sábado, 26 de setembro de 2026

Virtuosas

"Virtuosas", de Cíntia Domit Bittar (2025) Co-escrito, dirigido e editado por Cíntia Domit Bittar, "Virtuosas" concorreu no Festival do Rio na Premiere Brasil 2025. O filme mesca drama, crítica social, humor ácido, suspense e terror, tendo uma sub-trama sáfica na narrativa. Assistindo ao filme me lembrei de imediato de filmes como "Shock corridor", de Samuel Fueller, onde um jornalista ambicioso se infiltra em uma clínica para fazer investigação. Por outro lado, filmes como "Mulheres perfeitas" e "Não se preocupe, querida", trazem a outra trajetória narrativa: mulheres educadas para serem recatadas e do lar, diante de famílias cristãs. Logo nos primeiros minutos do filme, já é evidente o tema proposto pelo filme: críticas ao fanatismo religioso, críticas ao movimento anti-vacina, críticas ao movimento de masculinidade tóxica "Legionários", críticas às mulheres que abominam o movimento feminista e que dedicam as suas vidas para srevir à família e a seus maridos, de forma subserviente. Assim como em "Pedágio", a líder da seita tem um segredo: ela tem uma amante. A nome da protagonista, Virginia (Bruna Linzmeyer), influenciadora e coach que prega a submissão femnina, sob as dountrinas cristãs, certamente veio de Virginia Fonseca. Virginia prega para ssuas seguidoras fervorosas, quando decide sortear 3 convites Vips para que as escolhidas passaem uma semana em seu resort, isolado na Santa Catarina. Entre as mulheres, estão Lorena (Juliana Lourenção), mãe e esposa de um político; uma fã, Barbara Rossi(Sarah Motta), que quer buscar a sua melhor versão e Germina (Maria Galant, uma jornalista infiltrada. Elas são recebidas por Gorete (Brisa Marques), assistente de Virginia. Germina vai aos poucos, entendendo o que se passa naquele local, e os mistérios que s eescondem sob a fachada de Virginia, que se mostra uma mulher perigosa e violenta.

Copan

'Copan", de Carine Wallauer (2025) Em competição no Festival "É tudo verdade" 2025, "Copan" é dirigido por por Carine Wallauer, que também fotografou o filme. Pelo seu trabalho de fotógrafa, Carine lhe ganhou o prêmio de Melhor Fotografia de Longa Documentário na ABC. Quando assisti ao filme, imaginei encontrar um filme emotivo e comovente, que fizesse um correlato ao clássico de Eduardo Coutinho, "Edifício Master", apresentando histórias curiosas e divertidas de moradores do icônico prédio. Mas "Copan" frustra qualquer expectativa para quem for comparar com o filme de Coutinho. A sua narrativa é experimental, plástica, e não segue um roteiro singular. carine também é artista plástica, e ess eolhar recai sobre o seu filme. Alternando silêncios, sons entranhos, ela traça diversas linhas narrativas, sendo a mais evidente, uma eleição de síndico no prédio. A metáfora é óbvia: filmadoem 2022, Carine faz uma analogia com a situação política da época. O filme apresenta alguns moradores, mas que não têm voz. A camera percorre seus apartamentos, como por exemplo, um Dj solitário. O Copan teve início de sua obra em 1957, projetada por Oscar Niemwyer, e apenas inaugurada em 1966. São 5 mil moradores, distribuídos por 1600 apartamentos. Localizado na República, o icônico prédio mistura apartamentos e lojas comerciais, e merecia um filme que retratasse a sua história através de moradores, empregados e lojistas. O filme de Carine é uma visão muito pessoal sobre o prédio, e deixa o espectador ainda mais curioso sobre a sua história.

The living corpse

"The living corpse", de Takeshi Sone (2026) A invasão da IA no audiovisual era questão de tempo. "The living corpse" é um filme de terror existencialista, totalmente gerado por AI, e venceu os prêmios de melhor filme nos East Village New York Film Festival e Bangkok Movie Awards. O filme é um remake do filme homônimo lançado em 1986, que foi escrito, dirigido por Hideshi Hino adaptado de seu mangá. Hideshi Ono escreveu a história em cima de experiências próprias: ao desmaiar por excesso de trabalho, Hino decidiu escrever a história de um homem, Yosuke Shinkai, que acorda como morto vivo, sobrevivendo à morte, mas que começa a se decompor lentamente. Ele decide vagar pelo mundo em busca de sua esposa e filho. Tudo é ruim no filme: o roteiro, a IA, a dublagem, o ritmo. Para poder competir com o cinema live action e memso com animação, o IA precisa entender que necessita de uma história que prenda a atenção do espectador, e criar forma de tirar a frieza da dublagem sem emoção, e dos movimentos de seus personagens que não pareçam tão mecânicos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

The Gospel of the beast

"The gospel of the beast", de Sheron R. Dayoc (2023) Co-escrito e dirigido por Sheron R. Dayoc, "The gospel of the beast" é um drama co-produzido por FIlipinas e Singapura. Premiado em diversos festivais, incluindo Festival de Tokyo, a história apresenta o início na carreira do crime de um adolescente de 15 anos. Quando Mateo, 15 anos, acidentalmente mata um colega da escola, ele precisa fugir. Ele conhece Berto, um criminoso que inicia uma relação quase de pai para filho, ensinando como funciona o mundo do crime, envolvendo torturas e chantagens. Mateo, que foi abandonado por seu pai e teve uma educação rígida de sua mãe, começa a entrar em conflito com a sua nova vida na marginalidade. Filmado como um drama realista, "The Gospel of the beast" apresenta um mundo brutal, onde esperança é o que não existe na vida de seus personagens. As cenas de violência são cruas, incluindo torturas bárbaras. O protagonista Jansen Magpusao, no papel de Mateo, e Ronnie Lazaro, no papel de Berto, estão excelentes.

O vale dos sorriso

"La valle dei sorrisi", de Paolo Strippoli (2026) Um excelente filme de terror queer, o italiano "O vale do sorriso" é muito melhor que o hypado "Leviticus". Lidando com os mesmos temas da religiosidade regida por fanáticos e de jovens gays impossibiltados de expressar seu amor, "O vale do sorriso" traz um roteiro inteligente, que traz referência de "Corpo fechado", de M. Night Shyamalan e de "Carrie, a estranha", com a Eleven de 'Stranger things". O filme foi o vencedor do prêmio FEDIC de melhor filme no Festival de Veneza 2025. Em 2009, um acidente de trem na região de Remis, pequena vila localizada em um vale isolado nas montanhas, matou 46 vidas, todas moradoras a cidade. Um dos sobreviventes é Matteo (Giulio Feltri), um adolescente que possui o dom de manipular as pessoas. Sérgio (Michele Riondino) é o novo professor de educação física em Remis. Matteo tem uma tragédia pessoal: a morte de seu filho, o que o levou ao alcoolismo e depressão. Na pousada aonde fica, ele conhece Michela (Romana Maggiora Vergano), a dona do estabelecimento. Querendo ajudar Sergio na sua dor, ela o leva para um ritual que acontece na igreja: Moradores se reúnem para abraçar Matteo, que absorve a dôr das pessoas, libertando-as do sofrimento. No entanto, Sergio começa a questionar o ritual, e passa a conversar com Matteo. A convivência faz com que Matteo passe a questionar as suas ações. Matteo é apaixonado por um colega da ecsola, Lorenzo, mas o conservadorismo da região impede que os dois consumam seu amor. Tudo no filme é incrível: a atmosfera, o elenco, os efeitos, a fotografia, o roteiro. O desfecho do filme é uma catarse, com imagens belas e assustadoras.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Salo

"Salo", de Miko Jacinto (2011) Drama queer filipino, "Salo" é escrito e dirigido por Miko Jacinto. O cineasta é conhecido pela sua filmografia onde retrata romances gays com muto erotismo, realizados com baixo orçamento. O elenco normalmente é composto por atores bonitos e corpos sensuais, mas com poucas técnicas de atuação. René (Paolo Rivero) sustenta sua avó doente (Anita Linda, de "Lola", de Brillante Mendonza). Ele administra os negócios da família. A amiga de sua avó procura arruma encontros com mulheres, na esperança de que ele se case. René tem uma paixão platônica pelo seu motorista Levi (Kristoffer King). Durante uma viagem de final de semana, René e Levi acabam se entregando à paixão. O baixo orçamento é visível no filme, com baixa qualidade na fotografia e na captação do áudio. As cenas de s3x0 são mal filmadas, e o diretor filma de forma pudica: em uma cena de banho, os dois atores permenacem de cuecas o tempo todo. Ainda assim, quem aprecisa imagens homoeróticas e não se prende tanto ao roteiro, pode encontrar bons motivos para assistir ao filme.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Idiotas

"The shitheads", de Macon Blair (2026) Assistir uma comédia onde no final você percebe que não riu uma vez sequer, certamente é um problema. Macon Blair, co-roteirista e diretor, estreou no cinema em 2017 com o filme "Já não me sinto em casa nesse mundo", vencendo o Grande prêmio do juri no Festival de Sundance. Com "Idiotas", ele procura trazer o mesmo tipo de humor estranho, apático, protagonizado por personagens sem escrúpulos, anti-heróis. Aqui, a comédia traz elementos de humor ácido, ação e policial. A mistura resultou em uma narrativa já vista na filmografia de Guy Ritchie e tantos outros cineastas similares. Dave Franco, que estrela, é um dos produtores. A tentativa de resgae da comédia politicamente incorreta não fez o efeito necessário. No elenco, além de Dave Franco, tem Mason Thames, Peter Dinklage e O’Shea Jackson Jr, de "Straight Outta Compton: A História do N.W.A."). Mark Southard (Dave Franco) e Davis Hench (O’Shea Jackson Jr) são demitidos de seus trabalhos. O primeiro, por usar drogas no trabalho. O segundo, por levar alunos seminaristas para assistir "Anticristo", de Lars Von Triers, acreditando ser filme religioso. Ao procurarem emprego, se deparam com um anúncio onde devem escoltar um jovem rebelde Sheridan Kimberley (Mason Thames), até uma clínica de rebailitação. No caminho, descobrem da pior forma possível que ele é um psicopata. O filme tinha tudo para ser divertido: boa produção, bons atores. Faltou um rotero mais original, diante de um universo bastante batido.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

The devil's playground

"The devil's playground", de Fred Schepisi (1976) Fico impressionado com o forte conteúdo erótico desse clássico australiano de 1976, escrito e dirigido por Fred Schepisi. São cenas que envolvem meninos de 10 a 12 anos, com conteúdo de p3d0f1l14, m4asturb4ç!0 mútua, auto-flagelação, BDSM. E fora as crianças, os padres da rigorosa escola católica em que estudam também sofrem as tentações da carne: se vestem de civis e na cidade bebem, seduzem mulheres e têm sonhos eróticos. E tudo com nudez total. O filme me lembrou da obra-prima inglesa 'Se...", de Lindsay Anderson, onde os estudantes sofriam severas punições na escola em que estudavam. Só que ali, não havia conteúdo explícito. O cineasta fred Schepisi ficou famoso por dirigir 2 dramas com Meryl Streep: "Plenty", e "Um grito no escuro". também dirigiu as famosas comédias "Roxanne" e "Seis graus de separação". O filme começa com uma sequência extremamente erótica com os meninos tomando banho no rio. Um dos meninos se aproxima de seu colega e porpõe um jogo, onde o perdedor, fará qualquer coisa que o vencedor pedir. O menino perde de propóstio. "Você pode fazer tudo o que quiser comigo. Tudo.". O filme segue em uma narrativa de sketches, onde um numeroso elenco apresenta a rotina envolvendo rígida educação e a criosidade sobre o corpo, s3x0 e desejos. De verdade, fiquei pasmo com a ousadia desse filme. Se fosse lançado nos dias de hoje, já seria escandaloso e traria polêmicas.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Love....actually sucks!

"Ai Hen Lan", de Scud (2011) Escrito e dirigido por Scud, "Love...actually sucks!" pega carona no título do grande sucesso da comédia romântica "Simplesmente amor" e faz uma visão melancólica e destrutiva dos relacionamentos entre casais de diversas orientaçoes s3xu41s. Scud é o nome artístico do cineasta e roteirista de Hong Kong Danny Cheng Wan-Cheung. Seus filmes trazem um olhar estilizado e artístico, com fortes cenas de s3x0, nudez total, s3x0 explícito, envolvebdo um elenco bonito e jovem. Ele dirigiu os cults "Anfetamina", 'Adonis", "Permanent Residence", Apostles", "Voyage", entre outros. Logo na cartela inicial, surge o letreiro: "Not every love is a fairy tale...let's celebrate, anyway". "Em "Love...actualy sucks!", Scud traz diversas histórias conectadas por um prólogo, ambientado em um casamento. Um casal hetero de noivos recebe seus convidados, até que no telão, surgem imagens do noivo fazendo s3x0 com um outro homem que está entre os convidados. A partir daí, o filme se divide em diversos segmenttos: um irmão e uma irmã apaixonados, mas flagrados pela mãe; um pintor casado que se apaixona por seu jovem modelo; a tensão s3xu4l entre uma professora de dança e sua aluna; um triângulo amoroso que termina com feminicídio. Das histórias apresentadas, diversas apresentam cenas explícitas. Muitos atores são amadores, estando ali somente pela beleza e fisico, uma característica dos filmes de Scud, A história do feminicídio é a mais problemática, apresentando um dos amantes decapitando a mulher. É chocante, e destoa do restante do filme.

Sleeping sickness

"Schlafkrankheit", de Ulrich Köhler (2011) Urso de ouro de melhor direção no Festival de Berlim 2011, "Sleeping sickness" é escrito e dirgido pelo cineasta austríaco Ulrich Köhler. O filme é um drama com olhar antropológico, rodado no país africano dos Camarões. O filme mostra o contraste entre personagens e hábitos do primeiro mundo, com personagens e hábitos de quem habita o terceiro mundo. Um médico alemão, Ebbo Velten e sua esposa, trabalham para um fundo humanitários nos Camarões. Após anos de trabalho para fazerem pesquisa sobre a doença do sono, a família decide retornar à Alemanha. Um francês aborda Ebbo, e ele decide permanecer no país. Sua esposa e sua filha partem. Três anos depois, Alex Nzila, um médico francês descendente de congoleses, vem a Camarões para fazer um relatório sobre o trabalho de Velten. Para sua surpresa, Velten está desaparecido. O filme segue em ritmo lento, e o espectador, junto de ALex, procura entender o que aconteceu com Velten. A footgrafia e a câmera do filme trazem um registro documental da pobreza da região, através da miséria da populaçao. Não curti muito o filme, não me envolvi. Mas visualmente, é um belo estudo sociológico.

domingo, 20 de setembro de 2026

Solastagia

"Solastagia", de Leesong Hee-il (2024) Drama romântico queer sul coreano, 'Solastagia" é escrito e dirigido por Leesong Hee-il. O filme tem como pano de fundo o maior incêndio florestal da história da Coréia do Sul, ocorrido na cidade de Donghae. Um equipe de estudantes de cinema está na região para fazer um documentári sobre a crise climática. Seunghun é o diretor. 3 integrantes da equipe estão irritados com ele: passaram os 5 dias de filmahem e ele insiste em filmar mais material. O orçamento acabou e a equipe não quer passar fome e comer macarrão instantaneo, e se demitem. O fotógrafo, Jihun, decide permanecer e ficar para ajudar o amigo diretor. Ao longo do dia, durante conversas, Seunghun confidencia a Jihun que nasceu na cidade, e saiu de lá tem 7 anos. Antes de sair, ele tinha um namoro com um pescador. Mas o tempo passou, e ele deseja reencontrar o rapaz. Mas a aproximação entre Seunghun e Jihun faz com que eles também se sintam atraídos. "Solastagia" é um filme bonito, com temas diversos que falam da proteção à natureza, saída do armário e memoria. A paixão pelo audiovisual também se faz presente. O filme traz imagens documentais reais do incêncio, e é uma metáfora para o relacionamento dos protagonistas.

sábado, 19 de setembro de 2026

Almacenados

"Almacenados", de Jack Zagha Kababie (2015) Vencedor dos prêmios de melhor ator, ator coadjuvante e roteiro no Ariel Film Festival, "Almacenados" é um drama mexicano adaptado fielmente da peça teatral escrita por David Desol O filme não esconde a sua origem teatral: durante todo o filme, são apenas 2 atores em cena, confinados em um depósito de uma empresa. O filme é um bom texto a ser explorado em adaptação teatral para 2 homens, um na faixa dos 60/70, e o outro, na faixa dos 30 anos. O Sr. Lino (José Carlos Ruiz) é um encarregado de depósito em uma fábrica. Prestes a se aposentar, Lino recebe um jovem funcionário, Nin (Hoze Meléndez), que irá substituí-lo na função. Lino completou 40 anos na função, sem jamais ter levantado a voz ou questionado qualquer tipo de ato, mesmo que não estivesse de acordo. Lino passa a estranhar o comportamento de Nin, que é totalmente diferente do seu: ativo, questionador. As opiniões de ambos divergem em todos os quesitos, mas uma coisa é clara: a necessidade de um emprego e o quanto ambos se sujeitam aos maus tratos, má remuneração e a função mecanizada e sem vida que o trabalho oferece. Os dois atores possuem química em cena e trazem registros naturalistas para as suas performances. O ritmo é lento e a dramaturgia necessita totalmente de seus diálogos, portanto, é um filme verborrágico, conforme a sua origem teatral.

Water sports

"Water sports", de Whammy Alcazaren (2024) Escrito e dirigido por Whammy Alcazaren, "Water sports" é um curta queer filipino. A narrativa é estranhíssima: com exceção dos atores, todo o entorno é criado em um horroroso IA, mal feito. O cenário é o mundo se acabando no calor. O planeta sofre com mudanças climáticas. Em uma escola, garotos gays tentam viver a normalidade, mas um espírito que representa a morte vai buscando um a um. O jovem casal Jelson e Ipe procuram se manter apaixonados, uma forma de tentarem se manter vivos. Tudo é bizarro, estranho no filme. Desde a história, non sense, até a fotografia, cenários de IA. É exagerado, tosco, quase um trash.

Muy lejos

"Molt lluny", de Gerard Oms (2025) Escrito e dirigido por Gerard Oms, "Muy lejos" é uma co-produção Espanha e Holanda. O filme é um drama queer, sobre um personagem que faz parte de um núcleo de masculinidade tóxica e que decide aceitar quem ele realmente é. Mario Casas, mega galã espanhol, foi elogiado pela sua performance, considerada a melhor de sua carreira e que o fez sair de seu lugar de conforto. O filme concorreu em San Sebastian, Goya e recebeu importantes prêmios em diversos festivais. A idéia inicial para ess elonga de estréia do roteirista e diretor FGerard Oms veio se sua própria vivência: na sua adolescência, viajou para a Holanda por não ter modelos a seguir que o ajudassem a compreender o que se passava na sua vida. Sergio (Casas) viaja de Barcelona para Utrecht, Holanda, junto de seu irmão e amigos torcedores fanáticos para assistir a uma partida entre Espanha e Holanda. De noite, no quarto, Sergio sofre um ataque de pânico. No dia seguinte, no aeroporto, ele joga fora seus documentos, e alega aos companheiros que não pode viajar e terá que ficar na Holanda até encontrar os documentos. Inesperadamente, Sergio procura por empregos, tenta fazer um curso de língua local. Ele se encontra perido, sem dinheiro, sem amigos, vivendo de sub-emprego, como se fosse um imigrante. O filme lida com temas contemporâneos, como imigraçao, xenofobia, homofobia, coming out. O protagonista faz uma virada radical na sua vida para poder se isolar de tudo e todos que o impedem de ser quem é. A cena em que Sergio dança em uma balada gay ao som de "Infinity", de DAvid Ghetta, é linda e emocionante.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Resident evil

"Resident evil", de Zach Cregger (2026) O game "Resident evil" foi criado em 1996 e a franquia com a a triz Mila Jojovich surgiu em 2022, gerando 6 filmes. Em 2021, foi lançado um reboot, bastante criticado. Agora, o cineasta Zach Cregger, dos premiados e elogiados "A hora do mal" e "Noites bárbaras" teve a missão de desenvolver a sua versão da cidade tomada pelos zumbis e mutantes. Assistindo ao filme, fiquei o tempo todo pensando no filme de Tom Hanks, "Náufrago", com a frase da Federal express, empresa no qual o personagem trabalhava: "O mundo na hora certa" ". O personagem de Hanks passava por muitas aventuras e obstáculos, e no final, entregava a encomenda, após experiências quase morte. O personagem de Austin Abrams , Bryan, também passa pela mesma missão: ele é um entregador de material médico. Em uma noite fria, ele precisa entregar uma encomenda em uma bolsa térmica em Racoon city. Mas ele não imaginava que seu caminho fosse desviado por zumbis, mutantes e animais ferozes. O filme segue quase à risca a linguagem de video game; praticamente sozinho e seguindo várias fases eobstáculos, Bryan luta para se manter vivo e na missão de entregar a bolsa. Os efeitos, a direção, a edição, tudo é perfeito. O que de fato não gostei, foram os 5 minutos finais, ua decisão ridícula de destuir personagens. O humor exagerado chega ao nível de galhofa no filme, preferia que fosse cem por cento terror.

Fujiko

"Fujiko", de Taichi Kimura (2026) Drama japonês que retrata a dificuldade de mulheres japonesas que viveram vidas de mães solteiras e independentes, anteriores ao ano de 1985, quando o Japão aprovou sua Lei de Igualdade de Oportunidades de Emprego. O filme vai de 1977 a 1982, acompanhando a jovem Fujiko. Fujiko deu luz à sua filha, Mari, na maternidade. Trabalhando em uma fábrica e sme ter com quem deixar o bebê, Fujiko a deixa no trabalho. Os pais de seu ex marido sequestram a criança, aleando que ela não tem condições de criar da bebê. Fujiko não tem base legal para recuperar. Com ajuda de sua mãe, ela recupera sua filha e foge. Em outra cidade, Fujiko tenta arranjar trabalho, mas as condições da época dificultam trabalhos melhores para mulheres, e só lhe resta o sub-emprego e a humilhação. "Fujiko" é um filme duro e realista, retratando o drama de uma mulher por dignidade de vida e de trabalho, buscando condições favoráveis para sua filha. Um retrato doloroso, traz a atriz Yuki Katayama em tour de force.

Gli occhi degli altri

"Gli occhi degli altri", de Andrea De Sica (2025) Inspirado em um caso real de feminicídio, ocorrido no dia 30 de agosto de 1970, em Roma, conhecido como o caso Casati Stampa. O marquês Camillo Casati Stampa matou a tiros de rifle sua esposa, Anna Fallarino, e o jovem amante dela, o estudante Massimo Minorenti. Em seguida, cometeu suicídio. A história me fez lembrar do caso de Angela Diniz, assassinada por Doca Street em 1976. A atriz Jasmine Trinca, no papel de Elena (versão fictícia de Anna), ganhou o prêmio de melhor atriz no Roma Film Fest em 2025. Filmado em belas locações em Toscana e Veneza, "Gli occhi degli altri" apresenta o Marquês Lelio (Filippo Timi), milionário, dono de uma ilha. Durante uma festa, o marquês conhece a esposa de um convidado, Elena, e se apaixonam. Mabos decidem abandonar seus conjugues e se casam. O marquês aceita um relacionamento aberto com elena, e munido de uma filmadora, arranja encontros eróticos com sua esposa, participando de org14s. Mas quando Elena se apaixona por um jovem estudante, o marquês passa a alimentar m ciúme doentio, culminando em tragédia. Visualmente, o filme traz elementos que trazem referência aos cinemas de Fellini e Pasolini, com excessos e personagens excêntricos. As cenas de erotismo ficam no meio do caminho, sem explorar muito as manifestações s3xu41s de Elena e os amantes. O filme é cansativo e o ritmo lento. As atações de Trinca e de Timi são corretas, trazendo camadas emotivas aos personagens.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Vanishing point

"Xiao shi de ren", de Wei-Hao Cheng (2026) Escrito e dirigido por Wei-Hao Cheng, diretor do filme indicado ao Oscar por Taiwan "Marry my dead body", de 2022. "Vanishing point" é um suspense, trazendo 3 histórias que acontecem em um prédio residencial. As histórias, envolvendo crimes, se entrelaçam em seu desfecho. O filme é uma adaptação do romance "Hai Kui", do escritor Bei Kebang, é ambientado em um prédio de apartamentos em Chongqing. 1) Tang Nuo, um menino de 9 anos, desaparece ao descer de seu apartamento até o carro de seu pai, que o aguarda na frente do prédio. A polícia procura entender como que o menino desapareceu dentro das dependências do prédio 2) Yan Wu é um jogador compulsivo. Quando seu pai decsobre que ele aposta todo o dinheiro, os dois discutem, e o pai morre de infarto. Com medo de perder a pensão que o pai recebia, o homem esconde o corpo do pai dentro do aquario 3) Lin sofre de um trauma: ela foi abusada s3xu4lm3nt3 por um estranho invasor que entrou em seu quarto quando ela estava dormindo O filme traz histórias que prendem a atenção do espectador, e bons atores. Mas o que prejudica a sua narrativa é a sua longa duração, excessiva, de 2hrs20 minutos. O filme se alonga mais do que o necessário e torna a experiência, mesmo que interessante, por vezes bastante cansativa.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Stories of our lives

"Stories of our lives", de Jim Chuchu (2014) Vencedor do prêmio Teddy no Festival de Berlim 2015, dedicado a filmes com temática queer, "Stpries of our lives" é um importante drama realizado no Quênia, país africano que criminaliza atos s3xu4is entre pessoas do mesmo sexo nos dias atuais, com penas que podem chegar a até 14 anos de prisão. O filme dramatiza 5 histórias reais com protagonismo Lgbt no país africano. Uma entidade chamada Nest Collective entrevistou de pessoas que se identificam como pessoas queer e esses relatos serviram como base para as 5 histórias do filme. A equipe técnica e elenco utilizou nomes falsos, para evitar perseguição, mas quando foi lançaod, essas pessoas foram punidas. O filme nunca teve lançamento oficial no Quênia. 1) Peça-me com educação - Duas jovens estudantes se conhecem na escola. Elas trocam carícias, até que o diretor as separa 2) Correr- Dois amigos caminham, até que um deles observa um bar com clientela gay. Um dos amigos fica interessado, e o outro o repele 3) Atman- Dois amigos trabalhadores rurais, um deles demonstra interess epelo outro 4) Dueto- Um queniano fazendo pesquisa no Reino Unido, contrata um garoto de programa branco, e se entrega aos prazeres 5) Todas as noites eu sonho - Dois amigos planejam uma fuga, quando são abordados por policiais O cineasta Jim Chuchu co-escreve e co-fotografa o projeto, todo rodado em preto e branco. É um filme simples no formato, mas repleto de camadas e conflitos íntimos e pessoais, explorando a homofobia no país.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

The last blossom

"Housenka", de Baku Kinoshita (2025) Concorrendo no Festival de Annecy 2025, "The last blossom" é uma animação trágica co-escrita e dirigida pelo japonês Baku Kinoshita. O filme apresenta um idoso sentenciado à pena de morte, Akutsu, nos dias de hoje. Ele foi preso por um crime que ele não cometeu. Ele recebe uma flor de bálsamo em uma lata. A flor começa a conversar com ele, e conclui que a vida de Akutsu poderia ter sido feliz, caso ele não negligenciasse amor e atenção às duas pessoas mais importantes de sua vida. A flor relembra Akutsu de quando ele estava casado com Nana, nos anos 80. Durante o boom econômico no Japão, ele compra uma casa. Akutsu assume o filho pequeno de Nana, Kensuke, como sendo seu. Akutsu trabalha para a máfia. Quando Kensuke fica doente, o tretamento deverá ser feito nos Estados Unidos e custa uma fortuna. Sem condições de pagar, Akutsu topa entrar em um roubo junto de amigo mafioso para robarem o dinheiro dos cofres da máfia. "The last blossom" traz uma história trágica, violenta e emocionante. Seu protagonista, Akutsu, traz uma carcaça de homem frio e duro, mas em seu interior, somente a flor consegue enxergar as suas reais intenções humanistas.