terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Control

'Control", de Gene Fallaize (2023) Primeiro filme do ator Kevin Spacey desde a seu cancelamento e múltiplas acusações por assédio sexual, "Control" é um suspense que busca referências em filmes como "A chamada", com Liam Neeson, e "4X4', suspense argentino. Em ambos os filmes, os protagonistas se encontram em um carro, sem controle da situação, ameaçados por uma voz que busca vingança. Kevin Spacey é a voz que surge nos comandos do carro, em um mundo futurista onde o Ai toma controle de boa parte da logística da cidade. Stella (Lauren Metcalfe) é a secretária da casa civil do primeiro ministro da Inglaterra. Após um evento onde ele discursa sobre o papel da tecnologia, ele pede que ela leve sua filha de carro até sua casa, pois terá que ficar até tarde. Stella e o primeiro ministro são amantes. Quando ela pega o carro, decsobre que um controle interno de Ai assume o controle do carro. A voz a ameaça e faz um relato sobre se vingar de atos do primeiro ministro. Com um roteiro absolutamente sme graça, a direção pouco faz para trazer qualquer tipo de tensão e suspense. Não há ação, a ameaça não existe e fica difícil do espectador sentir qualquer tipo de possibilidade de morte da protagonista. Kevin Spacey poderia ter tido uma melhor oportunidade de resgate de sua carreira.

O silêncio da vingança

'Silent night", de John Woo (2023) John Woo é um mestre dos filmes de ação, e dele vieram diversos clássicos de Hong Kong e filmes americanos, como "A outra face" e "Fervura máxima". Seu último filme americano, "O pagamento", com Ben Afleck, data de 2003. 20 anos depois, Woo retorna em terra americana para mais um filme de ação, dessa vez um típico filme de vingança. Protagonizado por Joel Kinamman, ator suceso que foi Alex Murphy do 'Robocop" de José Padilha, interpretando um pai que decide se vingar dos bandidos que mataram seu filho à tiros acidentalmente, durante uma guerra de gangues na rua onde ele mora. Após levar um tiro na garganta à queima roupa, Brian é internado e perde a voz. Sua esposa, Saya (Catalina Sandino Moreno) faz de tudo para evitar que o marido busque vingança, em vão. O filme tem uma curiosidade: ele não tem diálogos. Com boas cenas de ação, a primeira metade do filme foca mais no drama do personagem e a crise no casamento, enquanto na 2a ele vai em busca de cada um dos bandidos.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

O capitão

"Io capitano", de Matteo Garrone (2023) Vencedor do Leão de prata no Festival de Veneza 2023, "O capitão" é do mesmo realizador de "Gomorra" e "Pinochhio". Garrone gosta de provocar o público com cenas de violência. Os seus protagonistas passam por uma jornada de herói com descobertas, frustrações e no caso aqui de "O capitão", o roteiro fica o tempo todo fazendo provações com os seus personagens, que cruzam uma via crucis repleta de situações sádicas. É um mundo desprovido de bondade, que só existe nos 2 protagonistas, Seydou e seu primo Moussa, ambos de 16 anos. Eu fiquei muito incomodado com tantos "vilões" na história, que a todo minuto, transformam a epopéia dos dois primos em uma verdadeira tragédia anunciada. Quando você acha que algo pode melhorar, lá vem um balde de água fria que faz tudo se tornar ainda pior. Ambientado no Senegal, Seydou (Seydou Saar) e seu primo Moussa (Mustapha Fall) juntam um dinheiro para poderem migrar até a Itália e ali, se tornarem cantores de rap famosos. Seydou mente para a sua mãe, dizendo que vai jogar futebol com os amigos, mas na verdade, ele trabalha para juntar dinheiro. Na fuga, ele é enganado na compra de passaportes, atravessa o deserto do Saara onde muitos morrem no caminho, são sequestrados, até finalmente, se tornar capitão de uma embarcação repleta de africanos.. É curioso como toda essa trajetória parece ter sido inspirada em "Pinóquio", dirigida por Garrone. A mãe é um paralelo de Gepeto, que diz pro filme não sair das redondezas e buscar novos horizontes. Ao confiar na bondade das pessoas, ele é enganado o tempo todo. E no final, no mar, ao invés de ser engolido pela baleia, Seydor se encontra literalmente sem rumo diante de um mar sem fim. Ah, e aind atem a fada madrinha personfiicada por um espírito. Trágico, sufocante, é um filme difícil de acompanhar e não querer desistir em 20 minutos. é sofrimento demais, compensado pelo excelente trabalho do elenco de amadores.

domingo, 17 de dezembro de 2023

A maldição do Queen Mary

"Haunting of the Queen Mary ", de Gary Shore (2023) O transatlântico inglês Queen Mary navegou de 1936 a 1967. Durante a 2a guerra mundial, ele deixou de ser um cruzeiro para atender as necessidades dos soldados ingleses. Depois voltou a trafegar como transatlântico. Depois de 1967, ele foi aposentado e ancorou definitivamente em Long Beach, Califórnia, onde permanece coomo Museu aberto ao público, com hotéis, restaurantes, e principalmente, um passeio fantasma, uma vez que o navio ficou famoso por histórias de assombração. Aproveitando ess emote, o diretor gary Shore co-escreveu o roteiro com Stephen Oliver e Tom Vaughan. O resultado é um filme visualmente bom, mas o roteiro, que engloba 2 tempos, é bastante confuso. Além disso, o filme é extremamente longo, 2 hs. É óbvia a tentativa de trazer referências a "O iluminado", com fantasmas possuindo pessoas dentro do navio e assustando suas famílias. Ah, sim, o machado está presnete ali, doido para massacrar os entes queridos. O filme se passa em 1938 e nos dias de hoje. No passado, uma família entra de penetra no cruzeiro: o pai, David, a mãe, Gwen, e a filha Jackie. Ao caminhar pela piscina, David é possuído pelo espírito de um homem que foi enterrado vivo no navio. David mata a família e alguns passageiros, e é preso no navio. Nos dias de hoje, uma família, Anne (Alice Eve), seu filho Lukas (Lenny Rush) e o ex-marido Patrick (Joel Fry) vêm para o navio com a intenção de escrever um livro sobre sua história supostamente sobrenaturais. Lukas, ao caminhar sozinho, é possuído pelo espírito de Jackie. Os pais estranham seu comportamento e procuram decsobrir o que está acontecendo. O melhor do filme são suas cenas de morte, brutais e chocantes. Algumas cenas de paranormalidade também são bem feitas, como o espírito que sai do celular. Mas a longa duraçãoe. o excesso de personagens e sub-plots tornam o filme arrastado e confuso.

Crônica

'A shafir", de Mohamed Sabbah (2017) Co-priduzido pelo Líbano e Alemanha, escrito e dirigido por Mohamed Sabbah, "Crônica" é um drama Lgbtqiap+ que faz do luto e da constante presença da Morte, um espetáculo experimental que une Arte e resistência. Após a morte de seu namorado provocado por um atentado terrorista, Omar, fotógrafo, decide montar uma exposição fotográfica que une traumas e lutos de pessoas que tiveram entes queridos mortos por atos terroristas. Walid, um dançarino, evita se apaixonar ou criar laços. May, uma mulher libanesa, perdeu o seu amante sírio que morreu num barco com destino à Europa. O terceiro é um praticamente de bondage e sado-masoquismo. Omar se deixa envolver pelos três, e faz do relacionamento, material para a sua exposição. O que poderia render um belo filme sobre exorcizar a dôr, acaba se tornando um filme arrastado e pedante, onde o cineasta mescla texturas, usando câmera digital e fotos. Achei tudo muito chato e mesmo nas cenas de sexo, o filme promete mais do que mostra.

A fuga das galinhas- a ameaça dos nuggets

"Chicken Run: Dawn of the Nugget", de Sam Fell (2023) 23 anos depois de ter sido lançado e ter ganho o Oscar de animação, "A fuga das galinhas" vem com a sua continuação. A direção foi substituída, e boa parte das vozes também (Rocky originalmente tinha a voz de Mel Gibson, agora é Zachery Levi). O filme praticamente repete o plot do 1o filme, adicionando mais uma galinha corajosa: Molly ( voz de Bella Ramsay). Conectada com a força da juventude contemporânea e engajada, como Greta Thumberg, Molly decide abandonar o paraíso das galinhas e enfrentar o Poder de uma fábrica de nuggets. Lá, ela fica amiga de Frizzle, uma jovem galinha toda espertinha. Molly fica encucada com as galinhas da "Família feliz": ali, existe um paraíso, onde as galinhas se divertem comem, dançam, brincam. O que está por trás disso, é uma pesquisa científica que comprova que as galinhas que morrem felize,s produzem carne mais soborosa e tenra. Os pais de Molly, ao descobrirem que ela fugiu, vão ao seu encalço, junto das amigas e dos ratos. E para surpresa de todos, a empresa é comandada novamente pela malvada Mrs Tweedy (voz de Miranda Richardson). O filme é divertido e fará a alegria da garotada. No entanbto, as piadas repetidas do 1o filme ( como por exemplo, o grinder que irá moer a todos) traz aquela sensação de deja vu. Se passaram muitos anos desde o 1o filme, e o encantamento meio que se perdeu.

sábado, 16 de dezembro de 2023

Os três mosquiteiros- Milady

"Les trois mousquetaires: Milady", de Martin Bourboulon (2023) Um ano depois da 1a parte da trilogia adaptada da obra de Alexandre Dumas, "Milady" é lançado. Esse vem a ser a 2a parte, focado mais na trama da vilã Milady (Eva Green). Seguido por um prólogo que resume o que se passou na 1a parte ( afinal, passou-se 1 ano), o filme traz novamente D'artagnan (François Civil), Porthos (Pio Marmai), Aramis (Romain Duris) e Athos (Vincent Cassel). os mosquiteiros à serviço do Rei da França Luís X!!! (Louis Garrel). Toda a trama de D'artangan nesse filme é seguir os passos da amada Constance, raptada no filme anterior. Athos decsobre que a esposa que ele acreditava estar morta, Milady, é quem arma as artimanhas contra o governo. O filme é menos divertido do que o filme anterior, que trazia elementos de humor que fazia a alegria do público. Agora, o tom é mais sombrio, com mais ação. Todo o elenco é ótimo, para variar, assim como a ficha técnica. O problema dos capítulos intermediários é que quando acaba, fica-se a impressão de que foi uma encheção de linguiça.

Tá escrito

"Tá escrito", de Matheus Souza (2023) Dirigido por Matheus Souza e co-escrito por Matheus Souza, Ricky Hiraoka e Thuany Parente, "Tá escrito" parece ter como ponto de partida o mangá "Death note", onde um caderno de anotações mágico faz os pedidos acontecerem de verdade. Apostando mais na fantasia, o filme traz os elementos comuns à filmografia de Souza: universo pop, geek, pós adolescentes, romance fofo e trilha sonora soft eletrônica e com pitadas de indie rock. Larissa Manoela é a estrela, acompanhada por Thuany Parente,, Victor Lamoglia, Karine Teles, Kevin Vechiato, André Luis Frambach, Hamilton Dias e grande elenco, incluindo o nostálgico Cazé da Mtv, no papel do pai de Alice (Manoela). Alice é estudante de astronomia, paixão herdada pelo falecido pai. Frustrada pela sua tmidez em se apresentar em público e pela falta d eperspectiva, ela aceita o convite de sua melhor amiga para ser infleuncer em uma mansão ond eo personagem de Victor Lamoglia cuida da carreira de influencers. Alice no entanto, corrige o convite: ela não é astróloga, e sim, astrônoma. Mas ainda assim ela aceita o trabalho. Um dia, ela recebe um caderno de anotações em casa, e logo decsobre que tudo que escreve sobre os signos, acontecem na vida real das pessoas. O filme aposta mais na fantasia e nas expectativas do que pode acontecer na vida das pessoas, do que no humor e no romance. A ficha técnica é boa: fotografia, direção de arte, comandado por mulheres. Pautas como lesbofobia, machismo, sororidade são apresentadas para a turma adolescente.

Tantura

"Tantura", de Alon Schwarz (2022) "Tantura" é um polêmico documentário que concorreu no Festival de Sundance e que hoje, na luz da guerra entre Israel e a Palestina, decidindo o destino da faixa de Gaza, gannha dimensões ainda maiores. O filme traz depoimentos de judeus sobreviventes da Diáspora, criação do estado de Isreal em 1948. Fora esses depoimentos, é baseado na investigação realizada pelo estudante de pós-graduação da Universidade de Haifa, Teddy Katz, sobre o efeito da guerra de 1948 em cinco aldeias, incluindo Tantura. Katz conduziu 140 horas de entrevistas em áudio com 135 pessoas, tanto palestinos quanto testemunhas israelenses, incluindo soldados, dos eventos em Tantura. Em 1998, publicou uma tese concluindo que houve um massacre de 200-250 palestinos de Tantura, a maioria homens, pela Brigada Alexandroni das FDI , e que as vítimas foram enterradas em valas comuns. A tese recebeu nota máxima com louvor. Mas pressionado, pela Universidade e pela opinião pública, ele declarou que não houve massacre, tendo que se retratar. Dias depois, tentou cancelar sua retratação, alegando ter sido pressionado e de que se arrependeu, mas o caso foi cancelado. O filme centra-se no destino dos residentes palestinos de Tantura no verão de 1948. Um assassinato em massa teria sido cometido por soldados israelenses, incluindo estupros, e todos enterrados em uma vala comum. É um filme que foca em depoimentos e em imagens que não provam as valas, apenas suposições. Mas é um projeto que abre discussões e traz um debate explosivo sobre um dos momentos mais controversos da história do mundo, chamado por Isreal de "independência", e pela Palestina, de "A grande catástrofe".

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Godzilla minus one

"Godzilla minus one", de Takashi Yamazaki (2023) Durante toda a projeção de "Godzilla minus one", escrito e dirigido por Takashi Yamazaki e vencedor do prêmio de melhor filme internacional pelos críticos de Las Vegas, fiquei pensando na ousadia dos produtores em investir em um filme de Kaiju que focasse mais no material humano do que no monstrengo marinho. Godzilla aparece pouco. Mas isso não é um problema, pois nas poucas vezes em que aparece, cria-se até mais expectativa ( lembre de "Tubarão"). É possível assistir ao filme como um drama e entender que Godzilla é a metáfora de todos os medos e ameaças ao Japão pós 2a guerra, destruído e mal visto pelos países que fizeram aliança com os Estados Unidos. O filme lida com a culpa, os traumas e a honra, um termo muito respeitado pela cultura japonesa. Koichi Shikishima é um piloto de avião kamikaze (suicida), mas que se acovarda e decide se esconder na Ilha de Oda. Acontece que a Ilha é atacada por Godzilla e todos os soldados da ilha são mortos. Shikishima se sente culpado pelas mortes, por não atacar o monstro. De volta à Tokyo, ele decsobre que seus pais morrerarm e reconstrói sua vida doz ero, assim como todos os japoneses no fim da 2a guerra. Uma jovem, Noriko, que adota uma bebê, lhe pede ajuda. Anos depois, Godzilla retorna e ataca Tokio. Shikishima se une a um grupo de voluntários para combater o monstro. Fiquei impressionado com a qualiadde técnica do filme: a direção de arte, a fotografia, a trilha sonora envolvente e tensa. O Godzilla traz os traços do monstro original, acrescido de efeitos que o tornam assustador e indestrutível. Mas o mais potente no filme, é de fato, o elenco. Todos os atores, sem exceção, estão soberbos, trazendo camadas e viradas. Tem até um momento 'Dunkirk" no filme.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Propriedade

(2023 "Propriedade", de Daniel Bandeira (2023) Thriller social escrito e dirigido pelo pernambucano Daniel Bandeira, "Propriedade" me remeteu a 2 filmes recentes, que têm como pano de fundo a forte crítica social e a polaridade entre previlegiados e a classe desfavorecida: "A nova ordem", do mexicano Michel Franco, e o argentino "A jaula". Do primeiro, o embate mortal entre empregados e patrões burgueses, com ambos os lados da moeda apostando na violência e na brutalidade para resolver as suas diferenças. Do argentino, vem a metáfora da "blindagem" e do vidro fosco, que evita que se veja a dura realidade de um mundo cruel, que massacra a classe dos marginalizados, onde o motorista prefere ignorar o que está óbvio à sua frente. Premiado em importantes Festivais, como Festival do rio, Aruanda e concorrendo na Mostra Panorama em Berlim, o filme traz um roteiro polêmico, onde todos são expostos como animais em fúria, evitando o discurso e dando voz ao massacre. Thereza (Malu Galli, excelente) ainda guarda trauma de quando foi assaltada com uma faca no pescoço. Seu marido, Roberto (Tavinho Teixeira), decide blindar o carro e levar Thereza até a fazenda da fam;ília que ele herdou. Ele vai até lá para avisar aos funcionários que irá vender a fazenda. temerosos de não ter aonde morar e de terem dívidas com o patrão, um ato de viol6encia gera uma chacina, resultando em Thereza se protegendo no carro blindado. Os empregados da fazenda fazem de tudo para tirá-la de dentro, enquanto Thereza procura se proteger, sem conseguir comunicação externa. O que é irrepreensível, é o trabalho do elenco de apoio: todos estão em perfeita sintonia, cada um com uma personalidade, remetendo ao grupo de "Bacurau". Aliás, o fotógrafo é o memso, Pedro Sotero. Zuleika Ferreira, como a líder do grupo, é espetacular. Os efeitos, a montagem, a direção, tudo funciona perfeitamente para tornar "propriedade" uma experiência sensorial, mas trazendo incômodo ao espectador, que certamente sairá da sessão sem uma opinião clara sobre o seu desfecho.

Mon amour

"Mon amour", de David Teboul (2020) Pense em um documentário de 3 horas de duração, onde o cineasta relata o seu luto pela morte de seu companheiro de longa data, que se suicidou. Mais: boa parte do filme é composto por divagações em off, sobre imagens da Sibéria, expondo e abrindo o seu coração e a sua alma, uma forma de exorcizar a sua culpa pela morte do amante. Algum cinéfilo se habilita? Em 16 de dezembro de 2007, Frederic deixou mensagem relatando a sua tristeza e deu fim à sua vida. o cineasta David Teboul passou por parte de sua vida se sentindo culpado por não ter estado ao lado do amado na hora que ele mais precisava. Para isso, ele decide ir para um lugar bem longe, e nesse caso, escolhe a Sibéria. Lá, ele se isola e faz reflexões sobre a vida, amor, morte. O cineasta se baseia no existencialimo de "Hiroshima mon amour", tanto o livro de MArguerite Duras, quanto ao filme de Resnais, no qual o realizador faz referências imagéticas, com planos fechados no sexo dos amantes. O filme é entremeado com depoimentos de moradores da Sibéria, explanando sobre amor e morte. Tem um casal de idosos, uma jovem e um rapaz, que gratuitamente, tira a roupa e toma banho, totalmente nú. Um desejo impulsivo pelo corpo masculino, uma lembrança do amado? Seja qual for a resposta, é um filme muito entediante, difícil de acompanhar pela sua longa duração. Vale pelas belas imagens da Sibéria.

Buddies

"Buddies", de Arthur J. Bressan Jr. (1985) Escrito e dirigido por Arthur J. Bressan Jr., "Buddies" rende uma ótima peça de teatro para 2 atores homens na faixa dos 30/35 anos. Clássico drama LGBTQIAP+ independente americano, foi historicamente o 1o filme realizado a falar abertamente sobre a Aids e a consequência da doença sobre a comunidade gay. Hollywood somente falou sobre o vírus em 1989 com o drama "Meu querido companheiro". O filme fala sobre a amizade que se afirma entre dois homens gays: um que está convalescendo do HIV no hospital, Robert, e David, um voluntário de um programa da Gay Comission. Ele é considerado um "buddie", uma pessoa que visita um doente e passa a tarde conversando com ele quando ninguém mais faz visita, ainda mais no início da Aids, quando a doença era associada a um câncer gay e as pessoas evitavam visitas. O cineasta Arthur J. Bressan Jr., que escreveu e dirigiu o filme, veio a falecer 2 anos depois de Aids, assim como um dos protagonistas, Geoff Edholm (Robert)."Buddies" é um filme bastante depressivo, onde um homem sofrendo de HVI dá depoimentos sobre a vida que está se esvaindo. Não recomendado para pessoas depressivas.

Shoulder dance

"Shoulder dance", de Jay Arnold (2023) Premiado em diversos festivais de cinema lgbtqiap+, escrito e dirigido por Jay Arnold, esse drama romântico poderia perfeitamente rednder uma boa peça de teatro com 4 atores na faixa dos 30/35 anos: 3 homens e 1 mulher. O filme acompanha o casal Ira (Matt Dallas) e Josh (Taylor frey), casados há 10 anos. Josh se sente preso à uma relação onde o marido não quer que ele trabalhe e sustenta ele em tudo. Incomodado em não poder explorar o seu talento, sem a ajuda do amante, Josh fica em conflito. Até que Ira convida seu amigo de infância Roger (Rick Cosnett) para passar o fim de semana em sua casa. Roger vem junto da namorada, Lilly (Maggie Geha). Ira e Josh já tiveram um flerte no passado, e essa tensão sexual aflora novamente. Josh percebe, e se sente ameaçado. Com bons atores, o filme não esconde o seu tom de filme indie, com poucas locações, poucos personagens e muitos diálogos. É um filme honesto, que explora medos, ciúmes, desejos e principalmente, se discute relacionamentos tóxicos.

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Devo compará-lo à uma noite de verão?

"Bashtaalak sa'at", de Mohammad Shawky Hassan (2022) Co-produzido pelo Egito, Líbano e Alemanha, o filme "Devo compará-lo à uma noite de verão?"concorreu no Festival de Berlim 2022. O filme é uma livre adaptação do 'Soneto 18" de Shakespeare, e o cineasta egípcio Mohammad Shawky Hassan realiza um filme lgbtqiap+ repleto de experimentalismos. Poesia, vieo-arte, drama, documentário, tudo interage de forma autoral e conceitual. Diversos homens contam em vinhetes as suas experiências sexuais. Através dessa narrativa sobre sexualidade queer, o cineasta procura fazer um panorama sobre relacionamentos, desejos, frustrações e a possibilidade de amar. O filme é bem entediante e arrastado, e a linguagem não agradará a todo espectador.

Runner

"Runner", de Marian Mathias (2023) Escrito e dirigido pela cineasta Marian Mathias, o filme ganhou um prêmio especial no Festival de San Sebastian, além de participar de importantes festivais. Co-produzido por Estados Unidos, França e Alemanha, "Runner" tem influências, seguindo a própria cineasta, do cinema de Terrence Malick, Béla Tarr, Kelly Reichardt, Carlos Reygadas e Jane Campion. O filme, de ritmo extremamente longo, privileia o tempo real, as grandes paisagens, os silêncios. Muito pouca coisa acontece na narrativa. A personagem principal se chama Haas, apelido de HAnnah. Haas em alemão quer dizer "Runner/corredor". O filme traz sensações e memórias da diretora e roteirista. Haas era o nome de sua avó. Quando tinha a idade da protagonista, a cineasta Marian se sentia triste, e sua avó dizia que a cura era 'sair e amar". E o filme acaba sendo sobre isso. Em uma comunidade rural no Missouri, Haas (Hannah Schiller) , 18 anos, cuida da casa e cuida de seu pai solteiro, Alvin ( Jonathan Eisley ), um homem solitário e triste. Eles moram sozinhos em uma mansão decadente. O pai de Haas lida com vendas de casas, no pós segunda guerra mundial. Quando subitamente ele morre, Haas descobre que seu pai estava repleto de dívidas e que a mansão deverá ser vendida. Para cumprir um desejo de seu pai, que queria ser enterrado em Illinois, sua cidade natal. Atendendo ao pedido, ela embarca em um trem, levando o caixão. Por conta do tempo árido, Haas se hospeda em uma pousada modesta e aguarda o enterro que acontecerá em alguns dias. Ela cruza o caminho de Will (Darren Houle) que, assim como Hass, também está apenas de passagem. Ele lembra bastante o seu pai. Juntos, eles descobrem que são almas solitárias e precisando de afetos. Há tempos eu não via um filme de ritmo tão lento. De fato, não é um filme para qualquer espectador. Me senti seduzido pela linda fotografia e pela solidão brutal dos personagens. Mas a história é rasa. Um filme de sensações e com um desfecho em aberto.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Creatura

"Creatura", de Elena Martín (2023) Premiado no Festival de Cannes na Mostra paralela "Quinzena dos realizadores"como melhor filme europeu, "Creatura" é um filme erótico ousado, que empodera uma mulher, Mila, em relação ao seu corpo. desde criança ela descobre o prazer de se tocar, e na fase adolescente e adulta, ela seduz, instiga, deseja ardentemente sexo com homens. O filme ainda propõe um flerte com o tema do incesto, com a admiração e fascínio de Mila pequena, aos 10 anos, com seu pai. Diretora, protagonista e co-roteirista, Elena Martín lida com o erótico, de forma até pudica, pois evita nudez frontal expositiva, vista em relances. Mas o conteúdo, aí sim, é provocativo. Lidar com crianças em cenas com contexto de tensão sexual, mesmo que de forma inocente, é um barril de pólvora, vide a primeira cena da menina tocando a sua vagina e descobrindo sensações que a deixam interessada.

Jogos sangrentos

"Broken", de Simon Boyes e Adam Mason (2006) Censurado à época do lançamento, "Jogos sangrentos" veio na esteira de "Jogos mortais", o filme original de 2004, escrito e dirigido por James Wan. "Jogos sangrentos" é de 2006 e foi lançado com cortes. Saindo na versão "uncensored", o filme traz uma história acusada de misógina por parte do público e crítica: mulheres são sequestradas e pelavas por um psicopata até a floresta. els são amarradas e presas à árvore. As barrigas delas estão abertas e dentro, uma gilete, que poderá soltar as cordas e as libertar. Mas claro que assim que cada uma foge, ele as persegue e as mata brutalmente. A protagonista é Hope, uma mulher que conhece um homem em um bar. Ao retornar para casa, ela coloca sua filha pequena para dormir. No dia seguinte, ela acorda na floresta com um psicopata, lutando para sobreviver por mais de quarenta dias e pedindo informações sobre sua filha ao estranho, igualmente sequestrada. O filme tem um fiapo de história. Em 1:50 minutos, o filme é um festival de atrocidades praticadas contra mulheres. Esse tipo de filme foi muito comum nos anos 60, com o surgimento dos giallo italianos,e stendendo aos anos 70 e 80, com os filmes ond emulheres depois se vingavam de seus algozes. Mas aqui tudo é meia bomba: a direção, a edição ( esse filme não podia ter mais que 80 minutos). O que se salva é a performance da protagonista Marca Nadja, esposa do diretor.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Algo muito natural

"A very natural thing", de Christopher Larkin (1974) Clássico obscuro do cinema queer dos anos 70, "Algo muito natural" é uma produção independente americana. O filme foi a estréia do cineasta Christopher Larkin no cinema, e somente rodou esse filme, que foi um fracasso de público na época e recebeu muitas críticas. O cineasta se suicidou em 1988, em San Francisco. O filme é um registro histórico, um dos primeiros filmes sobre relacionamentos gays destinados à distribuição comercial convencional. Na época, o drama "Love story" fazia um sucesso estrondoso, e o filme foi lançado como uma resposta pelo ponto de vista de um protagonista homossexual. Um dos grandes méritos do filme, é discutir e apresentar personagens e relacionamentos gays sem esterótipos, normativos, quase que em registro documental. As cenas filmadas documentalmente no cruzeiro da Ilha do fogo e nos banhos turcos mostram a vida agitada da comunidade gay na época. O filme é entremeado com depoimentos de participantes da parada gay em 1973, em Nova York, falando sobre relacionamentos queer. David ( Robert Joel ) abandona o monastério e decide recomeçar a vida me Nova york. De cara, já vai para uma balada gay. Ali, conhece Alan (Jay Pierce). Eles acabam passando a noite juntos, e no dia seguinte, o que parecia ser um one night standing, se torna um pedido romântico de David para que continuem se vendo. Alan recusa d einício, pois deixa claro que não quer envolvimento amoroso. Mas diante da insistência, os dois vão morar juntos. Alan, no entanto, rompe o pacto e sai para fazer pegação com outros homens. O filme discute o relacionamento monogÂmico dentro da comunidade gay, ao passao que o personagem de Alan represneta o amor livre. O filme foi criticado por justamente perpetuar um casamento padrão heterossexual, quando duas pessoas devem manter um rleacionamento único e fiel. Na época, a o mundo vinha da era do amor livre, da explosão das drogas, da libertação sexual.

Maestro

"Maestro", de Bradley Cooper (2023) "Maestro" saiu do Festival de Veneza 2023, aonde estava concorrendo, sem prêmios. Fora isso, houve uma nota de repúdio de parte da comunidade judaica que considerava a representação de Leonard Bernstein como "jewface", ou seja, estereotipar na make o que é "ser judeu" (vide a prótese do nariz"). Mas o filme merece ser visto, tanto pela sua extraordinária qualidade técnica, quanto pelas performances de altíssimo nível de Bradley Cooper e de Carey Mullighan, como o maestro e compositor Leonard Bernstein e a atriz de ascendência chilena Felicia Montealegre. Juntos, ficaram casados de 1951 a 1978, quando Felicia faleceu de câncer de pulmão. Juntos, tiveram 3 filhos: Jamie (na fase adulta, interpretada por Maya Hawke), Alexander e Nina. Durante o seu casamento, Bernstein tentou ser discreto em relação às suas aventuras com homens, provocando incômodo em Felicia, que sempre soube a atração do marido por homens. O filme foca no início da carreira de Bernstein, seu encontro e relacionamento com Felicia e os casos com homens. Mas o mais impressionante na direção de Cooper, é como ele conta a história: em cores e preto e branco, no formato de tela 4:3, ele mescla uma narrativa lúdica e realista, com muitos efeitos elaborados de transição em pós produção. Scorsese e Spielberg foram os produtores do filme, o que atesta a grande responsabilidade do filme nas mãos de Cooper, que cumpreiu com louvor a tarefa. Uma cena antológica: o concerto de Bernstein regendo "mass": Cooper está assombrosamente espetacular!