quinta-feira, 13 de junho de 2019
Os dois filhos de Joseph
“Deux fils”, de Félix Moati (2018)
O Cineasta Félix Moati também é ator e interpretou um dos personagem do sucesso “Um banho de vida”. Agora, ele escreve o roteiro de “ Os dois filhos de Joseph”, um filme onde ele quer discorrer sobre a masculinidade dentro de uma família formada apenas por homens: pai, Joseph ( Benoit Poolvedore” e seus dois filhos, Ivan, de 13 anos, e Joaquim ( Vicente Lacoste, um dos jovens atores mais prolíficos da França atualmente).
A família se dá muito bem. O pai é médico, Joaquim um brilhante estudante de psicologia e Ivan os vê como um espelho. Mas quando o irmão de seu pai morre, Joseph perde o rumo e desiste de ser médico, se voltando para a escrita, seu grande sonho. Joaquim por outro lado, vai se tornando relapso e péssimo estudante. Fora isso, os dois irmãos estão as voltas com desejos e paixões de um
Primeiro amor.
Comédia dramática mais puxada pro drama, com fotografia bastante escura e um tom narrativo mais sóbrio. O filme carece de ritmo, e o roteiro perde o foco ao querer narrar as histórias dos três homens e suas relações com varios personagens paralelos. Apesar dos três bons atores, o filme não decola. Faltou se apaixonar mais pelos personagens, fundamental para quem quer falar sobre “loosers”.
terça-feira, 11 de junho de 2019
The Mustang
"The Mustang", de Laure de Clermont-Tonnerre (2019)
Drama independente americano, dirigido pela atriz francesa Laure de Clermont-Tonnerre, e vencedor de um prêmio especial em Sundance 2019.
Tomando como base o programa de reabilitação de prisioneiros perigosos, que são obrigados a treinar cavalos selvagens, os Mustangs", como forma de treinar o psicológico e a reabilitação em sociedade, o filme conta a história de Roman (Matthias Schoenaerts), um homem violento e temperamental que recebeu pena de 12 anos por ter batido na sua ex-companheira, que ficou com traumas físicos sérios. Roman evita qualquer contato com pessoas, evitando inclusive sua filha adolescente Martha, que o visita para pedir para que ele assine uma carta de emancipação. Ao receber a missão de treinar o mais selvagem dos mustangs, ao qual ele apelida e Marquês, Roman vai entendendo o paralelo da vida desse animal e a sua própria vida: arredio, anti-social, violento e intempestivo.
Seguindo a tradição do sub-gênero americano que se utiliza de cavalos para falar sobre virada de personagens, através do convívio e aceitação de sua fraquezas e virtudes, "The mustang" é um filme muito bem dirigido, com atuação exemplar do ótimo Matthias Schoenaerts, e também de Bruce Dern. Tecnicamente o filme é impecável, principalmente na fotografia e na edição. O desfecho é emocionante e mesmo caminhando para um melodrama, vale pelo trabalho do elenco.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Mapplethorpe
"Mapplethorpe", de Ondi Timoner (2018)
A cineasta independente americana Ondi Timoner foi, por 2 vezes, Ganhadora do Sundance por dois de seus documentários, tendo ganho o Grande Prêmio do Juri. Em 2018, ela lançou a sua cinebiografia do Artista plástico e fotógrafo americano Robert Mapplethorpe, morto aos 42 anos de idade em 9 de março de 1989, em decorrência do HIV.
Nascido no Queens, e tendo estudado Artes Plásticas, no final dos anos 60 Mapplethorpe conheceu a poetisa e cantora Patti Smith. Moraram juntos e criaram parcerias artísticas. Ao se assumir gay e revelar casos com outros homens, Mapplethorpe se afasta de Patti. ele conhece vários amantes, assistentes, empresários que acabaram levantando exposições que expusessem suas fotos explícitas de sexo e nudez para um público seleto que começou a venerar as fotos. No limite da Pornografia e Arte, as fotos enfrentaram resistência e galeristas, público, mas adquirindo um status de cult entre celebridades. Mapphetorpe, já no auge, contraiu HIV vindo a falecer. Toda sua obra foi doada pela fundação para a Getty Research Institute, com trabalhos indo dos anos 1970 até 1989. Até hoje, mais de 50 milhões de dólares foram arrecadados para pesquisa de apoio ao HIV.
Assim como o filme "Linda Lovelace", "Mapplethorpe" sofre com a extrema caretice da narrativa. Linda Lovelace ficou famoso pelos seus filmes pornôs e pela famosa cena de sexo oral, no filme "Garganta profunda". O filme ficou pudico, nem mesmo nudez teve. "Mapplethorpe "até tem algumas cenas de nudez, mas as cenas de relacionamento, sessões de fotografia provavelmente foram pensadas para atingir um grande público.
O filme ficou chato, arrastado, os personagens sem carisma, tudo muito burocrático. A essência da vanguarda artística e polêmica passou longe, para um público cinéfilo que vai em busca de algo mais avassalador.
domingo, 9 de junho de 2019
Vil romance
"Vil Romance", de José Campusano (2008)
Há tempos eu não via um filme argentino tão ruim como esse "Vil romance". escrito e dirigido por José Campusano, o filme conseguiu a façanha de ser exibido em diversos Festivais, incluindo o importante Festival de Mar del Plata. Roteiro ruim, atores amadores, edição fraca, direção atirando para todos os lados. O filme não se decide em relação ao gênero: quer ser drama, quer ser humor negro, quer ser policial. "Vil Romance" é um filme LGBTQ+ que fala sobre um relacionamento tóxico. Raul é um adolescente de família classe média baixa. Ele trabalha como mecânico em uma oficina, e passa suas noites em busca de sexo com outros homens em bares e ruas. Sua mãe e sua irmã igualmente procuram homens para saciar desejos sexuais em casa. Um dia Raul conhece Roberto na rua: um homem mais velho, e que trata Raul como um objeto sexual: o estupra, o violenta, pratica atos masoquistas. Raul gosta dessa relação e cada vez mais procura por Roberto. Um dia, ele conhece um espanhol, que se apaixona por Raul. Roberto quando fica sabendo da existência desse espanhol, resolve se vingar.
O filme contém cenas de sexo explícito, e algumas doses involuntárias de humor. Ri bastante com a tosquice do filme, e essa é a única forma de se assistir ao filme do início ao fim. Esse é a da turma do quanto pior melhor. Vale assistir com amigos e se divertir. Os atores são fraquíssimos, e por isso mesmo, um grande barato.
Ma
"Ma", de Tate Taylor (2019)
Um filme de suspense com Octavia Spencer interpretando uma psicopata serial killer? Essa ideia sensacional é o que salva esse projeto: Octavia engole todo mundo no filme, tanto o jovem elenco de desconhecidos, quanto o veterano Luke Evans, o Gaston de "A Bela e a fera". Juliette Lewis, que nos anos 90 já foi ninfeta de tantos filmes cults, agora interpreta uma mãe à la Winona Ryder em 'Stranger Things": solteira, independente e bastante mandona e defensora de sua filhota, a tímida e insegura Maggie. Ela e sua mãe se mudam para uma pequena cidade, onde Erica (Lewis) conseguiu um emprego em um cassino. Lá, Maggie se torna amiga de um grupo de 4 amigos: Haley, Andy, Chaz e Daryll. O grupo decide comprar bebida alcóolica para uma festinha, mas como são menores de idade, pedem ajuda à uma desconhecida, Sue Ann (Spencer) para comprar. Logo, ela se torna amiga deles e os convida para fazerem festinha no porão de sua casa.
Com um roteiro esperto, remetendo aos filmes de psicopatas dos anos 80 e 90, o Cineasta Tate Taylor, que também é ator e aqui faz uma ponta como um policial, diverte a platéia com um punhado de clichês do gênero, mas que funciona a contento, muito por conta do talento de Octavia, que dá credibilidade à uma personagem que faz tudo para se vingar de um fantasma do seu passado.
sábado, 8 de junho de 2019
Atentado ao Hotel Taj Mahal
"Hotel Mmbai", de Anthony Maras (2018)
Co-escrito e dirigido por Anthony Maras, "Atentado ao Hotel Taj Mahal" reproduz a história real do dia 26 de novembro de 2008, quando um grupo islâmico terrorista formado por 10 homens provocou inúmeros atentados em Mumbai, maior capital da Índia. Entre os atentados, estavam a rodoviária, um café frequentado por turistas e o Luxuoso Hotel Taj Mahal, point de milionários, artistas e celebridades e considerado um dos hotéis mais caros do mundo.
Ali, morreram mais de 100 pessoas, entre hóspedes e funcionários. O filme faz uma homenagem aos funcionários, que dedicaram suas vidas para salvar os hóspedes, e cujo lema do Hotel é : "Hóspede é Deus".
Entre os que estão no Hotel e que lutam pela sobrevivência, estão o garçon Arjun (Dev Patel) e o americano David (Armie Hammer), casado com Zahra e acompanhado da babá Sally e seu bebê. Quando os ataques começam no Hotel, o grupo acaba se separando, e precisam se reencontrar para poderem fugir juntos com vida.
O filme é violento e brutal, e não poupa esforços para mostrar a violência que aconteceu no Hotel. Logo de cara, os terroristas chacinam todos que estavam no Lobby, dando tiros na cabeça, sem trégua. Os assassinos são apresentados como máquinas de fúria, guiados pela religião e por um Mentor. Entende-se que eles matam os turistas como forma de protestar contra o "roubo" das riquezas do País.
A direção de Anthony Maras é dinâmica e mostra bastante agilidade nas cenas de ação. O filme só poderia ser pelo menos 20 minutos menor.
Graças a Deus
"Grâce à Dieu ", de François Ozon (2018)
É impressionante o ecletismo de Ozon, que alterna dramas com comédias, musicais, sátiras, fantasias e agora, um denso drama que reconstitui uma história real ainda em julgamento: um grupo de vítimas masculinos que entraram com um processo contra o Padre francês Bernard Preynat, que atuou em diversos lugares, como França, Irlanda, Portugal, etc.
Alexandre (Melvil Poupaud), François (Denis Ménochet) e Emmanuel (Swann Arlaud) foram vítimas do Padre quando eram escoteiros mirins mos acampamentos da Igreja liderados pelo Padre. Abusados sexualmente, eles foram calados pelos pais na época ou tiveram suas denúncias enterradas pelo Alto escalão da Igreja. 30 anos depois, Alexandre descobre que o Padre voltou a trabalhar na Igreja de Lyon e lecionar catecismo com crianças, e resolve ir atrás para exorcizar seus fantasmas do passado. Outras vítimas se unem para impedir que o Padre trabalhe e que seja excomungado e levado ao tribunal, mas enfrentam resistências da Igreja.
O filme aborda em quase 140 minutos a vida desses 3 homens, brilhantemente interpretados , além de todo o numeroso elenco. Cada personagem se relaciona com os pais, filhos, espoas, e de que forma o abuso transformou suas vidas e a dos familiares. O Ator Bernard Verley tem a difícil missão de dar vida ao Padre Preynat, sem torná-lo uma caricatura de vilão. O filme ganhou o Urso de Prata em Berlin, concedido pelo Juri.
Um filme corajoso e ousado, que não teve medo de filmar cenas com crianças e que com certeza, permanecerá na mente dos espectadores por um bom tempo.
O pior de tudo, é descobrirmos o motivo do filme se chamar "Graças a Deus". Revoltante.
Boas intenções
"Les bonnes intentions", de Gilles Legrand (2018)
Comédia dramática francesa co-escrita e dirigida por Gilles Legrand, é um sub-gênero que merece classificação própria: professor que chega para dar aula a uma turma de alunos desajustados e que, com o tempo, dedicando amor e atenção, consegue transformar a todos, incluindo a si próprio.
Você já assistiu a esse filme mil vezes. Aqui, a diferença é que o tema principal é o humanismo e o tratamento feito pelos franceses aos refugiados e estrangeiros.
Brincando com todos os clichês sobre estrangeiros, incluindo negros, asiáticos, judeus, etc, o filme tem uma excelente protagonista, Isabelle (Agnès Jaoui, ótima), uma professora de francês que dedica o seu tempo aos refugiados e acaba esquecendo seus 2 filhos adolescentes e e marido. A turma que Isabelle está dando aula é formado por adultos estrangeiros, que precisam aprender a língua para poderem trabalhar no País. O filme bota em pauta várias questões humanitárias, embaladas por drama e humor e uma protagonista altruísta que acredita estar fazendo bem aos outros, mas esquecendo dos seus próprios familiares.
Com ótimos atores no elenco, o filme diverte e emociona, e na área da comédia, reveza um humor refinado com uma comédia quase beirando o pastelão, mas com bons resultados.
Pássaros de verão
"Pájaros de verano", de Cristina Gallego e Ciro Guerra (2018)
Em 2016, o cineasta Colombiano Ciro Guerra ficou mundialmente famoso ao ter o excelente "O abraço da serpente" como um dos finalistas para o Oscar de filme estrangeiro. Agora, dirigindo junto de sua esposa, Cristina Gallego, Ciro Guerra conta a história do surgimento do tráfico na Colômbia dos anos 60 a 80 através da saga de 2 famílias indígenas, uma delas, os wayúus, um povo indígena que vive da região de Guajira.
Rapayet saiu de sua aldeia wayuú e foi mora na cidade de Medellin. Quando resolve retornar, quer pedir a mão de Zaida em casamento, mas a mãe dela, Ursula, exige que Rapayet siga os preceitos e tradições da cultura de sua tribo. pois alega que Rapayet passou muito tempo fora e perdeu a ancestralidade. Necessitado de dinheiro, Rapayet conta com a ajuda do amigo Moisés, um alijuna ( que não é indígena). Moisés diz que o País está sendo visitado por americanos hippies que querem consumir maconha. Os dois amigos resolvem ir buscar maconha com uma família que planta maconha. A partir daí, Rapayet torna-se fornecedor de maconha para os americanos. Ursula pressente que algo de ruim irá acontecer com a família, mas ela mesma decide entrar no tráfico.
Com excelente direção e um roteiro que lembra a ascenção e derrocada da família Corleone de "O Poderoso Chefão", "Pássaros de verão" é um curioso estudo antropológico que reveste uma trama mafiosa de sangue e violência, onde traições são pagas com sangue . O elenco mistura atores profissionais e amadores, com grande acerto, como já haviam feito no filme anterior. É um filme violento, e que ganhou diversos prêmios em importantes Festivais.
quinta-feira, 6 de junho de 2019
Não é o Pornógrafo que é perverso..
"It is Not the Pornographer That is Perverse... ", de Bruce La Bruce (2019)
Parafraseando um filme LGBTQ+ cult do Cineasta alemão Rosa von Praunheim, "Não é o homossexual que é perverso, e sim a sociedade em que ele vive", o igualmente contestador e polêmico Bruce la Bruce traz uma antologia de 4 curtas eróticos gays, escalando como protagonistas, modelos da produtora de filmes pornôs Cockyboys.
1) Diabo em Madri- Um diabo surge no cemitério de Madri, tentando seduzir homens que velam os seus entes queridos. Um anjo sedutor surge para salvar a alma desses homens, mas o Diabo o seduz.
2) Über Menschen- Um professor ( o astro Colby Keller) viaja de Buenos AIres para Madri para se suicidar da Ponto de Segovia. O motorista do Uber que o leva até lá, ao perceber as intenções do homem, o convida para uma boa transa, para que ele desista da idéia.
3) Purple Army Faction- Um grupo armado quer evitar a alta população mundial, e para isso, sequestra homens heteros nas ruas com a intenção de torná-los gays. O filme é protagonizado pelo astro pornô francês François Sagat, que já havia sido dirigido por Bruce la Bruce no filme "Um homem no banho".
4_ Cinema sujo- Durante a exibição do filme "Thw Raspberry Reich", de Bruce La Bruce, a platéia se deixa envolver pelos ideais do filme e começam a transar e a praticar uma grande orgia.
Bruce la Brice já realizou clássicos do cinema underground gay, como "The Hustle white", "The raspberry reich", "Otto", "Super 8 1/2". Mas aqui ele perdeu a mão e faz uma paródia pobre de seu filme "The Rasbperry reich", no entanto, sem a mesma força ou militância. Escalando modelos de filmes pornôs sem talento para dramaturgia, La Buce deixa claro as suas reais intenções com o filme: muito sexo explícito e conteúdo em segundo plano.
Godzilla II- Rei dos Monstros
"Godzilla II - King of monsters", de Michael Dougherty (2019)
Sequência do filme de 2014 dirigido por Gareth Edwards e ignorando totalmente a existência do filme de 1998 de Roland Emmerich, "Godzilla II- Rei dos Monstros" traz uma reviravolta na personalidade do monstro radioativo: Godzilla agora é do bem e quer ajudar os humanos a destruírem os Titãs, que são Monstros que querem destruir o planeta. Entre os monstros, está o Rei Ghidorah e Rodan. Mothra, a borboleta gigante, ajuda Godzilla a lutar contra os outros bichanos.
Vera Farmiga e Millie Bobby Brown ( a Eleven de "Stranger Things" são mãe e filha. Emma (Farmiga) é uma cientista que quer descobrir uma forma de controlar os Titãs através de ondas eletromagnéticas. Seu marido se separou dela quando o filho deles moreu durante o ataque de Godzilla em 2014. A família se une quando Emma e sua filha são sequestradas por Jonah, um eco-terrorista que quer controlar os monstros.
Com longos e intermináveis 135 minutos, "Godzilla" poderia ter no mínimo 30 minutos a menos, principalmente na parte que conta a história chata da família de Emma. Essa mania de, em filmes catástrofes, o drama humano virar Divã para reconciliação é uma grande chateação. O que tem de bom no filme claro, são os efeitos e a porradaria. De resto, muito drama familiar enfadonho e um desfecho sem noção que faz chamada para uma continuação totalmente descnecessária.
Homens expostos
"Private dicks- Men exposed", de Thom Powers e Meema Spadola (1999)
Documentário que tem como tema um dos elementos do corpo humano masculino de maior tabu em qualquer lugar aonde ele é comentado: o Pênis.
25 homens de todos os gêneros ( hetero, gay, trans), raças
(latino, brancos, asiáticos, negros) e idades entre 17 a 70 anos comentam sobre a sua própria experiência com o seu pênis: tamanhos, doenças, vergonha, exposição em público, masturbação, libido, paralisia, enfim, todos os assuntos abordados e relacionados ao pênis são questionados e respondidos pelos entrevistados, em grande maioria, nús em pêlo, com nu frontal.
A idéia do documentário é desmistificar a imagem do pênis para o grande público: homens conversam espontaneamente enquanto surgem nus. Os diretores querem que o espectador veja o órgão sexual masculino sem er que desviar o olhar e se sentirem confortáveis.
O filme poderia ter sido mais divertido, e terem selecionado melhor os depoentes. Mas a ousadia e a coragem dos realizadores é bem vinda, e mesmo irregular, é um grande feito ter sido realizado e apresentado sem censura.
terça-feira, 4 de junho de 2019
Domino
"Domino", de Brian de Palma (2019)
Com um Elenco All Star, que vai dos atores de "Game of Thrones" Nikolaj Coster-Waldau (Jaime Lennister) e Carice van Houten (Melisandre) a Guy Pierce, o Cineasta Brian de Palma retoma a direção de filmes desde "Passion", seu filme de 2012.
Todos os estilos narrativos e técnicos de Brian estão aqui: câmera lenta, planos longos e virtuosos, zoom, POV de binóculo, desfecho épico em uma locação repleta de figurantes e trilha sonora excessiva e dramática, composta pelo eterno companheiro Pino Donaggio.
O roteirista Petter Skavlan, do ótimo "Kon Tiki", escreveu um dos piores textos para um filme de de Palma. Tudo na história é ruim e pavoroso, sem nenhuma surpresa, sem nenhuma reviravolta que a gente amava ver nos filmes de Mestre de suspense. A homenagem à Hitchcock continua, com uma referência a "Um corpo que cai" e uma perseguição no telhado. Mas isso é muito pouco, para quem nos presenteou com algumas grandes obras primas do cinema, como 'Carrie", "Um tiro no escuro", "Vestida para matar", "Os intocáveis", "O pagamento final", entre outros.
A trama, mirabolante e confusa, gira em torno de terroristas islâmicos , agentes da CIA, policiais dinamarqueses e touradas em um estádio espanhol.
Nikolaj Coster-Waldau é Christian, um policial dinamarquês que quer vingar a morte de seu colega, um policial casado que tinha como amante a também policial Alex ( Carice). Juntos, formam uma dupla, que descobrem que o responsável pela morte do colega é um terrorista líbio que é cooptado por um agente escroque da CIA, Joe ( Guy Pierce).
Nem dá para falar muito do filme, pois tudo é uma grande tristeza e uma pálida sombra do gênio que de Palma foi. Li que ele próprio rejeitou o filme, acusando os produtores de terem reeditado tudo. Mas com esse roteiro, fica difícil imaginar se ele realmente era melhor.
A cena de uma terrorista massacrando atores, equipes em um festival de cinema parece uma vingança de de Palma por ter sido esnobado pelos grande eventos cinematográficos.
segunda-feira, 3 de junho de 2019
Um filho
"Un fils", de André Gaumond (2011)
Escrito e dirigido por André Gaumond, "Um filho" é um premiado filme canadense, que tem como tema o abuso sexual contra adolescentes.
Frederic, um adolescente, é levado por sua mãe até um Psicólogo, Sebastien. O rapaz vai contra a vontade dele. Aos poucos, o psicólogo quer saber os motivos do rapaz tentar o suicídio. Aos poucos, se revela os maus tratos e violência sexual do padrasto do garoto. Desesperado, Frederic diz ao psicológo que não quer mais voltar para casa.
Com ótimas performances dos dois atores principais, "Um filho" tem bons diálogos e direção firme de André Gaumond. Gaumond se apropria de um tema bastante denso para fazer um alerta à sociedade diante do aumento de caso de estupros contra crianças e adolescentes dentro de suas casas.
domingo, 2 de junho de 2019
Ace
Av
'Ace", de Jordan Gear (2018)
Curta LGBTQ+ independente americano, com uma pegada de Gus Van Sant dos anos 90. Ace é um calouro introvertido, que chega na faculdade e se enturma com outros estudantes. Nesse universo de estudantes tão ecléticos, Ace se interessa por Z, um jovem negro hetero que namora uma das garotas. Durante uma festa, os 2 trocam olhares e flertes, que culmina em uma one night stand. No dia seguinte, Ace fica inseguro sobre os sentimentos que nutre por Z, ao passo que esse se interessa cada vez mais pelo outro rapaz.
Um filme que fala sobre inseguranças acerca da sexualidade, o filme aponta para as incertezas no âmbito do relacionamento. Bem filmado, com uma fotografia e imagem estilizadas, alternando preto e branco e cores, o filme é filmado de forma bastante despojada, quase um documentário com atores amadores.
sábado, 1 de junho de 2019
Dias vazios
"Dias vazios", de Robney Bruno Almeida (2018)
Escrito e dirigido por Robney Bruno Almeida, 'Dias vazios" competiu no Festival de Tiradentes 2019. Longa de estréia do cineasta goiano, o filme se passa na pequena cidade de Silvânia, no interior de Goiás. O filme tem como temas o desencanto da juventude e o suicídio, e como muitos filmes recentes brasileiros, são filmes bastante pessimistas.
Livremente adaptado do livro "Hoje Está um Dia Morto", escrito por André de Leones, o filme se passa em duas épocas distintas e com dois casais separados pelo tempo.
Jean e Fabiana estudam em um colégio católico. Namorados, eles não sabem o que fazer de suas vidas assim que se formarem. Ambos demonstram o desejo de sair da cidade, mas não encontram estímulo para tal. Jean acaba se suicidando com um tiro na cabeça, e Fabiana desaparece. Dois anos depois, Daniel e Ailana estudam no mesmo colégio.Igualmente apáticos, suas vidas espelham a de Jean e Fabiana. Daniel decide escrever um livro sobre Jean e Fabiana, e imagina um final para Fabiana. Aos poucos, a identificação entre os 2 casais vai cada vez mais se aproximando.
Corajoso por tratar do tema do suicídio de forma crua e sem apelações melodramáticas, "Dias vazios" não deve ser visto por pessoas depressivas. Um alerta contra a apatia dos pais e da sociedade, além da Igreja, fortemente criticada no filme, que nada ou pouco fazem para salvar as vidas de jovens depressivos. Com um ótimo elenco de jovens, preparados por Fátima Toledo, e a participação especial e bastante significativa de Carla Ribas no papel de uma freira, o filme incomoda pelo tema, mas faz vislumbrar um cineasta com domínio de sua narrativa.
A saída do comerciante
"Trademans's exit", de Tom E. Brown (2015)
Escrito, dirigido, protagonizado, editado e produzido por Tom E. Brown, esse curta teve participação em vários Festivais, e é um drama LGBTQ+ que brinca com o universo do Macgyver, aquele detetive que produzia todo tipo de equipamento para resgate e explosivos.
O filme começa com Hank produzindo todo tipo de explosivos e detonadores, e com um semblante nitidamente de quem está irritado com algo. Logo, a verdade de revela.
Singelo mas com boa edição, o filme tem um roteiro esperto, um plot twist curioso.
Primeiro ano
"Première année", de Thomas Lilti. O Cineasta e roteirista francês Thomas Lilti é médico de formação e isso explica porquê todos os seus filmes giram em torno da Medicina. "Hpócrate", "Insubstituível" e agora "Primeiro ano".
Com atuações brilhantes de Vicente Lacoste ( do recente "Amanda") e William Lebghil, "Primeiro ano" tem um tema muito comum aos estudantes brasileiros: a preparação e o stress emocional para o Vestibular. O filme também é uma linda homenagem à amizade, com uma cena final de fazer soltar lágrimas.
Antoine (Lacoste) tenta pela terceira vez passar para Medicina, sem sucesso. Por ser veterano em Vestibular, ele é incumbido da missão de ser o monitor do calouro Benjamin ( Lebghil), que está tentando prova para medicina pela primeira vez. Ambos possuem questões com seus pais: enquanto os pais de Antoine pedem para que ele não se sacrifique tanto, pois os estudos estão deixando ele surtado, o pai de Benjamin, que também é médico, não lhe dá muito crédito, o considerando fraco e sme vocação. À medida que Antoine vai percebendo que Benjamin tem mais chance de passar no vestibular do que ele, a amizade vai degringolando.
Bem dirigido, com um roteiro bastante eficiente, apesar de muito verborrágico, o filme acompanha todas as fases que qualquer estudante já enfrentou. As cenas das provas e dos resultados são muito bem editados, dando um enorme tom de suspense. O filme se permite a uns pequenos toques de humor.
sexta-feira, 31 de maio de 2019
A urtiga
"A urtiga", de Piaoyu Xie (2017)
A roteirista e cineasta chinesa Piaoyu Xie foi estudar cinema em Praga e ali ela dirigiu esse drama LGBTQ+ "A urtiga". O filme lembra bastante o drama "A garota dinamarquesa", com o tema da crise da masculinidade e da descoberta de uma nova identidade de gênero.
Nikola e Anna formam um casal pós adolescente. Uma noite, Anna maquia Nikola, passando batom. Esse gesto faz com que Nikola se "acenda" para a sua homossexualidade, até então, latente. Quando ambos vão passar o feriado na fazenda do pai de Anna, Nikola encontra ali uma possibilidade de ser o seu primeiro relacionamento com outro homem.
Delicado e sensível, é um filme que trata de temas controversos, mas dirigido com competência por Piaoyu Xie. Os atores estão bem, apesar de eu achar a escalação de Vojtech Hrabák, no papel de Nikola, um miscasting, pois ele é bastante afeminado e não coerente com o personagem, que deveria ser dúbio.
Zoo
"Zoo", de Antonio Tublen (2018)
Usar a infecção zumbi como metáfora para se falar de relacionamento de um jovem casal que está em crise é o que propõe o roteirista e cineasta Antonio Tublen, nessa co-produção Inglaterra/Suécia/Dinamarca.
Produção de baixo orçamento, o filme conta a história d casal Karen e John: ele professor, e ela, descobre-se depois, traficante de drogas. Ambos quase não se falam mais, tal a falta de assunto que um tem pelo outro. Mas ao acordarem no dia seguinte, descobrem que o mundo foi tomado por uma epidemia zumbi, e que as autoridades recomendam a ninguém sair de casa. Mas a comida vai escasseando, e fora isso, pessoas tentam entrar no apartamento deles procurando por refúgio. Durante esse processo de isolamento, o casal vai aceitando as suas diferenças.
Filmado todo dentro de um apartamento e com poucos atores, o filme não se decide entre ser um drama, comédia de humor negro ou filme de zumbi. Fora isso, a evidente falta de dinheiro torna o filme enfadonho, com diálogos intermináveis e uma lavação de roupa suja bem chata, algo que não combina com filme de zumbis. Os atores são bons, mas o roteiro não ajuda muito a criar carisma para eles.
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