terça-feira, 8 de setembro de 2026
Canelones
"Canelones", de Christian Basilis e Ana Gussoni (2026)
Comédia de humor ácido argentina, inspirada em conto de Hernán Caciari. O filme tem um prólogo que começa em 1987: dois amigos adolescentes, moradores de Mercedes, província de Bueos Aires, se divertem. Hernan e Chiri costumam fazer trotes, fazendo ligações aleatórias. Hernán liga para uma mulher, e diz ser seu filho. Ele descobre que o filho dela, Daniel, foi embora e nunca mais voltou. Hernan continua a farsa e diz que irá visitá-la em casa em poucas horas. A mulher faz canelones e o aguarda. Hernan, claro, não vai.
Em 2015, Hernan agora é um escritor consagrado. Ao retornar para Mercedes, ele reencontra sua mãe, Chichita. Sem que Hernan saiba, sua mãe está namorando Daniel, o verdadeiro filho da mulher que ele ligou na adolescência, e que agora, quer se vingar da família de Hernan.
O filme tem um tom de sátira e humor ácido típicos do cinema argentino. O elenco é divertido, beirando a caricatura. O filme tem um ritmo oscilante, com diversas passagens com ritmo lento. No final, um bom passatempo.
Sheep in the box
"Hako no naka no hitsuji", de Hirokazu Koreeda (2026)
Lançado com muita expectativa na disputa à Palma de ouro no Festival de Cannes 2026, "Sheep in the box", do premiado cineasta e roteirista japonês Hirokazu Koreeda acabou sendo um dos mais criticados do evento. Dois anos após o seu aclamado "Monster" ter levado a palma de melhor roteiro e o queer palm, "Sheep in the box" ganhou a alcunha de "episódio de Blakc mirror" pelo seu tema fantasioso, já visto em diversas produções. O tema da Inteligência artificial recriando humanos já foi visto em 'A.I, inteligência artificial", "Blade runner", "Ex-machina", "A acommmpanhante perfeita" e obviamente, no episódio de Black mirror, "Be right back". Em todos, a figura humanóide se rebela e vai em busca de sua "humanidade". Koreeda é um dos cineastas que mais aprecido, tendo realizado filmes primorosos como "Ninguém pode saber", "Pais e filhos", "Assunto de família" e "Monster". "Sheep in the box" é um filme menor, mas não ruim, como muita gente quer fazer acreditar. Koreeda mais uma vez aponta a sua história para famílias desfuncionais, em busca de redenção. Dessa vez, ele apresenta uma história ambientad ano futuro, onde é possível reproduzir pessoas em uma empresa chamada 'Rebirth". Otone (Haruka Ayase) e Kensuke Komoto (Daigo Yamamoto) formam um casal: ela arquiteta, e ele, carpiteiro. O casal procura seguir a vida em luto, após a morte do filho, há dois anos. A empresa Rebirth os convida para conhecer as instalações, após ganharem o direito a receber um humanóide de graça, por conta da perda traumática. Kakeru (Rimu Kuwaki) ressurge em suas vidas. Otone imediatamente e afeiçoa a ele, enquanto Kensuke o repele e impede que o chame de pai.
O ritmo do filme segue lento e contemplativo. O pequeno ator Rimu Kuwaki tem um defícil desafio d einterpretar a inteligência artificial, e o faz com primor. Koreeda sempre foi famoso pela direcão de atores delicada e repleta de camadas.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Moscas
"Moscas", de Fernando Eimbcke (2026)
Co-escrito e dirigido por Fernando Eimbcke, "Moscas" é uma co-produção México, Espanha e Argentina, rodada na Cidade do México. O filme foi indicado ao Urso de ouro em Belrim 2026, de onde saiu com o prêmio do juri ecumênico. O cineasta Michael Franco foi um dos produtores, só que ao contrário de seus filmes violentos, "Moscas" traz a humanidade e esperanca através de uma improvável relação entre uma mulher solitária de meia idade, Olga (Teresita Sánchez) e um menino de 9 anos, Cristian (Bastian Escobar). O filme é rodado em preto e branco, trazendo um mundo melancólico e desesperançoso. Olga é uma mulher que mora sozinha em um apartamento. Após a morte de seu filho, ela se isola de todos. Sme condições de manter o apartamento sozinha, ela decide alugar um quarto. Tulio (Hugo Ramírez) e seu filho Cristian decidem morar no quarto: mas com dinheiro apertado, Tuilio esconde seu filho de Olga, que mora esconido no quarto. Eles decidem ficar ali por estar próximo do hospital onde a mãe de Cristian está internada na Uti, com câncer. Ao sair para procuar trabalho, Tulio deixa seu filho sozinho no quarto. mas Olga encontra a criança, e cobra mais dinheiro de Tulio, e deixando um prazo de uma semana para ficarem. Mas ela não esperava que fosse se conectar ao menino, e juntos, criam uma sinergia que os tira de seu marasmo.
"Moscas" foi indicado ao prêmio Goya 2027 de melhor filme, ficando de fora da indicação ao Oscar, que ficou com "En el camino". O ritmo é bastante lento e contemplativo, com fotografia em preto e branco, acentuando o cotidiano e a rigidez da vida de seus personagens, em planos estáticos.
On the sea
"On the sea", de Helen Walsh (2025)
Menção especial no Thessaloniki Film Festival 2025, 'On the sea" é um drama queer inglês escrito e dirigido por Helen Walsh. O filme foi rodado no País de Gales, na costa leste de Anglesey. Jack (Barry ward) é um homem na faixa dos 50 anos, casado com Maggie (Liz White) e pais do adolescente Tom (Henrique Lawfull). Jack trabalha com seu irmão mais novo, Dyfan, e os 3 filhos dele, na colheira de mexilhões à beira do mar. Jack passa por diversos dramas em sua vida: Tom não quer trabalhar para a família e seguir a tradição da colheita; a venda dos mexilhoes vai mal; Jack decsobre estar com câncer; e a chegada d eum jovem marinheiro gay à cidade, Daniel (Lorne MacFadyen), fará com que Jack reveja os seus conceitos acerca de sua macsulinidade. Ele e Daniel começam a se relacionar às escondidas. Daniel quer que eles assumam a relação, mas Jack está em conflito, pois não quer largar a sua esposa. Mas quando os rumores avançam no vilarejo, todos se voltam contra Jack, incluindo sua família.
O filme tem um ritmo bastante lento. A fotografia e a direção previlegiam os planos longos, esparsados, contemplativos, como um documental. O roteiro traz uma história já vista em muitos dramas queer, e a personagem mais prejudicada é a da esposa, encostada em um lugar comum da mulher enganada. Eu queria ter gostado mais do filme e ser surpreendido. Ainda asism, é um filme correto e defendido por ótimos atores.
domingo, 6 de setembro de 2026
Ponto sem retorno
"The dog star", de Ridley Scott (2026)
Um grande fracasso de crítica e bilheteria, "Ponto sem retorno" acompanha uma tragetória de grandes fracassos de Ridley Scott nos anos 2000: "O último duelo", "Casa Gucci", "Napoleão" e "Gladiador 2". Adaptado do romance escrto por Peter Heller em 2012, o filme foi rodado na Itália em externas e no famoso estúdio de Cinecittá. O talk of the town foi que Paul Mescal, protagonista de "Gladiador 2" e que seria o protagonista em "Ponto sme retorno", foi dispensado por Ridley que o considerou "pouco masculino". O filme teve orçamento por volta de 70 milhões de dólares, e arrecadou pouco mais de 232 milhões. Com um grande elenco de estrelas, formado por Jacob Elordi, Josh Brolin, Margareth Qualley, Guy Pearce, Benedict Wong e Allison Janney, "Ponto sem retorno" é um filme pós apocalíptico mega genérico e arrastado. Durante 1/3 do filme, parecia que eu estava assistindo a "Eu sou a lenda", com Will Smith e seu cachorro. Mas pelo menos ali, haviam zumbis para se divertir. Aqui, naquela máxima que o ser humano é o seu pior inimigo, encontramos sobreviventes que tanto podem ser canibais, quando grupos violentos a fim de uma bagunça.
O ano é 2032, e a maior parte da população morreu de epidemia de gripe. Hig (Elordi) se tornou viúvo após sua esposa morrer. Ele mora com seu cachorro, Jasper, e um fuzileiro, o bronco Bangley (Josh Brolin). Após um ataque, onde seu cachorro é morto, Hig decide pegar seu avião e seguir ate Grande Junction, onde recebeu chamados de rádio. Chegando la, ele conhece pai e filha, Cima (Margaret Qualley) e Pops (Guy Pearce). Ao chegarem em um aeroporto destaivado, eles encontram sobreviventes, liderados por uma ex-comissária (Janney), que na verdade, são canibais.
O filme não é bom. Personagens sem carisma, roteiro sem identidade própria, atores no automático. Logo no início, quando so personagens de Hig e Bengley tomam Coca Cola KS, pensei que o filme não teria solução, com essa inserção de product placement mega forçada.
sábado, 5 de setembro de 2026
Un susurro invocó mi nombre
"Un susurro invocó mi nombre", de Emilia Cotella e John Mathis(2025)
Roteiro de Emilia Cotella, co-diretora, "Un susurro invocó mi nombre" traz a já batida história de experiências com ayahuasca que não dão certo. Nos anos 80, Ken Russel realizou o cult "Viagens alucinantes", com Willian Hurt, e mesmo não sendo terror, traz cenas alucinantes e assustadoras que envolvem delírios de quem está sob os efeitos do chá alucinógeno. O filme ganhou o prêmio de melhor atriz para Clara Kovacic, que interpreta a protagonista Clara na sua 2a fase. Quando mais jovem, Clara foi com um grupo de amigos formandos para uma região isolada de Buenos Aires, Serra de Cordobas. Ali, tomam ayahuasca. Maria, amiga do grupo, amanhece morta na beira do lago, aparentemente de su1c1d10. Dez anos depois, Carla é uma famosa bailarina. Ela fica sabendo que um dos integrantes do grupo se su1cidou. Carla tem visões e acredita que precisa retornar ao local onde tmaram o chá há 10 anos atrás para entender o que está acontecendo.
Mediano, o filme não assusta e perdi o interesse logo no início. Só assisti até o final para entender o que estava acontecendo, e quando o filme acaba, fiquei sme entender direito. Sou daqueles que odeia finais em aberto. O elenco é correto, os efeitos razoáveis.
Encantador
"Encantador", de José María Cicala (2025)
Co-escrito e dirigido por José María Cicala, "encantador" é um terror argentino que recebeu o prêmio de melhor ator no Screamest, para Rodrigo Naya. O filme busca diversas referências cinematográficas e cults de terror, e talvez as mais explícitas sejam "Psicose" a relação obsessiva mãe e filho) "O massacre da serra elétrica" e "Maniac", a versão com Elijah Wood, onde o serila killer decide sequestrar e assassinar mulheres para fazer delas, manequins e bonecas inanimadas. A Argentina produz muitos filmes de terror, e como qualquer cinematografia, existem filmes bons e ruins. Infelizmente, 'Encantador" entra na 2a categoria: confuso, um roteiro que atira para todos os lados e atores medianos.
Filmado na cidade de Elortondo, na província de Santa Fé, "Encantador" apresenta o jovem atormentado Tomás (Naya), que possui um trauma trágico na sua infância. Morando com sua mãe, Tomás tem obsessão por bonecas. Ele trabalha na locadora de vídeos de uma cidade pequena e também no posto de saúde. Um policial, o Inspetor Porter, chega querendo entender o desaparecimento de 3 mulheres.
São muitos personagens, todos conectados a Tomás. Alternando o tempo presente e flashback, 'Encantador" não assusta e traz cenas gráficas de assassinatos mal iluminadas e com efeitos práticos funcionais. O desfecho é bizarramente sem noção.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Coyote Vs Acme
"Coyote Vs Acme", de Dave Green (2026)
Fico admirado como os produtores e roteiristas da animação "Coyote vs Acme" foram corajosos em lançar um filme que pensa mais nos adultos nostálgicos do que nas crianças. O filme tem uma trama complexa, 1/e dele acontece em tribunal, com muitos diálogos e um ritmo que alterna entre as tradicionais sequências de perseguições malfadadas do Coyote contra o papa léguas e muita verborragia no tribunal.
Mas o fato mais contundente aconteceu ainda nos bastidores: A Warner Bros Discovery, detentora ds direitos, não gostou do resultado, após reações negativas do público, e decidiu engavetar a animação em 2023, para obter dedução fiscal. Tempos depois, permitiu que os donos do projeto o oferecessem a outras distribuidoras. Após muitas recusas, a Ketchup Entertainment adquiriu os direitos por US$ 50 milhões em março de 2025. Mesmo com críticas elogiosas, o filme fechou com 27 milhões de dólares de arrecadação mundial.
Eu, confesso, sempre fui fã do Coyote, e odiava o Papa Léguas. Sempre torcia pro Coyoto comer a ave gigante. Mas a resiliência e a obstinação do Coyote acabaram sendo a grande mensagem dos desenhos antigos. O coitado do Coyote sofria demais. A idéia de "Coyote Vs Acme" veio de James Gunn, que na época, levou um matéria da The New York Times escrita por Ian Frazier em 1992: e se o Coyote decidisse processar. Acme, por vender produtos defeituosos? Pois essa é exatamente a premissa do filme. Após um clip com todos os produtos da Acme falhando ao capturar o Papa Léguas, o Coyote decide contratar um advogado para processar a empresa.Todos os personagens famosos da Looney tunes surgem em maiores ou menores participações: Pernalonga, Patolino, Hortelino, Frangolino, Piu Piu, Gaguinho, entre outros. O filme é divertido, mas nvamente, para quem cresceu assistindo aos desenhos. Para a garotada nova, pode ser um tiro na culatra, pela falta de identificação e pela verborragia.
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Dear boys
"Lieve jonges", de Paul de Lussanet (1980)
Primeiro filme holandês que retratou um relacionamento homossexual, "Dear boys" foi lançado em 1980. O filme é repleto de cenas de s3x- e nudez total, e causou enorme furor na época. O filme é baseado no livro "Lieve Jongens", de Gerard Reve.
O filme é um relato das fantasias s3xu41s do escritor, um homem de meia idade e que deseja homens mais jovens. Wolf é um escritor de sucesso que está em crise. Ele tem medo que a idade o afaste dos jovens. ele mora em uma fazenda com seu amigo Tijger. Ao ir para uma boite, Wolf se encanta e se apaixona pelo jovem Woelrat, que é namorado de Albert. Wolf cnvida os dois a irem até a sua fazenda. Wolf seduz Woelrat, que permite se envolver. Mas logo, os 4 entrarão em um jogo permissivo, ciumento e perigoso.
O que mais me chamou atenção, é o quanto um filme de 1980, já trazia cenas extremamente eróticas, e nudez total do elenco. As cenas da sfantasias eróticas envolvem dominação e masoquismo. Mesmo datado narrativamente, é um clássico que vale ser visto como objeto de estudo e pela importância para a emancipação do cinema queer na Holanda.
Tres veces
"Tres veces", de Paco Ruiz (2020)
Filmado em Madri, esse curta espanhol Lgbt é um ótimo exemplar de thriller de suspense, com excelentes atores, direção precisa e um roteiro com plot twist. O filme venceu 4 prêmio no Festival Cortogenia: melhor filme, roteiro, ator (Koldo Olabarri) e trilha.
Mario (Koldo Olabarri) é um jovem que mora com seus pais. A sua irmã pede que ele cuide do bebê. Sozinho em casa, Mario aproveita para marcar um encontro com Soren (Frank Feys), um homem mais velho que ele conhecer no Grindr. Mario calcula o tempo para a tarnsa até q chegada de seus pais. Quando Soren chega, os dois fazem s3x0. Na despedida, no entanto, Soren se revela ser um psicopata, e passa a chantagear Mario.
Com 20 minutos, o filme traz drama e muito suspense, além da nudez total dos atores em cenas intenas de s3x0.
Retratos del apocalipsis
"Retratos del apocalipsis", de Luca Castello, Fabián Forte e Nicanor Loreti (2024)
Escrito e dirigido por Luca Castello, Fabián Forte e Nicanor Loreti, "Retratos del apocalipsis" é um terror independente argentino. O filme é uma antologia com 4 episódios, que ocorrem durante um suto zumbi na cidade de Buenos Aires. Concorreu a melhor filme argentino no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata 2024.
1) Uma policial acuada em uma sala com zumbis prestes a despertar, aguarda a chegada de rforços
2) Em uma casa, uma idosa acorda sua filha e seu genro, alegando que seu gato sumiu
3) Uma grávida grava vídeos para que seu futuro filho assista o mundo antes do apocalipse zumbi
4) Um pai recorre a ritual satânico, utilizando o zumbi que mordeu o seu filho, para que o filho ressuscite
O filme foi dirigido por 3 diretores, cada um filmando um, e tendo um episódio dirigido pelos 3. É um filme original, criativo, utilizando uma boa atmosfera para driblar o orçamento baixo.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Cu Lí never cries
"Cu Li không bao gio khóc", de Pham Ngoc Lan (2024)
Co-escrito e dirigido por Pham Ngoc Lan, "Cu Lí never cries" é um drama vietnamita que ganhou o prêmio de diretor estreante no Festival de Berlim 2024. O filme é rodado em preto e braco e apresenta um Vietnã desolador, através da história de 2 mulheres de gerações distintas.
Nguyen (Minh Chau) é uma aposentada que retorna para a sua casa em Hanói, após buscar as cinzas de seu marido que ela conheceu na Alemanha oriental, na época que ambos os países eram regidos pelo governo comunista. Além das cinzas, ela traz um pequeno lêmure que pertencia ao marido (Cu Lí), em vietnamita). Ao chegar em sua casa, ela encontra a sua sobrinha Van (Ha Phuong), uma jovem pcd que trabalha como professora de jardim de infância. Quang está prestes a se casar com o preguiçoso e sem ambições Quang (Xuan An Ngo). O jovem casal traz preocupações diferentes da sra Nguyen, ambas as mulheres vivendo histórias polçiticas distintas. Nguen mergulho no seu passado, enquanto Van busca encontrar o seu futuro em um casamento sem expectativas.
O filme traz um branco e branco estiizado, embalado por uma trilha sonora repleta de canções que fazem um painel musical do país. Os temas propostos pelo filme transitam bem dentro do universo feminino. Na tentativa de sororidade entre duas gerações que não se compreendem, o filme procura um desfecho otimista, mas o que encontra, é o vazio e a solidão, impresso nos rostos de seus protagonistas.
The Sun, the Moon, & the Hurricane
"The Sun, the Moon, & the Hurricane", de Andri Cung (2014)
Escrito e dirigido por Andri Cung, "The Sun, the Moon, & the Hurricane" é uma co-produção da Indonésia e Tailândia. O longa queer foi rodado em Bangkok, Jacarta e Bali. O filme concorreu no Festival de Vancouver. Segundo o diretor, o título do filme se refere às três fases da vida de um homem: os momentos repletos de problemas são comparados ao furacão, enquanto a juventude, cheia de histórias de amor dramáticas, é simbolizada pelo sol, e a vida adulta, mais calma e estável, é representada pela lua.
O filme é dividido em 3 atos, cada um se passando em um período: Em Jacarta, Rain (William Tjokro) é um jovem estudante que fica amigo do estudante Kris ((Natalius Chendana), que o defende de outros alunos. A aizade entre os dois se intensifica: Rain passa os finais de semana na casa de Kris. Kris passa a nutrir uma paixão platônica por Rain, mas teme perder a amizade e decide desaparecer. Rain por sua vez, é enrustido, e o sumiço de Kris o deixa em um vácuo. O tempo passa. Em Bangkok, Rain, já adulto e assumido, se relaciona com um garoto de programa. Anos depois, Rain recebe um convite para visitar kris, agora casado com uma mulher, em Bali.
O filme me fez lembrar de "Happy together", de Wong Kar Wai: estilizado, linda fotografia, belos e talentosos atores e uma trama que traz uma melancólica e conflituosa relação entre dois rapazes. As cenas homoeróticas são encenadas com poesia e sutileza, a lente da câmera fotografa os corpos nús com muito desejo e paixão. Os olhares, o t3s40 são bem captados.
Gohan
"Gohan", de Chayanop Boonprakob, Atta Hemwadee e Baz Poonpiriya (2025)
Malditos filmes com cachorros que fazem a gente chorar trocentos litros. "Gohan" ( que em japonês significa arroz cozido) é uma produção da Tailândia, dos mesmos produtores do indicado ao Oscar de filme internacional "Como Ganhar Milhões Antes Que a Vovó Morra". O filme me fez lembrar do melancólico "Quatro vidas de um cachorro", onde um mesmo cachorro passa por diversos donos ao longo de sua vida. O cachorro tem 3 etapas, cada um com uma história diferente e um diretor distinto. Na fase filhote, ele é chamado de Gohan, e é criado por um recém aposentado chefe de uma empresa de indústria de automóveis; já adulto, ele é chamado de Brownie, e é ajudado por uma jovem que o resgata de um abrigo, ond eo maltratam; e na fase idoso, ele se chama Hani, e é encontrado por um caal de estudantes, abandonado an estação rodoviária.
O filem percorre a Covid 19 na primeira história, e além do drama do animal abandonado, o roteiro apresenta os dramas de cada um de seus donos. É um filme uito triste, doloroso, que mostra um mundo cruel, que rejeita pessoas à margem da sociedade, discutindo etarismo, imigração ilegal e amores desencontrados. Obviamente os cachorros que interpretam o protagonista são lindos e fofos demais, e no final, me acabei muito.
terça-feira, 1 de setembro de 2026
O sorveteiro
"Ice cream man", de Eli Roth (2026)
Os Estados Unidos devme ser o único pais do mundo que permite o uso de crianças em cenas ultraviolentas, mutilando, decapitando, estripando. Fosse no Brasil, que tem regras muito rigidas de participações de menores em cena, esse filme jamais teria sido realizado. Eli Roth co-escreve o roteiro, dirige e estrela o filme, que busca referências em crianças assassinando adultos de filmes como "Quem pode matar uma criança?", "A aldeia dos amaldiçoados" e Colheita maldita". Mas aonde ele literalmente rouba as idéias é em "Terrifier" e "A hora do mal". O personagem do sorveteiro, assim como Art the clown, tem uma composição corporal clownesca e não fala. O filme foi detonado pela crítica e recebeu críticas também por uso de IA, em cenas de animação e de composição de efeitos, além de construção de cenários.
Na fictícia cidade de Bayleen Bay, um caminhão de sorvete chega. O Sorveteiro distribui sorvetes para as crianças, que passam a possuir um comportamento assasisno e a matar os adultos. Jared, por ser intolerante à lactose, não toma o sorvete. Sua irmã Lizzie vomita o sorvete e também não se contamina pelo surto. Ambos precisam fugir da cidade e avisar seus pais, que estão chegando à cidade.
Fico pensando na premiere do filme, com todo o elenco infantil assistindo junto dos pais. A chacina é total, com violência gore e brutal ( por ex, em uma cena, as crianças abrem a cabeça de um professor, retiram o cérebro com uma colher e servem em uma casquinha de sorvete). Claro, tudo está sob o manto do trash, o que torna tudo aceitável. Mas ainda assim, é um filme doentio e bizarramente problemático. O elenco de uma forma geral é fraco, e difícil torcer por alguém.
I want your sex
"I want your sex", de Gregg Araki (2026)
Elogiado pela crítica, "I want your sex" é o 12o longa do cineasta e roteirista queer americano Greg Araki. Depois de um hiato de 12 anos, quando rodou seu penúltimo filme "Pássaro branco na nevasca", de 2014, Araki retorna com uma trama que mistura humor ácido, drama, romance e muito erotimo chic, rondando o universo dos fetiches e do BDSM. O elenco é forte: Olivia Wilde (antes de seu mega sucesso, "O convite"), Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Horffman e que esteve no excelente "A longa marcha", Margareth Cho, Jonny Konxville, Mason Godding e a cantora Charli XCX, no papel de Minerva, namorada de Elliot (Hoffman). Greg Araki é um cineasta interessante, e de seus filmes, o que mais amo é "Mistérios da carne".
Elliot (Hoffman) é um jovem formado em mestrado, mas desempregado. Ele consegue um emprego como estagiário da artista Erika Tracy (Wilde). Logo ela se revela uma chefe diferente: ela seduz Elliot e o traz para o seu mundo da dominação, fazendo dele um parceiro s3xu4l submisso. Elliot passa a se descobrir um pervertido. Mas logo a verdade do jogo s3xu4l se revla.
Eu queia ter gostado do filme, mas não me convenceu muito. O que me prendeu a atenção foi o trabalho do elenco principal, que se diverte nas cenas de dominacão. O roteiro não me seduziu, achei tudo meio sem graça, e a proposta de erotismo, alardeado por Araki como um antídoto para a caretice da geração Z, ficou com muito freio de mão puxado. O filme começa fazendo homenagens a "Crespúsculo dos deuses"e "9 1/2 semanas de amor".
Buddy
"Buddy", de Casper Kelly (2026)
Grande sensação no Festival de Sundance 2026, "Buddy" é um filme de terror que traz uma narrativa que quebra o tabu de décadas: crianças sendo assassinadas e massacradas por um assassino. De uns anos para cá, filmes como "Terrifier 3", "O telefone preto 2" e "Five nights at Freddy's 2" não têm puder de mostrar em cenas crianças sendo esfaqueadas, mutiladas, jorrando sangue. "Buddy" faz parte dessa leva, porém, trazendo uma linguagem original e bastante criativa: uma metalinguagem de séries infantis de tv dos anos 90, como "Barney', apresentam o bichinho fofo como o serial killer. Para se entender melhor a proposta do diretor e roteirista Casper Kelly, é fundamental assistir ao seu premiado e excelente curta de 2014, "Too many cooks", um precursor de "Buddy".
Buddy é o protagonista de uma série de tv de grande sucesso, voltado ao público infantil. Em um mundo bastate colorido, crianças, animais falantes, um carteiro, uma enfermeira e Buddy convivem em harmonia. Mas crianças que contestam Buddy acabams endo assassinadas e substituídas por crianças da vida real, que são abduzidas quando assistem ao programa d etv em suas casas, e ao chegar no mundo de Buddy, têm sua memória apagada. Quando as crianças remanescentes percebem os crimes de Buddy, procura, fugir pela floresta, mas Buddy vai ao seu encalço.
Tem uma trama paralela, apresnetando uma família na vida real, cuja mãe é abduzida para série e percebe que uma das crianças é sua filha desaparecida. O pai é o ator Topher Grace, e a mãe, Cristin Milioti. Os efeitos, a caracetrização, o visual de Buddy, a direção de arte, a trilha sonora, tudo é muito crível em sua reprodução das séries vintage dos anos 90.
Um triste e belo mundo
"Nujum al'amal w al'alam", de Cyril Aris (2025)
Vencedor do pr6emio do público no Festival de Veneza 2025, "Um triste e belo mundo" foi o indicado pelo Líano à uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2026. O filme mistura generos: drama, romance, fantasia, comédia, para apresentar a historia de amor entre Nino (Hasan Akil) e Yasmina (Mounia Akl). Ambos nasceram no mesmo dia, durante um bombardeio na maternidade. O filme acompanha os diversos encontros e desencontros das duas crianças, até se rencontrarem por um acidente nos dias atuais, já na faixa dos 30 anos de idade. Yasmina se tornou uma poderosa consultora de encomia. Nino é o chef de um famoso restaurante chique. Quando Nino dirige seu carro, acaba batendo no carro onde estão Yasmina e sua mãe.
O filme tem uma narração que costura a história, que vai e volta no tempo. Toda a tajetória dos apaixonados acontece com a guerra do Líbano como pano de fundo. Yasmina é realista. Nino é otimista e sonhador. Lindamente fotografado, "Um triste e belo mundo" é exatamente como o seu título traduz. Um retrato melancólico de um país em crise, com uma história de amor como base, mas com um desfecho em aberto, que deixará muitos espectadores frustrados.
Drunken noodles
"Drunken noodles", de Lucio Castro (2025)
Co-produção Argentina e Estados Unidos, "Drunken noodles" é um drama erótico queer escrito e dirigido por Lucio Castro. Rodado em Nova York, o filme concorreu ao Queer Palm no Festival de Cannes 2025. O filme acompanha o estudante universitário de arte Adnan (Latih Khalifeh), recém chegado a Nova York, Ele vai passar o verão estagiando em uma galeria de arte, onde acontecerá uma exposição de um artista, Sal. Adnan fica no apartamento de seu tio, e em troca, deve cuidar de seus gatos. Durante uma caminhada noturna, Adnan conhece um entregador de comida, Yariel (Joel Isaac), e ambos fazem s3x0 no parque. O filme apresenta um flashback, e traz o relacionamento de Adnan com um artista recluso, Sal (Ezriel Kornel), um idoso. A obra de Sal está exposta atualmente na galeria. Adnan reencontra um antigo namorado, Iggie (Matthew Risch), e passam um final de semana juntos no interior de Nova York.
O filme tem uma narrativa fragmentada, alternando realismo e fantasia. Trazendo cenas homoeróticas, não explícitas, Lucio Castro traça um painel da sexualidade queer contemporânea. O ritmo é lento, a estrutura é estilizada e empostada, podendo não agradar quem busca algum filme mais convencional.
Homossexual
"Homosexual", de Toby Ross (2013)
Toby Rosss é um cineasta americano que durante os anos 70 e 80, realizou diversos filmes pornográficos para a indústria gay e hetero. A partir dos anos 80, Ross abandonou o cinema pornô e passou a investir em um cinema ond eunisse erotismo e humor, seja em ficção ou documentários.
"Homossexual" é um mockmentary (falso documentário)onde um entrevistador de um programa conversa com diversos homens gays, que apresnetam seus reatos de sua vivência queer. Entre os depoentes, existem dois grupos nítidos de gays: aqueles que buscam s3x0 e aqueles que procuram relacionamentos. Cada depoimento apresenta uma reconstituição, o que faz o filme ser dividido em pequenos episódios. Boa parte deles apresenta conteúdo explícito, muitas vezes com doses de humor. Rodado em Los Angeles, "Homossexual" é um exemplo do cinema de resistência gay, proveniente de uma narrativa e linguagem dos filmes doa anos 70, com um olhar sobre a liberdade s3xu4l, sem culpa, representado por um elenco de atores de corpos másculos e viris.
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