segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Virgens acorrentadas

"Virgin Cheerleaders in Chains", de Paulo Biscaia Filho e Gary McClain Gannaway (2018) Rodado em Austin, Texas, "Virgens acorrentadas" é um terror indie americano, dirigido por um brasileiro: Paulo Biscaia Filho. Biscaia é um prolífico cineasta e diretor de teatro curitibano e realizador de mais de 20 projetos, entre longas, séries e curtas. Durante a participação em um fetsival americano, Biscaia conheceu o produtor e roteirista Gary McClain Gannaway, e juntos trabalharam no filme, sendo essa a primeira produção internacional do diretor brasileiro. O filme tem uma trama que faz homenagens explícitas ao seminal 'O massacre da serra elétrica" e ao mesmo tempo, traz uma metalinguagem sobre o audiovisual. Shane (Ezekiel Z. Swinford) é um cineasta indie que junto de sua namorada Chloe (Kelsey Pribilski) , decidem realizar um filme de terror. Eles contactam garotas strippers para o elenco e ao procurarem uma locação para filmar, se deparam com uma família que mora em uma casa isolada. Só não poderiam imaginar que a família, composta por sádicos, estivesse a fim de reescrever o roteiro e realizar uma grande chacina. O filme ssume totalmente o seu lado de filmes B, trazendo muitas linguagens do audiovisual subversivo, como a quebra da quarta parede, riscos na imagem ( uma referência ao cinema grindhouse dos anos 70) e cenas de violência gore repleta de sangue jorrando e corpos mutilados. Uma grande diversão para quem curte o cinema trash, com muitos gritos, performances amadoras e sangue na tela.

Marsupilami

"Marsupilami", de Philippe Lacheau (2025) Um enorme sucesso de bilheteria na França com 6 milhões de espectadores, "Marsupilami" é uma comédia de aventuras familiar dirigida por Philippe Lacheau, na linha de "ET, o extraterrestre", que inclusive é homenageado no filme com a famosa cena da bicicleta voadora e na trilha sonora que em muitos momentos, remete à icônica trilha de John Willians. O filme é a 2a adaptação para os cinemas dos quandrinhos Marsupilami, um personagem de quadrinhos franco-belga criado por André Franquin em 1952. Filmado na Tailândia, "Marsupilami" é a essência do filme família: bichinho fofo, criança como um dos protagonistas, ação, vilões atrapalhados, heróis carismáticos e muita bobeira e ingenuidade para que a criançada pequena possa entender e se divertir. A históri é bem batida e bastante óbvia e previsivel. Para salvar seu emprego após uma gafe, David Ticoule concorda em trazer um pacote misterioso da América do Sul para seu chefe, Jeffrey Malone. Ele se vê em um cruzeiro com sua ex-esposa Tess e o filho Leo, de 8 anos, que sofre com a separação dos pais. Entre a entrega do pacote e o início do cruzeiro, a equipe encontra Ricky Salsa, um ex-membro de uma boy band que se tornou um cantor solo decadente, e se vê seguido por Pablito Camaron, que parece determinado a ficar com o pacote para si. Tudo sai do controle quando se revela o conteúdo da caixa: um marsupilami bebê. O filme tem um ritmo arrastado para um filme de aventura, e as piadas são bobas demais. Mas como fez muito sucesso de bilheteria, talvez o apelo seja o personagem do Marsupial, que é um icone na França e Bélgica, assim como é Tintin.

sábado, 29 de agosto de 2026

The Night Is Short, Walk on Girl

"Yoru wa Mijikashi Aruke yo Otome", de Masaaki Yuasa (2017) Premiada animação japonesa, "The Night Is Short, Walk on Girl" concorreu em Rotterdan, festival focado em narrativas mais experimentais. O filme é adaptado do anime "The tatame galaxy", de Tomihiko Morimi. A trama central é simples: Ambientada em Kyoto, a história acompanha uma noite na vida de dois estudantes universitários: Senpai, um rapaz tímido que decide que nessa noite, ele declarará o seu amor para Kohai. No bar, um desenhista, Todô, flerta com Kohai, mas ela bate nele, quando ele se revla um abusador. Dois outros estudantes, Higuchi e Hanuki, enaltecem a atitude de Kohai e decidem levá-la para pererrinar por divesos bares, onde ela consome altas doses de bebidas alcóolicas. SEnpai decide ir até uma livraria e procurar um livro que foi essencial na infância de Kohai, para dar de presente à ela. Fácil de reusmir, mas complexo de assistir: o filme traz uma narrativa experimental, onde personagens e situações surreais vão acontecendo nessa noite, até umd esfecho happy end. Achei tudo muito confuso, e apesar das imagens e traços interessantes, o filme não me pegou.

No caminho

"En el camino", de David Pablos (2025) Indicado pelo México à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027, "No caminho" é escrito e dirigido por David Pablos, mesmo realizador dos dramas eróticos "O baile dos 41" e "Las elegidas". "No caminho" venceu no Festival de Veneza 2025 os prêmios "Horizontes" e Queer lion, dedicado a filmes de temáticas lgbt. Assistindo ao filme, vi muitas referências a esse faroeste gay contemporâneo, repleto de cenas de violência e s3x0 homoerótico:"Bonnie e Clyde", "Plata queimada", "Drive", "Happy together", "Onde os fracos não têm vez". Assim como "O baile dos 41", as lentes de David Pablos estilizam as cenas de s3x0, a nudez, a paixão entre homens brutos e sem salvação, vítimas de um mundo homofóbico, brutal e árido, e que se conectam através de uma paixão de necessidade de redenção. Veneno (Victor Prieto Simental), assim como outros rapazes de sua cidade, foi acolhido por um mafioso gay, que os ostenta com uma vida de luxo, em troca de s3x0. Mas esse mesmo mafioso decide matar os rapazes quando eles fogem à rígida regra do relacionamento tóxico e violento. Veneno foge com sacos de cocaína pertencentes ao mafioso e se prostitui na estrada para caminhoneiros. Um dia, ele conhece Muneco (Oswaldo Sanchez), um caminhoneiro bruto e reservado. Ele convence Muneco a levá-lo para o norte do México, em troca de lhe dar uma parte da venda das drogas. Muneco entra na jogada e vendem para camihoneiros, tomando cuidado para que traficantes de cartéis não so decsubram. Com o passar dos dias, Muneco, que é hetero, casado e com filhos, vai se rendendo ao charme perigoso de Veneno e começam um relacionamento. O filme é repleto de imagens etsilizadas, capturadas pela fotografa Ximena Amann, com cores hiper saturadas e realistas. Os dois atores principais estão incríveis, trazendo carisma o suficiente para fazer o espectador torcer pelo amor bandido de ambos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte

"Teenage Sex and Death at Camp Miasma", de Jane Schoenbrun (2026) Escrito e dirigido por Jane Schoenbrun, cineasta trans não binária e realizadora do aclamado "I saw the tv glow". O filme concorreu no Festival de Cannes 2026 na Mostra un certan regard, e levou o Queer Palm, dedicado a filmes de temática lgbt. O filme tem uma trama que achei confusa, fazendo uma metáfora sobre a descoberta do orgasmo por um casal lésbico, vítimas de abusos s3xu41s e que por isso, travaram em seus relacionamentos. O vilão, uma espécie de Jason de "Sexta feira 13", se chama "Little death", que significa orgasmo em francês. Kris (Hannah Einbinder) é uma cineasta queer indie, que foi aclamada em Sundance. Ela foi convidada a dirigir um reboot de "Campo Miasma"(uma referência explícita a "Sexta feira 13", cujo original foi lançado nos anos 80 com muito sucesso, mas teve a sua imagem destruída pelas inúmeras continuações. Kris é obcecada pelo filme original, e decide ir atrás de sua protagonista, Billy (Gillian Anderson). Ela descobre que Billy mora no acampamento que foi locação do filme original. Billy confidencia que foi abusada no set do filme, cujo vilão, Little death, eta um menino trans e por isso, foi afogado pelas crianças do acampamento. "Acampamento Miasma - Adolescência, Sexo e Morte" alterna a história de Kris e Billy, e também, cenas do filme original, e em determinando momento, as duas tramas se misturam, numa metalinguagem, tendo kris desempenhando o papel da final girl, com little death atrás dela. Confesso que não sou fã dos filmes de Jane Schoenbrun: não curti "I saw the th glow", e nem "Acampamento Miasma". Louvo o olhar cinéfilo da cineasta, trazendo muitas referências de filmes clássicos (Gillian Anderson encarna uma espécie de Norma Desmond de "O crepúsculo dos deuses".

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Too many cooks

"Too many cooks", de Casper Kelly (2011) Com o recente sucesso de "Buddy", terror slasher escrito e dirigido por Casper Kelly em Sundance 2026, onde ele faz uma paródia de terror do dinossauro Barney e as séries infantis de tv dos anos 90, as redes sociais desenterraram seu curta de 2011, "Too many cooks". O filme na época chegou a viralizar e se tornar meme. O curta consiste em uma abertura fictícia de um sitcom americano, e ao longo do filme o elenco vai mudando, e também, o gênero. Mas o que interessa é a presença de um serial killer, sempre escondido ao fundo de cada segmento, e que no final, vai assassinando o elenco. Com uma narrativa surreal e subversiva, e uma música tema enfadonha e hipnótica, o filme parodia as aberturas de series famosas, como "A muher maravilha", "Battlestar galactica", Dallas", "Dinastia", 'Seinfeld", 'Alf, o eteimoso", entre outros. A edição é excelente, além da fotografia, que brinca com filtros vintage e com iluminação que varia de acordo com o Gênero: comédia, policial, terror, ficção científica, animação. Uma aula de paródia e de narrativa.

The odissey

"The Odissey", de Marcel Walz (2026) Eu fico impressionado com a rapidez com que a produtora indie americana The Asylum consegue realizar e lançar filmes pegando carona em mega blockbusters, além da enorme cara de pau de pegar caona em nomes e títulos. Segundo a Wikipedia, "The asylum é uma produtora e distribuidora americana famosa por criar filmes de baixo orçamento conhecidos como mockbusters — imitações de grandes produções de Hollywood lançadas com nomes e capas parecidos para confundir o público." Seu maior sucesso é "Sharknado", que se tornou viral. A bola da vez é "A odisséia", de Christopher Nolan. A versão da Asylum foi rodada em 12 dias, em West Virginia. O filme como um todo foi gerado em Ai: os cenários, monstros, embarcações, mar, tudo. Apenas os atores e uma locação 1a beira de um lago são reais. A história pega carona em quase todo o roteiro de Nolan, deixando de fora a Bruxa de Samantha Morton, mas todo o restante está ali: Ataque à Troia, as sereias, a tempestade e redemoinho, o monstro de oito cabeças, o Cíclopes...aqui ainda acrescentam a Deusa Atena. A ninfa de Charlize Theron também não existe aqui, nem a ilha dos mortos. O desfecho foi alterado, com o Cíclopes retornando à Itaca. Obviamente tudo é trash e tosco, e claro, motivo de muitas gargalhadas. O excesso de diálogos estraga a brincadeira e torna o filme mais arrastado do que deveria ser, pela proposta zoada dele.

A mulher da fila

"La mujer de la fila", de Benjamín Ávila (2025) Co-escrito e dirigido por Benjamín Ávila, "A mulher da fila" é baseado na história real de Andrea Casamento, fundadora da ACIFAD (Associação Civil de Familiares de Presos), uma organização argentina que luta pelos direitos de familiares de detentos. No ano de 2001, em Buenos Aires, a viúva Andrea (Natalia Oreiro), mãe de 3 filhos, Gustavo (Federico Heinrich), de 18 anos e os pequenos Matías (Juan Pedro Rodríguez Isturiz) e Martina (Julieta Rodríguez Isturiz), trabalha no ramo imobiliário e conta com o apoio da mãe, Alicia (Lide Uranga). Um dia, a polícia invade a sua casa, procurando por Gustavo, que eles acusam de fazer parte da quadrilha de um traficante. Gustavo vai preso, sem provas, e vai para um sistema prisional afastado da cidade. Sua mãe vai visitá-lo e logo entende que sue privilégio burgu6es não faz diferença: precisa enfrentar filas, ser revistada. COm o tempo, ela se mistura à outras mães. Nos 8 meses onde frequentou o presídio viistando seu filho, Andrea rev6e o seu conceito sobre a sociedade, as classes sociais e seu preocnceito contra o sistema prisional. Ela acaba se apaixonando pelo preso Alejo, que ajuda Gustavo a sobreviver lá dentro. Durante 14 anos, Andrea visitou a prisão, visitando Alejo, que acabou saindo em 2019. Eles se casaram e tiveram um filho. "A mulher da fila" ganhou o premio de melhor filme no Fetsival de Málaga, co-produzido Argentina e Espanha. O diretor Benjamin Avila já havia lançado em 2011 o premiado "Infância clandestina". Natalia Oreiro é o grande destaque do filme, que foi acusado por críticos de romantizar o sistema carcerário.

Blind mountain

"Mang shan", de Yang Li (2007) Escrito e dirigido por Yang Li, "Blind mountain" brutal, cruel, angustiante, violento. É muito difícil indicar o filme para alguém, por conta de sua natureza aterrorizante. O filme concorreu nos Festivais de Cannes e de Sundnace, e certamente surtirá muitos debates sobre direitos humanos e violência contra às mulheres. O filme é ambientado no início dos anos 90, no norte da China. O governo chinês prega a política do filho único. As bebês do sexo feminino normalmente são afogadas nas regiões pobres e rurais. Por conta da ausência de mulheres para casar, as famílias compram garotas que são sequestradas e obrigadas a conviver um matrimônio à força. Bai (Lu Huang) é um ajovem que terminou a faculdade. Querendo ajudar sua família endividada, ela aceita um trabalho para vender ervas na montanha remota. Mas ao chegar lá, ela decsobre que o recrutador que a contratou se fez passar por seu pai e a vendeu para se casar com um homem bruto, Huang (Youan Yang). Bai tenta fugir, mas é impossível. Ela se nega a se casar, mas é 3stupr4d4. Toda a vila é conivente com os casamentos forçados. Bai procura todo o tipo de ajuda, foge, mas sempre é arrastada de volta. Não esperem um momento de otimismo no filme. Até o último segundo, é sofrimento, torturas psicológicas, abusos de todos os tipos. "Blind mountain" é um filme sádico, que não traz respiro para a sua protagonista. Lu Huang tem um desempenho visceral e deve ter sofrido muito em desgastes físicos e emocionais para compor a personagem. O restante do elenco é formado por não atores, escalados no vilarejo.

Muito prazer

"Muito prazer", de Jorge Furtado (2026) Escrito e dirigido por Jorge Furtado, "Muito prazer" tem uma premissa bem parecida com "Saneamento básico", um de seus filmes mais conhecidos: personagens amadores e anônimos decidem montar uma equipe de filmagem e fazer filmes, no caso 3r0tic0s, para viralizar na internet e ganhar dinheiro com as visualizações. Obviamente, esse mote garante boas piadas e risadas, pela forma tosca e desengonçada que os personagens dirigem e atuam nos filmes, dessa vez auxiliados pela AI. O elenco é composto por um time de excelentes atores: Daniel de Oliveira, Luísa Arraes, Samantha Jones, Drica Moraes, a ótima revelação Felipe Veloso e atores gaúchos em participações divertidas. Daniel de Oliveira é Rubem: um rapaz solitário, formado em administração mas que sucumbiu ao desemprego e acabou como motorista de app. Com a morte de seu tio, Rubem herda um motel falido: Pérola. Rubem descobre que o Motel está cheio de dívidas e decadente. Ao entrar no estabelecimento, Rubem conhece Grace (Arraes), uma ex-funcionária que acabou moranndo por lá mesmo, uma forma de compensar a falta de pagamento de seus salários. Os dois decidem reativar o local, com muito custo: são assaltados, e o motel da frente faz uma forte concorrência. Grace acaba tendo uma idéia para ganharem dinheiro: colocar câmeras escondidas, gravar os casais fazendo s3x0 e mudarem seus rostos. Para isso, eles contam com a ajuda de Nalva (Jones), uma expert em computação e Ai. O filme se concentra quase todo no Motel e com poucos atores, funcionando às vezes quase que como uma peça teatral. Jorge Furtado, grande conhecedor do gosto popular, inclui diálogos rápidos e engraçados, e faz o filme para um público amplo, evitando apertar demais no 3r0t1sm0 e com isso, afastar a platéia. Por isso, aposta na ingenuidade dos personagens e nas situações, e o s3x0 nunca é visto, apenas sugerido em momentos engraçados.

No hit wonder

"No hit wonder", de Florian Dietrich (2025) Comédia dramática alemã, "No hit wonder" traz o mote bem batido de um loser que se une a um grupo de losers como ele e juntos ganham confiança e auo estima para vencer na vida. Daniel Nowak (Florian David Fitz) teve um hit estrondoso que o alçou ao mega sucesso. O problema é que foi o único hit, e nunca mais Daniel fez outro sucesso. Assim como a fama e sucesso vieram rápido, a decadência e ostracismo chegaram em seguida. Deprimido e isolado, Daniel tenta o su1c1d10, mas o tiro não o mata. Daniel acorda em um hospital psiquiátrico. Lá, ele conhece a enfermeira Lissi (Nora Tschirner), que na verdade, é uma estudante que vê em Daniel a sua chance de escrever a tese de doutorado perfeita. Lizzi convida Daniel para participar do coral do hospital psiquiátrico como forma de motivar seus estudos, e estimular a todos os integrantes a encontrarem na música, uma forma de encararem a vida de forma positiva. O filme é simpático e segue sem muitas surpresas na história. As músicas ecsolhidas são conhecidas e ajuda o público a se conectar: "Get lucky", "Come on Eileen". Os atores são carismáticos. A duração é longa, quase 2 horas, e se tivess euns 20 minutos a menos, seria mais efetivo e dinâmico.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Manila

"Manila", de Adolfo Alix Jr. e Raya Martin (2009) Os filmes filipinos geralmente transitam em dramas sobre personagens perifericos que tentam sobreviver diante da miséria e da violência. "Manila" é uma homenagem a dois filmes seminais e dois cineastas já falecidos: Lino Brocka e seu clássico "Jaguar", e Ishmael Bernal com "Manila by night". O filme "Manila" é dividido em 2 histórias, uma ocorrendo, de dia, a outra, de noite. O protagonista é Piolo Pascual, também co-produtor do filme. No segmento "Day", Piolo Pascual interpreta William, um viciado em drogas que tenta reconstruir seu senso de identidade e se reconectar com as pessoas ao seu redor. No segmento "Night", Piolo interpreta Philip, um guarda-costas do filho de um prefeito que acredita erroneamente que seu chefe o considera parte da família. O filme é rodado em 16 mm, preto e branco. Infelizmente, "Manila" não chega no nível dos filmes que procura homenagear. Faltou a roteiro mais intensidade draática, os personagens já são bem batidos e sme nenhuma novidade. Mas vale pelo olhar desolador da capital das Filipinas, e a decadência da sociedade, retratada com tintas melancólicas.

Chocolate

"Chocolate", de Prachya Pinkaew (2008) O cineasta Quentin Tarantino classificou o thriller de ação tailandês "Chocolate" em 17o lugar na sua lista dos 20 filmes favoritos do século 21, elogiando as suas sequências de luta. O diretor Prachya Pinkaew é o mesmo da franquia de sucesso "Ong bank". Novamente, as lutas marciais são focadas no Muai Thay. A protagonista é a jovem JeeJa Yanin, campeã de Thai kwen Do aos 14 anos e que levou 4 anos treinando Muai Thay para fazer a personagem. "Chocolate" foi um grande sucesso de crítica e bilheteria. Existem pelo menos 3 sequências que já valem todo o filme: a quadrilha de assassina strans; a luta entre Zen, uma jovem autista contra um lutador portador de síndrome de tourette e a batalha final, entre lajes e muretas. Zin (Ammara Siripong) é amante de um mafioso tailandês, No 8 (Pongpat Wachirabunjong). Ela é uma asassina que cobra dívidas para No 8. Mas ela acaba se apaixonando pelo Yakuza Masashi (Hiroshi Abe). Os dois vivem felizes até que o nº 8 os separa à força por meio de ameaças, enviando Misashi de volta ao Japão e interrompendo toda a comunicação entre eles. Zin, ao perceber que está grávida, muda-se para um apartamento e cria sua filha. Zen, nasce autista e de tanto assistir a filmes e séries de ação, acaba aprendendo a lutar. Zin adota um garot, Moon, que se torna amigo de Zen e a ajuda a treinar. Quando Zind escobre estar com câncer, sua filha e Moon decidem cobrar dívidas antigas de credores para poder conseguir dinheiro e custear as despesas com hospital. No 8 descobre e decide eliminar a todos. O filme é uma grande diversão, com um roteiro melodramático com cenas tocantes, e muitas lutas inverossímeis e por isso mesmo, geniais. A ariz que interpreta Zen e seu amigo Moon são muito carismáticos. O vilão No 8 é o supra sumo da maldade, uma caricatura odiosa e bem defendida por Pongpat Wachirabunjong .

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Tenement

"Tenement", de Can Baran (2023) Drama turco co-escrito e dirigido por Can Baran, vencedor de menção honrosa no Festival internacional da Grécia. "Tenement" é um curta que epxlora a vida de um zelador, Serkan (Sevki Cepa), que vive solitário em seu pequeno apartamento em um condomínio. Ele vive uma rotina servindo os os moradores do prédio. Na ausência dos moradores, Serkan entra nos apatamentos e vivencia suas vidas: olha fotografias, os ambientes. Quando ele entra no apartamento de Yucel, um idoso solitário, Serkan se vê nele. Ele encontra fitas onde stão gravados aúdios de Yucel, afirmando estar com Alzhemier, e guardando as suas memórias nas fitas. "Tenement" é um filme minimalista, simples, e que retrata a solidão e de que forma as memórias, através de áudis e fotografias, se tornam engrenagens fundamentais para se mante a sanidade mental.

Mansyon

"Mansyon", de Joel Ruiz (2005) Escrito e dirigido por Joel Ruiz, "Mansyon" é um premiado drama filipino de 2005, que muitos críticos comentaram ser precursor de "Parasita", de 2019. O filme apresenta um casal de empregados: Dolores (Roselyn Perez) e Ambo (Jess Evardone). Eles são entrevistados para vagas de empregada e jardineiro, respectivamente. Os patrões passarão 3 meses fora e querem que eles mantenham tudo arrumado e limpo. OS dias se passam, com muita presteza na arrumação da mansão e do jardim. Mas quando Dolores esbarra em um frasco de perfume e deixa derrubar o perfume, ela sente um impulso de querer se passar pela patroa: veste suas roupas, dorme na sua cama, trazendo seu companheiro junto, e assim, vivenciar uma vida de luxo que ele sjamais teriam chance de ter. Mas os patrões retornam antes. Mesmo sendo drama, "Mansyon" tem uma fina ironia, com momentos que, dependendo do olhar do espectador, podem ser divertidos ou trágicos. É um filme de silêncios, de observação, com ritmo lento, acentuando a rotina e monotonia do casal. Os dois atores estão bem em seus papéis, e é impossível o espectador não se simpatizar com eles.

Live show

"Live show", de Jose Javier Reyes (2000) Escrito e dirigido por Jose Javier Reyes, "Live show" é um drama erótico filipino que foi exibido no Festival de Berlim em 2000. Probido pelo governo e liberado um ano depois, mas com restrições, o filme inicialmente se chamava "Toro", que significa os shows de s3x0 ao vivo. Como muitos dramas filipinos, "Live show" apresenta personagens que vivem na periferia miserável de Manilla, e precisam recorrer à prostituiçao e casas de s3x0 ao vivo para sobreviver. Roily é filho de uma prostituta que está doente. Ele se prostitui nas ruas para clientes gays, e de noite, se exibe em casas de s3x0 ao vivo, onde clientes observam friamente, casais em atos s3xu41s. O filme apresenta outros personagens da noite: uma jovem mãe que se exibe na casa, e procura desesperadamente pelo filho que ela deu para adoção; um jovem casal precisa retornar à casa de show ao vivo, após tentativas frustradas de emprego que não aconteceram. Filmando as redondezas mais decadentes e desgraçadas de Manila, o filme não procura trazer um otimismo à trama. O personagem de Roily narra em off as vidas sem perspetiva de futuro, onde se vive o presente e a vã tentativa de sobreviver, perdendo a dignidade e se humilhando diante de pessoas que desconhecem as suas histórias. O filme traz nudez e muitas cenas de s3x0 simuladas, mas o mais degradante é ver as personagens fazendo expressões de tristeza e humilhação ao se apresentarem aos clientes.

The house of us

"Wurijip", de Yoon Ga-eun (2019) Escrito e dirigido por Yoon Ga-eun, "The house of us" é um drama sol coreano com ponto de vista de uma menina de 12 anos. É um drama contundente que me lembrou de "Ninguém pode saber", de Koreeda, sobre filhos abandonados pelos pais. Hana (Na-yeon Kim) mora com seu irmão Chan, de 16 anos, e seus pais. Hana é a mais estudiosa de sua turma. Mas ela sofre com as constantes brigas de seus pais, e fica cada vez mais isolada de seu irmão. Hana tenta de tudo para manter a felicidade de sua família, desejando a união, mas a tarefa se torna cada vez mais difícil. Ao ir ao mercado fazer compras, hana conhece duas meninas, Yoomi, de 9 anos, e Yoojin, de 7. Elas moram sozinhas em um apartamento, enquanto os pais trabalham fora em outra cidade. Hana faz amizade com as meninas e as protege, identificando a sua história com a delas. Quando vi o poster, pensei que seria um coming of age solar, mas fiquei surpreso o quanto o filme é melancólico e depressivo. A fotografia traz alternantes de dias ensolarados com interiores mais frios, intensificando emoções. As atrizes mirins são todas muito boas, trazendo performances naturalistas, espontâneas. Um olhar cruel sobre o mundo dos adultos, mediante a observação das crianças.

Follies

"Folichonneries", de Eric K. Boulianne (2025) Co-escrito e dirigido por Eric K. Boulianne, "Follies" é uma comédia erótica canadense, falada em francês. Poderia perfeitamente ser uma continuação do filme "O convite", de Olivia Wilde, se considerarmos que o casal de Seth Rogen e Olivia WIlde tivessem topdao participar de festas de swings. Menção especial no Festival de Locarno 2025, e rodado em película 16 mm, "Follies" é repleto de cenas de s3x0, envolvendo Bdsm, fetiches e 0rg14s em clubes, com muita nudez frontal. O casal François (Eric K. Boulianne) e Julie (Catherine Chabot) estão casados há 16 anos, e são pais de 2 meninas. Mas o relacionamento entrou na rotina. Seduzidos por amigos mais jovens, eles decidem abrir a relação e participar de eventos de s3x0, fazendo s3x0 com homens e mulheres. François cada vez mais adere ao mundo do BDSM, enquanto Julie se entrga ano amor e acaba se apaixonando. Fantasia eót1c4, o filme é para adultos e apresenta muitas cenas quentes. O elenco é divertido e se entrega totalmente às propostas do filme, em jogos viscerais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

El ser querido

"El ser querido", de Rodrigo Sorogoyen (2026) Concorrendo à Palma de ouro em Cannes 2026, "El ser querido" foi comparado por toda a crítica ao vencedor do grande prêmio do juri de 2025 do mesmo Festival, "Valor sentimental". Ambos os filmes retratam a relação conflituosa entre um pai cineasta e a sua filha, com quem não mantém contato há tempos. O cineasta decide escalar a filha para uma personagem, como uma forma de expiar os fantasmas entre ambos. Co-escrito e dirigido por Rodrigo Sorogoyen, mesmo diretor de As bestas", de 2022, o filme é uma co-produção Espanha e França. Esteban Martínez (Javier Bardem) é um cineasta espanhol que foi trabalhar em Hollywood e se estabeleceu como um cineasta de sucesso e formando família americana. Mas em seu 1o filme espanhol, ele teve um caso com uma atriz e teve ua filha, Emilia (Victoria Luengo), que ele nunca reconheceu. Retornando à Espanha para rodar um drama histórico, Esteban decide fazer contato com Emilia e dizer à ela que quer que ela interprete um papel no filme. Emilia, que nunca teve destaque como atriz, está receosa que a equipe descubra que ela é filha de ESteban e só foi escalada por nepotismo. Ela aceita, e a equipe segue para o norte da Africa, para rodar o filme sobre a ocupação espanhola. Mas a forma ditatorial e linha dura de Esteban dirigir, deixa a equipe e a própria Emilia tensos. O filme é longo, 134 minutos, e de ritmo lento. Só a cena inicial, de Esteban e Emilia em um restaurante, dura 15 minutos. Para quem tem curiosidade sobre bastidores de uma filmagem, vai achar interessante, ainda mais mostrando processos de ensaios com elenco. Para quem aprecisa o trabalho de Javier Bardenn, não terá do que reclamar: ele está soberbo.

Rio de sangue

"Rio de sangue", de Gustavo Bonafé (2026) Thriller de ação com temas que falam ao Brasil da violência, do desmatamento, dos grileiros, do machismo e feminicídio, da corrupção e do extremínio dos povos indígenas. "Rio de sangue" abraça diversos sub-plots e são muitos os personagens que surgem ao longo da tela. O elenco all star se equilibra com novos talentos: Giovanna Antonelli, Alice Wegmann, Antonio Calloni, Felipe Simas Sergio Menezes, Ravel Andrade, Vinicius de Oliveira e Rui Ricardo Diaz abrem espaço para o ator indígena Fidelis Baniwa, no papel do narrador do filme, Mario. O filme traz referências de filmes de ação americanos, onde uma mãe policial precisa ir atrás de sua filha sequestrada. Em São Paulo, pós uma ação desastrada que resulta em morte, a policial Patrícia (Antonelli) é jurada de morte. Ela é enviada paa o Pará, para passar um tempo com sua filha, Luiza (Wegmann), com quem acabou se distanciando, por conta do trabalho. Luíza é médica e presta serviço, junto d euma equipe, para aldeias indígenas. Garimpeiros liderados por Polaco (Calloni) e seus filhos, Jadson (Andrade) e Baleado (Simas) sequestram Luiza, após uma chacina na aldeia. Patricia precisa descobrir o paadeiro de Luiza e salvá-la. O filme traz boas cenas de ação, uma fotografia que favorece as diversas cores da Amazônia e uma edição frenética. Aqui, a história não tem erro: são as mocinhas e mocinhos lutando contra os vilões, que são muito maus. No final, o personagem de Mario costura todas as histórias, trazendo uma reflexão sobre o mundo em que vivemos.