasia me lembrou 'Amelie Poulain", com seus efeitos em estilo vintage, usando Matte paint e recursos anteriores à computação gráfica. É um filme que faz o público torcer pelo casal, mas não é difícil imaginar o desfecho.
sábado, 15 de agosto de 2026
O fim da rua
"The end of Oak street, de David Robert Mitchell (2026)
Escrito e dirigido por David Robert Mitchell, diretor do clássico cult "A corrente do mal", "O fim da rua" escapa de ser um filme genérico de dinossauros, um tema já desgastado pela franquia do "Jurassic park", ao retratar temas contemporâneos, como masculinidade fragilizada e relacionamentos desgastados em casais de meia idade. O filme também traz Ewan Macgregor de volta aos blockbusters, depois da longínqua saga de 'Star wars", onde interpretou Obi Wan Kenobi.
O filme de passa em 1982, e um bairro de subúrbio chamado Oak street. Ali mora a família Platt: Denise (Anne Hathaway), uma aspirante à escritora; Greg (Ewan Macgregor), desempregado e trabalhando como entregaor de pizza, sem revelar o fato para sua família; e os filhos adolescentes Audrey (Maisey Stella) e Brian (Christian Convery). O casal está em crise e Denise pensa em se divorciar. Porém, uma noite, durante uma tempestade, uma luz branca irrompe na região e no dia seguinte, o bairro inteiro foi transportado para a era pré-histórica, tendo que sobreviver a ataques de dinossauros.
Os bichanos demoram a aparecer, lá depois de meia hora de filme. é a oportunidade de se aprofundar nos dramas de cada integrante da família. Mas quem eu torci para não morrer de jeito nenhum, é o cachorro Starbucks, o salvador da pátria. E do roteiro, a deixa de que Greg é entregador de pizza, entrega um final emocionante. Um filme que se passar algum dia na sessão da tarde, virá co cortes nos momentos de carnificina, que são poucos, mas que podem assustar a criançada.
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
O grande mestre beberrão
"Da zui xia", de King Hu (1966)
Co-escrito e dirigido por King Hu, "O grande mestre beberrão" é um clássico do Ge6enro wuxia de 1968, e que ajudou a popularizar o gênero no mundo. O filme foi selecionado como o representante de Hong Kong na categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 39ª edição do Oscar. É também incluído na lista dos "1001 Filmes Que Você Deve Ver Antes de Morrer", editada por Steven Schneider. Muitos críticos afirmam que o filme inspirou "O tigre e o dragao", de Ang Lee, e Kill Bill", de Tarantino, pelo protagonismo feminino e as espetaculares cenas de ação, envolvendo efeitos práticos e coreografia.
Quando o filho do governador é sequestrado pelo bandido Tigre de Jade, sua irmã, conhecida como Andorinha dourada, é enviada para resgatá-lo. Ela luta contra os capangas de Tigre de jade, até ser ferida. Ela é salva por um mendigo chamado Gato bêbado, e que ela vai decsobrir, se trata de um mestre Shaolin, Fan da Pei, que quer se vingar da morte de seu Mestre, morto pelo grupo do Tigre de jade.
O filme une ação, aventura e bastante humor. Os personagens são bem esquemáticos: os bons e os maus, para ninguém ter dúvidas. Tem cenas absolutamente divertidas e brilhantes, ainda que bizarras, como os jatos de vento que saem das mãos dos mestres, quase que como super heróis.
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