domingo, 4 de maio de 2014

Amante à domicílio

"Fading gigolo", de John Turturro (2013) Comédia dramática escrita e dirigida por John Turturro e co-estrelada por Woody Allen, Sharon Stone, Vanessa Paradis, Sophia Vergara e Liev Schreiber. Parece bom né? Imperdível para cinéfilos! Mas infelizmente o filme promete mais do que oferece. Inexplicavelmente, a fotografia é um pavor. Suja, escura. Os enquadramentos são feios, a edição é frouxa, com planos sobrando e tempo esticado demais. Falta timing. John Turturro pode ser um ótimo comediante nos filmes dos irmãos Coen, mas aqui faltou humor genuíno, daquele que faça a gente rir com gosto. Todas as piadas que saem da boca de Woody Allen soam requentadas. Claro, foi John Turturro quem as escreveu, para homenagear o grande Mestre. Não poderia dar certo. Acreditar que Sharon Stone e Sophia Vergara pagam 1000 dólares cada para ter um homem qualquer em suas camas, só com muita imaginação. Ainda mais John Turturro! Misturar tantos temas num único filme também não funcionou. Tradição judaica, fechamento de livrarias tradicionais, desemprego, carência afetiva...às vezes o filme parece uma comédia maluca, outra hora o filme remete a um drama israelense , tipo "Preenchendo o vazio", falando de como as obrigações com a cultura judaica podem destruir a vida de uma pessoa. A história gira em torno de Fioravante (Turturro), um florista que resolve aceita o pedido de ajuda de Murray ( Allen), seu amigo judeu, que necessita de dinheiro. Murray foi sondado por sua médica (Sharon Stone) para descolar um homem que topa um menage a trois, e ele indica Fioravante. Logo, o amante faz um enorme sucesso com as mulheres carentes, até que uma viúva judia (Vanessa Paradis) irá mexer com seu coração e tudo desanda. Uma pena que o filme não funcione a contento. Woody Allen realmente não tem tido sorte de trabalhar como ator em outras produções. Fiquei mais preocupado em perceber como seu tom de voz mudou de um tempo pra cá, e menos preocupado com o destino de seu personagem. Nota: 6

sábado, 3 de maio de 2014

Herói mal dotado

"Unhung hero", de Brian Spitz (2013) Divertido documentário, nos mesmos moldes de "Super size me", famoso documentário de Morgan Spurlock sobre um homem que resolve comer sanduiches do Big mac para ver os resultados em seu corpo. Aqui em "Unhung hero", o comediante Patrick Moote tenta desvendar uma grande questão masculina: "Tamanho importa?" Em 2011, durante um evento esportivo na Faculdade onde estudava, na Califórnia, Patrick pediu a mão de sua namorada em casamento Registrado em video, a namorada simplesmente disse "Não"e foi embora. O vídeo foi visto 10 milhões de vezes, e essa humilhação nacional teve uma justificativa, que Patrick veio saber depois: Ela não quiz casar com ele porquê seu pau era pequeno. Sentindo-se humilhado na sua condição masculina, Patrick resolveu produzir esse documentário, com a intenção de entrevistar familiares, amigos, ex-namoradas, cientistas, profissionais do sexo. Aproveitou também para ir mais longe: viajar para vários países da Ásia, em busca de lendas e tradições primitivas sobre aumentos de pênis. Ainda nos Estados Unidos, Patrick experimenta todo os tipos de acessórios e remédios existentes no mercado para aumentar seu pênis: desde os famosos enlargadores, os pumpers, comprimidos de "ëxtensor", além de ginástica local para fortalecer a musculatura do dito cujo. Porém, é na sua viagem internacional que o filme ganha ares de antropologia mundo cão: em Taiwan, ele vai até um profissional que diz aumentar o tamanho do pau simplesmente colocando peso amarrado nele; na Nova Guiné, um curandeiro diz para ele aplicar 10 injeções de uma substância em seu pau; na Coréia, ele conhece um cirurgião que faz implante de gorduras no pênis..e por ai vai. Com aquele mesmo olhar de 1o mundo superior que Sophia Copolla fez em "Encontros de desencontros", Patrick debocha de todo mundo, fazendo ironia da tradição local. O desfecho do filme é tolo, com mensagem edificante sobre descobrir o verdadeiro amor e coisas e tal. Fiquei na d;uvida se tudo no filme referente ao comediante era real, uma vez que nunca sue pau é mostrado, e ele parece estar atuando em várias situações ( vamos combinar que aquele ataque de pelanca que ele dá no final ninguém acreditou né?) Vale pela curiosidade e pelo despojamento do tema, que diverte em vários momentos. Nota: 7

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Gabrielle

"Gabrielle", de Louise Archambault (2013) Belo drama canadense, indicado pelo Canadá para disputar uma vaga no Oscar 2013. O filme abre uma polêmica: pessoas mentalmente desabilitadas, podem namorar, fazer sexo e conceber filhos? O filme narra a história redentora de Gabrielle (Gabrielle Marion-Rivard, portadora do síndrome de Willians), que é portadora do síndrome de Willians. A síndrome é uma das variações do autismo, e entre suas características estão o excesso de alegria e o gosto pela música. Gabrielle faz parte de um coral composto por portadores de várias síndromes. Lá, ela faz amizade com Martin (Alexandre Landry), e ambos se apaixonam. Porém, a mãe de Martin é contra essa união, alegando que os dois são deficientes e não podem ter filhos doentes. Paralelamente, temos a história de Sophie, irmã de Gabrielle, que sacrifica seu amor e profissão para cuidar de sua irmã, o que lhe traz um enorme conflito. A direção do filme é muito sensível, emocionando em vários momentos. A atriz Gabrielle Marion impressiona pela sua naturalidade perante à câmera, levando em conta que ela é amadora e que nunca atuou profissionalmente. Inclusive ela levou o prêmio de melhor atriz da Academia canadense de 2013 pelo filme. O filme poderia ser um episódio de "Glee", tal a sua aproximação com a série de tv. Pessoas marginalizadas, que lutam contra preconceito, se escoram na música para desabafar e levantar a auto-estima. Nota: 7

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

"The Amazing Spider-Man 2", de Marc Webb (2014) Bom, todo mundo já sabe que Marc Webb dirigiu o 1o filme da franquia reboot do "Homem aranha" com Andrew Garfield. Todo mundo sabe que ele veio do romance, com o delicioso "500 dias com ela", e bombou por conta dessa comédia romântica original e divertida. Mas fiquem sabendo que ele quiz trazer o mesmo clima de romance para essa parte 2 de "Homem-aranha". E que essa parte do filme, que embala o romance de Peter Parker e Gwen Stacy, é de longe, a melhor coisa do filme. Aliás, deveria ter realizado essa parte 2 só com esse lado dramático da história: é bonito, bem filmado, os atores ( Andrew Garfield e Emma Stone) estão bem, entregues a um humor acri-doce por conta de uma difícil decisão de Gwen: abandonar o amor de Peter Parker, pelo bem dos dois. Mas infelizmente o que todo mundo quer ver nesse filme do super-herói da Marvel são tiros, explosões e bombas, e daí, o que era bom, desaparece no meio de tanta artilharia pesada. O amor dá lugar aos efeitos especiais em 3D, de fato alguns impressionantes, principalmente nos vôos pela cidade de Nova York. Mas em um filme, esticado ao máximo que pode em 142 minutos, tudo fica over e confuso. é sub-plot demais, vilões demais, e eu me pergunto: coitado do Spider man que tem que lidar com tanta gente má! Ainda bem que existem Tia May e Gwen, pelo visto, as 2 únicas boas pessoas em Nova York. O filme é cansativo, você acha que vai acabar e não acaba. O desfecho é totalmente dispensável e cafona, melodramático sem necessidade. Aquele menininho vestido de Homem aranha deveria apanhar muito de sua mãe! No entanto, elogio a coragem dos produtores em levar adiante o destino trágico de um dos personagens principais da trama, igualzinho aos quadrinhos. Devem ter pensado muito antes de tomarem a decisão, pois isso pode custas milhões a menos a terceira parte da franquia. Mas como o mundo é cruel, o que vale é a tristeza pela perda de uma pessoa como motivação para se seguir adiante. Agora, vamos combinar, de verdadeL O vilão de Jamie Foxx meteu medo em alguém? Nota: 7

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A recompensa

"Dom Hemingway" de Richard Shepard (2013) O cineasta americano Richard Shepard mostra que também sabe fazer cinema inglês e busca referências no CInema de Guy Ritchie para realizar esse seu "Dom Hemingway". Desbocado, mau humorado, violento, charmoso, divertido, sedutor. Assim é Dom Hemingway ( Jude Law), um arrombador de cofres que sai da prisão após 12 anos de silêncio. Por conta do silêncio, ele será recompensado pelo seu patrão. Ele volta a sua parceria com o seu amigo Dickie (Richard E. Grant), mas ambos acabam retornando ao crime meio que sem querer. No caminho, Hemingway reencontra sua filha Evelyn (Emila Clarke), uma jovem cantora casada com um senegalês. Ela o evita, irritada pela ausência paterno nos 12 anos que ele esteve preso. Com um super elenco inglês ( que inclui Emilia Clarke, a Daenerys Targaryen de "Game of thrones", aqui irreconhecível). Aliás, Jude Law também esta muito diferente. Careca, envelhecido, e musculoso. No filme ele sai xingando "fuck" umas 500 vezes. A direção é esperta, a trilha sonora, fotografia, movimentos de câmera, muita câmera lenta... todos aqueles maneirismos de Guy Ritchie foram devidamente "lembrados"por Richard Shepard. No entanto, faltou ao filme alguma empatia do protagonista por parte do espectador. Dom Hemingway é sujo, só fala palavrão, vive irritado e xingando todo mundo. E é justamente por causa disso que ele se afasta do público. É muita cara amarrada para quem até então fazia filmes como galã inglês. Fica apenas uma diversão ligeira. muitas vezes monótona, mas com pinta de filme cult. Nota: 6

Aflito

"Afflicted", de Derek Lee e Clif Prowse (2013) Os cineastas canadenses Derek Lee e Clif Prowse são amigos de longa data. Juntos, produziram, escreveram e dirigiram vários curtas, tendo os 2 como protagonistas. Os 2 viraram gente grande e resolveram investir em um longa metragem que tivesse como base o "found footage" film, estilo "A bruxa de Blair". Com baixo orçamento mas com muita determinação, eles produziram, escreveram, dirigiram e de novo, protagonizaram esse longa. E é aí que mora o problema do filme. Tanto egocentrismo os impediu de enxergar que ambos não são bons atores, o que prejudica bastante o resultado final. Tivessem convidado atores profissionais, teriam se dado muito melhor. Brincando com a linguagem documental e com essa onda dos "selfies", ambos interpretam a eles mesmos. Os dois são cineastas e resolvem passar meses viajando mundo afora, fazendo documentário e narrando a viagem através de vídeos postados diariamente no blog deles. A gente vem a descobrir que Derek tem um aneurisma cerebral e que pode morrer a qualquer hora na viagem, mas ele quer ir assim mesmo. Após passarem por Barcelona, eles param em Paris. Lá, Derek conhece Audrey, uma mulher misteriosa que ele conhece numa balada. Passam a noite juntos, e Cliff o descobre desacordado na cama e ensanguentado. Aos poucos, na viagem até a Itália, Cliff descobre que Derek possui poderes de super herói. Passada a euforia, descobrem que esses poderes irão levar Derek para um outro Universo, mais macabro e aterrorizador. Com uma semelhança enorme com o filme "Poder sem limites", o filme tem um roteiro muito frágil que faz com que o espectador ria ao invés de sentir medo. Para os cineastas, deve ter sido um barato fazer esse filme, que até surpreende tecnicamente, tendo em vista o baixo orçamento. A câmera na mão é boa, os efeitos são bacanas, edição e tudo o mais. Mas o roteiro e performance são os grandes problemas. De qualquer forma, temos belas locações no filme, filmadas em Barcelona, Paris e Itália. O desfecho é uma bobagem só. Me irrita essa linguagem do "found footage" quando usada assim aleatoriamente. Sempre fico me perguntando porque o personagem continua gravando se ele está numa situação de risco e sem saída. Fetiche? Nota: 6

domingo, 27 de abril de 2014

Jornada rumo ao Oeste

"Journey to the west/Xi You", de Tsai Ming-Liang (2014) Esse média metragem do cineasta autoral chinês Tsai Min Liang faz parte de uma trilogia sobre o tempo, a beleza e a dinâmica da vida. Essa trilogia é composta dos curtas "Walker"e "Walking on water", além desse média com menos de 1 hora de duração. Tsai Min Liang é um cineasta muito celebrado pela comunidade cinematográfica do mundo inteiro, tendo filmado filmes premiados como "O rio, "O buraco", "O sabor da melancia", "Não quero dormir sozinho. Todos os filmes protagonizado pelo seu ator fetiche, Lee Kang-sheng. Aqui, Lee Kang Sheng interpreta um monge, que vaga pelas ruas de Paris, numa velocidade impensável nos dias de hoje. Sem qualquer tipo de preocupação, ele caminha lentamente pela metrópole, contrastando com carros, pessoas e situações típicas de uma grande cidade. O filme não tem diálogos, poderia até resumir o filme como um projeto experimental, uma sinfonia de um mundo que agoniza e que grita por socorro, que bem na figura desse monge estranhíssimo. Com uma preparação corporal impressionante, Lee Kang Sheng encontra paralelo nesse monstro francês chamado Denis Lavant, fetiche dos filmes de Leox Carax. Ambos se cruzam em determinado momento, e Denis copia a forma de andar do monge, como uma sombra. É um filme difícil de acompanhar pelo seu ritmo extremamente lento e pela falta de dramaturgia. Vale pelas belas imagens e talvez para alguns, viajar numa viagem de ácido. Nota: 6

Lado a lado

"Side by side", de Christopher Kenneally (2012) Um documentário obrigatório a todos os Profissionais de Cinema, desde Cineastas, Fotógrafos, Editores, Coloristas, finalizadores, editores, efeitistas visuais, distribuidores, produtores até mesmo atores. Para os Cinéfilos, fica a curiosidade de acompanhar em tom didático, mas sempre apaixonante, a trajetória do Cinema conhecido como filme/película e o advento do Cinema digital. O documentário, produzido por Keanu Reeves e tendo ele como apresentador, fala da comemoração dos 100 anos da película. E desde a aparição do filme de Thomas Vintemberg em 1995, "Festa em família", durante o Movimento Dogma 95, que se teve o registro do primeiro filme feito inteiramente em formato digital. O Documentário, preciso e sempre informativo, fala sobre a diferença entre película e o digital, os que defendem o celulóide e os que o consideram morto. As questões que implicam barateamento do orçamento por conta do formato digital, e sua posterior democratização, uma vez que as câmeras digitais são mais baratas e muitas vezes, utilizando equipes menores. Como falei acima, o movimento do Dogma 95 foi importante para disseminar o formato digital. E isso veio por um acaso: um dos itens do movimento era que o filme não podia usar equipamentos especiais, tipo grua, tripé nem nada. Usar as câmeras tradicionais de cinema seria algo impensável, pelo seu peso e pelas condições de tamanho de equipe. O rolo de cinema também exigia que a cada dez minutos, se trocasse o chassi. Para os produtores, cineastas e atores até então, essa imposição dos 10 minutos causava u temor muito grande, pois todos tinham que estar bastante atentos a essa duração. Assim, o fotógrafo Anthony Dod Mantle, que posteriormente veio a fotografar todos os filmes de Danny Boyle, foi capaz de criar movimentos de câmera na mão até então impensáveis, dando, como ele mesmo diz "liberdade para criar". Em um depoimento, David Lynch diz que depois de descobrir o digital, ele não voltará mais ao filme, pois ele pode filmar sem se preocupar com tempo, pode falar com atores durante o plano. Alguns fotógrafos em depoimentos lamentam a perda do celulóide, pois tinham mais controle sobre a côr do filme. Hoje, com os coloristas, fica uma discussão e crise pela autoria do visual do filme, e a perda da autoridade máxima do fotógrafo. O filme faz um histórico sobre o surgimento das primeiras Camcorders nos anos 90, e logo em 2002, George Lucas , junto da Sony, criou a câmera F900, com o qual ele filmou "Star wars, Ataque dos clones". Essa foi a primeira câmera em alta definição, e provocou furor e rebuliço em Hollywood. Muitos cineastas protestaram contra Lucas, acusando-o de acabar com o Cinema. No ano de 2000, Sundance recebeu a inscrição de 225 filmes. Três anos depois, esse número subiu 10 vezes. O que se falava na época, era que a qualidade de imagem dos filmes digitais eram ruins, e o público não aceitaria isso. Muitos cineastas dizem que por conta do digital, as performances melhoraram ( pois podiam arriscar mais vezes) , podiam apostar mais em enquadramentos , nos ensaios, sem se preocuparem com a duração, etc. Keanu Reeves dá um depoimento hilário sobre o susto que os atores tiveram com o surgimento do digital. Em 2002, quando filmava "O homem duplo", de Richard Linklater, já com digital, ele percebeu que o Diretor não dava descanso, filmava sem parar entre um take e outro. ( não se parava mais pra trocar chassi, nem checar gate, nem nada). Keanu Reeves disse :"Você não vai parar? Se não parar, eu preciso parar!" Danny Boyle fala também da facilidade da digital, pois com ela ficou mais fácil e mais barato filmar. Ele dá como exemplo 'Exterminio", onde ele usou 10 digitais, para filmar uma cena do personagem andando pelas ruas desertas de Londres. Fosse em película, ele jamais teria isso em tão pouco tempo de filmagem. O filme fala também sobre as exibições digitais e o barateamento dessa área, evitando o envio de rolos de filmes, e posterior deterioração dos películas depois de várias exibições ( lembram do arranhado na tela grande??) As primeiras câmeras que surgiram também são apresentadas: Genesis, a VIper ( usada para captar noturna de "Colateral"), a Red ( criada pelo dono da Oskley, Jim Jannard, que fundou Red Digital Cinema), a Alexa. Fala também das 5 e 7D da Cannon, que muita gente detona, dizendo que não é Cinema, mas que jovens Cineastas defendem dizendo ser a única forma deles poderem filmar em baixíssimo orçamento. Um produtor diz que essa enorme variedade de filmes realizados não é bom para a Indústria, pois boa parte desses filmes são ruins, apenas realizados para botar em prática sonhos de pessoas inexperientes. O filme termina com 2 tópicos interessantes: Tópico 1, que mesmo com esse aparente fim do celulóide, ainda tem gente que filma em película, pois admira a sua beleza, jamais igualada pelo digital. Tópico 2: o armazenamento. Os hd's somente funcionam por 5 anos, ou é necessário que os arquivos sejam sempre manipulados. Por outro lado, o celulóide resiste por mais de 100 anos. O filme entrevista também editores, coloristas, efeitistas visuais. É bem rico em informações e curiosidades. Como é bom ver gente apaixonada pelo que faz!!!! Scorsese, Lars Von Triers, Irmãos Warchowsky, Christopher Nolan, etc, tanta gente bacana dando depoimentos sinceros e apaixonados. Terminei de ver o filme com um pensamento conclusivo de que Sim, o Cinema é uma fábrica de sonhos, que os amantes de cinema admiram , mesmo que, como diz no filme, os filmes sejam vistos em telas de Iphones ou de computador. Perca-se o romantismo, mas jamais uma boa história contada e apresentada para que possamos sonhar. Nota: 8

sábado, 26 de abril de 2014

Refém da paixão

"Labor day", de Jason Reitman (2014) Nossa, como chorei nesse filme! Jason Reitman, que trouxe as comédias dramáticas "Juno e "Jovens adultos", mudou o tom e realizou esse drama romântico e melancólico sobre uma dona de casa depressiva , Adele (kate Winslet) que mora com seu filho adolescente , Henry. Seu marido a abandonou e agora ele vive trancafiada em casa. Um dia, suas vidas se cruzam com a de Frank (Josh Brolin), um fugitivo, que se esconde na cada de Adele. No início tensa,a relação vai se transformando no encontro de duas almas amarguradas. Jason Reitman vai buscar em seu filme, referências na cinematografia de Terrence Malick, através de belas imagens e fotografia, e até mesmo em "Foi apenas um sonho", de Sam Mendes, com a mesma Kate Winslet em papel dramático de uma mulher fechada pro mundo. A trilha sonora de Rolfe Kent, autor de "Clube da luta", é maravilhosa e emocionante. A fotografia é de Eric Steelberg, que fez todos os filmes de Reitman. O Elenco de apoio é composto de excelentes coadjuvantes, como J K Simmons, James Van Der Beek e até mesmo Tobey Maguire, que interpreta Henry adulto e narra o filme, no mesmo tom nostálgico que ele narrava em "Regras da vida". A nota máxima vai para Kate Winslet, já com um rosto de mulher madura, que interpreta com garra e emoção uma mulher sem vida interna, triste, desiludida. Uma atuação primorosa. Preparem os lenços, porquê o negócio aqui é punk. Nota: 9

A companhia Orheim

"Kompani Orheim", de Arild Andresen (2012) Emocionante drama norueguês, baseado em livro homônimo. Através da história de um pai alcoólatra, o filme faz um passeio pelos anos 80, ao som de The Cure The Smiths, Led Zeppelin e até a sua porção pop, com canções como "Forever young". Terje é um homem casado e com um filho adolescente. Seria mais uma família feliz na cidade se Terje não fosse alcoólatra. Por conta de seu v;icio, ele destrói a vida dele, da esposa e do filho. Ao mesmo tempo, acompanhamos a historia de Jarle, um rapaz sensível que se envolve com um estudante comunista que o faz abrir os olhos para as mazelas da humanidade. Excelentes atuações de todo o elenco, ótima trilha sonora nostálgica e bela fotografia, realçando as belas locações e cores da Noruega. O roteiro nem construído evita os maniqueísmos do bêbado, tratando com tridimensionalidade os personagens e fazendo o espectador entender os dois lados da moeda. Nota: 8

Pelo malo

"Pelo malo", de Mariana Rondón (2013) "Pelo malo", de Mariana Rondón. Pelo malo, ou cabelo ruim. Através da metáfora do cabelo crespo de Junior, 9 anos, a Cineasta e roteirista Mariana Rondón propõe uma investigação na sociedade falida da Venezuela. Na vida real, Governo corrupto, inflação, violência, desemprego. No filme, homossexualismo, jogo de interesses, preconceito racial, bullying, sonhos frustrados e interrompidos. Premiado com o Prêmio Concha de Oro no Festival de San Sebastian 2013, o filme vai ser sempre lembrado como um filme de atores intensos vivendo uma realidade nua e crua. Não existe um único ator desse filme que não esteja dentro da proposta naturalista e realista do projeto. Os atores mirins ( Junior e sua amiga vizinha, extraordinários e que fazem parte de cenas antológicas, como a da foto com a menina vestida de Miss), Samantha Castillo como a mãe autoritária e depressiva, e Nelly Ramos, como a avó , em atuação inesquecivel. O filme narra a história de Marta, mãe vi;uva que 2 filhos, Junior 9 anos e um bebê. Sem emprego e cheia de dívidas, ele sai implorando para seu ex-patrão para ter de volta seu emprego, em troca de favores sexuais. Junior tem o sonho de ser cantor e de ter cabelo liso, e entra em conflito com a sua mãe, que não o entende, e o seu homossexualismo. Direção simples mas sensivel fotografia intensificando o tom cru do filme, e uma trilha sonora melancólica, acrescida da música " Meu limão, meu limoeiro". A cena da vó ensinando o menino a cantar e dançar é uma obra-prima de delicadeza. É um filme altamente recomendado. Triste, forte, soco no estômago. Uma realidade muito próxima dos países latinos, infelizmente, Nota: 9

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Garotos

"Jongens/Boys", de Mischa Kamp (2014) Drama holandês, sobre a descoberta da sexualidade de um adolescente de 15 anos. Sieger é um jovem atleta, que treina com seu amigo Eddy para uma maratona olímpica na cidade. Eles flertam com meninas e curtem a vida numa boa. A chegada de um garoto, Marc, que fará dupla com Sieger, irá abalar a sua estrutura emocional. Marc é gay, e ambos sentem uma atração muito forte. Mas Sieger sabe que nesse meio esportivo o preconceito é muito grande, e há a pressão de seus amigos e seu pai para que ele vença o campeonato. Sensivel, bela trilha sonora, delicada fotografia. Mas infelizmente, cheio de clichês. É difícil um filme que fala sobre a descoberta da sexualidade não ter os mesmos ingredientes: repressão familiar, amigos homofóbicos, algum evento que impede que a pessoa assuma sua sexualidade, garota que fica dando em cima...tem tudo isso e claro, mais a questão estética: muita câmera lenta nos momentos românticos, belas locações. É um filme gostoso de assistir, mas sem novidades e óbvio. Confesso que o que mais gostei, foi desse belo poster. Nota: 6

Amazon forever: A idade da inocência

" Amazon forever: L'age du inocence", de Jean-Pierre Dutilleux (2004) A tempos eu não ria tanto vendo um filme ruim. Baseado em história real, o filme narra a epopéia de um jovem cineasta francês ( alter-ego do próprio diretor do filme), que vem pro Brasil filmar a cerimônia do Kuarup. Chegando na Amazônia, ele se apaixona de cara pela filha do cacique, além de se envolver na questão do desmatamento da floresta. Motivado a querer salvara Floresta, o jovem cineasta monta uma ONG em Paris, para salvar a floresta. O cineasta Jean-Pierre Dutilleux jé veio ao Brasil filmar em 79 o documentário "Raoni", de onde tirou a inspiração para esse filme aqui, e de onde veio todo o seu engajamento. Indeciso entre qual linguagem utilizar, o filme fica um misto de documentário e ficção. A parte ficcional é um desastre completo. Misturando atores e índios de verdade, fica nítida a diferença cultural. A filha do cacique é uma modelo que em momento algum passa por índia. O jovem ator Aurelien Wilk, no papel do cineasta, é ruim de dar dó. O único apelo dele pro filme é aparecer nú, deve ter feito muito sucesso lá fora. O elenco brasileiro é vergonhoso (José Steimberg, Murilo Elbas, Rodrigo Penna), com certeza em suas piores performances. Apesar de toda a boa intenção com o tema do desmatamento, o filme parece pretexto para mostrar índias nuas e se falar muita sacanagem, afinal, as únicas coisas que as índias falam durante o filme todo é comentar o tamanho do pau de todo mundo. O filme também exagera no pastelão, que em nada combina com o filme. O personagem de Rodrigo Penna só falta levar torta na cara. Um dos momentos mais toscos do filme, é quando o cacique vem pro Rio de Janeiro, atrás do cineasta, pedir ajuda. Ele anda pela praia de Copacabana, Corcovado, Vidigal, Quadra de escola de samba..e claro, no final, todo mundo samba!!! Confesso que ri muito! A trilha sonora é de Stewart Copeland, ex-integrante do "The Police". Esse clássico do trash tem seu lugar no Panteão das grandes comédias involuntárias. O mais curioso é ver tanto colega de cinema com os nomes nos créditos. Morri de rir. Nota: 3

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A jaula de ouro

"La jaula de oro", de Diego Quemada-Díez (2013) O termo "Jaula de ouro" é como os mexicanos se ferem aos Estados Unidos, Terra prometida. O termo surgiu na canção mexicana de 1983 de Enrico Franco, e em 1987, foi lançado um filme mexicano baseado na música. O filme fala sobre imigração de mexicanos para os Estados Unidos. Em 2013, o Camera-man Diego Quemada-Díez, que já trabalhou com Inarritu, resolveu se lançar como Diretor de longas com esse filme baseado na música e filme. Porém, ele trouxe o início de sua ação para a Guatemala. Acompanhando a trajetória de jovens Guatemalenses, o filme discute o preconceito e a violência eminente em países de terceiro mundo, onde dominadores subjulgam a população pobre extraindo até o que eles não têm. Sara é uma menina que se faz passar por menino para poder seguir a viagem. Ela segue com seu namorado Juan e o amigo Samuel. No caminho, eles encontram o índio Chauk, apoiado por Sara, mas intimidado por Juan, que não o quer por perto. No caminho até Los Angeles, eles encontram traficantes de escravos, assassinos, ladrões, policiais corruptos, a fome, o frio, a solidão. Porém, a provação maior para Juan será saber passar por cima de seus preconceitos e aceitara diferença racial e o valor da amizade. Em um filme com poucos diálogos mas muita emoção, o cineasta Diego Quemada-Díez comove, expõe as vísceras de um mundo à parte, onde a extrema pobreza não tem mais aonde caminhar. Seres humanos que j;a foram tão abusados na sua vida inteira, que não se importam em morrer pelo caminho. Eles só não podem ficar parados sem pelo menos tentar algo que possa melhorar suas vidas miseráveis. É um filme muito triste, duro, cruel. Foda pensar como tem gente que se aproveita de outros que não têm como lutar. O filme foi exibido em Cannes 2013 e saiu de lá com os prêmios de melhor direção e melhor elenco, na Mostra Um Certo Olhar. Os atores são sensacionais, e que bela fabula sobre amizade! Nota: 8

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Mil vezes boa noite

"A thousand times good night/Tusen ganger god natt", de Erik Poppe (2013) Esse filme tem duas das cenas mais poderosas que vi no cinema. Uma cena é logo no início, e a outra , fecha o filme. São cenas pungentes, impressionantes, fortes, que ficam muito tempo na sua mente. Mesmo quando o filme acaba. E faz a gente pensar: "Pra que tudo isso? "" O filme é um libelo contra a guerra, contra o autoritarismo, contra a estupidez humana. O Cineasta norueguês Erik Poppe, que realizou o sensacional "Águas turvas" em 2008, novamente volta ao tema da família destroçada e do signo da morte, que permeia o destino de pessoas. rebecca ( Juliette Binoche) é uma das mais prestigiadas fotógrafas de guerra. Durante uma ação de uma mulher-bomba em Kabul, ela se fere. No Hospital, ela se recupera, e seu marido, Marcus (Nikolaj Coster-Waldau), um biólogo, a faz pensar e refletir sobre a sua profissão. Ele quer que ela pare e se dedique à família, ao invés de arriscara vida em ações perigosas. Rebecca resolve atender ao pedido dele e das duas filhas, mas fica infeliz em casa. Numa fala, ela diz: "Não sei viver uma vida normal". Um dia, sua filha adolescente pede para que elas vão visitar um acampamento no Kenya, supostamente guardado pelas autoridades. Chegando lá, elas são atacadas por rebeldes e tudo se complica na vida de Rebecca. Os 10 minutos iniciais do filme, sem diálogos, é muito, muito foda. Em registro documental, vemos a preparação espiritual e didática de uma mulher-bomba. A partir dai, o filme cria um constante clima de tensão ora uma guerra entre povos, ora uma guerra pessoal de Rebecca, dividida entre o trabalho e a familia. Juliette Binoche, sem maquiagem, revela aqui que não tem jeito, ela é a força desse filme e é sim, muito foda! Os seus olhares nas cenas impulsionam a carga dramática, deixando-nos atordoados. Os seus closes são impressionantes, magicamente registrados pelas lentes do fotógrafo John Christian Rosenlund. A cor do filme é estonteante. O cineasta Erik Poppe ele mesmo já foi um fotógrafo de guerra nos anos 80, e muitas das fotos vistas pertencem a ele. Com muita garra e determinação, Poppe reencarna na figura de Rebecca, e faz aqui, uma ode ao profissional, que arrisca sua vida em prol de trazer informações ao mundo que podem mudar o rumo da história. O filme cai um pouco de força na porção melodramática da história, focada na família. As atuações de Binoche e de Nikolaj Coster-Waldau ( Game of thrones) conferem dignidade ao filme. Nota: 8

domingo, 20 de abril de 2014

Uma viagem extraordinária

he Young and Prodigious T.S. Spivet", de Jean Pierre Jeunet (2013) Ah, que dilema: gostei ou não gostei desse filme do Jeunet? Jean-Pierre Jeunet é dos poucos cineastas que conseguiram imprimir uma identidade visual em seus filmes. Basta um fotograma, e a gente j;a sabe que o filme é dele. E vamos combinar, a estética de seus filmes, principalmente "Amelie Poulain", continuam sendo referência para muita gente. Baseado no livro do americano Reif Larsen, "Uma Viagem extraordinária" narra a história de T.S. Spivet, um menino de 10 anos que mora em um rancho com seu pai, sua mãe , que é pesquisadora de insetos, sua irmã mais velha e seu irmão gêmeo, Layton. T.S. é um pequeno gênio, e um apaixonado pela ciência. Um dia, durante uma brincadeira com seu irmão, a arma atira e Layton morre. Carregando o sentimento de culpa, T.S. se fecha pro seu mundo de ciências. Um telefonema e sua vida segue um rumo: ele deve receber um prêmio em Washington, mas o juri nem faz idéia que ele seja uma criança. Essa é chance de T.S. fugir de casa e reconstruir sua vida. Jeunet novamente traz o seu universo, dessa vez aliado a tecnologia do 3D. É um filme estritamente visual: fotografia estonteante e colorida de Thomas Hardmeier, que parece de alguma pintura de tão perfeita. A trilha sonora com toques country. e claro, o arsenal de tipos bizarros que o filme vai mostrando ao longo da jornada do menino. E o ator-fetiche Dominique Pinon não poderia estar de fora. Ele interpreta um maquinista de trem, em pequena participação. Helena Bonham Carter se une à trupe, fazendo o papel da mãe. Aliás, esse filme tem uma forte referência dos filmes de Tim Burton, principalmente "Peixe grande" tanto pela presença de Bonham Carter, quanto pelo colorido e caráter lúdico da história narrada, como um conto infantil. Apesar de todos esses atrativos, o filme não acontece, É frio, tem uma narrativa morna e acaba não agradando nem a crianças nem aos adultos. Para os estetas, o filme tem muito a oferecer. Direção de arte e figurino maravilhosos. Alguns momentos de emoção, mas pouco para uma aventura anunciada de extraordinária. O pequeno ator Kyle Catlett, no papel de T.S Spivet, dá conta do recado nesse seu difícil papel, que infelizmente. é uma pequena mala sem alça. Nota: 7

Azul e não tão rosa

"Azul y non tan rosa", de Miguel Ferrari (2012) Grande vencedor do Festival de Cinema Goya 2014, com o prêmio de melhor filme Íbero-americano, concorrendo com pesos peados como "Gloria", esse drama com tintas de tragicomédia venezuelano conquista o espectador pela sua semelhança com a cinematografia de Almodovar. Por mais que o cineasta Miguel Ferrari diga que o filme tem um caráter autobiográfico, sobre sua relação com seu pai, é impossível não chamá-lo de uma versão masculina de "Tudo sobre minha mãe", ou seja, "Tudo sobre meu pai". O Universo é o mesmo: gays, travestis bizarros, família anárquica, trilha sonora com clássicos do tango, shows com transformistas e sobretudo, muito melodrama, excessivo ate, mas sempre com aquele gostinho de tragédia bem humorada. Todos os clichês que existem no cinema melodramático existem aqui: chuva em clímax, bullying com gays, descoberta da sexualidade, pista de dança, modelos fotográficos, a transformista que dá lição de moral. Mas apesar do exagero, o filme tem qualidade suficiente para conquistar o espectador mais rabugento. Os pontos fracos: elenco desigual, roteiro que aponta para vários sub-plots ( o roteirista quer abraçar o mundo), filme longo, que poderia ter meia hora a menos. Diego é um fotógrafo de moda, que namora Fabrizio, um obstetra. Numa noite, Fabrizio é atacado por um grupo homofóbico e acaba morrendo. AO mesmo tempo, Diego recebe por um mês a visita de seu filho de 15 anos, que ele não vê a 5 anos e que desconhece a sexualidade do pai. Algumas cenas bem divertidas, drama excessivo em outros momentos. O diretor faz o que pode com o roteiro que tem, mas acerta no carinho com os seus protagonistas. Destaque absoluto para a atriz Hilda Abrahamz, que faz a transformista Delirio del Rio. Assisti o filme todo achando que era um travesti, e descubro que é uma mulher mesmo, só que de tão botocada, ficou com cara de traveca. Hilário e maravilhosa performance. Nota: 7

sábado, 19 de abril de 2014

O visitante

"Cibrail/The visitor", de Tor Iben (2011) Filme alemão do mesmo cineasta de "O passageiro", é uma produção de baixo orçamento que tem como tema o despertar para a homossexualidade. Cibail é um policial de origem turca, que trabalha em Berlin. Ele é casado com a artista Christine. Um dia, o primo de Christine, Marco, liga e diz que quer passar 1 mês na cidade. O casal o recebe. Porém, a presença do primo irá provocar em Cibail instintos que ele até então desconhecia. O filme é fraco: roteiro e atuações frágeis. Alias, o roteiro é um acúmulo de clichês sobre esse tema já tão batido. Aliás, na narrativa, acompanhamos vários momentos onde existem marginais matando gays nos parques e espancando e assaltando as pessoas, mas isso acaba sendo colocado de lado. O que realmente vale a pena no filme, é o verdadeiro passeio turístico que ele proporciona, principalmente para quem já conhece Berlin. Assim como Marco, passeamos pelo portão de Bramdemburgo, pelo Check Point Charlie, Antena de Tv, Memorial do Holocausto, Museu do homossexual, Muro de Berlin, etc. Fora isso, vale só pelo fetiche de ver um policial fardado fazendo pegação nos parques e pelas ruas da cidade. Nota: 5

The lunchbox

"The lunchbox", de Ritesh Batra (2013) Puta merda, que filme lindo!!! Um maravilhoso drama romântico, co-produzido pela Índia, Alemanha e França, resgata a tradição dos filmes que usam a comida como elemento para mudar a vida das pessoas e dando a chance de repensarem a vida. A uma bela lista de filmes "gastronômicos", temos "Como água como chocolate", "A festa de Babete", "Chocolate". O diretor Ritesh Batra também escreveu o roteiro, que prima pela lúdico, e pela fantasia romântica, sempre pontuada pelas emoções mais primárias de todo ser humano: vida, morte e amor. Saajan é um burocrata que trabalha em um escritório de contabilidade que presta serviço ao Governo. Ele está prestes a se aposentar, e um jovem aprendiz vem para aprender com Saajan. Só que Saajan é mau humorado, e resolve não ensinar nada ao rapaz. Um dia, a dona de casa Ila, casada e com uma filha pequena, entrega manda entregar a marmita para seu marido no trabalho, mas o entregador faz a entrega no lugar errado e Saajam o recebe. A partir daí, inicia-se uma relação de amizade e amor entre Saajam e Ila, que nunca se encontra, mas compartilham a infelicidade. O filme é de uma extrema sensibilidade, e emociona de verdade, pois fala ao coração do espectador. Impossível não se emocionar com a história dos 3 personagens maravilhosos: Ila, Saajam e Shaick, o sensacional aprendiz. Os 3 atores entregam de presente ao espectador interpretações comoventes, com poucas falas, baseadas em olhar. A trilha sonora também contribui bastante para trazer leveza a essa narrativa, que mesmo assim, tem o tema da morte como mote constante. Um filme imperdível, que traz curiosidades maravilhosas da cultura hindu ( esse lance da entrega de marmitas é demais!!). Nota: 10

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Miss violence

"Miss violence", de Alexandros Avranas (2013) O Cineasta austríaco Michael Haneke influenciou toda uma nova geração de cineastas gregos, a começar por Giorgos Lanthimos, que dirigiu a porrada "Dente canino", incrivelmente indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2010, mesmo contendo sexo explícito e violência extrema. Agora, com esse "Miss violência", o cinema grego chegou ao auge: feito para chocar, provocar, causar náuseas e debandada de platéia, como tem acontecido aonde ele tem sido exibido. Vencedor dos prêmios de Direção e melhor ator em Veneza 2013, é um filme impressionante na sua frieza narrativa. O cineasta não reluta em mostrar cenas chocantes, a começar pela 1a cena do filme. Uma menina de 11 anos, durante a comemoração de seu aniversário, se joga de uma janela, e antes de morrer, esboça um sorriso de satisfação. A família, que consiste na figura do avô , a mãe avó e 3 crianças pequenas, parece nem se chocar com esse suicídio. A vida segue normal, a polícia investiga, mas outros acontecimentos aterradores vão se revelando, até o auge com a descoberta do porquê a menina se suicidou. Duas cenas que provocarão revolta: o estupro de uma menina, e a 1a vez de uma criança, mostrada de forma brutal, mesmo sem revelar nada ( me lembrou a cena do estupro em "Paisagem na neblina"). A trama lembra, coincidentemente, com "Bastardos", o mais recente filme de Claire Denis. Mas o cineasta Alexandros Avanas vai mais a fundo. Ele realmente que incomodar, pouco se lixando para o que o espectador vai achar. O elenco está brilhante, todos super dentro da proposta agressiva e violenta do filme. Inclusive, até agora não acredito numa cena onde o avô castiga o neto e obriga a mais nova a dar inúmeros tapas fortes na cara do menino. Fátima Toledo fez escola na Grécia, talvez nem mesmo ela saiba. A maioria dos críticos acredita que toda essa violência do cinema grego seja uma resposta dos cineastas à recente crise econômica, e a metáfora do governo destroçando família e seus valores. Não dá para recomendar esse filme, assim deliberadamente. Nota: 8