domingo, 8 de fevereiro de 2026
Hiroshima
"Hiroshima", de Hideo Sekigawa (1953)
Eu não fazia a mínima idéia da existência dessa produção japonesa de 1953, e fiquei chocado com as cenas hiper realistas e brutais que ela exibe, sem pudor. Posso dizer que é certamente, um dos filmes mais comoventes e trágicos sobre os efeitos da guerra na sociedade, um libelo obrigatório e que deveria ser exibido em todos as escolas, apesar de sua natureza violenta e absurdamente chocante.
Existe uma sequência, que mostra o ataque da bomba atômica em Hiroshima, e que, por 10 minutos, apresenta os sobreviventes, como em tempo real, que é das cenas mais brutais que você terá visto em sua vida, e isso, sem efeitos especiais ou computação gráfica, apenas com maquiagem, direção de arte e o trabalho do elenco e figuração, a maioria sobreviventes reais de Hiroshima.
Rodado em preto e branco, o filme apresenta dois arcos narrativos e cronológicos: Cinco anos após o ataque em Hiroshima, um professor, Kitagawa (Eiji Okada, o astro de "Hiroshima mon amour") apresenta para seus alunos uma narração em off sobre o dia do lançamento da bomba. Alguns dos alunos pedem para o professor desligar o rádio, por conta de traumas vividos. Os outros alunos, que não sofreram os efeitos da bomba, zombam e debocham dos alunos vítimas da bomba. O filme volta ao tempo, no dia 6 de agosto de 1945, antes e após o lançamento da bomba. Com pequenas narrativas, mostra uma professora guiando suas alunas sobreviventes para um local seguro; um pai que busca seu filho; uma mãe que busca seus 3 filhos. Em uma cena devastadora, um professor, soterrado, pede para que crianças da escola, também soterradas, digam seus nomes, para ter certeza de que estão vivas, sem se darem conta que um incêndio se aproxima e os matará.
O filme foi produzido pelo Sindicato dos Professores Japoneses, e somente lançado depois que os soldados americanos saíram do Japão. O filme critica tanto o imperialismo japonês, quanto o americano. Cenas do filme foram utilizados em 'Hiroshima mon amour", de Alain Resnais.
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