domingo, 13 de setembro de 2026

Love kills

"Love kills", de Luiza Shelling Tubaldini (2025) Adaptação da graphic novel de Danilo Beyruth, "Love kills" é a 2a obra de Danilo levado às telas: em 2017, "Motorrad", dirigido por Vicente Amorim, foi produzido por Luiza Schelling, que agora dirige o filme de vampiros. Muitos críticos compararam o filme a saga "Crepúsculo" e não é para menos: a história de amor entre uma vampira e um humano; guerra entre clãs de vampiros. Aqui, a fotografia de Jacob Solitrenick e a direção de arte de Claudia Andrade. "Love kills" levou o prêmio de melhor som no Fetsival do Rio 2025. Em São Paulo, Helena (Thais Lago) é uma vampira que vaga pela noite decadente da cidade, em busca de suas vítimas. Seu caminho se cruza com o do garçon Marcos (Gabriel Stauffer), e. aos poucos, ele vai conhecendo o mundo trágico dela. Os atores estão bem à vontade no universo fantástico do filme, incluindo Erom Cordeiro e Marat Descartes, entre os destaques. A parte técnica do filme chama a atenção pelo forma como consegue conduzir as necessidades da trama, sem ficar devendo aos similares de de proporção menor americanos.

Ana, en passant

"Ana, en passant", de Fernanda Salgado (2026) Escrito e dirigido por Fernanda Salgado, "Ana, en passant" é uma animação brasileira que concorreu na Mostra principal do Festival de cinema de Brasília 2026. Co-produzido por Brasil, França e Portugal, traz diversas técnicas de animação, incluindo a rotoscopia. No elenco, veteranos como Zezé Motta (Vó Alice) e Carlos Francisco (André, o carteiro) contracenam com Jéssica Pierina, que interpreta 2 personagens: Ane e Alice. Ana nasceu em Paris, quando a sua avó Alice, mineira, após ficar vúva, decidir se mudar para lá. Quando sua avó morre, Ana recebe uma carta incluindo uma carta e uma chave do apartamento que sua avó moorou no bairro de Floresta, Belo Horizonte. Ana decide passar um tempo em Belo Horizonte, e conhecer mais sobre a sua família. Ao chegar no apartamento, ela conhece Alice, atual inquilina, que está grávida. Um filme primoroso em todos os quesitos técnicos: roteiro, trilha, arte, mixagem, fotografia. O ritmo é lento, mas ainda assim tem conteúdo o suficiente para manter o espectador atento e curioso para saber mais sobre a herança cultural e busca de ertencimento de Ana.

Irkalla Gilgamesh's Dream

"Irkalla Gilgamesh's Dream", de Mohamed Al Daradji (2025) Co-escrito e dirigido por Mohamed Al Daradji, "Irkalla Gilgamesh's Dream" é um premiado drama co-produzido por Iraque, Estados árabes, Qatar, França, Arábia Saudita e Reino Unido. Rodado em Bagdá, Iraque, o filme traz drama e fantasia pelo olhar de um menino de 9 anos, Chum-Chum (Youssef Husham Al-Thahabi. O filme acontece em 2019, durante as rebeliões da população contra o governo corrupto. Muitos civis foram mortos, incluindo os pais de Chum Chum. Ele mora na beira do rio, com outras crianças órfãs, catando lixo. Seu melhor amigo é Moody (Hussein Raad Zuwayr), um adolescente que sonha em migrar para a Holanda. eviver de música. Chum Chum acredita que seis pais estão em Irkalla, e fantasia que está nesse mundo paralelo. Enquanto isso, Moody acaba sendo aliciado pela milícia. Gilgamesh foi um rei histórico da cidade-estado de Uruk, na antiga Mesopotâmia, que se tornou o protagonista da Epopeia de Gilgamesh, e a população acredita que se tornou uma divindade. O filme concorreu em Locarno Film Festival 3m 2025 e ganhou o prêmio de melhor filme no 2025 Nominee Audience Award Festival International du Film pour l'Enfance et la Jeunesse de Sousse. Me lembrei de "Vá e veja", obra-prima de Elim Klimov, sobre uma guerra pelo olhar da criança. Não é tão violento quanto o filme russo, mas ainda assim, traz um olhar bastante cruel. Os dois meninos são muito bons, e o espectador torce por eles o tempo todo.

This is Not a Coming Out Story

"This is Not a Coming Out Story", de Marco Félix Ebreu (2022) Escrito e dirigido por Marco Félix Ebreu, "This is Not a Coming Out Story" é uma divertida comédia dramática queer coming of age. Premiado como melhor roteiro no CineMapúa International Student Short Film Festival, o filme conta com ótimas performances do elenco: todos personagens críveis e totalmente identificáveis por qualquer jovem queer. Dino (AJ Sison) acaba de se mudar para o seu primeiro apartamento, onde finalmente, poderá desfrutar de sua independência. É também a deixa para estar longe de seus pais e poder viver a sua vida como sempre quiz: ser gay sem cobranças e mentiras. Dino trabalha home office e imediatamente utiliza o Tinder, onde conhece Vince, um morador do mesmo prédio. Eles combinam de se ver de noite. Dino se arrurma, mas inesperadamente, seus pais o visitam para inspecionar o apartamento e ver como o filho está. O que Dino não poderia esperar, era que Vince batesse na sua porta no momento do jantar com seus pais. Divertido, com diálogos deliciosos, alternando drama e humor, "This is not a coming out story" termina como todo espectador espera: um happy end romântico.

The missing

"Iti Mapukpukaw", de Carl Joseph Papa (2023) "Iti mapukpukaw", Carl Joseph papa (2023) Animação filipina toda realizada em rotoscopia (filmado com atores em fundo verde e retrabalhada depois na pós), "The missing" concorreu no Festival de Annecy e foi indicado pelas Filipinas para uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2025. O filme é um drama fantasioso que me lembrou bastante "Mistérios da carne", de Greg Araki, com história praticamente semelhante. Em ambos os filmes, uma criança é abusada sexualmente por um adulto (aqui, o tio de Eric) e a criança começa a fantasiar que está sendo abduzida por um alienígena. Eric, agora já adulto, trabalha como animador, e ele não tem boca ( o trauma do passado o deixou mudo, e sua mãe, Rosalinda (Dolly de Leon, de "Triângulo das tristezas") não faz idéia do estupro que o filho sofreu. Ele começa a namorar um colega de trabalho, Carlos. Quando Rosalinda, que trabalha em outro país, pede que Eric vá visitar seu tio, que não respondeu mais às mensagens de Rosalinda, ele decide ir, junto de Carlos. Para surpresa dos dois rapazes, o tio de Eric está morto. Essa é a deixa para que os traumas do passado novamente retornem à vida de Eric, e a chegada de uma nave espacial querendo abduzi-lo novamente. O filme tem uma premissa interessante, mesmo que já vista no filme de Araki, e a animação é muito boa, com traços mais infantilizados ao represnetar o passado. Mas o roteiro de Carl Joseph papa insiste em trazer experimentações na trama, o que o torna bastante confuso.

sábado, 12 de setembro de 2026

Kaede- Nossas estrelas ecoantes

"Kaede", de Isao Yukisada (2025) Emocionante drama romântico japonês, "Kaede- Nossas estrelas ecoantes" teve como inspiração a música pop de grande sucesso "Kaede", lançada em 1998 pela banda japonesa Spitz. O filme tem um arco dramático dividido em 3 atos bem distintos, tendo como base a história do jovem casal Kei (Sôta Fukushi) e Ako(Haruka Fukuhara). Ele é astrônomo, e durante uma viagem do casal até a Nova Zelândia, eles sofrem um acidente de carro. Kei morre, e Ako entra em coma. Quando ela acorda, ela encontra o irmão gêmero de Kei, Isao Yukisada, um fotógrafo, que comovido com Ako, se faz passar pelo irmão morto. Aos poucos, Isao passa a sentir sentimentos por Ako. No 1o ato, o espectador conhece Kei e acontece o acidente. O irmão de faz passar por ele, sem que Ako descubra a troca. No 2o ato, Ako descobre a troca e o filme vai para um flashback, para quando ela acorda do coma, e acontece um plot twist No 3o ato, o filme acompanha o grande conflito entre Isao e Ako Fãs de romance certamente irão se apaixonar, torcer pelos personagens e chorar bastante. Tudo favorece o encantamento e a forte melancolia: a fotografia, as belas locações em ambos os países, e principalmente, o grande carisma do elenco.

Third world romance

"Third world romance", de Dwein Baltazar (2023) Co-escrito e dirigido por Dwein Baltazar, "Third world romance" é um premiado drama romântico filipino. A parte dramática do roteiro investe bastante na questão sócio econômica de seus personagens, trazendo realismo aos temas do desemprego e do abuso de poder do chefe dos personagens. Durante a pandemia da Covid, boa parte da população está desempregada e sem condições de pagar as suas dívidas. Britney (Charlie Dizon) é uma jovem que tenta pegar um kit de ajuda do governo, mas a fila é enorme e a chuva vem intensa. Para se proteger, ela se enfia debaixo do primeiro guarda chuvas. É assim que ela conhece Alvin (Carlo Aquino), um empacotador de supermercado, que decide ajudar Britney a ser empregada na empresa em que trabalha como caixa. Enquanto Alvin abaixa a cabeça para todos os pedidos abusivos de seu empregador, Britney, mesmo precisando do emprego, decide enfretá-lo, e também, fazer Alvin entender de seus direitos. Um belo filme, com personagens carismáticos e atores que trazem camadas de emoções. ALiando romance e drama social, "Third world romance" já deixa claro em seu título a sua proposta de provocação.

High art- Retratos sublimes

"High art", de Lisa Cholodenko (1998) Escrito e dirigido por Lisa Cholodenko, "High art- Retratos sublimes " é um premiado drama lésbico independente. Ganhou o prêmio de melhor roteiro em Sundance 1998. O filme faz parte do catálogo da prestigiada Critterion collection. O elenco é formado por um trio de fortes atrizes: Rhada Mitchell, Ally Sheedy e Patricia Clarkson. Ally Sheedy é conhecida do grande publico pelo seu papel da adolescente gótica Allison em "O clube dos cinco", de John Hughes. Syd (Mitchell) é estagiária de uma revista de fotografias, Frame. Syd mora com seu namorado James. Um vazamento no seu teto a faz procurar a vizinha do andar de cima. Lucy (Sheedy) é uma fotógrafa famosa, atualmente aposentada precocemente, que mora com sua namorada alemã, a viciada em heroína Gretha (Clarkson). Syd acaba se interessando em Lucy e ambas acabam namorado. Sem saber da fama de Lucy, Syd propõe que a revista a contrate para uma série de fotos. O filme não tem nada de romântico: apresenta vidas destrutivas, sem glamour, regado à depressão, vícios, romances tóxicos. ötimas performances do elenco, em uma narrativa crua e realista.

O reflexo do Mal

"The reflecting skin", de Philp Ridley (1990) Existem filmes que, mesmo vistos há décadas atrás, marcam na memória de forma consistente. "O reflexo do mal" é um desses filmes. Lançado em 1990, o assisti no Fetsival do Rio e unca mais esqueci da fotografia espetacular de Dick Pope, retratando as locações de Alberta, Canadá, com cores que realçam a plantação de trigo, mas dando um tom de terror gótico. A trilha sonora de Nick Birat, o roteiro imprevisível, os personagens assustadores e ameaçadores, a constante presença de um mal que paira por sobre todos. "O reflexo do mal" é uma obra prima infelizmente pouco vista, e que certamente, merecia um reconhecimento, mesmo que tardio. O filma lida com temas muito diversos, mas que unidos, pelo ponto de vista de uma criança nos anos 50 de uma área rual americana, fazem total sentido, pela sua incocência e maldade interior: vampirismo, misoginia, homofobia, p3d0f1l14, abusos, etarismo. O filme recebeu os prêmios de melhor filme em Locarno e de melhor atriz e fotografia em Stiges, O mais impressionante é que é o filme de estréia do roteirista e diretor britânico Philip Ridley, em total controle da narrativa. Jeremy Cooper interpreta Seth Dove, uma criança imaginativa que vive nas pradarias americanas da década de 1950. Ele passa a acreditar que uma misteriosa viúva inglesa chamada Dolphin Blue (Lindsay Duncan) deve ser uma vampira, com base no que seu pai, Luke (Duncan Fraser), lhe contou. Seth fica alarmado quando seu irmão mais velho, Cameron (Viggo Mortensen), um veterano do exército, se apaixona pela viúva.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A pele morta

"A pele morta", de Denise Moraes e Bruno Fatumbi Torres (2026) Longa de abertura do 59o Fetsival de cinema de Brasília, "A pele morta" teve a sua filmagem adiada com o falecimento do cineasta Geraldo Moraes em 2017. O projeto foi desenvolvido a 6 mãos: além de Geraldo, a sua esposa, a produtora de cinema baiana Solange Moraes e o roteirista Daniel Tavares. Sol convidou os filhos de Geraldo, Bruno e Denise Torres, para dirigirem o filme. O longa foi rodado no Mato Grosso/Dourados e no Paraguai. A história do grupo de rap Brô MC´s, composto por quatro indígenas Guarani Kaiowá, foi inspiração para o projeto. O título, "A pele morta", é explicada pelo personagem de Justo (César Troncoso), um motorista uruguaio, residente no Brasil: quando a cascavel troca de pele, ela seca e fica pendurada na cauda, e o acúmulo dessas peles mortas, que são pele morta, provoca o som de guizo. Justo convida Saulo (Luan Iturve), um jovem rapper indígena, a ser seu assistente, transportando mudanças no caminhao na fronteira Brasil e Paraguai. No caminho, eles dão carona à jovem Rosário (Ivana Gomez), adolescente que está em busca da sua irmã na cidade de Filadélfia, Paraguai. O filme se apropria da narrativa do road movie para trazer um encontro de almas desesperançadas. O ritmo do filme é bem lento e contemplativo. Os atores estão ótimos, compond tipos brutos e melancólicos. No entanto, a grande estrela do filme é a fotografia do mestre Antonio Luiz Mendes, morto aos 74 anos de Covid em 2021. Uma fotografia que explora as cores naturais das locações, extraindo beleza e poesia aonde se encontra tristeza.

Rose

"Rose", de Markus Schleinzer (2026) Prêmio de melhor performance no Festival de Berlim 2026 para a atriz alemã Sandra Huller (de "Anatomia de um crime" e "Devoradores de estrelas"), "Rose" é um drama de época trágico e cruel, sobre o destino abusivo e violento contra as mulheres. O roteiro, co-escrito pelo cineasta Markus Schleinzer, foi baseado em numerosos relatos documentados de mulheres disfarçadas de homens ao longo da história europeia. Não teve como eu não me lembrar do clássico dirigido e protagonizado por Barbra Streisand, "Yentl". Mas em "Rose", a tragédia é inevitável. No terceiro ato, um juiz interroga Rose ( um ato que faz lembrar "O Martírio de Jona D'arc", de Dryer), Rose é questionada: "Porque você se vestiu de homem?". Rose responde: "Vestir calça me dá mais liberdade. E é apenas um pedaço de pano." Através de um visual hipnotizante, reconstituição de época (o filme se passa no século XVII, em um vilarejo alemão de protestantes) impecável e uma fotografia em preto e branco densa de Gerald Kerkletz, "Rose" é o indicado pela Áustria à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. Durante a Guerra dos 30 anos (teve como motivação inicial as diferenças religiosas existentes entre cristãos católicos e protestante), um soldado surge em um vilarejo, afirmando ser o herdeiro de uma antiga propriedade. Após a comprovação dos documentos, o soldado reconstrói a casa e cuida das terras, cuidando de apicultura. Querendo ampliar suas terras, o soldado deseja comprar terras do vizinho, que concorda, contanto que ele se case com sua filha mais velha, Suzanna (Caro Braun), que é dada como moeda de troca. Os desmembramentos do roteiro me deixaram arrasado emocionalmente, e o filme deixa um lembrete sofre a tragedia que abate as mulheres desde sempre. A performance de todo o elenco é espetacular, e a maquiagem de efeitos, que reconstrói o rosto de Sandra Huller, é muito boa. O ritmo é lento e contemplativo, deixando a tragédia se abatendo aos poucos.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Stone turtle

"Stone turtle", de Ming Jin Woo (2022) Co-escrito e dirigido pelo cineasta malásio Ming Jin Woo, 'Stone turtle" recebeu 2 prêmios no Fantasporto 2023: Prêmio Especial do Júri da Seção Orient Express e rêmio Internacional de Melhor Filme Fantástico. Venceu também o Fipresci no Fetsival de Locarno 2022. Todado na ilha de Terengganu, Malasia, o filme é uma co-produção Malásia e Indonésia. O prólogo inicial é brutal: uma jovem serve chá para seus pais, até que é apedrejada até a morte pelo pai, que diz que ela desonrou o nome da família. Sua irmã, Zahara (Asmara Abigail), e a filha pequena da morta testemunham o crime. Dez anos depois, Zahara e a menina, Nika (Samara Kenzo), moram refugiadas em uma ilha. Zahara ganha a vida com o comércio ilegal de ovos de tartaruga. Determinada a matricular Nika em uma escola no continente, Zahara vai até lá de canoa, mas encontra resistência constante por parte do funcionário, que exige documentos, que elas não têm. Um dia, surge um homem, Samad (Bront Palarae), que diz à Zahara estar em busca de couro de tartaruga. O filme segue em time loop, onde o encontro de Zahara e Samad se repete. O roteiro é confuso, e li em algumas matérias que se trata de um manifesto feminista sobre vingança contra abusos praticados por homens tóxicos. Fiquei perdido na narraiva. O filme traz lindas imagens captadas pela fotografia de Kong Pahurak, rodada em locações paradisíacas. Mas não consegui me envolver na história.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Hombres integros

"Hombres integros", de Alejandro Andrade (2024) Co-escrito e dirigido por Alejandro Andrade, "Hombres íntegros" é um thriller queer mexicano, co-produzido por México, Espanha e França. Rodado na cidade do México, o filme recebeu prêmios em diversos festivais. A trama traz elementos dramatúrgicos já conhecidos do grande público: estudantes da alta elite que cometem um crime, e por intermédio dos pais poderosos envolvidos com políticos e polícia, conseguem dar a volta por cima. Por trás de uma trama de crime sem castigo, está o jovem protagonista Alf (Andres Revo). Filho de um casal influente e rico: o pai candidato a governador, e mãe uma dona de casa traída. Alf tem um grupo de 3 amigos com que divide as farras. Quando Alf conhece Oliver (Joaquín Emanuel), ele sente uma atração que revela a sua homossexualidade reprimida. Mas ao sair com seus amigos, eles convidam a prima de Oliver para uma farra que acaba em tragédia. Masculinidade tóxica, homofobia, misoginia. O universo retratado na escola de elite não é novidade para ninguém. Ricos, bonitos, brancos, arrogantes. O mundo para esses jovens foi todo dado de bandeja pelos seus pais. Desde "O jovem Torless", de Volker Schoendorf, dos anos 60, o retrato do abuso moral, psicológico e s3xu4l nas escolas de ricos caminham quase sempre por um desfecho sem castigo. Para quem gosta de assistir filmes admirando a beleza do elenco, esse filme é uma ótima pedida.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Hoard

"Hoard", de Luna Carmoon (2023) Escrito e dirigido por Luna Carmoon, "Hoard" é seu filme de estréia. O filme recebeu 4 prêmios no Festival de Veneza 2023: Vencedor do Prêmio de Autores com Menos de 40 Anos de 2023, prêmio de filme inovador, Prêmio do Público do Clube de Cinema e Grande Prêmio da Semana Internacional da Crítica de Veneza. O elenco traz a excelente atriz Hailey Squire ( de "Eu, Daniel Blake") no papel de Cynthia, mãe da pequena Maria (Lily-Beau Leach), e Jonathan Quinn, o Eddie de 'Stranger things". Na fase adolescente, Maria é interpretada por Saura Lightfoot-Leon. O filme retrata doenças mentais e compulsões. Cynthia mora sozinha com sua filha de 8 anos, Maria. Cynthia é compulsiva por catar lixo e levar objetos para casa, repleta de quinquilahrias e acumulações. Ela obriga Maria a catar o lixo toda noite com ela. A casa acaba ficando infestada de ratos. Maria sofre bullying de professoras e colegas, e é uma menina solitária. Quando sua mãe sofreum acidente em casa ( uma pilha de objetos caem sobre ela), a menina acaba sendo enviada para uma família adotiva. 10 anos depois, Maria mora com Michelle, sua mãe adotiva. Michael (Quinn) filho adotivo de Michelle e ex-detento, vai ficar por um tempo na casa, enquanto decide aonde ficar. Ele namora uma jovem, que está grávida. A compulsão de Maria por lixo atrai Michael, e ambos passam a se relacionar. Não me envolvi muito com a ahistória do filme. O que me atraiu, são as performances: as duas atrizes que interpretam Maria são incríveis, e Hailey Squire mantém a mesma força em performances de mãe coragem.

Cain at Abel

"Cain at Abel", de Lino Brocka (1982) Lino Brocka foi um dos grandes nomes do cinema filipino. Realizador dos clássicos "Macho dancer", "Insiang", "Bona", "Manila nas Garras de Néon", entre outros. Com "Cain at Abel", Brocka adapta a bíblica história de Caim e Abel para os dias de hoje. O filme me fez lembrar da obra-prima de Elia Kazan, "Vidas amargas". A premissa inicial é muito semelhante: dois irmãos disputam a atenção da matriarca, dona de terras e de uma fazenda. Lorenzo (Phillip Salvador) é o irmão mais velho, casado com Becky (Pina Delgado), e pais de 2 crianças. Mas o filho preferido de Senhora Pina (Mona Lisa) é Ellis (Christopher De Leon). Lorenzo teve que largar os estudos para cuidar da fazenda, enquanto Ellis foi estudar na capital. Quando Ellis retorna para a fazenda, acompanhado de sua esposa grávida Zita (Carmi Martin), os irmãos passam a se estranhar e disputar a heraça das terras. A empregada da família, Rina (Cecille Castillo) carrega o filho de Ellis que a engravidou antes de estudar na faculdade. Os filmes de Brocka geralmente envolvem tramas de violência circundando um nucleo familiar. Aqui não poderia ser diferente, e obviamente, termina em tragédia. Um ótimo filme repleto de traições e mulheres fortes, que sucumbe à uma sociedade machista e patriarcal.

Some rain must fall

"Kong fang jian li de nv ren", de Escrito e dirigido por Qiu Yang, 'Some rain must fall" é uma co-produção China, Estados Unidos, Singapura e França. O filme foi rodado em aspetc ration de 4:3, com fotografia da alemã Constanze Schmitt. "Some rain must fall" é um drama intimista e alegórico sobre os conflitos psicológicos de uma mulher de meia idade idade. O filme concorreu em Tribeca, onde saiu com os pr6emios de fotografia e de drama. No Festival de Berlim 2024, saiu com o Winner Encounters Award - Special Jury Prize. Cai (Yu Aier) é uma dona de casa, casada e mãe de uma adolescente. Cai está em processo de divórcio. Além disso, não consegue se comunicar direito com sua filha. Sua mãe está doente. Quando vai visitar a filha no colégio durante um torneio esportivo, Cai, atormentada por muitos problemas, acaba provocando um acidente, ond euma idosa sai ferida e é internada. O filme tem uma narrativa complexa e confusa, alternando presente e passado. Estilizado e com uma fotografia que me lembrou filmes de Wong Kar Wai, 'Some rain must fall" não é m filme fácil de acompanhar. Ritmo lento, minimalista e personagens áridos.

Canelones

"Canelones", de Christian Basilis e Ana Gussoni (2026) Comédia de humor ácido argentina, inspirada em conto de Hernán Caciari. O filme tem um prólogo que começa em 1987: dois amigos adolescentes, moradores de Mercedes, província de Bueos Aires, se divertem. Hernan e Chiri costumam fazer trotes, fazendo ligações aleatórias. Hernán liga para uma mulher, e diz ser seu filho. Ele descobre que o filho dela, Daniel, foi embora e nunca mais voltou. Hernan continua a farsa e diz que irá visitá-la em casa em poucas horas. A mulher faz canelones e o aguarda. Hernan, claro, não vai. Em 2015, Hernan agora é um escritor consagrado. Ao retornar para Mercedes, ele reencontra sua mãe, Chichita. Sem que Hernan saiba, sua mãe está namorando Daniel, o verdadeiro filho da mulher que ele ligou na adolescência, e que agora, quer se vingar da família de Hernan. O filme tem um tom de sátira e humor ácido típicos do cinema argentino. O elenco é divertido, beirando a caricatura. O filme tem um ritmo oscilante, com diversas passagens com ritmo lento. No final, um bom passatempo.

Sheep in the box

"Hako no naka no hitsuji", de Hirokazu Koreeda (2026) Lançado com muita expectativa na disputa à Palma de ouro no Festival de Cannes 2026, "Sheep in the box", do premiado cineasta e roteirista japonês Hirokazu Koreeda acabou sendo um dos mais criticados do evento. Dois anos após o seu aclamado "Monster" ter levado a palma de melhor roteiro e o queer palm, "Sheep in the box" ganhou a alcunha de "episódio de Blakc mirror" pelo seu tema fantasioso, já visto em diversas produções. O tema da Inteligência artificial recriando humanos já foi visto em 'A.I, inteligência artificial", "Blade runner", "Ex-machina", "A acommmpanhante perfeita" e obviamente, no episódio de Black mirror, "Be right back". Em todos, a figura humanóide se rebela e vai em busca de sua "humanidade". Koreeda é um dos cineastas que mais aprecido, tendo realizado filmes primorosos como "Ninguém pode saber", "Pais e filhos", "Assunto de família" e "Monster". "Sheep in the box" é um filme menor, mas não ruim, como muita gente quer fazer acreditar. Koreeda mais uma vez aponta a sua história para famílias desfuncionais, em busca de redenção. Dessa vez, ele apresenta uma história ambientad ano futuro, onde é possível reproduzir pessoas em uma empresa chamada 'Rebirth". Otone (Haruka Ayase) e Kensuke Komoto (Daigo Yamamoto) formam um casal: ela arquiteta, e ele, carpiteiro. O casal procura seguir a vida em luto, após a morte do filho, há dois anos. A empresa Rebirth os convida para conhecer as instalações, após ganharem o direito a receber um humanóide de graça, por conta da perda traumática. Kakeru (Rimu Kuwaki) ressurge em suas vidas. Otone imediatamente e afeiçoa a ele, enquanto Kensuke o repele e impede que o chame de pai. O ritmo do filme segue lento e contemplativo. O pequeno ator Rimu Kuwaki tem um defícil desafio d einterpretar a inteligência artificial, e o faz com primor. Koreeda sempre foi famoso pela direcão de atores delicada e repleta de camadas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Moscas

"Moscas", de Fernando Eimbcke (2026) Co-escrito e dirigido por Fernando Eimbcke, "Moscas" é uma co-produção México, Espanha e Argentina, rodada na Cidade do México. O filme foi indicado ao Urso de ouro em Belrim 2026, de onde saiu com o prêmio do juri ecumênico. O cineasta Michael Franco foi um dos produtores, só que ao contrário de seus filmes violentos, "Moscas" traz a humanidade e esperanca através de uma improvável relação entre uma mulher solitária de meia idade, Olga (Teresita Sánchez) e um menino de 9 anos, Cristian (Bastian Escobar). O filme é rodado em preto e branco, trazendo um mundo melancólico e desesperançoso. Olga é uma mulher que mora sozinha em um apartamento. Após a morte de seu filho, ela se isola de todos. Sme condições de manter o apartamento sozinha, ela decide alugar um quarto. Tulio (Hugo Ramírez) e seu filho Cristian decidem morar no quarto: mas com dinheiro apertado, Tuilio esconde seu filho de Olga, que mora esconido no quarto. Eles decidem ficar ali por estar próximo do hospital onde a mãe de Cristian está internada na Uti, com câncer. Ao sair para procuar trabalho, Tulio deixa seu filho sozinho no quarto. mas Olga encontra a criança, e cobra mais dinheiro de Tulio, e deixando um prazo de uma semana para ficarem. Mas ela não esperava que fosse se conectar ao menino, e juntos, criam uma sinergia que os tira de seu marasmo. "Moscas" foi indicado ao prêmio Goya 2027 de melhor filme, ficando de fora da indicação ao Oscar, que ficou com "En el camino". O ritmo é bastante lento e contemplativo, com fotografia em preto e branco, acentuando o cotidiano e a rigidez da vida de seus personagens, em planos estáticos.

On the sea

"On the sea", de Helen Walsh (2025) Menção especial no Thessaloniki Film Festival 2025, 'On the sea" é um drama queer inglês escrito e dirigido por Helen Walsh. O filme foi rodado no País de Gales, na costa leste de Anglesey. Jack (Barry ward) é um homem na faixa dos 50 anos, casado com Maggie (Liz White) e pais do adolescente Tom (Henrique Lawfull). Jack trabalha com seu irmão mais novo, Dyfan, e os 3 filhos dele, na colheira de mexilhões à beira do mar. Jack passa por diversos dramas em sua vida: Tom não quer trabalhar para a família e seguir a tradição da colheita; a venda dos mexilhoes vai mal; Jack decsobre estar com câncer; e a chegada d eum jovem marinheiro gay à cidade, Daniel (Lorne MacFadyen), fará com que Jack reveja os seus conceitos acerca de sua macsulinidade. Ele e Daniel começam a se relacionar às escondidas. Daniel quer que eles assumam a relação, mas Jack está em conflito, pois não quer largar a sua esposa. Mas quando os rumores avançam no vilarejo, todos se voltam contra Jack, incluindo sua família. O filme tem um ritmo bastante lento. A fotografia e a direção previlegiam os planos longos, esparsados, contemplativos, como um documental. O roteiro traz uma história já vista em muitos dramas queer, e a personagem mais prejudicada é a da esposa, encostada em um lugar comum da mulher enganada. Eu queria ter gostado mais do filme e ser surpreendido. Ainda asism, é um filme correto e defendido por ótimos atores.