domingo, 20 de abril de 2014
Uma viagem extraordinária
he Young and Prodigious T.S. Spivet", de Jean Pierre Jeunet (2013)
Ah, que dilema: gostei ou não gostei desse filme do Jeunet? Jean-Pierre Jeunet é dos poucos cineastas que conseguiram imprimir uma identidade visual em seus filmes. Basta um fotograma, e a gente j;a sabe que o filme é dele. E vamos combinar, a estética de seus filmes, principalmente "Amelie Poulain", continuam sendo referência para muita gente.
Baseado no livro do americano Reif Larsen, "Uma Viagem extraordinária" narra a história de T.S. Spivet, um menino de 10 anos que mora em um rancho com seu pai, sua mãe , que é pesquisadora de insetos, sua irmã mais velha e seu irmão gêmeo, Layton. T.S. é um pequeno gênio, e um apaixonado pela ciência. Um dia, durante uma brincadeira com seu irmão, a arma atira e Layton morre. Carregando o sentimento de culpa, T.S. se fecha pro seu mundo de ciências. Um telefonema e sua vida segue um rumo: ele deve receber um prêmio em Washington, mas o juri nem faz idéia que ele seja uma criança. Essa é chance de T.S. fugir de casa e reconstruir sua vida.
Jeunet novamente traz o seu universo, dessa vez aliado a tecnologia do 3D. É um filme estritamente visual: fotografia estonteante e colorida de
Thomas Hardmeier, que parece de alguma pintura de tão perfeita. A trilha sonora com toques country. e claro, o arsenal de tipos bizarros que o filme vai mostrando ao longo da jornada do menino. E o ator-fetiche Dominique Pinon não poderia estar de fora. Ele interpreta um maquinista de trem, em pequena participação. Helena Bonham Carter se une à trupe, fazendo o papel da mãe. Aliás, esse filme tem uma forte referência dos filmes de Tim Burton, principalmente "Peixe grande" tanto pela presença de Bonham Carter, quanto pelo colorido e caráter lúdico da história narrada, como um conto infantil.
Apesar de todos esses atrativos, o filme não acontece, É frio, tem uma narrativa morna e acaba não agradando nem a crianças nem aos adultos. Para os estetas, o filme tem muito a oferecer. Direção de arte e figurino maravilhosos. Alguns momentos de emoção, mas pouco para uma aventura anunciada de extraordinária. O pequeno ator Kyle Catlett, no papel de T.S Spivet, dá conta do recado nesse seu difícil papel, que infelizmente. é uma pequena mala sem alça. Nota: 7
Azul e não tão rosa
"Azul y non tan rosa", de Miguel Ferrari (2012)
Grande vencedor do Festival de Cinema Goya 2014, com o prêmio de melhor filme Íbero-americano, concorrendo com pesos peados como "Gloria", esse drama com tintas de tragicomédia venezuelano conquista o espectador pela sua semelhança com a cinematografia de Almodovar. Por mais que o cineasta Miguel Ferrari diga que o filme tem um caráter autobiográfico, sobre sua relação com seu pai, é impossível não chamá-lo de uma versão masculina de "Tudo sobre minha mãe", ou seja, "Tudo sobre meu pai". O Universo é o mesmo: gays, travestis bizarros, família anárquica, trilha sonora com clássicos do tango, shows com transformistas e sobretudo, muito melodrama, excessivo ate, mas sempre com aquele gostinho de tragédia bem humorada. Todos os clichês que existem no cinema melodramático existem aqui: chuva em clímax, bullying com gays, descoberta da sexualidade, pista de dança, modelos fotográficos, a transformista que dá lição de moral. Mas apesar do exagero, o filme tem qualidade suficiente para conquistar o espectador mais rabugento. Os pontos fracos: elenco desigual, roteiro que aponta para vários sub-plots ( o roteirista quer abraçar o mundo), filme longo, que poderia ter meia hora a menos. Diego é um fotógrafo de moda, que namora Fabrizio, um obstetra. Numa noite, Fabrizio é atacado por um grupo homofóbico e acaba morrendo. AO mesmo tempo, Diego recebe por um mês a visita de seu filho de 15 anos, que ele não vê a 5 anos e que desconhece a sexualidade do pai.
Algumas cenas bem divertidas, drama excessivo em outros momentos. O diretor faz o que pode com o roteiro que tem, mas acerta no carinho com os seus protagonistas. Destaque absoluto para a atriz Hilda Abrahamz, que faz a transformista Delirio del Rio. Assisti o filme todo achando que era um travesti, e descubro que é uma mulher mesmo, só que de tão botocada, ficou com cara de traveca. Hilário e maravilhosa performance. Nota: 7
sábado, 19 de abril de 2014
O visitante
"Cibrail/The visitor", de Tor Iben (2011)
Filme alemão do mesmo cineasta de "O passageiro", é uma produção de baixo orçamento que tem como tema o despertar para a homossexualidade. Cibail é um policial de origem turca, que trabalha em Berlin. Ele é casado com a artista Christine. Um dia, o primo de Christine, Marco, liga e diz que quer passar 1 mês na cidade. O casal o recebe. Porém, a presença do primo irá provocar em Cibail instintos que ele até então desconhecia.
O filme é fraco: roteiro e atuações frágeis. Alias, o roteiro é um acúmulo de clichês sobre esse tema já tão batido. Aliás, na narrativa, acompanhamos vários momentos onde existem marginais matando gays nos parques e espancando e assaltando as pessoas, mas isso acaba sendo colocado de lado. O que realmente vale a pena no filme, é o verdadeiro passeio turístico que ele proporciona, principalmente para quem já conhece Berlin. Assim como Marco, passeamos pelo portão de Bramdemburgo, pelo Check Point Charlie, Antena de Tv, Memorial do Holocausto, Museu do homossexual, Muro de Berlin, etc. Fora isso, vale só pelo fetiche de ver um policial fardado fazendo pegação nos parques e pelas ruas da cidade. Nota: 5
The lunchbox
"The lunchbox", de Ritesh Batra (2013)
Puta merda, que filme lindo!!! Um maravilhoso drama romântico, co-produzido pela Índia, Alemanha e França, resgata a tradição dos filmes que usam a comida como elemento para mudar a vida das pessoas e dando a chance de repensarem a vida. A uma bela lista de filmes "gastronômicos", temos "Como água como chocolate", "A festa de Babete", "Chocolate".
O diretor Ritesh Batra também escreveu o roteiro, que prima pela lúdico, e pela fantasia romântica, sempre pontuada pelas emoções mais primárias de todo ser humano: vida, morte e amor.
Saajan é um burocrata que trabalha em um escritório de contabilidade que presta serviço ao Governo. Ele está prestes a se aposentar, e um jovem aprendiz vem para aprender com Saajan. Só que Saajan é mau humorado, e resolve não ensinar nada ao rapaz. Um dia, a dona de casa Ila, casada e com uma filha pequena, entrega manda entregar a marmita para seu marido no trabalho, mas o entregador faz a entrega no lugar errado e Saajam o recebe. A partir daí, inicia-se uma relação de amizade e amor entre Saajam e Ila, que nunca se encontra, mas compartilham a infelicidade.
O filme é de uma extrema sensibilidade, e emociona de verdade, pois fala ao coração do espectador. Impossível não se emocionar com a história dos 3 personagens maravilhosos: Ila, Saajam e Shaick, o sensacional aprendiz. Os 3 atores entregam de presente ao espectador interpretações comoventes, com poucas falas, baseadas em olhar. A trilha sonora também contribui bastante para trazer leveza a essa narrativa, que mesmo assim, tem o tema da morte como mote constante.
Um filme imperdível, que traz curiosidades maravilhosas da cultura hindu ( esse lance da entrega de marmitas é demais!!). Nota: 10
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Miss violence
"Miss violence", de Alexandros Avranas (2013)
O Cineasta austríaco Michael Haneke influenciou toda uma nova geração de cineastas gregos, a começar por Giorgos Lanthimos, que dirigiu a porrada "Dente canino", incrivelmente indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2010, mesmo contendo sexo explícito e violência extrema. Agora, com esse "Miss violência", o cinema grego chegou ao auge: feito para chocar, provocar, causar náuseas e debandada de platéia, como tem acontecido aonde ele tem sido exibido. Vencedor dos prêmios de Direção e melhor ator em Veneza 2013, é um filme impressionante na sua frieza narrativa. O cineasta não reluta em mostrar cenas chocantes, a começar pela 1a cena do filme. Uma menina de 11 anos, durante a comemoração de seu aniversário, se joga de uma janela, e antes de morrer, esboça um sorriso de satisfação. A família, que consiste na figura do avô , a mãe avó e 3 crianças pequenas, parece nem se chocar com esse suicídio. A vida segue normal, a polícia investiga, mas outros acontecimentos aterradores vão se revelando, até o auge com a descoberta do porquê a menina se suicidou. Duas cenas que provocarão revolta: o estupro de uma menina, e a 1a vez de uma criança, mostrada de forma brutal, mesmo sem revelar nada ( me lembrou a cena do estupro em "Paisagem na neblina"). A trama lembra, coincidentemente, com "Bastardos", o mais recente filme de Claire Denis. Mas o cineasta Alexandros Avanas vai mais a fundo. Ele realmente que incomodar, pouco se lixando para o que o espectador vai achar. O elenco está brilhante, todos super dentro da proposta agressiva e violenta do filme. Inclusive, até agora não acredito numa cena onde o avô castiga o neto e obriga a mais nova a dar inúmeros tapas fortes na cara do menino. Fátima Toledo fez escola na Grécia, talvez nem mesmo ela saiba. A maioria dos críticos acredita que toda essa violência do cinema grego seja uma resposta dos cineastas à recente crise econômica, e a metáfora do governo destroçando família e seus valores. Não dá para recomendar esse filme, assim deliberadamente.
Nota: 8
O passageiro
"The passenger", de Tor Iben (2013)
Instigante filme de suspense erótico, da leva de filmes malditos de baixo orçamento que os alemães fazem muito bem. É visível os vários problemas de produção por conta da falta de grana : maquiagem, efeitos, fotografia, roteiro, atores. Mesmo assim, é um filme que tem um charme justamente pelos seus defeitos. Como um "Teorema", de Pasolini. Nick é um jovem bonito e sedutor que seduz a todos, homens e mulheres. O que ninguém sabe é que ele é um serial killer. Um dia, Nick conhece Lilli, uma jovem atriz e Philip, um fotógrafo hetero. Porém, ambos sucumbem à beleza de Nick e não resistem aos seus encantos. Nick, por sua vez, afeiçoado a ambos, vai adiando a idéia de matar os dois.
O ator Niklas Peters é a pessoa perfeita pro papel; de uma beleza estonteante, e um olhar hipnotizante, fica fácil entender porquê as vítimas se entregam a um prazer carnal sem medir as consequências.
Curioso, mas não esperem muita coisa, é um filme para se curtir sabendo de seus problemas. Nota: 7
Vivendo
"Zhit", de Vasili Sigarev (2012)
"VivEsse filme possui 2 elementos que eu amo muito: ser um filme russo e ser um filme depressivo. Amo filmes depressivos!
Aqui, acompanhamos 3 histórias paralelas, que jamais se cruzam, que têm como tema a morte de um ente querido. A 1a história é a de um menino que descobre que seu pai se suicidou, e é maltratado pela mãe e seu amante. Desesperado, ele clama pelo pai morto. A 2a história é a de um jovem casal. Numa noite, dentro de um trem, o rapaz é assaltado e espancado até a morte. Na 3a história, uma mulher entra em profundo estado de depressão após a morte de suas duas filhas gêmeas, provocado por um acidente de trem. Até que ela resolve desenterrar os corpos elevar para casa.
O filme é um drama seco e tem uma narrativa fria. Em momento algum, faz concessões ao melodrama. A morte é sempre vista de uma forma aguda, forte. Feridas, sangue ou o vazio, nada fica indiferente à câmera excepcional do filme, emoldurada por uma fotografia que reforça a carga emotiva de depressão. Os atores russos sempre primaram pela interpretação, e aqui tem um time de primeira, rostos desconhecidos, mas de performance impressionante. A cena da mãe entrando em catarse no funeral das filhas é asfixiante. Outra cena provocadora e assustadora é o da mãe que tenta sufocar o filho com o travesseiro, para que ele se acalme. O assalto no trem também provoca arrepios. É o drama humano elevado à décima potência. No terço final, o filme abre um leque para o espiritismo, através de conversa dos familiares com os mortos. Premiado em inúmeros festivais europeus, é uma produção que merece ser vista pelos cinéfilos. Nota: 8
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Hércules: a Lenda começa
"The legend of Hercules", de Renny Harlin (2014)
Harlin é um conhecido diretor de filmes de ação dos anos 80 e 90, entre eles, "Duro de matar 2". Porém, de uma década para cá, sua carreira acumula fracasso ap;os fracasso. Fossem os fracassos bons filmes, a gente até perdoaria. Mas esse "Hercules" coroa de vez a sua derrocada como cineasta, e na boa, ele deveria ser proibido de filmar e dar espaço pra galera que quer fazer Cinema de verdade. Com inacreditáveis U$ 70 milhões de orçamento, o filme não chegou nem a 20 milhões. E vendo o filme, a gente se pergunta: onde foi parar essa grana toda?
O elenco é de 7a categoria, cada um disputando a pior performance num mesmo filme. Kellan Lutz, da série "Crepúsculo", enterra de vez sua carreira "artística". É ruim demais! Todos os outros atores estão constrangedores. Os efeitos CGI são pifios, um deles em espacial é hilário de tão absurdo: a cena da luta de Hercules com um leão computadorizado. A cena é antológica e digna de Framboesa de ouro. O filme ainda sofre da sindrome de "Quero ser "300", usando o mesmo efeito de câmera lenta no meio de uma ação, além do visual ser o mesmo. Tanta cara de pau só perde para o roteiro, que deveria ter sido trancado a sete chaves para jamais ser produzido. Se o filme pelo menos tivesse o charme "campy" do cult "Hercules" com Lou Ferrigno, teria sido muito mais divertido. Senti falta dos 12 trabalhos dele, que envolviam seres fantásticos. Nota: 1
quarta-feira, 16 de abril de 2014
O enigma chinês
"Casse tête chinois", de Cédric Klapisch (2013)
Terceira parte de uma trilogia que começou em 2002 com o cult "Albergue espanhol", e que depois, em 2005, mereceu uma continuação, chamada "Bonecas russas".
Em "Quebra-cabeças chinês", o cineasta e roteirista Cedric Kaplish recupera os 4 personagens principais do filme original: Xavier (Roman Duris), o aspirante a escritor agora já como profissional do ramo; Martine (Audrey Taotou), ex-namorada de Xavier; Isabelle (Cecille de France), a amiga lésbica de Xavier e Wendy (Kelly Reilly), que se casou com Xavier, teve 2 filhos com ele e acabaram de se separar. O filme mostra Wendy se mudando para Nova York e levando os 2 filhos pequenos. Desesperado Xavier resolve se mudar para lá também, na esperança de morar perto dos filhos. Estranhamente, e exaltando a cultura americana em detrimento da francesa, o Cineasta Cedric acaba colocando todos os 4 personagens se mudando para Nova York e mais, amando o lugar. Seria a derrocada do romantismo europeu? O roteiro é didático, clichê, e acompanhamos a via crucis de Xavier forjando um casamento para ganhar Green Card, a sua busca por apartamento, trabalho, etc, enquanto acompanhamos xaropadas de roteiro sobre conflitos de casal e de família. Nesse mundo globalizado de Cedric, de onde já tinhamos "Albergue espanhol", onde ninguém se entendia direito, agora temos uma Nova York cosmopolita, com direito à cultura chinesa.
Cedric quis fazer dessa sua trilogia algo inesquecível e arrebatador como a trilogia de "Antes do amanhecer", de Richard Linklater. Só se esqueceu de botar alma e sinceridade ao roteiro. algo que aqui tá em falta.
Nota: 6
terça-feira, 15 de abril de 2014
Tom na fazenda
"Tom à la ferme", de Xavier Dolan (2013)
Vencedor do prêmio FIpresci no Festival de Veneza 2013, "Tom na fazenda" é baseado em uma peça teatral de Michel Marc Bouchard. Por isso mesmo, pela sua origem nos palcos, que esse filme de Dolan possui um formato essencialmente teatral. Muitos diálogos, alguns bastante duros e pouco espontâneos, essa nova empreitada do mais jovem cineasta a apresentar um filme em Cannes ( "Eu matei minha mãe", quando tinha 18 anos) brinca com a narrativa de Hitchcock. Tomando emprestado o mote do Homem que se descobre dentro de uma situação-limite, Dolan ainda faz uso de uma trilha que lembra bastante os acordes de Bernard Hermann nos filmes o mestre do suspense, aqui, assinado pelo renomado compositor Gabriel Yared. O filme narra a história de Tom, um jovem publicitário de luto, por conta da morte do namorado. Ele resolve ir para o funeral do falecido, na fazenda da família dele. Chegando lá, ele descobre que todos desconhecem que o filho morto era gay. O irmão do morto, no entanto, sabe de sua relação homossexual e começa a criar um jogo de gato e rato com Tom, impedindo que ele saia da fazenda e revele o segredo do irmão morto. A fotografia é bela, do eficiente André Turpin, de "Incêndios". As locações são belíssimas, e a fotografia realça esse clima de estranheza que aira no ar, através de cores escuras. Dolan continua na sua trip egocêntrica, atuando, escrevendo, dirigindo e editando o filme. O ator (Pierre-Yves Cardinal) que interpreta o irmão de seu namorado, é bom e intenso. É uma pena que o filme seja longo e chato ( um grande problema de Dolan em seus filmes, saber a hora certa de cortar cenas). Nota: 6
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Capitão America 2: O Soldado Invernal
"Captain America: The winter soldier", de Anthony e Joe Russo (2014)
Continuação de "O primeiro Vingador", esse filme foi dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo, egressos da televisão. Fico curioso como é que os Produtores da Disney chegam a 2 cineastas acostumados com comédia para dirigir um filme de ação e aventura. E mais curioso ainda, o filme ficou bom pacas, parecendo trabalho de Cineasta mega-tarimbado em filme porrada. Obviamente, que lá fora, os Cineastas possuem uma equipe super preparada para fazer esse tipo de filme. Mas mesmo assim, impressiona. O filme narra o assassinato de Nick Fury e a acusação de que o autor teria sido o Capitão America, Para ajudar a provar a sua inocência, se juntam a ele a Viúva Negra (Scarlett Johanson) e Falcão, um personagem novo. Assim como "Thor", os produtores recheiam o filme d atores tarimbados, para dar credibilidade a tanto tiroteio e explosões. No caso, a bola da vez é Robert Redford. O filme tem um delicioso humor e impressionantes cenas de ação, principalmente a cena da perseguição ao carro de Nick Fury. Laureado pelos críticos como a melhor adaptação de uma obra da Marvel, o filme é pipocão de primeira. Nota: 8
Eu, mamãe e os meninos
"Les garçons et Guillaume, à table!", de Guillaume Gallienne (2013)
Impressionante como esse filme é praticamente uma refilmagem de "Minha mãe é uma peça", de Paulo Gustavo. Obviamente que Guillaume Galliiene jamais deve ter visto sequer a peça ou o filme protagonizado pelo comediante brasileiro, mas sua história de vida e o roteiro são muito semelhantes. Baseado em sua própria história, Guillaume interpreta a ele mesmo: um jovem que teve uma educação rígida e tradicional por parte de sua mãe, sempre controladora. Ela e seu pai tentam a todo custo "corrigir" os hábitos de Guillaume, acreditando que ele é gay. O filme é narrado em off, de forma nostálgica e em sketches, exatamente igual ao filme de Paulo Gustavo. A mãe e o filho são interpretados pelo mesmo Guilaume, um prodigio de maquiagem, performance e de tecnologia, que faz com que Guillaume esteja na mesma cena com sua mãe e ainda mais com outros personagens. É quase uma extensão do programa de Paulo Gustavo, "220 volts", onde ele interpreta vários outros personagens, geralmente mau-humorados. Várias cenas se repetem, inclusive a cena da bola de futebol que bate em sua cabeça. A cena da massagem é antológica. O filme é muito divertido, anárquico Guillaume é realmente uma grande revelação, tanto como Cineasta como ator. O filme acabou levando os Cesar de melhor filme de cineasta estreante, ator, adaptação e outros, e se tornando uma das maiores bilheterias francesas de 2013. Se tivesse sido produzido aqui no Brasil, essa comédia teria sido exculhambada pelos críticos. Já fora, ele saiu agraciado com muitos prêmios em festivais importantes, mostrando que o gênero comédia tem um valor muito superior. Nota: 8
sábado, 12 de abril de 2014
Era uma vez em Nova York
"The immigrant", de James Gray (2013)
James Gray é um cineasta americano que sempre fez filmes intimistas, tendo como protagonista um Personagem amargurado pela vida. Foi assim nos excelentes "Amantes" e "Os donos da noite". ambos com seu ator fetiche, Joaquim Phoenix. Em "A imigrante", Gray desconstruiu tudo: criou um épico com ares de superprodução, ambientado em 1921, e dividindo os papéis principais com 2 protagonistas: Marion Cotillard e Joaquim Phoenix. A primeira interpreta Ewa, uma imigrante católica polonesa, que chega em Nova York com sua irmã Magda. Por estar doente, Magda é retida na alfândega e vai presa, e assim, as irmãs ficam separadas. Phoenix faz um malandro que recruta jovens imigrantes para fins de prostituição. No início arredia, Ewa sucumbe à profissão, para juntar dinheiro e poder resgatar sua irmã.
O filme "A cor púrpura", de Spielberg, toda hora me vinha em mente, por conta do mote da separação das irmãs e a epopéia d euma delas em descobrir o paradeiro da outra. A diferença é que Spielberg investiu sem culpa no melodrama, conquistando corações e mentes, e James Gray fica no meio do caminho. O seu filme é um grande novelão sem alma. Tudo é muito bonito: a direção de arte, a fotografia foda do mestre Darius Khondji , que entre outros, fotografou "Meia noite em paris", "Delicatessen"e "Seven". Os atores estão ok, mas longe de suas melhores performances, Jeremie Renner está apagado em cena, interpretando o mágico que cria o triângulo amoroso. No final, é um "Jules e jim" com ares igualmente trágicos, mas que sucumbe à frieza narrativa. Nota: 6
sexta-feira, 11 de abril de 2014
O homem duplicado
"Inimigo", de Denis Villeneuve (2013)
Do diretor de "Incêndios" e " Os suspeitos", esse filme Canadense é uma adaptação do livro de José Saramago, "O homem duplicado". Misturando drama, fantasia e suspense, o filme narra a história de Adam, um professor de história que tem uma namorada, Mary ( Melanie Laurant). Um dia, assistindo um filme mediano, ele se assusta ao ver um ator que é seu sósia perfeito. Intrigado, ele vai atrás do sósia, Anthony, um ator em ascenção. Adam é casado com Helen (Sarah Gadon), que está grávida de 6 meses. Entre os dois rola um clima de conflito que resultará numa grande tragédia.
David Lynch a tempos não filma, mas alguns cineastas se apropriam de seu estilo. Hermético e complexo, aberto a várias interpretações, o filme tem como mote o tema do homem moderno em conflito com a sua vida e seu entorno, perdendo a sua identidade. Cronemberg é outro cineasta que podera ser citado como referência, principalmente em seu filme "Spider", ond eo personagem via aranhas em tudo, como é o caso de Adam. Jake Gyllenhaal está ótimo em seu papel duplo, conferindo duas personalidades bem distintas. Jake já havia trabalhado com Denis Villeneuve em 'Os suspeitos", e aqui repetem a parceria. Isabela Rosselini, outra musa de David Lynch, interpreta a mãe de Adam em uma breve cena. O filme foi um fracasso nos Eua, mas teria sido surpresa se não fosse. É um filme autoral, de circuito de filmes alternativos. Ponto para Gyllenhaal que resolveu diversificar sua carreira com filmes comerciais e autorais. Nota: 7
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Hoje eu quero voltar sozinho
"Hoje eu quero voltar sozinho", de Daniel Ribeiro (2014)
O jovem cineasta Daniel Ribeiro já é habitueé do Festival de Berlin. Em 2007 ele ganhou o Teddy de melhor curta por "Café com leite". O seu curta de 2010, "Eu não quero voltar sozinho", ganhou vários prêmios Brasil afora. Com tanto sucesso, Daniel Ribeiro resolveu esticar a história do curta e dele, fez seu primeiro longa, vencedor de vários prêmios em Berlin, entre eles, Teddy de melhor filme e o Prêmio Fipresci, dado pela associação de críticos.
A história e a mesma. Leo (Guilherme Lobo) é um adolescente cego. Ele estuda num colégio tradicional, e tem uma melhor amiga, Giovana, no fundo, apaixonada por ele mas sem revelar a sua emoção. Leo sofre bullying de outros estudantes por ser cego. Um da, chega um aluno novo, Gabriel ( Fabio Audi). Entre Gabriel e Leo surge um amor platônico, e o medo de revelar a homossexualidade.
Em geral, todo longa derivado de um curta tem o problema de roteiro. Como Esticar uma história que funcionou bem em menos de 20 minutos? Raramente, essa fórmula deu certo. Um dos poucos exemplos bem-sucedidos foi o argentino :"Medianeras". Aqui, é impossível não sentir um cheiro de encheção de linguiça. Toda a sub-trama da família de Leo é irritante. Os pais são mostrados de uma forma ridícula e infantil. A avó é aquela figura clichê da pessoa que existe para dar lições de moral e para usar sua história de vida como pretexto para crescimento emocional do menino. Outra sub-trama descártavel é a dos estudantes que provocam bullying. A cena inicial da professora discutindo com os meninos baderneiros é muito artificial. Jamais que num colégio particular dois meninos esculhambariam um jovem cego na frente da professora.
Nao tem como não comparar o filme a 2 clássicos de adolescentes que têm um rito de passagem: "As vantagens de ser invisível" e "Delicada atração". Do primeiro filme, vem o trio de amigos, o menino tímido, que tem vergonha de dançar, o jovem gay, a música anos 80, o tom de nostalgia no ar. Do segundo filme, vem o tema da descoberta da homossexualidade, o bullying familiar, e a cena final, lúdica, pra cima, levantando todas as bandeiras possíveis.
A fotografia de Pierre de Kerchove é sensível, dando tintas melancólicas e explorando as cores do amor entre os meninos. O ritmo do filme é lento. O grande trunfo do filme é a atuação do jovem Guilherme Lobo, e por ele vale a pena ver o filme. Sensível, transbordando drama e angústia de um adolescente em busca de algo que nem mesmo ele sabe o que é.
O filme é bem inocente, longe, mas muito longe da descoberta da sexualidade de "Azul é a cor mais quente". Sem contra-indicações. Nota: 7
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Metro Manila
"Metro Manila", de Sean Ellis (2013)
Vencedor do prêmio de Sundance para melhor filme estrangeiro na categoria drama em 2013, esse filme é uma porrada no estômago. O diretor Sean Ellis, que também realizou o cult "Cashback", escreveu, produzir e fotografou essa saga de uma família pobre do interior que migra para a metrópole Manila ara melhorar de vida. Essa busca de um sonho encontra nas mãos de Ellis uma via crucis de erros e de tragédias que, comparada a "Dançando no escuro", de Lars Von Terier, encontra uma escala 4 vezes pior. É mundo cão ao infinito. Confesso que fiquei muito incomodado com tanta desgraça e infortúnio na história do casal, achando tudo muito forçado demais, porém o final revelador me ganhou. A história gira em torno de Oscar e Mai, um jovem casal que parte para Manila com seus 2 filhos pequenos. Com fome, enganados e desesperados, Mai aceita trabalhar em uma casa de prostituição e Oscar trabalha em uma empresa de carro-forte. Oscar no entanto se vê numa rede de corrupção e é isso que o filme fala: como inocentes se corrompem com a finalidade de botar um prato de comida em casa. Os atores Jake Macapagal e Althea Vargas estão impressionantes no papel do casal, dando tudo de si. É um filme muito triste e depressivo, mas belamente narrado e interpretado. Direção sensivel de Sean Ellis, apesar dos exageros da narrativa. Nota: 8
domingo, 6 de abril de 2014
Noites de espera
"Noches de espera/Longing nights", de Tiago Leão (2013)
Sinceramente, não consigo entender como 2 países se juntam para fazer um filme tão ruim, tão sem propósito. Nesse drama de baixo orçamento, de conteúdo erótico, acompanhamos 4 histórias que se passam na noite Madrilenha. São personagens malditos, obscuros, na marginalidade da sociedade. Tem um travesti que faz michê, tem um casal hetero onde a mulher se vê envolvida com um traficante de drogas, tem um jovem gay que perambula pelas boites para fazer pegação e um casal de lésbicas em crise. Em comum, a solidão, a carência e o desencanto com a vida e as pessoas. Um filme baixo astral, mas que carece de dramaturgia. Nos 70 minutos do filme, somente vemos os personagens perambulando pelas ruas e transando com o primeiro que aparece. Apesar do teor erótico, o sexo no filme é visto de uma forma suja, feira, sem qualquer tipo de glamour. A fotografia é escura, sem sofisticação. Os atores são fracos, me parece que todos são amadores. Mesmo tendo um tema e personagens tão explosivos, o filme nunca acontece, nem traz interesse. Uma pena, pois o argumento prometia. Mas ficou somente na vontade de chocar, o que é muito pouco. Nota: 3
sábado, 5 de abril de 2014
Sangue de outono
"Autumn blood", de Markus Blunder (2013)
Estréia do diretor de comerciais Markus Blunder no cinema, essa fábula sobre a maldade humana tem inspiração em pelo menos 3 filmes: "Amargo pesadelo", "Todos os dias as nove" e, principalmente, "Sob o dominio do medo". Com uma fotografia estonteante, valorizando a belíssima locação nas montanhas da Austria, o diretor e roteirista Markus Blunder investe em um cinema de imagens e pouco diálogo, curioso até para um filme de ação. Uma família mora numa casa no alto da montanha. Após o assassinato do pai, e da morte posterior da mãe, 2 irmãos tentam sobreviver da forma que conseguem, escondendo da cidade que a mãe faleceu. Mas o desejo do filho do prefeito pela jovem traz consequências trágicas. Um filme denso, sliencioso, com boas interpretações e um ótimo time de atores europeus, entre eles Peter Stomare e o dinamarquês Gustaf Skarsgård, filho de Stelan Skarsgård. Recomendado. Nota: 8
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Noé
"Noah", de Darren Aronofsky (2014)
As pessoas podem não gostar do excesso de efeitos especiais. As pessoas podem não gostar de filmes com temas bíblicos. As pessoas podem achar os Guardiões uma reciclada do visual dos Transformers. As pessoas podem achar esse tipo de filme grandioso meio fora de moda. Mas me desculpem, eu vou defender pelo menos duas coisas que para mim são fundamentais para a minha defesa desse filme ambicioso e impactante: as atuações e o roteiro.
Todo o filme é estruturado em cima de um único tema: o perdão. Os personagens são construídos de forma a desenvolver todos as emoções: raiva, dôr, angústia, paixão, perda, compaixão. E tudo desembocando numa única finalidade: o perdão. Em várias cenas antológicas, esse sentimento se desenvolverá de forma brilhante: a cena das gêmeas, a cena do ataque dos homens e a defesa dos guardiões, a cena final. Os diálogos são excelente, escritos pelo próprio Aronofsky e Ariel Hendel, seu habitual parceiro nos outros filmes. A cena da esposa de Noé implorando pela vida das gêmeas é de uma forca dramática impressionante. E aí vem meu outro ponto: a atuação do elenco. Russel Crowe há muito já provou ser dos maiores atores da atualidade, mas aqui ele se supera. O conflito existente no olhar e na alma desse personagem está presente com precisão em cada olhar, na postura corporal, nas falas. Jennifer Connely, que já havia trabalhado em outro filme de Aronofsky, "Requiem para um sonho", está mais madura e muito mais bonita. A sua presença ilumina a tela do cinema com seu close deslumbrante e terno. Emma Watson e Logan Lerman, os 2 amigos de "As vantagens de ser invisível", mostram que estão cada vez melhores. Anthony Hopkins dá emoção e dignidade ao seu pequeno papel, mas a grande surpresa é Ray Winstone, no papel do amargurado Tubal-cain. Todos os personagens são construídos para serem bons e maus, evitando estereótipos. Aronofsky, apesar de trabalhar em seu primeiro filme de grande estúdio, consegue imprimir em alguns momentos a sua marca autoral: na cena da criação do mundo, narrado por Noé, por exemplo. Inquietante do jeito que é, esse cineasta não faria por menos. A fotografia de Matthew Libatique, também habitué dos filme de Aranofsky, é estonteante. com momentos mágicos de entardecer. A trilha de Clint Maell evita aqueles tons grandiloquentes dos épicos e investe em algo mais intimista e minimalista.
Enchi de adjetivos superlativos nessa crítica, mas é porquê realmente o filme me comoveu, saindo do didatismo dos filmes bíblicos e investindo num filme de ação e drama, sem ranços. Nota: 10
domingo, 30 de março de 2014
Quando meus pais não estão em casa
"Ilo Ilo", de Anthony Chen (2013)
Vencedor em Cannes 2013 do prêmio "Camera D'or", concedido a cineastas estreantes, "Ilo ilo" é um poderoso e extraordinário drama que mexerá com os corações e mentes dos espectadores. Indicado pela Singapura para representar o País no Oscar 2014, o filme tem como base a Crise financeira na Ásia no final dos anos 90. Em 1997, na Singapura, um casal aguarda a chegada de um bebê. O casal já tem um filho de 10 anos, Jiael. Rebelde em casa e na escola, Jiale toca o terror. Um dia, os pais resolvem contratar uma babá filipina, Teresa. Em princípio relutante, Teresa conquista o coração de Jiale. Mas sua mãe fica com ciúmes. Paralelo, o pai de Jiale perde o emprego e não conta nada para sua esposa. Ela, por sua vez, trabalha em um escritório e é a pessoa responsável em escrever cartas de demissão dos funcionários.
O titulo original se refere a uma cidade nas Filipinas, Ilo Ilo, cidade onde nasceu a babá do cineasta Anthony Chen, Ele escreveu o filme para homenagear a babá, responsável pela sua formação moral. É um filme de grande apelo emocional, além de ter um excelente casting atuando em todos os papéis. É um elenco multi-racial, mostrando o quão globalizado é Singapura. Tem chineses, hindus, filipinos, etc. Mas quem rouba o filme é justamente o menino Koh Jia Ler, impressionante por ser um não-ator, escolhido enre centenas de crianças. ele compõe com espontaneidade, verdade e imponência o seu difícil personagem. Alternando momentos de ódio, amor, humor, drama, o espectador odeia e ama o menino. E vamos combinar, todo mundo adoraria ter uma Teresa em casa.
Curioso é que o filme me lembra bastante o igualmente poderoso "Uma vida simples", filme chinês de Ann Hui, com tema parecido.
"Ilo Ilo"é um filme que merece ser visto por todos que querem reservar um momento especial em sua vida cinéfila para filmes amororos e verdadeiros na emoção. Nota: 10
quinta-feira, 27 de março de 2014
Arranha-céus flutuantes
"Plynace wiezowce"/Floating skyscrapers", de Tomasz Wasilewski (2013)
Alardeado como o 1o filme polonês com temática gay, é também o 2o longa do jovem cineasta Tomasz Wasilewski, comparado pela crítica como o novo Xavier Dolan ( queridinho de Cannes, autor de "Eu matei minha mãe" e "Amores imaginários"). O filme narra a historia de Kuba, um jovem nadador olímpico, que treina a 15 anos. Kuba tem uma mãe dominadora e uma namorada ciumenta. Secretamente, ele usa o banheiro do ginásio para encontros furtivos com outros homens, mas sem amor, apenas sexo. Um dia, numa vernissage que sua namorada o leva, ele conhece Michal, um jovem gay assumido. A partir daí, Kuba entra e conflito consigo mesmo, o que o fará se decidir entre o amor recém-descoberto e seus sonhos de futuro.
A fotografia do filme é muito bonita, cinematográfica. As tomadas submarinas e os planos de transição na cidade são espetaculares. Os atores são bons, a direção segura. Mas o roteiro acaba com o filme, destruindo qualquer tipo de simpatia pelo filme. Por incrivel que pareça, ese 1o filme gay é preconceituoso até não poder mais. Mostra as mulheres como tiranas. Os heteros como animais. E os gays como eternos sofredores. Estamos no Sex XXI, não? Nota: 6
O grande herói
"Lone survivor", de Peter Berg. O cineasta americano Peter Berg adora um tiroteiro e explosões. Depois de "O reino", "Hancock"e do pavoroso "Battleship", ele volta com o drama de guerra "O grande herói". O filme é baseado no livro auto-biográfico de Marcus Luttrell, sobrevivente de uma missão fracassada no Afeganistão. A missão aconteceu em 2005. Um grupo de 4 fuzileiros da divisão SEAL é incumbido de matar um chefe talibã, que matou mais de 20 oficiais americanos e também nativos que ajudaram os oficiais. Porém a missão fracassa, e os 4 fuzileiros são pegos no meio de uma artilharia pesada entre as montanhas da região. O filme é muito bem dirigido, com ótima decupagem e usando o estilo de câmera documental. A parte técnica é inquestionável: fotografia ( e os incontáveis planos de pôr do sol), edição de som, montagem, etc. O roteiro, do próprio Peter Berg baseado no livro, é eficiente, apesar de no geral o filme ser mais um filme de ação do que propriamente um drama ( vide "O sobrevivente", de Werner Herzog, muito mais visceral. ). Mas o inevitável fica sendo a comparação com "A hora mais escura", de Kathleen Bigelow. A idéia é muito parecida, a execução também. Pode-se até chamar esse filme aqui de "A hora mais clara", pois toda a ação de guerra acontece durante a luz do dia. O elenco é mega-estelar: Mark Walhberg, Emile Hirsch, Ben Foster, Eric Bana, Taylor Kitsch ( de John Carter) e Ali Sulliman, de "Paradise now". Do meio pro fim o filme fica bem tenso. Graças ao trabalho da Direção e do elenco. O desfecho é bem emocionante: nos créditos finais, fotos reais dos fuzileiros, ao som de David Bowie, 'Heroe". Nota: 7
quarta-feira, 26 de março de 2014
Porquê você não brinca no inferno?
"Jigoku de naze warui/Why Don't you play in hell?", de Sion Sono (2013)
Sion Sono é sem dúvida um dos cineastas mais ousados e criativos do momento. Seus filmes são de uma ironia, e ele mescla vários gêneros: policial, drama, humor negro, musical, máfia, comédia. Alguns de seus filmes são pequenas obras-primas, como "O jantar na mesa de Noriko" e "Love exposure". Nesse seu novo filme, Sion Sono cria uma visão esquizofrência e alucinada sobre a arte de fazer filmes. Através de 3 histórias paralelas que se convergem, ele mostra a sua paixão pelo cinema e mais, pelo romantismo do cinema, criticando o cinema digital em detrimento da película. Uma equipe de filmagem amadora espera sua grande chance, até que ela surge na figura de uma jovem, Mitsuko, ex-atriz mirim, cujo pai mafioso quer que eles façam uma saga épica sobre luta de gangues mafiosas, tendo ela como protagonista. A partir daí, o filme segue numa narrativa desenfreada, cheia de excessos de linguagem e em vários momentos se aproveitando do pastelão. O sangue jorra em profusão, típico dos filmes japoneses. O filme ainda reserva espaço para ironizar "Kill Bill", de Tarantino, através do personagem de um jovem fora-da-lei que usa o uniforme amarelo e preto de Bruce Lee ( o mesmo de Uma Thurman) e na cena final, ao som de "Santa Esmeralda" revisitado. É sangue e tripas para tudo quanto é lado. Moral da história: Para alcançar o seu sonho, nada será limite. Para quem curte um cinema bizarro e inesperado, essa é a pedida certa. Nota: 7
domingo, 23 de março de 2014
Laços de sangue
"Blood ties", de Guillaume Canet (2013)
Refilmagem de um filme francês de mesmo título, essa 1a incursão do Cineasta e ator francês Guillaume Canet em Hollywood impressiona pelo elenco multi-estelar. Clive Owen, Marion Cotillard, Mila Kunis, James Caan, Matthias Schoenaerts, Lili Taylor, Zoe Saldana, entre outros. Porém, assim como outro filme recente que assisti,"Tudo por justiça", também com super-elenco, não empolga nem emociona. Curioso é que ambos tem Zoe Saldana fazendo o papel da mulher em conflito entre dois amores. Chris ( Owen) sai da prisão, e reencontra seu irmão policial, Frank ( Billy Crudup) e sua esposa prostituta, Vanessa (Cotillard). Chris tenta um emprego decente, mas acaba voltado ao mundo do crime. Seu irmão Frank tenta demovê-lo da idéia,mas a lei do mais forte fala mais alto.
Uma fotografia fenomenal de Christophe Offenstein, que também assinou "Não conte a ninguém", de Canet, todo em tons lavados. A trilha sonora, recheada de pérolas pops dos anos 70, como "Sugar baby love". A direção de arte impressionante, recriando a Nova York do ano de 1974. A maquiagem e cabelo estão de parabéns, mostrando um visual mais natural e nada daquele universo fake fashion do filme "A trapaça", que só me fez passar o filme inteiro vendo as perucas dos personagens.
Uma pena que esse épico, tão cheio de boas intenções, tenha ficado no meio do caminho. Melodramático, com citações a dramas familiares a la "O poderoso Chefão", o filme vai deixar mais marcas pelo seu potencial técnico do que pelo filme em si. Algumas boas cenas, como a da execução de um crime em um bar, e o final, numa estação de trem. A da perseguição de carros no desfecho também impressiona pela produção, que fechou ruas e pontes em NY. Nota: 7
sábado, 22 de março de 2014
Expresso do amanhã
"Snowpiercer", de Bong Joon-ho(2014)
Co-produção sul-coreana, americana e Tcheca, esse filme de ficção científica é baseado na Graphic novel francesa "Le Transperceneige ". Enquanto rodava "O hospedeiro" em 2004, o cineasta Bong Joon-ho descobriu os quadrinhos e resolveu levar às telas. O filme, diga-se de passagem, é muito, muito estranho. Pegando emprestado o visual de cineastas como Michel Gondry. Wes Anderson e principalmente Jean-Pierre Jeunet, Bong Joon So trabalhou no limite do grotesco e da fanfarra. A personagem de Tilda Swinton, por exemplo, é totalmente não-realista, apelando pro humor físico. Lembra muito a personagem de Elisabeth Banks em "Os jogos vorazes", um tipo absolutamente histriônico e chanchadesco. Fora isso, o filme apresenta momentos de quase constrangimento, devido a situações muito fora do tom. Mas algumas cenas de verdade de realização brilhante, salvam o filme de uma catástrofe iminente. Por ex, a cena que faz homenagem a "Oldboy", de Park Chow Woo, também produtor do filme. Quando um personagem abre a porta, se depara com dezenas de tipos armados com machetes no corredor.
A história se passa no futuro, ano de 2034. Os cientistas criaram uma quimica que foi lançada no ar para inibir o aquecimento global, mas o efeito foi desastroso. O planeta acabou virando congelando e praticamente todo mundo morreu. Os poucos sobreviventes habitam em um trem movido a motor-continuo, criado pelo engenheiro Wilford (Ed Harris). O trem é dividido em seções: os ricos e os pobres. Curtis (Chris Evans) resolve fazer um levante para tomar o trem, ajudado por um exército de Brancaleone que inclui John Hurt, Otavia Spencer, Jamie Bell, Kang-ho Song e Ah-sung Ko ( pai e filha em "O hospedeiro".
Ed Harris novamente banca Deus, assim como seu personagem em " O show de Truman". Muitos efeitos especiais ( alguns duvidosos), uma trama que lembra muito "1984"e "Elyseum" e uma bela fotografia. Para quem curte filmes bizarros ( a cena da escola é Wes Anderson puro) essa é uma boa pedida. Nota: 7
sexta-feira, 21 de março de 2014
Tudo por justiça
"Out of furnace", de Scott Cooper (2013)
Scott Cooper é o diretor daquele filme chato com Jeff Bridges, sobre o cantor country bebum. Aqui em "Tudo por justiça", ele junta o elenco dos sonhos de qualquer produtor e cineasta de Hollywood: Christian Bale, Woody Harrelson, Forest Whitaker, Sam Sheppard, Casey Affleck, Willen Dafoe e Zoe Saldana. Mas por incrível que pareça, o filme não decola. O roteiro é um deja vu sem fim. Misture "Drive", "O vencedor" ( com o próprio Bale, sobre a relação conflituosa de 2 irmãos), "ferrugem e ossos", "O lugar onde tudo termina",...o resultado? Um drama com aura cult, mas enfraquecido por uma sub-trama melodramática. No caso, duas: a relação do personagem de Bale com Zoe Saldana, e a relação dos irmãos Bale e Affleck. Ficou um super novelão.
Bale interpreta Russel, um operário de uma fabrica da Pensylvania. Seu irmão Rodney (Affleck) é um ex-fuzileiro, atormentado pela guerra. Rodney entra no mundo das lutas clandestinas, mais como uma forma de extravazar seus traumas. Agenciado por John (Dafoe), eles se envolvem com Harlen (Harrelson), um agenciador de lutas mau caráter e violento. Após uma tragédia, que o faz ficar preso, Russel sai da prisão e reencontra seu irmão ainda mais atormentado. Até que Rodney some,e Russel vai atrás da verdade.
Os personagens são pouco delineados e abusam do clichê. Harrelson exagera na composição do cara mau, Zoe Saldana no pouco que aparece faz o tipo mulher carente e arrependida e Forest Whitaker faz um policial motivado pelo trabalho e vida pessoal. Ou seja, ele mistura tudo. Bale está bem, e tem bons momentos, mas seu personagem é o que mais sofre com o melodrama, obrigando o herói a se emocionar a toda hora.
A fotografia é bonita, em tons escuros e azulados, realçando a dramaticidade da trama. A edição brinca com a montagem de "O silêncio dos inocentes", com a falsa premissa que iremos presenciar uma emboscada e no entanto, o que vemos são ações paralelas. Funciona. Nota: 7
quarta-feira, 19 de março de 2014
Pompéia
"Pompeii", de Paul W.S. Anderson (2014)
Ai, que preguiça de ver esse filme. Bom, só para simplificar: essa versão descarada de "Gladiador" substitui Russel Crowe por Kit Harington e Joaquin Phoenix por Kiefer Sutherland. Aliás, Kiefer, que já havia feio inúmeros vilões nos anos 80 e 90 , e havia se redimido como herói depois da série "24 horas", voltou a fazer papel do bad boy. A história: pela milésima vez em filmes épicos, a família do herói é dizimada quando ele é criança. Levado por mercenários, ele cresce e é treinado como gladiador. Ele acaba conhecendo a filha do Senhor de Pompéia, Cassia (Emily Browning). Ambos se apaixonam, mas entre eles existe Corvus, senador interpretado por Kiefer, que quer a mão de Cassia. No meio disso tudo, o vulcão Vesúvio erupte, botando toda a população em polvorosa. Bom, de fato, a novidade aqui é zero: os mucamos sempre morrem, as pessoas que ajudam também. Tudo é absolutamente previsível, e algumas cenas são bem toscas em relação a diálogos. Os efeitos são falsos, computação gráfica descarada sem um mínimo de sofisticação. Kit Harington, o John Snow da s;erie "Game of Thrones", repete em trejeitos e olhares o seu famoso personagem. Só que aqui, a serviço do mal cinema. Só para sessão da tarde. Nota: 3
terça-feira, 18 de março de 2014
Perca sua cabeça
"Lose your head", de Stefan Westerwelle e Patrick Schuckmann (2012)
Baseado em história real, o filme narra a história de Luis, um jovem gay de Madri, que resolve passar as férias em Berlin após se desentender com seu namorado. Chegando na cidade,ele parte para clubes noturnos, ao som de musica eletrônica e muitas drogas. Numa das boites ele conhece uma mulher misteriosa que lhe oferece drogas, Logo surge Viktor, um Ucraniano que seduz Luis, que se apaixona perdidamente por ele. Mas Viktor não é quem parece ser, escondendo a sua verdadeira identidade, que pode estar por trás do sumiço de jovens europeus em férias em Berlin. O ponto alto do filme são as cenas de festas ao som de música eletrônica. Além da ótima seleção de músicas, tecnicamente a fotografia e a edição salvam o projeto. Exibido no Festival de Berlin 2012, o filme nem chegou a ser distribuido. Esse baixo orçamento tem em seu roteiro e em seu personagem principal os pontos mais fracos da história. Mesmo baseado em fatos reais, a história sôa muito inverossímel, e o protagonista é tão idiota, que o espectador acaba torcendo para que ele morra no meio do filme. Nota=: 5
domingo, 16 de março de 2014
Nunca enxugue as lágrimas sem luvas
"Torka aldrig tårar utan handskar", Simon Kaijser (2012)
Compilação de 3 episódios de uma série de tv, esse filme de 3 horas de duração mostra a tragédia que o advento do vírus da Aids provocou na cidade de Estocolmo no início dos anos 80. O filme é praticamente uma versão sueca de "Angels in America", famosa obra dirigida por Mike Nichols com Meryl Streep, Emma Thompson e Al Pacino, também sobre a Aids nos Estados Unidos dos anos 80. Até mesmo o argumento é parecido: A religião continua sendo apontada como um catalisador sexual. Ao invés de mórmons, aqui temos Testemunhas de Jeová. A comunidade judaica também se mostra presente. Os créditos iniciais, com vistas a;éreas, também se assemelha do telefilme americano. Mas nenhuma dessas semelhança minimiza o poder de emocionar desse filme sueco. A história gira em torno de 2 personagens: Ramus, jovem de uma cidade do interior que ao completar 19 anos, se muda para Estocolmo. Essa mudança cojncide com sua saída do armário, e ele sai transando loucamente. Paralelo, temos a história de Benjamin, jovem de família de Testemunhas de Jeová, que conhece Ramus e ambos se apaixonam. Eles se encontram sempre na casa de um grupo de amigos que, com a Aids, vai se desfazendo. É muito triste ver o grupo diminuindo pelas mortes sucessivas dos companheiros. O filme se passa em 3 épocas: infância dos protagonistas, anos 80 e hoje em dia. A direção de arte, figurino, maquiagem são ótimas, mostrando com perfeição a cultura pop e gay dos anos 80. Edição, trilha sonora, fotografia também primorosos, com planos e cenas muito bonitos, com constante uso de flaires na lente. O olhar documental do Diretor, principalmente nas cenas que mostram exames de sangue, etc, são realizados com muita tensão, bem próprio da época, quando todos tinham pavor de ver o resultado. A cena do suicídio de um dos personagens é de extrema beleza, uma obra-prima de realização. O elenco em peso está formidável, sem exceção. Um projeto maravilhoso que deveria ser visto por todos que gostam de boa história, emoção e melodrama na medida certa. O título do filme se explica pela cena inicial, mostrando o preconceito dos enfermeiros: uma enfermeira enxuga uma lágrima de um paciente com HIV e é repreendida pela outra enfermeira. Nota: 8
Q
"Q", de Laurent Bouhnik (2011)
Para quem achou "Ninfomaniaca" um explicitamente erótico mas sem tesão, pesado e depressivo, "Q" pode ser a alternativa. Nesse filme francês, acompanhamos vários personagens desajustados, sempre com um ponto em comum: sexo. Cecile perdeu seu pai e transforma seu luto em prazer sexual. Assumindo a postura de uma ninfomaniaca, ela sai transando loucamente. Outros personagens cruzam seu caminho e entre momentos de incerteza na vida e futuro incerto, a cama ou o banheiro são o lugar ideal para terapia. Sexo oral, masturbação, penetração, banho coletivo, vale-tudo nessa busca pelo uma luz no fim do túnel. Mas atenção: o sexo aqui também não tem a intenção de provocar excitação na platéia. Filmado de forma fria, escura, não há como ninguém se excitar vendo as cenas despudoradas interpretadas por atores franceses em busca de um lugar ao sol. Sexo, sexo, sexo. No entanto, faltou um bom roteiro e uma boa direção. O filme segue sem ritmo, chato, perdido. Nota: 4
sexta-feira, 14 de março de 2014
Membro somente: Sem corte
"Members only: Uncut", de Jonathan Zarantonello (2003)
Quando você acha que já assistiu de tudo em matéria de filmes, surge essa verdadeira pérola do cinema erótico-experimental. rodado em HD em super-baixo orçamento, esse filme alardeado como rodado em plano-sequência de 75 minutos tem como única estrela um pênis. Isso mesmo, um pênis. O tempo todo, a câmera enquadra da cintura pra baixo um homem acamado, vítima de acidente. Ele é um escritor e está com a perna presa a tipóias. Para passar seu tempo, ele pega seu caderno de telefones e liga para várias mulheres para virem acudi-lo sexualmente. Paralelamente, a polícia surge para interrogá-lo sobre o sumiço de sua namorada. E tudo isso, ouvimos diálogos em off ( já que não vemos as caras dos atores) narrando o que acontece da cintura pra cima. Fica claro que os atores, todos pornôs, foram dublados. Os movimentos das mãos beiram a caricatura, pois elas interpretam o que é dito. O filme foi todo rodado em 1 dia. Quanto ao plano-sequência, vendo o filme a gente consegue achar vários pontos de corte. O ator pornô Franco Trentalance interpreta (?) o protagonista. O pau dele é masturbado, boqueteado, sugado por um aspirador de pó, cagado de chocolate, ele se depila, passa creme, lubrificante. Ou seja, abusaram bastante. O filme todo tem um tom de comédia caricata italiana. O Guiness publicou que esse é o filme com maior tempo de exposição de um pênis na história do cinema. A experimentação do filme pode até ser ousada, mas faltou um bom roteiro para criar empatia e interesse do espectador. Em menos de 10 minutos tudo já vira um tédio enorme. Nota: 5
Tristeza e alegria
"Sorg og glæde/Sorrow and joy", de Nils Malmros (2013)
No ano de 1984, o Cineasta Dinamarquês Nils Malmros vivenciou uma tragédia pessoal: Sua esposa degolou a filha deles de 9 meses de idade. Com muita coragem, Nils somente agora exorcisa esse fantasma, contando a história de Johannes, um cineasta de sucesso que conhece uma professora, Signe. Apaixonados, eles se casam, mas durante o relacionamento ele vai descobrindo que ela é depressiva e auto-destrutiva. Signe ainda fantasia que seu marido está tendo um caso com uma jovem atriz dos filmes dele. O filme cronologicamente tem duas narrativas: uma atual, e outra em flashback, contando a história de Johannes e SIgne, através de um relato que ele dá para um Psiquiatra. É um filme muito forte dramaticamente, de narrativa extremamente fria, intensificando a força da história. Os dois atores principais estão excelentes, e é um filme difícil de se assistir pela natureza trágica do fato real. Mas para quem curte dramas intensos com performances admiráveis, essa é uma boa pedida. Nota: 8
De frente
"Head on", de Ana Kokkinos (1998)
Drama australiano sobre um jovem, Ari, descendente de imigrantes gregos que moram em Sidney. Ari vive em eterno conflito: por ser imigrante e não entender as tradições da cultura grega, se sentindo um peixe fora d'água,e por ser gay não assumido. Ari perambula pelo submundo, pelas ruas e travessas em busca de sexo fácil, não importa com quem, tornando-o uma pessoa destrutiva. Eu quando assisti esse filme pela primeira vez, não havia gostado, tinha achado ele esteticamente pobre, uma direção amadora, um olhar perverso e sujo sobre rejeitar a sua homossexualidade e por isso, maltratar integrantes da comunidade. Ma shoje revendo já penso diferente. O visual reproduz bem a atmosfera e a efervescência dos anos 90, com uma geração sem perspectiva, uma época pré-internet. O medo da homofobia, o medo de ser rejeitado e o medo de não saber o que fazer de sua vida. Um filme sobre um outsider que faz da sua vida o seu inferno pessoal. Poderia até dizer que é um registro histórico de sua época, e mesmo com suas imperfeições, tem o seu charme e a sua força.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Não perturbe
"Do not disturb", de Yvan Attal (2012)
Comédia dramática, refilmagem do americano "O dia da transa". O filme gira em torno de 2 amigos de longa data, Ben (Yvan Attal) e Jeff ( François Cluzet). Ben está em um relacionamento e sua mulher quer ter um filho. Jeff surge em sua casa e pede para ficar 2 dias. Jeff, incomodado com avida careta e pacata de seu melhor amigo, o convida para uma festa muito louca. Os participantes resolvem enviar vídeos pornôs para um Festival de arte pornô, e Jeff insiste que ele e Ben devem fazer um filme gay e enviar ao Festival. Dito assim, o filme promete ser uma comédia deliciosa. Só que a;i está o problema: com uma trama inusitada como essa, o ator, roteirista e diretor Yvan Attal deveria ter investido mais no humor. Mas não: ele travou e trouxe o drama e o filme menor comercial para o projeto, e ele ficou totalmente no caminho. Chato, sem ritmo, acaba cansando antes mesmo da metade do filme. Uma pena, porquê ele juntos a nata do cinema francês (Charlotte Gainsbourg, Laetitia Casta, François Cluzet, Asia Argento) e fez um filme morno que nunca decola. Mesmo na parte do filme onde propriamente dito os amigos simulam que irão transar, faltou uma mão mais divertida. Nota: 5
Baby Blues
"Baby blues", de Po-Chih Leong (2013)
Suspense chinês, que mistura as tramas de "Brinquedo assassino" e "A mão que balança o berço". Um casal se muda para uma casa. O marido é produtor musical,a esposa fotógrafa. Eles encontram entre a mudança do vizinho anterior uma misteriosa boneca e resolvem guardá-la. O que eles não esperavam é que a boneca é amaldiçoada. Clichê do início ao fim, o filme de suspense não tem nada, e os efeitos especiais são da pior qualidade. Impera a cafonice da trama e trilha sonora, além da canastrice do elenco. O filme ainda reserva o eterno clichê do velho que avisa os protagonistas para tomarem cuidado. Pena ser ruim, era uma chance do cinema chinês investir no terror. A boneca nem sequer se move. Péssimo. Nota: 2
quarta-feira, 12 de março de 2014
Irmãs diabólicas
"Sisters", de Brian de Pqlma (1973)
Mais de 20 anos depois te tê-lo visto pela 1a vez no Estação Botafogo, quando ainda era um Cineclube, é muito surpreendente rever o filme já conhecendo obras posteriores do Cineasta Brian de Palma. Aqui, nesse filme de 1973, de Palma experimentou pela 1a vez a homenagem explícita ao Mestre do suspense, Alfred Hitchcock, de quem ele emprestaria em mais de 8 filmes depois, fazendo referências e até mesmo roubando tramas. Em "Irmãs diabólicas" a referência mais clara é "Janela indiscreta". Grace é uma repórter investigativa. Um dia, de sua janela, ela avista um assassinato no apartamento do prédio da frente. Ela aciona a polícia, mas chegando lá, nada encontra. Logo ela descobre que a moradora é uma ex-siamesa, Danielle (Margott Kidder), uma modelo, que acusa sua irmã de ter matado o homem no apartamento. Porém, Dominique, a irmã, está desaparecida. Suspense em alto grau, deliciosamente datado ( direção de arte, figurino, maquiagem) mas conferindo um charme kitsch ao filme. O sangue então nem se fala: falso até não poder mais. O que eu mais adoro como linguagem no filme, é a divisão da tela em duas: o espectador presencia antes do personagem, as ações paralelas, aumentando o grau de tensão. Isso é genial! A trama é pouco crível ( nenhum morador deixaria um morador entrar em seu apto, muito menos a polícia deixaria também) , mas chega a ser tão absurda que a gente vai se envolvendo. Margot Kidder, linda antes de fazer Lois Lane de "Super-homem", era amiga de de Palma, daí a sua re;ação com o filme. Nota: 8
terça-feira, 11 de março de 2014
Descalça
"Barefoot", de Andrew Fleming (2014)
Simpática comédia romântica dirigida pelo mesmo cineasta do cult "Três formas de amar". Evan Rachel Wood, de "Aos treze" e "Charlie Countryman" interpreta Daysi, uma paciente psiquiátrica de uma clínica de reabilitação mental. Acusada de ter matado sua mãe, ela conhece o faxineiro Jay ( Scott Speedman, de "Os estranhos". Ele é a cara do Hugh Jackman!). Jay na verdade é filho de um milionário, mas foi deserdado pelo pai pelas merdas que andou aprontando. No dia do casamento do irmão, seus pais o convidam pro casamento, mas Daysi foge e ele acaba levando ela, a apresentando como sua namorada. Paralelamente, um marginal o está perseguindo, devido a dívidas contraídas com bandidos. Com bela trilha sonora e fotografia, o filme tem uma grata surpresa em Evan Rachel Wood: ela interpreta com louvor a mocinha romântica e atrapalhada, meio Cinderela. Ela está uma graça. Scott também se mostra um bom galã, e o elenco de apoio, encabeçado pelo eterno coadjuvante J.K Simmons ( de "O homem -aranha"), diz ao que veio. O Único porém é uma dispensável trama policial, que arrasta o filme lá pelo meio e final. Nota: 6
Todos os dias
"Everyday", de Michael Winterbottom (2013)
Puta que o pariu, que filme lindo! Usando o seu habitual estilo documental, Winterbottom aproveitou um projeto que falava sobre vida carcerária e resolveu montar esse projeto ficcional de forte carga emotiva. Filmado durante 5 anos, sendo 2 emanas por ano, num total de 10 semanas, Winterbottom acompanha as vidas destruídas de Ian, um pai encarcerado, e Karen, sua esposa, que tem 2 trabalhos, 4 filhos pequenos e muita garra e determinação para manter a família unida. Durante os 5 anos, as crianças crescem, a saudades vai minimizando e as vidas vão se deixando consumir pelo tempo. Aliás, esse é o tema principal do filme. O tempo como elemento de união ou destruição, da saudade e do esquecimento, do crescimento físico ( das próprias 4 cranças, as mesmas durante todo o processo do filme) até psicológico ( interessante ver como o temperamento das crianças vai mudando com o tempo). Através das atuações extraordinárias de Shirlei Henderson e John Simm, além das 4 crianças, o filme tem um forte elemento emocional que me deixou muito transtornado. Chorei, sofri, senti a dôr intensa dos personagens pelo isolamento e solidão, as oportunidades que os personagens possuem diante de suas vidas miseráveis. Como eu amo essa espontaneidade na forma de filmar de Winterbottom, captando momentos antológicos dos choros das crianças, embalados pela trilha magistral de Michael Nyman. A fotografia, os planos da natureza como link para passagem do tempo, que maravilha! Absolutamente imperdível. Nota: 10
domingo, 9 de março de 2014
Hélio
"Helium", de Anders Walter (2013)
Triste fábula Dinamarquesa sobre a aceitação da morte, vencedor do Oscar de curta-metragem 2014. Enzo é um menino em estado terminal, internado em um hospital. Alfred é um faxineiro do hospital, que vê no menino a chance de se despedir de seu irmão pequeno que faleceu a tempos. Alfred aproveita a paixão de Enzo por balões e conta a história de Hélio, um mundo onde Enzo pode realizar suas fantasias. Lírico, poético, com bela trilha sonora, excelente fotografia e brilhante uso de efeitos de computação gráfica. Os dois atores estão muito bem em seus papéis, e impressiona o talento do menino Casper Crumb. Acho inclusive o filme extremamente apelativo no sentido de querer emocionar o espectador a qualquer preço, mas o produto final vale a pieguice. Nota: 8
sábado, 8 de março de 2014
O homem voador
"The flying man", de Marcus Alqueres (2013)
Ótimo curta de ação, dirigido por um efeitista visual americano, Marcus Alqueres, que fez entre outros filmes, "300". A história gira em torno de um super-herói misterioso, que surge no mundo real, matando criminosos e gerando discussões acerca da pena de morte e de quem é a responsabilidade de manter as ruas limpas de marginais. Paralelamente, temos a história de uma dupla de traficantes de armas que estão prestes a fazer uma transação. Inteligente e com direção precisa, que em menos de 10 minutos, narra uma brilhante história. Assim que eu gosto, filmes concisos. Odeio aqueles curtas de 20 minutos ou mais que parecem intermináveis. Curta é para narrar uma idéia, e não um sonho frustrado de contar em pouco tempo o roteiro de um longa. Aliás, li numa matéria que nessa breve apresentação desse curta, os produtores já estão pensando em um longa. Seja bem-vindo. Nota: 9
quinta-feira, 6 de março de 2014
Ninfomaníaca : Volume 2
"Nymphomaniac: Volume 2", de Lars Von Trier (2013)
Na boa, esqueçam o Volume 1. Com exceção da cena antológica com Uma Thurman, todo o volume 1 foi para mim bastante frustrante. Mas vendo o Volume 2, me redimi completamente. Que porrada! O primeiro investia no humor. Aqui, é so pancadaria. Sadomasoquismo e violência ao extremo. Em alguns momentos, me vi assistindo ao "Paixão de Cristo", do Mel Gibson, com aquelas cenas hiper-violentas de chicoteadas arrancando pele e vísceras. Aqui, Joe ( Charlotte Gainsbourg), não satisfeita com o sexo tradicional, cai de cara no mundo underground do sadomasoquismo e bondage. Chicotadas, porradas, socos, fistfucking, golden shower, vale-tudo nesse mundo sombrio. Tenho ceretza de que muita gente vai fechar os olhos e achar tudo repulsivo e odioso. Lars Von Trier retoma o tema da misoginia em seus filmes. Agredido pela crítica e público pelo ódio demonstrado aos personagens femininos de seus filmes, aqui ele abusa. Charlotte Gainsburg dá vida a um personagem que vai ao extremo. Realmente, tenho que tirar meu chapéu para ela. Nào existe atriz no mundo que vá a fundo como ela: ela faz sexo oral em pênis ereto, transa com mulher, mostra close de sua vagina, fica nua sem pudor algum, se masturba de verdade. É muito foda! Tem uma cena antológica no filme: uma discussão entre 2 africanos nus e de penis eretos, com o rosto de Joe entediada. Outro momento marcante: uma retomada do prólogo de "Anticristo", inclusive Trier usa a mesma música na trilha. Para quem ficou aflito no filme anterior, esse aqui será repetição da dose. O início é chato, com aquele discurso chato de Seligman (Stellan Skarsgård) , falando de religião, matemática, etc. Mas depois o filme engrena. Não é para qualquer um esse filme. É punk mesmo! Nota: 7
quarta-feira, 5 de março de 2014
Quando eu era sombrio
"I used to be darker", de Matthew Porterfield (2013)
Produção independente americana, exibida em Sundance e Festival de Berlin 2013. O filme me remeteu bastante ao excelente "Alabama Monroe", por falar de assuntos comuns: relacionamento doloroso, separação, gravidez, protagonistas cantores e principalmente, músicas que vão costurando o filme e narrando a dôr dos personagens. Nesse drama intimista, acompanhamos 4 personagens: Taryn, uma jovem irlandesa que foge para os Estados Unidos por causa de um relacionamento que acaba terminando e tendo como saldo uma gravidez indesejada. Ela se refugia na casa da tia, que acaba de se separar de seu marido. A tia é cantora, e o ex-marido dela largou a música para viver uma profissão burocrática. Os Tios têm uma filha, Abby, aspirante a atriz. Juntos, os 4 personagens se identificam em sua dor, e não conseguem se suportar. Bela direção em filme minimalista, que flui lento, diálogos inspirados e ótimos atores. Nota: 7
Devorado
"Devoured", de Greg Oliver (2012)
Ótimo drama psicológico, com um desfecho surpreendente. A narrativa segue o clássico de Polanski, "Repulsa ao sexo": claustofobia e uma atmosfera de constante tensão. Lurdes é uma imigrante mexicana que vai para Nova York trabalhar e juntar dinheiro para a operação de seu filho de 10 anos. Trabalhando num restaurante, ela é maltratada pela Gerente e pelo cozinheiro, que tenta seduzi-la a todo custo. É um filme de baixo orçamento, porém com um bom roteiro, que prende a atenção do espectador do início ao fim. Muito do sucesso do filme se deve ao trabalho da atriz Marta Milans, convincente no papel da mãe desesperada. A fotografia desenha com perfeição o tom assustador da narrativa. Muitas referências cinematográficas, entre elas, "O iluminado", na cena do freezer. Nota: 7
terça-feira, 4 de março de 2014
O show de horrores de Penny Dreadful
"The Penny Dreadful picture show", de Nick Everhart, Leigh Scott, Eliza Swenson (2013)
Na tradição dos filmes "Creep show", esse "Penny Dreadful" é uma coletânea de 3 curtas de terror, costurados com a história de Penny Dreadful, a mestre de cerimônias do filme. Penny se encontra em um cinema desativado, e junto de seus asseclas, um zumbi e um lobisomem, ela aguarda os convidados pra sessão de cinema. Entre um convidado e outro, um curta surge. No 1o, chamado "Slash in a box", um casal ganha uma caixa de palhaço. O que eles não esperavam é que a caixa está viva. O 2o curta se chama The morning after". Uma jovem acorda estranha e tem q sensação que algo muito ruim lhe aconteceu na noite anterior. No 3o, " The slaughter house", é feita uma homenagem ao longa "A casa dos 100 corpos", de Rob Zombie, que por sua vez, já era uma homenagem a "O massacre da serra elétrica", aqui também reverenciada. Como era de se esperar, o filme não é para ser levado a sério. O que impera é o humor negro, e o terror passou bem longe. Para uma produção de baixo orçamento, até que gastaram uma grana boa. O 2o
é um filme de época, e o terceiro, tem um elenco grande e produção caprichada. O elenco está ok para esse tipo de produção, num tom que leva ao chanchadesco, afinal, tudo é uma grande paródia. A destacar no último episódio as participações especiais de Sid Haid ( do filme de Rob Zombie) e Jeffrey Combs, do clássico "Re-animator". Vale como curiosidade. Nota: 5
Vidas ao vento
"Kaze tachinu", de Hayao Miyazaki (2013)
A mais recente produção de Miyazaki e dos Estúdios Ghibli pode ser também a última do Mestre da animação. Durante coletiva no Festival de Veneza, onde o filme concorreu, o Cineasta afirmou que não iria mais fazer filmes. Guardando as devidas proporções, para mim, é como se Woody Allen resolvesse não filmar mais. Uma grande perda. Nesse filme, Miyazaki se baseia na história real do designer de aviões Jiro Horikoshi. Desde criança, Jiro sempre quiz ser piloto de avião. Mas devido à sua miopia, ele não pode realizar esse desejo. Durante um sonho, no qual ele se imagina em conversa com o designer italiano Caproni, ele tem a idéia de seguir a carreira do italiano. Anos depois, já crescido, Jiro vai trabalhar em uma empresa de aviação, durante a recessão econômica japonesa no período entre as 2 grandes guerras, anos 30. Acidentalmente, dentro de um trem , ele conhece Naoko, mas um terremoto irá separar suas vidas. Anos depois ele a reencontra, mas descobre que ela é tuberculosa. Ao mesmo tempo, ele precisa projetar aviões que servirão ao governo japonês lutar na 2a guerra. Diferente de seus outros filmes onde ele se baseia no Universo fantástico, aqui Hayao se baseia nos sonhos de seu protagonista para poder criar o lúdico perante uma realidade violenta e cruel. Os seus traços são lindos, poéticos ao extremo. A neve que cai, as nuvens que passam, os raios de sol, e principalmente, o vento que guia os seus personagens, tudo é de uma beleza absurda. A trilha sonora de Joe Hisaishi se utliza de referências italianas para dar vida a um mundo romantizado. Chorei rios durante o filme, emocionante ao extremo. Como todos os filmes de Miyazaki, esse também é longo, são mais de 2 horas e duração. Lá pelo meio existe uma "barriga", mais para ilustrar com didatismo a vida de Jiro e seu percurso como homem forte dentro da aviação servindo ao governo japonês. Uma cena antológica: Jiro indo atrás do guarda-sol de Naoko. Me lembrou bastante Marcello Mastroiani em "Olhos negros". Imperdível. Nota: 9
Upstream Color
"Upstream Color", de Shane Carrut (2013)
Carruth , em seu 2o longa, que estreou em Sundance 2013, é um Cineasta incensado pela crítica pela sua abordagem original ao mesclar gêneros como drama, mistério, ficção científica e romance. Numa atmosfera de fantasia e conto fantástico, ele narra a bizarra história de um ladrão que sequestra uma jovem publicitária, Kris, e a obriga a tomar um comprimido que possui uma larva viva em seu interior. Essa larva hipnotiza Kris e a faz obedecer a todos os comandos do ladrão. Após retirar todos os pertences dela, ele a abandona. Kris acorda no dia seguinte, e se recorda vagamente que esteve em uma fazenda de criação de porcos, e lá o fazendeiro retirou a larva fazendo uma transfusão em um porco. Ela acaba sendo demitida e descobre que não tem mais nenhum bem material. 1 ano depois, ela conhece Jeff, e descobrem juntos que passaram pela mesma experiência. Dito assim, parece uma história bem narrada. Mas não: o cineasta Shane Carruth, que é ator e interpreta Jeff, cria uma fábula hermética que faria David Lynch se orgulhar imensamente dele. O melhor é ver ao filme se entregando às sensações que ele provoca, por conta de sua belíssima fotografia e trilha sonora etérea. É uma viagem mística, que casa espectador tentará desvendar e provavelmente cada um terá sua teoria. O ritmo é lento, qual um filme de Terrence Malick, mas surpreende pela sua ousadia narrativa. Para cinéfilos que buscam um entretenimento adulto e ávidos por novas narrativas. Nota: 7
segunda-feira, 3 de março de 2014
E chamam isso de Verão
"E la chiamano estate/And they call it summer", de Paolo Franchi (2012)
Vencedor dos prêmios de Melhor diretor e de melhor atriz para Isabella Ferrari no Festival de Roma 2012, esse filme é a versão italiana de "Shame". Anna e Dino formam um casal bem-sucedido. Ricos, bonitos. Para os amigos, um casal feliz. Mas na intimidade, os dois não fazem mais sexo. Se amam, mas a aproximação de seus corpos os repele. Infelizes, buscam o sexo fora de casa. Dino transa com putas, vai em casas de swings. Anna reencontra um caso antigo. Dino resolve procurar um ex-namorado de Anna para que ela se envolva com ele e dessa forma volte a fazer sexo e a se relacionar com alguém. Curiosa a trajetória do ator francês Jean Marc Baar. Ele surgiu ainda no final dos anos 80, com "Imensidão azul" e depois "Europa", de Lars Von Trier. Recentemente, ele se tornou cineasta e resolveu investir no cinema erótico. Todos os seus filmes têm um apelo forte de sexo, e em "Crônica sexual de uma família francesa", ele investe pesado no sexo explícito. Aqui em "E chamam isso de verão", tem umas rápidas cenas explícitas numa casa de swing. Nudez o tempo todo. Mas essa exposição ao erótico não tira a força dramática do filme. Melancólico, depressivo, é um filme que mexe com a cabeça do espectador. Qual a razão do relacionamento não funcionar? Porque um casal tão aparentemente feliz, não se permite amar? A fotografia, a cargo de Vincenzo Carpineta, é um deslumbre de tão bonita. Os planos, enquadramentos, tudo glamuroso e sofisticado. Ao final das contas, é um filme bem triste. Não recomendado para casais em momento delicado da relação. Nota: 7
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