terça-feira, 18 de agosto de 2026
Truly naked
"Truly naked", de Muriel d'Ansembourg (2026)
Concorrendo no Festival de Berlim 2026, "Truly naked" é um drama denso, escrito e dirigido por Muriel d'Ansembourg. O filme é uma co-produção entre Holanda, Bélgica, França e Reino Unido. Os créditos iniciais, trazendo closes no corpo de uma mulher nua toda pintada de dourado, lembra a abertura de "Goldfinger', com James Bond. Mas quando o enquadramento amplia, se revela ser um set de filmagem de um filme pornô. O espectador é apresentado a Dylan (André Howard), um ator pronô decadente, e a sua parceira da cena, Lizzie (Alessa Savage), uma mulher mais jovem, que há tempos tem filmado cenas com Dylan, utilizando elementos bizarros nas cenas de s3x0. Quem filma, dirige e edita é o adolescente Alec (Caolán O'Gorman), que vem a ser filho de Dylan. Órfão de mãe, Alex é um rapaz introvertido, e que desde cedo, entendeu que o relacionamento entre um homem e uma mulher vem através de preceitos de filmes pornôs, voltados apenas aos atos e nenhum envolvimento emocional. Quando os dois precisam se mudar por conta do orçamento apertado, Alec conhece a adolescente Nina (Safiya Benaddi), sua colega de classe na high school. Nina é feminista e acaba criando um laço afetivo com Alec. Mas o rapaz não sabe como se envolver com emoções e sentimentos reais com uma muler.
O filme mostra muitas cenas de s3x0 simuladas, mas com o pretexto de chocar o espectador, com nudez total e cenas fetichistas ( uma delas, no final, apresenta um menage envolvendo Dylan, Lizzie e um polvo gigante vivo!!!!)
É um filme ousado, corajoso, pervertido, que encontra um elenco disposto a enfrentar situações constrangedoras. O tema discute relacionamentos tóxicos, abusivos, misoginia e principalmente, a masculinidade red pill, na relaçcão pai e filho.
Nada entre los dos
"Nada entre lod dos", de Juan Taratuto (2026)
Co-escrito e dirigido por Juan Taratuto, "Nada entre los dos" é uma co-produção Argentina e Uruguai, e foi filmada em Montevideu e Punta del Leste. O filme apresenta dois executivos de uma mesma empresa alimentícia, Guillermo (Gael Garcia Bernal) e Mechi (Natalia Orero). Eles não se conhecem. Ele é do México, ela vem de Buenos Aires. Guillermo é casado e tem um filho adolescente, e vive um relacionamento que caiu na rotina. Mechi está prestes a se divorciar de seu marido, e mantém uma relação difíicl com sua filha adolescente
Nesse final de semana onde Guillermo e Mechi participam de reuniões, os dois acabam se apaixonandoe. vivem um romance tórrido, sem culpa nem ressentimentos.
Certamente muitos casais irão assistir ao filme e se ver no lugar de seus personagens. A aventura amorosa dos amantes infiéis, não encontra punição nem crise entre os dois personagens. Eles se amam, se entregam e no final, retornam aos seus respectivos. O filme traz melancolia, algum humor e principalmente, um respiro sobr possibilidades de recomeços. Lindas locações, apoiadas em uma fotografia que traz frescor aos rostos de GAel e de Natalia, que estão ótimos em seus personagens. Vale uma adaptação teatral.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Another world
"Shì Wài", de Tommy Kai Chung Ng (2025)
Concorrendo no Festival de animação de Annecy, "Another world" é adaptação do romance da escritora japonesa Naka Saijo Sennenki, " Fantasma do Milênio". Assim como o romance, o filme é dividido em segmentos, caa um composto por um personagem. Inicialmente lançado como curta em 2017, essa versão para longa levou oito anos para ser concluído. O filme me remeteu à outra animação, Soul", da Pixar, e "A viagem", filmes das irmãs Warchowsky. São filmes que tratam do tema da reencarnação e das possibilidades de retornar como uma outra pessoa totalmente diferente.
Quando as pessoas morrem, ela vã parar em 'Another world": um mundo governado pela Goddess. Gudo é um guia espiritual, que encaminha as almas perdidas para a reencarnação. Essas almas recém falecidas precisam renunciar aos laços emotivos e afetivos que os prendem ao mundo, e assim, poder desatar os nós que, senão renunciados, podem desenvolver sementes do mal, e se transformar em criaturas chamadas Wraths. Uma vez transformadas em wraths, não podem mais reencarnar. Gudo acompanha 4 almas perdidas, caa um com a sua história trágica: uma princesa que acredita que seu pai foi assassinado; um camponês que lidera seu povo a lutar contra um tirano líder; duas irmãs exploradas em uma fábrica durante a revolução industrial; e uma jovem em busca de seu irmão perdido.
O filme não é para crianças: é extremamente violento, e a trama, bastante complexa. Os traços lembramm os desenhos de Hayao Miasaky. O desfecho é emocionante, quando se entende a conexão entre todas as histórias.
Impatience of the Heart
"Ungeduld des Herzens", de Lauro Cress (2025)
Co-escrito e dirigido por Lauro Cress, "Impatience of the Heart" é uma adaptação do romance de Stefan Zweig escrito em 1939, "Cuidado com a piedade", e ambientado nos dias de hoje. Eu fiquei feliz que o filme não seguiu por um caminho trágico, já que eu não havia lido o romance, pois logo no início a índole do protagonista Isaac era uma incógnita para mim. O filme ganhou o prêmio de Melhor Longa-Metragem no Festival de Cinema Max Ophüls.
Um jovem soldado, Isaac (Giulio Brizzi), filho de imigrantes, serve no batalhão da guarda da Bundeswehr, junto d eoutros soldados. Durante uma farra no boliche, ele decide convidar uma jovem para dançar, Edith (Ladina von Frisching), mas passa por uma situação constrangedora: ela cai no chão por ser cadeirante. ISaac decsobre que ela é filha de um milionário. Envergonhado, Isaac decide no dia seguinte visitá-la em sua mansão. Ele fica sabendo que ela sofreu um acidente de moto e ficou paraplégica. Isaac se aproxima da família e passa boa parte de se tempo com Edith, confortando-a de seus amigos soldados, que praticam bullying, e da própria família de Edith: a irmã mais velha, Ilona, e o pai delas, que agem com super proteção, o que incomoda Edith.
O filme tem atuações excelentes do casal principal, e a narrativa vai ficando uma mistura de angústia com alívio.
domingo, 16 de agosto de 2026
How to divorce during the war
"How to divorce during the war", de Andrius Blazevicius (2025)
Escrito e dirigido por Andrius Blazevicius, "How to divorce during the war" é o filme selecionado pela Lituânia para uma vaga ao Oscar de filme internacional 2027. O filme ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Sundance 2026. Trazendo um fino humor, esse inusitado drama sobre relacionamentos é ambientado às véspera do início da Guerra da Russia contra a Ucrânia. Trazendo temas como inversão de papéis, desemprego, fracasso profisional, expectativas pessoais e profissionais, "How to divorce during the war" traz diversos pontos de vista no relacionamento d euma família composta de 3 pessoas: Vytas (Marius Repšys), um cineasta desempregado; sua esposa Marija (Žygimantė Elena Jakštaitė) e a filha de 10 anos, Dovile (Amelija Adomaityte). Marija é uma alta executiva de uma empresa de entretenimento que produz videos para a internet. A empresa tem braços com a Russia. Marija está tendo um relacionamento com uma colega de trabalho, Jurate (Indrė Patkauskaitė). Em cris com seu casamento de 12 anos, ela decide se divorciar. Vynis reage mal e desabe emocionalmente. Sem ter o que fazer, ele decide ir morar com os pais, que são simpaizantes pró Rússia. A filha começa a se comportar diferente, e Marija, querendo apoar os ucranianos, hospeda em sua casa uma família ucraniana e se demite do seu emprego, que recebe apoio ruso.
Os atores são extraordinários, e a menina tem momentos de alta sensibilidade. Quanto ao casal principal, ha uma cena de discussão dentro do carro, que dura uns 7 minutos, brilhante. Os diálogos são ácidos, a direção contempla planos longos. Mais do que merecido ter recebido o prêmio de direção em Sundance.
The soundman
"The soundman", de Frank Van Passel (2025)
Escrito e dirigido por Frank Van Passel, "The soundman" é um drama com toques de realismo fantástico que é ;ivremente inspirado em uma história real. O filme se passa nos dias que antecedem o início da 2a guerra mundial, na Bélgica. Segundo uma cartela do filme, mais de 15 mil belgas foram acusados de serem comunistas e politicamente contrários ao governo, e enviados a campos de concentração. Logo depois, judeus foram enviados, a pedido dos alemãs nazistas. A história se baseia principalmente na vida do avô do diretor Frank Van Passel: o avô era amigo próximo do primeiro artista de Foley da Bélgica.
Em maio de 1940, Elza (Femke Vanhove) é uma jovem judia belga, que sonha em ser atriz dos palcos. Enquanto essa oportunidade não chega, ela ganha a vida gravando jingles em rádios, recebendo cachês baixos. Quando surge a oprtunidade de Elza dar voz à personagens de radionovelas, ela conhece o artista de foley e sonoplastia Berre (Jeffe Hellemans). Os dois acabam se apaixonando e se tornam amantes. Berre procura ajudar Elza para que ela fuja para Buens Aires. Ao mesmo tempo, eles se conectam através da busca de Berre por sons específicos que simboliza o amor dos dois.
A parte da fantasia me lembrou 'Amelie Poulain", com seus efeitos em estilo vintage, usando Matte paint e recursos anteriores à computação gráfica. É um filme que faz o público torcer pelo casal, mas não é difícil imaginar o desfecho.
sábado, 15 de agosto de 2026
O fim da rua
"The end of Oak street, de David Robert Mitchell (2026)
Escrito e dirigido por David Robert Mitchell, diretor do clássico cult "A corrente do mal", "O fim da rua" escapa de ser um filme genérico de dinossauros, um tema já desgastado pela franquia do "Jurassic park", ao retratar temas contemporâneos, como masculinidade fragilizada e relacionamentos desgastados em casais de meia idade. O filme também traz Ewan Macgregor de volta aos blockbusters, depois da longínqua saga de 'Star wars", onde interpretou Obi Wan Kenobi.
O filme de passa em 1982, e um bairro de subúrbio chamado Oak street. Ali mora a família Platt: Denise (Anne Hathaway), uma aspirante à escritora; Greg (Ewan Macgregor), desempregado e trabalhando como entregaor de pizza, sem revelar o fato para sua família; e os filhos adolescentes Audrey (Maisey Stella) e Brian (Christian Convery). O casal está em crise e Denise pensa em se divorciar. Porém, uma noite, durante uma tempestade, uma luz branca irrompe na região e no dia seguinte, o bairro inteiro foi transportado para a era pré-histórica, tendo que sobreviver a ataques de dinossauros.
Os bichanos demoram a aparecer, lá depois de meia hora de filme. é a oportunidade de se aprofundar nos dramas de cada integrante da família. Mas quem eu torci para não morrer de jeito nenhum, é o cachorro Starbucks, o salvador da pátria. E do roteiro, a deixa de que Greg é entregador de pizza, entrega um final emocionante. Um filme que se passar algum dia na sessão da tarde, virá co cortes nos momentos de carnificina, que são poucos, mas que podem assustar a criançada.
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
O grande mestre beberrão
"Da zui xia", de King Hu (1966)
Co-escrito e dirigido por King Hu, "O grande mestre beberrão" é um clássico do Ge6enro wuxia de 1968, e que ajudou a popularizar o gênero no mundo. O filme foi selecionado como o representante de Hong Kong na categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 39ª edição do Oscar. É também incluído na lista dos "1001 Filmes Que Você Deve Ver Antes de Morrer", editada por Steven Schneider. Muitos críticos afirmam que o filme inspirou "O tigre e o dragao", de Ang Lee, e Kill Bill", de Tarantino, pelo protagonismo feminino e as espetaculares cenas de ação, envolvendo efeitos práticos e coreografia.
Quando o filho do governador é sequestrado pelo bandido Tigre de Jade, sua irmã, conhecida como Andorinha dourada, é enviada para resgatá-lo. Ela luta contra os capangas de Tigre de jade, até ser ferida. Ela é salva por um mendigo chamado Gato bêbado, e que ela vai decsobrir, se trata de um mestre Shaolin, Fan da Pei, que quer se vingar da morte de seu Mestre, morto pelo grupo do Tigre de jade.
O filme une ação, aventura e bastante humor. Os personagens são bem esquemáticos: os bons e os maus, para ninguém ter dúvidas. Tem cenas absolutamente divertidas e brilhantes, ainda que bizarras, como os jatos de vento que saem das mãos dos mestres, quase que como super heróis.
Antártida
"Antártida", de Bruno Safadi (2026)
Filme de abertura do 54o Festival de Gramado, "Antártida" será conhecido do grande público como o filme brasileiro à la Agatha Christie ambientado na Antártida. O filme também trará referências ao público que curte a franquia "Entre facas e segredos". A diferença aqui é que o crime a ser investigado pela Sub-comandante Elisabeth (Andrea Beltrão) vem de um crime hediondo: um 3xtupr0 em plena estação de pesquisa brasileira na Antártida. A roteirista Claudia Jouvin teve a idéia para a história quando leu em 2012 sobre um acidente ocorrido na Estação brasileira na Antártida, quando 2 brasileiros morreram e ficou ferido. Partindo dessa premissa tão diferenciada, Jouvin construiu um suspense no estilo "whodunit" e que envolve um tema muito apropriado para os dias de hoje: misoginia, machismo e violência contra a mulher.
Para amantes do terror, é imediata a relação do filme com a obra-prima "O enigma do outro mundo", de John Carpenter. Jouvin se inspirou em 'Alien, o 8o passageiro". São filmes claustrofóbicos ambientados em um espaço confinado. Assim como no filme 'Soundtrack", com Selton Mello, a Antartida foi toda reproduzida em estúdio no Rio de Janeiro. sendo que aqui, foi utilizada tecnologia virtual.
Em uma estação brasileira de pesquisa na Antartida, cientistas e militares trabalham em conjunto, isolados do mundo. Eles se preparam para um inverno rigoroso, quando uma nova equipe chega: a cientista Inês (Marina Ruy Barbosa) e Capitão Vicente (Lazaro Ramos). Na base ja estão o Comandante Barros (Antonio Calloni), a sub-comandante Elisabeth (Beltrão), a médica MArina (leandra Leal), entre outros. Durante uma festa, Inês é 3xtupr4ad4a sem que pudesse reconhecer o agressor. Elisabeth decde se unir às mulheres e tentar descobrir o criminoso.Segredos de cada um dos integrantes surgem à tona, tornando o ambiente mais crítico.
A parte técnia é o ponto alto do filme: a footgrafia de MAuro Pinheiro jr e a trilha sonora.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
La caja vacia
"La caja vacia", de Claudia Sainte-Luce (2016)
Escrito, digirido e protagonizado Claudia Sainte-Luce, "La caja vacia" é um drama mexicano intimista, baseado na história da própria cineasta. Assim como a sua personagem, Jazmin, Claudia se reconciliou com seu pai, após anos de afastamento, devido à demência, tendo que cuidar dele.
Jazmin trabalha como garçonete em um café e como administradora de condomínios, em Nova York. Jazmin vive solitária. Um dia, seu pai nascido no Haiti, Toussaint (Jimmy Jean-Louis), já idoso, a procura. Sem dinheiro, ele está com demência vascular. A contragosto, Jamin o acolhe e com dificuldade, precisa aprender a se reconectar com ele.
O filme é construído através das memórias de ambos os personagens, e mostra um sub-plot do relacionamento de Jazmin com homens aletórios, para encontros s3xu41s. A fotografia do filme se mantém escura em boa parte do tempo, acentuando a atmosfera sombria e melancólica da história.É um bom filme, mas que traz um ritmo bem lento que pode tornar a tarefa de assistir bem cansativa, dependendo do perfil do espectador.
La gradiva
"La gradiva", de Marine Atlan (2026)
Considerado pelos críticos como um dos melhores filmes exibidos no Festival de Cannes 2026, "La gradiva" ganhou o Grand Prix Ami Paris na Mostra Golden camera e concorreu no Queer palm, dedicado a filmes com temática lgbt. O filme é livremente adaptado do romance alemão "Gradiva", escrito por Wilhelm Jensen em 1902.
A narrativa e o estilo do filme me lembrou muito o premiado "Entre os muros da escola", de Laurent Cantet, que ganhou a Palma de ouro em 2008. Ambos os filmes apresentam, em linguagem documental e naturalista, a relação entre professores e alunos de escola de ensino médio. OS atores são todos amadores, nenhum profissional e impressiona pela espontaneidade e verdade cm que passam seus drama se conflitos internos, relacionamentos a questões de orientação s3xu4l, amores não correspondidos e futuros incertos na transição da vida adolescente para a dulta.
O filme é o longa de estréia na direção da fotógrafa Francesa Marine Atlan, nessa co-produção França e Itália. Filmado em Pompéia e Nápoles Itália, o filme tem 145 minutos de duração. Quem não estiver familizarizado com essa linguagem documental, pode achar tudo bem entediante.
O prólogo traz referência ao cinema de Jonas Mekas e Chris Marker ao mostrar imagens congeladas no prólogo. A seguir, acompanhamos uma turma de alunos franceses que chegam para um passeio turístico em Pompéia, para avistar o sítio arqueológico. A professora de latim Madame Mercier (Antonia Buresi) os guia. Entre os alunos, estão Toni (Colas Quignard), o único gay assumido do grupo e apaixonado por James (Mitia Capellier-Audat), que por sua vez, se relaciona com Angela (Hadya Fofana). A rejeição sofrida por Toni afeta outra aluna, Suzanne (Suzanne Gerin), que se considera feia e sem carisma para conquistar ninguém. Toni usa o app grindr para encontros na cidade, enquanto tenta localizar a árvore genealógica d afamília, que começou na Itália.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Our hero, Balthazar
"Our hero, Balthazar", de Oscar Boyson (2025)
Co-escrito e dirigido por Oscar Boyson, produtor de "Good times", dos irmãos Safdie e que aqui estréia na direção. O filme concorreu no Festival de tribeca 2025 e traz um retrato pesismista da geração americana, influenciada por redes sociais, armas, toxidade masculina e incels.
Balthazar (Jaeden Martell, o Bill de "It") é um garoto milionário de Nova York. Solitário, Balthazar tem um coach de vida (Noah Centíneo) e uma mãe deslumbrada envolvida com um candidato a senador. Balthazar procura viralizar nas redes sociais com vídeos onde chora por algum tema, falseando emoção. Durante uma demonstração de tiroteio na sua escola, ele procura se aproximar de sua colega de turma, Eleanor, mas ela o rejeita. Durante uma conversa online, ele conhece Salomon (Asa Butterfield), um rapa zpobre do texas, que mora com sua avó e tem um pai tóxico. BAlthazar percebe em Salomon um possível atirador em escola, e decide conhecê-lo, se fazendo passar por uma garota. Balthazar se estusiasma com o encontro, mas ao decsobrir a farsa de Salomon, o ameaça. No entanto, ambos se conectam e se tornam amigos. Salomon ensina Balthazar a dar tiros, o que faz Balthazar se interessar no armamento e no desejo por matar.
O filme é vendido como comédia dramática, mas não consegui enxergar humor. O filme é bastante realista na sua proposta e no seu olhar sobre jovens psicopatas ( vide a série 'Adolescência"). O desfecho é cruel e faz sentido, pensando na proposta do diretor Oscar Boyson ao apresentar um mundo brutal e seduzido pelos incels. Os dois jovens atores, Jaeden e Asa, estão excelentes.
terça-feira, 11 de agosto de 2026
The Fall of Sir Douglas Weatherford
"The Fall of Sir Douglas Weatherford", de Sean Robert Dunn (2026)
Dirigido por Sean Robert Dunn, esse drama com leves toques de humor inglês faz uma crítica à modernidade que a mídia e redes sociais trazem à regiões históricas ainda preservadas da visita de turistas predadores. Na fictícia cidade de Aberloch, na Escócia, um morador idoso, Kenneth Mackay (Peter Mullan) trabalha como guia turístico. Querendo preservar a imagem de seu ancestral, um filósofo e inventor do século XVIII, Sir Douglas Weatherford, Kenneth o faz motivo da visitação na cidade, chegando a montar um pequeno museu e a interpretá-lo em pequenas cenas para os turistas. Quando uma série de tv decide gravar na cidade, o local logo é tomado poe turistas, interessados no elenco e nas filmagens, mudando a rotina da cidade. Kenneth se torna inóspito, rejeitando a presença da série e de seu astro, Oscar Sorenson (Jakob Oftebro). A população, ao contrário de Kenneth, recebe a filmagem de braços abertos, prevendo lucro.
Kenneth é daquelas figuras broncas que já estamos acstumados a ver no cinema, como o personagem de Tom Hanks em "O pior vizinho do mundo". São tipos arrogantes, antipáticos, mas que passam por uma mudança no final de sua tragetória. "The Fall of Sir Douglas Weatherford" é anunciado como comédia dramática, mas achei com um tom melancólico demais, lidando com temas como luto e etarismo, além de abandono e solidão.
ChaO
"ChaO", de Yasuhiro Aoki (2025)
Vencedor do prêmio do juri no Festival de animação Annecy 2025, "ChaO" é uma esfuziante produção japonesa, que me lembrou muito de "A pequena sereia". Através da história de amor entre uma sereia e um humano, "ChaO" procura falar sobre amor entre pessoas tão diferentes entre si. A produção levou 7 anos para ser finalizada.
A história se passa em Shanghai. O mundo é dividido entre humanos e o povo do mar, representado por sereias e seres do mar. Quando criança, Stephen, filho de pais pescadores, encontrou uma bola contendo um pequeno ser em seu interior, que vem a ser um feto de sereia. Ele cuida dela e promete que estará sempre protegendo-a. Quando seus pais morrem no mar, Stephen se torna uma criança Melancólica. Já adulto, ao lutar no mar contra o Rei tritão, ele é salvo por ChaO, a sereia que ele cuidou quando criança. Ela deseja casar com ele. Stephen, de início, não se empolga. Mas seu chefe, o predidente de uma construtora de navios, vê nesse casamento o momento ideal para unir os dois mundos.
A história é complexa, e fico pensando como a criançada absorve o filme. São diversos personagens, tramas paralelas, flashbacks. O filme é bastante colorido e tem uma edição com bastante ritmo.
Diary of a Chambermaid
" Le journal d'une femme de chambre", de Radu Jude (2026)
Concorrendo no Festival de Cannes na Mostra quinzena dos realizadores em 2025, "Diary of a chambermaid" é a 2a adaptação do romance homônimo de 1900 de Octave Mirbeau. Luis Bunuel já havia feito a sua versão em 1964. A trama lida com a crise do conflito de classes, e da servidão dos empregados para com os seus empregadores, remetendo à época da escravatura. O filme foi adaptado e dirigido pelo romeno Radu Jude, dos premiados "Má Sorte no Sexo ou no Pornô Acidental", "Não espere muito do fim do mundo" e "Aferim!". É a sua 1a produção filmada e falada em francês.
Vendo ao filme, me remeteu imediatamente ao episódio de Walter Salles e Daniela Thomas no filme "Paris, eu te amo": uma jovem imigrante colombiana deixa seu bebê em uma creche, pega o trem para Paris para cuidar do filho de uma família burguesa.
Gianina (Ana Dumitrascu) é uma jovem imigrante romena que trabalha para um casal burguês, Marguerite (Mélanie Thierry) e Pierre (Vincent Macaigne). Gianina faz faxina, cozinha e cuida do filho pequeno deles, levando para a ecsla e sendo babá. Gianina deixou sua filha pequena na Romênia, aos cuidados de sua mãe, e envia dinheiro à elas. Por sugestão de sua patroa, Gianina participa de um ensaio de uma peça de teatro, uma adaptação de 'Diario de uma camareira". Na cia teatral, a diretora rabalha com não atores e se possivel, imigrantes.
Rady Jude mostra a crueldade de uma família burguesa ao lidar com o seu relacionamento com uma empregada imigrante. Não é o melhor filme de Jude: o filme é arrastado, e as cenas envolvendo os ensaios da peça achei bem cansativas, deveria ter focado no ambiente de trabalho de Gianina.
Night nurse
"Night nurse", de Georgia Bernstein (2026)
Escrito e dirigido por Georgia Bernstein, "Night nurse" concorreu no Festival de Sundance 2026. O filme foi alardeado como um retorno aos thrillers eróticos dos anos 90, repletos de mistério, femme fatales, tipo "Instinto selvaem" e "Jade". Nessa incursão de filmes noir, o filme tem autoria feminina: escrito, dirigido e fotografado por mulheres. Uma pena que o protagonismo feminino da história encontre um personagem masculino desagradável, misógeno, repulsivo e malandro. E isso me fez afastar do filme. Em momento algum me senti conectado à história. Um ritmo lento, personagens pouco desenhados, que agem por impulsos, sem explicação. Qual o sentido daquelas enfermeiras se sentirem seduzidas pelo paciente idoso?
O filme poderia sre melhor apreiado se fosse lidar com temas sobre relacionamentos tóxicos. Mas isso fica apagado, a partir do momento que em uma clínica para idosos, as jovens e sexies enfermeiras se sentem atraídas por Douglas (Bruce McKenzie). Diagnosticado como demência, na verdade é tudo fachada: ele se aproveita da instituição médica para recrutar enfermeiras ingênuas e aliciaá-las para praticar golpes em idosos, via telefone, alegando que a neta foi sequestrada e para depositarem dinheiro. A protagonisa é Eleni Sadik (Cemre Paksoy), a nova enermeira que cai nas garras do vigarista.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Babagwa
"Babagwa", de Jason Paul Laxamana (2013)
Prêmio de melhor ator coadjuvante para Joey Paras no Festival de cinema de Cinemalaya, "Babagwa" é um drama lgbt sobre golpistas do amor. Greg (Alex Medina). é um fisiculturista que para ganhar dinheiro, se junta à Marney (Joey Paras), uma travesti que gerencia um esquema de golpes de amor, que tem como vítimas, homens e mulheres solitários. Greg entra em seu perfil fake do Facebook, Bam Bonifacio, e seduz as vítimas, para depois exigir dinheiro e sumir. Depois de discutir com Marney por conta de divisão dos ganhos, Greg se apaixona por uma de sua svítimas, Daisy, e decide largar tudo para ir ao seu encontro.
O filme traz uma ótima atmosfera da periferia de Manilla, apresentando locações decadentes e personagens que vivem à margem. O elenco está excelente, com destaque total para Joey Paras, interpretando uma travesti cheia de personalidade. O desfecho traz elementos de suspense, e eu de verdade fiquei esperando algo trágico, e não esperava a cena final, diferente do que pensei que iria acontecer.
Lapsus mortal
"Lapsus mortal", de Cristian Bidone e Néstor Napolitano (2020)
Co-escrito e dirigido por Néstor Napolitano, "Lapsus mortal" é um thriller psicológico sobre um homem que tem visões e transes que o desnorteiam. Estressado no ambiente de trabalho, Javier tem crises de apagão e quando acorda do transe, descobre que crimes que aconteceram podem estar ligados a ele. Seu médico acredita que traumas do seu passado podem estar relacionados à sua crise mental.
Filme longo (quase 2 horas0, atores ruins, roteiro confuso, uma direção que não soube construir tensão e personagens sem carisma. Foi muito difícil acompanhar o filme até o final, ainda mais que traz uma trama bizarra que envolve experimentos nazistas. Uma tentativa de emular "Os meninos do Brasil", sobre o nazista Joseph Mengele, mas que sofre de um tom que não convence.
Redemoinho
"Maelström", de Dennis Villeneuve (2000)
2o longa dirigido pelo cineasta canadense Dennis Villeneuve, "Redemoinho" é um drama com toques de realismo fantástico, e que já trazia traços de estilização e de uma autoria que viriam futuramente em suas obras-primas: "Incêndios", "A chegada", "Blade runner 2049" e "Duna".
Vencedor do prêmio Fipreci da Mostra Panorama do Festival de Berlim 2000, o filme já começa de forma inusitada: toda a história que o espectador irá presenciar, será narrada por um atum que está prestes a ser cortado em pedaços por um peixeiro. O filme então apresenta Bibiane Champagne (Marie-Josée Croze), 25 anos. Ela é proprietária de uma rede de butiques que está falindo pela sua má administração. Bibiane acaba de fazer um aborto e para piorar, ela atropela um homem que atravessava a rua de noite: um peixeiro. Bibiane foge do local e no dia seguinte, descobre que ele morreu. Sentindo-se culpada, ela joga seu carro em um rio, mas não morre. Bibiane acredita ser um sinal de decide dar chance à sua vida. É quando conhece Evian (Jean-Nicolas Verreault) e ambos se apaioxnam. Até ela descobrir que ele é filho do homem que ela atropelou.
O filme tem a atmosfera dos filmes canadenses dessa virada dos anos 90 ao 2000, como "Amor e restos humanos", de Denys Arcand. são filmes que mostram uma geração na faixa dos 30 frustrada, perdida, desorientada, em narrativas existencialistas.
Burros
"Burros", de Odín Salazar (2011)
Escrito e dirigido por Odín Salazar, "Burros" concorreu no Festival de Montreal em 2011. O filme é um retrato dramático pelo ponto de vista de uma criança, baseada na história da família do cineasta. Nos anos 40, em Tierra Caliente, região do estado de Guerrero (sudoeste do México) , mora a família de Lautaro (Abimael Orozco Lemus), 10 anos. Quando o seu pai é assassinado, sua mãe decide enviá-lo para passar 1 ano na casa de sua tia, para que o menino esteja longe da violência. Mas Lautaro se sente rejeitado na nova casa, e decide fugir e retornar para a sua família, fazendo a travessia de barco e deserto sozinho.
"Burros" traz um drama emocionante sobre como a violência tem sido uma tônica para a história e a cultura social e econômica no país. Através de traumas que se mantêm por gerações, o filme faz um traçado brutal da consequência das tragédias na vida das famílias e principalmente da scrianças, que precisam lidar com ausências, sem entender o contexto. Crianças que precisam aprender a amadurecer rápidos para poderem sobreviver.
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