quinta-feira, 11 de abril de 2019
Keanu
"Keanu", de Peter Atencio (2016)
Comédia maluca que mistura os gêneros policial e ação, "Keanu" foi lançado em 2016 e já revelou o talento do Cineasta Jordan Peele, diretor de 'Corra!" e "Nós" como roteirista e ator, quando ainda não era conhecido.
Em "Keanu", Jordan Peele se revela ótimo ator e comediante. Ele faz uma excelente dupla com Keegan-Michael Key. Eles interpretam os primos Rell e Clarence. Ambos são pessoas pacatas. Rell no entanto está deprimido: ele foi abandonado por sua namorada. Um pequeno gato surge e ilumina a vida de Rell, que se apaixona pelo bichano. Rell o apelida de Keanu. Quando ele sai com seu primo e retorna de noite, descobre que o gatinho foi sequestrado. A dupla vai atrás do bichano, e se infiltram em uma gangue da pesada para descobrir o paradeiro de Keanu. Acabam descobrindo que o gato está nas mãos da gangue rival, e dá-se início a uma sangrenta guerra entre gangues.
Longe do gênero Terror que o celebrizou, Jordan já imprime no roteiro um humor sarcástico e bastante crítico de uma sociedade que venera as celebridades. Como de costume, Jordan dá total protagonismo a um elenco de atores negros. O filme é bastante divertido, mas o seu tipo de humor, violento e caótico, talvez não agrade a todos.
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Perdido na expressão
"Lost in expression", de Bruno Rose (2015)
Curta LGBTQ+ realizado por alunos da University of North Carolina Wilmington, é um filme correto, decente, apesar dos atores amadores.
Jace e Devin são estudantes da Universidade. Jace é o Presidente de uma das fraternidades. O casal oficialmente se declaram namorados. No dia do aniversário de Devin, Jace, que é romântico, lhe compra um buquê de flores, mas ao chegar em casa, flagra Devin tendo um caso com outro rapaz. Abalado, Jace se afasta de Devin e não o perdôa. No dia da festa da Fraternidade, Jace se afunda na depressão e bebe todas, lembrando do sue passado, quando seu pai traiu sua mãe e acabou saindo de casa. Para sua surpresa, Devin surge na festa, pedindo perdão.
Realizado com pouco orçamento, o filme tem uma história simples mas bem conduzida, e para padrões de filme universitário, está com ótimo acabamento. Tivessem escalado atores profissionais, o filme poderia ter alçado vôos maiores. curioso é que, após os créditos finais, existe um final alternativo.
O poeta e o garoto
"Si-e-nui sa-rang", de Kim Yang-hee (2017)
Ótimo drama LGBTQ+ sul coreano, escrito e dirigido pela Cineasta Kim Yang-hee. Vencedor de diversos prêmios internacionais, o filme também foi exibido no Festival de Toronto.
Emocionante e sensível, o filme começa como uma leve comédia de costumes, até ir se tornando um drama pulsante, que fala sobre saída do armário e a descoberta do amor por outra pessoa do mesmo sexo aos 40 anos.
Alguns críticos compararam esse filme a "Morte em Veneza", de Luchino Visconti. O filme pode ser visto como uma ode à juventude, ou também um drama que discute maternidade e relações pais e filhos.
Hyon Taek-gi (Yang Ik-june) é um professor de letras para um colégio de crianças. Ele quer ser um Poeta, mas lhe falta inspiração para a escrita. Sua esposa, Hyon (Jeon Hye-jin, sonha em ser mãe, e para tal, faz de tudo para que seu marido a engravide. A vida do casal está em uma rotina sem amor, apenas estão juntos para evitar a solidão. Um dia, o poeta vai até uma loja de Donuts que abriu na frente de sua casa e de imediato, se apaixona por Seyun (Jung Ga-ram), um jovem bonito e apaixonante, que convive com uma gangue de rua e também tem problemas familiares em casa: sua mãe o ignora e gasta o dinheiro em jogo. Seu pai está moribundo, à beira da morte. Quando o Poeta se aproxima oferecendo ajuda, Seyun aceita, pedindo por dinheiro. Mas aos poucos as reais intenções do poeta vão se tornando claras, e o rapaz fica na dúvida se gosta do poeta porque ele é o único que se preocupa com ele, ou se ele o ama.
Belo filme de estréia da diretora Kim Yang Hee, e com excelente performance do rio principal. A melancolia da esposa em aceitar a homossexualidade do marido e implorar que ele fique com ela para ela não criar o filho sozinha, é muito revelador sobre a sociedade sul coreana, que não aceita o papel da mãe solteira. O filme tem ótima direção, roteiro bem amarrado e situações críveis e envolventes que comovem o espectador, principalmente, na cena final.
terça-feira, 9 de abril de 2019
Loro
"Loro", de Paolo Sorrentino (2018)
O Premiado Cineasta italiano Paolo Sorrentino tem uma linguagem narrativa própria, que faz com que o Cinéfilo mais atento identifique de imediato um filme de sua autoria. Essa linguagem tornou- se mais autoral depois do grande sucesso de “A grande beleza”, vencedor do Oscar de 2014. Logo depois veio “Juventude”, e agora, Loro”, uma livre cinebiografia do ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusocni, famoso pelos seus escândalos fiscais e sexuais envolvendo prostitutas de alto luxo.
Berlusconi é um dos homens mais ricos do mundo, com uma fortuna avaliada em quase 7 bilhões de dólares. Ele comanda uma rede de televisão, já foi dono do time de futebol A.C. Milan e dizem que tem envolvimento com a Máfia.
O filme foi originalmente lançado em 2 partes, com quase 2 horas de duração cada. Para poder ser elegível para o Oscar 2019, o filme foi condensado para exibição no exterior em 2:30 horas.
Mulheres objeto, vulgarização do sexo, consumo de drogas, festas hedonistas sem hora para acabar, muitas câmeras lentas, lentes grandes angulares, trilha sonora repleta de música pop, personagens arrogantes, figuras Fellinianas, e claro, tudo em excesso. Paolo Sorrentino é o Cineasta dos excessos estilísticos e narrativos. Tudo nele é sem freio. O filme, longo, não tem o mesmo fascínio de “A grande beleza”. Torna-se quase uma tarefa árdua assistir o filme até o fim. Fosse um filme brasileiro, facilmente teria sido excomungado por militantes feministas, por conta da nudez de todo o casting feminino e a alta exploração do corpo da mulher.
Mas verdade seja dita: não há quem filme Festas melhor do que Sorrentino. Elegantes, intensas, sexies, poderosas e belamente fotografas e marcadas em cena.
Sorrentino escala novamente Tom Sevillo como protagonista, interpretando Berlusconi. O filme foca em sua relação desgastada com sua esposa, a atriz decadente Veronica ( em ótima performance de Elena Sofia Ricci, vencedora do David de Donatello de Melhor atriz). Em seu entorno, políticos e bom vivants que querem se aproveitar das festas e dos contatos para se darem bem na Política e na vida social, entre eles, Sergio Morra (Riccardo Scamarcio).
Mas o filme é entediante, o roteiro é vazio, e o verdadeiro Berlusconi não veio à tona, e sim, as loucuras de suas festas, quase um filme adolescente americano tipo “Negócio arriscado”. Mas vale pelo estilo e pela beleza do filme.
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Reverse
"Reverse", de Josh Tanner (2018)
Co-escrito e dirigido pelo australiano Josh Tanner, "Reverse" é um ótimo filme de terror com menos de 5 minutos de duração. Com uma premissa bastante simples, o trabalho em conjunto de atuação, edição de som, edição, trilha sonora e fotografia provocam uma sensação de pavor muito divertida, com aquele indefectível susto final.
Um homem busca o seu carro em um estacionamento durante a madrugada. Ele está sozinho. Ao entrar no carro, ele observa no sensor que existe alguma presença por ali, mas ele não enxerga ninguém. Todos os sensores internos do carro indicam a presença de alguém. estaria o homem ficando louco?
Uma pequena aula de filme de terror, rodado todo em uma única noite.
Minha obra-prima
"Mi obra maestra", de Gastón Duprat (2018)
Co-escrito e dirigido pelo argentino Gastón Duprat, realizador dos excelentes "O homem do lado"e "Cidadão ilustre", "Minha obra-prima"tem um tema muito semelhante ao filme da Netflix "Velvet Buzzsaw", com Jake Gyllenhaal. Ambos os filmes fazem uma observação anárquica e crítica sobre o Mercado da Arte a valorização da obra de um artista excêntrico depois de sua morte.
Arturo (Guillermo Francella, de "O clã" e "Coração de Leão" é dono de uma galeria de arte. Amigo de longa data de Renzo Nervi (Luis Brandoni), um artista plástico excêntrico e de mal com a vida, que reclama de tudo e de todos, e não faz a mínima questão de ajudar a vender os seus quadros. Endividado, Arturo tenta ajudar Renzo, mas em vão. Até que um acidente sofrido por Renzo o faz repensar e reavaliar todos os seus conceitos sobre amizade, Arte, ganância e corrupção.
Com um roteiro brilhante escrito a quatro mãos, e uma dupla de atores fenomenais, "Minha obra-prima" diverte , faz pensar e mais do que isso: me provocou tamanha antipatia pelo personagem de Renzo, como há muito eu não sentia. Mas o roteiro provoca uma reviravolta sensacional, daqueles plot twists do tipo: "ih"!, e aí tudo vai ficando mais instigante.
Mas talvez a grande Estrela do filme seja a locação em Jujuy, município no noroeste da Argentina; um lugar de montanhas recortadas, surpreendente e acachapante. Essa é a verdadeira obra-prima do título do filme.
domingo, 7 de abril de 2019
A boca de leão
"La boca del león", de Alfonso García (2013)
Ótimo filme de terror espanhol, totalmente rodado no Iphone 4S. O filme ganhou o prêmio máximo no Festival de Sitges, em uma Mostra paralela voltada a filmes rodados com Celulares.
"A boca do Leão" se vangloria de ser o primeiro filme com Exorcismo realizado através de um celular.
Um homem possuído pelo Demônio liga desesperado para um exorcista. O Padre no outro lado da linha pede que o possuído ligue a câmera. Sem forças e já possuído, a filha do homem se apossa do celular e ouve as instruções do Padre para que o ajude a expulsar o demônio do corpo do pai dela.
O filme se apropria da linguagem do "Found footage" ma so faz de forma curiosa e original, com um roteiro bastante interessante. Os efeitos de maquiagem são um pouco trash, e a música do final também tem um tom estranho, de deboche, mas o filme em si é bastante interessante instigante.
Queimadura de sol
"Sunburn", de Vicente Alves do Ó (2018)
Exibido em diversos Festivais de Cinema, o drama português LGBTQ+ "Queimadura de Sol" foi escrito e dirigido por Vicente Alves do Ó, mesmo realizador dos premiados "Al Berto" e "Florbela".
O filme é o que poderíamos chamar de 'White people's problem": 4 amigos lindos, ricos, bem sucedidos, passam um final de semana na casa de campo de um deles, Francisco (Nuno Pardal). A casa é contemporânea, luxuosa e com uma enorme piscina, onde os amigos Simão (Ricardo Barbosa), (Oceana Basilio) e Vasco (Ricardo Pereira). Simão é um escritor de cinema e escreve um roteiro chamado "Sunburn", mas está em crise criativa. Vasco sonha com o homem perfeito, mas enquanto não chega, transa com peguetes de aplicativos. Francisco faz um acordo com Ondina para ela engravidar e ele poder ter um filho. O filme não deixa muito claro a relação entre os amigos, mas parece haver um Poliamor, onde todos pegam todos. Um dia, Francisco recebe uma ligação de Davi, que diz estar indo visitar a todos na casa. Logo se instaura uma grande crise na casa: todos de certa forma, tem uma relação mal resolvida com Davi no passado, e precisam aprender a lidar com a chegada iminente dele, que irá acontecer em algumas poucas horas.
Realizar um drama todo em uma única locação, não é problema algum. O problema é quando o filme tem um roteiro frágil e vazio. "Queimadura de sol" expõe pequenos dramas dos personagens, nenhum digno de nota. Nesse processo quase minimalista de explorar a rotina dessas pessoas lindas e exuberantes, fica a pergunta: como é que eles conseguem ter problemas tão sem relevância, diante da vida de luxo e prazeres que levam?
Nesse existencialismo contemporâneo, falta a densidade de um Antonioni. Salvam-se as perfomances de todo o elenco, que já são atores consagrados, e as lindas locações no Sul de Portugal.
Pixels
"Pixeles", de Jordi Núñez (2015)
Premiado curta espanhol, "Pixels" é um drama LGBTQ+. Edu e Aldri formam um jovem casal gay. Eles moram juntos, convivem com bastante harmonia e felicidade, até que um amigo novo de Aldri entra na vida do casal. Edu começa a criar dentro dele um forte ciúme doentio. Aldri não entende a frieza de Edu, que cada vez se intensifica mais, ao passo de evitar até os amigos do casal.
O filme termina de forma trágica, e isso me incomodou bastante. Não houve um momento de reflexão, de conversa entre o casal. Ficou no estranhamento, na falta de comunicação. Para um casal que vivia às mil maravilhas, me pareceu bastante abrupto. O desfecho é desnecessário, uma forma do filme querer punir um dos personagens pela escolha que ele tomou.
Os atores estão bem, interpretam de forma honesta os seus personagens. O filme tem 12 minutos, o que também é uma boa escolha do Diretor e do editor, evitando esticar demais uma história tão singela.
O Manicômio
"Heilstätten", de Michael David Pate (2018)
Quando a gente achava que a moda do "Found footage" já tinha acabado, eis que o roteirista e Cineasta alemão Michael David Pate recupera tudo de novo. "O manicômio" tem toda a pinta d eter sido realizado há mais de 10 anos atrás, quando esse tipo de filme virou moda. Todos os clichês estão ali: adolescentes patéticos protagonizando a história, com aquele plot irritante: resolvem passar uma noite em um local notoriamente mal assombrado.
Um grupo de Youtubers, de canais distintos, brigam por curtidas e seguidores. Resolvem se lançar um desafio: passar a noite em um manicômio isolado na floresta, conhecido por experiências nazistas. Claro que todos os personagens são idiotas, agindo como pessoas altamente irresponsáveis: não tem como sentir pena dessa galera quando se fodem. Esse é o problema do filme: não há um único personagem carismático a quem a gente deva torcer.
Os efeitos são fracos, quase não se v6e as ações da fantasma. Os diálogos são fracos, os atores servem pra gritar.
O que interessa no filme é a fotografia e a atmosfera, mesmo assim, já vistos mil vezes em outros filmes.
Quando Margot encontra Margot
'La belle et la belle", de Sophie Fillières (2018)
Escrito e dirigido pela Cineasta francesa Sophie Fillières, 'Quando Margot encontra Margot" parte de uma premissa muito semelhante a "Peggy Sue, seu passado te condena", de Coppola. Uma mulher de 45 anos, Margot ( Sandrine Kiberlain), viaja até Paris. Em uma festa, ela conhece Margot ( Agathe Bonitzer, filha da Cineasta). Logo, a Margot mais velha reconhece na Margot jovem ela 20 anos atrás. A partir daí, a Margot velha dá conselhos para a jovem para evitar os erros que ela cometeu.
Supostamente uma comédia romântica com toques de fantasia, o filme peca em todos os gêneros: como comédia não faz rir, como romance não encanta, e como fantasia, é nulo, já que a Cineasta resolveu investir no realismo para tratar de um tema fantástico. Resultado: falta charme, falta emoção. Sobra um filme sem ritmo, de personagens chatos.
Sandrine Kiberlain é uma atriz veterana que sabe trabalhar em drama e comédia, mas aqui, faltou um roteiro que desse maior dimensão à sua personagem. Agathe Bonitzer é boa atriz, mas o problema é o mesmo, não há carisma na personagem. Melvil Poupaud , ator fetiche de François Ozon e Xavier Dolan, faz um bom contraponto para um filme que quer falar de mulheres independentes e donas de seu corpo e das decisões, mesmo que erradas.
sábado, 6 de abril de 2019
Luzes da Ribalta
"Limelight", de Charles Chaplin (1952)
Não sei aonde me escondo de tanta vergonha por nunca ter assistido a essa obra-prima de Charles Chaplin.
"Luzes da Ribalta" foi lançado em 1952, e foi o seu último filme realizado nos Estados Unidos. Acusado de fazer parte do Partido Comunista, Chaplin teve que se mudar para a Inglaterra. O filme somente foi lançado nos Estados Unidos em 1972, quando foi indicado ao Oscar em várias categorias e acabou levando o Oscar de trilha sonora. A música "Tema de Terry" é das mais conhecidas pelo grande público, sendo sempre associada à imagem de Chaplin pela melancolia e poesia.
O filme é ambientado em Londres de 1914, antes da 1a Guerra mundial. Calvero ( Chaplin), é um Artista em decadência, longe dos tempos áureos que conquistou há anos atrás. Ele mora em um cortiço, e está com o aluguel atrasado. Chegando bêbado em casa, ele salva uma vizinha, Tereza (Claire Bloom), que tentou suicídio. Ela também está com o aluguel atrasado, e tem um passado traumático, que a impede de seguir seu sonho de ser bailarina. Calvero passa a cuidar dela e a incentiva a voltar a dançar. Ao mesmo tempo, Calvero vai cada vez mais afundando na depressão e no ostracismo.
O filme lembra bastante o enredo de "Nasce uma Estrela", mas Chaplin traz muita melancolia e tristeza a essa sua derradeira aparição com um personagem que lembra Carlitos, mas sem maquiagem. Impossível não associar o personagem Calvero ao próprio Chaplin, que em 1952, já se encontrava em processo de declínio e perda do público, uma vez que seus grandes sucessos viera com o período do Cinema mudo. O filme tem diálogos brilhantes escritos pelo próprio Chaplin, e percebe-se sua amargura pelo Show Bizz, que o abandonou. Muitas cenas antológicas, como o seu sketche com Buster Keaton. Só essa cena já valeria ver o filme, uma linda homenagem ao Cinema mudo.
Obrigatório.
sexta-feira, 5 de abril de 2019
Ilha do Vulcão
"Vulkánsziget", de Anna Katalin Lovrity (2017)
Exibido em diversos Festivais Internacionais. incluindo o Festival de Berlin, o curta de animação "Ilha do Vulcão" , dirigido e escrito pela cineasta húngara Anna Katalin Lovrity, foi elogiado por mulheres que fazem parte do movimento de anti-assédio #Metoo.
O curta traz uma metáfora sobre o despertar da feminilidade e o assédio sexual masculino.
Numa paradisíaca Ilha onde um vulcão está inativo, uma jovem tigresa convive em paz com a natureza e outras tigresas de sue grupo. De repente, e um enorme e velho Tigre branco surge ameaçador, assediando insistentemente a tigresa, que o rejeita. Ele passa a correr atrás dela, que procura a todo custo fugir dele. De repente, o vulcão eclode.
O roteiro foi desenvolvido pela cineasta de acordo com um caso ocorrido em sua adolescência. Ele foi assediada por um homem mais velho, mas por ser jovem, não conseguia interpretar aquilo como assédio na época.
Com belíssimos traços e cores exuberantes, esse curte, sem diálogos, propõe discussões interessantes sobre temas bastante atuais.
Shazam!
"Shazam!", de David F. Sandberg (2019)
O Cineasta David F. Sandberg é um raro caso de realizador nascido na Suécia a fazer sucesso em Hollywood com Blockbuster. Quando em 2013, ele realizou o curta de terror "Luzes apagadas", de apenas 3 assustadores minutos, o impacto foi tão enorme que Hollywood encomendou uma versão em longa metragem. Infelizmente o filme não ficou bom, mesmo assim, ele ficou encarregado de dirigir a continuação de "Anabelle 2", que conseguiu a proeza de ser melhor que o original.
Com cartaz aberta para dirigir "Shazam!", David ainda trouxe a sua esposa, a atriz Lotta Losten, que está em todos os eus filmes e aqui faz uma ponta como uma cientista.
Shazam! é uma grande homenagem aos filmes escapistas dos anos 80 e 90, que envolvem crianças e adolescentes como protagonistas. Tem homenagem a "Os Goonies", uma pitada meio Filme B de "Os aventureiros do bairro proibido".
O filme conta a história do adolescente Billy Batson (Asher Angel), que quando criança, foi abandonado por sua mãe. Durante toda a sua infância e adolescência, ele foi criado em diversos orfanatos, mas sempre foi expulso. Quando ele se acomoda em uma casa de acolhimento de menores, ele é catapultado até um mundo onde é cooptado pelo Mago Shazam (Djimon Hounsou), que está velho e sem condições de ser o Guardião dos 7 deuses dos pecados capitais. Billy, por ter um bom coração, acaba se tornando o próximo Mago (Zachary Levi) a gritar a palavra Shazam! Logo ele precisa entender que poderes ele possui, sendo ajudado pelo garoto que sofre bullying Freddy (Jack Dylan Grazer, de "It, a coisa).
Impossível não pensar que esse filme é a resposta da Dc para o Deapool de Ryan Reynolds. Mais comedido e infantil, sem os palavrões e mortes explícitas, Shazam diverte a criançada como um grande Clown, sempre fazendo graça. Zachary Levi está formidável e muito carismático. Todo o elenco juvenil está muito bem. A sequência onde Freddy procura entender os poderes de Shazam é hilária.
quinta-feira, 4 de abril de 2019
Na sua companhia
"Na sua companhia", de Marcelo Caetano (2011)
Premiado filme do mesmo Diretor de "Corpo elétrico", o curta "Na sua companhia" ganhou diversos prêmios em Festivais, alem de ter participado de importantes Festivais mundo afora, como Rottendan e Clermont Ferrand.
Para quem já é familiarizado com o cinema de Marcelo Caetano, já sabe que existe um fetiche pelo corpo masculino, as voltas com temas que envolvem homossexualidade, solidão, sexo livre e muita música popular brasileira. Aqui temos dark room, muito sexo, uma Drag fazendo show como Maria Bethania, e como protagonistas, um casal gay formado por um homem na faixa dos 50 anos e um jovem negro musculoso. Eles se filmam através de câmera, existe um jogo excitante de voeyurismo. Pessoas dançam para a câmera, existem espelhos para acentuar o narcisismo do jovem negro.
não existe um roteiro, existem situações e fragmentos que exploram todos os temas citados acima. É quase um filme experimental. Não é para todos os gostos.
terça-feira, 2 de abril de 2019
A longa noite de Francisco Sanctis
"La larga noche de Francisco Sanctis", de Francisco Márquez e Andrea Testa (2016)
Adaptação do livro do escritor argentino Humberto Constantini. "A longa noite de Francisco Sanctis" concorreu na Mostra Un certain Regard no Festival de Cannes e em outros importantes Festivais, como Hamburg e San Sebastian.
O Filme é um drama com pegada Hitchcockiana, com o tema do homem comum fazendo feitos heróicos.
Francisco Sanctis é um homem comum. Um burocrata, casado com Angelica e pai de dois filhos. Classe média, Francisco sonha com uma promoção em seu trabalho, que nunca vem. O ano é 1977, ditadura em Buenos Aires. Quando estudante universitário, Francisco tinha um pseudônimo de Leonardo Medina e escrevia textos politizados. Uma colega da faculdade liga para Francisco. Quer encontrá-lo. Ela confidencia para ele que um casal será preso pela polícia: ela lhe fornece os nomes e endereço e pede que vá avisá-los. Francisco nega, não quer envolvimento, e vai embora. Porém, Francisco se remói de culpa a noite inteira, tenta ajuda, mas decide ele mesmo ir até o endereço e avisar ao casal.
O filme tem uma ótima direção, criando uma atmosfera de suspense mais light. O tempo todo o filme cria um ambiente de suspeita, de claustrofobia, que faz com o que espectador muitas vezes se sinta no lugar de Francisco. Em quem confiar?
Hábil na narrativa, o filme merecia uma adaptação para o Teatro.
Amor fraternal
"Brotherly love", de Anthony J. Caruso (2018)
Drama LGBTQ+ independente americano, "Amor fraternal" ganhou mais de 10 prêmios em festivais de gênero. O filme é escrito, produzido, dirigido e protagonizado por Anthony J. Caruso, em um tour de force para apresentar o seu trabalho para o mundo.
Anthony se inspirou em sua vida para criar o personagem do Irmão Vito. Anthony cresceu em uma família católica, e a opressão da religião lhe limitou muita coisa na vida.
o Seu personagem é um aspirante a Padre, que estuda em um Monastério. Mas ele leva dupla como gay. Junto de seu melhor amigo gay, ele frequenta baladas Lgbtq+ e outros ambientes, mas na hora H ele sempre se segura, pois ele ama Deus e a religião. Ele é aconselhado pela irmã Peggy a procurar um refúgio espiritual. Vito decide ir até San Francisco e se hospedar em um abrigo para HIV positivos, fazendo trabalho assistencial. Ele conhece Gabe, um rapaz que também presta ajuda a Ong. Ambos se apaixonam, mas Vito novamente precisa decidir entre a vida religiosa ou o amor de Gabe.
Não consigo imaginar como esse filme pode ter 2 horas de duração. É interminável. Com certeza, poderiam ter cortado 40 minutos do filme. Anthony até tem carisma, mas é mau ator. Os outros atores também são razoáveis, com cara de todo mundo ali ser amigo do Diretor. O que é curioso no filme, é que ele é bem cafona, e isso lhe confere um charme extra. Outra coisa divertida são os estereótipos da cultura gay: todos são apaixonados por Barbra Streisand e o filme Yentl. Mais gay, impossível.
Verona
"Verona", de Marcelo Caetano (2013)
Premiado Filme LGBTQ+ de Marcelo Caetano, realizado antes do seu incensado 'Corpo elétrico". O roteiro foi co-escrito por Hilton Lacerda, Diretor de "Tatuagem".
Walter e Elias formaram por anos um grupo na Europa de dance music chamado 'Verona", O grupo acabou e se desfez. Walter voltou ao Brasil. Elias continuou na Europa. 10 anos depois, eles se reencontram no Interior do Brasil. Walter está para se casar com o jovem Felipe. Elias vem para o casamento. Nesse encontro de um final de semana na casa de campo, os 3 procuram descobrir a melhor forma de conviver em paz. Mas muita lavação de roupa acontece, criando uma tensão que vai do psicológico ao sexual.
Elias é interpretado pela famosa Drag Marcia Pantera. Os outros 2 atores, Germano Melo e Guto Nogueira, são presenças constantes em filmes autorais. O roteiro em si não oferece grandes eventos, e sim, um registro quase minimalista dessas pessoas tristes e melancólicas, que percebem que o tempo passa e as cosias não são mais as mesmas. Envelhecimento, frustração profissional, solidão. Com esses temas Marcelo Caetano realiza uma sinfonia de profunda imersão no vazio existencial.
A trilha sonora oferece clássicos do pop, entre elas, "When the doves cry", de Prince.
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Titanic
"Titanic", de Herbert Selpin e Werner Klingler (1943)
Primeira versão para o Cinema sobre a história real do Transatlântico Titanic, que no dia 15 de abril de 1912, bateu em um Iceberg e afundou no mar, matando 1500 pessoas, entre passageiros e tripulantes.
Essa versão alemã foi, por incrível que pareça, realizado durante a 2a Guerra. Durante as filmagens noturnas no mar, não podia se acender tantos holofotes de filmagem pois isso chamaria a atenção dos aliados. O Ministro do exterior, Joseph Goebbels, bancou esse filme com o motivo de ser uma peça anti- Inglaterra, e favorecesse o patriotismo heróico dos alemães. Nesse filme, inventaram um outro Capitão Alemão, Petersen, que ao contrário do Capitão inglês, salva vidas e organiza a fuga dos tripulantes e passageiros. Ele é o herói, com frases feitas sobre o dever de salvar vidas e jamais abandonar o barco.
É escancarado como no filme, os ingleses são vistos como escórias, maltratando tripulação e visando apenas a ganância e o lucro. A primeira parte do filme foca nos dramas e romances, e na 2a parte, vem a tragédia e o plano de fuga.
O filme foi o mais caro na história da Alemanha até então. Acabou não sendo exibido e foi banido, sendo apresentado depois em 1992. o Diretor Herbert Selpin foi acusado de falar mal do nazismo e acabou sendo preso. Foi encontrado enforcado na prisão. v finalizou as filmagens.
Com certeza, o "Titanic"de James Cameron roubou muitas idéias desse filme. principalmente quando apresenta os níveis diferentes de classes sociais no navio.
Casa de palha
"House of straw", de Kyle Bogart (2015)
Ótimo filme de terror, uma homenagem a clássicos dos anos 80, como "Um lobisomem americano em Londres"e "Grito de horror".
Emma é casada com Reed. Eles vivem em perfeita harmonia. Toda noite de lua cheia, Reed vai até o açougue e compra cabeças de porco. Emma prepara o bunker, onde de noite, ela trancará Reed. Mas nessa noite, ela resolve trair o marido com o açougueiro.
Escrito e dirigido por Kyle Bogart, "Casa de palha" tem uma direção esperta, com um roteiro que surpreende o tempo todo. Os efeitos especiais e maquiagem são meio toscos, mas condizentes com os filmes que ele quer homenagear. Sem uso de computação gráfica e todo com efeitos práticos, o filme ainda é favorecido por uma fotografia que enaltece a tensão criada pelas imagens.
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