domingo, 31 de março de 2019
Sprites
"Sprites", de Kyle Bogart (2018)
Escrito e dirigido por Kyle Bogart, 'Sprites" parece um episódio de "Black mirror".
Em um futuro próximo, os atores disputam sua profissão com "Sprites", que são projeções holográficas com vida própria. Os Sprites foram criados para competir com os humanos, porém sem direito a cargos trabalhistas. Por conta disso, muitos diretores e produtores têm trabalhado com Sprites.
Durante uma audição, a Diretora e a produtora convergem a respeito do Ator ideal para o papel do protagonista. A diretora afirma que somente atores humanos podem entregar uma carga emocional verdadeira, ao passo que a produtora nega. O texto da audição é um monólogo do Capitão Kirk diante de sua tripulação, no funeral de Spock.
O filme pega emprestado o tema de "O Congresso futurista", de Ari Folman, filme protagonizado por Robin Wright que apresenta um mundo onde atores podem vender seus direitos de imagem para todo o sempre, pois quando morrerem, continuarão existindo através de seus hologramas.
Com um roteiro esperto que mescla drama e comédia, Kyle Bogart faz uma crítica ao universo dos Atores estrela, que participam de projetos cobrando todo tipo de pedidos absurdos. Ótima concepção visual, e atores muito bons que dão conta da carga emocional exigida pelos personagens.
Dumbo
"Dumbo", de Samuel Armstrong e mais 4 diretores (1941)
Clássica animação de Walt Disney de 1941, é o 4o longa-metragem dos Estúdios, seguido de "Branca de neve", "Pinóquio" e "Fantasia".
Walt Disney considerava "Dumbo" seu filme favorito. Em 2019, Tim Burton lançou uma versão live action, ampliando a história, que aqui no original, era bem simples, narrada em 60 minutos de projeção.
Um circo viaja pela Flórida. Cegonhas entregam os filhotes para suas mães, incluindo o filhote da elefanta Mamãe Jumbo. Quando se revela o filhote, as outras elefantas zombam dele, pois o filhote nasceu com orelhas enormes. Elas o apelidam de Dumbo ( de "Dumb", idiota em inglês). Durante uma apresentação do circo, mamãe Jumbo defende Dumbo e acaba sendo enjaulada, considerada louca. Dumbo fica amigo do ratinho Timóteo, que o motiva a ser um artista de circo. Quando conhecem um grupo de corvos, elas ensinam Dumbo a voar, e logo, ele se torna uma grande atração.
O filme é destinado mais a crianças pequenas, pois sua narrativa é bem singela, e a mensagem também: ame o diferente, ele é como você. O bullying, prática dos animais e dos humanos contra Dumbo, o faz se tornar um animal depressivo. Essa mensagem Disney já apresentava há mais de 70 anos atrás. Com premiada trilha sonora, ganhadora do Oscar, e uma canção muito linda, "Baby mine", o filme cativa pelo carisma de seus protagonistas e pelo amor da mãe com seu filhote.
O filme acabou sendo alvo de grupos de movimentos negros, que criticaram o uso de corvos como representantes dos de sua cultura. Em outra sequência, vemos trabalhadores negros levantando a armação do circo, quase como escravos.
Gloria Bell
"Gloria Bell", de Sebastian Lélio. Em 2013, o cineasta chileno Sebastian Lélio lançou o drama "Gloria", que falava sobre uma mulher de 50 anos, estagnada na vida e que frequentava boites para conhecer homens de sua idade, para espantar a solidão. Esse retrato frio e cruel sobre o início da terceira idade trouxe muitos prêmios, entre eles o de Melhor Atriz no Festival de Berlin para Paulina Garcia. Sebastian Lélio foi ganhando destaque no mundo todo, até atingir o seu ápice com o Oscar de filme estrangeiro em 2018 com o drama "Uma mulher fantástica".
Agora, Sebastian refilma o seu drama com elenco americano, e rebatizou de "Gloria Bell", protagonizado por Juliane Moore. A estrutura narrativa mantem-se bem semelhante, mudando alguns pequenos sub-plots. Gloria continua uma aficcionada por músicas dos anos 70 e 80, conhece homens nem tão honestos assim, tenta se relacionar com seus 2 filhos distantes. Gloria quer ser feliz, mas a felicidade traz consigo frustrações.
O elenco tem participações de Michael Cera, Sean Astin e um John Turturro magnético no papel do sedutor Arnold. Mas o filme é de Juliane Moore. ela nem seria a escolha ideal para o papel, pois Julianne é uma Diva e de uma beleza fulminante. Mas ela transborda tanta paixão, sentimentos vários nesse personagem complexo, que fica impossível não aplaudi-la várias vezes em cena aberta. A fotografia, a trilha sonora delicada e claro, a perfeita direção de Sebastian conferem ao filme uma grandeza em um filme tão minimalista. O curioso é que Sebastian trouxe um humor tipicamente de Woody Allen para situações, fazendo os espectadores morrerem de rir com o patético.
A trilha sonora é repleta de hits pops e românticos dos anos 70 e 80.
Azul e não tão rosa
"Azul y no tan rosa", de Miguel Ferrari (2012)
Excelente drama LGBTQ+ Venezuelano, que mescla comédia e romance. O filme tem influências do cinema de Almodovar, principalmente de "Tudo sobre minha mãe", ao falar sobre Transsexualidade, homofobia, aceitação, violência doméstica contra a mulher, e como tema principal, a descoberta por parte do filho de que seu pai é gay.
Diego é um fotógrafo de moda que namora Fabrizzio, um médico. Ao marcarem um encontro na boite, Fabrizzio acaba sendo atacado por um grupo homofóbico e fica em coma. Ao mesmo tempo, o filho de Diego, Armando, que ele teve com uma espanhola vem passar um tempo com ele. Aos poucos, a relação pai e filho vai se afinando, com Armando resolvendo seus problemas de baixa autoestima e sua aceitação do universo Lgbtq+, ficando amigo de Dolores, uma Mulher trans amiga de seu pai.
Com um ótimo roteiro, que mesmo tendo tintas de melodrama, discute com seriedade todos os temas citados acima. Os personagens são todos bastante carismáticos, e o destaque vai para a atriz Trans Hilda Abrahamz, uma potência em cena.
Ótima trilha sonora, que dá tons ao diversos temas do filme. A cena do tango é antológica.
Mal nosso
"Mal nosso", de Samuel Galli (2018)
Totalmente financiado com recursos próprios, "Mal nosso"é um terror independente, escrito, dirigido, produzido e editado por Samuel Galli, um advogado de Ribeirão Preto, cidade aonde o filme foi rodado.
Fica claro que o filme é um produto de fã de Cinema de terror para espectadores cinéfilos. Todas as referências de filme de terror que você imaginar estão lá: "A hora do pesadelo", "O sexto sentido", Morto não fala", "O exorcista", "Anabelle", "O iluminado"( de onde o filme recicla a trilha sonora), "Harry retrato de um assassino"e muitos outros.
Samuel Galli convidou o mago do terror brasileiro, Rodrigo Aragão, para conceber as criaturas e também as cenas de gore.
"Mal nosso" é um filme dividido em 2 partes: a primeira, é um filme de serial killer. A 2a parte, é um terror estilo "O exorcista" com mescla de "A hora do pesadelo".
Todo o filme é costurado [or 2 personagens: Arthur é um homem com poderes mediúnicos. ele descobre com o seu Mestre espírita que quando sua filha completar 20 anos de idade, um demônio irá matá-la. Para evitar que isso aconteça, Arthur contrata um assassino de aluguel, dublê de Serial Killer para proteger a menina.
Assim como em "O Sexto sentido", aqui também tem um plot twist no meio do filme, que subverte tudo. O filme passeia entre o terror legítimo e o terror trash. Para fãs, o filme pode ser bem divertido, apesar de que as feministas poderão não gostar. Os crimes são todos contra mulheres, torturadas e assassinadas barbaramente, com requintes de sadismo. Aliás, "Mal nosso"não é um filme para qualquer um: é polêmico, violento, nojento, aviltante, mas também, muito sedutor em relação ao roteiro.
O elenco é bem amador, mas acabou que achei que combina com o estilo low budget proposto.
Vencedor de diversos prêmios internacionais, o filme foi exibido em dezenas de Festivais, inclusive, Festival de Cannes no Marche du film.
Ótima estréia de Samuel Galli.
sábado, 30 de março de 2019
Cuernavaca
"Cuernavaca", de Alejandro Andrade (2017)
Escrito e dirigido pelo Cineasta mexicano Alejandro Andrade, "Cuernavaca é um Município do México. É para lá que segue Andy, um menino de 11 anos, que mora com a sua mãe na capital. Depois dela ser assassinada em um assalto, Andy é mandado para Cuernavaca para ser cuidado por sua avó, Carmen (Carmen Maura). Andy quer encontrar o seu pai, mas a avó diz que ele saiu da prisão e não manteve contatos. Andy acaba se aproximando de um jovem jardineiro, Charlie, por quem nutre paixão platônica. O rapaz percebe que Andy está apaixonado por ele, e se aproveita disso, fazendo com que o menino facilite a entrada na casa da gangue de Charlie para assaltar o local.
Drama com teor Lgbtq+, cujo maior atrativo é mesmo a presença da atriz espanhola Carmen Maura. O filme em si não tem um roteiro que me comovesse, talvez pelo fato do personagem do menino ser tão antipático e irritante. Isso me afastou bastante da história. De qualquer forma, o filme ganhou diversos prêmios internacionais, e tecnicamente tem boa fotografia e trilha sonora.
O Tradutor
"Un traductor", de Rodrigo Barriuso e Sebastián Barriuso (2018)
Os irmãos roteiristas e cineastas Rodrigo Barriuso e Sebastián Barriuso contam em "O Tradutor', a história de seu pais, Milan (Rodrigo Santoro) e Isona (Yoandra Suárez). Ele é professor de literatura russa, ela artista plástica. O ano é 1989. O casal vai em na relação, incluindo Javi, o filho pequeno deles. Milan descobre que foi transferido da Universidade de Havana, onde dá aulas, para um Hospital. Chegando lá, ele é designado a traduzir o russo dito pelos pais das crianças contaminadas pelo acidente em Chernobyl, fazendo uma ponte com os médicos que somente falam espanhol. De inicio relutante com o serviço, aos poucos Milan se envolve com a luta das crianças pela vida. Paralelo, seu relacionamento se deteriora a ponto da esposa sair de casa com seu filho.
Bem dirigido pelos 2 diretores, que trouxeram a verdade emocional vivido por ambos quando crianças, o filme às vezes extrapola no melodrama, principalmente quando apresenta a relação do casal. Mas a mensagem de amor e de compreensão apresentada no filme é emocionante, mesmo acompanhada de trilha sonora melódica, para emocionar o espectador. Enquanto Malin desenvolve em si um senso de ajuda ao próximo, sua esposa Isona vai se transformando em um ser egoísta.
A cena da vernissage de Iosona, com os convidados famintos avançando no coquetel, é antológica. O filme não esconde os clichês sobre Cuba: falta comida, água, luz, gasolina, tudo é caótico. Mesmo assim, personagens altruístas estão ali presentes, como a enfermeira argentina Gladys (Maricel Álvareze ), que saiu de seu País para cuidar de pacientes no local onde existe o melhor atendimento de saúde no Mundo.
O trio principal está brilhante. Rodrigo Santoro aprendeu a falar russo em 1 mês, além do espanhol. Um grande feito de um Ator que cada vez se supera mais em sua busca pela perfeição e por projetos que falem ao seu coração.
O filme concorreu em Grandes Festivais, entre eles, Sundance 2018.
Sombra
"Ying", de Zhang Yimou (2018)
Extraordinário. É o mínimo que pode ser dito desse filme que assim como "Herói" e "Clã das adagas assassinas", mistura Drama, ação, aventura, romance e artes marciais. Zhang Yimou é atualmente, o Cineasta mais famoso no mundo, alternando grandes dramas intimistas ( "Caminho para casa", "Nenhum a menos", "Lanternas vermelhas" com épicos bilionários.
Zhang Yimou quando investe no épico vai fundo: megalomaníaco, suas cenas são repletas de excessos, cenas tão bizarras de lutas coreografadas que parecem desenho animado.
"Sombra" é ambientado na China do ano 220 DC, numa Era conhecida como Era dos 3 Reinos. Existe uma batalha entre esses reinos. O Rei do Reino de Pei quer retomar a cidade que foi tomada pelo Reino vizinho. Para isso, ele conta com o seu Poderoso Comandante de Guerra Zi Yu. O que ninguém sabe, é que o Comandante não é Zi Yu: é a sua "Sombra", Jing. Retirado quando criança de sua casa pobre, Jing cresceu e foi treinado para ser um Sombra, ou seja, um dublê que fica na posição de frente, para despistar e poder manter o original à salvo. Jing aprendeu a lutar, a fazer estratégias de combate com Zi Yu, que fica escondido dentro do Palácio. O que o verdadeiro comandante Zi Yu não poderia prever, é que sua esposa se apaixonasse por seu sósia.
A trama de "Sombra" lembra bastante o filme "Dublê do Diabo", com Dominique Cooper interpretando o filho de Saddam Hussein e seu sósia que existe para proteger o original.
O filme tem cor predominante de Cinza: na fotografia, nos cenários, nos figurinos. Esse tom monocromático confere densidade dramática e uma tristeza eterna no ar. As cenas de batalha, espetaculares, condizem com tudo que já conhecemos de Zhang Yimou. A batalha onde as pessoas lutam com guarda-chuvas de adagas é fenomenal. A trama também lembra muito as tragédias Shakesperianas, repletas de traições e muito sangue. Os atores, principalmente o Rei, com um tom acima, cumprem com primor o que seus personagens lhes pedem. A gente torce, fica triste, sente raiva. Um grande filme, um épico para encher os olhos.
O cameraman
"The cameraman", de Connor Gaston (2016)
Escrito e dirigido por Connor Gaston, "O cameraman" é um super premiado curta de drama canadense. O filme tem um roteiro muito intenso e emocionante, auxiliado pelo excelente trabalho dos 4 atores do filme.
Ed e Francis são 2 irmãos na faixa dos 10 anos de idade, que moram em uma casa na beira de um lago em Vancouver. Eles moram com os pais. O problema é que o pai sofre da doença de Huntington, que provoca degeneração no cérebro, e consequentemente a pessoa para de falar e de ter movimentos, até morrer.
Ed tem um super 8 e filma a rotina de sofrimento de seu pai e a tristeza de seu irmão Francis, frustrado porquê o pai se esqueceu de seu nome. Irritado com a doença, o pai amaldiçoa os filhos, dizendo que um deles também irá contrair a doença. O filem termina com a exibição do filme editado por Ed que o mostra para o seu irmão.
Com uma direção sensível de Connor Gaston, o filme arrebata não só pela história incrível, que fala sobre morte e memória. mas também sobre a manipulação de um filme. Ed, ao filmar cenas aleatórias e muitas das vezes as manipulando, transforma tudo em um filme surpreendente.
"O cameraman"deveria ser exibido em escolas de cinema, para deixar claro aos alunos que nem sempre o que vemos é aquilo que achamos que vai ser.
sexta-feira, 29 de março de 2019
Como ficar sozinha
"How to be alone", de Kate Trefry (2019)
Excelente filme de terror psicológico, escrito e dirigido pela roteirista e Cineasta Kate Trefry, uma das autoras do seriado Stranger Things".
Kate traz vários elementos de "Stranger things": além do ator Joe Kerry ( o Steve do seriado), ela traz a trilha sonora de sintetizadores, as cores super saturadas, a atmosfera anos 80 dos filmes de terror da época e um ser monstruoso semelhante ao Demogorgon. Outro filme que ela busca como referência é o cult "O caminho do mal": ela escala a protagonista Maika Monroe e evoca a narrativa sinistra e fantasmagórica do filme.
Lucy mora sozinha e namora Jack. Quando ele se despede e diz que volta no dia seguinte, ele diz para ela tomar cuidado. Ela responde: 'Eu sou mais perigosa do que qualquer outra coisa."
Lucy procura passar a noite sozinha. Mas traumas e fantasmas do passado criam vida e surgem para aterrorizá-la. Ela tenta escapar de tudo, mas resolve enfrentar de uma vez por todas tudo aquilo que lhe assombrou a vida toda, nem que isso custe a sua vida.
Ótima direção, muito boa construção de atmosfera e bom trabalho dos dois atores, principalmente de Maika Monroe. O filme é aberto a mil interpretações, e por isso pode ser que desagrade a muita gente.
quinta-feira, 28 de março de 2019
Dumbo
"Dumbo", de Tim Burton (2019)
Lançado em 1941, a animação "Dumbo" ganhou um Oscar pela trilha sonora em 1942, e um Prêmio no Festival em Cannes de melhor design de animação. Décadas depois, o visionário Tim Burton faz a sua versão da história do elefantinho que nasceu com grandes orelhas e o Poder de voar. Como o filme original era bem curto e com uma história bem simples, Burton trouxe outros elementos: o drama de um pai (Colin Farrel), que lutou na guerra, perdeu um braço e sua esposa para a gripe. Pai de 2 crianças, eles vivem no Circo de Max (Danny de Vito), que às duras penas, procura sobreviver no inicio do Séc XX. Os artistas do circo não conseguem atrair mais a atenção da platéia, eis que as duas crianças descobrem que o elefantinho tem o poder de voar, quando aspira uma pena. Mas a mãe de Dumbo é levada embora, e o animal fica triste. Quando a notícia de Dumbo se espalha, um negociante inescrupuloso, Vandevere, propõe a compra de Dumbo para salvar o circo da falência.
O filme tem mensagens simples mas objetivas para o público juvenil: amor à família, maternidade, ganância, bullying por ser diferente, e a motivação para acreditar de que você é capaz.
Tudo isso é embalado pelo Universo fantástico que somente Tim Burton consegue oferecer aos espectadores: muitas cores, surrealismo, fantasia, lúdico e poesia mesclada à melancolia. Direção de arte, figurino, fotografia, trilha sonora do eterno companheiro Danny Elfman, o filme é tecnicamente excelente em todos os quesitos.
O elenco é o que se espera de um filme de Tim Burton: atores conectados ao seu mundo particular, e para não ter erro, ele convoca uma galera que já trabalhou com ele: Eva Green, Michael Keaton, Danny de Vito. Aliás, unir Batman e Pinguim com referências explícitas a Batman, é um presente para os fãs.
Tim Burton recria espetacularmente a cena do sonho de Dumbo, e cria números musicais incríveis, homenageando a coreografia do Mestre Busby Berkley.
Muitos críticos falaram mal do filme, com justificativas toscas. O filme é um primor de fantasia A única observação que eu faria, é que poderia ter uns 15 minutos a menos. de resto, é apreciar tamanha beleza.
Tudo acaba em festa
"Tudo acaba em festa", de André Pellenz (2018)
Comédia maluca que homenageia clássicos do humor como "Um convidado bem trapalhão"e "A última festa de solteiro", exemplos de filmes anárquicos onde o desfecho acontece no meio de uma balbúrdia envolvendo todo o elenco.
O roteiro é bem simples, com uma narrativa que funciona como sketches com cenas pontuadas pelo humor e que tem como tema central, costurando toda a trama, a organização de uma Festa de uma Firma de produtos de beleza, a Embelex.
Vlad (Marcos Veras) é um funcionário de recursos humanos da empresa. ele tem 30 anos, mas é totalmente infantilizado e irresponsável: ele vai para baladas, chega atrasado no trabalho, é mulherengo. Ao conhecer a nova funcionária da empresa, Aline, ele logo se apaixona por ela. Quando a Gerente de recursos humanos é demitida, o dono da empresa pensa em promover algum funcionário. É aí que Vlad tem a idéia da festa,a fim de levantar a moral da empresa. Mas claro, tudo vai dar errado.
O excesso de personagens, comum a esse tipo de narrativa onde toda hora surge gente nova, prejudica um melhor desenvolvimento do roteiro. Mas o talento do elenco de apoio é um ponto super positivo do filme: Stepan Nercessian, Maria Clara Gueiros, Pablo Sanábio, Rosane Mullholand, Diogo Vilella, Malu Valle, Aramis Trindade, Flavia Garrafa, Veronica Debom, Claudio Lins, Paulo Vierlings, Nelson Freitas, Mariana Bassoul, Giovana Lancelotti, Evelyn Castro, Alexandre Lino, Leandro Soares, Edmilson Barros divertem em seus tipos calcados em estereótipos, uma pena que alguns desses personagens apareçam tão pouco.
O filme tem boa fotografia e edição.
quarta-feira, 27 de março de 2019
Miss Baek
"Miss Baek", de Lee Ji-won (2018)
Escrito e dirigido pela Cineasta sul coreana Lee Ji-Won, "Miss Baek" é um filme sobre mulheres, mulheres violadas e violentadas no dia a dia da grande cidade.
Na Coréia do Sul, o filme fez um sucesso estrondoso, tendo arrecadado mais que "Nasce uma estrela".
"Miss Baek"é um filme sobre violência doméstica, sobre abuso infantil. O filme é um drama, mas sua violência é tão extrema que mais parece um filme de terror, assustador e horripilante, pois mostra cenas gráficas, talvez as mais violentas que voce já viu contra crianças.
Baek é uma mulher que quando criança, foi agredida constantemente pela sua mãe, que acabou a abandonando. BAsek acabou sendo estuprada por um rapaz, mas ela conseguiu matá-lo. Por causa do crime, Baek ficou presa e depois, solta sob condicional, trabalhando como lavadora de carros e massagista. Ela namora um detetive, Jang Sup. Um dia Baek encontra na rua uma menina, Ji eun. ela está toda machucada. Baek a leva para lanchar, mas a mãe de Ji eun surge e a leva para casa. Baek descobre que os pais de Ji eun a espancam o dia todo, e tenta de toda forma salvá-la, mas o seu passado criminoso a impede de ajudar a menina.
Com excelente direção de atores, o filme conta com cenas aterrorizantes de violência, sendo totalmente inadequado para pessoas sensíveis assistirem. A direção de Lee Ji Won é segura, dando conta de toda a tensão e dramaticidade que o filme exige. Um filme importante, que mescla drama e suspense, mas que provoca uma sensação terrível de impotência e tristeza. Performances matadoras das 3 mulheres: A atriz que interpreta Baek, a menina e a mãe da menina.
Blue
"Blue", de Apichatpong Weerasethakul (2018)
Exibido em diversos Festivais, entre eles, de Toronto e de Clermont Ferrand, "Blue" e um curta dirigido pelo Cineasta tailandês mais festejado pelos Cinéfilos do mundo, Apichatpong Weerasethakul. Realizador de cults como "Tio Boonmee", "Cemitério do esplendor" e "Mal dos trópicos, agora ele chega com esse curta que traz todo o seu universo metafísico e espiritual novamente à tona. Assistir a um filme de Apichatpong é uma grande experiência sensorial e de exercício de metáfora e simbolismos. É difícil explicar o que é "Blue", pois a sua reflexão vai de acordo com a percepção de cada espectador. É o tipo do filme em que, no final da projeção, fica todo mundo se olhando com aquela cara de "Não entendi".
O filme fala sobre sonho, um tema muito particular aos surrealistas ( Bunuel, Jean Cocteau). Uma mulher deitada na cama, coberta por uma colcha azul. Ela está insone e não consegue dormir. Entre o ato de abrir e fechar os olhos, ela observa um painel teatral que sobe e desce, com paisagens pintadas representando sol, castelo e natureza. Ouvimos sons de vegetação. De repente, uma faísca surge por sobre a mulher, e essa faísca dá início a uma grande figueira. Mas o fogo é sobreposto sobre a imagem da mulher,
Muitas interpretações podem ser feitas sobre esse "Sonho'e desejo". A fotografia é linda, a edição de som reforçando o tema noturno da natureza. Se o filme é bom ou não, não cabe a mim dizer. Conheço a filmografia de Apichatpong e entendo seus temas recorrentes. Vale assistir e refletir sobre fantasmas do passado, sobre lamúrias, sobre melancolia e depressão.
Eu amo Sarah Jane
"I love Sarah Jane", de Spencer Susser (2008)
Super premiado curta australiano que ganhou entre outros, Melhor filme em Clermont Ferrand e concorreu em Sundance,
O filme é ambientado em um futuro pós-apocalíptico. O mundo está infestado de zumbis, mas eles estão presos, sob controle. OS humanos sobreviventes debocham dos zumbis. Jimbo, um garoto de 13 anos, tem como melhores amigos 3 garotos que fica sacaneando um zumbi, que na verdade, é pai da menina Sarah Jane ( interpretada por uma jovem e desconhecida Mia Wasikowska). Jimbo é apaixonado por Sarah Jane, mas ela tem um temperamento terrível.
Com pequenas doses de humor, esse curta mantém uma boa atmosfera de suspense, muito por conto do óbvia momento de ataque do zumbi. O curta foi lançado em 2008, 2 anos antes da estréia do seriado "The walking dead". Muitas das ações vistas aqui viraram lugar comum na série, como atormentar zumbis aprisionados. Os efeitos são muito bons, considerando o baixo orçamento do projeto.
O Diretor está desenvolvendo atualmente uma versão em longa-metragem do curta.
Bia (.2.0)
"Bia (2.0)", de Cristiano Calegari e Lucas Zampieri (2018)
Longa de estréia dos cineastas paulistas Cristiano Calegari e Lucas Zampieri, "Bia (2.0)" é um romance adolescente com produção totalmente independente, e se fosse nos Estados Unidos, ganharia o status de Filme "Mumblecore", que são produções de muito baixo orçamento.
Com um elenco quase todo jovem, o filme é ambientado no Bairro paulista de Chácara Klablin, reduto da classe média. Bia é uma moça de 18 anos, revoltada por flagrar seu namorado com outra garota. Para desestressar, sua mãe sugere que ela trabalhe com ela na sua floricultura. Naty e Fabiba, melhores amigos de Bia trabalham na loja. Naty sugere que Bia faça parte do Grupo de palhaços "Atropelados", cujos integrantes fazem obra social, arrecadando dinheiro para Instituições. Um dos integrantes é Dan (Ghilherme Lobo), cujo personagem d ePalhaço se chama "Abraço". Bia mais tarde descobre que o pai de Dan, um ex-ator, está com doença terminal. Bia e Dan se apaixonam, mas ela recebe a notícia de que passou para um curso em Portugal. Bia fica dividida entre os estudos e o amor, e não sabe como se decidir.
O filme transparece o seu baixo orçamento, seja na falta de figuração na floricultura, que tem mais funcionários do que clientes, ou na parte técnica que chama atenção ( captação de som principalmente). O roteiro não traz muitas novidades, e os personagens trazem muitas caricaturas que tiram o foco da densidade das histórias de Bia e Dan. O personagem de Fabiba é o mais problemático, totalmente calcado em estereótipos de um amigo gay que sempre tem frase ponta na ponta da língua e exagerando em todos os eus atos.
Mesmo assim, o filme merece ser visto, pelo grande esforço visível por parte da equipe e do elenco em querer trazer um filme honesto sobre os dilemas dos adolescentes, que antes de chegar na fase adulta, precisam tomar importantes de cisões em suas vidas. Ghilherme Lobo, de "Hoje eu quero voltar sozinho", é quem melhor se sobressai no elenco, mostrando ser um dos grandes talentos dessa geração. O filme procura alternar drama, romance e humor, mas é no drama onde o filme ganha destaque, com boas cenas entre os atores.
terça-feira, 26 de março de 2019
Bem vindos à Marwen
“Welcome to Marwen”, de Robert Zemeckis (2018)
O Cineasta Robert Zemeckis alterna a sua carreira com filmes brilhantes que revolucionaram a tecnologia de efeitos especiais, e outros filmes tecnicamente impecáveis mas que ficam devendo em emoção.
Em “Bem vindos à Marwen”, Zemeckis conta a história real do Artista e fotógrafo Mark Hogancamp. No dia 8 de abril de 2000, Mark estava bebendo em um bar de Nova York e conversou com um grupo de 5 rapazes. Bêbado, ele revelou ao grupo que era cross dresser e que gostava de usar saltos altos. Ao sair do bar, Mark foi espancado brutalmente pelos rapazes e deixado à beira da morte. Mark passou dias em coma, e precisou de tratamento de fisioterapia e acompanhamento psicológico por mais de um ano. Mark teve seu cérebro danificado e apenas conseguia se lembrar de poucos fatos anteriores ao acidente. Mark construiu uma vila Belga em miniatura no jardim de sua casa, que ele chamou de “Marwencol”. A vila representava a Bélgica da 2a Guerra Mundial. Mark criou bonecos que representavam ele e seus amigos, e assim, criou histórias heroicas onde ele e suas amigas heroínas lutavam contra os nazistas. Essa foi a terapia que Mark encontrou para exorcizar seus fantasmas. Mais tarde, suas fotografias foram descobertas e montadas em uma exposição, fazendo enorme sucesso.
Robert Zemeckis conta essa história misturando drama e fantasia. Quando Mark começa a fotografar seus bonecos, logo eles criam vida e contam suas aventuras. “Bem vindos à Marwen” são dois filmes em um: o drama de Mark e as aventuras de seu alter ego na 2a Guerra mundial.
Impossível não se lembrar de “Jogador Número 1”de Spielberg. Idem, lembra bastante o filme anterior de Zemeckis, Äliados”, um romance com aventura ambientado na 2a Guerra, estrelado por Brad Pitt e Marion Cotillard.
O filme é bem dirigido, o elenco enorme tem um ótimo time de atrizes (Diane Kruger, Gwendoline Christie), os efeitos são espetaculares, mas de verdade, falta ritmo e alma no filme. Ele é repetitivo, chato, e não encanta. Steve Carrel está ok, mas seu personagem apático não é nada carismático. E faltou mais a identidade do Cross Dresser no filme.
Não assisti ao documentário de 2010 dirigido por Jeff Malmberg, mas li comentários de muitos espectadores dizendo que é bastante superior ao filme de Zemeckis.
O filme foi um desastre nos Estados Unidos: custou 40 milhões de dólares e não rendeu nem 3 milhões.
Um instante
"Un instante", de Adrià Guxens (2017)
Escrito e dirigido pelo Cineasta espanhol Adrià Guxens, "Um instante"foi premiado em diversos Festivais Lgbtq+.
O filme tem um tratamento quase poético para a história de em encontro fortuito de 2 jovens de personalidades muito díspares.
Hugo é um jovem aspirante a fotografia, que durante as 4 estações do ano, vive uma rotina cumprida à risca em sua repetição. Um dia, em um instante, ele observa Cosmo, um rapaz aventureiro e de espírito livre. Hugo se encanta com a liberdade desse rapaz, que ao contrário dele, não planeja nada e se deixa viver sem compromissos, sem pouso certo. No dia seguinte, Cosmo anuncia que está indo embora., e Hugo volta à sua rotina.
Acredito que o roteiro tenha um pouco de inspiração no filme de Richard Linklater, "Antes do amanhecer", que fala sobre encontros casuais, sem planejamento, e como esse encontro altera definitivamente a vida das pessoas.
Boa direção, bela fotografia. 'É um filme de ritmo lento, contemplativo.
https://vimeo.com/223743926
Lascados
"Lascados", de Vitor Mafra (2014)
Comédia lançada em 2014, e que acabou passando totalmente batido pelo circuito. O filme tinha um bom potencial para atrair o público adolescente. Tem Chay Suede como galã adolescente, cantando várias músicas ao longo do filme. Tem um roteiro que resgata o tipo de ingenuidade e picardia de comédias como "American Pie". Tem personagens coadjuvantes divertidos e uma mocinha que não é tão mocinha assim, interpretada por Paloma Bernardi. e tem muitas críticas sociais, camufladas em humor, como o pai evangélico, o noivo safado, o tio punheteiro e mulherengo, enfim, uma variedade de tipos quase surreis de tão bizarros.
O filme te altos e baixos na sua história, mas é possível ver que houve todo um esforço de produção em realizar um filme honesto com pouquíssima grana de orçamento.
Participações de Guilherme Fontes, João Cortes e Theo Werneck dão uma aura cult ao projeto. Belas locações no espírito Santo, em um filme ambientado no ano de 1994, pré-internet, redes sociais e whastapp e que tem como principal mensagem, a valorização da amizade pura e simples, sem nenhum wi fi bloqueando essa relação.
segunda-feira, 25 de março de 2019
Eu sou a Polícia
'Jag är Polisen ", de Marco Van Bergen (2014)
Curta holandês filmado na Suécia, conta a história do encontro inusitado entre 2 jovens. Um é um estudante holandês, fazendo turismo na Suécia e pedindo carona na estrada, Ele dá de cara com um jovem policial, que tenta colocar a viatura policial em funcionamento. O estudante diz que o problema é falta de água no radiador. Eles caminham até um posto de gasolina. Chegando lá, o jovem policial observa de longe 2 policiais, ele decide se camuflar como um jovem à paisana, com medo dos policiais reclamarem dele por não conseguir resolver o problema do carro. O filme questiona o despreparo de um jovem em querer ser policial, sem ter postura nem atitude de uma autoridade.
Tem uma boa fotografia, 2 bons jovens atores, mas o roteiro não diz muita coisa, é um minimalismo que leva nada a lugar nenhum. Ao que se propõe esse filme?
Assinar:
Postagens (Atom)



















