sexta-feira, 4 de maio de 2018

Somente o mar sabe

"The mercy", de James Marsh (2017) Diretor do premiado "A teoria de tudo", biografia de Stephen Hawking, James Marsh agora se apegou em outra biografia: Donald Crowhurst, um homem comum, dono de uma pequena empresa, apaixonado por navegação e que decide participar de um concurso de volta ao mundo de barco, sozinho. Sao 2 as metas de Donald: ganhar o dinheiro do concurso, já que ele vive dificuldades financeiras com sua esposa (Rachel Weiz) e os 3 filhos, e também, encontrar um estímulo para a sua vida. Isso tudo aconteceu no ano de 1968. Donald, um leigo da navegação, competiu com pessoas experientes. No entanto, ele decide mentir a sua trajetória, e essa decisão, influenciará na sua trágica jornada. Protagonizado por Colin Firth, obviamente, o filme lembra bastante "Náufrago" e " Até o fim", o filme com Robert Redford. Mas o filme, de orçamento modesto, se torna entediante, apesar da história incrível e sujeita a tantas reviravoltas. Ficou uma indecisão entre fazer um filme épico ou uma jornada intimista, e nem uma ou outra possibilidade funciona na tela. Colin Firth e Rachel Weiz fazem o que podem, mas o roteiro não ajuda, a montagem não traz dinamismo. Valeu pela curiosidade de se conhecer essa história.

Miss Stevens

"Miss Stevens", de Julia Hart (2016) Longa de estréia de Julia Hart que também co-escreveu o roteiro, é um drama de produção independente americano. Centrado na personagem Miss Stevens (Lily Rabe, em bela atuação), o filme acompanha a trajetória da professora de inglês de um colégio que é convidada para acompanhar 3 alunos para um concurso de teatro na California. O problemático Billy (Timothée Chalamet, em um de seus primeiros papéis no cinema), Margot e Sam, cada um deles querendo descobrir uma motivação para as suas vidas vazias. O que Miss Stevens não poderia esperar, era que sua vida também mudasse nessa viagem. Um filme simpático, correto, sem muitas novidades, mas eficiente para se assistir totalmente sem compromisso. Bela trilha sonora, boas cenas de monólogos. Para quem gosta de filmes de superação, esse filme é um prato cheio.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

10 X 10

"10 X 10", de Suzi Ewing (2018) Thriller de suspense inglês dirigido pela Cineasta Suzi Ewing. O filme é mais um daquelas tramas que falam sobre um sequestrador que tranca sua presa em um cativeiro, e ao longo da história, descobrimos os motivos do aprisionamento. Não, não é "Jogos mortais", mas poderia ser uma versão realista do filme, sem as cenas de "torture porn". Uma mulher (Kelly Reilly) é sequestrada por um homem (Luke Evans) na porta de um shopping e levada até a casa dele. Ele a tranca em um cativeiro que mede 10X 10, e constantemente ele pergunta o nome da mulher. Afinal, quem são eles? Com um roteiro pavoroso ( o desfecho é absurdamente tosco) , e com uma revelação óbvia, o filme carece de carisma, suspense ou até mesmo um interesse. Uma pena que 2 atores tão bons como Reilly e Evans estejam fazendo parte dessa produção.

terça-feira, 1 de maio de 2018

15:17: Trem para Paris

"15:17 to Paris", de Clint Eastwood (2017) 36o Filme dirigido por Clint Eastwood, se baseia em fatos reais ocorrido no dia 21 de agosto de 2015: 3 amigos americanos, de férias na Europa, pegaram um trem de Amsterdam até Paris. No trajeto, um terrorista marroquino rende parte dos passageiros e os ameaca, mas os amigos conseguem dete-lo. Eastwood, em seus últimos filmes, tem procurado contar histórias de pessoas comuns que, através de um feito heróico, se tornaram exemplo de humanismo e amor ao próximo. Muitas criticas falaram mal do filme, acusando-o de divulgar o patriotismo americano, de não dar voz ao terrorista, visto como um grande vilão. Mas o que mais incomodou a todos, tanto crítica quanto espectadores, foi o fato de Eastwood ter escalado os 3 americanos reais, os amigos Alek Skarlatos, Anthony Sadler e Spencer Stone para darem vida a eles mesmos na tela grande. E' visível a diferença de performance entre os 3 e o restante do elenco, todo formado por atores profissionais. Do roteiro em si eu não gostei: o filme fica 80% do tempo mostrando a infância e o inicio da fase adulta deles. O que todos querem ver, a grande ação no trem, não dura mais do que 10 minutos no filme, é tudo muito rápido. O filme, durante quase meia hora, mostra os amigos fazendo tour por Roma, Veneza, Amsterdam, etc...flertando com mulheres, bebendo, dançando, tirando selfies...porém, em relação `a escalação dos personagens reais, achei interessante, deu um tratamento documental ao filme. Eastwood poderia ter escalado não atores para os outros personagens, dando mais homogeneidade. E' um filme curioso, não de todo mal. Mas definitivamente, um filme menor em sua filmografia.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Mala noche

"Mala noche", de Gus Van Sant (1986) Longa de estréia do Cineasta Gus Van Sant, foi lançado em 1986, 3 anos antes de "Drugstory cowboy", o filme que o projetou internacionalmente. Baseado na autobiografia de Walt Curtis, narra a história de Walt, um jovem atendente de uma mercearia decadente em Portland, Oregon. Walt tem verdadeira fixação erótica por latinos. Um dia, surgem na sua loja 2 amigos: Jonnhy e Roberto. Walt imediatamente sente tesao por Jonnhy, e faz de tudo para que ele tenha um relacionamento. Mas Jonny o repele. Mesmo humilhado por Jonnhy, Walt insiste. Jonnhy desaparece, e Walt acaba transando com Roberto, que acaba indo morar com Walt. Todo rodado em 16 mm e em preto e branco, Gus Van Sant realiza uma narrativa que beira o experimental. Walt narra em off em muitas cenas, e o filme tem um olhar nostálgico. Não é uma produção fácil de assistir: ritmo lento, desconstruído, quase sem uma lógica narrativa. Por ser um filme de estréía, Van Sant resolveu fazer um filme totalmente fora do mainstream. O filme até hoje se tornou um cult, tendo sido lançado em dvd pela prestigiada coleção francesa "The Criterion collection", destinado a primeiras obras de grandes Cineastas. O elenco do filme é formado por atores amadores. Van Sant já mostra aqui a sua visão inquietante sobre a vida mundana e marginal de pessoas que nao se encaixam no que se chama de "vida sociável".

Daniel

"Daniel", de Dean Loxton (2015) Premiado curta inglês, conta a história de Daniel, um jovem húngaro que mora na Inglaterra para estudar psicologia. Para pagar seus estudos, Daniel trabalha como garoto de programa. Um dia, ele é convidado pela sua melhor amiga Nori, que desconhece seu trabalho, para um almoço, aonde ela apresentará o novo namorado dela, Tom. Ao se apresentarem, os 2 se olham com certo estranhamento, escondendo algum segredo do passado. Bem dirigido e com bela fotografia, o filme peca por um roteiro que deixa pontas em aberto. O desfecho é insatisfatório, mas a direção de Dean é interessante, pois constrói o filme através de pequenos fragmentos da vida cotidiana de Daniel, entre o almoço e flashbacks de seus clientes.

Pedro Coelho

"Peter Rabbit", de Will Gluck (2017) O cineasta americano Will Gluck realizou a refilmagem do musical "Annie" e também a comédia picante "Amizade colorida", com Justin Timbarlake. Sem medo de ser feliz, ele agora adaptou para o cinema o famoso personagem criado pela inglesa Beatrix Potter, Peter Rabbit. Peter surgiu em 1902 e permaneceu até o ano de 1912. Agora ele surge em animação, misturado a atores reais. Rabbit, sua família Coelho e os outros animais vivem em constante conflito com Mr. McGregor , que constriu sua fazenda aonde antigamente os animais se alimentavam. O pai Coelho foi morto pelo fazendeiro. Os anos se passam, e os coelhos sempre invadem a fazenda para roubar alimentos, até que um dia, o homem morre. Animados com a possibilidade de poderem comer para todo o sempre, os animais fazem festa, mas não esperavam que o sobrinho do homem, Thomas (Domhnall Gleeson) fosse assumir a fazenda e continuar a saga de eliminar os animais. Os bichinhos somente contam com a ajuda da doce vizinha Bea (Rose Byrne), protetora dos animais. Simpático filme infanto-juvenil, "Pedro Coelho" tem na animação e no trabalho do elenco ( Domnhnall Gleeson principalmente) a sua grande forca. O roteiro é fraco, lembrando muito o tom do personagem Pica-pau, que vive infernizando a vida de seus inimigos. Aqui não é diferente, e tudo tem ritmo e atmosfera de desenho animado. Não simpatizei muito com o Coelho, achei ele meio mala. Quem eu mais amei foi o Cervo, que toda hora fica hipnotizado pelos faróis de carro. Como filme juvenil que mistura atores e animação, prefiro mil vezes "Paddington 2".

domingo, 29 de abril de 2018

Esplendor

"Hikari", de Naomi Kawase (2017) Vencedor do Premio do Juri ecuménico em Cannes 2017, "Esplendor" é um belo filme que tem como tema o próprio Cinema. Naomi Kawase é uma das poucas Cineastas japonesas que possui prestígio no difícil rol dos Festivais Internacionais. Diretora dos cultuados "A floresta dos lamentos" e "O segredo das águas", ela tem uma filmografia baseada em filmes com dramas intimistas, evocando a natureza como elemento de transição emocional entre os personagens. Seus filmes tem narrativa lenta, contemplativa e poética. Particularmente, o filme dela que mais gosto é o acre-doce "Sabor da vida", com o mesmo Ator de "Esplendor", o excelente Masatoshi Nagase. Aqui, ele interpreta o fotógrafo Nakamori, que descobre ter uma doença que vai deixando ele cego. ele se envolve emocionalmente com a jovem Mizako (Ayame Misaki, maravilhosa), uma tradutora que descreve imagens de um filme para cegos. Kawasi filma com muita elegância e poesia esse belo filme sobre memória, imagem e luz ( que aliás, é a tradução literal do titulo japonês). Woody Allen jea havia lidado com o tema da falta de visão de um profissional de cinema na comédia "Dirigindo no escuro", mas aqui o roteiro traduz com extrema melancolia a possibilidade eterna de não se enxergar mais, e o que guardar para a memória dos últimos momentos de visão. O desfecho é muito lindo. Linda trilha sonora e claro, fotografia.

I am Divine

"I am Divine", de Jeffrey Schwarz (2013) Documentário sobre a maior estrela do Cinema Underground americano, a drag Queen Divine. Nascida Harris Glenn Milstead em 1945, na cidade de Baltimore, Divine veio a falever em 1988, em Los Angeles, na véspera de estrelar o seu primeiro Sitcom Mainstream, no papel de um homem, que era seu grande desejo. A personagem Divine foi tão grandiosa, que ofuscou o sonho de Harris de querer ser um Ator interpretando outros tipos de papéis, principalmente, os masculinos. A carreira de Divine surgiu ainda adolescente, quando conheceu o futuro cineasta John Waters na escola. Juntos, eles fizeram vários filmes em Super 8, e logo depois, pariram para longas mega baratos. O nome Divine surgiu logo em um desses primeiros curtas, e nunca mais saiu da vida de Harris. O estouro aconteceu logo depois do lancamento de "pink Flamingos", realizado com 10 mil dólares e alçado a status de cult por conta da publicidade feita em cima do filme de que Divine comia merda de cachorro. Isso de fato aconteceu: Waters queria provocar Divine para que ela fizesse o ato mais repulsivo possível e tornar o filme memorável e único. A partir daí, o filme se tornou um "must", e vieram outros filmes e o convite para Divine se mudar para New York. Lea, ela estabeleceu uma carreira de atriz em pecas de Teatro off Broadway, e em seguida, a de cantora Disco, com muito sucesso. O filme fala sobre a difícil relação que Harris teve com seus pais, que o expulsaram de casa assim que descobriram que ele era gay. Fala também por sua compulsão por comida e por compras, além dos problemas de saúde, que culminaram no ataque cardíaco que o matou. O documentário em si é bem simples e padrão: depoimentos e cenas de filmes e de arquivos de Divine cantando. e em eventos com artistas famosos. Mas tudo é tão divertido, que vale super a pena assistir e conhecer um Universo do Cinema Trash e Underground, que nada mais é, uma forma de expressar o amor `a Arte, na forma que for possível.

sábado, 28 de abril de 2018

Marvin

"Marvin ou la belle éducation", de Anne Fontaine (2017) A cineasta francesa Anne Fontaine dirigiu "Coco antes de Chanel", e "Os inocentes". Com "Marvin", ela ganhou o "Queer Lion" no Festival de Veneza 2017, prêmio destinado a filmes com temática Lgbts. Marvin (Finnegan Oldfield) é um ator que quer exorcizar o seu passado através de um monologo. Quando criança, ele sofreu bullying na escola e em casa, acusando-o de ser gay. Em conflito consigo mesmo, Marvin renegou a sua homossexualidade o quanto pode, até que, já na fase adulta, resolve se assumir e se expor nos palcos. Para isso, ele conta com a ajuda da atriz Isabelle Huppert, interpretando ela mesma. Mesmo com a presença da atriz Isabelle Huppert, gosto mais do passado de Marvin, interpretado pelo jovem ator Jules Porier. O roteiro fica muito mais interessante, e com personagens mais bem elaborados. No seu presente, o roteiro vai por caminhos óbvios e pior, investe em metalinguagem. O ritmo ficou lento e bastante chato.

Antes que tudo desapareça

"Sanpo suru shinryakusha", de Kiyoshi Kurosawa (2017) Exibido em Cannes na Mostra Um Certo Olhar em 2017, "Antes que tudo desapareça" foi dirigido pelo mesmo realizador dos cults de suspense japoneses "Pulse" e "Creepy". O filme é uma metáfora sobre a desilusão em relação `a humanidade. Cada vez mais egoísta, violenta, sem amor nem paixão perante um familiar, amigo ou a pessoa amada. Diante disso, Kurosawa cria uma fábula de ficção cientifica sobre uma invasão alienígena que está prestes a acontecer na Terra. 3 aliens são enviados ao Japão para estudar o ser humano e depois disso, eliminá-lo. No entanto, eles acabam se separando. O filme acompanha 3 historias, sendo que a de Narumi, uma designer gráfica, que prevalece. Ela é casada com Shinji, mas estranha o comportamento dele, totalmente apático. Na verdade, um dos alienígenas se apossou do corpo dele e busca estudar as emoções humanas. Criativo e ousado, Kurosawa aposta em um filme que mescla vários gêneros. Ele tem culhão o suficiente para apostar em cenas que poderiam beirar o ridículo, mas o trabalho dos atores e a sua direção impedem que isso aconteça. Assim como em "Creepy", Kurosawa estica o tempo do seu filme. Desnecessário dizer que o filme, com 2:07 horas, poderia ter pelo menos 20 minutos cortados na sala de montagem.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Teenage Kicks

"Teenage kicks", de Craig Boreham (2016) Escrito e dirigido pelo Cineasta australiano , Craig Boreham, é seu longa de estréia, tendo feito muito sucesso em Festivais internacionais. O filme tem como tema a adolescência conflitante, o bullying, descoberta da sexualidade, incesto, diferenças culturais e relacionamentos com família. Ou seja, nada muito diferente quando se fala dessa faixa etárea. O que o filme faz, é torná-lo mais adulto, com cenas de sexo e uso de drogas, quase um "Kids", de Larry Clark. Miklos, um adolescente de descendência árabe, mora com seus pais e o irmão mais velho na periferia de Sidney. Miklos tem como melhor amigo Dan, por quem sente uma paixão platónica. Miklos provoca um acidente que mata seu irmão mais velho, e a partir daí, o mundo parece desabar sobre a sua cabeça. Drama independente repleto de cenas de nudez, o filme traz um olhar realista e cruel de uma sociedade em decomposição. A vida gira em torno do sexo, na maioria das vezes, como válvula de escape para a falta de perspectiva na vida. Um filme desesperançoso e de ritmo lento.

Estrelas de cinema nunca morrem

"Film Stars Don't Die in Liverpool", de Paul McGuigan (2017) Adaptação da biografia de Peter Turner, ator inglês que no período de 1979 a 1981 teve um relacionamento com a atriz americana Gloria Grahame, bem mais velha do que ele, e mãe de 4 filhos de casamentos diferentes. Peter na época era um ator aspirante, e trabalhava em uma loja de móveis. Ele conheceu Gloria quando ela esteve em Liverpool, já em carreira decadente e atuando mais nos palcos. Os dois tiveram um relacionamento repleto de polemicas, por conta da diferença da idade e pela doença que Gloria contraiu, um câncer terminal. Com um excelente elenco de apoio inglês (Julie Walters, que faz a mãe de Peter, está incrível). o filme tem nas performances de Jamie Bell e Annette Bening a grande forca que mantém o nível e o interesse do filme. Ambos estão formidáveis. Annete novamente foi esnobada nas premiações, e aqui ela entrega uma atuação comovente. A direção de Paul McGuigan trabalha com elementos lúdicos, como as passagens de tempo entre cenários distintos, ou mesmo nos backprojections, reproduzindo uma atmosfera antiga. Chorei várias vezes, e o filme não esconde a sua tradição de melodrama. Como curiosidade ( já que eu nunca havia ouvido falar da atriz), Gloria Grahame ganhou um Oscar de atriz coadjuvante por "Assim estava escrito", em 1953.

Kodachrome

"Kodachrome", de Mark Raso (2017) Baseado em um artigo publicado no New York Times em 2010, "Kodachrome" é o típico road movie que fará o espectador chorar litros no final. "For Kodachrome Fans, Road Ends at Photo Lab in Kansas", do jornalista A.G. Sulzberger, falava sobre a peregrinação de vários fotógrafos entusiastas do Kodachrome, negativo elaborado pela Kodak que estava completando 75 anos de existência. Para infelicidade de todos, com o advento da câmera digital, os laboratórios passaram a encerrar as suas atividades de relevação do filme. A Dwayne’s Photo, em Parsons, Kansas, o último laboratório no mundo, resolveu encerrar as atividades em uma data de 2010. Com a noticia, centenas de fotógrafos migraram para lá para revelarem seus últimos rolos de filme. O roteirista Jonathan Tropper pegou esse mote sensacional e escreveu a história da relação desgastada de um pai fotógrafo, ausente a vida toda do filho por conta de sua profissão, e do filho, um agente musical, prestes a perder o emprego. Matt (Jason Sudeikis), no alto de seus 30 anos, está perdido na vida, quando surge Zoe (Elizabeth Olsen), a secretária e enfermeira de Ben (Ed Harris), pai de Matt. Ela vem com um pedido de Ben: que Matt o leve de carro até Kansas para revelar seus últimos rolos de negativo Kodachrome. Mas ele quer que seja de carro. Matt recusa, pois odeia o pai que o abandonou. Mas Zoe insiste, pois revela que Ben está morrendo de câncer terminal, e agora será a hora dos dois reatarem suas diferenças. Emocionante, e fazendo uma homenagem `a nostalgia da era da fotografia, o filme encanta pela história simples mas bem narrada, apesar de todos os clichês de filmes "feel good movie" sobre redenção de personagens. Trilha sonora fofa, fotografia rodada em 35 mm, e ótima performances. O desfecho é mais do que óbvio, mas tudo bem, é um filme feito apenas para esquentar corações endurecidos.

KInk

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Terra de Trovões

"Viharsarok", de Ádám Császi (2014) Premiado drama húngaro, que lida com o tema da homofobia. Em seu País, o filme foi considerado o "Brokeback mountain" local. A comparação faz sentido: o filme fala sobre a descoberta da homossexualidade já em fase adulta, o romance e posteriormente, a homofobia dos parentes e amigos. Szabolcs é um jogador de futebol, que entrou no esporte apenas porque foi um pedido de seu pai. Após uma discussão com seu treinador exigente e com seu melhor amigo Bernard, Szabolcs resolve reformar pro interior. ele herda uma fazenda abandonada do seu avó e resolve reformá-la. Um dia, Aron, um jovem pertencente `a uma gangue local, tenta roubar a motocicleta de Szabolcs. Aron se machuca e Szabolcs cuida dele. Aron acaba sendo contratado para ajudar na reforma da fazenda e inesperadamente, os dois se apaixonam e se tornam amantes. Bem dirigido e com boas performances, o filme é ousado nas cenas de nudez. O ritmo é bastante lento, mas a bela fotografia e as locações compensam. O roteiro em si não tem nada de novo, mas é um filme competente apesar do desfecho que com certeza, irá irritar muita gente.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Vingadores: Guerra infinita

"Avengers: Infinity war", de Anthony Russo e Joe Russo (2018) Bom, todo mundo sabe que esse filme terá continuação em 2019. e tá todo mundo torcendo para não morrer até lá. Eu mesmo fiquei com preguiça de fazer comentários sobre o filme, que claro, é pipoca da melhor qualidade. 3 considerações apenas: - Caralho, só imagino o orçamento relacionado ao Elenco desse filme! Gente pra caceta!!!! Até mesmo galera que só aparece em uma única cena, tipo Samuel L. Jackson, Willian Hurt, Gwyneth Paltrow... - Duvido que quem morreu no filme, tenha morrido mesmo! Marvel é máquina de dinheiro!!! Povo inventa de ressuscitar tudo depois. - O que seriam desses filmes de heróis sem essa relação familiar repleta de traições???

quarta-feira, 25 de abril de 2018

O traje de banho

"Le maillot de bain", de Mathilde Bayle (2013) Premiado curta francês, tem um tema muito ousado: a paixão platónica de um menino de 10 anos de idade por um homem de 35 anos. De férias com a família em uma região litorânea da França, Remi, 10 anos, conhece Lea, uma menina que também está de férias com seus pais. Ao ser apresentado ao pai de Lea, a vida de Remi muda radicalmente: ele se apaixona de imediato por Stephan, a ponto de ter sonhos eróticos com ele. Com uma bela e difícil performance do menino Roger Manning, fico curioso em saber como foi feito o contato pro jovem ator fazer o papel do protagonista: "Olha, você fará o papel de um menino que se apaixona por um homem mais velho". Será isso mesmo? De qualquer forma, a sutileza e inteligência da diretora e roteirista Mathilde Bayle evita qualquer tipo de situação constrangedora, algo que poderia facilmente ter acontecido. Um filme adulto, apesar de ter crianças como protagonistas. E sim, bastante sensual, erótico e nada inocente.

O primeiro amor

“Flipped”, de Rob Reiner (2010) O cineasta americano Rob Reiner é responsável por 2 clássicos dos anos 80: “Conta comigo” e “Harry e Sally”. Mas é no primeiro que “O primeiro amor” se aproxima. Anos 60, amor juvenil, baixa auto estima, jornada do herói, rito de passagem. Bryce é um menino de 7 anos que se muda com seus pais. Na casa da frente, mora uma menina da mesma idade que logo se aproxima por ele. Preconceituoso pelo fato da família dela ser mais pobre e ela ser estranha aos seus olhos, Bryce a rejeita. Os anos se passam, e Juli continua apaixonada por ele. Mas logo ela se frustra quando descobre que Bryce agiu ingenuamente para humilha-la. Com temas como bullying e rejeição, o filme trata de todos os clichês de filmes desse gênero adolescente. A diferença é a narrativa: a mesmo cena é vista pelo ponto de vista dele e depois dela. Rob Reiner continua filmando com sensibilidade, e os dois jovens atores são carismáticos. Ele ainda ressuscitou Rebecca de Mornay e Aidan Quinn. Não é um clássico como os outros mas é bem simpático. O típico filme família.

Gigante

"Handia”, de Ailor Arregi e Jon Garaño (2017) Baseado em fatos reais, esse filme espanhol arrebatou 10 prêmios no Festival Goya, dividindo os prêmios com o drama “A livraria”. Ambientado nos meados do Sex 19, o filme acontece no País Basco. A Espanha vive uma Guerra civil e jovens são mandados para a guerra. Entre eles, Martin, irmão de Joaquim, inseparáveis. Filhos de um pobre agricultor, que escolhe Martin ao invés de Joaquim para mandar para a guerra. Lá, Joaquim se fere e fica com o braço direito imobilizado. Ao retornar para casa, ele descobre assombrado que seu irmão cresceu e se tornou um gigante de 2, 24 metros. Sem dinheiro, Joaquim se aproveita da condição física de Martin e o apresenta Europa afora como uma aberração. Baseado na história do “Gigante de Aldoz”, o filme se passa em uma época aonde o gigantismo não era visto como um distúrbio do metabolismo. O filme parece uma mistura de “O homem elefante” e “Edwards mãos de tesoura”. Com um tom realista e ao mesmo tempo fabulesco, o filme tem excelência técnica tanto na fotografia quanto na direção de arte. Mas o que mais chama atenção é a maquiagem, que fez do jovem ator Eneko Sagarday, de 1,84, um gigante de 2,24. Belo, triste, muito bem dirigido, o filme só peca pela longa duração, o que faz cair o ritmo no meio da duração.