quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Ato noturno

"Ato noturno", de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (2025) Competindo no Festival de Berlim 2025 ao prêmio Teddy, dedicado a filmes de temática queer, "Ato noturno" foi vencedor de 4 prêmios no Festival do Rio 2025 (ator Gabriel Faryas, fotografia, roteiro e Felix de melhor filme queer). O filme é dirigido e escrito pela dupla gaúcha Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, realizadores dos dramas queer "Beira mar"e "Tinta bruta". Os seus filmes possuem forte estilização, um universo contemplativo, de planos e enquadramentos desenhados em conjunto com a fotografia e trilha sonora, onde personagens transitam entre a descoberta, o encantamento e a melancolia da solidão e de relacionamentos não convencionais. "Ato noturno" busca referências no cinema de Brian de Palma e dos filmes giallios, com a representação do vilão com luvas de couro preta, aqui transformado na figura de um dominador. O erotismo do filme, para minha surpresa, é menos intensa e explícita do que eu esperava, mesmo com cenas de 0rg14s e s3x0 ao ar livre. Mas a carga homoerótica está bem presente, pois o pano de fundo no tema é o desejo e a opressão, sendo o s3x0 a metáfora para a liberdade. O personagem de Cirillo Luna, Rafael, tem uma inspuração mesclada no Governador do rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e em Mephisto, aquele que seduz e aconselha ao pé do ouvido, levando ambição para Matias (Gabriel Faryas), um ator de uam peça de teatro independente que está sendo montada em Porto Alegre. Quando os dois se conhecem através de um app estilo grindr, o t3s4a0 é imediato. Rafael revela ser um empreendedor imobiliário que se candidata a prefeito, e por isso, não pode se envolver publicamente com Matias. Mas o paradoxo é que eles decidem viver essa tensão e medo de serem flagrados em público, fazendo s3x0 ao ar livre. Rafael ajuda Matias a conseguir o papel principal de uma série, criando um antagonismo com o outro ator da peça, Fabio (Henrique Barreira), que também almejava o memso papel. Onde o roteiro trabalha melhor é na construção de uma heteronormatividade para personagens gays: Matias quase pede o papel porque a diretora de elenco não o acha masculino o suficiente, e o fato de ser gay prejudica. E Rafael esconde a sua homossexualidade por pressão política. Os 3 atores principais estão bem em seus personagens, em construção visceral e entregue à história. O filme transita em gêneros, do drama, romance ao thriller.

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